5 de outubro de 2015

Capítulo 13 - Zoey

Eu sentei na cama, gritando como se alguém tivesse me jogado em uma pilha de aranhas. Meus ouvidos estavam zunindo e meu corpo estava tremendo tanto que eu pensei que fosse vomitar, mas em algum lugar, através do meu pânico, eu percebi que a minha voz não era a única gritando. Eu olhei na escuridão, me fiz calar a boca, suguei o ar, e tentei me comportar. Onde diabos eu estava? No fundo do oceano? Esmagada nas rochas da ilha? Não... não... eu estava na Abadia Beneditina... no dormitório que eles designaram para mim com Aphrodite... que estava na cama do meu lado gritando como uma louca.
— Aphrodite! — Eu gritei por cima dos gritos dela. — Pare! Sou eu. Tudo está bem.
O grito dela terminou, mas ela estava ofegante arfando em pânico. — Luz! Luz! — ela disse, soando como se estivesse presa na residência da Terra do Ataque de Pânico. — Eu preciso de luz. E preciso ver!
— Ok – ok! Espera aí. — Lembrando da vela no fim da mesa entre nossas camas, eu tateei ao redor e senti um isqueiro. Eu tive que firmar minha mão agarrando meu pulso com a esquerda, para poder acender a luz, e ainda precisei de cinco tentativas antes do calor da chama da vela iluminar o rosto fantasmagoricamente branco de Aphrodite e seus olhos completamente cheios de sangue. — Ohminhadeusa! Seus olhos!
— Eu sei! Eu sei! Merda! Merda! Merda! Merda! Eu ainda não consigo ver — ela chorou.
— Não se preocupe – não se preocupe – isso aconteceu da última vez. Eu vou pegar uma toalha molhada e um copo de água, como eu fiz antes e — minha voz se calou quando eu percebi o significado dos olhos escarlates de Aphrodite, e congelei na metade do caminho entre a cama e a pia. — Você teve outra visão, não é?
Ela não disse nada. Ela só enfiou o rosto nas mãos e acenou enquanto chorava.
— Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem — eu continuava repetindo de novo e de novo enquanto corri para a pia, peguei uma toalha, encharquei com água fria, e enchi um dos dois copos de água ali perto. Então corri de volta para Aphrodite. Ela ainda estava sentada na ponta da cama com seu rosto nas suas mãos. O choro dela tinha virado pequenos ofegos histéricos sem lágrimas. Eu passei por trás dela e arrumei seus travesseiros. — Aqui, beba isso. Então deite para que eu possa colocar a toalha molhada em cima dos seus olhos. — Ela tirou a mão do rosto e tentou pegar o copo sem enxergar. Eu guiei ela até ele e observei enquanto ela bebia tudo com um gole só.
— Vou pegar mais em um segundo. Primeiro deite e coloque isso em cima dos seus olhos. — Aphrodite se inclinou contra o travesseiro. Ela piscou cegamente para mim. Ela parecia assustadoramente horrível. Os olhos dela estavam cheios de sangue e pareciam bizarros e fantasmagoricamente emoldurados por seu rosto branco demais. — Eu posso ver o seu contorno, só um pouco — ela disse fraca. — Mas você está toda vermelha, como se estivesse sangrando. — Aphrodite terminou com um soluço.
— Não estou sangrando; estou bem. Isso aconteceu antes, lembra? Mas você ficou bem depois que fechou os olhos e descansou um tempo.
— Eu lembro. Eu só não lembro de ter sido tão ruim. — Ela fechou os olhos. Eu dobrei a toalha e a coloquei gentilmente em cima deles. Então eu menti, — foi ruim assim da última vez também.
As mãos dela passaram pela toalha por um segundo, antes dela as colocar nas suas laterais. Eu voltei para a pia e enchi o copo de novo. Observando o reflexo dela no espelho eu disse, — a visão foi terrível?
Eu vi os lábios dela tremerem. Ela deu um longo e abatido suspiro. — Sim.
Eu voltei para a cama. — Você quer mais água? — Ela acenou.
— Eu sinto como se tivesse acabado de correr uma maratona pelo deserto – não que algum dia eu vá fazer isso. Todo aquele suor não é nada atraente. — Feliz por ela estar soando mais como si mesma, eu sorri e guiei a mão dela até o copo de água de novo. Então eu me sentei na minha cama olhando para ela e esperei.
— Eu posso sentir você olhando para mim — ela disse.
— Desculpe. Achei que eu estava sendo paciente ao não dizer nada. — Eu pausei. — Você quer que eu chame Darius? Ou talvez Damien? Ou os dois?
— Não! — Aphrodite disse rapidamente. Eu vi ela engolir algumas vezes, e então, em uma voz mais calma, ela disse, — Não vá a lugar nenhum por um tempo, ok? Eu não quero ficar sozinha agora – não quando não posso ver.
— Ok. Não vou a lugar nenhum. Quer me contar sobre a visão?
— Não, mas eu suponho que preciso. Eu vi 7 vampiros. Elas pareciam importantes, poderosas e obviamente todas Alta Sacerdotisas. Elas estavam em um lugar lindo. Definitivamente dinheiro velho e não uma daquelas tendências de rico de decorar com gosto questionável. — Eu virei os olhos para ela, o que ela, infelizmente, não podia ver. — A principio eu nem sabia que era uma visão. Eu achei que era um sonho. Eu estava vendo as vampiras sentadas em cadeiras que pareciam tronos e esperando algo bizarro e sonhador acontecer, como se fossem se transformar em Justin Timberlake, dar um pulo, e começar a fazer um stripp para mim e cantar sobre trazer o sexy back.
— Huh — eu disse. — Sonho interessante. Ele é totalmente um nerd quente, embora ele esteja ficando velho.
— Oh, dá um tempo. Você já tem muitos garotos para sequer sonhar com outro. Deixe Justin para mim. Então, de qualquer forma, elas não viraram Justin, e nem fizeram um strip. Eu estava me perguntando o que havia de errado quando se tornou mega óbvio que eu estava tendo uma visão porque Neferet apareceu.
— Neferet!
— Yeah. Kalona estava com ela. Ela falou, mas as vampiras não olhavam para ela. Elas não conseguiam parar de olhar que nem idiotas para Kalona. — Eu não disse isso, mas eu sabia como elas se sentiam. — Neferet estava dizendo algo sobre aceitar as mudanças que ela e Erebus traziam, mudando tudo, trazendo os caminhos antigos de volta... blá... blá...
— Erebus! — Eu interrompi o blá blá dela. — Ela ainda está chamando Kalona de Erebus?
— Yeah, e ela também estava se chamando de Encarnação de Nyx, ela encurtou para Nyx, mas eu não escutei tudo que ela estava dizendo porque foi aí que eu comecei a queimar.
— Queimar? Tipo, como se pegasse fogo?
— Bem, não era exatamente eu. Foi algumas das vampiras. Era estranho – uma das visões mais estranhas que eu já tive, na verdade. Uma parte de mim estava observando Neferet falando com as 7 vampiras, e ao mesmo tempo outra parte de mim estava deixando o lugar, um por uma, com elas. Eu podia sentir que nem todas elas acreditavam no que Neferet dizia, e foi com essas vampiras que eu permaneci. Até que elas queimaram.
— Você quer dizer que elas apenas pegaram fogo?
— Yeah, mas foi muito estranho. Num segundo eu sabia que elas estavam pensando coisas negativas sobre Neferet, e no próximo elas estavam pegando fogo, mas quando queimaram elas estavam no meio de uma plantação. E não era apenas que elas estavam queimando. — Aphrodite pausou e bebeu o resto da água. — Muitas outras pessoas estavam queimando com elas – humanos, vampiros, e calouros. Todos estavam queimando na mesma plantação, que parecia se expandir por todo maldito mundo.
— O que?
— Yeah, foi muito ruim. Eu nunca tive uma visão com vampiros morrendo. Bem, a não ser aquelas duas que eu tive com você, e você é apenas uma caloura então eu não conto elas. — Eu desperdicei energia franzindo para ela, o que ela não conseguia ver. — Você reconheceu alguém fora os vampiros que queimavam? Neferet e Kalona estavam lá também? — Aphrodite não disse nada por um momento. Então ela se esticou e tirou a toalha dos olhos. Ela piscou. Eu percebi que o vermelho já estava começando a sumir. Ela cerrou os olhos para mim. — Assim é melhor. Eu quase consigo te ver agora. Então, aqui é o fim da minha visão: Kalona estava lá. Neferet não estava. Ao invés disso, você estava. Com ele. E eu quero dizer que você estava com ele. Ele estava em cima de você e você gostou. Uh, posso só dizer, eewww, sobre ter que ver aquela cena de agarra agarra, especialmente já que eu estava observando da perspectiva das pessoas assando enquanto você fazia aquilo. Basicamente estava mais do que claro que você estar com Kalona fez o mundo como conhecemos acabar.
Eu esfreguei minhas mãos trêmulas pelo meu rosto, como se eu pudesse limpar a memória de mim como A-ya nos braços de Kalona. — Eu nunca vou ficar com Kalona.
— Ok, o que vou dizer não é porque estou sendo uma vaca – pelo menos não dessa vez.
— Vá em frente, e só diga.
— Você é A-ya reencarnada.
— Já concordamos nisso — eu disse, minha voz soando mais afiada do que eu pretendia.
Aphrodite ergueu as mãos. — Espera aí. Não estou te acusando de nada. É só que uma antiga garota Cherokee cuja alma que você meio que está dividindo foi criada para amar Kalona. Certo?
— Sim, mas você precisa entender que eu.não.sou.ela. — Eu anunciei cada palavra devagar e distintivamente.
— Olha, Zoey, eu sei disso. Mas eu também sei que você está muito mais atraída por Kalona do que você quer admitir a qualquer um, e isso provavelmente inclui você mesma. Você já teve uma memória de ser A-ya que foi tão forte que fez você desmaiar. E se você não for completamente capaz de controlar o que sente por ele porque a atração esteve crescendo em sua alma?
— Você acha que eu já não pensei nisso? Diabos, Aphrodite, eu vou ficar longe de Kalona! — Eu gritei em frustração. — Completamente longe dele. Então não haverá chance de eu ficar alguma vez com ele de novo, e sua visão não vai acontecer.
— Não é tão simples. A visão em que você estava com ele não foi a única que eu tive. Na verdade, agora que estou pensando, foi mais como uma daquelas visões idiotas que eu tive da sua morte, quando vi sua garganta ser cortada e sua cabeça basicamente cortada, e então na mesma maldita visão eu me afoguei com você. Em falar em estresse.
— Sim, eu lembro. Foi minha morte que você estava vendo.
— Yeah, mas até agora eu sou a única que experimentou suas mortes. De novo, eu digo nada agradável.
— Dá para terminar de me contar sobre suas visões? — Ela me deu um olhar longo e sofrido, mas continuou.
— Então, a visão se dividiu, como o que aconteceu com as duas mortes diferentes suas. Num minuto você estava sugando a cara e fazendo aquilo com Kalona. Oh, e eu senti agonia também.
— Bem, yeah, isso faz sentido. Você estava queimando — eu disse, frustrada por ela não conseguir só contar a visão.
— Não, eu senti outra agonia. Eu tenho certeza que não estava vindo das pessoas que queimavam. Mais alguém estava lá, e eles definitivamente foram sobre coação.
— Coação? Isso soa muito ruim. — Meu estômago estava doendo de novo.
— Yep. Muito desconfortável. Num minuto pessoas estavam queimando, eu sentia muita agonia, blá, blá, e você estava transando com o anjo maligno. Então tudo começou a mudar. Era obviamente um dia diferente – em um lugar diferente. Pessoas ainda estavam queimando e eu sentia a estranha agonia, mas ao invés de fazer com Kalona você saiu dos braços dele. Mas não muito para longe. E você disse algo para ele. O que quer que você tenha dito, mudou tudo.
— Como?
— Você matou ele e todo o fogo parou.
— Eu matei Kalona!
— Yep. Pelo menos foi o que pareceu para mim.
— Bem, o que eu disse para ele que tinha tanto poder para fazer isso? — Ela deu de ombros.
— Eu não sei. Eu não conseguia ouvir você. Eu estava experimentando a visão do ponto de vista das pessoas em chamas, e sentindo uma agonia idiota de toda parte. Eu estava um pouco ocupada com a insuportável dor para prestar atenção em cada sílaba que você proferiu.
— Tem certeza que ele morreu? Ele não é para ser capaz de morrer; ele é imortal.
— Foi o que pareceu para mim. O que quer que você tenha dito fez ele se desintegrar.
— Ele desapareceu?
— Na verdade, foi mais como se ele tivesse explodido. Mais ou menos. É meio difícil descrever porque, bem, eu estava queimando e também ele ficou muito, muito brilhante, e foi difícil ver o que exatamente estava acontecendo com ele. Mas eu posso te dizer que ele mais ou menos sumiu, e quando ele desapareceu, todo o fogo parou e eu sabia que tudo ia ficar bem.
— Isso foi tudo que aconteceu?
— Não. Você chorou.
— Huh?
— Yeah, depois que você matou Kalona, você chorou. Muito ranho e tudo mais. Então a visão terminou e eu acordei com uma horrível dor de cabeça e meus olhos doendo pra caramba. Oh, e você estava gritando como se tivesse perdido a cabeça.
Ela me deu um longo e considerável olhar. — Falando nisso, porque você estava gritando?
— Eu tive um sonho ruim.
— Kalona?
— Eu não quero falar nisso.
— Que pena. Você tem que falar. Zoey, eu vi o mundo queimando enquanto você e Kalona se divertiam. Isso não é uma boa coisa.
— Isso não vai acontecer — eu disse. — Lembre-se, você também viu eu matar ele.
— O que aconteceu no seu sonho? — ela perguntou insistentemente.
— Ele me ofereceu o mundo. Ele disse que ia mudar as coisas de volta para os caminhos antigos e ele queria que eu reinasse ao lado dele, ou algo podre assim. Eu disse não disse não, mas sim diabos não. Ele disse que ia queimar – oh minha deusa! – Espere, você disse que as pessoas estavam queimando em uma plantação? Era uma plantação de trigo?
Aphrodite deu nos ombros. — Eu acho que sim. Plantações parecem a mesma coisa para mim.
Meu peito parecia apertado e meu estômago doía. — Ele disse que ele ia separar o trigo da palha, e queimar a palha.
— O que diabos é palha?
— Eu não sei exatamente, mas eu tenho certeza que tem algo a ver com trigo. Ok, tente lembrar. A plantação onde eles estavam queimando – tinha coisas douradas, ou era verde, como se tivesse milho ou algo assim, bem, que não parecesse com trigo?
— Era amarela. E alta. E tinha grama. Eu acho que pode ser de trigo.
— Então o que Kalona ameaçou no meu sonho basicamente se tornou verdade na sua visão.
— Só que no seu sonho você não cedeu e começou a se pegar com ele. Ou cedeu?
— Não, não cedi! Eu me joguei do topo de um penhasco, e era por isso que eu estava gritando os pulmões para fora.
Os olhos vermelhos dela se arregalaram. — Sério? Você pulou de um penhasco?
— Bem, eu pulei do topo de um castelo, e o castelo estava no topo de um penhasco.
— Isso parece muito ruim.
— Foi a coisa mais assustadora que eu já fiz, mas não era tão ruim quanto ficar com ele.
Eu tremi, lembrando do toque dele e o terrível desejo da minha alma que ele fez sentir. — Eu tenho que ficar longe dele.
— Yeah, bem, você vai precisar repensar nisso.
— Huh?
— Dá para prestar atenção? Eu vi Kalona dominando o mundo. Ele estava usando fogo para matar pessoas, e por pessoas me refiro a vampiros e humanos. E você o impediu. Honestamente, eu acho que minha visão está te dizendo que você é a única pessoa viva que pode deter ele. Então você não pode fugir dele. Zoey, você vai ter que descobrir o que você disse que o matou e então você vai ter que ir até ele.
— Não! Eu não vou até ele. — Aphrodite me deu um longo olhar que estava cheio de pena.
— Você tem que lutar contra essa coisa de reencarnação e destruir Kalona de uma vez por todas. — Ah, diabos, era o que eu estava pensando quando alguém bateu na minha porta.

Um comentário:

  1. por que raios ele tinha q ser tão irresistível???
    é MT injusto com as leitoras, cara </3

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