6 de outubro de 2015

Capítulo 11 - Stevie Rae

— Skye? Sério? Onde fica isso? Irlanda? — Stevie Rae disse.
— É Escócia, não Irlanda, retardada — Aphrodite disse.
— Eles não são mais ou menos a mesma coisa? E não diga “retardada”. Não é legal.
— Que tal eu dizer me morda? É legal o suficiente? Apenas ouça e tente não ser tão idiota, bundazeda. Eu preciso que você volte e faça mais da sua comunhão estranha com a terra ou qualquermerda que você faça, e veja se pode vir com alguma informação sobre Luz e Escuridão – você sabe, com letra maiúscula L e E. Também preste atenção se uma árvore ou oquequerqueseja diga alguma coisa sobre dois touros.
— Touros? Você quer dizer vacas?
— Você não é caipira? Como é que você não sabe o que é um touro?
— Olha, Aphrodite, esse é um estereótipo ignorante. Só porque eu não sou de uma grande cidade não significa que eu automaticamente sei sobre vacas e essas coisas. Caramba, eu nem gosto de cavalos.
— Eu juro que você é uma mutante — Aphrodite disse — Um touro é uma vaca masculina. Até o Bichon Frisé esquizofrênico da minha mãe sabe disso. Foque-se, você poderia, isso é importante. Você precisa ir perguntar à erva maldita sobre uma antiga e inteiramente muito bárbara e por isso desinteressante mitologia ou religião ou qualquer coisa que inclua dois touros brigando, um branco e um preto, e uma luta entre o bem e o mal, típica de garotos, violenta e interminável.
— O que isso tem a ver com trazer Zoey de volta?
— Eu acho que poderia de alguma forma abrir uma porta para Stark para o Outromundo, sem ele realmente morrer, porque, aparentemente isso não funciona muito para os Guerreiros protegerem suas Altas Sacerdotisas lá.
— As vacas podem fazer isso? Como? Vacas não podem nem falar.
— Touros, retardada dupla. Me acompanhe. Eu não estou falando somente de animais, mas a crueza do poder que os rodeia. Os touros representam esse poder.
— Então eles não vão falar?
— Oh, pelo amor do saco plástico! Eles podem ou eles não podem – Eles são uma supermagia antiga, estúpida! Quem sabe o que diabos eles podem fazer? Basta captar isso: Para conseguir ir para o Outromundo, Stark não pode ser civilizado e moderno e todo legalzinho. Ele tem que descobrir como ser mais do que isso para chegar a Zoey e para protegê-la sem serem ambos mortos, e essa religião super-velha pode ser uma chave para isso.
— Eu acho que isso faz sentido. Quero dizer, quando eu penso sobre Kalona, eu não penso exatamente em um cara moderno — Stevie Rae fez uma pausa, reconhecendo apenas a si mesma que ela estava verdadeiramente pensando em Rephaim, e não em seu pai. — E ele definitivamente tem algum poder bruto.
— E definitivamente está no Outromundo sem ser morto.
— Que é onde Stark precisa estar.
— Então, vá falar com as flores sobre touros e essas coisas — Aphrodite disse.
— Eu vou falar com as flores. — Stevie Rae disse.
— Ligue-me quando elas disserem alguma coisa.
— Sim, ok. Eu vou fazer o meu melhor.
— Ei, seja cuidadosa — Aphrodite disse.
— Viu, você pode ser legal. — Stevie Rae disse.
— Antes que você seja toda morangos e creme para cima de mim, responda essa pergunta: Com quem você teve um Imprint depois que o nosso quebrou?
O corpo de Stevie Rae gelou. — Ninguém!
— O que significa alguém inapropriado. Quem é, um desses calouros vermelhos perdedores?
— Aphrodite – eu disse ninguém.
— É, foi isso que eu imaginei. Viu, uma das coisas que eu estou aprendendo por causa desse negócio novo de Profetisa, que é quase um pé no saco, a propósito, é que se eu ouvir sem os meus ouvidos, eu sei das coisas.
— Aqui está o que eu sei – você perdeu a sua droga de cabeça.
— Então, de novo, seja cuidadosa. Eu estou tendo estranhas vibrações de você, e elas estão me dizendo que você pode estar com problemas.
— Eu acho que você só inventou uma história grande e velha para cobrir todas as coisas que você tem acontecendo na sua cabeça.
— E eu acho que você está escondendo alguma coisa. Então vamos só concordar em não concordar.
— Eu vou falar com as flores sobre as vacas. Adeus, Aphrodite.
—Touros. Adeus, felizinha.
Stevie Rae abriu a porta para sair do quarto, ainda carrancuda sobre os comentários de Aphrodite, e quase foi de encontro à mão de Kramisha, que estava para bater em sua porta. As duas pularam e Kramisha balançou a cabeça. — Não faça merdas estranhas como essa. Me faz pensar que você não é mais normal.
— Kramisha, se eu soubesse que você estava aqui fora, eu não teria pulado quando abri a porta. E nenhuma de nós é normal – pelo menos não mais.
— Fale por si mesma. Eu ainda sou eu. Quero dizer que não tem nada de errado comigo. Você, por outro lado, parece uma ardente porcaria-e-algo-mais.
— Eu quase tostei em um telhado dois dias atrás. Acho que isso me dá o direito de parecer um lixo.
— Não quis dizer que você parecia mal. — Kramisha inclinou sua cabeça para o lado. Hoje ela estava usando sua bob wing amarelo brilhante, que ela tinha coordenado com a brilhante sombra de olho amarelo fluorescente. — Na verdade, você parece bem – toda rosa como aquelas pessoas brancas quando estão realmente saudáveis. Me lembra aqueles bebezinhos suínos fofinhos quando estão rosados.
— Kramisha, eu juro que você está fazendo minha cabeça doer. Do que você está falando?
— Só estou dizendo que você parece bem, mas não está indo bem. Ali dentro, e ali. — Kramisha apontou do coração de Stevie Rae para a cabeça dela.
— Eu tenho muito em minha mente. — Stevie Rae disse evasivamente.
— É, eu sei disso, com a Zoey totalmente ferrada e tal, mas você tem que manter a sua merda junta da mesma maneira.
— Estou tentando.
— Tente mais. Zoey precisa de você. Eu sei que você não está lá com ela, mas eu tenho esse sentimento que você pode ajudá-la. Então você tem que usar o seu bom senso.
Kramisha estava olhando para ela com tanta intensidade que fez Stevie Rae ficar incomodada. — Como eu disse. Estou tentando.
— Você está a fim de alguma coisa louca?
— Não!
— Você tem certeza? Por que isso é para você — Kramisha estendeu um pedaço de uma folha roxa de caderno que tinha algo escrito em sua distinta mistura de letra cursiva e impressa. — E parece um bando de loucura para mim.
Stevie Rae arrancou o papel de sua mão. — Droga, por que você simplesmente não disse que estava me trazendo um dos seus poemas?
— Eu estava chegando nisso. — Kramisha cruzou os braços e encostou na porta, obviamente esperando por Stevie Rae para ler o poema.
— Não tem nada que você precise fazer?
— Não. O resto das crianças está comendo. Oh, exceto por Dallas. Ele está trabalhando com Dragon em algum negócio de espada, embora a escola não tenha começado oficialmente, e eu não vejo necessidade em apressar as coisas, então eu não vejo por que ele está tão apressado para ir para a aula. De qualquer maneira, só leia o poema, Alta Sacerdotisa, eu não estou indo para lugar nenhum.
Stevie Rae abafou um suspiro. Os poemas de Kramisha tendiam a ser confusos e abstratos, mas eles também eram proféticos, e só pensar que um deles era obviamente para ela fez o estômago de Stevie Rae sentir como se ela tivesse comido ovos crus. Relutantemente, seu olhos foram para o poema e ela começou a ler:

A Vermelha entra na escuridão
quadris cingidos por sua parte
na luta apocalíptica.

Escuridão se esconde em diferentes formas
veja além do formato, cor, mentiras
e tempestades emotivas.

Alie-se com ele; pague com o seu coração
ainda que confiança não pode ser dada
a não ser a Escuridão que você parta.

Veja com a alma e não com os seus olhos
pois para dançar com as bestas você
deve penetrar em seus fingimentos.

Stevie Rae balançou sua cabeça, olhou para Kramisha, e então leu o poema de novo, lentamente, desejando que seu coração por favor parasse de bater tão alto que trairia a culpa terrível que a coisa instantaneamente fez ela sentir. Porque Kramisha estava certa, era obviamente sobre ela. Claro que também era obviamente sobre ela e Rephaim. Stevie Rae supôs que ela devia ser agradecida que a droga do poema não falava nada sobre asas e olhos humanos em uma droga de cabeça de pássaro. Tiro!
— Vê o que eu disse sobre ser sobre você?
Stevie Rae desviou seu olhar fixo do poema para os olhos inteligentes de Kramisha. —Bem, inferno, Kramisha. Claro que é sobre mim. A primeira linha diz isso.
— Sim, vê, eu tinha certeza sobre isso também, mesmo que eu nunca ouvi ninguém te chamar daquilo.
— Isso faz sentido. — Stevie Rae disse rapidamente, tentando derrubar a memória da voz de Rephaim chamando-a de A Vermelha. — Eu sou a única garota vermelha vampira, então vai falar sobre mim.
— Foi isso que eu pensei, mesmo assim tem um monte de loucuras sobre as bestas e coisas assim. Eu tive que checar a parte do seus-quadris-cingidos porque soava nojento e sexual, mas acabou sendo simplesmente um modo de dizer que você precisa realmente se preparar para uma luta.
— Sim, bem, tem um monte de lutas acontecendo ultimamente. — Stevie Rae disse, olhando de volta para o poema.
— Parece que você está dentro para mais algumas – e é alguma merda feia, também, você tem que estar realmente preparada — Então ela limpou sua garganta de forma significativa, e Stevie Rae relutantemente encontrou seus olhos de novo. — Quem é ele?
— Ele?
Kramisha cruzou seus braços. — Não fale comigo como se eu fosse estúpida. Ele. O cara que o meu poema diz que você vai dar o coração.
— Eu não!
— Oh, então você sabe quem ele é. — Kramisha bateu o pé da sua bota de pele de leopardo. — E ele definitivamente não é Dallas, porque você não ficaria surtada sobre dar a ele seu coração. Todo mundo sabe que vocês têm uma coisa. Então, quem é ele?
— Eu não tenho a menor ideia. Eu não estou vendo ninguém exceto Dallas. Além disso, eu estou mais preocupada sobre as partes que falam sobre Escuridão e disfarces e tal — Stevie Rae mentiu.
— Huh — Kramisha bufou pelo nariz.
— Olha, eu vou ficar e pensar sobre isso — Stevie Rae disse, enfiado o poema dentro do bolso de seu jeans.
— Deixe-me adivinhar – você quer que eu fique com a boca calada sobre isso — Kramisha disse, batendo o pé novamente.
— É, porque eu quero tentar... — A desculpa morreu sob o olhar sabido de Kramisha. Stevie Rae soltou um longo suspiro, e decidiu contar o máximo de verdade que podia, e começou de novo. — Eu não quero que você diga nada sobre o poema porque eu tenho um problema com um cara acontecendo, e trazer isso a tona ia ser uma merda para mim e para Dallas, especialmente quando não tenho certeza absoluta sobre o que está havendo entre mim e esse outro cara.
— É bem assim. Problema com caras pode ser uma grande bagunça, e como minha mãe sempre diz, simplesmente não é certo colocar todos os seus problemas pessoais lá fora para todo mundo ver.
— Obrigada, Kramisha. Eu sou grata por isso.
Kramisha segurou sua mão. — Aguente firme. Ninguém disse que eu estava de saco cheio com esse assunto. Meus poemas são importantes. Esse aqui é mais do que a sua vida amorosa ferrada. Então como eu disse antes, tenha a loucura limpa da sua mente e lembre-se de usar o bom senso. E também, toda vez que eu escrevi Escuridão, fez o meu interior se sentir errado.
Stevie Rae deu a Kramisha um longo olhar, e então tomou sua decisão. — Ande comigo até o estacionamento, ok? Eu tenho algo para fazer fora do campus, mas eu quero falar com você no caminho.
— Não tem problema. — Kramisha disse. — De qualquer maneira, já era tempo de você dizer alguma coisa sobre o que está acontecendo dentro da sua cabeça para alguém. Você tem agido estranhamente ultimamente, e eu quero dizer até antes de Zoey ter se despedaçado.
Nenhuma delas disse mais nada enquanto desciam as escadas e andavam através do dormitório ocupado. Stevie Rae pensou que era como se o gelo também descongelasse os calouros. Ao decorrer dos últimos dias, as crianças tinham começado a sair e estavam agindo mais e mais normalmente. Claro, ela e Kramisha ainda levavam um monte de olhares, mas eles foram de hostis e temerosos para quase curiosos.
— Você está achando que talvez nós possamos ser capazes de voltar aqui e ir à escola novamente, como se essa ainda fosse nossa casa? — Kramisha deixou escapar, uma vez que elas tinham alcançado a calçada do lado de fora do dormitório.
Stevie Rae deu a ela um olhar surpreso. — Na verdade, eu meio que comecei a pensar nisso. Seria tão ruim voltar aqui?
Kramisha se encolheu. — Eu não tenho certeza. Tudo que eu tenho certeza é que me sinto bem quando estou dormindo no subsolo durante o dia.
— É, isso é um problema aqui.
— A Escuridão no meu poema que fez eu me sentir mal – você não acha que é sobre nós, você acha?
— Não! — Stevie Rae balançou sua cabeça rapidamente. — Não tem nada de errado conosco. Você e eu e Dallas e o resto dos calouros vermelhos que vieram aqui decidiram. Nyx nos deu uma escolha, e nós escolhemos bem sobre o mal – Luz sobre Escuridão. O poema não está falando sobre nós. Eu tenho certeza disso.
— São os outros, huh? — Mesmo elas estando sozinhas, Kramisha abaixou a voz.
Stevie Rae pensou sobre isso e percebeu que Kramisha podia estar certa. Ela só tinha estado tão preocupada com a culpa sobre Rephaim que isso não tinha ocorrido a ela. Droga! Ela precisava manter sua cabeça reta. — Bem, é, eu acho que poderia estar falando sobre eles, mas se está, é muito ruim.
— Por favor. Todos nós sabemos que eles são realmente ruins.
— É, bem, eu descobri algumas coisas de Aphrodite que dá para a Escuridão com letra maiúscula E uma nova fase de bagunçada. E se eles estão envolvidos com aquilo, então eles atingiram um tipo diferente de mal. Como o mal de Neferet.
— Merda.
— É. Então o seu poema pode estar falando sobre uma luta com eles. Mas também, e essa é a parte que eu queria que você soubesse, Aphrodite e eu começamos a aprender sobre algumas coisas antigas. Você sabe, muito velhas. Tão velhas que os vampiros nunca esqueceram disso.
— É alguma merda velha.
— Bem, nós estamos – quero dizer eu e Aphrodite e Stark e o resto das crianças com Zoey – vamos tentar ver se nós podemos usar essa informação velha para ajudar Stark a chegar ao Outromundo então ele pode proteger Zoey enquanto ela põe sua alma junta novamente.
— Você diz ter Stark no Outromundo sem ele ser morto e tal?
— É, aparentemente ele aparecendo no Outromundo morto não seria bom para Zoey.
— Então você vai usar aquela merda velha para descobrir como fazer isso corretamente?
Stevie Rae sorriu para ela. — Nós vamos tentar. E você pode ajudar.
— Diga a palavra. Eu estou aqui.
— Okay, aqui vai: Aphrodite achou alguns poderes novos de Profetisa desde que ela se focou neles. — Stevie Rae adicionou um sorriso torto em suas palavras. — Mesmo que ela esteja tão feliz sobre isso como um gato em uma trovoada. — Kramisha riu, e Stevie Rae continuou, — de qualquer maneira, eu estava pensando que mesmo que eu não tenha um círculo aqui como Zoey tem lá ao redor dela, eu tenho uma Profetisa.
Kramisha piscou, e quando Stevie Rae continuou olhando, seus olhos se arregalaram em entendimento. — Eu?
— Você. Bem, você e a sua poesia. Você fez isso antes e ajudou Z a descobrir como jogar Kalona fora daqui.
— Mas...
— Mas olhe por esse lado, — Stevie Rae a interrompeu. — Aphrodite descobriu. Então você está dizendo que ela é mais esperta que você?
Os olhos de Kramisha se estreitaram. — Eu tenho um mundo inteiro de esperteza que garotas brancas ricas não sabem nada sobre.
— Bem, então, suba cowboy.
— Você sabe que meio que me assusta quando fala country.
— Eu sei. — Stevie Rae formou covinhas para ela. — Okay, eu vou conjurar alguma terra e ver se eu posso descobrir mais alguma coisa sobre meu fim. Ei, encontre Dallas e o encha com tudo exceto o poema.
— Eu já te disse que não estou te julgando.
— Obrigada, Kramisha. Você é realmente uma boa Poetisa Laureate.
— E você não é tão ruim para uma garota do interior.
— Até mais. — Stevie Rae acenou e começou a correr para o carro de Z.
— Eu te dou cobertura, Alta Sacerdotisa.
As palavras de despedida de Kramisha fizeram o estômago de Stevie Rae se sentir todo esmagado, mas ela também estava sorrindo ao ligar o carro de Z. Ela estava simplesmente pronta para colocar o carro em marcha quando percebeu que: a) ela não sabia onde estava indo, e b) toda a coisa de “Conjurar a terra” seria cargas mais fáceis se ela se preocupasse em pegar uma vela verde e talvez alguma grama-doce para atrair energia positiva. Totalmente aborrecida com si mesma, ela colocou o carro em ponto morto. Onde em Sam Hill ela estava indo?
De volta para Rephaim. O pensamento era como respirar – instantâneo e natural. Stevie Rae foi ao alcance do câmbio de marchas, mas sua mão parou. Voltar para Rephaim agora seria a coisa mais esperta para ela fazer?
Claro, em uma mão ela tinha pegado um monte de informação dele sobre Kalona e Escuridão e tal.
Em outra, ela não confiava muito nele. Ela não poderia confiar muito nele.
De qualquer maneira, ele mexia com a cabeça dela. Quando ela leu o poema de Kramisha, ficou muito ocupada sendo obsessiva sobre ele para considerar qualquer outra coisa – como o fato de que o poema poderia ser um alerta sobre os calouros vermelhos ruins e não somente sobre ela e o Corvo Escarnecedor.
Então o que diabos ela deveria fazer?
Ela tinha dito a Rephaim que voltaria para verificá-lo, mas ela queria voltar por causa de algo mais do que simplesmente contar a ele que deveria. Stevie Rae precisava dele. Precisava? Sim, ela admitiu relutantemente para si mesma. Ela precisava ver o Corvo Escarnecedor. A confissão varreu Stevie Rae.
— Eu tenho um Imprint com ele. Isso significa que nós temos uma conexão, e não tem muita coisa que eu possa fazer sobre isso. — Ela murmurou para si mesma enquanto apertava o volante do Bug. — Eu simplesmente vou ter que aceitar e lidar com isso.

E eu tenho que lembrar que ele é o filho de seu pai.
Certo. Okay. Ela o checaria. Ela também perguntaria para ele questões sobre a Luz, assim como sobre a Escuridão, e sobre as duas vacas. Ela fez uma careta. Bem, touro. Mas ela deveria fazer alguma escavação ela mesma, sem Rephaim. Ela deveria mesmo invocar seu elemento e ver que informações ela poderia pegar sobre vacas/touros. Aquilo seria usar o bom senso. Então Stevie Rae sorriu e deu um tapa no volante.
— Eu entendi! Eu vou parar naquele parque velho fofo que está no caminho para Gilcrease. Fazer uma pequena magia de terra, e então checar Rephaim. Fácil-fácil! — É claro que primeiro ela iria de volta para o Templo de Nyx e pegaria uma vela verde, alguns fósforos, e alguma grama-doce. Se sentindo melhor agora que tinha um plano, ela estava se preparando para tirar o Bug do ponto neutro quando ouviu o som de botas de cowboy pisando no asfalto do estacionamento e então Dallas falando com uma indiferença forçada.
— Eu só estou andando aqui fora até o carro da Zoey. Eu não estou espionando Stevie Rae e fazendo-a pular.
Stevie Rae baixou sua janela e sorriu para ele. — Ei, Dallas. Eu pensei que Kramisha disse que você estava trabalhando fora com o Dragon.
— Eu estava. Olhe só – Dragon me deu essa faca legal. Disse que é um punhal. Ele também disse que eu posso ser bom com isso.
Stevie Rae assistiu duvidosamente enquanto Dallas puxou uma faca de dois gumes pontuda de um suporte de couro que ele estava usando ao redor da sua cintura e segurou-a estranhamente, como se não tivesse certeza se cortaria mais alguém, ou cortaria ele.
— É realmente afiado. — Stevie Rae disse, tentando soar positiva.
— É, por isso que eu não estou usando ela para praticar ainda, mas Dragon disse que eu podia usá-la. Por um tempo. Se eu fosse cuidadoso.
— Oh, okay. Legal. — Se ela vivesse um milhão de anos, Stevie Rae teria certeza que ela nunca entenderia coisas de meninos.
— É, então, eu terminei com as minhas aulas idiotas e trombei com Kramisha no caminho para a Casa de Campo. — Dallas disse enquanto embainhava a faca. — Ela disse que tinha deixado você porque você estava se preparando para sair e fazer alguma coisa de terra. Pensei em tentar alcançá-la antes de você sair e ir junto.
— Oh, bem. Isso é legal, Dallas, mas eu estou bem sozinha. Na verdade, ajudaria muito se você pegasse uma vela verde e alguns fósforos para mim do Templo de Nyx e corresse aqui fora de volta para mim. Oh, e caso você veja alguma grama-doce no templo, traga aqui também, você poderia? Eu não sei onde minha cabeça tem estado, mas conjurar a terra é definitivamente mais fácil com uma vela de terra, e eu totalmente esqueci de pegar uma, sem mencionar a grama-doce para atrair energia positiva.
Ela estava surpresa quando Dallas não disse ok e correu para as coisas. Em vez disso, ele simplesmente ficou ali, assistindo-a, com suas mãos enfiadas nos bolsos de seus jeans e parecendo meio aborrecido.
— O que? — Ela perguntou.
— Sinto muito eu não ser um Guerreiro! — Ele exclamou. — Eu estou tentando o melhor que posso para aprender alguma coisa de Dragon, mas vai levar algum tempo para ser decente com isso. Eu nunca nem realmente me importei com todas as coisas de lutas, e eu sinto muito! — Dallas repetiu, parecendo mais e mais chateado.
— Dallas, sobre o que diabos você está falando?
Ele jogou as mãos para cima em frustração. — Eu estou falando sobre eu não ser bom o bastante para você. Eu sei que você precisa de mais – que você precisa de um guerreiro. Inferno, Stevie Rae, se eu tivesse sido seu Guerreiro, eu poderia estar ali para você quando aquelas crianças te atacaram a quase te mataram. Se eu fosse seu Guerreiro, você não me mandaria em incumbências estúpidas. Você me manteria perto de você, então eu poderia te proteger durante toda essa coisa que você está passando.
— Eu estou indo bem protegendo a mim mesma, e pegar uma vela de terra para mim e tal não é uma incumbência estúpida.
— É, ok, mas você merece algo melhor do que um cara que não sabe merda nenhuma sobre proteger sua mulher.
As sobrancelhas de Stevie Rae subiram ao encontro de seu cabelo louro encaracolado. — Você simplesmente me chamou de sua mulher?
— Bem, sim. — Ele se remexeu, e em seguida acrescentou, — Mas em um lado bom.
— Dallas, você não poderia ter parado o que aconteceu no telhado. — Ela disse verdadeiramente, — Você sabe como aquelas crianças são.
— Eu deveria estar com você; eu deveria ser seu Guerreiro.
— Eu não preciso de um Guerreiro! — Ela gritou, exasperada com a sua teimosia e odiando o fato que ele estava tão chateado.
— Bem, você com certeza como o inferno não precisa de mim mais. — Ele virou as costas para o Bug e enfiou as mãos dentro dos bolsos dos seus Jeans.
Stevie Rae olhou para seus ombros curvados e se sentiu terrível. Ela fez isso. Ela machucou-o porquê ela estava afastando ele e todo mundo para longe para manter Rephaim um segredo. Culpada como um coelho em um remendo de cenoura, ela saiu do carro e tocou seu ombro gentilmente. Ele não olhou para ela.
— Ei, isso não é verdade. Eu preciso de você.
— Claro. É por isso que você esteve ocupada empurrando-me para longe.
— Não, eu só estive ocupada. Desculpe-me se eu fui o contrário do que pretendia.
Ele virou para ela. — Não o que pretendia. Simplesmente não se importando mais.
— Eu me importo! — Ela disse rapidamente, e entrou em seus braços, abraçando-o de volta tão firmemente como ele estava abraçando-a.
Dallas falou suavemente no ouvido dela. — Então deixe-me ir com você.
Stevie Rae se puxou para trás assim ela poderia olhar para ele, e o “Não, você não pode” que ela estava pronta para dizer morreu em seus lábios. Era como se ela pudesse ver o coração dele através de seus olhos, e estava claro que ela estava quebrando-o – quebrando ele. O que diabos ela estava fazendo, machucando essa criança por causa de Rephaim? Ela salvou o Corvo Escarnecedor. Ela não tinha sentido muito sobre aquilo. Ela sentia muito que estava afetando as pessoas ao seu redor. Bem, é isso, então. Eu não estou machucando as pessoas que mais me importo.
— Ok, sim, você pode vir comigo. — Ela disse a ele.
Seus olhos brilharam instantaneamente. — Você fala sério?
— Claro que falo sério. Eu preciso daquela vela de terra, contudo. Bem, e a grama-doce, também. E ainda não é uma incumbência estúpida.
— Inferno, eu vou pegar para você um saco inteiro de velas e toda a grama-doce que você quiser! — Dallas riu, beijou-a, e então, gritando que ele estaria de volta, correu para longe.
Lentamente, Stevie Rae entrou de volta no Bug. Ela agarrou o volante e olhou para frente, recitando sua lista mental de afazeres em voz alta, como um mantra. —Conjurar a terra com Dallas. Descobrir o que eu puder sobre as vacas. Trazer Dallas de volta para a escola. Inventar uma desculpa. Uma boa desculpa para sair novamente, só que desta vez sozinha. Ir para Gilcrease e checar Rephaim. Ver se ele sabe qualquer outra coisa que possa ajudar Stark e Z. Voltar aqui. Não machucar seus amigos, empurrando-os para longe. Verificar os calouros vermelhos. Pegar uma pista de Lenobia e os outros sobre o que está acontecendo com Z. Ligar de volta para Aphrodite. Descobrir o que diabos fazer sobre os calouros ruins no depósito. E então tentar, realmente, não se arremessar do topo do prédio alto mais próximo... — Sentindo-se como se estivesse se afogando em uma grande, velha, fedorenta e estagnada lagoa Okie de estresse, Stevie Rae baixou sua cabeça até sua testa estar encostada contra o volante.
Como no mundo Z lidava com toda essa besteira e estresse?
Ela não lidou, O pensamento veio espontaneamente a sua mente, isso a despedaçou.

2 comentários:

  1. Karina tem um erro lá em cima. Na conversa entre a vermelha e a poetisa ta repetindo a fala " stivie falou decidiu falar o maximo da vdd possivel.... E por ai vai. Repete dps.

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  2. "Alie-se com ele; pague com o seu coração
    ainda que confiança não pode ser dada
    a não ser a Escuridão que você parta."


    isso com certeza é sobre Rephaim é Stevie

    tipo assim, ela ja aliou-se a ele. Obviamente confiança não pode ser dada até que ele escolha o bem, Nyx

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