1 de outubro de 2015

Capítulo 1

— Garota nova. Olha lá — Shaunee disse enquanto deslizava pelo banco que sempre alegávamos ser nosso para cada refeição servida no salão de jantar (tradução: refeitório de classe alta).
— Trágico, Gêmea, trágico. — A voz de Erin ecoava totalmente a de Shaunee. Ela e Shaunee tinham algum tipo de ligação psíquica que as fazia bizarramente similar, que é por isso que o apelido delas era “as Gêmeas,” embora Shaunee fosse café-com-leite Jamaicana-americana de Connecticut e Erin fosse branca com cabelo loiro e olhos azuis de Oklahoma.
— Graças a Deus, ela é colega de quarto de Sarah Freebird. — Damien acenou em direção a garotinha com um cabelo preto que mostrava aquele olhar perdido de garota nova ao redor do salão, o olhar afiado dele para moda, checando as roupas das duas garotas – de sapato a brinco – em um olhar rápido. — Claramente o senso de moda dela é melhor que o de Sarah, apesar do estresse de ser Marcada e mudar de escola. Talvez ela seja capaz de ajudar Sarah com a infeliz propensão dela a sapatos horríveis.
— Damien — Shaunee disse. — De novo você está me...
— ... irritando com essa porcaria de vocabulário — Erin terminou por ela.
Damien fungou, parecendo ofendido e superior e mais gay do que ele costuma parecer (embora ele definitivamente seja gay).
— Se o vocabulário de vocês não fosse tão abismal, não teriam que carregar um dicionário para me acompanhar.
As Gêmeas estreitaram seus olhos para ele e sugaram o ar para começar um novo round, o que, graças a Deus, minha colega de quarto interrompeu. Com seu complicado sotaque de Oklahoma, Stevie Rae fanhosamente falava as duas definições como se estivesse dando pistas a uma abelha. — Propenso – é uma intensa preferência natural. Abismal – absolutamente horrível. Aí. Agora vocês podem parar de reclamar e serem bonzinhos? Vocês sabem que é quase hora para a visitação dos pais, e não deveríamos agir como retardados quando eles aparecerem.
— Ah, merda — eu disse. — Eu esqueci totalmente sobre a visita dos pais. 
Damien gemeu e colocou a cabeça na mesa, batendo com ela sem ser muito gentil. — Eu esqueci totalmente também. — Nós quatro demos um olhar simpático para ele. Os pais de Damien não se importaram com ele ser Marcado, se mudar para a House of Night, e começar a Mudança que, ou iria transformar ele, ou se o seu corpo rejeitasse a Mudança, matá-lo. Eles tem problemas com ele ser gay. 
Pelo menos os pais de Damien estavam bem com algo em relação a ele. Minha mãe e seu marido atual – meu padrasto-perdedor, John Heffer – por outro lado, odeiam absolutamente tudo em relação a mim. 
— Meus pais não vem. Eles vieram mês passado. Esse mês estão ocupados demais.
— Gêmea, mas uma vez provamos nossa gêmisse — Erin disse. — Meus pais me mandaram um e-mail. Eles também não vem por causa de uma viagem de Ação de Graças que eles decidiram fazer para o Alaska com minha tia Alane e tio Liar Lloyd. Tanto faz. — Ela riu – aparentemente tão despreocupada quanto Shaunee pela ausência de seus pais. 
— Hey, Damien, talvez seus pais também não apareçam — Stevie Rae disse com um sorriso rápido.
Ele suspirou.
— Eles estarão aqui. É o mês do meu aniversário. Eles vão trazer presentes.
— Isso não parece ruim — eu disse. — Você estava falando sobre precisar de um novo bloco de desenhos.
— Eles não vão me dar um bloco de desenho — ele disse. — Ano passado pedi um suporte para moldura. Eles me deram coisas para acampar e uma assinatura da Sports Illustraded.
— Eca! — disseram Shaunee e Erin juntas enquanto Stevie Rae e eu enrugávamos nossos narizes e fazíamos barulhos de simpatia.
Claramente querendo mudar de assunto, Damien virou para mim. — Essa será a primeira visita dos seus pais. O que você espera?
— Um pesadelo — eu suspirei. — Total, absoluto, e completo pesadelo.
— Zoey? Eu achei que deveria trazer minha nova colega de quarto para conhecer você. Diana, essa é Zoey Redbird – a líder das Filhas das Trevas.
Felizes por não ter que falar sobre meus horríveis problemas com os pais, eu olhei para cima, sorrindo, para o som da voz nervosa de Sarah.
— Wow, é realmente verdade! — A nova garota disse antes que eu pudesse dar oi. Como sempre ela estava encarando minha testa e corando. — Eu quero dizer, uh... desculpe. Eu não queria ser rude nem nada... — ela disse, parecendo miserável.
— Está tudo bem. É, é verdade. Minha Marca está completa e tem complementos. — Eu mantive meu sorriso, tentando fazer ela se sentir melhor, embora eu realmente odiasse parecer a atração principal do show dos bizarros. De novo.
Graças aos Céus, Stevie Rae entrou na conversa antes do silêncio entre Diana e eu ficar mais desconfortável.
— Yeah, Z ganhou essa tatuagem de espiral legal no rosto e pelos ombros quando ela salvou seu ex-namorado de uns fantasmas vampiros apavorantes — Stevie Rae disse alegremente.
— Foi o que Sarah me disse — Diana disse tentativamente. — É algo tão inacreditável que, bem, eu uh...
— Não acreditou? — Damien disse esperançoso.
— Yeah. Desculpe — ela repetiu, inquieta e olhando para as unhas.
— Hey, não se preocupe. — Eu dei um quase autêntico sorriso. — Parece bem bizarro para mim as vezes, e eu estava lá.
— E arrasou — Stevie Rae disse.
Eu dei a ela meu olhar você-totalmente-não-está-ajudando, que ela ignorou. Sim, eu algum dia posso ser a Alta Sacerdotisa deles, mas não sou a chefe dos meus amigos.
— De qualquer forma esse lugar todo pode parecer meio estranho no começo. Vai melhorar — eu disse para a nova garota.
— Obrigado — ela disse com um genuíno calor.
— Bem, é melhor irmos para que eu possa mostrar a Diana onde o seu quinto período será — Sarah disse, e então ela totalmente me embaraçou de novo ficando séria e formal e me saudando do jeito tradicional dos vampiros como um sinal de respeito, punho no coração e curvou sua cabeça, antes de sair.
— Eu realmente odeio quando eles fazem isso — eu murmurei, cutucando minha salada.
— Eu acho legal — Stevie Rae disse.
— Você merece que te mostrem respeito — Damien disse com a voz de um professor. — Você é a única terceiranista que já existiu a liderar as Filhas das Trevas e a única caloura ou vampira da história que mostrou afinidade com os cinco elementos.”
— Aceite, Z — Shaunee disse depois de dar uma mordida na salada enquanto gesticulava para mim com seu garfo.
— Você é especial. — Erin terminou por ela (como sempre).
Um terceiranista é como a House of Night chama um calouro – então um quarteiranista seria do segundo ano, etc. E, sim, eu sou a única terceiranista a ser líder das Filhas das Trevas. Sorte minha.
— Em falar nas Filhas das Trevas — Shaunee disse. — Você decidiu o que você quer que seja as novas exigências para ser um membro?”
Eu reprimi a vontade de gritar, Diabos não, eu ainda não consigo acreditar que estou no comando dessa coisa! Ao invés disso eu balancei a cabeça, e decidi – com o que eu esperava ser um brilhante golpe – colocar um pouco da pressão neles.
— Não, eu não sei quais deverão ser as novas exigências. Na verdade, estava esperando que vocês me ajudassem. Então, alguma ideia?
Como eu suspeitava, os quatro ficaram quietos. Eu abri minha boca para agradecer pelo silêncio deles, mas a voz da nossa Alta Sacerdotisa passou pela comunicação interna da nossa escola. Por um segundo eu fiquei feliz pela interrupção, e então percebi o que ela estava dizendo e meu estômago começou a se apertar.
— Estudantes e professores, por favor vão até a recepção. Está na hora da nossa visita mensal dos pais.
Bem, diabos.
— Stevie Rae! Stevie Rae! Oh meu Deus eu senti sua falta!
— Mama! — Stevie Rae chorou e voou para os braços da mulher que parecia igual a ela, só que 22 quilos mais pesada e 20 e tantos anos mais velha.
Damien e eu ficamos parados constrangedoramente dentro do hall, que estava começando a se encher com pais humanos que pareciam desconfortáveis, alguns irmãos humanos, um bando de calouros, e vários dos nossos professores vampiros.
— Bem, ali estão meus pais — Damien disse com um suspiro. — É melhor acabar com isso de uma vez. Vejo você depois.”
— Até mais — eu murmurei e observei ele se juntar a duas pessoas totalmente comuns que estavam carregando um presente embrulhado. A mãe dele deu um rápido abraço e o pai dele apertou a mão dele com uma exuberante masculinidade. Damien parecia pálido e estressado.
Eu fui até a longa mesa que passava por uma comprida parede. Estava cheia com caras bandejas de queijos e sobremesas, e café, chá, e vinho. Eu estou na House of Night há um mês, e ainda fico um pouco chocada por ver vinho ser servido tanto por aqui. Parte da razão é simples – a escola tem seu modelo baseado nas Houses of Nights europeias. Aparentemente, na Europa vinho com refeições é como chá e Coca nas refeições aqui – nada demais. A outra razão é o fato genérico – vampiros não ficam bêbados – calouros mal podem ficar tontos (pelo menos com álcool – sangue, infelizmente, é outra história). Então vinho literalmente não é nada demais, embora eu achasse que seria interessante ver como os pais de Oklahoma iriam reagir a bebida na escola.
— Mama! Você tem que conhecer minha colega de quarto. Lembra que eu te falei sobre ela? Essa é Zoey Redbird. Zoey essa é minha mãe.
— Olá, Sra. Johnson. É bom conhecer você — eu disse educadamente.
— Oh, Zoey! É tão bom conhecer você! E, oh meu Deus! Sua Marca é tão bonita quanto Stevie Rae disse que era. — Ela me surpreendeu com um suave abraço de mãe e sussurrou, — estou feliz que você esteja cuidando de Stevie Rae. Me preocupo com ela.
Eu apertei as costas dela e sussurrei, — Sem problemas, Sra. Johnson. Stevie Rae é minha melhor amiga. — E embora fosse totalmente nada realístico, eu de repente desejei que minha mãe me abraçasse e se preocupasse comigo como a Sra. Johnson se preocupava com sua filha.
— Mama, você trouxe para mim algum biscoito de chocolate? — Stevie Rae perguntou.
— Sim, querida, eu trouxe, mas acabei de perceber que deixei no carro. — A mãe de Stevie Rae respondeu com seu sotaque Okie que era idêntico ao da filha. — Porque você não vem comigo e me ajuda a trazer eles para cá? Eu fiz mais para os seus amigos desta vez.”
Ela sorriu gentilmente para mim. — Você é mais que bem vinda para vir conosco também, Zoey.
— Zoey.
Eu ouvi minha voz falar como um eco congelado da quente bondade da Sra. Johnson, e olhei por cima dos ombros dela para ver minha mãe e John entrando no hall. Meu coração caiu no meu estômago. Ela trouxe ele. Porque diabos ela não veio sozinha e deixou ser apenas ela para variar? Mas eu sabia a resposta para isso. Ele nunca permitiria. E ele não permitir significava que ela não faria. Ponto. Fim do assunto. Desde que ela casou com John Heifer minha mãe não teve que se preocupar com dinheiro. Ela vivia numa enorme casa em um silêncioso subúrbio. Ela era voluntaria para o PTA (uma associação americana em que pais cuidam de filhos). Ela fazia várias atividades para a igreja. Mas durante os três anos do seu “perfeito” casamento ela se perdeu completamente.
— Desculpe, Sra. Johnson. Eu vi meus pais, é melhor eu ir.
— Oh, querida, eu adoraria conhecer sua mãe e pai. — E, como estivéssemos em qualquer outro evento de escola, a Sra. Johnson virou, sorrindo, para conhecer meus pais.
Stevie Rae olhou para mim, e eu olhei para ela. — Desculpe — eu murmurei para ela. Eu quero dizer, eu não tinha certeza absoluta que algo mal ia acontecer, mas com meu padrasto-perdedor se aproximando como se fosse um general cheio de testosterona liderando a marcha da morte, eu achei que as chances estavam boas para um cena de um pesadelo.
Então meu coração saiu do estômago e tudo de repente ficou muito, muito melhor quando vi a minha pessoa favorita no mundo ao lado de John e seus braços abertos para mim.
— Vovó!
Ela me colocou nos seus braços e o doce cheiro de lavanda que sempre estava com ela, como se ela carregasse os pedaços de sua linda fazenda de lavanda em todo lugar que ela fosse.
— Oh, Zoey Passarinha! — Ela me abraçou com força. — Eu senti sua falta, u-we-tsi a-ge-hu-tsa.
Eu sorri através das lágrimas, adorando o som da familiar palavra Cherokee para filha – significa segurança e amor e aceitação incondicional. Coisas que eu não sentia em minha casa nos últimos três anos – coisas que antes de eu vir a House of Night eu só encontrei na fazenda da vovó.
— Eu senti sua falta, também, vovó. Estou tão feliz que você veio!
— Você deve ser a avó de Zoey — A Sra. Johnson disse quando paramos de nos abraçar. — É bom conhecer você. Você tem uma garota muito boa.
Vovó sorriu e começou a responder, mas John interrompeu com sua voz superior.
— Bem, na verdade, essa é nossa garota boa que você está elogiando.
Como se fosse um deixa para a esposa aparecer, minha mãe finalmente conseguiu falar. — Sim, somos os pais de Zoey. Eu sou Linda Heffer. Esse é meu marido, John, e minha mãe, Sylvia Red — Então, no meio da sua educada apresentação, ela se incomodou de olhar para mim e a voz dela saiu em um tom surpreso.
Eu fiz meu rosto sorrir, mas eu senti calor e fiquei dura, como se estivesse cheia de gesso e estivesse sentada no sol de verão e fosse quebrar em pedaços se não tomasse cuidado.
— Oi, mãe.
— Pelo amor de Deus, o que você fez com sua Marca? — Mamãe disse a palavra Marca como se falasse a palavra câncer ou pedofilia.
— Ela salvou a vida de um jovem e foi presenteada pela deusa com a afinidade para os elementos. Em resposta Nyx deu a ela várias Marcas incomuns para um calouro — Neferet disse com sua suave voz musical enquanto chegava no meio do nosso constrangido grupo, a mão estendida diretamente para meu padrasto-perdedor. Neferet era o que a maior parte dos vampiros adultos são, impressionantemente perfeita. Ela era alta, com longas ondas de um cabelo escuro e brilhante, olhos em forma de amêndoas de um tom raro de verde musgo. Ela se movimentava com uma graça e confiança que claramente não era humana, e a pele dela era tão espetacular que parecia que alguém tinha acendido uma luz dentro dela. Hoje ela estava usando uma saia azul real, com brincos em espiral (representando o caminho da deusa, mas não era como se meus pais soubessem disso). Uma prateada forma da deusa com suas mãos erguidas estava bordada por cima do seio esquerdo dela, como estava em cima de todos os peitos de todos os professores. O sorriso dela era deslumbrante.
— Sr. Heffer, eu sou Neferet, Alta Sacerdotisa da House of Night, embora possa ser mais fácil se você pensar em mim como uma diretora normal. Obrigado por vir a noite de visitação dos pais.
Eu percebi que ele pegou a mão dela automaticamente. Eu tenho certeza que ele teria recusado se ela não tivesse pego ele de surpresa. Ela apertou a mão dele e então virou para minha mãe.
— Sra. Heffer, é um prazer conhecer a mãe de Zoey. Estamos muito felizes por ela ter se juntado a House of Night.
— Bem, uh, obrigado! — minha mãe disse, claramente desarmada pela beleza e charme de Neferet.
Quando Neferet cumprimentou minha vó, o sorriso dela aumentou e se tornou mais do que apenas educado. Eu notei que elas apertaram as mãos no jeito tradicional dos vampiros, segurando a antebraço uma da outra.
— Sylvia Redbird, é sempre um prazer ver você.
— Neferet, fico feliz por ver você também, e obrigado por honrar seu juramento de cuidar de minha neta.
— É um juramento que não é um fardo cumprir. Zoey é uma garota especial. — Agora o sorriso de Neferet me incluiu em seu calor. Então ela virou para Stevie Rae e sua mãe. — E essa é a colega de quarto de Zoey, Stevie Rae Johnson, e a mãe dela. Eu soube que as duas são praticamente inseparáveis, e que até a gata de Zoey foi pega por Stevie Rae.
— Sim, é verdade. Ela sentou no meu colo quando eu estava assistindo TV ontem a noite — Stevie Rae disse rindo. — E Nala não gosta de ninguém a não ser Zoey.
— Gata? Eu não lembro de ninguém dar permissão para Zoey ter um gato — John disse, me fazendo querer vomitar. Como se alguém tivesse se incomodado de falar comigo, a não ser vovó, por um mês!
— Você entendeu errado, Sr. Haffer, na House of Night gatos andam livres. Eles escolhem seus donos, não ao contrário. Zoey não precisava de permissão quando Nala escolheu ela — Neferet disse suavemente.
John fez um barulho de bufar, que eu fiquei aliviada por ver que todos ignoraram. Droga, ele é tão idiota.
— Posso oferecer a vocês alguma bebida? — Neferet acenou graciosamente para a mesa.
— Oh, nossa! Isso me lembra dos biscoitos que eu deixei no carro. Stevie Rae e eu estávamos indo para lá. Foi bom conhecer todos vocês. — Com um rápido abraço em mim e um aceno para todos os outros, Stevie Rae e sua mãe escaparam, me deixando ali, embora eu desejasse estar em qualquer outro lugar.
Eu fiquei perto da vovó, passando meus dedos pelos dela enquanto andávamos até a mesa de bebidas, pensando em quão mais fácil isso seria se apenas ela tivesse vindo me visitar. Eu dei uma olhada em minha mãe. Um franzir permanente pareceu estar pintado no rosto dela. Ela estava olhando ao redor para os outros garotos, e mal olhava na minha direção. Porque veio? Eu queria gritar a ela. Porque parecer que você se importa – sente minha falta – se é tão óbvio que você não sente?
— Vinho, Sylvia? Sr. e Sra. Heffer? — Neferet ofereceu.
— Obrigado, tinto por favor — Vovó disse.
John apertou os lábios em desprazer. — Não. Não bebemos.
Com um esforço sobre humano eu não virei os olhos. Desde quando ele não bebe? Eu apostaria pelo menos 15 dólares das minhas economias que havia um pacote de cervejas na geladeira em casa agora mesmo. E minha mãe costumava beber vinho tinto como vovó. Eu até vi ela jogar um olhar estreito para vovó, um olhar de inveja enquanto ela aproveitava o rico vinho que Neferet serviu para ela. Mas não, eles não bebem. Pelo menos não em público. Hipócritas.
— Então, você estava dizendo que os complementos na Marca de Zoey aconteceu porque ela fez algo especial? — Vovó apertou minha mão. — Ela me disse que tinha virado líder das Filhas das Trevas, mas ela não me contou exatamente o que aconteceu.
Eu me senti ficar tensa de novo. Eu realmente não queria lidar com a cena que iria acontecer se minha mãe e John descobrissem que o que tinha acontecido era que a ex-lider das Filhas das Trevas tinha lançado um círculo na noite de Halloween (Conhecida na House of Night como Noite de Samhain, a noite em que o véu entre nosso mundo e o dos espíritos é mais fino), conjurou alguns espíritos de vampiros assustadores, e então perdeu controle deles, quando meu ex-namorado humano, Heath, apareceu procurando por mim. E eu não queria que ninguém mencionasse o que apenas algumas pessoas sabiam – que Heath estava procurando por mim porque eu provei o sangue dele e ele estava ficando fissionado por mim, algo que humanos fazem facilmente quando se envolvem com vampiros – mesmo vampiros calouros, para falar a verdade. Então e ex-líder das Filhas das Trevas, Aphrodite, perdeu totalmente o controle dos fantasmas e eles foram pegar Heath. Literalmente. Pior – eles também estavam agindo como se quisessem pegar um pedaço do resto de nós, também, incluindo o totalmente gostoso Erik Night, o vampiro que eu posso felizmente dizer que não é meu ex-namorado, mas que eu meio que tenho namorado, então ele é quase meu namorado. De qualquer forma, eu tive que fazer algo, então com a ajuda de Stevie Rae, Damien, e as Gêmeas, eu lancei meu próprio círculo, pegando o poder dos cinco elementos: vento, fogo, água, terra, e espírito. Usando minha afinidade para os elementos, eu consegui banir os fantasmas de volta para onde eles vivem (ou não vivem?). Quando eles foram embora eu tinha essas tatuagens novas, uma delicada coleção de redemoinhos safira que emolduravam meu rosto – totalmente raro para um mero calouro ter – e Marcas combinando intercalando com símbolos parecidos com runas em meus ombros, algo que nenhum calouro ou vampiro tinha.
Então Aphrodite foi exposta como uma péssima líder, fazendo Neferet demitir ela e me colocar no lugar. Consequentemente, eu também estava sendo treinada para ser uma Alta Sacerdotisa de Nyx, a deusa vampira, que é a personificação da Noite.
Nada disso cairia muito bem para o ultra religioso, ultra julgador John.
— Bem, ouve um pequeno acidente. O rápido pensamento de Zoey e bravura fizeram com que ninguém se machucasse, e ao mesmo tempo ela se conectou com a afinidade especial que ela ganhou de tirar energia dos cinco elementos. — O sorriso de Neferet era de orgulho e eu senti uma onda de felicidade com a aprovação dela. — A tatuagem é simplesmente um sinal do favor que ela encontrou com a deusa.
— O que você está dizendo é uma blasfêmia. — John falou com uma rígida e dura voz que conseguiu soar condescendente e irritada ao mesmo tempo. — Você está colocando a alma imortal em perigo.
Neferet virou seus olhos cor de musgo para ele. Ela não parecia irritada. Na verdade, ela parecia estar se divertindo.
— Você deve ser um dos Anciões das Pessoas de Fé.
O peito dele parecido como o de um pássaro se estufou. — Bem, sim, sim eu sou.
— Então vamos chegar a um entendimento rapidamente, Sr. Heffer. Eu não pensaria em chegar a sua casa, ou a sua igreja, e falar mal de suas crenças, embora eu discorde profundamente delas. Agora, eu não espero que você adore as nossas. Na verdade, eu nunca pensaria em te persuadir as minhas crenças, embora eu tenha um profundo compromisso com minha deusa. Então tudo que eu insisto é que você mostre a mesma cortesia que eu mostro a você. Quando estiver na minha ‘casa’, você respeita minhas crenças.
Os olhos de John ficaram maldosos em pequenas fendas e eu pude ver sua mandíbula se apertando e afrouxando.
— Seu jeito de vida é pecaminoso e errado — ele disse ferozmente.
— Diz o homem que admite adorar um Deus calunia o prazer, dá as mulheres papéis que são um pouco mais do que de servas e éguas, embora sejam a espinha dorsal da sua igreja, e procura controlar sua adoração através de culpa e medo. — Neferet riu suavemente, mas o som do humor e o não dito perigo nisso fez o cabelo do meu braço se arrepiar. — Cuidado em como julga os outros; talvez você devesse limpar sua própria casa primeiro.
O rosto dele corou, John sugou o ar e abriu sua boca para o que eu sabia que seria um feio sermão do quão certa estão suas crenças e o quão errada estão todas as outras, mas antes dele poder responder Neferet o cortou. Ela não ergueu a voz, mas de repente ela estava cheia do poder de uma Alta Sacerdotisa e eu tremi de medo, embora sua ira não estivesse direcionada para mim.
— Você tem duas escolhas. Você pode visitar a House of Night como um convidado, o que significa que você vai respeitar nossos costumes e manter seu desprezo e julgamento para si. Ou você pode ir embora e não voltar. Nunca. Decida agora. — As duas últimas palavras passaram contra a minha pele e eu tive que me forçar a não chorar. Eu notei que minha mãe estava olhando com olhos abertos e vidrados para Neferet, o rosto dela pálido como leite. O rosto de John tinha mudado de cor. Os olhos dele se estreitaram e suas bochechas estavam coradas com um nada atrativo vermelho.
— Linda — ele disse pelos dentes. — Vamos. — Então ele olhou para mim com tanto desgosto e ódio que eu literalmente dei um passo para trás. Eu quero dizer, eu sabia que ele não gostava de mim, mas até esse momento eu não tinha percebido o quanto. — Esse lugar é o que você merece. Sua mãe e eu não voltaremos. Você está por sua conta agora. — Ele virou e foi para a porta. Minha mãe hesitou, e por um segundo eu pensei que ela fosse dizer algo legal – como se ela se desculpasse dele – ou que ela sentisse minha falta – ou que eu não devesse me preocupar, ela voltaria não importava o que ele dissesse.
— Zoey, eu não acredito onde você se meteu agora. — Ela balançou a cabeça, e como sempre, seguiu John pra fora do quarto.
— Oh, querida, eu sinto tanto. — Vovó estava lá, instantaneamente me abraçando e sussurrando me ressegurando. — Eu vou voltar, minha pequena ave. Eu prometo. E estou muito orgulhosa de você! — Ela me segurou pelos ombros e então sorriu através das lágrimas. — Nossos ancestrais Cherokee estão orgulhosos de você também. Você foi tocada pela deusa, e você tem a lealdade de bons amigos — ela olhou para Neferet e adicinou, — e sábios professores. Algum dia você talvez aprenda a perdoar sua mãe. Até lá lembre-se que você é a filha do meu coração, u-we-tsi a-ge-hu-tsa. — Ela me beijou.
— Eu devo ir também. Eu dirigi nosso pequeno carro aqui, e eu vou deixá-lo para você, então devo voltar com eles. — Ela me entregou as chaves do antigo Bug. — Mas lembre-se sempre que amo você, Zoey Passarinha.
— Eu também te amo vovó — eu disse, e a beijei, abraçando ela com força e respirando fundo o cheiro dela como se pudesse segurar ele em meus pulmões e exalar ela devagar pelo próximo mês enquanto sentia a falta dela.
Eu observei ela ir embora, e não percebi que estava chorando até sentir as lágrimas rolarem do meu rosto até meu pescoço. Eu esqueci que Neferet estava parada ao meu lado, então pulei um pouco surpresa quando ela me entregou um lenço.
— Eu sinto muito por isso, Zoey — ela disse quietamente.
— Eu não. — Eu assoprei o nariz e limpei o rosto antes de olhar para ela. — Obrigado por enfrentar ele.
— Eu não queria mandar sua mãe embora também.
— Você não mandou. Ela escolheu seguir ele. Assim como ela tem feito a três anos. — Eu senti as quentes lágrimas ameaçando voltar na minha garganta e falei quietamente, as levando embora. — Ela costumava ser diferente. É idiota, eu sei, mas eu continuo esperando que ela volte a ser o que era antes. Mas nunca acontece. É como se ele tivesse matado minha mãe e colocado uma estranha no corpo dela.
Neferet pôs um braço ao meu redor. — Eu gostei do que sua avó disse – que talvez algum dia você possa encontrar a habilidade de perdoar sua mãe.
Eu olhei para a porta pelo qual os três tinham desaparecido. — Esse dia está longe.
Neferet apertou meu ombro simpaticamente.
Eu olhei para ela, tão feliz por ela ainda estar comigo, e eu desejei – pela milésima vez – que ela fosse minha mãe. Então lembrei o que ela tinha me dito quase um mês atrás, que a mãe dela tinha morrido quando ela era uma garotinha, e o pai abusava dela, física e mentalmente, até ela ser salva sendo Marcada.
— Você algum dia perdoou seu pai? — Eu perguntei tentadamente.
Neferet olhou para mim e piscou várias vezes, como se ela estivesse devagar voltando de uma memória que a levou para muito, muito longe. — Não. Não eu não o perdoei, mas quando penso nele agora é como se eu lembrasse da vida de outra pessoa. As coisas que ele fez comigo ele fez com uma criança humana, não uma Alta Sacerdotisa e vampira. E para uma Alta Sacerdotisa e vampira ele, como a maioria dos humanos, é completamente sem importância.
As palavras dela soaram fortes e seguras, mas eu olhei fundo nos seus lindos olhos verdes e vi o lampejar de algo velho e doloroso e definitivamente não esquecido, e me perguntei o quão honesta ela estava sendo consigo mesma...

7 comentários:

  1. Este Livro Me Lembra Muito Harry Potter...
    Ei, Esse Livro É Tão Conhecido, Pq Não Tem Tantos Comentários ?? Afff kkkkkkk

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  2. Previsível, já dá pra ver o que Neferet pretende com aqueles alunos que eram pra estar mortos (Elliott e Elizabeth). Ela não gosta dos humanos, tá na cara, acho que o que o pai dela fez com ela a deixou com esse ódio pelos humanos.

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  3. O John não cansa de ser um completo escroto? Sexta no Globo Repórter.

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  4. nossa vai livro vem livro e essa zoey continua chata.

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  5. Desde o primeiro livro tenho uma certa desconfiança de Neferet,odeio mais a mãe dela do que o john

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