2 de outubro de 2015

Capítulo 11

Eu encontrei o medalhão de coração quando estava mexendo nas roupas de Stevie Rae. Eu estava com ela na noite que ela morreu, e quando eu voltei para nosso quarto o esquadrão de limpeza vampiro (ou seja como for que eles se chamem) já tinha estado aqui e pego todas as coisas de Stevie Rae. Eu fiquei fula. Realmente fula. E insisti que eles devolvessem algumas das coisas dela de volta porque eu queria ter coisas para me lembrar dela. Então Anastásia, a professora que ensina feitiços e rituais (ela é muito gentil e casada com Dragon Lankford, o professor de esgrima) me levou para um depósito bizarro onde eu coloquei algumas das coisas de Stevie Rae numa mala e então eu joguei tudo de volta onde costumava ser o armário dela. Eu lembro que Anastásia foi gentil comigo, mas ela também claramente desaprovou eu ter pego algumas coisas de Stevie Rae.
Quando um calouro morre, os vampiros esperam que a gente esqueça e siga em frente. Ponto.
Bem, eu não acho que isso é certo. Eu não ia esquecer minha melhor amiga, mesmo antes de descobrir que ela virou uma morta viva.
De qualquer forma, eu tinha pego as jeans dela quando algo saiu do bolso dela. Era um envelope que estava escrito ZOEY do lado de fora com a letra de Stevie Rae. Meu estômago doeu enquanto eu o abri. Dentro havia um cartão de aniversário – um daqueles bobos com uma foto de um gato (que parecia Nala) usando um daqueles chapéus de aniversários pontudos e um olhar carrancudo. Dentro dizia FELIZ ANIVERSÁRIO, OU ALGO ASSIM, COMO SE EU ME IMPORTASSE EU SOU UM GATO. Stevie Rae desenhou um enorme coração e escreveu TE AMO! STEVIE RAE E A NALA RABUGENTA. No fundo do envelope havia uma corrente de prata. Eu a ergui para encontrar um delicado medalhão de coração na corrente. Minhas mãos tremiam enquanto eu abria o medalhão. Uma foto dobrada muitas vezes caiu. Eu a abri com cuidado, e com um pequeno soluço, reconheci a foto que eu tinha tirado de nós duas (segurando a câmera, esmagando nossos rostos juntos, e pressionando o botão para tirar a foto).
Limpando os olhos, eu dobrei a foto de volta e a coloquei no medalhão colocando a corrente envolta do meu pescoço. Era uma corrente curta então o coração ficou logo abaixo da minha garganta.
De alguma forma, encontrar o colar me fez sentir forte, e também pegar o sangue da cozinha foi mais fácil do que eu achei que seria. Ao invés da minha bolsa normal – a pequena de marca que eu encontrei numa loja em Utica Square ano passado (é feita de pele falsa pink, totalmente legal), eu peguei minha enorme bolsa – a que eu gostava de usar como uma bolsa de livros quando estava no ginásio no Broken Arrow, antes de ser Marcada e minha vida explodir. De qualquer forma, a bolsa era grande o bastante para carregar alguém gordo (se ele fosse baixo), então foi fácil colocar a jeans Roper, uma camiseta, as botas de cowboy pretas (ugh), e algumas outras coisas e ainda deixar espaço para cinco bolsas de sangue. Sim, elas eram nojentas. Sim, eu queria enfiar um canudinho e chupar como se fosse uma caixa de suco. Sim, eu sou nojenta.
O refeitório estava fechado, assim como a cozinha, e completamente deserto. Mas como tudo na escola, não estava trancado. Entrei e saí da cozinha facilmente, segurando minha bolsa cheia de sangue com cuidado enquanto tentava parecer indiferente e não culpada. (Eu realmente não sou boa com o roubo).
Eu estava preocupada em ver Loren (Que eu realmente, realmente estava tentando esquecer, mas não tanto para mim tirar os brincos de diamante, mas ainda sim), mas a única pessoa que eu vi foi um terceiranista chamado Ian Bowser. Ele era nerd e magro, mas ele também era meio engraçado. Eu tinha aula de teatro com ele e ele era hilariamente apaixonado pela nossa professora de teatro, professora Nolan. Na verdade, ele estava procurando pela professora Nolan quando ele literalmente deu um encontrão em mim no caminho do refeitório.
— Oh, Zoey, desculpe! — Ian me deu uma pequena e nervosa saudação de respeito, com o punho em cima do coração. — Eu – eu não queria te atropelar.
— Sem problemas — eu disse. Eu odiava quando alguém ficava nervoso e assustado perto de mim como se achassem que eu pudesse transformar eles em algo vil. Por favor. É a House of Night, não Hogwarts. (Sim, eu li os livros de Potter e adorei os filmes. Sim, é mais prova de que eu sou uma nerd.)
— Você não viu a professora Nolan, viu?
— Não. Eu nem sabia que ela tinha voltado das férias — eu disse.
— Yeah, ela voltou ontem. Tínhamos um encontro trinta minutos atrás. — Ele riu e ficou corado. — Eu realmente quero chegar na final da competição de Monólogos de Shakespeare ano que vem, então pedi a ela para ser minha tutora.
— Oh, isso é legal. — Pobre garoto. Ele nunca chegaria na final de um belo concurso de Shakespeare se a voz dele não parasse de se afinar.
— Se você ver a professora Nolan pode dizer a ela que eu estou procurando por ela?
— Pode deixar — eu disse. Ian saiu apressado. Eu segurei minha bolsa e fui diretamente para o estacionamento e então para o Wal-Mart.
Comprei o celular (com sabonete, escova de dentes, e um CD Kenny Chesney) e foi fácil. O que não foi fácil foi lidar com a ligação para o Erik.
— Zoey? Onde você está?
— Ainda na escola — eu disse. O que não era literalmente uma mentira. Nessa hora eu estava parada no lado da estrada perto do lugar no muro leste onde havia a porta secreta que levava para fora da escola. Eu digo “secreta” porque vários calouros e provavelmente todos os vampiros sabiam sobre ela. Era uma tradição escolar não comentada que calouros saíssem da escola para um ritual e por algum mal comportamento de vez e mquando.
— Ainda na escola? — ele parecia irritado. — Mas o filme quase acabou.
— Eu sei. Desculpe.
— Você está bem? Você sabe que deve ignorar as merdas que Aphrodite disse.
— Yeah, eu sei. Mas ela não disse nada sobre você. — Ou pelo menos quase nada. — Eu só estou muito estressada agora e só preciso pensar um pouco sobre umas coisas.
— Coisas de novo. — Ele não soava feliz.
— Eu realmente sinto muito, Erik.
— Ok, yeah. Sem problemas. Eu te vejo amanhã ou algo assim. Bye. — E ele desligou.
— Merda — eu disse para o telefone mudo.
Aphrodite bateu na janela do lado do passageiro o que me vez pular e dar um gritinho. Eu desliguei o telefone e me inclinei para destrancar a porta para ela.
— Aposto que ele está puto — ela disse.
— Você tem um ouvido bizarramente bom?
— Nah, só uma bizarramente boa habilidade de entender as coisas. Além do mais eu conheço nosso garoto Erik. Você deu um bolo nele hoje. Ele está puto.
— Ok, primeiro, ele não é nosso garoto. Ele é meu garoto. Segundo, eu não dei o bolo nele. Terceiro, eu não vou falar de Erik com você, Senhorita Boquete.
Ao invés de assoviar e cuspir em mim como achei que ela faria, Aphrodite riu. — Ok. Tanto faz. E não derrube nada antes de tentar, Senhorita Santinha.
— Ok, eew. — Eu disse. — Mudando de assunto. Eu tenho uma ideia de como lidar com o negócio de Stevie Rae. Eu também não acho que você deveria se esconder. Então me mostre como chegar à casa dos seus pais. Eu vou te largar lá e então vou pegar Stevie Rae.
— Quer que eu vá embora antes de voltar com ela?
Eu já tinha pensado nisso. Era tentador, mas a verdade era que estava parecendo cada vez mais que Aphrodite e eu iríamos ter que trabalhar juntas para arrumar Stevie Rae. Então minha melhor amiga morta viva teria que se acostumar em ter Aphrodite por perto. Além do mais, eu já estava fazendo coisas escondidas demais. Eu não conseguia mais lidar com esconder coisas para a garota que eu estava escondendo de todo mundo. Se isso faz sentido.
— Não. Stevie Rae vai ter que aprender a lidar contigo. — Eu olhei para Aphrodite quando cheguei na sinaleira e acrescentei alegre, — Ou talvez ela nos faça um favor e coma você.
— É tão legal você sempre pensar no lado bom das coisas — Aphrodite disse sarcasticamente. — Ok, vire a direita aqui. Quando chegar em Peoria, vire a esquerda e desça algumas quadras até você ver uma enorme placa que aponta para a virada de Philbrook.
Eu fiz o que ela disse. Nós não ficamos tagarelando, mas não foi estranho e constrangedor. Era estranho o quão fácil era estar com Aphrodite. Eu quero dizer, não que ela não continuasse sendo uma vaca, mas eu estava meio que gostando dela. Ou talvez esse fosse só outro sinal que eu precisava considerar terapia seriamente, e eu me perguntei se Prozac ou Lexapro ou algum outro adorável antidepressivo funcionaria em um calouro.
Na placa de Philbrook eu virei à esquerda e Aphrodite disse, — Ok, estamos quase lá. É a casa 50 da direita. Não entre na primeira entrada, entre na segunda. Essa vai por trás da casa na garagem do apartamento.
Nós entramos e tudo o que eu pude fazer era balançar a cabeça. — É aqui que você vive?
— Costumava viver — ela disse.
— É uma P mansão! — E uma legal. Parecia algo que eu imaginava que caras ricos que viviam na Itália tivessem.
— Era uma puta prisão. Ainda é. — Eu ia dizer algo semi-profundo sobre ela estar livre agora que ela foi Marcada e era uma menor emancipada e ela podia dizer aos pais para se mandarem (como eu tinha feito), mas o próximo comentário espertinho dela me fez esquecer a coisa legal que eu ia dizer. — E é realmente muito irritante você ser muito pura para xingar. Dizer fuder não vai matar você. Não vai nem significar que você não é virgem.
— Eu xingo. Eu digo merda e droga. Muito. — E porque eu de repente senti a necessidade de defender minhas preferências por não-xingamentos?
— Tanto faz — ela disse, claramente rindo de mim.
— E não tem nada errado em ser virgem. É melhor que ser uma vadia.
Aphrodite ainda estava rindo. — Você tem muito a aprender, Z. — Ela apontou para o prédio que parecia uma miniatura da mansão. — Passe atrás dali. Tem uma entrada de trás para o apartamento o seu carro fica atrás da rua.
Eu parei atrás da garagem totalmente legal e sai do meu Fusca. Aphrodite usou sua chave para destrancar a porta, que abriu para uma escadaria. Eu segui ela até o apartamento.
— Jeesh, os servos devem ter vivido muito bem antigamente — eu murmurei, olhando ao redor para o escuro e brilhante chão de madeira, os móveis de couro, e a brilhante cozinha. Não havia várias coisas para decorar, mas havia várias velas e alguns vasos que pareciam caros. Eu podia ver que o quarto e o banheiro ficavam no fim do apartamento, e consegui espiar para ver uma enorme cama com um puff confortável e travesseiros. Meu palpite era que o banheiro fosse melhor do que o banheiro principal dos meus pais.
— Você acha que está bom? — Aphrodite perguntou.
Eu fui para uma das janelas. — Cortinas grossas – isso é bom.
— Persianas também. Vê, podemos fechar elas daqui. — Aphrodite demonstrou.
Eu acenei para a TV de tela plana. — Net?
— É claro — ela disse. — Tem vários DVD´s por aqui também.
— Perfeito — eu disse, indo até a cozinha. — Só vou colocar todos os sacos de sangue aqui, e então ir até Stevie Rae.
— Ótimo. Eu vou assistir as reprises de Real World — Aphrodite disse.
— Ótimo — eu disse. Mas ao invés de ir embora, eu limpei minha garganta inquieta. Aphrodite olhou por cima da TV. — O que?
— Stevie Rae não parece e não age como costumava.
— Verdade? Eu não teria ideia sobre isso se você não tivesse me avisado. Eu quero dizer, a maior parte das pessoas que morre e daí volta a vida como um monstro sugador de sangue parece e age totalmente sã.
— Estou falando sério.
— Zoey, eu vi Stevie Rae e algumas das outras criaturas em minhas visões. Eles são nojentos. Ponto, o fim.
— É pior quando você os vê ao vivo.
— Nenhuma surpresa nisso — ela disse.
— Eu quero que você não diga nada para Stevie Rae — eu disse.
— Você diz sobre ela estar morta e tudo mais? Ou sobre ela ser nojenta?
— Nenhum dos dois. Eu não quero assustar ela. Eu também não quero ela pulando em você e arrancando sua garganta. Eu quero dizer, eu acho que provavelmente poderia parar ela mas não tenho 100% de certeza. E fora o fato de que seria nojento e difícil de explicar, eu realmente odeio pensar no que todo aquele sangue faria com esse apartamento legal.
— Que doce você.
— Hey, Aphrodite, que tal você tentar algo novo. Tente ser legal — eu disse.
— Que tal eu só não dizer nada.
— Isso também funciona. — Eu fui para a porta. — Eu vou tentar trazer ela aqui logo.
— Hey — Aphrodite me chamou. — Ela realmente poderia arrancar minha garganta?
— Absolutamente — eu disse, e então fechei a porta atrás de mim.

2 comentários:

  1. Estou amando essas duas juntas uahshau
    "— E não tem nada errado em ser virgem. É melhor que ser uma vadia.
    Aphrodite ainda estava rindo. — Você tem muito a aprender, Z."

    Exatamente, vc tem muito a aprender Zoey uahsuahs Não entendo pq ela não liberou pro Eric ou pro Heath ainda, mds, mas enfim, a Aphrodite chamou ela pelo apelido <3 que amorzinho

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