5 de outubro de 2015

Capítulo 10 - Zoey

Eu fiquei no corredor, tentando entender a confusão de pensamentos em minha cabeça. Wow! Darius ia pedir para Aphrodite aceitar seu juramento de Guerreiro. Jeesh. Um vampiro guerreiro e uma profetisa humana da deusa. Huh. Quem diria? Em uma nota igualmente bizarra: Stark podia sentir minhas emoções se elas fossem fortes o bastante. Bem, eu tinha a forte sensação que isso seria inconveniente. E então eu percebi que eu estava me sentindo forte sobre me sentir forte, e tentei me acalmar, o que me estressou, o que ele provavelmente podia sentir. Sem dúvidas, eu ia me enlouquecer. Suspirando, eu abri a porta silenciosamente. A única luz vinha das velas para reza – o tipo que você encontra em uma loja que tem estranhas imagens religiosas. Essa não era tão estranha. Era rosa, tinha uma imagem bonita de Maria, e tinha cheiro de rosa. Eu fui até o lado da cama de Stark. Ele não parecia bem, mas ele também não estava tão pálido e horrível quanto estava antes. Ele parecia estar dormindo – ou pelo menos seus olhos estavam fechados – a respiração dele era regular, e ele parecia relaxado. Ele não estava com camisa, e o lençol hospitalar tinha sido colocado sobre seus braços então eu só conseguia ver a parte branca do que deveria ser uma enorme bandagem cobrindo o peito dele. Eu lembrei o quão terrível tinha sido a queimadura e me perguntei se, mesmo considerando as possíveis consequências, eu deveria cortar meu braço como Heath tinha feito por mim, e empurrado contra a boca dele. Ele provavelmente iria se lançar, e sem pensar, iria beber o que ele precisava para curar. Mas ele iria se irritar quando percebesse o que eu fiz? Provavelmente. Eu sabia que Heath e Erik certamente ficariam. Droga. Erik. Eu nem tinha começado a lidar com ele ainda.
— Pare de se estressar.
Eu pulei meu olhar imediatamente indo para o rosto de Stark. Os olhos dele não estavam mais fechados. Ele estava me olhando com uma expressão que passava de divertimento a sarcasmo.
— Pare de ficar psiquicamente entreouvindo.
— Eu não estava. Eu percebi vendo você morder o lábio que você estava se estressando. Então, eu acho que Darius conversou com você.
— Yeah, ele conversou. Você sabia de tudo isso quando fez seu Juramento de Guerreiro para mim, não sabia?
— Yeah, a maior parte. Quer dizer, eu li sobre isso na escola, e conversamos na aula de sociologia vampira ano passado. Mas é diferente do que realmente viver isso.
— Você consegue sentir o que eu sinto? — eu perguntei hesitante, quase com tanto medo de saber a verdade quanto de não saber.
— Estou começando, só que não é como se eu conseguisse ouvir seus pensamentos nem nada maluco assim. Eu só sinto as coisas às vezes, e sei que não estão vindo de mim. Eu ignorei quando aconteceu da primeira vez, mas então percebi o que estava acontecendo e prestei mais atenção. — Ele começou a sorrir.
— Stark, eu tenho que te dizer que isso meio que me faz sentir espionada.
A expressão dele ficou totalmente séria. — Não estou espionando você. Isso não é sobre eu te seguir com minha mente. Não vou invadir sua privacidade; vou manter você segura. Eu pensei que você — ele parou, desviando o olhar. — Esquece. Não é importante. Você só deve saber que não vou usar essa coisa entre nós para te perseguir mentalmente.
— Você achou que eu o que? Termine o que começou a dizer.
Ele soltou um longo e exasperado suspiro e então encontrou meus olhos de novo.
— O que eu comecei a dizer é que eu pensei que você confiava em mim mais do que isso. Essa é uma das razões para eu ter decidido fazer meu juramento, porque você confiou em mim quando mais ninguém confiou.
— Eu confio em você — eu disse rapidamente.
— Mas você acha que vou espionar você? Confiar e espionar não combinam. — Quando ele colocou assim, eu podia ver o ponto dele, e uma parte do meu surto inicial começou a sumir.
— Eu não acho que você faria de propósito, mas se minhas emoções estão indo para você, ou como quer que elas passem, então seria mais fácil para você, bem... — eu parei incomodada, desconfortável com toda a conversa.
— Espionar? — ele terminou por mim. — Não. Não vou. Que tal isso; eu vou prestar atenção nas coisas psíquicas que recebo de você se você estiver assustada. Fora isso vou ignorar seus sentimentos.
Ele encontrou meus olhos e eu podia ver sua mágoa ali. Droga! Eu não queria magoar ele.
— Você vai ignorar tudo que estou sentindo? — eu perguntei suavemente. Ele acenou e o movimento fez ele dar uma careta de dor, mas sua voz era firme quando ele respondeu.
— Tudo exceto o que eu preciso saber para proteger você. — Sem falar, eu me estiquei devagar e peguei a mão dele. Ele não se afastou de mim, mas ele também não disse nada.
— Olha, eu comecei toda essa conversa errada. Eu confio em você. Só fiquei surpresa quando Darius me contou sobre o negócio psíquico.
— Surpresa? — os lábios de Stark se ergueram.
— Ok, talvez completamente surtada seja uma palavra melhor. É só que eu tenho muita coisa acontecendo e acho que estou estressada.
— Você com certeza está estressada — ele disse. — E por várias coisas você se refere aqueles dois caras, Heath e Erik?
Eu suspirei. — Infelizmente, sim.
Ele entrelaçou os dedos nos meus. — Aqueles outros caras não mudam nada. Meu Juramento nos liga.
Por um segundo ele pareceu tanto com Heath, e eu tive que me forçar a não me irritar de novo. — Eu realmente não quero falar sobre eles com você agora. — Ou nunca, eu pensei, mas não falei.
— Entendi — ele disse. — Eu também não sinto vontade de falar daqueles punks agora também não. — Ele apertou minha mão. — Porque você não senta ao meu lado por um tempo?
Eu sentei na beira da cama, sem querer forçar ele demais ou machucá-lo.
— Não vou quebrar — ele disse, me dando seu sorriso convencido.
— Você quase quebrou — eu disse.
— Nah, você me salvou. E eu vou ficar bem.
— Então, dói muito?
— Eu me sinto melhor — ele disse. — Mas esse negócio cremoso que as freiras deram a Darius para espalhar nas queimaduras ajuda. Só que meu peito estando todo duro, está meio adormecido agora. Mas mesmo enquanto ele falava ele se mexia inquieto, como se não conseguisse se deixar confortável. — Como estão as coisas lá fora? — Ele abruptamente mudou de assunto antes de eu poder perguntar pra ele mais sobre como ele se sentia. — Os Corvos Escarnecedores se foram com Kalona?
— Eu acho que sim. Stevie Rae e os caras encontraram três mortos. — Eu parei, lembrando da estranha reação de Stevie Rae quando Dallas disse que eles tinham posto os corpos no lixo.
— O que foi? — Stark perguntou.
— Eu não sei exatamente — eu respondi honestamente. — Tem coisas acontecendo com Stevie Rae que me preocupam.
— Tipo? — ele perguntou. Eu olhei para nossas mãos ligadas. O quanto eu podia contar a ele? Eu podia realmente conversar com ele?
— Sou seu guerreiro. Você pode confiar em mim com sua vida. Isso significa que você também pode confiar em mim com seus segredos. — Eu encontrei os olhos dele, e ele continuou a sorrir docemente para mim. — Somos ligados por um juramento. Esse é um laço mais forte do que acontece entre um Imprint ou mesmo entre parceiros. Eu nunca trairei você, Zoey. Nunca. Você pode contar comigo.
Por um instante eu queria dizer a ele sobre minha memória de A-ya, mas ao invés disso eu disse, — eu acho que Stevie Rae está escondendo calouros vermelhos. Alguns maus. — O sorriso fácil dele sumiu e ele começou a sentar, então sugou o ar e ficou totalmente branco. — Não! Você não pode levantar! — Eu pressionei seus ombros para trás.
— Você tem que dizer a Darius — Stark disse através dos dentes cerrados.
— Eu tenho que falar com Stevie Rae primeiro.
— Eu não acho que isso –
—Sério! Eu tenho que falar com Stevie Rae primeiro. — Eu peguei a mão dele de novo, tentando fazer ele compreender com meu toque. — Ela é minha melhor amiga.
— Você confia nela?
— Eu quero confiar nela. Eu confiei nela. — Meus ombros caíram em derrota. — Mas se ela não falar a verdade quando eu conversar com ela, eu vou até Darius.
— Eu preciso sair dessa maldita cama e me certificar que você não esteja cercada por inimigos!
— Eu não estou cercada de inimigos! Stevie Rae não é minha inimiga. — Eu enviei uma prece silenciosa para Nyx para estar certa sobre isso. — Olha, eu escondi coisas dos meus amigos antes – coisas ruins. — Eu levantei uma sobrancelha e olhei para ele. — Eu escondi você dos meus amigos.
Ele sorriu. — Bem, isso foi diferente. — Eu não deixei ele me provocar para ser sério. — Não, não foi.
— Ok, eu ouvi o que você está dizendo, mas ainda não estou ok com isso. Eu suponho que não possa te pedir para trazer Stevie Rae aqui quando você falar com ela?
Eu enruguei a testa para ele. — Dificilmente.
— Então me prometa que você terá cuidado e não vai sair sozinha com ela pra algum lugar para conversar.
— Ela não faria nada para me machucar!
— Na verdade, estou assumindo que ela não pode te machucar, já que você tem controle dos cinco elementos e ela apenas de um. Mas você não sabe que tipo de poder aqueles calouros que ela está escondendo tem, ou quantos deles existem. E eu sei algo sobre ser um calouro vermelho fodão. Então prometa que você vai ter cuidado.
— Yeah, ok. Eu prometo.
— Ótimo. — Ele exalou um pouco e voltou para trás.
— Hey, não quero você preocupado comigo agora. Você só precisa se concentrar em melhorar. — Eu respirei fundo e continuei. — Eu acho que é uma boa ideia você beber de mim.
— Não.
— Olha, você quer ser capaz de me proteger, certo?
— Certo — ele disse, acenando fortemente. — Então isso significa que você tem que melhorar o mais rápido possível. Certo?
— Yeah.
— E você vai melhorar mais rápido se beber de mim, então é apenas lógico que você faça isso.
— Você se olhou no espelho ultimamente? — ele perguntou abruptamente.
— Huh?
— Você faz ideia do quão cansada parece? — Eu podia sentir minhas bochechas ficando quentes.
— Eu não tive tempo para me preocupar com coisas como maquiagem e fazer meu cabelo — eu disse defensivamente.
— Eu não estou falando sobre maquiagem ou cabelo. Estou falando sobre o quão pálida você está. Você tem olheiras profundas sob os olhos. — Ele olhou para baixo para onde minha camiseta cobria a longa cicatriz que se esticava de um ombro a outro. — Como está seu corte?
— Bom. — Com minha mão livre eu pus a mão na camiseta, embora eu soubesse que a cicatriz não estava exposta. — Hey — ele disse gentilmente. — Eu já a vi, lembra?
Eu encontrei os olhos dele. Sim, eu lembrava. Na verdade, ele não tinha apenas visto minha cicatriz – ele tinha visto toda eu. Nua. Ok, agora todo meu rosto estava quente.
— Não estou mencionando isso para te constranger. Só estou tentando te lembrar que você quase morreu também. Precisamos que você também esteja forte, Zoey.
— Eu preciso que você esteja forte e bem também.
— Eu vou ficar. Hey, não se preocupe comigo. Aparentemente, eu sou praticamente impossível de matar. — Ele deu seu sorriso fofo e arrogante.
— Mantenha meu nível de estresse em mente. Praticamente impossível não é a mesma coisa que impossível.
— Vou tentar lembrar disso. — Ele puxou minha mão. — Deite perto de mim por um tempinho. Eu gosto quando você está perto.
— Tem certeza que não vou machucar você?
— Tenho quase certeza que vai. — Ele sorriu, fazendo suas palavras serem provocadoras, — mas eu ainda quero você próxima. Venha até aqui comigo.
Eu deixei ele me levar para baixo então eu estava deitada perto dele. Curvada de lado para olhar pra ele, descansando minha cabeça contra seu ombro. Ele esticou seu corpo e pôs seu braço sobre mim, me puxando mais firme contra ele. — Eu disse que não vou quebrar. Relaxe.
Eu suspirei, e me permiti relaxar. Eu enrolei meu braço ao redor da cintura dele, tendo cuidado para não mexer ele demais ou tocar seu peito. Stark fechou seus olhos e eu observei o rosto dele passar de rígido e pálido para relaxado e pálido conforme sua respiração se aprofundava. Eu juro que em um minuto ele estava dormindo. Era exatamente assim que eu queria que ele estivesse para fazer o que eu tinha decidido fazer. Eu respirei fundo, respiração de limpeza, me centrei, e então sussurrei, — Espírito, venha.
Instantaneamente eu senti uma agitação familiar ao meu redor, como se eu tivesse acabado de entender algo incrivelmente mágico, enquanto minha alma respondia a infiltração do quinto elemento, espírito. — Agora, quieta, com cuidado, e gentilmente, vá até Stark. Ajude ele. Preencha ele. Fortaleça ele, mas não o acorde. — Eu falei suavemente, mentalmente cruzando os dedos para que ele continuasse dormindo. Enquanto o espírito me deixava eu senti o corpo de Stark se endurecer por um instante, então ele tremeu, então ele soltou um longo e adormecido suspiro enquanto espírito acalmava e esperançosamente o fortalecia. Eu observei por mais um tempo; então devagar, eu me separei de Stark e, com um último sussurro pedindo para ficar com ele enquanto ele dormia, eu saí do quarto, fechando a porta gentilmente atrás de mim. Eu só dei alguns passos quando percebi que eu não fazia ideia de para onde estava indo. Eu parei e senti meus ombros caírem. Uma freira, que estava andando com os olhos para baixo, passou por mim e me deu um pequeno choque quando olhou para cima e nossos olhos se encontraram. — Irmã Bianca? — eu pensei ter reconhecido ela.
— Oh, Zoey, sim sou eu. Está tão escuro no corredor que quase não te vi.
— Irmã, eu acho que estou perdida. Você pode apontar a direção certa para meu quarto? — Ela sorriu gentilmente, me lembrando da Irmã Mary Angela, embora ela não fosse tão velha.
— Continue andando por esse corredor até ver a escadaria. Suba para o andar de cima, e eu acredito que o quarto que você está dividindo com Aphrodite é o numero 13.
— 13 da sorte — eu suspirei. — Vai entender.
— Você não acredita que fazemos nossa própria sorte? — Eu dei de ombros.
— Na verdade, Irmã, estou cansada demais para saber no que acredito no momento.
Ela deu tapinhas no meu braço. — Bem, vá para cama então. Vou rezar para nossa senhora por você. A intervenção dela é melhor do que sorte a qualquer dia.
— Obrigado. — Eu fui na direção da escadaria. Quando cheguei no andar de cima, eu estava sugando o ar como uma senhora, e a cicatriz que se esticavam pelo meu peito estava queimando e latejando com a batida rápida do meu coração. Eu abri a porta, entrei no corredor, e me inclinei contra a parede, tentando recuperar o fôlego. Distraída, esfreguei meu peito, fazendo uma careta porque ainda estava muito dolorido. Eu abaixei a gola da minha camiseta, torcendo para que o ferimento idiota não tivesse se aberto de novo. Minha respiração parou quando eu vi as novas tatuagens que devoravam os dois lados da linha vermelha.
— Eu esqueci disso — eu sussurrei para mim mesma.
— Isso é incrível! — Com um pequeno grito eu soltei minha camiseta e pulei tão de repente que bati a cabeça contra a parede. — Erik!

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