25 de setembro de 2015

Capítulo 9 - Alvo

Alice me deixou em casa de manhã, pra manter a charada da festa do pijama. Não demoraria muito até que Edward aparecesse, oficialmente retornando da sua viagem de —caminhada—. Todas as farsas estavam começando a me cansar. Eu não ia sentir falta dessa parte de ser humana.
Charlie espiou pela janela da frente quando ele me viu bater a porta do carro. Ele acenou pra Alice, e depois foi abrir a porta pra mim.
—Você se divertiu?— Charlie perguntou.
—Claro, foi ótimo. Muito... garotas—.
Eu carreguei as minhas coisas pra dentro, amontoei todas elas no pé da escada, e fui para a cozinha pra procurar um lanche.
—Você tem uma mensagem—, Charlie falou atrás de mim.
No balcão da cozinha, o bloco de mensagens telefônicas estava aberto conspicuosamente contra uma panela de molho.
Jacob ligou, Charlie havia escrito. Ele disse que não teve a intenção, e que ele sente muito. Ele quer que você ligue pra ele. Seja boazinha e dê uma chance a ele. Ele parecia chateado.
Eu fiz uma careta. Geralmente Charlie não editava as minhas mensagens.
Jacob podia ir em frente e ficar chateado. Eu não queria falar com ele. Da última vez que eu tive notícias, eles não eram bons em aceitar ligações do outro lado. Se Jacob me preferia morta, então talvez ele devesse começar a se acostumar com o silêncio.
O meu apetite evaporou. Eu quase fiz uma careta e fui guardar as minhas coisas.
—Você não vai ligar pra Jacob?— Charlie perguntou. Ele estava se inclinando ao redor da parede da sala de estar, me observando recolher as coisas.
—Não—
Eu comecei a subir as escadas.
—Esse não é um comportamento muito atraente, Bella—, ele disse. —Perdoar é divino—.
—Cuide dos seus assuntos—, eu murmurei por baixo do fôlego, baixo demais pra ele ouvir.
Eu sabia que as roupas sujas estavam se acumulando, então, depois que eu guardei a minha pasta de dentes e joguei as minhas roupas sujas no cesto, eu fui desforrar a cama de Charlie. Eu deixei os lençóis dele em uma pilha no topo das escadas e fui buscar os meus.
Eu parei ao lado da cama, pendendo a minha cabeça de lado.
Onde estava o meu travesseiro? Eu fiz um círculo, vasculhando o quarto. Nada de travesseiro. Eu reparei que o meu quarto estava estranhamente arrumado. A camisa do meu moletom não tinha sido jogada no poste baixo da cama no encosto de pés? E eu podia jurar que havia um par de meias sujas atrás da cadeira de balanço, junto com uma blusa vermelha que eu tinha experimentado a duas manhãs atrás, mas eu decidi que era arrumada demais para a escola, e pendurei ela no braço... eu me virei de novo. O meu cesto não estava vazio, mas não estava transbordando, do jeito que eu pensava que estava.
Charlie estava lavando a roupa? Isso era fora do comum.
—Pai, você começou a lavar as roupas?—, eu gritei pela minha porta.
—Um, não—, ele gritou de volta, soando culpado. —Você queria que eu começasse?—
—Não, eu faço isso. Você estava procurando alguma coisa no meu quarto?—
—Não. Porque?—
—Eu não consigo encontrar... uma camisa...—
—Eu não estive aí—
E aí eu me lembrei que Alice havia estado aqui pra pegar os meus pijamas. Eu não percebi que ela havia levado o meu travesseiro também – provavelmente porque eu tinha evitado a cama. Parecia que ela tinha feito uma limpeza quando passou. Eu corei por causa da minha desorganização.
Mas a blusa vermelha não estava realmente suja, então eu fui salva-la do cesto.
Eu esperava encontrá-la perto do topo, mas ela não estava lá. Eu escavei a pilha inteira e mesmo assim não consegui encontrá-la. Eu sabia que provavelmente eu estava ficando paranóica, mas parecia que mais alguma coisa estava faltando, ou talvez mais de uma coisa. Ele não estava cheio nem pela metade.
Eu tirei os meus lençóis e fui para o armário da lavanderia, pegando os de Charlie no caminho. A máquina de lavar estava vazia. Eu chequei a secadora também, meio que esperando encontrar roupas lavadas esperando por mim, cortesia de Alice. Nada. Eu fiz uma careta, confusa.
—Você encontrou o que estava procurando?— Charlie gritou.
—Ainda não—.
Eu voltei lá pra cima pra procurar em baixo da minha cama. Nada além de coelhinhos de poeira. Eu comecei a procurar na minha cômoda. Talvez eu tivesse guardado a camisa vermelha e tivesse esquecido.
Eu desisti quando a campainha tocou. Devia ser Edward.
—A porta— Charlie me informou do sofá enquanto eu passei correndo por ele.
—Não fique tenso, pai—.
Eu abri a porta com um grande sorriso no rosto.
Os olhos dourados de Edward estavam arregalados, as narinas estavam infladas, seus lábios estavam puxados pra cima dos dentes.
—Edward?— a minha voz estava afiada com o choque enquanto eu li a expressão dele. —O que -?—
Ele colocou seus dedos nos meus lábios. —Me dê dois segundos—, ele sussurrou. —Não se mova—.
Eu fiquei congelada na porta e ele... desapareceu. Ele se moveu tão rapidamente que Charlie nem viu ele passar.
Antes que eu pudesse me recompor o suficiente pra contar até dois, ele estava de volta.
Ele colocou o braço ao redor da minha cintura e me puxou rapidamente em direção à cozinha. Os olhos dele vasculharam o espaço, e ele me segurou contra o seu corpo como se estivesse me protegendo de alguma coisa.
Eu joguei um olhar na direção de Charlie no sofá, mas ele estava estudiosamente nos ignorando.
—Alguém esteve aqui—, ele murmurou no meu ouvido depois de me puxar para o fundo da cozinha. A voz dele estava tensa; era difícil ouvi-lo com o barulho da máquina de lavar pratos.
—Eu juro que nenhum lobisomem –— eu comecei a dizer.
—Não um deles— ele me interrompeu rapidamente, balançando a cabeça. —Um de nós—.
O tom na voz dele deixou claro que não estava falando de um membro da família dele.
Eu senti o sangue escapando do meu rosto.
—Victoria?— eu botei pra fora.
—Não é um cheiro que eu reconheço.—
—Um dos Volturi—, eu adivinhei.
—Provavelmente—
—Quando?—
—É por isso que eu acho que foi um deles – não foi a muito tempo, cedo hoje de manhã enquanto Charlie estava dormindo. E quem quer que tenha sido não tocou nele, então deve ter sido por outro propósito—.
—Procurando por mim—.
Ele não respondeu. O corpo dele estava congelado, uma estátua.
—Sobre o que vocês dois estão cochichando?— Charlie perguntou suspeitosamente, virando na esquina com uma tigela de pipoca vazia nas mãos.
Eu fiquei verde. Um vampiro havia estado dentro de casa procurando por mim enquanto Charlie estava dormindo. O pânico me dominou, fechou minha garganta. Eu não consegui responder, eu só encarei ele horrorizada.
A expressão de Charlie mudou. Abruptamente, ele estava sorrindo. —Vocês dois estão brigando... bem, não me deixem interromper.—
Ainda sorrindo, ele colocou a sua tigela na pia e saiu da cozinha.
—Vamos—, Edward disse num voz dura e baixa.
—Mas Charlie!— O medo estava apertando o meu peito, tornando difícil respirar.
Ele pensou por um breve segundo, e então o telefone dele estava em sua mão.
—Emmett—, ele murmurou no receptor. Ele começou a falar tão rápido que eu não conseguia entender as palavras. Ele começou a me puxar em direção à porta.
—Emmett e Jasper estão a caminho—, ele sussurrou quando sentiu a minha resistência. —Eles vão vasculhar a floresta. Charlie está bem—.
Aí eu deixei ele me arrastar junto, em pânico demais pra pensar com clareza. Charlie encontrou os meus olhos amedrontados com um sorriso presumido, que de repente se transformou em confusão. Edward já tinha me levado porta afora antes que Charlie pudesse dizer qualquer coisa.
—O que nós vamos fazer?— eu não pude deixar de sussurrar, mesmo depois que já estávamos dentro do carro.
—Nós vamos falar com Alice— ele me disse, o volume de sua voz estava normal mas ela estava vazia.
—Você acha que talvez ela tenha visto alguma coisa?—
Ele olhou para a pista com os olhos apertados. —Talvez—.
Eles já estavam esperando por nós, alertados pela ligação de Edward. Era como entrar num museu, todos estavam imóveis como estátuas em várias poses de estresse.
—O que aconteceu—, Edward quis saber assim que passamos pela porta. Eu fiquei chocada ao ver que ele estava encarando Alice, as mãos dele nos pulsos com raiva.
Alice continuou com os braços cruzados no peito com força. Só os lábios dela se moveram. —Eu não faço ideia. Eu não vi nada—.
—Como isso é possível?—, ele assobiou.
—Edward— eu disse, uma baixa reprimenda. Eu não gostava dele falando com Alice desse jeito.
Carlisle interrompeu com um voz calmante. —Não é uma ciência exata, Edward—.
—Ele estava no quarto dela, Alice. Ele podia ainda estar lá – esperando por ela—.
—Eu teria visto isso—.
Edward jogou as mãos pra cima em exasperação. —Mesmo? Você tem certeza?—
A voz de Alice estava fria quando ela respondeu. —Você já me tem observando as decisões dos Volturi, observando a volta de Victoria, observando cada passo de Bella. Você quer acrescentar mais alguma coisa? Eu tenho que observar Charlie, ou o quarto de Bella, ou a casa, ou a rua inteira também? Edward, se eu fizer muita coisa, as coisas vão começar a sair do meu controle—.
—Parece que elas já estão—, Edward disparou.
—Ela nunca esteve em perigo. Não havia nada pra ver—.
—Se você estava vigiando a Itália, porque você não os viu mandar –—
—Eu não acho que sejam eles—, Alice insistiu. —Eu teria visto isso—.
—Quem mais teria deixado Charlie vivo?—
Eu estremeci.
—Eu não sei—, Alice disse.
—Ajudou—.
—Pare com isso, Edward—, eu sussurrei.
Ele virou pra mim, seu rosto ainda estava lívido, seus dentes estavam trincados. Ele me encarou por meio segundo, e depois, de repente, ele exalou. Os olhos dele arregalarem e a mandíbula dele relaxou.
—Você está certa, Bella. Me desculpe—, Ele olhou pra Alice. —Me perdoe, Alice. Eu não devia estar descontando em você. Isso foi indesculpável—.
—Eu entendo—, Alice o assegurou. —Eu também não estou feliz com isso—.
Edward respirou fundo. —Tudo bem, vamos ver isso logicamente. Quais são as possibilidades?—
Todo mundo pareceu descongelar ao mesmo tempo. Alice relaxou e se encostou nas costas do sofá. Carlisle caminhou lentamente em direção a ela, com os olhos distantes. Esme estava sentada no sofá em frente a Alice, cruzando as pernas no acento. Apenas Rosalie continuou sem se mover, de costas pra nós, olhando pela parede de vidro.
Edward me puxou para o sofá e eu me sentei perto de Esme, que mudou de posição pra passar o braço por mim. Ele segurou uma das minhas mãos apertada entre as duas dele.
—Victoria?— Carlisle perguntou.
Edward balançou a cabeça. —Não. Eu não conhecia o cheiro. Ele devia ser dos Volturi, alguém que eu nunca conheci..—
Alice balançou a cabeça. —Aro ainda não pediu a ninguém pra procurar por ela. Eu vou ver isso. Eu estou esperando por isso—.
Edward levantou a cabeça. —Você está esperando por uma ordem oficial—.
—Você acha que alguém está agindo por conta própria? Porque?—
—Ideia de Caius.— Edward sugeriu, o rosto dele endurecendo.
—Ou de Jane...—, Alice disse. —Os dois têm recursos para mandar um rosto desconhecido...—
Edward fez uma carranca. —E a motivação—.
—No entanto, isso não faz sentido—, Esme murmurou, alisando meu cabelo.
—Mas então qual é a intenção?— Carlisle meditou.
—Checar pra ver se eu ainda sou humana?—, eu adivinhei.
—Possível—, Carlisle disse.
Rosalie deu um suspiro, alto suficiente pra que eu ouvisse. Ela tinha descongelado, e o rosto dela estava virado expectantemente na direção da cozinha. Edward, por outro lado, parecia desencorajado.
Emmett entrou pela porta da cozinha, Jasper bem atrás dele.
—Foi embora há tempo, horas atrás—, Emmett anunciou, desapontado. —A trilha ia para o Leste, e depois para o Sul, e desaparecia ao lado da estrada. Um carro estava esperando—.
—Que falta de sorte—, Edward murmurou. —Se ele tivesse ido para o oeste... bem, seria bom para aqueles cachorros se fazerem úteis—.
Eu estremeci, e Esme esfregou o meu ombro.
Jasper olhou pra Carlisle. —Nenhum de nós reconheceu ele. Mas aqui—. Ele segurou uma coisa verde e amassada. Carlisle pegou dele e levou até o seu rosto. Eu vi, enquanto ele trocava de mãos, que era uma folha de samambaia partida. —Talvez você conheça o cheiro—.
—Não—. Carlisle disse. —Não é familiar. Não é alguém que eu já tenha conhecido—.
—Talvez nós estejamos olhando para isso da forma errada. Talvez seja uma coincidência...— Esme começou, mas parou quando viu as expressões incrédulas nos rostos dos outros.
—Eu não estou dizendo que é uma coincidência que um estranho tenha escolhida a casa de Bella pra fazer uma visita ao acaso. Eu quis dizer que talvez alguém esteja só curioso. O nosso cheiro está nela inteira. Será que ele estava se perguntando o que havia nos levado lá?—
—Porque ele não viria aqui, então? Se ele estava curioso?— Emmett quis saber.
—Você viria—, Esme disse com repentino sorriso de afeição. —O resto de nós não é tão direto. A nossa família é muito grande – ele ou ela pode ter estado assustado. Mas Charlie não foi ferido. Esse não precisa ser um inimigo—.
Só curioso. Como James e Victoria haviam estado curiosos, no começo? O pensamento de Victoria me fez estremecer, apesar de que a única coisa da qual eles tinham certeza era de que não era ela. Não dessa vez. Ela manteria o padrão obsessivo dela. Esse era outra pessoa, um estranho.
Eu estava lentamente me dando conta de que ao vampiros eram muito mais participantes desse mundo do que eu havia pensado. Quantas vezes os humanos normais passavam por eles, completamente inconscientes? Quantas mortes, obviamente reportadas como crimes e acidentes, eram realmente devido à sede deles? Quão lotado seria esse novo mundo quando eu me juntasse a ele?
O futuro sombrio mandou um frio pela minha espinha.
Os Cullen ponderaram as palavras de Esme com várias expressões. Eu podia ver que Edward não havia aceitado a teoria, e que Carlisle queria muito aceitar.
Alice torceu os lábios. —Eu não acho. O senso de horário foi perfeito demais... O visitante foi cuidadoso demais pra não estabelecer contato. Quase como se ele ou ela soubesse que eu podia ver...—
—Ele podia ter outras razões pra não fazer contato—, Esme lembrou ela.
—É realmente importante quem ele é?— eu perguntei. —Só a chance de que alguém estava procurando por mim... isso já não é razão suficiente? Nós não devíamos esperar até a formatura.—
—Não, Bella—, Edward disse rapidamente. —Isso não é tão ruim. Se você realmente estiver em perigo, nós vamos saber—.
—Pense em Charlie—, Carlisle me lembrou. —Pense em como iria machucá-lo se você desaparecesse—.
—Eu estou pensando em Charlie! É com ele que eu estou preocupada! E se o meu convidado estivesse com sede ontem? Enquanto eu estiver ao lado de Charlie, ele é um alvo também. Se alguma coisa acontecesse com ele, isso seria minha culpa!—
—Dificilmente, Bella—, Esme disse, alisando o meu cabelo de novo. —E nada vai acontecer com Charlie. Nós só teremos que ser mais cuidadosos—.
—Mais cuidadosos?—, eu repeti sem acreditar.
—Tudo vai ficar bem, Bella—, Alice prometeu; Edward apertou minha mão.
Eu podia ver, olhando pra todos os seus lindos rostos um a um, que nada que eu pudesse dizer ia fazê-los mudar de ideia.
A viagem pra casa foi silenciosa. Eu estava frustrada. Contra o meu melhor julgamento, eu ainda era humana.
—Você não estará sozinha por um segundo—, Edward prometeu enquanto me levava pra casa de Charlie. —Sempre haverá alguém lá. Emmett, Alice, Jasper...—
Eu suspirei. —Isso é ridículo. Eles vão ficar tão chateados, que eles mesmos terão que me matar, só pra ter algo pra fazer—.
Edward me deu um olhar amargo. —Hilário, Bella—.
Charlie estava de bom humor quando nós voltamos. Ele podia ver a tensão entre eu e Edward, e ele estava distorcendo as coisas. Ele me observou preparar o jantar dele com um sorriso presumido no rosto. Edward se desculpou por um momento, pra fazer um pouco de vigilância, eu presumi, mas Charlie esperou até que ele estivesse de volta pra me passar as minhas mensagens.
—Jacob ligou de novo—, Charlie disse assim que Edward estava na sala. Eu mantive o meu rosto tão vazio quanto o prato na frente dele.
—Isso é um fato?—
Charlie fez uma careta. —Não seja petulante, Bella. Ele parecia bem pra baixo—.
—Jacob está te pagando pra ser R.P, ou você é voluntário?—
Charlie murmurou incoerentemente pra mim até que a comida cortou o sua reclamação ranzinza.
Apesar dele não ter se dado conta, ele encontrou sua marca.
Minha vida estava parecendo muito com um jogo de dados agora – será que a próxima rodada traria olhos de cobra? E se alguma coisa acontecesse comigo? Parecia pior do que ser petulante, deixar Jacob se sentir culpado pelo que ele disse.
Mas eu não queria falar com ele com Charlie por perto, pra ter que observar cada uma das minhas palavras pra que nada escorregasse. Pensar nisso me fez ter inveja do relacionamento entre Jacob e Billy. Como devia ser fácil quando você não tinha segredos com a pessoa com a qual você vive.
Então eu ia esperar pela manhã. Eu provavelmente não ia dormir essa noite, afinal, e não ia doer deixar que ele se sentisse culpado por mais doze horas. Isso ia ser bom pra ele.
Quando Edward oficialmente foi embora pela noite, eu me perguntei quem estava lá fora de guarda, mantendo um olho em Charlie e eu. Eu me senti horrível por Alice ou quem quer que pudesse ser, mas ainda assim confortada. Eu tinha admitir que era legal, saber que eu não estava sozinha. E Edward voltou em tempo recorde.
Ele cantou pra que eu dormisse de novo e – consciente até mesmo na inconsciência de que ele estava lá – eu dormi livre de pesadelos.
De manhã, Charlie foi pescar com o Deputado Mark antes que eu estivesse acordada. Eu decidi fazer com que essa falta de supervisão fosse divina.
—Eu vou tirar Jacob do gancho—, eu avisei Edward depois que comi o meu café da manhã.
—Eu sabia que você ia perdoá-lo—, ele disse com um sorriso fácil. —Guardar rancores não é um dos seus muitos talentos—.
Eu revirei meus olhos, mas eu estava agradada. Realmente parecia que Edward havia superado aquela coisa de anti-lobisomem.
—Alô?—, uma voz sem graça disse.
—Jacob?—
—Bella!—, ele exclamou. —Oh, Bella, eu sinto muito!—, ele tropeçou nas palavras enquanto se apressava pra fazê-las sair. —Eu juro que não quis dizer aquilo. Eu só estava sendo estúpido. Eu estava com raiva – mas isso não é desculpa. Foi a coisa mais estúpida que eu já disse em toda a minha vida e eu sinto muito. Não fique com raiva de mim, por favor? Por favor. Eu ofereço servidão eterna – tudo o que você tem que fazer é me perdoar—.
—Eu não estou com raiva. Você está perdoado—.
—Obrigado—, ele disse ferventemente. —Eu não consigo acreditar que fui tão idiota—.
—Não se preocupe com isso – eu já estou acostumada—.
Ele riu, exuberante de alívio. —Venha aqui me ver—, ele implorou. —Eu quero acertar as coisas com você—.
Eu fiz uma careta. —Como?—
—Qualquer coisa que você quiser. Mergulho do penhasco—, ele sugeriu, rindo de novo.
—Oh, aí está uma ideia brilhante—.
—Eu te manteria segura—, ele prometeu. —Não importa o que você queira fazer—.
Eu olhei pra Edward. O rosto dele estava calmo, mas eu sabia que essa não era a hora.
—Agora não—.
—Ele não está muito feliz comigo, está?—, pelo primeira vez, a voz de Jacob estava mais envergonhada do que amarga.
—Esse não é o problema. Há... bem, há outro problema que é um pouco mais preocupante do que um lobisomem adolescente com mal humor...— eu tentei manter o meu tom de piada, mas isso não o enganou.
—O que há de errado?— ele quis saber.
—Um— eu não estava certa do que eu devia contá-lo.
Edward levantou a mão para o telefone. Eu olhei para o rosto dele cuidadosamente. Ele parecia calmo o suficiente.
—Bella?—, Jacob perguntou.
Edward suspirou, trazendo a mão mais pra perto.
—Você se importa em falar com Edward?— eu perguntei apreensivamente. —Ele quer falar com você—.
Houve uma longa pausa.
—Tudo bem—, Jacob concordou. —Isso vai ser interessante—.
Eu passei o telefone para Edward; eu esperei que ele pudesse ler o aviso nos meus olhos.
—Olá, Jacob—, Edward disse, perfeitamente educado.
Houve um silêncio. Eu mordi o meu lábio, tentando adivinhar o que Jacob iria responder.
—Alguém esteve aqui – não é um cheiro que eu conheço—, Edward explicou. —O seu bando encontrou algo novo?—
Outra pausa enquanto Edward acenava com a cabeça para si mesmo, sem surpresa.
—Aqui está o ponto crucial, Jacob. Eu não vou deixar Bella sair da minha vista até que eu tenha cuidado disso. Não é nada pessoal –—
Jacob interrompeu ele aí, e eu pude ouvir o ruído da voz no receptor. O que quer que fosse que ele estivesse dizendo, ele estava mais interessando do que antes. Eu tentei sem sucesso compreender as palavras.
—Você pode estar certo –—, Edward começou, mas Jacob estava discutindo de novo. Nenhum dos dois parecia estar com raiva, pelo menos.
—Essa é uma sugestão interessante. Nós estamos bastante interessados em renegociar. Se Sam for maleável—.
A voz de Jacob estava mais baixa agora. Eu comecei a morder a unha do meu polegar enquanto eu tentava ler a expressão no rosto de Edward.
—Obrigado—, Edward respondeu.
Aí Jacob disse alguma coisa que fez um expressão de surpresa atravessar o rosto de Edward.
—Eu havia planejado ir sozinho, na verdade—, Edward disse, respondendo a pergunta inesperada. —E deixar ela com os outros—.
A voz de Jacob cresceu como um beliscão, pra mim pareceu que ele estava tentando ser persuasivo.
—Eu vou tentar considerar isso objetivamente—, Edward prometeu. —Tão objetivamente quanto eu for capaz.—
A pausa foi mais curta dessa vez.
—Essa não é uma ideia muito ruim. Quando?... não, isso está bem. Eu gostaria de ter uma chance de seguir a trilha pessoalmente, do mesmo jeito. Dez minutos... Certamente—. Edward disse. Ele segurou o telefone pra mim. —Bella?—
Eu o peguei lentamente, me sentindo confusa.
—O que foi tudo isso?—, eu perguntei a Jacob, minha voz irritada. Eu sabia que era infantil, mas eu me senti excluída.
—Uma trégua, eu acho. Ei, me faça um favor—, Jacob sugeriu. —Tente convencer o seu sugador de sangue que o lugar mais seguro pra você ficar – especialmente quando ele vai embora – é na reserva. Nós seremos capazes de lidar com qualquer coisa—.
—Era isso que você estava tentando dizer pra ele?—
—Sim. Faz sentido. Charlie provavelmente também vai ficar melhor aqui. Tanto quanto for possível—.
—Coloque Billy na história—, eu concordei. Eu odiei estar colocando Charlie ao alcance encruzilhadas que sempre pareciam me ter no centro. —O que mais?—
—Só re-arrumando algumas fronteiras, pra que possamos pegar qualquer um que se aproxime de Forks. Eu não tenho certeza de que Sam vai aceitar isso, mas até que ele apareça, eu vou manter um olho nas coisas—.
—O que você quer dizer com ‘manter um olho nas coisas’?—
—Significa que se você vir um lobo correndo ao redor da sua casa, não atire nele—.
—É claro que não. Você realmente não deva fazer nada... arriscado, porém—.
Ele bufou. —Não seja estúpida. Eu posso tomar conta de mim mesmo—.
Eu suspirei.
—Eu também tentei convencê-lo a te deixar nos visitar. Ele tem preconceitos, então não deixe ele te convencer com aquela bobagem de segurança. Ele sabe tão bem quanto eu que você ficará segura aqui—.
—Eu manterei isso em mente—.
—Te vejo daqui a pouco—, Jacob disse.
—Você vai vir aqui?—
—É. Eu vou sentir o cheiro do seu visitante pra que nós possamos rastreá-lo quando ele voltar.
—Jake, eu realmente não gosto da ideia de você caçando...
—Oh, por favor, Bella—, ele interrompeu. Jacob riu, e aí desligou.

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