11 de outubro de 2015

Capítulo 13 - Zoey

— Stark, você viu Nala?
— Não. Vamos para a cama. Ela provavelmente está ocupada com os outros gatos deixando os ratos locais saberem que estão de volta — disse ele, sonolento, batendo na cama ao lado dele. O sol tinha nascido há pouco mais de uma hora, e ele estava se cansando rapidamente.
— Mas Nala sempre dorme comigo.
— Não, ela não dorme. Às vezes, ela dorme com Stevie Rae — ele bocejou longamente. — Pare de se preocupar e vem pra cá. Você tem andado uma grande bola de estresse desde a reunião do Conselho. Vai descobrir como usar a pedra da vidência, sei que sim. Se preocupar o tempo todo não vai ajudar. Deite-se e eu vou massagear seus ombros.
Olhei para ele e sorri. Não só eu amo, amo e amo quando ele massageia os meus ombros, mas ele fica totalmente fofo e sexy com o cabelo emaranhado e os olhos sonolentos. Além disso, ele estava certo. Preocupar-me não me ajudaria a descobrir como usar a estúpida pedra da vidência. Cedendo, eu me deitei na cama de costas para ele e depois gemi de puro alívio quando seus fortes polegares começaram a apertar o nó de estresse que sempre se formava entre as omoplatas.
— Acho que você pode ser perfeito — falei.
— Viu? Quanto menos você se preocupa, mais inteligente fica — disse ele, bocejando novamente.
— Ei, eu estou bem. Vá em frente e durma.
— Eu sei que você está bem, mas irá se acalmar se ficar quieta e me deixar cuidar de seus ombros — ele beijou a minha nuca.
— Ok, mas você pode ir dormir quando quiser — respondi, relaxando com sua massagem.
— Z, eu nunca vou desistir de você, você sabe disso — ele beijou as costas do meu pescoço novamente.
Suspirei feliz.
— Eu te amo.
— Eu também te amo — ele respondeu.
No momento em que suas mãos acalmaram, senti meu corpo todo mole, aquecido e cansado. Fechei os meus olhos e, sorrindo, caí num sono profundo.
Por cerca de dois minutos e meio. Então meus olhos se abriram e eu me sentei, ouvindo.
— Você ouviu alguma coisa? — perguntei a Stark.
Ele murmurou algo que soou como “Gato... ok... parar de se preocup...”, rolou, puxou o cobertor em torno de suas orelhas e começou a roncar baixinho.
— Jeesh, nenhum Guerreiro de plantão — resmunguei. Então bocejei e me espreguicei.
Eu precisava seriamente voltar a dormir. Meu despertador estava ativado. Nós teríamos que levantar e nos apertar na van sem janelas da escola e ir para a Árvore do Conselho do Grande Carvalho antes do anoitecer. Quem sabia que tipo de loucura um feitiço de proteção causaria em Neferet. Inferno, ela já era...
Então ouvi novamente e sabia exatamente o que tinha me acordado. Era fraco, mas era definitivamente o som de um ronronar de gato.
E não havia nenhuma Nala enrolada em uma bola laranja descontente ao pé da minha cama!
O mais silenciosamente possível, vesti meus jeans e peguei meus sapatos, fui na ponta dos pés só de meias até a porta. Sem fazer nenhum som, e me concentrando em pensamentos felizes, abri a porta e fui para o corredor. Desci as escadas correndo, passei através da sala de estar deserta do dormitório e fui para fora, piscando quando o sol da manhã incomodou meus olhos. De jeito nenhum eu poderia voltar lá em cima e pegar meus óculos escuros, então cobri meus olhos e chamei “Nala! Gatinha, gatinha! Vem cá, Nala!” então segurei a respiração, escutando.
Eu ouvi novamente! Era definitivamente o miado de gato. E ele definitivamente parecia que estava em apuros. Eu não podia dizer se era Nala ou não, mas sabia que vinha de algum lugar ao longo do muro leste da escola.
Coisas ruins sempre acontecem por lá!
Andei depressa, dando a volta por trás dos dormitórios, indo em direção ao muro, e chamando, “Gatinha, gatinha! Nala!”.
O gato continuava miando. Percebi que era bom e ruim. Bom, porque eu poderia seguir o som de sua voz. Ruim, porque quanto mais próxima eu chegava, mais lamentável o gato soava.
O próximo miado fez meu estômago apertar. Eu estava perto o suficiente do velho carvalho quebrado para saber que o gato estava definitivamente em algum lugar naquela árvore. Ah, inferno! Por que tem que ser aquela árvore? A árvore que Kalona tinha partido em duas quando escapou de sua prisão na terra, à árvore onde Jack morrera e a mesma árvore onde eu tinha visto as repugnantes criaturas de Magia Antiga.
Eu desacelerei enquanto me aproximava da coisa assustadora. Ok, eu gosto de árvores. Realmente gosto. Quero dizer, eu amei o Bosque de Deusa no Outromundo. Eu amo a minha afinidade com a terra, mesmo que eu não tenha tanta sintonia com ela quanto tenho com o espírito, mas ainda assim. Normalmente, eu não tenho problema com as árvores.
Esta árvore era diferente.
A caverna de Kalona se abria por baixo dela, e do jeito que o carvalho se dividira, parecia que ela era os ossos de uma fera congelada em sua morte, agachando-se sobre a abertura. Todas as outras árvores no campus tinham brotado, se cobrindo de verde. Não esta. Ela era negra e sem folhas, malévola e quebrada. Seus ramos faziam mais garras do que eu poderia contar.
— Miau!
— Nala! — eu a peguei em meus braços e beijei seu focinho úmido. Ela, é claro, espirrou em mim.
— Rorw?
Eu ainda estava abraçando e contorcendo Nala quando ouvi o segundo gato e olhei para baixo.
— Cammy? — ele andou até mim e se esfregou contra as minhas pernas, deixando pelo loiro em todos os lugares. — Aposto que Damien não sabe que você está aqui fora. Você deveria estar dormindo enrolado com Duquesa e ele!
— Meeeeeow!
Esse miado eu reconhecia sem precisar ver o animal branco que era seu dono. Olhei para a base quebrada da árvore e, com certeza, lá estava sentado um gigante gato branco de cara amassada, uma bola de pelos e atitude.
— Malévola, Aphrodite definitivamente não ficará feliz por você estar aqui fora aterrorizando os outros gatos — fiz uma pausa. — Bem, isso é provavelmente mentira, mas ainda assim. Você devia tentar não ser tão parecida com ela. Jeesh, o que diabos vocês pensam...
Então as sombras em torno da árvore se moveram, e percebi que o velho carvalho assustador estava completamente cercado pelos gatos da House of Night.
Abracei Nala enquanto um cubo de gelo fazia o seu caminho pela minha espinha.
— O que está acontecendo aqui?
— Era isso o que eu estava pensando.
A voz de Aurox me assustou, fazendo-me apertar Nala forte demais, e com um grunhido aborrecido, ela se contorceu para fora dos meus braços e caminhou para se juntar aos outros gatos na árvore.
— Você fez esses gatos virem para cá?
— Eu? — balancei a cabeça para ele. — Claro que não. E se você soubesse alguma coisa sobre gatos, saberia que não se pode fazê-los ir a qualquer lugar.
— Eu não sei muito sobre gatos — ele respondeu.
— Bem, tudo o que fiz foi seguir o terrível miado. Na verdade, ele me acordou. Pensei que fosse Nala, mas ela parece estar bem.
— Hã? Miado? Tudo o que ouvi foi você falando com os gatos.
Fiz uma careta para ele e abri a boca para explicar o óbvio, que algo tinha me trazido para fora e que alguma coisa estava acontecendo com os gatos, e também com ele. Quero dizer, ele não tinha que soar tão frio e rude sempre que falasse comigo, mas o gato me interrompeu.
— Miaaaaaaaaaaaaaaau! — o miado patético parecia durar para sempre.
— Está vindo lá de cima, na árvore — cobri meus olhos e olhei para dentro do ninho de galhos quebrados.
— Ali! — Aurox apontou. — Eu o vi!
Segui o seu dedo e o vi também. Lá, bem para cima, nos galhos mais altos, agarrava-se um gato realmente grande. Era um gato malhado de laranja e branco e pelos compridos. Não era a cor de laranja brilhante de Nala. Este tinha uma cor mais suave, como se o laranja tivesse sido diluído com creme. Ele parecia familiar, e apertei os olhos, tentando descobrir quem era o gato, quando tive um vislumbre de seus olhos. Eram de uma cor amarelo-esverdeada surpreendente, brilhando com inteligência.
— Caramba! Aquele é Skylar! O gato de Neferet — falei.
— O gato de Neferet? Mas por que ele estaria aqui? Ele deveria estar com ela.
— Miaaaaaaaaaaaaaaaaau! — Skylar gritou enquanto o vento fazia os ramos debaixo dele tremerem e ele soltar as garras.
— Ele vai cair — disse Aurox, movendo-se tão rapidamente que os gatos se espalharam para longe.
— Ei, cuidado. Skylar é um mordedor conhecido. Sério, Aurox. Gatos praticamente refletem o novato ou vampiro que escolhem, e todos nós sabemos que Neferet é...
— Zo, eu não posso deixá-lo cair!
E isso me calou. Não só ele soou como Heath, mas estava fazendo uma muito estúpida, muito doce, do tipo que Heath faria. É claro que ele provavelmente, se atrapalharia tanto quanto Heath faria, mas não parecia haver muito que eu pudesse fazer sobre isso, exceto esperar para limpar a bagunça. E pensar. Hmm...
— Ei! — chamei enquanto ele subia na árvore como um macaco. — Eu nunca ouvi falar disso, mas talvez se a vampira do gato vai mal, ele, bem, cometa suicídio ou algo assim. Ele pode estar lá em cima porque Neferet é uma maluca e ele não pode lidar com isso.
— Eu não vou deixar ninguém cometer suicídio no meu plantão, nem um novato, vampiro ou humano irritante, ou mesmo um gato. Conhecido mordedor ou não.
— Ok, bem, espero que Nyx esteja com você.
— Assim como eu.
— Miaaaaaaaaaaaaaaau! — Skylar gritou enquanto Aurox agarrava o grupo de galhos que o prendiam, acrescentando um desagradável e baixo rosnado enquanto ele cambaleava para trás.
— Tente falar com ele. Gatinho, gatinho, está tudo bem.
— Gatinho, gatinho? O que é isso?
— Oh, cara. Ele está condenado — falei para Nala.
Ela espirrou e pareceu concordar comigo. Os outros gatos estavam todos olhando para Skylar, como se estivessem lá para testemunhar algo. Eu não tinha ideia do que dizer a Aurox.
— Hum, bem, tente falar com ele. Lembro que ele é superinteligente.
— Tudo bem. Vou tentar — Aurox se endireitou como se estivesse sentado com Skylar nos galhos. Eu o ouvi pigarrear, e depois com uma voz completamente normal de conversa, ele começou a falar com o gato. — Merry meet, Skylar. Entendo que você esteve ligado a Neferet. Eu também, já fui ligado a ela, então posso imaginar um pouco do que você possa estar sentindo. Ela me machuca também. Continua a magoar os outros. Eu não posso permitir que você se machuque, no entanto. Escolhi proteger esta escola, e você faz parte dela.
O que aconteceu depois foi uma das coisas mais loucas que já vi, e eu definitivamente vi algumas coisas seriamente malucas. Skylar inclinou a cabeça para um lado, como se estivesse ouvindo Aurox.
— Skylar — Aurox continuou solenemente — eu vou te proteger, mesmo que tenha que ser de si mesmo.
Então Aurox estendeu a mão.
Lentamente, Skylar se estendeu para frente até que estava a uma curta distância da mão de Aurox. Prendi a respiração, esperando que o grande felino rosnasse novamente e o atacasse com suas garras. Mas ele não fez isso. Em vez disso, Skylar o cheirou, fez uma pausa, e então começou a esfregar o queixo contra a mão de Aurox. Mesmo de onde eu estava abaixo deles, podia ver o sorriso que iluminou o rosto de Aurox quando ele timidamente começou a acariciar o gato. Skylar parou por um momento e inclinou a cabeça, estudando Aurox novamente.
— Você pode escolher não deixar as Trevas de Neferet destruírem a sua vida — Aurox falou fervorosamente ao gato enquanto acariciava Skylar sob o queixo.
Sem mais hesitação, Skylar trotou agilmente para frente, para os braços de Aurox.
E cada gato sentado ao redor da árvore quebrada começou a ronronar.
Quando Aurox desceu de volta ao chão, ele embalava Skylar firmemente contra ele. O gato parecia abraçá-lo e estava com sua cabeça macia sob o queixo de Aurox. Quando Aurox chegou perto de mim, pude ouvir Skylar ronronando.
— Alguma coisa aconteceu lá em cima — disse Aurox, olhos de pedra da lua brilhando.
— Sim — eu suspirei e limpei as lágrimas do meu rosto com as mangas da minha blusa. — Skylar escolheu você. Vocês se pertencem agora.
Aurox olhou para Skylar, acariciando o gato em longas e amorosas batidinhas. Skylar não abriu os olhos. Exceto pelo fato de que estava ronronando como um louco, parecia que ele tinha adormecido.
— Zo, ele é incrível!
Eu sorri através das minhas lágrimas.
— Sim, com certeza ele é.
Aurox olhou para mim. Então ele procurou automaticamente no bolso do seu jeans e me entregou um Kleenex.
— Você está com catarro novamente.
— Sim, tenho certeza que estou — respondi.
Seus olhos encontraram os meus. Ele desviou o olhar rapidamente, mas não antes que eu visse a crueza de sua expressão.
— Sinto muito. Eu não deveria chamá-la de Zo.
— Você pode me chamar assim, se quiser — eu disse.
Seu olhar encontrou o meu, e dessa vez vi raiva.
— Você está sendo legal comigo porque acha que eu sou Heath.
— Droga, Aurox, estou sendo legal porque gosto de você! Você salvou a minha avó. Está afagando um gato superviolento que acabou de salvar. VOCÊ É UM CARA LEGAL! — eu parei, mantendo minha voz sob controle antes de terminar. — É por isso que eu sou legal com você.
— Eu gostaria que isso fosse verdade.
— Aurox, eu juro que estou dizendo apenas a verdade para você. Tenho muito lixo próprio para lidar sem adicionar mentirosa à lista.
— Você está dizendo a verdade, não é?
— Sim, eu estou — limpei meu nariz e funguei. — Obrigada pelo lenço.
— De nada.
— Você tem coisas de gato em seu quarto?
Ele hesitou e depois respondeu baixinho:
— Eu na verdade não tenho um quarto.
— Onde você está dormindo?
— Eu não durmo.
Deusa! Ele não é mesmo humano! Senti o choque disso, e a memória de como ele era quando se transformou na criatura touro passou pela minha mente. Propositadamente, empurrei a imagem pra longe.
— Bem, você vai precisar de um quarto agora. Esse gato precisa de um lugar para dormir e comer e, hã, você sabe alguma coisa sobre caixas de areia?
— O que isso?
Eu sorri para ele.
— Venha. Kalona não dorme também. Vamos encontrá-lo. Ele pode te arrumar um quarto, comida de gato e uma caixa de areia.
Chamei Nala, e ela veio até mim agora, pulando em meus braços. Notei então que todos os outros gatos tinham desaparecido.
— Você acha que Kalona sabe sobre coisas de gatos? — Aurox me perguntou enquanto caminhávamos lado a lado.
— Eu apostaria nisso. Ele costumava ser Guerreiro de Nyx e os gatos são uma grande parte do Outromundo. A Deusa os ama.
O rosto de Aurox ficou desprovido expressão e ele falou:
— Zo, você acha que Skylar me escolher pode significar que Nyx se preocupa comigo? Mesmo que só um pouco?
— Eu apostaria nisso — foi tudo que eu pude responder antes que minha garganta fechasse com lágrimas e Aurox tivesse que me dar outro Kleenex.

2 comentários:

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!