10 de outubro de 2015

Capítulo 11 - Aurox

Aurox se perguntou se funerais podiam ser mais fáceis. Será que seria menos triste se ele tivesse vivido por algumas décadas antes? Se ele tivesse amigos com quem pudesse conversar depois de tudo?
Ele se afastou do grupo principal, seguindo sem nenhuma direção específica. Ninguém falou com ele. Ninguém reparou nele. Mas Aurox reparou em todos e em cada um.
Shaunee permaneceu ao lado da pira em chamas, chorando baixinho, embora o calor do fogo secasse as suas lágrimas quase que instantaneamente. Thanatos ficou o mais perto de Shaunee que ela conseguia suportar. O imortal alado também ficou ali, parado feito uma estátua nas sombras, com os seus olhos perscrutando a área ao redor da pira, como se ele esperasse que um inimigo surgisse das cinzas da novata.
Aurox se moveu rapidamente e em silêncio, saindo do campo de visão de Kalona. Ele não sabia o que pensar do imortal. Será que ele era um amigo, um inimigo ou simplesmente um deus cujo propósito era observá-los e rir deles?
Aurox continuou a andar entre as sombras. Rephaim estava confortando Stevie Rae. Aurox invejava a proximidade dos dois, principalmente pelo fato de Stevie Rae ser capaz de aceitar Rephaim completamente, sem preconceito nem hesitação.
Ele também reparou em Dallas. O jovem vampiro vermelho parecia muito infeliz, cheio de raiva e inveja. Aurox não gostou do modo como ele ficou encarando Stevie Rae e murmurando para si mesmo. Talvez ele devesse falar com Thanatos sobre Dallas, apesar de a Alta Sacerdotisa parecer estar bem ciente da violência em potencial de Dallas, assim como o resto da House of Night.
Aphrodite passou rapidamente. Aurox a viu chamando Shaylin. Parecia normal que duas Profetisas buscassem uma à outra, especialmente durante esses tempos de provação.
Ele deveria ter continuado a andar, desaparecendo na noite e esperando até que os novatos vermelhos e Stevie Rae estivessem acomodados para as horas do dia em sua nova toca no porão. Então ele poderia reaparecer para ficar de guarda. Para proteger. Para ficar em silêncio e vigilante, sem querer mais nada além de servir à House of Night, e através dela, a Deusa Nyx.
Mas, como sempre, Zoey atraiu o seu olhar. Aurox fez uma pausa nas sombras e se permitiu observá-la por um momento. Stark estava segurando a mão dela, enquanto ela falava com Damien e Darius. Mas ela continuava dando olhares de relance para Shaunee. Zoey estava participando da conversa, mas Aurox podia dizer que a maior parte da sua atenção estava voltada para a sua amiga que estava bem perto da pira, chorando.
Provavelmente, Zoey vai ficar até que Shaunee esteja pronta para dar o seu último adeus, Aurox pensou. Por um momento, ele pensou em ficar ali também, esperando com Zoey. Talvez ele pudesse dizer ou fazer algo para ajudar.
Não. Stark iria ficar com Zoey, e Stark só conseguia tolerar a presença de Aurox se Zoey não estava por perto.
E mesmo assim Aurox se sentia atraído por Stark. Assim como pela sua jovem Sacerdotisa. Ele gostava honestamente do guerreiro. Até houve alguns momentos mais cedo, quando ele estava ajudando Stark e Darius a prepararem o porão, em que eles haviam trabalhado bem juntos, amistosamente. Aurox quase sentiu que fazia parte do grupo. Então Stark e Darius tinham enviado Aurox em uma missão e Thanatos o havia chamado, pedindo para ele buscar Zoey, que estava atrasada para uma reunião.
Aurox encontrou Zoey facilmente. Ele pensou que sempre poderia encontrar Zo.
Mas Stark estava com ela e de repente o guerreiro se tornou estranho, frio, ignorando-o e fazendo com que Zoey o repreendesse na frente dos outros.
Ele tem ciúmes de mim, Aurox pensou, embora ele soubesse que não havia motivo para Stark sentir nem uma pontinha de ciúme.
Zoey não prestava a menor atenção em Aurox. Ela mal olhava na sua direção. Mais cedo, parecia que ela mal suportava dividir a mesa com ele no refeitório.
Aurox sabia que dentro dele devia haver a alma de um garoto humano chamado Heath. Esse garoto tinha sido o amor de Zoey, o seu futuro Consorte, apesar de ela estar ligada por Juramento a um guerreiro.
Aurox havia perguntado a Damien sobre isso, e ele lhe explicou a situação com paciência e gentileza, apesar de essa explicação não tê-lo ajudado muito a entender tudo aquilo.
Não que Aurox não compreendesse que era aceitável para uma novata ou vampira ter um Consorte humano, além de um guerreiro ou mesmo um companheiro vampiro. Aquilo fazia sentido para Aurox. O amor era uma emoção muito complexa para ser restringida dentro de limites estabelecidos.
O que Aurox não compreendia era como ele podia hospedar a alma de um garoto humano.
Onde estava esse Heath?
Aurox havia tentado alcançá-lo. Ele já tinha tentado falar com ele, mas nunca recebeu nenhuma resposta. Sim, de vez em quando ele tinha sonhos estranhos, em que ele estava pescando ou praticando esportes. Ou beijando Zoey.
Mas, não, esses sonhos não vinham de algo dentro dele. Aurox sonhava em beijar Zoey porque ele queria beijar Zoey. Ela era bonita. Ela era poderosa. Ela tinha acreditado que Aurox era mais do que um Receptáculo do mal antes que ele mesmo acreditasse nisso.
Aurox se sacudiu mentalmente. Pouco importava o que Zoey era, afinal ela não estava interessada nele. A terrível verdade era que o fato de ele compartilhar a alma com o amor humano de Zoey não era suficiente para que ela esquecesse como ele tinha sido criado. Ele havia começado a sua existência através da morte da mãe dela.
Ele não conseguia se perdoar por isso. Como Zoey conseguiria?
Mas eu não matei a mãe dela! A mente de Aurox berrou.
Se a mãe dela não tivesse morrido, eu não existiria! A sua consciência o lembrou.
Não foi uma escolha minha! Não foi minha culpa!
Mesmo assim, eu sou considerado responsável pela morte!
Porque eu sou um produto dessa morte!
Mentalmente exausto por aquele debate interno que nunca mudava, que nunca poderia ser vencido, Aurox fez a única coisa que ele sabia que iria silenciar aquela batalha dentro dele. Sem ser notado por ninguém, Aurox seguiu até o muro de pedra que envolvia os jardins da House of Night. O muro tinha quase quatro metros de altura e sessenta centímetros de espessura. Com uma força sobrenatural, Aurox saltou para o topo do muro, caindo em silêncio do lado de fora. O muro tinha exatamente 2.079 km de extensão. Aurox sabia disso não porque tinha visto essa informação nos arquivos da escola. Ele sabia porque havia percorrido cada centímetro das sombras do grande muro, correndo, correndo, correndo em volta dos jardins da escola na escuridão do lado de fora, até que ele só pensasse em respirar, só escutasse o barulho do seu coração batendo e só sentisse a queimação no seu corpo, e a guerra dentro da sua mente tivesse finalmente cessado.
Então Aurox correu.
Havia luzes penduradas no alto de suportes de ferro que se projetavam a intervalos regulares no muro. Essas eram as únicas luzes elétricas da House of Night, e elas eram viradas para fora, efetivamente cegando qualquer humano que quisesse tentar espiar os jardins cheios de sombras e iluminados por lampiões a gás da escola. Essas luzes elétricas também criavam a sombra na base do muro na qual Aurox corria sem ser visto, mais rápido do que qualquer humano ou vampiro poderia correr.
Na noite anterior, depois que a novata e o humano morreram, Aurox havia dado dez voltas ao redor da escola até a sua mente se aquietar. Ele pensou que naquela noite seria preciso muito mais.
Ele corria respirado fundo, de modo estável, balançando os braços e impelindo o seu corpo impiedosamente.
O ombro esquerdo de Aurox esbarrou na pedra quando ele passou pela primeira curva na parte noroeste da escola.
Ele não viu o barril de metal. Ele não viu os humanos. Ele trombou com os humanos e o barril caiu, rolando vários metros antes de parar.
— Merda! Um vampiro! — uma voz masculina gritou.
— Nós não vimos nada! — outra voz de homem berrou.
Tonto, Aurox levantou, virou-se e encarou o perigo. Ele já estava alcançando o medo que estava emanando dos dois homens, preparando-se para capturar essa emoção, para alimentar a transformação em uma criatura que ia combatê-los e proteger a House of Night.
Os dois adolescentes haviam tropeçado, esquivando-se de Aurox. Eles estavam segurando copos de plástico vermelhos que estavam cheios de líquido antes de Aurox trombar com eles. Eles tinham pegado juntos o pequeno barril de metal e estavam tentando arrastá-lo enquanto se afastavam d Aurox.
— Ei, não é um maldito vampiro — um dos garotos disse.
O outro franziu os olhos na direção de Aurox, examinando a sua testa sem Marcas.
— Caramba, você está certo, Zack.
Eles pararam de arrastar o barril.
— Que merda, cara, você nos fez derramar a nossa cerveja. Você quase nos fez sair correndo e deixar o barril para trás.
— Pois é, isso não foi legal — o outro garoto disse, balançando a cabeça e esfregando a mão no líquido que havia caído na sua camisa. Então ele fez uma pausa. — Espere aí... ele estava correndo. Tem algum vampiro perseguindo você?
— Um vampiro me perseguindo? Não — Aurox respondeu.
— Então por que diabo você estava correndo daquele jeito?
— Porque eu queria correr — Aurox falou sinceramente.
— Cara, da próxima vez olhe por onde anda.
Totalmente confuso, Aurox perguntou:
— O que vocês estão fazendo aqui?
— Caramba, cara, a mesma coisa que você. Tentando ver algumas vampiras tesudas.
— Vampiras tesudas?
O primeiro garoto suspirou.
— Olha só, a gente só vai mostrar o lance se você ficar de boca fechada.
— Vampiras tesudas — Aurox repetiu, sem saber direito se esmagava os crânios deles ou ria.
— Mostre a ele, Jason. Ele não é um deles. E se ele contar a alguém, também vai se foder.
Jason deu de ombros.
— Ok, mas não fale merda nenhuma para ninguém.
— Eu não vou falar merda nenhuma para ninguém — Aurox concordou.
— Certo. Olhe só — Jason fez um gesto para que Aurox o seguisse até o muro. Ele parou e apontou para o barril de metal. — Traga o barril. É muito alto para ver sem ele.
Aurox levantou o barril de metal e o levou até perto de Jason no muro.
— Caramba, cara, você é forte. Essa merda de barril pesa uma tonelada — Jason o elogiou, rolando o barril para posicioná-lo contra o muro de pedra. Então, cuidadosamente, ele subiu em cima do barril, segurando-se nas pedras para se equilibrar. — Bem aqui. Você pode ver lá dentro — o garoto encostou o rosto no muro, espiando por um buraco. — É muito escuro lá dentro, mas às vezes, normalmente a essa hora, dá para ver as vampiras. E não importa o quanto esteja frio, elas não usam muita roupa. Eu já vi muitas pernas e peitos de vampiras — ele pulou para o chão. — Dê uma olhada.
Sentindo-se surreal, Aurox seguiu as instruções de Jason. Ele se equilibrou facilmente no barril de metal e viu um buraco no muro da escola do tamanho de uma mão em punho. Através dele, Aurox podia ver a calçada que se estendia entre os dormitórios das garotas e dos garotos. Enquanto ele observava, duas calouras apareceram no seu campo de visão. As vozes delas chegaram até ele, mas as suas palavras se perderam na noite. Ele podia vê-las, mas não reconheceu as duas garotas. Com um pequeno sobressalto de surpresa, ele percebeu que elas estavam usando saias que mostravam as suas pernas e pequenos tops justos sobre os seios.
Aurox desceu do barril e encarou os dois rapazes.
— Você viu alguma vampira? — os olhos de Zack brilhavam de excitação.
— Não — Aurox disse.
— Que merda. Parece que teve um monte de coisa rolando lá dentro hoje, mas a gente não conseguiu ver nada — Jason falou. — Então, quer uma cerveja? A gente tem outro copo.
Sem saber o que fazer, Aurox concordou.
— Eu sou Jason e este é o meu primo Zack — Jason abriu a torneirinha do barril e entregou o copo cheio para Aurox.
— Às gostosas! — Zack brindou, levantando o copo junto com Jason.
Os dois garotos olharam para Aurox, esperando que ele também brindasse.
— Sim! — Aurox tentou soar normal e animado.
Os dois garotos levantaram os copos e mataram o conteúdo de uma vez, então Aurox os imitou, bebendo demoradamente no copo de plástico. A cerveja era gelada e um pouco amarga, mas ele gostou. Ele gostou bastante.
— Pode beber — Jason disse. — Nós temos um monte de cerveja. Os outros caras que iam encontrar a gente aqui são uns cuzões e não apareceram.
— Ei, à nós! — Zack brindou novamente.
Aurox bebeu com eles, achando muito relaxante estar ali com os dois garotos, sem que eles ficassem olhando como se ele fosse uma aberração.
Aurox deu outro bom gole, matando o conteúdo do copo. Ele enxugou a espuma na sua boca com as costas da mão e então se ouviu falando sem pensar:
— Eu sou Heath. Vocês vêm sempre aqui?
Jason encheu todos os copos e então os dois garotos sentaram na grama, com as costas contra o muro. Aurox sentou na frente deles.
— Não, a gente achou este lugar só algumas noites atrás.
— Como? — Aurox perguntou e bebeu.
— Bem, a gente estava andando de carro por aí, cuidando da nossa vida, quando Zack disse para parar. Ele tinha visto luzes através do muro — Jason contou. — Eu achei que ele estava louco.
— Você achou que eu estava bêbado — Zack o corrigiu.
— Você estava as duas coisas, cara — Jason riu.
— É, mas eu estava certo. Quando nós saímos do carro e eu o levantei, Jason encontrou o buraco.
— Antes era mais fácil de ver lá dentro. Tinha um monte de luzes de Natal penduradas nas árvores em todo o campus. Eu dei uma boa olhada numas vampiras tesudas. Cara, elas são gostosas.
— Calouras — Aurox o corrigiu automaticamente.
— O que é isso?
— Provavelmente você não viu vampiras. Você dever ter visto calouras.
— Que diferença faz? Eu vi pernas e tetas, e isso foi excitante — Jason falou. — E então, você também encontrou um buraco?
— Não — Aurox respondeu.
— Merda! Eu esperava que você tivesse encontrado um lugar em que desse para ver melhor — Jason disse.
— Ei, seu cuzão, você devia ficar feliz com o que eu encontrei. Foi o lugar onde a gente conseguiu ver melhor vampiras de verdade — Zack falou para o seu primo.
— Calouras — Aurox o corrigiu novamente, estendendo o copo para ser cheio mais uma vez.
Jason abriu a torneirinha do barril de novo e encheu o copo dele, mas Zack estava observando Aurox com atenção.
— Como você sabe tanto sobre eles? — Zack perguntou.
— Ei, você é um dos doadores das vampiras? Tipo, você deixa que elas suguem o seu sangue? — Jason endireitou as costas.
— E elas trepam com você? — Zack acrescentou.
— Não. Não — Aurox balançou a cabeça, percebendo que ele estava se sentindo estranho, meio tonto, e que o chão parecia estar balançando um pouco embaixo dele.
— Olha só, a gente não vai falar merda nenhuma para ninguém se você nos contar como entrar nessa parada — Zack disse.
— É verdade, para ninguém. Nenhuma pessoa vai saber — Jason prometeu.
— Eu não sssou o companheiro de ninguém — Aurox falou e arrotou.
Então ele deu uma gargalhada. Estava difícil de falar, mas ele estava se sentindo bem. Muito bem mesmo.
— Cara, por que você está rindo?
— Não é nem um pouco engraçado você guardar essa merda de segredo só para você.
Aurox terminou o terceiro copo de cerveja em um longo trago.
— Eu estava rindo das bolhas na minha cabeça.
Zack franziu a testa.
— Você é fraco para bebida. É melhor que você não tenha que dirigir muito para chegar em casa.
— Eu não tenho que dirigir — Aurox disse alegremente.
— Então você realmente fica aqui! — Zack concluiu.
Aurox piscou várias vezes, esforçando-se para focalizar o garoto.
— Àsss vezesss eu fico — ele admitiu com voz mole.
— Ok, olha só, a gente não estava brincando. A gente pode entrar nessa de deixar sugarem o nosso sangue. Elas nem precisam nos pagar — Jason propôs.
— Mas não quero fazer isso com caras. Eu não chego até aí — Zack lembrou.
— Ah, é claro. Caras são — Jason concordou. — Mas garotas sim. Totalmente sim.
— E aí, o que a gente tem que fazer? — Zack quis saber.
A cabeça de Aurox estava cheia de pequenas bolhas de ar incríveis, e ele estava com uma sensação estranha nas pernas, como se elas estivessem muito pesadas. Mas a mente dele parecia estar funcionando direito. Ele sabia que aqueles garotos não deviam estar ali, e ele sabia, com toda a certeza, que não deveria ter trombado com eles. Mas tudo o que saiu da sua boca foi:
— Espeeere aí. Pensando.
Jason suspirou e deu outro gole de cerveja.
— Talvez essa história de terem sugado muito sangue dele tenha ferrado o nível de tolerância ao álcool dele.
— Eu não estou nem aí, desde que suguem outra coisa além do meu sangue — Zack falou.
— Saquei — Jason disse.
Eles encararam Aurox.
Aurox estava cogitando algumas opções sobre o que fazer ou não. Enquanto pensava, estendeu o seu copo para ser cheio.
— Você tem certeza? Você está ficando muito bêbado — Jason perguntou.
— Pensando — Aurox balbuciou.
Zack deu de ombros.
— Encha o copo. Ele disse que não está dirigindo.
Aurox pensou no que fazer enquanto bebia. Ele podia começar a se transformar em touro e afugentar os dois garotos. Ou ele podia apenas pegar os dois, arremessá-los na estrada e rosnar. Dos dois jeitos eles iam sair correndo de medo.
Mas ele ia ficar com a cerveja deles.
Só que, quanto mais Aurox pensava em afugentar os garotos, mais ele percebia que isso não era uma boa ideia. A House of Night já estava em confinamento. Não seria nada bom para a escola se os dois garotos ficassem com tanto medo que fossem procurar as autoridades humanas.
O que Aurox precisava era voltar no tempo e não ter trombado com eles. Mas ele ainda iria querer ficar com a cerveja. Ele tinha gostado muito da cerveja.
Todo o resto precisava ser varrido para fora da noite. Desaparecer. Ser esquecido. Nunca ter acontecido. Exceto a cerveja.
Zack se inclinou para mais perto de Aurox.
— Ei, você está ok?
— Você quer que a gente ligue para alguém, ou algo assim? Como nós dissemos, não vamos contar para ninguém.
Foi então que Aurox teve uma ideia. Era uma boa ideia. Iria resolver o problema com os garotos que tinha encontrado o buraco e mostrar a Stark que ele não era seu inimigo – e que na verdade ele queria ser seu amigo. Além disso, ele iria conseguir ficar com a cerveja. Aurox sorriu para os garotos.
— Não precisam ligar. Esperem aqui. Eu vou buscar alguém para vocês.
— Fala sério! — Zack exclamou.
— Vampiras? — Jason pareceu acreditar menos ainda.
— Vampiras não. Eu vou trazer o vampiro especialisssta em doadores de sangue — Aurox tropeçou com as palavras.
— Ahn, a gente disse que não estava interessado em homens — Jason falou.
— Não, meu, cala a boca! Ele vai trazer um cara que vai nos levar até as garotas — Zack explicou. — Não dá para simplesmente entrar lá e fazer essa parada. É preciso seguir algumas regras. Certo, Heath?
— Sim — Aurox respondeu. — Nós vamos seguir as regras — ele se levantou e estendeu o seu copo para que ele fosse cheio de novo. Então ele apontou para Jason e Zack. — Você. E você. Fiquem aqui. Eu vou voltar com o vampiro e com as regras.
Segurando o seu copo com cuidado, Aurox se agachou e então deu um salto do chão para o topo do muro de quase quatro metros de altura.
— Isso foi demais! — Jason disse.
— Não é de estranhar que não divulguem isso. Se todo mundo soubesse que você ganha, tipo, superpoderes quando um vampiro suga o seu sangue, formaria uma fila em volta dessa escola inteira de gente querendo entrar — Zack concluiu.
— Fiquem aí — Aurox saltou para os jardins da escola, segurando com cuidado o copo vermelho.
Ele tinha a intenção de correr rapidamente até o ginásio. Era lá que ficava a entrada para o porão e era onde ele acreditava que Stark provavelmente estaria, ajudando os novatos a se instalarem. Mas a corrida de Aurox foi mais um andar arrastado. Ele não conseguiu entrar discretamente no ginásio, pois a maçaneta da porta não estava girando certo e, quando ele finalmente conseguiu abri-la, o ímpeto de Aurox fez com que ele tropeçasse para dentro, cambaleando pela areia até o corredor que levava à porta do porão, e de algum modo trombasse com Kramisha.
— Caramba, Aurox! Peça desculpas! — ela foi ríspida com ele.
— Eu não queria... eu não conseguia abrir... bem, desculpe — ele finalmente conseguiu falar. Ele percebeu que ela e o grupo de novatos ao seu redor estavam olhando para a sua cerveja. Ele seguiu os olhares deles e viu que o copo estava quase cheio. Então ele levantou os olhos, sorriu para ela e balbuciou: — Eu nnnão derramei nnnada!
— Você chapado! — Kramisha disse. Então ela se virou para a porta aberta do porão e gritou: — Z.! o seu garoto está aqui dando vexame!
— Nããão! Zo, não, eu preciso... — Aurox tentou sussurrar para ela, mas Kramisha abanou o ar na frente do seu rosto, franziu o nariz para aquele cheiro de álcool e se afastou dele.
— Eca!
— Kramisha? — Zoey estava subindo as escadas do porão.
Aurox ficou aliviado de ver que Stark vinha logo atrás dela.
— Aquilo está fedendo — Kramisha apontou para Aurox. — Ele encheu a cara. Sério. Não sei muito bem o que ele é, mas tenho certeza de que ficar chapado não é bom para ele — ela fez um gesto para que os outros novatos, que ainda estavam encarando Aurox, a seguissem. — Vamos nos acomodar e deixar que Z. cuide de seus próprios assuntos.
Aurox os observou indo embora e falou:
— Eu não sou aquilo.
Zoey e Stark se aproximaram de Aurox. Zoey farejou e olhou para o seu copo quase cheio e para o seu rosto. Os olhos belos e grandes dela ficaram ainda maiores, mas não mais bonitos.
— Afe! Você está bêbado!

4 comentários:

  1. Sempre que i álcool está presente rola briga entre eles.

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  2. Kkkkkkkk amei esse capítulo!!! 👏👏😍❤❤❤❤❤❤

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