6 de outubro de 2015

Capítulo 12 - Stevie Rae

— Uau! Isso parece um daqueles supertornados que cortam o caminho através de Tulsa — disse Dallas. Ele olhava maravilhado enquanto Stevie Rae manobrava o Bug cuidadosamente ao redor de outra pilha de troncos de árvores caídas. A estrada de acesso ao parque estava bloqueada por uma pereira que tinha quase se partido exatamente ao meio, então Stevie Rae parou ali perto.
— No mínimo, alguma parte da energia está voltando. — Ela gesticulou para os postes que circundavam o parque, iluminando o que era uma desordem de árvores e arbustos de azaleia.
— Embora não por essas bandas. — Dallas falou apontando com o queixo as asseadas casas próximas ao parque. Aqui e ali, uma luz corajosa se fazia ver através de uma janela, mostrando que algumas pessoas tiveram a ideia de comprar geradores de propano antes da tempestade, porém a maior parte da área ao redor estava escura, fria e silenciosa.
— É uma droga para eles, mas torna minha vida mais fácil essa noite. — Stevie Rae disse, saindo do carro. Carregando uma vela verde de ritual, um entrançado de folhas secas, grama-doce e uma caixa de fósforos, Dallas a acompanhou — Todo mundo está exausto, e não vai nem reparar no que eu estou fazendo.
— Você está redondamente certa sobre isso, garota. — Dallas pousou um braço familiar sobre os ombros de Stevie Rae.
— Ah, você sabe que eu gosto quando você me diz que eu estou certa. — Ela enlaçou sua cintura, colando sua mão no bolso de trás do jeans como ela costumava fazer.
Ele apertou suavemente seu ombro e beijou o topo da cabeça dela. — Então eu vou te dizer mais vezes que você está certa — ele disse.
Stevie Rae sorriu pra ele. — Está tentando me ganhar para alguma coisa?
— Está funcionando?
— Talvez.
— Ótimo.
Os dois riram, ela bateu seu quadril, — Vamos para o Grande Carvalho, parece um bom lugar.
— O que você quiser garota.
Eles fizeram seu caminho lentamente, de volta ao centro do parque, andando em volta de árvores caídas e lama, deixadas pela tempestade, tentando não escorregar nas placas de gelo que voltaram a se formar com o frio da noite. Ela fez bem em deixar Dallas acompanhá-la. Talvez uma parte de sua confusão sobre Rephaim aconteceu porque ela estava isolada de seus amigos e hipervalorizando a esquisitice de seu Imprint. Eca, o Imprint com Aphrodite também pareceu totalmente bizarro logo de cara, talvez ela só precisasse de algum tempo – e espaço – pra absorver a novidade. — Ei, olha isso — Dallas trouxe de volta sua atenção para ele. Ele estava apontando para a área próxima ao grande carvalho. — É como se a árvore tivesse feito o círculo para você.
— Oh, que legal! — ela disse. E era! A sólida árvore que enfrentou a tempestade. Faltavam poucos galhos em seus ramos, e eles estavam caídos sobre a grama, formando um completo círculo perfeito em volta da árvore.
Dallas hesitou perto da circunferência, — Eu vou ficar aqui fora, ok? Se realmente for um círculo especial para você eu não posso quebrá-lo. — Ele disse.
Stevie Rae olhou para ele. Dallas era um cara legal. Ele sempre dizia coisas fofas que provavam que ele a entendia mais que o resto do pessoal. — Obrigada. É realmente ótimo, Dallas — Ela subiu na ponta dos pés e o beijou delicadamente.
Ele a abraçou e puxou para mais perto dele. — Qualquer coisa por minha Alta Sacerdotisa.
Sua respiração era quente e doce contra seus lábios, e num impulso, Stevie Rae beijou-o de novo, gostando do que ele a estava fazendo sentir por dentro. E gostando que esse toque estivesse bloqueando de sua mente, pensamentos sobre Rephaim.
Ela estava mais que um pouco ofegante quando ele, relutantemente a soltou. Ele limpou a garganta e deu um sorrisinho — Cuidado garota, faz um bom tempo desde a última vez que estivemos sozinhos.
Sentindo-se um pouco risonha e leviana, ela sorriu para ele, — Muito tempo.
Seu sorriso era sexy e doce. — Bem, temos que resolver isso rápido, mas primeiro, é melhor trabalharmos.
— Oh, sim — ela disse, — trabalho, trabalho, trabalho.
Sorrindo, ela pegou a grama doce, a vela verde e a caixa de fósforos que ele trouxe.
— Ei. — Dallas disse, entregando-lhe o material, — É que eu lembrei de alguma coisa sobre a grama-doce você não deveria usar alguma coisa antes de queimá-la? Eu fui um bocado bom na classe de Feitiços e Rituais, e juro que tinha mais coisa além de queimar e sair sacudindo por aí.
Stevie Rae o olhou pensativa — Não sei. Zoey falou sobre isso, porque é uma coisa dos nativos americanos, ela disse que atraia energias positivas.
— Ok, bem, Z deve saber. — Dallas disse.
Encolhendo os ombros, Stevie Rae disse, — Sim, mas é só uma erva que cheira bem, quer dizer, quão ruim isso pode ser?
— É, realmente, até por que, você é a garota da Terra. Você deve ser capaz de dominar uma queimação de ervas;
— Sim — ela disse — Ok, aqui vai. — Sussurrando um simples “Obrigada Terra” para seu elemento, ela se virou de costas para Dallas, e confiantemente entrou no círculo feito de terra, ela caminhou na direção sul, no interior do círculo que ficou em frente á velha árvore. Ela parou e fechou seus olhos. Havia aprendido que a melhor maneira de se conectar com seu elemento era através dos seus sentidos.
Então ela inspirou profundamente, limpando sua mente de todos os pensamentos desordenados que ela costumava ter, permitindo que apenas um sentido se mantivesse: a audição.
Ela ouviu a terra. Stevie Rae pôde ouvir o murmúrio do vento invernal nas folhas, os pássaros da noite chamando uns aos outros, os sons e suspiros do parque, que vivia uma noite muito, muito fria. Quando sua audição estava transbordando o som da terra, Stevie Rae respirou novamente e focou no olfato. Ela inspirou na terra, farejando a umidade da grama coberta de gelo, a canela das folhas douradas, a fragrância exclusiva do musgo do antigo carvalho.
Com seu sentido do olfato preenchido pela terra, Stevie Rae sugou mais uma golfada de ar, imaginando o sabor rico e cheio de alho, do verão que amadurecia os tomates, ela pensou na simples magia da terra, de puxar o verde, de baixo para cima, cenouras que haviam crescido e se nutrido dentro da terra. Seu paladar transbordando a bondade da terra, ela pensou na suavidade da relva de verão – contra os dentes-de-leão, fazendo cócegas no rosto, segurando pra ver se seus dedos ficariam amarelos, indicando amores secretos – então a terra se levantou e a inundou como uma chuva de primavera.
E então, respirando profundamente, Stevie Rae deixou seu espírito abraçar a maravilhosa, esplendida, mágica sensação que seu elemento a fazia sentir.
Terra era mãe, consolo, irmã e amiga. Terra cresceu nela, e toda vez que seu mundo parecia de cabeça para baixo ela podia contar com seu elemento para acalmá-la e protegê-la.
Sorrindo, Stevie Rae abriu os olhos, ela se virou para a esquerda. — Ar eu peço, por favor, que você venha para o meu círculo. — Mesmo que ela não possuísse uma vela amarela, ou algo para representar o ar, ela sabia que era importante reconhecer e respeitar os outros elementos, e se ela estivesse com sorte eles realmente mostrariam sua força no círculo. Virando para o sul, ela continuou, — Fogo, eu peço que você venha para o meu círculo. — Girando no sentido horário, ela chamou, — Água, eu gostaria que, por favor, que você viesse para o meu círculo. — Desviando-se do trajeto normal, Stevie Rae afastou-se do meio do círculo e disse, — Espírito, isso está fora da ordem, mas eu realmente gostaria que você viesse para o meu círculo também. — Andando adiante para o norte, ela tinha quase certeza de ter visto um fino fio de luz em espiral sair dela. Sorrindo ela olhou por cima do ombro, para Dallas e disse, — Hey, parece que está funcionando!
— É claro que está funcionando garota, você tem sérios poderes de Alta Sacerdotisa. — Soava realmente bom que Dallas continuasse chamando-a de Alta Sacerdotisa, e Stevie Rae ainda estava sorrindo quando se voltou para o norte.
Sentindo-se altiva e forte, ela finalmente acendeu a vela verde dizendo, — Terra, eu sei que estou fazendo as coisas fora da ordem, mas eu tive que deixar o melhor por último, então agora eu peço para que você venha como sempre vem, porque você e eu temos uma conexão, algo um pouco mais especial que fogos de artifício no Parque Haikey Creek em uma noite de verão. Venha para mim terra, Por favor, venha para mim.
Terra explodiu ao seu redor como uma camada. Momentos antes a noite estava fria e úmida, dominada pela ameaça de uma tempestade de gelo, mas agora, Stevie Rae sentia-se acolhida numa noite de verão em uma fazenda em Oklahoma enquanto a presença de seu elemento dominava completamente o círculo.
— Obrigada! — Ela disse radiante. — Eu não posso te dizer o quanto significa para mim, poder sempre contar com você. — Calor irradiava de seus pés e o gelo que cristalizava a grama, rachou, temporariamente livrando-a de sua prisão de gelo. —Tudo bem. — Ela manteve a mente preenchida por seu elemento e falou para a terra como se a estivesse vendo em sua frente. — Eu tenho que te perguntar algo muito importante, mas primeiro eu vou iluminar aqui, por que acho que você vai gostar muito.
Stevie Rae segurou a grama-doce na chama, e ajeitou a vela aos seus pés, quando queimou, ela soprou levemente, e a grama-doce começou a fumaçar. Stevie Rae virou-se, e sorrindo para Dallas, caminhou em torno da circunferência do círculo, sacudindo a chama por todo o lugar, até que a área toda estava imersa no aroma inebriante de verão na pradaria.
Quando ela se voltou no círculo, virada para o norte outra vez, a direção mais próxima do seu elemento, e começou a falar — Minha amiga Zoey Redbird disse que a grama-doce atrai energias positivas, e eu definitivamente preciso de alguma energia boa esta noite, especialmente, visto que é para Zoey que eu estou pedindo sua ajuda. Você deve se lembrar dela – ela é especial, não apenas por ser minha melhor amiga, Z é especial porque... — Stevie Rae parou, e as palavras vieram para ela, — ela é especial porque tem um pedacinho de tudo dentro dela. Eu acho que ela tipo, representa todos nós. Então nós precisamos dela de volta, além do mais ela está sofrendo onde ela está, e eu acho que ela precisa de ajuda para encontrar a saída. Então o seu Guerreiro, um carinha chamado Stark, está indo atrás dela, e ele, tipo, com certeza, precisa da sua ajuda. Eu estou pedindo, implorando que você mostre o caminho para Stark ajudar a Zoey... Por favor.
Stevie Rae soprou o incenso da grama-doce ao seu redor mais uma vez, e esperou.
A fumaça era densa e doce. A noite estava inusitadamente aquecida por conta da presença de seu elemento.
Mas... nada estava acontecendo.
Com certeza, ela podia sentir a terra ali, cercando-a, pronta para servi-la, mas nada aconteceu. Ainda. Incerta sobre o que fazer, Stevie Rae sacudiu o incenso da grama-doce em volta de si outra vez, fazendo mais uma tentativa.
— Bem, talvez eu não tenha sido específica o suficiente — ela pensou por um momento, tentando lembrar de tudo que Aphrodite havia dito a ela, e adicionou, — Com o poder da terra, e a energia desta grama abençoada, eu chamo o ancestral touro branco para o meu círculo, porque eu preciso saber como Stark chegará até Zoey, e como ele a protegerá, para que ela possa achar um jeito deles voltarem juntos para este mundo.
A grama-doce que estava queimando suavemente até um minuto atrás começou a fumaçar mais e ficou vermelho-intenso. Com um lamento, Stevie Rae o soltou. Densa e preta fumaça saía da grama-doce, e a envolvia como uma língua escura de cobra. Segurando a mão queimada junto ao corpo, Stevie Rae cambaleou para trás.
— Stevie Rae, o que está acontecendo?
Ela pôde ouvir Dallas, mas quando olhou para trás ela já não pôde vê-lo. A fumaça era muito espessa. Stevie Rae se virou, tentando examinar a escuridão a sua frente, mas ela não podia sequer se enxergar. Ela olhou para onde a vela verde devia estar, mas aquele local também estava envolvido pela fumaça. Desorientada, ela gritou, — Eu não sei o que está acontecendo! A grama-doce ficou esquisita de repente e... — A terra sob seus pés, a parte tangível de seu elemento, com a qual ela estava tão conectada, tão confortável com ela começou a tremer.
— Stevie Rae você precisa dar o fora daí agora, eu não gosto de toda esta fumaça.
— Você está sentindo isso? — ela gritou para Dallas. — O chão daí também está tremendo?
— Não, mas eu não consigo te enxergar, e tenho um péssimo pressentimento sobre isso.
Antes que Stevie Rae respondesse, ela sentiu a presença. A sensação terrivelmente familiar, e um batimento cardíaco, Stevie Rae entendeu o porquê. Ela lembrou do momento em que percebeu que estava morrendo. O momento que começou a tossir, segurou a mão de Zoey e disse, estou com medo, Z. O eco daquele terror a paralisou, então o primeiro chifre começou a ganhar forma diante dela, branco, afiado e perigoso, tudo que ela podia fazer era agitar sua cabeça para trás e para frente. Para frente e para trás.
— Stevie Rae você consegue me ouvir? — A voz de Dallas parecia a quilômetros de distancia.
O segundo chifre se materializou, e com ele, a cabeça do touro ganhou forma, branca e imensa, com olhos tão negros quanto o fundo de um lago à meia noite.
Me ajude! Stevie Rae tentou dizer, mas o medo engasgou as palavras na garganta.
— Já chega, estou indo ai salvar você mesmo que você não queira quebrar o círculo e...
Stevie Rae sentiu a ondulação quando Dallas tentou adentrar o círculo. O touro também. A criatura virou sua enorme cabeça e soltou um bafo fétido no ar noturno. A noite tremeu em resposta.
— Merda, Stevie Rae! Eu não consigo entrar no círculo. Feche-o e saia daí!
— E-eu não c-consigo. — Ela gemeu, sua voz quebrando em um sussurro.
Completamente formado, o touro era um pesadelo tornado real. Sua respiração sufocava Stevie Rae, com seus olhos a amarrando. Sua pelagem branca era luminosa em contrastante com a escuridão, mas não era bonita. Seu brilho era viscoso, frio e morto. Uma enorme besta demoníaca.
E então caiu, ferindo a terra com tanta maldade que Stevie Rae sentiu o eco da dor rompendo sua alma. Ela desviou o olhar dos olhos do touro, e olhou para suas patas, e engasgou em terror. Onde seus cascos faziam contato com a terra – a terra de Stevie Rae – a terra rompia e sangrava.
— Não! — A barreira de terror quebrou enquanto as palavras finalmente escapavam. — Pare! Você está nos machucando!
Os olhos negros do touro se voltaram para ela, a voz que se ouviu era profunda, poderosa, e inimaginavelmente perversa.
— Você teve poder para me invocar, e isso me divertiu tanto que eu decidi responder sua pergunta. O Guerreiro deve olhar para o seu próprio sangue para descobrir a ponte de entrada para a Ilha das Mulheres então ele precisa vencer a si mesmo para entrar na arena. Somente reconhecendo um antes do outro ele vai se juntar à sua Sacerdotisa. Depois de encontrá-la, é sua escolha e não dele que ela volte.
Stevie Rae engoliu o medo e exclamou, — Isso não faz sentido.
— Sua inabilidade de compreender não faz diferença para mim. Você me convocou. Eu respondi. Agora eu cobrarei o meu pagamento de sangue, e, aliás, faz séculos desde que eu provei a doçura do sangue de um vampiro – especialmente um que emana tanta luz inocente, como você.
Antes que Stevie Rae formulasse alguma resposta, a besta começou a se mover a seu redor. Tirinhas de fumaça começaram a sair da besta e se mover na direção dela. Quando a tocaram, eram como gélidas lâminas de barbear, cortando, ferindo, rasgando sua carne.
Quase sem consciência, ela gritou uma palavra.
— Rephaim!

6 comentários:

  1. Isso é que é amor o resto é conversa...

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  2. AIMEUSDEUSESAIMEUSDEUSESAIMEUSDEUSES!!!!!!!!!
    SÓ EU QUE JÁ SHIPPO??????

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  3. A jumenta invocou o touro errado tinha q chamar o negro.

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    1. né, impossível saber já que a anta da Aphrodite (tá, eu gosto dela, mas pqp né, que dó da Stevie Rae) não avisou nada sobre a cor do touro.

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  4. Super shippo Stevie Rae e Rephaim mas dá um pouco de dó do Dallas:'
    MERDA! TINHA QUE SER O TOURO NEGRO

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