25 de setembro de 2015

Epílogo - Escolha

Jacob Black

—Jacob, você acha que isso vai demorar muito mais?—, Leah quis saber. Impaciente. Chata.
Os meu dentes trincaram.
Como tido mundo no bando, Leah sabia de tudo. Ela sabia porque eu tinha vindo aqui - ao limite maior entre o céu e a terra e o mar.
Pra ficar sozinho. Ela sabia que era isso que eu queria. Só ficar sozinho.
Mas mesmo assim, Leah estava forçando a companhia dela a mim.
Além de estar loucamente chateado, eu me senti presumido por um breve segundo. Porque eu nem sequer tive que pensar em controlar o meu
pensamento. Era fácil agora, só uma coisa que eu fazia, natural. A neblina vermelha não cobria mais os meus olhos.
O calor não descia pela minha espinha. A minha voz estava calma enquanto eu respondia.
—Pule de um penhasco, Leah—, eu apontei para aquele aos meus pés.
—Sério, guri— Ela me ignorou, se jogando em uma espreguiçadeira no chão ao meu lado. —Você não faz ideia do quanto isso é duro pra mim—.
—Pra você?— Eu levei um minuto pra acreditar que ela estava falando sério. —Você tem que ser a pessoa mais auto-centrada do mundo, Leah.
Eu odiaria destruir o mundo de sonhos onde você vive - aquele onde o sol orbita no lugar onde você está - então eu não vou dizer o quanto eu ligo pouco
pra qual seja o seu problema. Vá embora.—
—Só olhe pra isso pela minha perspectiva por um segundo, tudo bem?— ela continuou como se eu não tivesse dito nada.
Se ela estava atentando acabar com o meu humor, funcionou. Eu comecei a rir. Esse som doeu de maneiras estranhas.
—Pare de roncar e preste atenção—, ela disparou.
—Se eu fingir que presto atenção, você vai embora?—, eu perguntei, olhando para a cicatriz permanente no rosto dela. Eu não tinha
mais certeza se ela tinha outras expressões.
Eu me lembrei dos tempos atrás quando eu costumava pensar que Leah era bonita, talvez até linda. Isso foi a um longo tempo atrás.
Agora ninguém mais pensava assim. Exceto Sam. Ele nunca ia se perdoar.Como se fosse culpa dele que ela se tornou essa louca amarga.
A careta dela esquentou, como se ela pudesse adivinhar o que eu estava pensando. Provavelmente podia.
—Isso está me deixando doente, Jacob. Será que você pode imaginar o que isso é pra mim? Eu nem sequer gosto de Bella
Swan. E você me fez sentir pesar por essa amante de sanguessuga como se eu estivesse apaixonada por ela também. Será que você pode ver onde
isso pode ser um pouco confuso? Eu sonhei que beijava ela na noite passada! O que diabos eu devo fazer sobre isso?—
—Eu me importo?—
—Eu não aguento mais estar na sua cabeça! Vê se esquece ela! Ela vai se casar com aquela coisa. Ele vai transformá-la em uma deles!
É hora de seguir em frente, garoto—.
—Cala a boca—, eu rosnei.
Seria errado devolver isso. Eu sabia. Eu estava mordendo a minha língua. Mas ela ia lamentar se ela não fosse embora. Agora.
—Provavelmente ele vai matá-la, de qualquer jeito—, Leah disse. Zombando. —Todas as histórias dizem que isso acontece com mais frequência
do que não acontece. Talvez um funeral vá ser um final melhor do que um casamento. Ha—.
Dessa vez eu tinha que trabalhar. Eu fechei meus olhos e lutei com o gosto quente na minha boca. Eu empurrei e lutei contra o fogo que estava descendo
pelas minhas costas, lutando pra me manter inteiro enquanto o meu corpo tentava se dividir.
Quando eu estava sob controle de novo, eu encarei ela. Ela estava observando as minhas mãos enquanto os tremores diminuíam.
Sorrindo.
Bela piada.
—Se você está chateada por causa de uma confusão de gênero, Leah...—, eu disse. Devagar, enfatizando cada palavra.
—Como é que você acha que a gente gosta de olhar pra Sam pelos seus olhos? Já é ruim o suficiente que Emily tenha que lidar com a sua fixação. Ela não precisa do resto de nós na cola deles também—.
Louco da vida como eu estava, eu ainda me senti culpado quando eu vi o espasmo de dor que passou pelo corpo dela.
Ela ficou de pé - pausando só pra cuspir na minha direção - e correu para as árvores, vibrando como se fosse um garfo se contorcendo.
Eu ri sombriamente. —Você perdeu—.
Sam ia colocar o inferno em cima de mim por isso, mas valia a pena. Leah não ia me incomodar mais. E eu faria aquilo de novo se tivesse a chance.
Porque as palavras dela ainda estavam lá, se arranhando no meu cérebro, a dor disso era tão forte que eu mal podia respirar.
Eu não me importava muito se alguém tivesse escolhido outra pessoa a mim. Essa agonia não era nada. Com essa agonia eu podia viver pro
resto da minha vida estúpida, longa, esticada.
Mas me importava que ela estivesse desistindo de tudo - que ela estava deixando o seu coração parar e a sua pele virar gelo e a mente dela
se contorcer na cabeça de algum predador cristalizado. Uma monstra. Uma estranha.
Eu teria pensado que não havia nada pior do que isso, nada mais doloroso no mundo inteiro.
Mas, se ele matasse ela...
De novo, eu tive que lutar com a raiva. Talvez, se não fosse por Leah, fosse bom deixar que o calor me transformasse
em uma criatura que conseguiria lidar melhor com isso. Uma criatura com instintos muito mais fortes do que as emoções humanas.
Um animal que não podia sentir a dor da mesma forma. Uma dor diferente. Uma variação, pelo menos. Mas Leah estava correndo agora,
e eu não queria compartilhar os pensamentos dela. Eu xinguei ela por baixo do meu fôlego pra usar isso como escapatória também.
A despeito de mim mesmo, minhas mãos estavam tremendo. O que estava fazendo elas tremerem? Raiva? Agonia? Eu não certeza do que eu
estava lutando agora.
Eu tinha que acreditar que Bella sobreviveria. Isso pedia confiança - uma confiança que eu não queria sentir, a confiança na capacidade daquele
sugador de sangue de mantê-la viva.
Ela devia ser diferente, e eu me perguntei como isso me afetaria. Seria o mesmo de que se ela estivesse morta, vê-la lá como uma pedra?
Como gelo? Será que o cheiro dela queimaria as minhas narinas e desencadearia o instinto de destroçar, de rasgar... Como seria isso?
Será que eu poderia matar ela? Será que eu poderia não querer matar um deles?
Eu observei as ondas rolando em direção à praia. Elas desapareciam de vista embaixo da beira do penhasco, mas eu ouvia elas batendo na areia.
Eu observei elas até que já era tarde, muito depois de escurecer.
Ir pra casa provavelmente era uma má ideia. Mas eu estava com fome, e eu não podia pensar em outro plano.
Eu fiz uma cara quando passei o meu braço pela tipóia retardada e peguei as minhas muletas. Se Charlie não tivesse me visto naquele dia e espalhado
história de —acidente de moto—. Suportes estúpidos. Eu odiava eles.
Ficar com fome começou a ficar com uma cara melhor quando eu entrei em casa e dei uma olhada na cara do meu pai. Ele estava com alguma coisa
em mente. Era fácil notar - ele sempre ficava exagerado. Agia todo casual.
Ele também falava demais. Ele estava tagarelando sobre o dia dele antes que eu chegasse na mesa. Ele nunca tagarelava assim a não ser que fosse uma
coisa que ele não queria dizer. Eu ignorei ele tão bem quanto podia, me concentrando na comida. Quando mais rápido eu mastigasse ela...
—... E Sue apareceu hoje— A voz do meu pai estava alta. Difícil de ignorar. Como sempre. —Mulher incrível. Aquela ali, é mais durona que ursos pardos.
No entanto, eu não sei como ela lida com aquela filha dela. Agora Sue, ela sim teria dado uma tremenda loba. Leah se parece mais com Wolverine—.
Ele gargalhou da sua própria piada.
Ele esperou brevemente pela minha resposta, mas não viu a minha expressão vazia, enfadada até onde não poder mais. Na maioria dos dias isso deixava
ele louco. Eu queria que ele calasse a boca sobre Leah. Eu estava tentando não pensar nela.
—Seth é muito mais fácil. É claro, você também foi mais fácil que as suas irmãs, até que... bem, você tem mais coisas com as quais lidar do que elas tiveram—.
Eu suspirei, longa e profundamente, e olhei pra fora pela janela.
Billy ficou quieto por um segundo longo demais. —Nós recebemos uma carta hoje—.
Eu podia notar que esse era o assunto que ele esteve evitando.
—Uma carta?—
—Um... convite de casamento—.
Todos os músculos do meu corpo se travaram. Uma pena de calor pareceu fazer cócegas nas minhas costas. Eu segurei a mesa pra manter minhas mãos
estáveis.
Billy continuou como se não tivesse percebido. —Há um bilhete dentro que está endereçado a você. Eu não li—.
Ele puxou um envelope grosso cor de marfim de onde ele havia sido enfiado entre a sua perna e a cadeira de rodas. Ele o colocou na mesa entre nós.
—Você provavelmente não precisa ler isso. Não importa muito o que ele diz—.
Estúpida psicologia reversa. Eu arranquei o envelope da mesa.
Era um papel pesado, um pouco rígido. Caro. Chique demais pra Forks. O cartão dentro era o mesmo, também cuidado e formal.
Bella não tinha nada a ver com isso. Não havia nenhum sinal de gosto pessoal nas camadas de páginas transparentes, pétalas-impressas.
Eu poderia apostar que ela não tinha gostado nem um pouco. Eu não li as palavras, nem sequer vi a data. Eu não me importava.
Havia um pedaço de papel marfim grosso dobrado no meio com o meu nome escrito à mão com uma tinta preta no fundo. Eu não reconhecia
a caligrafia, mas ela era tão chique quanto o resto. Por meio segundo, eu me perguntei se o sugador de sangue estava se regozijando.
Eu o abri.

Jacob,
Eu estou quebrando as regras ao te mandar isso. Ela está com medo de te magoar, e ela não queria que você se sentisse obrigado de forma alguma.
Mas eu sei que, se as coisas tivessem acontecido de outra forma, eu teria gostado de ter a escolha.
Eu prometo que tomarei conta dela, Jacob. Obrigado - por ela - por tudo.

Edward.

—Jake, nós só temos essa mesa—, Billy disse, olhando para a minha mão esquerda.
Os meus dedos estavam agarrando a madeira com força suficiente pra que ela realmente estivesse em perigo. Eu os soltei um a um, me concentrando
apenas nessa ação, e depois eu agarrei as minhas mãos uma na outra pra que eu não pudesse quebrar nada.
—É, de qualquer jeito, não importa—, Billy disse.
Eu me levantei da mesa, tirando a minha camisa enquanto me levantava. Esperançosamente, Leah já teria ido pra casa a essa hora.
—Não é muito tarde—, Billy murmurei enquanto eu socava a porta do meu caminho.
Eu já estava correndo antes de chegar nas árvores, as minhas roupas jogada atrás de mim como se fosse uma trilha de miolos - como se
eu quisesse encontrar o meu caminho de volta. Agora era quase demais me transformar. Eu não precisava pensar. O meu corpo já sabia pra
onde eu estava indo e, antes que eu pedisse por isso, ele me deu o que eu queria.
Agora eu tinha quatro pernas, e eu estava voando.
As árvores eram um borrão se transformando num mar negro ao meu redor. Os meus músculos se contraíam e se soltavam em um ritmo sem esforço.
Eu podia correr assim por dias e eu não ficaria cansado. Talvez, dessa vez, eu não fosse parar.
Mas eu não estava sozinho.
Eu lamento muito, Embry sussurrou na minha cabeça.
Eu podia ver através dos olhos dele. Ele estava muito longe, ao norte, mas ele havia se virado e estava correndo pra se juntar a mim.
Eu rosnei e me empurrei mais para a frente.
Espere por nós, Quil reclamou. Ele estava mais perto, só observando do lado de fora do vilarejo.
Me deixem sozinho, eu rosnei.
Eu podia sentir a preocupação deles na minha cabeça, e tentei muito me deixar mergulhar no som do vento e na floresta.
Isso era o que eu mais odiava - ver a mim mesmo pelos olhos deles, e era pior agora quando os olhos deles estavam cheios de pena.
Eles viram o ódio, mas continuaram correndo atrás de mim.
Uma nova voz soou na minha cabeça.
Deixem-no ir. O pensamento de Sam era suave, mas ainda era uma ordem. Embry e Quil diminuíram até que estavam andando.
Se eu apenas pudesse parar de ouvir, parar de ver o que eles viam. A minha cabeça estava tão lotada, mas a única forma de ficar sozinho de novo
era ser humano, e eu não conseguia aguentar a dor.
Transformem-se de volta, Sam se dirigiu a eles. Eu vou te buscar, Embry.
Primeiro uma, depois a outra consciência ficaram em silêncio. Restou apenas Sam.
Obrigado, eu consegui pensar.
Volte pra casa quando puder. As palavras eram fracas, caindo no vazio enquanto ele ia embora também.
E eu estava sozinho.
Muito melhor. Agora eu podia ouvir o leve murmúrio das folhas secas embaixo dos dedos dos meus pés, o sussurro das asas de uma
coruja acima de mim, o oceano - longe, longe à oeste - gemendo contra a praia. Ouvir isso, e nada mais. Sentir nada além da velocidade,
nada além dos músculos, tendões, e dos ossos, trabalhando juntos em harmonia enquanto os quilômetros desapareciam atrás de mim.
Se o silêncio na minha cabeça durasse, eu nunca mais voltaria. Eu não teria sido o primeiro a escolher essa forma a outra. Talvez, se eu corresse pra longe o suficiente, eu nunca teria que ouvir de novo...
Eu forcei mais as minhas penas, deixando Jacob Black desaparecer atrás de mim.

6 comentários:

  1. eu não esperava isso como epilogo, que fraco...

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  2. Jacob você NÃO vai ficar com a bela, mas isso não significa que ela não seja responsável pela pessoa que você vai amar!!

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    1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    2. Erika, ela ficou com raiva pq ele achou q ela ia machucar ela, que iria matar ela por causa de sede, e ele não queria deixar nem ela tocar direito na menina.

      Ps: Meu ponto de vista

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