2 de outubro de 2015

Capítulo 12

Eu sabia que Stevie Rae tinha chegado ao gazebo antes de mim. Eu não podia ver ela, mas podia sentir o cheiro dela. Eesh. Sério, eesh. Eu esperava que um banho e um shampoo ajudasse com o cheiro, mas eu meio que duvidava. Afinal de contas, ela estava, bem, morta.
— Stevie Rae, eu sei que você está aqui em algum lugar. — Eu chamei o mais quietamente que pude. Ok, vampiros tem a habilidade de se movimentar silenciosamente e criar tipo uma bolha de invisibilidade ao redor deles. Calouros também tem essa habilidade. Só não é tão completa. Já que eu sou uma estranha e talentosa caloura, eu posso me mover quase tão bem e não ser vista por ninguém que pode estar espiando pela janela as 3 da manhã, como um guarda de segurança do museu. Então eu estava bem confiante em relação a minha de não ser vista no semi-escuro, terrenos do museu, mas eu não fazia ideia se podia estender minha habilidade para Stevie Rae. Em outras palavras, eu precisava pegar ela, e tirar ela dali.
— Sai daí. Eu tenho suas roupas e um pouco de sangue e o último CD do Kenny Chesney. — Eu adicionei a última parte como uma chantagem. Stevie Rae era ridicularmente caidinha por Kenny Chesney. Não, eu também não entendo.
— O sangue! — Uma voz que poderia ser de Stevie Rae se ela estivesse com um péssimo resfriado e tivesse perdido a cabeça assoviou de trás dos arbustos na base do gazebo.
Eu fui até atrás do gazebo passando pela grossa (e molhada) folhagem. — Stevie Rae?
Olhos brilhando de um tom horrivelmente vermelho, ela tropeçou para fora dos arbustos e se lançou na minha direção. — Me dê o sangue!
OhmeuDeus, ela parecia uma pessoa absolutamente maluca. Rapidamente eu abri minha bolsa, peguei a bolsa de sangue, e a entreguei para ela.
— Peraí um segundo, eu tenho uma tesoura aqui em algum lugar e eu –
Com um rangido de dentes bem nojento, Stevie Rae abriu a pequena bolsa com seus dentes (uh, presas é mais provavelmente), abriu a bolsa, e engoliu o sangue. Quando ela secou a bolsa ela a jogou no chão. Ela estava respirando como se tivesse acabado de correr em uma corrida quando finalmente olhou para mim.
— Não é bonito, é?
Eu sorri e tentei o máximo ignorar o quão horrizada eu realmente estava. — Bem, minha avó sempre diz que a gramática correta e bons medos nos fazem mais atraente, então talvez você queira parar com o “não é bonito” e dizer ‘por favor’ da próxima vez.
— Eu preciso de mais sangue.
— Eu te consegui mais 4 bolsas. Estão no refrigerador no lugar que você vai ficar. Você quer mudar de roupa aqui, ou esperar até tomar banho? É mais para baixo.
— Do que você está falando? Só me dá as roupas e o sangue.
Os olhos dela não eram mais tão vermelhos brilhantes, mas ela ainda parecia maldosa e louca. Ela estava ainda mais magra e pálida do que na noite anterior. Eu respirei fundo. — Isso tem que parar, Stevie Rae.
— Isso é como eu sou agora. Isso não vai mudar. Eu não vou mudar. — Ela apontou para a lua crescente na testa. — Ela nunca se preencherá e eu sempre estarei morta.
Eu olhei para as linhas da lua crescente. Estava sumindo? Eu achei que definitivamente parecia estar mais clara, ou no mínimo menos distinta, o que não podia ser bom. Isso me abalou. — Você não está morta — era tudo que eu podia pensar para dizer.
— Eu me sinto morta.
— Ok, bem, você parece morta. Quando eu me pareço uma droga normalmente também me sinto uma droga. Talvez essa seja parte do motivo para você se sentir mal. — Eu peguei na minha bolsa uma das botas de cowboy. — Veja o que eu trouxe para você.
— Sapatos não podem consertar o mundo. — Esse era um assunto que Stevie Rae e as Gêmeas sempre discutiram, e a voz dela tinha uma dica da antiga exasperação.
— Não é o que as Gêmeas diriam.
O tom familiar da voz dela mudou para uma voz sem expressão e fria. — O que as Gêmeas diriam se elas me vissem agora?
Eu encarei os olhos vermelhos de Stevie Rae. — Elas diriam que você precisa de um banho e checar sua atitude, mas elas também ficariam incrivelmente felizes por você estar viva.
— Eu não estou viva. É o que eu fico tentando fazer você entender.
— Stevie Rae, eu não vou entender isso porque você fica falando e falando. Eu não acho que você está morta – eu acho que você está mudada. Não como em Mudada em uma vampira adulta. Você fez outro tipo de Mudança, e eu acho que é mais difícil da que está acontecendo comigo. É por isso que você está passando por isso. Você pode por favor me dar uma chance de te ajudar? Você pode só tentar acreditar que tudo vai ficar bem?
— Eu não sei como você pode ter certeza disso — ela disse.
Eu dei a ela a resposta que eu sentia no fundo da minha alma, e sabia no momento que eu disse que era a coisa certa a dizer. — Eu tenho certeza que você vai ficar bem porque eu tenho certeza que Nyx ainda ama você e ela deixou isso acontecer por uma razão.
A esperança que passou nos olhos de Stevie Rae foi quase dolorosa de ver. — Você realmente acredita que Nyx não desistiu de mim?
— Nyx não desistiu e nem eu vou. — Eu ignorei o cheiro dela e dei um duro abraço, que ela não retornou, mas ela também não se afastou ou tentou me morder no pescoço, então achei que estava fazendo progresso. — Anda. O lugar que eu encontrei para você ficar é logo abaixo.
Eu comecei a andar, acreditando que ela ia me seguir, que ela fez logo depois de uma leve hesitação. Passamos pelo gramado do museu e entramos em Rockford, a rua que passa na frente dele. 27, a rua da mansão da Aphrodite (bem, era a casa dos pais malucos dela) passava direto em Rockdord. Me sentindo mais do que apenas um pouco sonhadora, eu andei no meio da rua na escuridão, me concentrando em me esconder silênciosa e invisível, com Stevie Rae seguindo logo atrás de mim. Estava escuro e parecia sobrenatural silêncioso. Eu olhei pelos galhos de inverno das antigas árvores que se alinhavam na rua. Eu deveria ser capaz de ver uma quase lua cheia, mas as nuvens estavam a tapando, obscurecendo tudo menos um brilho distinto de branco onde a nuvem deveria estar. Tinha ficado frio, e eu estava feliz por meu metabolismo em mudança me proteger do vento. Eu imaginei se a mudança de temperatura incomodava Stevie Rae, e eu ia perguntar a ela quando ela de repente falou.
— Neferet não vai gostar disso.
— Disso?
— De eu ficar com você ao invés dos outros. — Stevie Rae parecia bem agitada e estava puxando as mãos uma na outra.
— Relaxe, Neferet não vai saber que você está comigo, pelo menos até eu ficar pronta até ela saber — eu disse.
— Ela vai saber assim que voltar e eu não estiver com os outros.
— Não, ela só vai saber que você sumiu. Qualquer coisa pode ter acontecido com você. — Então uma ideia me atingiu que eu parei como se tivesse atingido uma árvore. — Stevie Rae! Você não tem que ficar perto de um vampiro adulto para ficar bem!
— Huh?
— Isso prova que você Mudou! Você não está tossindo e morrendo!
— Zoey, eu já fiz isso.
— Não não não! Não é o que eu quis dizer. — Eu peguei o braço dela, ignorando o fato que ela imediatamente se afastou do meu aperto e deu um passo para longe de mim. — Você pode existir sem os vampiros. Só outro vampiro adulto pode fazer isso. Então é como eu disse. Você Mudou, é só um tipo diferente de Mudança!
— E isso é algo bom?”
— Yep! — Eu não tinha tanta certeza quanto soava, mas eu estava determinada a continuar a positiva com Stevie Rae. Além do mais, ela não está parecendo bem. Eu quero dizer, ainda mais não tão bem quando ela normalmente parece. — Qual o seu problema?
— Eu preciso de sangue! — Ela passou sua mão trêmula na sujeira do rosto dela. — A pequena bolsa não foi o suficiente. Você me impediu de me alimentar ontem, então não me alimento desde ante ontem. É – é ruim quando não me alimento. — Ela baixou a cabeça de forma estranha, como se estivesse ouvindo uma voz no vento. — Eu posso ouvir o sangue passando pelas veias deles.
— Veias de quem? — Eu estava tão intrigada quanto enojada.
Ela fez um gesto abrangente com seus braços que era tão feral quanto gracioso. — Dos humanos dormindo ao nosso redor. — A voz dela tinha caído para um sussurro. Havia algo no tom que me fez querer me aproximar dela, embora os olhos dela tivessem voltado a brilhar vermelho de novo e ela cheirasse tão mal que me fazia querer vomitar. — Um deles está acordado. — Ela apontou para a enorme mansão a direita de onde paramos; — É uma garota... uma adolescente.... ela está sozinha no quarto...
A voz de Stevie Rae era sedutora. Meu coração começou a bater com força no meu peito. — Como você sabe disso? — eu sussurrei.
Ela virou os olhos para mim. — Tem tanta coisa que eu sei. Eu sei sobre sua ânsia por sangue. Eu posso sentir o cheiro. Não tem porque você não ceder a ela. Poderíamos entrar na casa. Ir até a garota no quarto e pegar ela juntas. Eu divido com você, Zoey.
Por um segundo eu fiquei perdida na obsessão que esquentou os olhos de Stevie Rae, e na minha própria necessidade. Eu não experimentava sangue humano desde que experimentei o sangue de Heath um mês atrás. A memória daquele único e maravilhoso gole passou por meu corpo como um segredo atormentando meu corpo. Completamente mesmerizada, eu vi Stevie Rae que estava me pegando em sua linda escuridão, e sua profundidade.
— Eu posso te mostrar como entrar na casa. Eu posso sentir os jeitos secretos. Você pode fazer a garota me convidar para entrar - eu não posso entrar na casa de alguém a não ser que me convidem primeiro. Mas quando eu entrar... — Stevie Rae riu.
Foi a risada dela que me fez voltar a normal. Stevie Rae costumava ter a melhor risada. Era feliz e jovem e inocentemente apaixonada pela vida. Agora o que saia da boca dela era um maldoso e distorcido eco daquela antiga alegria.
— O apartamento é a duas casas de distância. Tem sangue na geladeira. — Eu virei e comecei a andar rapidamente pela rua.
— Não é quente e não é fresco. — Ela soava fula, mas ela estava me seguindo de novo.
— É fresco o bastante, e tem um microondas. Você pode esquentar ele.
Ela não disse mais nada, e chegamos na mansão em apenas alguns minutos. Eu levei ela pela garagem do apartamento, abri a porta de fora, e entrei. Eu estava subindo quando percebi que Stevie Rae não estava atrás de mim. Voltando rapidamente para a porta eu a vi parada do lado de fora na escuridão. Tudo que era visível dela era o vermelho dos olhos dela.
— Você tem que me convidar a entrar — ela disse.
— Oh, desculpe. — O que ela disse antes não se registrou em mim, e agora senti uma onda de choque com essa prova da diferença de alma em Stevie Rae. — Uh, entre — eu disse rapidamente.
Stevie Rae deu um passo para frente e bateu numa barreira invisível. Ela deu um grito de dor, que se transformou num resmungo. Os olhos dela brilharam para mim.
— Suponho que seu plano não tenha funcionado. Eu não posso entrar.
— Eu achei que você tinha dito que só precisava ser convidada.
— Por alguém que vive na casa. Você não vive aqui.
Abaixo de mim, a voz fria e educada de Aphrodite (soando incontavelmente como a da mãe dela) falou. — Eu vivo aqui. Entre.
Stevie Rae entrou sem problemas. Ela começou a subir pela escada e tinha quase me alcançado quando ela deve ter registrado a voz de Aphrodite. Eu vi a o rosto dela mudar de sem expressão para olhos acessos e perigosos.
— Você me trouxe para a casa dela! — Stevie Rae estava falando comigo, mas encarando Aphrodite.
— Sim, e porque é bem fácil de explicar. — Eu considerei agarrar ela caso ela surtasse, então lembrei como estranhamente forte ela se tornou, então comecei a me centrar, me perguntando se minha habilidade com o vento seria capaz de fechar a porta antes dela poder fugir.
— Como você pode explicar! Você sabe que odeio Afrodie. — Então ela olhou para mim. — Eu morro e agora ela é sua amiga?
Eu estava abrindo minha boca para assegurar Stevie Rae que Aphrodite e eu não tínhamos virado amigas exatamente quando a voz arrogante de Aphrodite me interrompeu.
— Cai na real. Zoey e eu não somos amigas. A sua pequena herda de nerds ainda está intacta. A única razão do porque eu estou envolvida é porque Nyx tem um senso de humor totalmente bizarro. Então entre ou saia daqui. Como se eu me importasse... — A voz dela morreu quando ela voltou para o apartamento.
— Você confia em mim? — eu perguntei a Stevie Rae.
Ela olhou para mim pelo que pareceu muito tempo antes de responder. — Sim.
— Então entre. — Eu continuei subindo a escada quando Stevie Rae me seguiu relutantemente atrás.
Aphrodite estava rindo fingindo assistir MTV. Quando entramos na sala ela enrugou o nariz e disse, — Que cheiro nojento é esse? Parece que algo morreu e — ela olhou para cima e viu Stevie Rae. Os olhos dela se alargaram. — Esquece. — Ela apontou para a ponta do apartamento. — Banheiro é para lá.
Eu entreguei a Stevie Rae minha bolsa. — Aqui está. Vamos conversar quando você voltar.
— Sangue primeiro — Stevie Rae disse.
— Vá em frente e eu levo uma bolsa para você. — Stevie Rae estava olhando para Aphrodite, que estava olhando para a TV. — Traga duas — ela praticamente assoviou.
— Tudo bem. Eu levo duas.
Sem outra palavra, Stevie Rae saiu da sala. Eu a observei caminhar pelo corredor de um jeito selvagem.
— Olá! Nojento, asqueroso, e totalmente perturbador — Aphrodite sussurrou. — Como se você não pudesse ter me avisado.
— Eu tentei. Você achou que sabia de tudo. Lembra? — Eu sussurrei de volta. Então fui para a cozinha e peguei as duas bolsas de sangue. — Você também disse que seria gentil.
Eu bati na porta do banheiro. Stevie Rae não disse nada, então eu abri devagar e espiei. Ela estava segurando as jeans, camiseta, e botas, e estava parada ali, no meio do ótimo banheiro, olhando as roupas. Ela estava parcialmente virada para longe de mim, então eu não podia ter certeza, mas eu achei que ela poderia estar chorando.
— Eu te trouxe sangue — eu disse suavemente.
Stevie Rae se balançou, esfregou a mão no rosto, e então jogou as roupas e botas na pia de mármore. Ela estendeu a mão para a bolsa. Eu dei elas para ela, junto com uma tesoura que peguei da cozinha.
— Precisa de ajuda para encontrar algo? — eu perguntei.
Stevie Rae balançou a cabeça. Sem olhar para mim ela disse, — Você está esperando aqui porque está curiosa para saber como eu fico nua ou porque você quer um pouco de sangue?
— Nenhum dos dois. — Eu mantive minha voz perfeitamente normal, me recusando a ficar irritada com ela como ela claramente estava querendo. — Eu vou estar na sala. Você pode jogar suas antigas roupas no corredor e eu vou jogar elas fora para você.
Eu fechei a porta do banheiro firmemente atrás de mim.
Aphrodite estava balançando a cabeça para mim quando eu voltei para ela. — Você acha que pode arrumar aquilo?
— Mantenha sua voz baixa! — Eu sussurrei. Então sentei com força do lado oposto do sofá. — E, não, eu não acho que eu posso arrumar ela. Eu acho que Nyx pode arrumar ela.
Aphrodite deu nos ombros. — Ela cheira tão mal quanto parece.
— Estou tão ciente disso quanto ela está.
— Só estou dizendo, ugh.
— Diga o que quiser, só não diga para Stevie Rae.
— Então para o registro eu só quero dizer que a garota não parece segura para mim — Aphrodite disse, levantando a mão como se tivesse fazendo um juramento. — Eu tenho duas palavras para ela: bomba relógio. Eu acho que ela ia assustar até sua horda de nerds.
— Eu realmente queria que você parasse de chamar eles assim — eu disse. Deus, eu estava exausta.
— Você tem amigos finais de semana nerds — ela disse.
— Huh? — eu não tinha ideia do que ela estava falando.
— Tem finais de semana quando que você e sua gangue se juntam para assistir maratonas dos filmes de Star Wars e Senhor dos Anéis.
— Yeah, e?
Aphrodite me deu uma melodramática virada de olhos. — Você não está entendendo o quão nerd isso é e prova o meu ponto. Vocês são definitivamente uma horda de nerds.
Eu ouvi a porta do banheiro abrir e fechar, então não me incomodei de dizer a Aphrodite que, sim, de fato, eu sabia o quão nerds esses filmes eram mas que nerd também podia ser divertido, especialmente quando você está agindo como nerd junto com seus amigos e comendo pipoca e falando sobre o quão totalmente gostosos são Anakin e Aragon (eu meio que gosto do Legolas também, mas as Gêmeas dizem que ele é muito gay. Damien, é claro, adora ele). Eu peguei uma lixeira debaixo da pia da cozinha e joguei as roupas nojentas de Stevie Rae nela, amarrando e abrindo a porta do apartamento e então jogando pelas escadas.
— Viu — Aphrodite disse.
Eu sentei no sofá, ignorei ela e encarei, sem ver realmente, a TV.
— Não vamos falar sobre aquilo. — Aphrodite apontou o queixo em direção ao banheiro.
— Stevie Rae é ela, não aquilo.
— Ela cheira como um aquilo.
— E não. Não vamos falar sobre ela até ela se juntar a nós — eu disse firmemente.

2 comentários:

  1. Tadinha da Stevie! Tenho que confessar que gosto muito mais da personalidade dela agora que ela tá morta.

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    1. Concordo plenamente. A Stevie está muito melhor agora do que antes, ela está mais segura agora do que quando ela estava "viva".

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