11 de outubro de 2015

Capítulo 15 - Zoey

— Essa é uma árvore extremamente grande! Estou contente pelo estúpido apocalipse de gelo não tê-la matado. Vi alguma coisa online sobre como muitas árvores de pera Bradford foram mortas neste inverno no T-Town, e foi um número loucamente alto — disse Stevie Rae.
Ela estava encolhida ao meu lado na van parecendo vestida com uma péssima fantasia de fantasma de Dia das Bruxas, com um manto branco cobrindo-a com exceção de onde ela cortou duas pequenas aberturas para olhos. O sol quase desaparecera e a van não tinha janelas, mas Thanatos disse que não correria nenhum risco. Stevie Rae e Shaylin foram totalmente cobertas, e elas eram as únicas vampiras e calouras vermelhas com permissão de ir com a gente, o que foi demais para o enfurecido Stark.
— Nós não podemos correr riscos com nossos recursos mais poderosos — Thanatos havia dito à Stark quando ele protestou que tinha a maldita certeza de que estava vindo comigo. — E você, jovem Guerreiro, provou-se ser poderoso e um recurso.
Eu preferia ter Stark comigo, mas concordara com Thanatos. Além disso, eu tinha dito, não estaríamos longe da escola. Assim que o sol se pusesse ele poderia vir até nós.
Thanatos desfizera totalmente esse plano decidindo que não, Stark não precisava vir até nós. Era mais razoável que Stark e Aurox trocassem de posição por um tempo. Stark protegeria a escola. Aurox protegeria o círculo e eu.
Eu teria protestado e passado por cima do comando de Thanatos. Quero dizer, Stark era o meu Guerreiro. Nem mesmo a Grande Sacerdotisa da escola poderia lhe mandar para longe. Mas Kalona tinha que estar no Mayo enquanto Thanatos estivesse lançando o feitiço para ter certeza de que, se por algum horrível motivo, isso não funcionasse tão bem quanto ela planejara, ele estaria lá para combater quaisquer coisas terríveis que Neferet fizesse. Então Thanatos estava mandando embora seu Guerreiro porque era o que era melhor para todos.
Seria infantil e egoísta da minha parte não fazer o mesmo.
Stark sabia disso. Eu podia ver isso em seus olhos enquanto nós dirigíamos para longe da escola, deixando-o para trás. E isso não tornou nada daquilo nem mesmo um pouquinho mais fácil.
— Z, você não está prestando atenção em mim — Stevie Rae reclamou, me dando um empurrãozinho quando não conseguiu chamar a minha atenção.
— Sim, eu estou te ouvindo. A árvore é grande.
Eu podia ver sua careta através dos seus buracos para os olhos.
— Eu disse muito mais do que isso, mas não importa, agora você está escutando. Alguma vez você já esteve aqui antes? É bem mais legal do que pensei que fosse.
— Eu já estive aqui antes com a Vovó — respondi, tentando me livrar do mal-estar que eu sentia em deixar Stark pra trás. — Ela gosta de vir para o Ano Novo Busk, apesar de ser é uma cerimônia Creek e não Cherokee. Vovó diz que a tribo não importa tanto quanto a energia positiva.
— Sua avó é uma mulher sábia — disse Thanatos.
— O que é um Busk? — Shaylin perguntou de onde estava agachada ao lado de Stevie Rae.
Ela segurava tão firmemente a sua vela azul do elemento água quanto o cobertor que a protegia do sol poente. Eu não a culpava por estar nervosa. Eu praticamente tinha todas as minhas unhas por causa dos nervos.
— Eu li sobre isso — Damien a respondeu, porque eu estava ocupada balbuciando internamente. — É um ritual sagrado e adorável. O mais importante ritual anual dos antigos povos Creek. Tribos se juntavam para fazer tudo, desde a purificação à resolução de litígios e dívidas. Foi estabelecido aqui em Tulsa em 1836 pelo clã Loachapoka do Alabama Creek Nation. Eles tinham sido forçados a deixar suas casas. Foi uma provação terrível para eles, não diferente da trágica Trilha de Lágrimas. Os sobreviventes realizaram uma cerimônia Busk ao redor da árvore onde depositaram as cinzas de suas casas incendiadas no Alabama, proclamando que eles eram Tulsa-Loachapoka, e esta era a sua nova casa.
Estávamos todos calados, olhando através da janela da frente da van, estudando a árvore e pensando sobre o que Damien tinha dito. Eu conhecia a história. A Vovó me contara na primeira vez que vim ao parquinho que agora cercava a Árvore do Conselho do Grande Carvalho.
— Soa como um lugar cheio de energia — Aurox falou atrás de mim.
— Sim, e vamos ter a certeza de que a energia é positiva — disse Thanatos.
— Você vai ter que me dizer o que devo ou não fazer — o detetive Marx avisou.
Ele estava dirigindo. Thanatos havia decidido que ele e Aurox seriam os guardiões perfeitos para este ritual. O detetive poderia lidar com quaisquer problemas com os moradores locais e Aurox lidaria com qualquer coisa sobrenatural. Nenhum deles parecia particularmente assustador. Marx era alto e em boa forma. Na verdade, ele meio que me fez lembrar John Reese de Person of Interest (tudo o que ele precisava era do terno preto!). E Aurox, bem, Aurox parecia um garoto fofo. Alto, loiro, definido. A única coisa estranha sobre ele, a não ser que ele se transformasse em um monstro horrível, eram seus olhos, e eles não eram assim tão maus. A menos que você realmente o observasse, eles apenas pareciam azul bebê e...
— Zoey Redbird! Você deve se concentrar!
A voz de Thanatos cortou meu nevoeiro mental e eu saltei.
— Eu estou concentrada — respondi automaticamente.
— Então o que eu acabei de dizer ao detetive Marx? — ela perguntou, virando-se em seu assento para me dar um olhar severo.
Eu suspirei.
— Desculpe. Você está certa. Eu não estava me concentrando. Tentarei me esforçar mais.
— Não tente! Faça! — Ela ordenou.
Damien aliviou o humor quando seu sussurro “Yoda?” expandiu-se através do Hummer.
Stevie Rae riu e Shaylin sussurraram de volta:
— Você é um nerd!
Thanatos suspirou profundamente e sua expressão relaxou.
— Estamos todos nervosos. Estamos todos no limite, e não será bom para nenhum de nós descontarmos um no outro. Peço desculpas por minhas palavras duras. Então, deixe-me começar de novo.
— Obrigada. Você tem toda a minha atenção.
— A minha também — disse Damien.
— Sim, eu estou ouvindo — concordou Stevie Rae.
— Eu também! — Shaunee e Shaylin disseram juntas.
Aurox e Marx não disseram nada, suas atenções estavam focadas em Thanatos pelo caminho inteiro.
— Muito bem, todos vocês — disse Thanatos. — Como eu estava dizendo para o detetive Marx, aprecio que ele tenha visitado o local antes de abrir o portão para que possamos acessar a árvore sagrada.
— Disponha — disse Marx. — Eu também trouxe a mesa de ferro forjado que você pediu. Coloquei-a debaixo da árvore, a poucos passos ao sul de sua base, como solicitou. Será que parece bom para você?
Nós tínhamos estacionado onde a calçada encontrava as escadas que levavam até o pequeno parque do Conselho. O terreno sobre o qual a árvore estava era uma colina, agora localizado no meio de um bairro. Ela havia sido cercada por proteção, mas a porta estava aberta e havia uma mesa de ferro forjado finamente construída colocada sob a árvore.
— Parece excelente — respondeu Thanatos. Ela levantou a cesta que trouxe com ela e continuou a explicar. — Começando neste momento, é de extrema importância que cada um de vocês se concentre no que desejam proteger: Tulsa das Trevas de Neferet. E por que desejam protegê-la, porque querem restaurar o equilíbrio entre Luz e Trevas.
— Mesmo Aurox e eu? — perguntou o detetive.
— Absolutamente. Você não vai ficar dentro do círculo, mas sua energia irá afetá-lo. Por que acha que escolhi vocês dois como nossos Guardiões?
Aurox falou:
— Você está nos usando porque somos descartáveis.
As sobrancelhas de Marx se ergueram. Ele começou a falar, mas Thanatos respondeu muito rapidamente.
— Vocês não são descartáveis — disse ela com firmeza. — Escolhi vocês dois porque o seu propósito é unicamente o de proteger. Esta é exatamente a energia que este ritual precisa que o cerque. E, jovem Aurox, deixe-me assegurar-lhe, eu não uso pessoas.
Aurox balançou a cabeça lentamente.
— Obrigado por ter explicado para mim, Grande Sacerdotisa.
— Sim, é bom saber — disse Marx.
— Agora, Shaunee, como você sabe, o elemento mais importante neste ritual é o fogo.
— Sim — Shaunee concordou prontamente.
— Eu gostaria de pedir que você levasse o cálice sagrado, os fósforos de rituais e a mistura de óleo e canela que eu trouxe nesta bolsa até a mesa de ferro — Thanatos passou um grande cálice de cristal, muito bem feito com a imagem de Nyx gravado em torno dele, uma sacola marrom cheia de líquido lamacento e uma longa caixa de fósforos de rituais para Shaunee. — Antes de tomar o seu lugar no sul, despeje o óleo de canela no cálice e deixe os fósforos em cima da mesa.
— Eu posso fazer isso — disse Shaunee. — E eu reli o ritual no meu Manual do Novato 101. Estou pronta para fazer o resto da minha parte também.
— Bom. Conto com o seu apoio e do seu elemento.
— Você terá. Eu prometo.
— Obrigada, filha — disse Thanatos. — Fora isso, só peço que os cinco definam e mantenham  sua intenção focada, não importa o que aconteça do lado de fora, ou de dentro do círculo. Eu farei o resto.
Minha intuição era como uma coceira que eu não podia deixar de aliviar, então eu não evitar perguntar:
— Será que algo estranho vai acontecer dentro do círculo?
— Estranho? Não é estranho que um grande Ritual drene a Grande Sacerdotisa que lançar o feitiço. Mas você deve estar preparada para o que possa acontecer comigo.
— Você vai ficar bem, certo? — perguntou Stevie Rae.
— Acredito que sim, mas talvez não até depois que eu já não precise manter a magia.
— Até então, o que podemos esperar? — perguntou Damien. — Eu estudei o feitiço de proteção de Cleópatra. Nada aconteceu com ela quando ela o lançou.
— Cleópatra teve tempo para jejuar e se preparar. Eu não tive esse luxo. Só sei que, mesmo depois que eu lhes disser para fechar o círculo, vocês não podem me mover. Devo permanecer neste lugar de poder, canalizando energia protetora da terra, para que a magia mantenha a eficácia.
— Mas não podemos simplesmente deixá-la aqui sozinha — Damien respondeu.
Um movimento fora da van chamou minha atenção, e meus olhos se arregalaram de surpresa e felicidade.
— Não acho que Thanatos ficará de todo sozinha — falei, apontando para o meu pequeno fusca azul que acabara de atravessar a rua ao nosso lado.
Enquanto nós assistimos Vovó, a irmã Mary Angela, a Rabina Margaret Bernstein e Suzanne Grimms saírem do meu carro.
A Vovó levou-os para o lado do passageiro da van, onde ela esperou, pacientemente, Thanatos abrir a janela.
— Merry Meet, Grande Sacerdotisa — Vovó disse, com um largo sorriso.
— Sylvia? O que é que você e estas senhoras estão fazendo aqui? — perguntou Thanatos.
— Meu espírito me disse que você teria de ser vigiada. Estamos aqui para fazer isso — Vovó respondeusimplesmente. — Purifiquei cada uma de nós e definimos a nossa intenção de proteger Tulsa. Estamos prontas para continuar quando você estiver.
Thanatos estendeu-se através da janela aberta para agarrar a mão de Vovó.
— Obrigada, minha amiga, minhas amigas — disse ela, a voz rouca de emoção.
— O sol acabou de se pôr! — Stevie Rae anunciou, retirando o seu cobertor.
— Perfeitamente cronometrado, agora que estamos todos aqui — observou a irmã Mary Angela.
— Então vamos prosseguir — Thanatos falou. — Zoey, como espírito, por favor, leve os seus elementos para o espaço ao redor da árvore. Posicione-se à cabeceira da mesa, de costas para Stevie Rae. Você virá comigo enquanto invoco cada elemento.
— Ok, entendi.
— Todo mundo tem suas velas? — nós cinco levantamos nossas velas de ritual. Thanatos sorriu. — Vejo que o meu círculo está pronto. Zoey, prossiga, e que Nyx esteja conosco.
Automaticamente, eu sussurrei em resposta:
— Que Nyx esteja conosco.
E assim o fez todas as pessoas ali reunidas, de modo que a bênção pareceu ecoar ao redor e através de nós com intensidade mágica.
Isso é bom, eu pensei. Isso é muito bom.
Respirei fundo e abri a porta da van. Esperei na calçada até que meus cinco amigos saíram atrás de mim, e então eu os levei até as escadas e atravessamos o portão, seguindo para a árvore.
O antigo carvalho parecia crescer mais quando me aproximei dele. Seus ramos espalhavam-se compridos para o alto e para baixo. Eu podia ver que seus ramos brotavam, mas nenhuma folha tinha se formado ainda. Mesmo assim, alguns dos seus ramos maciços alisavam no chão.
Movi-me ao seu redor, fazendo meu caminho para a mesa de ferro colocada abaixo dela. Shaunee permaneceu comigo, mas Damien, Shaylin e Stevie Rae silenciosamente tomaram seus lugares, formando um círculo à minha volta. Eu podia ver que Vovó e as outras senhoras vieram para dentro da cerca, mas tiveram o cuidado de ficar fora do círculo que Thanatos lançaria em breve. Detetive Marx e Aurox permaneceram fora da cerca. Mantendo a sua atenção voltada para fora, eles começaram a caminhar ao redor da área, vigilantes e prontos para agir.
Shaunee derramou o líquido espesso no cálice de cristal. Eu inalei profundamente o cheiro familiar de canela. Ela encontrou meu olhar, brevemente, quando acabou de encher o cálice.
— Abençoada seja — falei suavemente.
— E abençoada seja a ti — ela respondeu, antes de se mover para a sua posição na parte mais ao sul do círculo.
Um movimento no portão me chamou a atenção. Thanatos tirava o casaco que vestia. Minha respiração ficou presa quando ela se adiantou. A Grande Sacerdotisa usava um longo vestido escarlate que parecia vivo. Enquanto se movia, a cauda de seda do vestido levitava e ondulava. Exceto por essa cauda, o vestido era ajustado ao corpo, tinha gola alta e mangas longas, de modo que parecia que ela mergulhara em sangue fresco e brilhante. Ela não usava joias. O único adorno era um fino cinto tecido em couro em torno de seus quadris. Nele pendia uma bainha. O punho do athame, um punhal de ritual, que descansava ali estava coberto por rubis que brilhavam mesmo na luz fraca.
Ela começou imediatamente, pegando a caixa de fósforos de rituais e indo até Damien. Eu encarei o leste com ela. Thanatos acendeu o fósforo e encostou a chama na vela amarela do ar de Damien.
— Ar, em nome de Nyx eu o invoco para este círculo.
O cabelo de Damien se levantou quando seu elemento correu para se juntar a ele. Thanatos moveu-se na direção do relógio para onde Shaunee esperava ansiosamente com a vela vermelha levantada.
— Fogo, em nome de Nyx eu te invoco para este círculo.
Thanatos nem sequer teve que tocar o fósforo na vela de Shaunee. Ele explodiu toda em chamas por conta própria e o sorriso de Shaunee era tão brilhante quanto seu elemento.
Thanatos continuou para o oeste na direção de Shaylin.
— Água, em nome de Nyx eu te invoco para este círculo.
Senti o cheiro do sal do oceano sobre a brisa e a luz do fogo que giravam em torno do círculo.
A Sacerdotisa moveu-se para ficar na frente de Stevie Rae, tocando a vela verde dela com seu fósforo e dizendo:
— Terra, em nome de Nyx eu te invoco para este círculo.
O aroma do campo de lavanda da Vovó flutuava através do círculo. Ouvi o riso alegre dela, e eu sabia que os nossos elementos estavam enchendo o espaço sagrado.
Então Thanatos estava de pé diante de mim.
— Espírito, em nome de Nyx eu te invoco para este círculo.
Ela acendeu minha vela roxa e senti uma onda de felicidade quando o espírito completou a fusão.
— Oh, é tão bonito! — exclamou a Rabina Bernstein, e olhei por cima da minha vela para ver que um fio de prata brilhante flutuava em torno do círculo, conectando cada um dos elementos.
— Obrigada, Deusa. Por favor, continue comigo, me fortalecendo. Aconteça o que acontecer, aceito de boa vontade como meu destino. Então eu tenho dito, que assim seja.
Thanatos falou baixinho, com reverência. Ela fechou os olhos, suspirou e deixou escapar três respirações profundas. Então, sem mais hesitação, pegou o cálice sagrado em sua mão esquerda e, pegando o líquido com a direita, moveu-se para Damien e começou a caminhar lentamente em torno do círculo, espalhando o óleo no chão. Enquanto se movia, ela lançava o feitiço:

“Eu evoco o elemento fogo para assistir, abençoar e guiar este ritual. Em honra do fogo, unjo o círculo com óleo de canela vertido para a taça pela novata Shaunee amada do fogo, e proclamo meu intento de pedir a proteção do elemento para Tulsa. Para demonstrar a pureza de meu intento, proclamo estas antigas verdades originalmente enunciadas muito tempo atrás, quando Cleópatra, outra filha de Nyx, o evocou.”

Numa voz alta, clara e cheia de poder, Thanatos gritou a antiga proclamação egípcia:

“Saudações, caminhante de Nyx! Vinda da reclusão, em nada me equivoquei. Saudações, àquela cujos dois olhos ardem em chamas! Não maculei as coisas da deusa, nem em pensamento, nem em gesto. Saudações, eliminadora do falso discurso! Não me inflamei em cólera. Saudações, deusa que tudo vê, provedora de suas filhas e filhos! Não pronunciei Seu nome em maldições.

A esta altura Thanatos já estava de volta ao centro do círculo, que foi preenchido com o cheiro de canela e da maravilhosa e elétrica sensação que aprendi que a poderosa magia trazia.
Thanatos acendeu o óleo que foi deixado no cálice, que ardia com uma chama brilhante tão vermelha quando o seu vestido, tão vermelha quanto a vela de Shaunee. Ela ergueu o cálice de fogo sobre a sua cabeça, dizendo:

“Com puro intento ritualístico incluo o fogo nesta jura de proteção. Sua força está em mim, e através de mim sua flama será duradoura, consumindo ferozmente qualquer um que deseje fazer mal a Tulsa. Peço especialmente que a chama proteja o coração da cidade, onde a escuridão habita. Sepulte tudo lá com má intenção e não permita que o mal escape desta chama!”

Enquanto as palavras de Thanatos ainda ecoavam ao nosso redor, ela agarrou o cabo de seu athame, puxando-o da bainha. Ainda segurando o cálice de fogo, ela se aproximou de Shaunee, que ofereceu seu pilar para a Grande Sacerdotisa. Thanatos inclinou a cabeça respeitosamente, dizendo:
— Eu te agradeço, Criança do Fogo, pelo presente de seu elemento.
Então ela tomou a vela de Shaunee e a deixou cair no cálice. Quando a chama engoliu a vela, crescendo mais e mais quente, Thanatos não vacilou. Ela segurou o cálice e lentamente passou a lâmina do punhal através da chama três vezes, falando palavras cheias de poder:

Sou una com a chama. Mesmo sob a plena luz do sol, adentro no fogo protetor, do fogo apareço, a luz do sol não me perfurou, vós que sabeis que meu puro intento não me queimou. Vosso fogo manterá esta cidade em segurança, cortando como o punhal corta a cera a qualquer um que ouse desafiar este ritual!”

Com a lâmina do athame quente e brilhante, Thanatos esculpiu TULSA na pele da vela vermelha flamejante. Em seguida, ela caminhou até mim. Ela brilhava com o suor. Seu cabelo longo com mechas prateadas estava escorregadio com ele. Ela respirava pesadamente, mas não parecia queimada, apenas quente e cansada.
— Obrigada, espírito, você pode ir. Abençoado seja — ela disse, e eu soprei a minha vela, triste, como sempre, por dizer adeus ao meu elemento favorito.
Thanatos então foi até Stevie Rae, Shaylin, Shaunee e Damien, agradeceu e abençoou cada elemento, até que o fio de prata desapareceu em uma explosão de brilho. Thanatos voltou à mesa no centro do círculo, colocando o cálice ainda flamejante em cima da mesa, assistindo-o com cuidado até que toda a vela foi consumida pelo fogo. Quando a chama se apagou, Thanatos ergueu o athame e o dirigiu para a terra aos seus pés, chorando.

“E então eu tenho estabelecido o feitiço de proteção para ti, o que Nyx decretar a seguir, que assim seja!”

Quando o punhal se enterrou até o cabo, o céu ao norte de nós, no coração do centro de Tulsa, brilhou vermelho com uma explosão de luz cor de sangue. Isso foi seguido por um grito cheio de loucura e raiva que ecoou em todo o céu noturno.
— Oh, abençoada Deusa, obrigada. O feitiço está lançado — Thanatos disse, e então ela desmaiou, caindo sem vida no chão.
— Thanatos! — eu queria me apressar até ela, mas de repente minhas pernas não funcionaram.
Em um passo viraram geleia e eu caí de joelhos. Atordoada, podia ver que Shaunee tinha caído também. Virei-me para chamar Damien a tempo de ver seus olhos revirarem para trás de sua cabeça quando ele desmaiou. E então a Terra cheia de energia abaixo de mim pareceu girar, e de alguma forma eu estava deitada de costas, com um estranho som aos meus ouvidos, olhando através dos galhos da Árvore do Conselho do Grande Carvalho para o céu noturno. Vi pontos de luz quando a minha visão borrou, e então tudo ficou em silêncio e preto.

Um comentário:

  1. No círculo quando Thanatos passou pela água eu li Erin e por um momento esqueci o que aconteceu com ela.

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