6 de outubro de 2015

Capítulo 10 - Stark

Stark achou bem impressionante Thanatos ter minimizado seu choque tal como Aphrodite o fez, com um pouco da ajuda de Damien, ele explicou tudo para a Alta Sacerdotisa, começando com a entrada de Zoey na House of Night passando pela descoberta dos calouros vermelhos, a ascensão de Kalona, a lenta realização da profunda maldade em Neferet, e finalmente terminando com a conversa que ela teve com Stevie Rae ao telefone.
Concluída a história, Thanatos se levantou e caminhou até o corpo de Zoey para olhá-lo. Quando a Alta Sacerdotisa finalmente falou, parecia que ela estava falando mais para Z do que para eles.
— Então desde o começo tem sido uma batalha entre Luz e Escuridão, só que até agora travada principalmente no domínio físico.
— Luz e Escuridão? Isso soa como se você estivesse usando essas duas palavras como títulos — Damien disse.
— Muito astuto, jovem calouro — Thanatos disse.
— Isso era o que Stevie Rae estava fazendo também. Usando Escuridão como um título — Aphrodite disse.
— Títulos? Como se fossem duas pessoas? —Jack perguntou.
— Não pessoas – isso é muito limitado. Pense neles mais como imortais que são tão poderosos que eles podem manipular a energia de tal forma que o espírito pode ser tangível — Thanatos disse.
— Você quer dizer que Nyx é a Luz e Kalona, ou pelo menos o que ele representa, é a Escuridão? — Damien disse.
— É mais apropriado dizer que Nyx é aliada com a Luz. O mesmo pode ser dito de Kalona e a Escuridão.
— OK, eu não sou a Miss Estudante Perfeita, mas eu sou experta, e eu tenho prestado atenção nas aulas. A maior parte do tempo. Eu não ouvi nada sobre isso — Aphrodite disse.
— Nem eu — Damien disse.
— E isso diz alguma coisa, por que Damien definitivamente é a Miss Estudante Perfeita — disse Erin.
— Totalmente — disse Shaunee.
Thanatos suspirou e virou-se de Zoey para enfrentar o resto da sala.
— Sim, bem, é uma antiga crença que eu acho que nunca foi totalmente aceita pela nossa sociedade, ou pelo menos pelas Sacerdotisas da nossa sociedade.
— Por quê? O que há de errado com isso? — Aphrodite perguntou.
— Foi baseada na luta e violência e no conflito de poderes brutos do bem e do mal.
Aphrodite bufou — Você diz coisa de garotos.
Thanatos ergueu as sobrancelhas. — É o que eu digo.
— Espera aí. O que há de tão coisa-de-garoto em acreditar no bem combatendo o mal? — Stark disse.
— É mais do que uma simples crença que existe o bem e que é dever combater o mal no mundo. É uma personificação da Luz e da Escuridão ao seu nível mais elementar, com forças que estão tão absorvidas neles que um não pode existir sem o outro embora eles constantemente tentem consumir um ao outro.
Thanatos suspirou de novo para os olhares desentendidos que as crianças estavam dando a ela.
— Uma das primeiras representações da Luz e Escuridão foram a Luz sendo um massivo touro negro e a Escuridão sendo um enorme touro branco.
— Huh? Não deveria o branco ser a Luz e o preto a Escuridão? — Jack perguntou.
— Poderíamos pensar assim, mas foi assim que eles foram representados em nossos antigos pergaminhos. Foi escrito que cada criatura, Luz e Escuridão, contém alguma coisa da qual o outro irá sempre cobiçar. Pense nos touros, inchados com o poder que exercem, encontram-se em eterno combate, cada um lutando para conseguir algo do outro que nunca poderia alcançar sem se destruir. Eu vi a representação de uma luta deles uma vez quando eu ainda era jovem Sacerdotisa, e eu nunca mais esqueci como crua e violenta era – tão perturbadora. Os chifres dos touros estavam entrelaçados. Seus corpos poderosos esticados para alcançar o outro, sangue vomitado, as narinas dilatadas. Era um impasse que era assustador na sua intensidade – a pintura em si parecia vibrar com o poder.
— Poder masculino — Darius disse. — Eu vi essa gravura também, quando eu estava treinando para me tornar Guerreiro. É usada na decoração da capa de alguns dos antigos jornais escritos por grandes guerreiros do nosso passado.
— Poder masculino. Eu posso ver por que os líderes vamps deixaram essa coisa de touro desaparecer — Erin disse.
—Sério, Gêmea. — Shaunee assentiu. — Muito poder de menino quando vampiros são principalmente sobre poder de meninas.
— Mas nosso sistema de crença não é sobre poder feminino suprindo poder masculino. É sobre um equilíbrio saudável entre os dois — Darius disse.
—Não, Guerreiro, a verdade é que nosso sistema de crença é suposto não ser sobre o poder feminino suprindo o poder masculino; mas como a Luz e a Escuridão, é uma eterna luta para encontrar um equilíbrio entre os dois, sem destruir um ao outro. Pense nas imagens de Nyx que nós vemos sobre nós a cada dia, com suas belezas e encantos femininos. Contraste isso com uma imaginação do poder cru desencadeado sob a forma de dois grandes, combatentes, criaturas masculinas. Você vê como um mundo que tenta conter ambos estaria em conflito, e assim um deveria ser suprimido a fim de permitir que o outro prospere?
Aphrodite bufou, — Isso não é tão difícil de imaginar. Eu não posso imaginar é o Conselho Superior tenso querendo qualquer coisa a ver com algo tão bagunçado como dois caras touros gigantes e as crenças que eles representam.
— Ela quer dizer exceto por você — Stark disse, franzindo a testa e dando a ela um olhar “você não está ajudando.”
Thanatos sorriu. — Não, Aphrodite está certa. O Conselho tem mudado ao longo dos séculos, especialmente nos últimos quatro de minha existência. Ele costumava ser uma força vital, em sua própria maneira muito elementar e um pouco bárbaro em seu poder. Mas nos tempos modernos se tornou... — a Alta Sacerdotisa hesitou, procurando pela palavra adequada.
— Civilizado — Aphrodite disse. — É supercivilizado.
— É isso — Thanatos disse.
Os olhos azuis de Aphrodite se ampliaram. — E sendo muito civilizado não é necessariamente uma coisa boa, especialmente quando você está lidando com dois touros chocando-se um contra o outro e removendo tudo que se encontra entre eles.
— Zoey está terrivelmente perto da Luz — Damien disse suavemente.
— Perto o suficiente para ser chifrada pela Escuridão — Stark disse. — Especialmente se a Escuridão foi enviada para assegurar que ela nunca encontre a Luz de novo.
O quarto ficou em silêncio enquanto os olhos de todos foram para Zoey que jazia silenciosa e pálida contra os muito civilizados lençóis de cetim cor creme. E foi de dentro do silêncio que a compreensão veio a Stark, e com os instintos de um Guerreiro guardando sua Alta Sacerdotisa, ele sabia que ele tinha achado o caminho certo. —Então descobrir como proteger Zoey não é sobre ignorar o passado. É sobre se aprofundar no passado, pois ninguém hoje iria pensar em fazer — Stark disse, com o excitamento elevando sua voz.
— E trata-se de abraçar e entender o poder cru que é desencadeado pela luta entre Luz e Escuridão — Thanatos disse.
— Mas onde diabos nós acharemos isso? — Aphrodite disse, escovando os cabelos para trás do rosto em frustração. — As crenças que precisamos tinham morrido – você mesma disse isso, Thanatos.
— Talvez não em todos os lugares — Darius disse, sentando rigidamente, seus olhos afiados e inteligentes ao encontrar o olhar de Stark. — Se você quer encontrar antigas e bárbaras crenças você tem que ir a um lugar formado por um passado antigo e bárbaro. Um lugar que está essencialmente cortado com a civilização de hoje.
A resposta surpreendeu completamente Stark.
— Eu tenho que ir para a Ilha.
— Exatamente — Darius disse.
— Sobre o que diabos vocês dois estão falando? — Aphrodite disse.
— Eles falam do lugar onde Guerreiros foram primeiramente treinados por Sgiach.
— Sgiach? Quem é esse? — Damien perguntou.
— É o título antigo para o Guerreiro que foi chamado O Grande Captor de Cabeças. — Darius disse.
— Sgiach foi tão cruel e bárbaro como conseguiu como um Guerreiro — Stark disse.
— OK, isso tudo é muito bom, mas nós precisamos que ele esteja vivo hoje, e não apenas em uma velha história de Guerreiros, sabe, por que estou bem certa que se Stark não pode viajar para o Outromundo, ele também não pode viajar através do passado — Aphrodite disse.
— Ela — Darius corrigiu.
— Ela? — a cara de Aphrodite era um ponto de interrogação.
— Sgiach era uma Guerreira, uma vampira de incríveis poderes — Stark disse.
— E essas “histórias antigas”, minha beleza, também dizem que sempre haverá uma Sgiach. — Darius deu a Aphrodite um sorriso indulgente. — Ela vive na Ilha das Mulheres na House of Night de lá.
— Existe uma Ilha de Mulheres da House of Night? — Erin disse.
— Por que nós não sabemos disso? — Shaunee disse. — Você sabia sobre isso? — ela perguntou a Damien.
Ele balançou a cabeça negando. — Nunca ouvi nada a respeito.
— Sim, é lá que os primeiros vampiros guerreiros foram treinados — Darius disse.
— Mas não mais, certo? — Damien disse, olhando de Darius para Stark.
— Quero dizer, Guerreiros em treinamento vão para todas as House of Night. Como Dragon Lankford treina um grupo de Guerreiros que vêm de toda parte e ele definitivamente não está na Escócia.
— Você está certo, Damien. No mundo moderno a formação de Guerreiros tem tido lugar nas House of Night em todo o mundo. — Thanatos disse. — Por volta da virada do século XIX, o Alto Conselho decidiu que seria uma maneira mais conveniente de fazer as coisas.
— Mais conveniente e mais civilizado, eu aposto — Aphrodite disse.
— Você também está correta, Profetisa — Thanatos disse.
— É isso, então. Eu levo Zoey para a Ilha de Mulheres e Sgiach — Stark disse.
— E depois o quê? — Aphrodite perguntou.
— Depois eu fico incivilizado para que eu possa descobrir como batalhar meu caminho para o Outromundo sem morrer, e, uma vez lá, eu faço qualquer coisa que tiver que fazer para trazer Zoey de volta pra nós.
— Huh — Aphrodite disse. — Essa realmente não soa como uma má ideia.
— Se Stark estiver permitido a entrar na Ilha — Darius disse.
— É uma House of Night. Por que eles não deixariam Stark entrar lá? — Damien disse.
— É uma House of Night como nenhuma outra — Thanatos disse. — A decisão do Alto Conselho de mover a formação dos Filhos de Erebus de Skye e espalhá-los pelas House of Night de todo o mundo foi uma decisão que culminou em muitos, muitos anos de tensão e mal-estar entre os reinantes de Sgiach e do Conselho Superior.
— Você faz ela parecer uma rainha — Jack disse.
— De um certo modo ela é - uma rainha cujo os súditos são Guerreiros — Thanatos disse.
— A rainha encarregada dos Filhos de Erebus? Eu sei que o Alto Conselho de vampiros não iria gostar disso, a não ser que a Rainha Sgiach fizesse parte do Alto Conselho também. — Aphrodite disse.
— Sgiach é uma Guerreira — Thanatos disse. — E Guerreiros não são permitidos no Conselho.
— Mas Sgiach é uma mulher. Ela deveria ser capaz de ser votada para o Conselho — Damien disse.
—Não — Darius disse. — Nenhum Guerreiro pode sentar-se no Conselho. Essa é a lei vampira.
— E isso provavelmente chateou Sgiach — Aphrodite disse. — Eu sei que isso me chatearia. Ela deveria poder sentar no Conselho Superior.
Thanatos curvou a cabeça em reconhecimento. — Eu concordo com você, Profetisa, mas muitos não concordam. Quando o treinamento dos Filhos de Erebus foi tomado dela, Sgiach retirou-se para a Ilha de Skye. Ela não falou com ninguém sobre sua intenção, mas ela não precisava. Nós todos sentimos sua raiva. Nós também sentimos o círculo de proteção que ela lançou ao redor de sua Ilha. — Os olhos de Thanatos estavam cheios de sombras das memórias do passado. — Ninguém havia experimentado a sensação desde que a poderosa vampira Cleópatra lançou o mesmo círculo de proteção ao redor de sua amada Alexandria.
— Ninguém entra na Ilha das Mulheres sem a permissão de Sgiach — Darius disse.
— Se eles tentam - então eles morrem — Thanatos disse.
— Bem, como conseguir permissão pra entrar na Ilha? — Stark perguntou.
Houve um longo e estranho silêncio, e então Thanatos falou, — É aí que reside o primeiro de seus problemas. Desde que Sgiach lançou seu círculo protetor, a ninguém de fora foi dada permissão de entrar em sua Ilha.
— Eu conseguirei permissão — Stark disse firmemente.
— Como você irá fazer isso, Guerreiro? — Thanatos perguntou.
Stark soltou um longo suspiro e disse, — Eu sei como eu não vou fazer isso. Eu não vou ser civilizado. E por agora isso é tudo que eu sei.
— Espera aí — Damien disse. — Thanatos, Darius, vocês dois sabem coisas sobre Sgiach e essa antiga religião bárbara. Então, onde vocês aprenderam isso?
— Eu sempre gostei de ler. — Darius deu de ombros. — Então eu me senti atraído pelos pergaminhos antigos na House of Night em que eu estudei espada. No meu tempo livre, eu leio.
— Perigoso e sexy. Essa é uma excelente combinação — Aphrodite ronronou, aconchegando se a ele.
— OK, nós vamos todos vomitar depois — Erin disse.
— Yeah, agora, pare de interromper — Shaunee disse.
— E sobre o seu conhecimento dos touros e Sgiach? — Damien questionou Thanatos, dando às Gêmeas e à Aphrodite um olhar de “fiquem quietas.”
— A partir de textos antigos, aqui nos arquivos do palácio. Quando me tornei Alta Sacerdotisa, passei muitas horas estudando aqui por conta própria. Eu tive que estudar; eu não tive mentor — Thanatos disse.
— Sem mentor? Isso deve ter sido difícil — Stark disse.
— Aparentemente, nosso mundo só precisa de uma Alta Sacerdotisa no momento que tenha sido agraciada com a afinidade para a morte — Thanatos disse com um sorriso torto.
— Essa é uma droga de descrição de trabalho — Jack disse, e então tampou a boca com a mão, e guinchou, — Desculpe!
Thanatos abriu um sorriso. — Eu não me ofendi com suas palavras, criança. Estar aliada com a Morte não é uma carreira fácil de seguir.
— Mas por causa disso, e por que Darius é um Guerreiro leitor, nós temos alguma coisa para ir buscar — Damien disse.
— No que você está pensando? — Aphrodite disse.
— Estou pensando que eu sou realmente bom em uma coisa - e essa coisa é estudar.
Os olhos azuis de Aphrodite se ampliaram. — Então nós só precisamos apontar alguma coisa pra você estudar.
— Os arquivos. Você precisa ter acesso aos arquivos do palácio — Thanatos disse, já caminhando para a porta. — Eu irei falar com Duantia.
— Excelente. Eu vou me preparar para estudar — Damien disse.
— Eu irei ajudar — Jack disse.
— Horda de Nerds, por mais que eu odeie isso, parece que todos nós iremos nos preparar para estudar.
Stark assistiu Thanatos ir. Ele vagamente registrou que o resto das crianças estavam empolgadas que eles tinham algum lugar para focar suas energias, mas seu olhar voltou para a face pálida de Zoey.
E eu vou me preparar para aliar-me com a morte.


Zoey

Nada parecia certo.
Não era como se eu não soubesse onde eu estava. Quero dizer, eu sabia que eu estava no Outromundo, mas não morta, e que eu estava com Heath, que definitivamente estava morto.
Deusa! Isso era tão estranho que estava começando a ficar mais e mais normal pensar em Heath como MORTO.
De qualquer forma, além disso, as coisas apenas não pareciam certas.
Nesse momento eu estava enrolada com Heath. Nós estávamos nos acariciando como um antigo casal na base de uma árvore sobre um colchão de musgo feito pela união de velhas raízes em um formato oval quase como uma cama. Eu devia estar mais confortável. O musgo estava definitivamente macio e Heath realmente parecia estar vivo. Eu podia vê-lo, ouvi-lo, tocá-lo – ele até mesmo cheirava como Heath. Eu devia poder relaxar e apenas estar com ele.
Então por que, eu me perguntava enquanto encarava um bando de borboletas de asas azuis dançando, eu sou tão inquieta e geralmente “fora de série” como a vovó diria?
Vovó...
Eu sentia saudades dela. Sua ausência era como uma leve dor de dente. Algumas vezes a sensação ia embora, mas eu sabia que estava lá, e que iria voltar – provavelmente pior.
Ela deve estar realmente preocupada comigo. E triste. Pensando em quão triste a Vovó podia estar era duro, e minha mente contornava pra longe disso rapidamente.
Eu não podia continuar ali. Eu me afastei de Heath, cuidadosa para não acordá-lo.
Depois eu comecei a andar.
Isso ajudou. Bem, parecia um pouco por enquanto. Eu andei para trás e para a frente, para trás e para a frente, certificando-me de que poderia ver Heath. Ele parecia fofo enquanto dormia.
Eu gostaria de poder dormir.
Eu não podia, entretanto. Se eu descansasse – e eu fechasse os meus olhos – era como se eu perdesse pedaços de mim mesma. Mas como isso podia ser? Como poderia eu estar perdendo a mim mesma? Isso me lembrava um pouco do tempo que tive inflamação de garganta e com uma febre tão alta que eu tive um sonho super estranho onde eu ficava girando e girando em torno de mim até que pedaços do meu corpo começaram a voar pra fora de mim.
Eu tremi. Por que era tão fácil lembrar quando uma porção de outras coisas na minha cabeça eram tão confusas?
Deusa, eu estava realmente cansada.
Distraída, eu meio que tropecei em uma das rochas bem brancas que se projetava para fora da grama e do musgo, evitei de cair jogando uma mão e agarrando ao lado da árvore mais próxima.
Foi por isso que eu vi. Minha mão. Meu braço. Não pareciam certos. Eu parei e encarei, e eu juro que minha pele tinha ondulado, como em um daqueles filmes de terror bruto onde coisas nojentas ficam sob a carne de uma garota quase nua rastejando ao redor dela, fazendo ela –
— Não! — eu limpei freneticamente o meu braço. — Não! Pare!
— Zo, baby, o que está errado?
— Heath, Heath, olhe. —Eu ergui o braço para que ele visse. — É como um filme de terror.
O olhar de Heath foi do meu braço para o meu rosto. — Uh, Zo, o que é como um filme de terror?
— Meu braço! Minha pele! Está se movendo. — Eu exaltei com ele.
Seu sorriso não escondeu a preocupação em seu rosto. Ele estendeu a mão, e lentamente a passou pelo meu braço.
Quando ele chegou à minha mão, ele entrelaçou os dedos com os meus.
— Não há nada de errado com o seu braço, baby — ele disse.
— Você realmente acha isso?
— Realmente, seriamente, eu acho. Ei, o que está acontecendo com você?
Eu abri minha boca pra falar que eu achava que eu estava me perdendo – que pedaços de mim estavam flutuando – quando alguma coisa chamou minha atenção na borda da linha da árvore. Alguma coisa escura.
— Heath, eu não gosto daquilo — eu disse a ele, apontando uma mão trêmula para o lugar das sombras.
A brisa agitava as largas folhas verdes das árvores que de repente não pareciam tão fortes e acolhedoras como elas tinham sido momentos atrás, e o cheiro me atingiu, repugnante e completo, como um atropelamento de três dias. Eu senti o corpo de Heath estremecer e soube que eu não estava imaginando isso.
Então as sombras de lá se mexeram, e eu tinha certeza que ouvi asas.
— Oh, não — eu sussurrei.
Heath apertou sua mão na minha. — Venha. Nós precisamos ir o mais distante daqui.
Eu me senti congelada e entorpecida ao mesmo tempo. — Por quê? Como árvores podem nos salvar do que quer que aquilo seja?
Heath pegou meu queixo em suas mãos e me fez olhá-lo. — Zo, você não pode sentir isso? Este lugar, este bosque, é bom, puramente bom. Baby, você não consegue sentir sua Deusa aqui?
As lágrimas que encheram meus olhos fizeram-no ficar todo embaraçado. — Não — eu disse suavemente, como se eu mal pudesse formular as palavras. — Eu não consigo sentir minha Deusa nem um pouco.
Ele me puxou para seus braços e me abraçou forte. — Não se preocupe, Zo. Eu posso senti-la, então vai ficar tudo bem. Eu prometo. — Depois, enquanto eu ainda estava enrolada a um de seus braços, Heath me guiou mais adentro do bosque de Nyx enquanto minhas lágrimas transbordavam e caíam molhadas e quentes pelas minhas bochechas frias.

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