1 de outubro de 2015

Capítulo 10

— Então porque não podemos contar a Neferet sobre essa confusão? Só o que ela tem que fazer são algumas ligações, como ela fez mês passado quando Aphrodite teve uma visão sobre um avião cair no aeroporto de Denver — Damien disse, tendo cuidado de manter sua voz baixa. Eu me apressei de volta ao dormitório, juntei meu grupo, e dei a eles a versão curta da visão de Aphrodite.
— Ela me fez prometer que não iria falar para Neferet. As duas estão tendo algum tipo de estranha briga.
— Já era hora de Neferet começar a ver que vaca ela é — Stevie Rae disse.
— Vaca odiosa — Shaunne disse.
— Bruxa do inferno — Erin concordou.
— Yeah, bem, o que ela é não importa. São as visões dela e as pessoas que estão em perigo de morrer — eu disse.
— Eu ouvi que as visões dela não são mais acreditáveis porque Nyx retirou seu favor em relação a Aphrodite — Damien disse. — Talvez seja por isso que ela te fez prometer não ir a Neferet, porque isso é algo que ela inventou e ela quer que você surte e faça algo estranhamente embaraçoso e faça você parecer incompetente, ou se meta em problemas.
— Eu também pensaria isso se não tivesse visto ela ter a visão. Ela não estava fingindo, tenho certeza.
— Mas ela está dizendo a verdade toda? — Stevie Rae perguntou.
Eu pensei por um segundo. Aphrodite já tinha admitido para mim que ela podia esconder partes da sua visão de Neferet. O que me faz pensar que ela não está fazendo a mesma coisa comigo? Então lembrei da brancura em seu rosto, do jeito que ela agarrou minha mão, e o medo na voz dela enquanto ela se juntava a minha avó na morte. Eu tremi.
— Ela estava dizendo a verdade — eu disse. — Vocês vão ter que confiar na minha intuição. — Eu olhei para meus quatro amigos. Nenhum deles estava feliz sobre isso, mas eu sabia que cada um deles confiava em mim e que eu podia contar com eles. — Então, o negócio é o seguinte, eu já liguei para vovó. Ela não estará na ponte, mas um bando de pessoas irá. Precisamos descobrir um jeito de salvar essas outras pessoas.
— Aphrodite disse que uma barca vai bater na ponte e fazer ela cair? — Damien perguntou.
Eu acenei.
— Bem, você poderia fingir ser Neferet e fazer o que ela faz, ligar para quem quer que esteja no comando da barca e dizer a eles que um dos estudantes teve uma visão sobre a tragédia. As pessoas escutam Neferet; eles tem medo de não ouvir. É um fato bem conhecido que as informações dela salvam vidas humanas.
— Já pensei sobre isso, mas não vai funcionar porque Aphrodite não viu a barca claramente. Ela nem tem certeza se é uma barca. Então não tem como começar a contatar alguém. E não posso fingir ser Neferet. É errado. Eu quero dizer, em falar em pedir para se meter em problemas. Você não pode me dizer que quem quer que eu esteja falando não vai retornar a ligação com algum tipo de relatório para Neferet. Então o inferno está a solta.
— Cena horrível — Shaunee disse.
— Yeah, Neferet poderia descobrir que a bruxa teve outra visão, então nossa promessa de não dizer nada é quebrada — Erin disse.
— Ok, então parar a barca não tem como, e fingir ser Neferet também. Isso deixa fechar a ponte como nossa única opção — Damien disse.
— Foi o que eu pensei também — eu disse.
— Ameaça de bomba! — Stevie Rae disse de repente. Todos olhamos para ela.
— Huh? — Erin perguntou.
— Explique — Shaunee disse.
— Ligamos para quem quer que os malucos que fazem ameaças de bomba ligam.
— Na verdade isso poderia funcionar — Damien disse. — Quando tem uma ameaça de bomba num prédio eles sempre o evacuam. Então é de imaginar que se houver uma ameaça de bomba na ponte, a ponte seja fechada, pelo menos até descobrirem que a bomba é falsa.
— Se eu ligar do celular eles não vão saber quem sou, vão? — Eu perguntei.
— Oh, por favor — Damien disse, balançando a cabeça como se eu fosse uma idiota completa. — É claro que eles podem rastrear celulares. Isso não é os anos 90.
— Então o que eu faço?
— Você ainda pode usar um telefone. Mas vai ter que ser um descartável — Damien explicou.
— Que nem uma câmera descartável?
— Onde você esteve? — Shaunne perguntou.
— Quem não sabe sobre celulares descartáveis? — Erin disse.
— Eu não sei — Stevie Rae disse.
— Exato — As Gêmeas falaram juntas.
— Aqui — Damien pegou um Nokia que parecia muito nerd do bolso — use o meu.”
— Porque você tem um descartável? — Eu estudei o telefone. Parecia normal.
— Eu comprei depois que meus pais surtaram por eu ser gay. Até eu ser Marcado e vir aqui eu senti que eles estavam me castigando para a vida toda. Quero dizer, não que eu esperasse que eles fossem me trancar num armário ou algo assim, mas eu estava preparado. Desde então sempre carrego um.
Nenhum de nós sabia o que dizer. É uma droga que os pais de Damien tenham surtado tanto sobre ele ser gay.
— Obrigado, Damien — eu finalmente disse.
— Sem problemas. Quando você terminar desligue ele e me devolva. Eu vou destruir ele.
— Ok.
— E se certifique de dizer a eles que a bomba está plantada embaixo das linhas de água. Assim eles fecham a ponte por tempo o suficiente para mandar os motoristas pararem.
Eu acenei. — Boa ideia. Vou dizer a eles que a bomba vai explodir as 15:15, que é a hora exata em que Aphrodite disse que marcava o painel do carro da minha vó quando ela bateu.
— Eu não sei quanto tempo essas coisas levam, mas você provavelmente deveria ligar lá pelas duas e meia, me parece tempo o suficiente para eles fecharem a ponte, mas não tempo demais para descobrirem que é uma ameaça falsa, e deixar os carros voltarem a para a ponte cedo demais — Stevie Rae disse.
— Uh, gente — Shaunee disse. — Pra quem você vai ligar?
— Diabos, eu não sei. — Eu estava sentindo o estresse nos ombros e sabia que eu ficaria com uma enorme dor de cabeça em breve.
— Pesquise no Google — Erin disse.
— Não — Damien disse rapidamente. — Não queremos nenhum tipo de traço no computador. Você só precisa ligar para uma filial local do FBI. Estará na lista telefônica. Eles vão fazer o que fazem com as ligações dos loucos.
— Como os rastrear e colocar eles na cadeia pelo resto da eternidade — eu murmurei mau humorada.
— Não, não vão pegar você. Você não está deixando nenhum rastro. Eles não terão motivo para pensar que é um de nós. Ligue às 14:30. Diga a eles que plantou uma bomba de baixo da ponte porque... — Damien hesitou.
— Por causa da poluição! — Stevie Rae disse.
— Poluição? — Shaunne disse.
— Eu não acho que deve ser por causa da poluição. Eu acho que deve ser porque você está cansada da interferência do governo nos setores privados — Erin disse.
Eu pisquei para ela. O que diabos ela disse?
— Excelente ponto, Gêmea — Shaunne disse.
Erin riu. — Eu pareço meu pai. Ele estaria orgulhoso. Bem, não sobre fingir explodir uma ponte, mas as outras coisas, yeah.
— Entendemos, Gêmea — Shaunee disse.
— Eu ainda acho que deve ser porque você está cansada da poluição. Poluição é um problema real — Stevie Rae disse teimosamente.
— Ok, que tal eu dizer que é por causa da interferência do governo e da poluição em nossos rios? Isso seria uma razão para por uma bomba numa ponte. — Eles me olharam com expressões em branco. Eu suspirei. — Por causa da poluição no rio.
— Ohhh — eles disseram.
— Vamos ser terroristas nerds — Stevie Rae disse com uma risada.
— Eu acho que isso é uma coisa boa — Damien disse.
— Então temos um acordo? Eu ligo para o FBI, e mantemos nossa boca fechada sobre a visão de Aphrodite.
Eles acenaram.
— Ótimo. Ok. Eu vou encontrar uma lista telefônica e olhar para o numero do FBI, e então –
Um movimento pegou o canto da minha visão, e eu olhei para cima para ver Neferet escoltando dois homens de ternos no dormitório. Todos ficaram instantaneamente em silêncio, e ouvi um sussurro de “Eles são humanos...” começar a zumbir pelo dormitório. Então não tive tempo para pensar ou escutar, porque era óbvio que Neferet e os dois homens estavam andando diretamente para mim.
— Ah, Zoey, aí está você. — Neferet sorriu para mim com seu calor usual. — Esses cavalheiros precisam falar com você. Eu acredito que podemos ir para a biblioteca. Isso não deve levar muito tempo. — Neferet gesticulou para os homens e eu seguirmos ela enquanto saímos da sala (com todos olhando abertamente para nós com caras de bobos) para o pequeno aposento que chamávamos de biblioteca do dormitório, mas era mais uma sala de computador com algumas cadeiras confortáveis e algumas prateleiras com papel. Só haviam duas garotas nos computadores, e com um rápido pedido Neferet se livrou delas. Elas saíram com pressa, e ela fechou a porta atrás delas, então virou para nos olhar. Eu olhei para o relógio em cima do computador. Eram 7:06 de uma manhã de sábado. O que estava acontecendo?
— Zoey, esse é o Detetive Marx — ela apontou para o mais alto dos dois caras — e Detetive Martin da divisão de homicídios do departamento de Policia de Tulsa. Eles querem te fazer algumas perguntas sobre o garoto humano que foi morto.
— Ok — eu disse, me perguntando que tipo de perguntas eles poderiam querer me fazer. Diabos, eu não sabia nada. Eu nem o conhecia tão bem.
— Srta. Montgomery — Detetive Marx começou, mas ele foi cortado por Neferet.
— Redbird — ela disse.
— Senhora?
— Zoey legalmente mudou seu sobrenome para Redbird quando se tornou emancipada como menor ao entrar nessa escola mês passado. Todos os nossos alunos são legalmente emancipados. É útil devido à natureza única da nossa escola.
O policial deu um breve aceno. Eu não consegui perceber se ele estava ou não incomodado, mas acho que do jeito que ele continuou a olhar para Neferet a resposta era não.
— Srta. Redbird — ele continuou, — recebemos informações que você conhecia Chris Ford e Brad Higeons. É verdade?
— Yeah, quero dizer sim — eu corrigi rapidamente. Claramente essa não era uma boa hora para soar como uma adolescente bobona. — Eu conheço... bem, eu conhecia os dois.
— Como assim, conhecia? — Detetive Martin, o policial baixo, disse afiadamente.
— Bem, é que eu não ando mais com adolescentes humanos, mas mesmo antes de ser Marcada eu não via muito Chris ou Brad. — Eu me perguntei porque ele estava tão tenso, então percebi que era porque Chris estava morto e Brad estava desaparecido e o jeito que eu falei no passado provavelmente soou muito mal.
— Quando foi a última vez que você viu os dois garotos? — Marx perguntou.
Eu mordi o lábios, tentando lembrar. — Há meses – desde o início da temporada de futebol, e então quando duas ou talvez três festas aconteceram e eles também estavam lá.
— Então você não estava com nenhum deles?
Eu franzi. — Não. Eu estava meio que saindo com o quarterback da Broken Arrow. É a única razão pela qual eu conhecia os caras da Union. — Eu sorri, tentando relaxar. — As pessoas acham que os jogadores da Union odeiam os jogadores da BA. Não é verdade. A maior parte deles cresceu juntos. Vários deles ainda são amigos.
— Srta. Redbird, você está na House of Night a quanto tempo? — O policial baixo perguntou como se tentasse ser agradável.
— Zoey está conosco a quase um mês — Neferet respondeu por mim.
— E nesse tempo Chris ou Brad te visitaram?
Totalmente surpresa, eu disse. — Não!
— Você está dizendo que humanos adolescentes não te visitam? — Martin fez a pergunta rapidamente.
Me pegando com a guarda baixa eu balbuciei feito uma idiota e tenho certeza que parecia completamente culpada. Graças a Deus, Neferet me salvou.
— Dois amigos de Zoey a viram na primeira semana dela aqui, embora eu não acho que dê para chamar eles de visitas oficiais — ela disse com um suave sorriso adulto, mirando nos detetives que claramente dizia garotos serão garotos. Eles acenaram e me encorajaram. — Vá em frente e conte sobre seus dois amigos que acharam que seria divertido escalar nossos muros.”
Os olhos verdes de Neferet se trancaram nos meus. Eu contei a ela tudo sobre Heath e Kayla subirem o muro com a ridícula ideia de me soltarem. Ou pelo menos essa era a ideia de Heath. Kayla, minha ex-melhor amiga, só queria que eu visse que ela estava dando em cima de Heath. Eu disse a Neferet tudo isso, nada mais. Como eu acidentalmente experimentei o sangue de Heath - até Kayla me pegar e surtar totalmente. Olhando nos olhos de Neferet eu sabia tanto como se ela tivesse dito as palavras em voz alta que era para manter o meu pequeno incidente sobre provar sangue para mim mesma, o que era mais que ok para mim.
— Não foi nada demais, foi um mês atrás. Kayla e Heath acharam que deveria vir aqui e me soltar. — Eu parei balançando a cabeça como achasse que fossem completamente loucos, e o policial alto soltou, — Kayla e Heath quem?
— Kayla Robinson e Heath Luck — eu disse. (Yeah, o sobrenome de Heath realmente é Luck, mas a única coisa que ele teve sorte particularmente é não pegar uma DST.) — De qualquer forma, Heath é meio devagar as vezes, e Kayla, bem, Kayla é muito boa com sapatos e cabelo, mas não muito boa com senso comum. Então eles não pensaram no “Hey, ela está virando uma vampira e se ela deixar a House of Night ela vai morrer” problema. Então expliquei a eles que não só eu não queria ir embora, eu não poderia ir embora. E foi isso.
— Nada diferente aconteceu quando você viu seus amigos?
— Você diz quando voltei para o dormitório?
— Não. Me deixe refazer a pergunta. Nada aconteceu quando você viu Kayla e Heath? — Martin disse.
Eu engoli. — Não. — O que não era exatamente uma mentira. Aparentemente não é incomum para calouros sentirem ânsia por sangue. Não deveria ser tão cedo na minha Mudança, mas minha marca também não deveria ser completa e eu não deveria ter tatuagens decorativas de um vampiro adulto também. Sem mencionar o fato de que nenhum calouro ou vampiro tinha sido Marcado nos ombros e costas como eu. Ok, eu não sou exatamente um calouro normal.
— Você não cortou o garoto e bebeu o sangue dele? — A voz do policial mais baixo era gelado.
— Não! — Eu chorei.
— Você está acusando Zoey de algo? — Neferet disse, se aproximando de mim.
— Não, senhora. Simplesmente a questionamos para tentar ter uma ideia mais clara da dinâmica dos amigos de Chris Ford e Brad Higeons. Tem vários aspectos do caso que são raros e... — O policial baixo continuou enquanto minha mente trabalhava feito louca.
— O que está acontecendo? — Eu não tinha cortado Heath; eu o arranhei. E eu não tinha feito de propósito. E “beber” o sangue dele não foi exatamente o que eu fiz – foi mais uma lambida. Mas como diabos eles sabia tudo sobre isso? Heath não era muito inteligente, mas eu não acho que ele ia sair contando as pessoas (especialmente não detetives) que a garota que ele gostava bebia sangue. Não. Heath não teria dito nada, mas –
E eu soube porque eles estavam me fazendo essas perguntas.
— Tem algo que vocês devem saber sobre Kayla Robinson — eu disse de repente, interrompendo o fala chata do policial baixo. — Ela me viu beijar Heath. Bem, na verdade Heath me beijou. Ela gosta dele. — Eu olhei de um policial para o outro. — Sabe, ela realmente gosta de Heath, como em querer namorar ele agora que eu estou fora do caminho. Então quando ela me viu beijar ele ela ficou fula e começou a gritar comigo. Ok, eu admito que não fui muito madura. Eu também fiquei fula com ela. Quero dizer, é errado quando sua melhor amiga vai atrás do seu namorado. De qualquer forma — eu fiquei incomodada, como se estivesse embaraçada de admitir o que eu ia contar a eles — eu disse algumas coisas maldosas para Kayla e a assustei. Ela surtou e foi embora.
— Que tipo de coisa maldosa? — Detetive Marx perguntou.
Eu suspirei. — Algo do tipo que se ela não fosse embora eu ia voar para fora do muro e sugar o sangue dela.
— Zoey! — A voz de Neferet era afiada. — Você sabe que isso é inapropriado. Já temos problemas o suficiente de imagem sem você assustar adolescentes humanos de propósito. Não é de se admirar que a pobre criança tenha falado com a polícia.
— Eu sei. Sinto muito. — Embora eu soubesse que Neferet estivesse atuando comigo, eu ainda tive que me conter para não chorar com o poder da voz dela. Eu olhei para os detetives. Os dois estavam olhando para Neferet com olhos abertos e vidrados. Huh. Então, até agora ela só tinha mostrado seu lindo rosto. Eles não faziam ideia do tipo de poder que estavam lidando.
— E você não viu nenhum dos adolescentes desde então? — O policial alto perguntou depois de uma pausa desconfortável.
— Só mais uma vez, e só foi o Heath, durante o Ritual de Samhain.
— Desculpe, o que?
— Samhain é o nome antigo para uma noite que você provavelmente conhece como Halloween — Neferet explicou. Ela voltou a ser incrivelmente linda e gentil, e eu pude entender porque os policiais pareciam confusos, mas eles devolveram o sorriso dela como se não tivessem escolha. Conhecendo os poderes de Neferet – eles podem não ter. — Continue, Zoey — ela me disse.
— Bem, tinha vários de nós e estávamos fazendo o ritual. Tipo uma missa de Igreja ao ar livre — eu expliquei. Ok, não tem nada a ver como uma missa de igreja ao ar livre, mas de jeito nenhum eu ia explicar nosso círculo e chamar os espíritos de vampiros carnívoros mortos para dois policiais humanos. Eu olhei para Neferet. Ela acenou me encorajando. Eu respirei fundo e mentalmente editei o que aconteceu e falei. Eu sabia que não importava o que eu dissesse. Heath não lembrava de nada sobre aquela noite – a noite que ele quase foi morto por uma orla de antigos vampiros fantasmas. Neferet se certificou que essa memória fosse permanentemente bloqueada. Tudo o que ele sabia é que ele me encontrou com um bando de outros garotos e então desmaiou. — De qualquer forma, Heath atrapalhou o ritual. Foi muito embaraçoso, especialmente porque... bem... ele estava completamente bêbado.
— Heath estava bêbado?
Eu acenei. — Sim, ele estava bêbado. Mas eu não quero meter ele em problemas. — Eu já tinha decidido não mencionar a infeliz, mas temporária, experimentação com maconha.
— Ele não está com problemas.
— Ótimo. Eu quero dizer, ele não é meu namorado mas é basicamente um cara legal.
— Não se preocupe com isso, Srta. Redbird, só me diga o que aconteceu.
— Nada na verdade. Ele invadiu nosso ritual, e foi embaraçoso. Eu disse a ele que ele precisava ir para casa e não voltar, que tínhamos terminado. Ele fez papel de bobo e desmaiou. Deixamos ele lá, e foi isso.
— Você não o viu desde então?
— Não.
— Você ouviu falar dele de alguma forma?
— Yeah, ele liga demais e deixa mensagens irritantes no meu celular. Mas está melhorando — eu adicionei rapidamente. Eu realmente não queria por ele em problemas. — Eu acho que ele finalmente está entendendo que terminamos.
O policial alto fez algumas anotações, e então pôs a mão no bolso e pegou um saco de plástico que tinha algo dentro.
— E quanto a isso, Srta. Redbird? Você já viu isso antes?
Ele me entregou o plástico e eu percebi o que estava ali dentro. Era um pingente prateado com um longo colar de veludo preto. O pingente era da forma de duas luas crescentes de costas contra a lua cheia incrustado de granada. Era o símbolo triplo da deusa – mãe, mulher, e senhora. Eu tinha um igual porque era o colar que a líder das Filhas das Trevas usava.

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