23 de setembro de 2015

Capítulo 8 - Port Angeles

Jess dirigiu mais rápido que um Ás do volante, então, chegamos a Port Angeles às quatro horas. Já fazia algum tempo desde a minha última noite das garotas e os meus estrogênios corriam soltos. Nós ouvimos músicas melosas de Rock enquanto Jéssica tagarelava sobre os garotos com os quais nós nos relacionávamos.
O jantar de Mike e Jéssica foi muito bem, e ela esperava que no Sábado eles já tivesse progredido para a fase do primeiro beijo. Eu sorri comigo mesma, satisfeita. Ângela estava passivamente feliz por estar indo ao baile, mas não necessariamente interessada em Eric. Jess tentou fazê-la confessar qual era o seu tipo de garoto, mas depois de um tempo eu interrompi com uma pergunta sobre vestidos, para poupá-la. Ângela olhou pra mim agradecida.
Port Angeles era uma linda armadilha para turistas, muito mais educada e pitoresca do que Forks. Mas Ângela e Jéssica a conheciam bem, então nós não perdemos tempo olhando o pitoresco mapa da cidade na baía. Jess dirigiu direto para uma grande loja de departamentos na cidade, que era a apenas algumas ruas da amigável baía para visitantes.
O baile era semiformal, e nós não tínhamos certeza do que isso significava. Tanto Ângela quanto Jéssica pareciam surpresas e um pouco descrentes quando eu falei pra elas que nunca tinha ido a um baile em Phoenix.
— Você nunca foi com um namorado ou alguma coisa assim? — Jess perguntou duvidosamente enquanto andávamos pelas portas da loja.
— De verdade. — Eu tentei convencer ela sem ter que revelar os meus problemas com dança.
— Eu nunca tive um namorado nem nada parecido. Eu não saía muito.
— Porque não? — Jéssica perguntou.
— Ninguém nunca me convidou. — Eu disse honestamente.
Ela pareceu cética.
— As pessoas te convidam aqui. — Ela me lembrou. — É você quem diz não.
Nós estávamos na seção de adolescentes agora, procurando nos cabides por roupas mais chiques.
— Bem, exceto Tyler. — Ângela respondeu quietamente.
— Como é? — Eu engasguei. — O que foi que você disse?
— Tyler está dizendo pra todo mundo que vai te levar para o baile de fim de ano. — Jéssica disse com olhos suspeitos.
— Ele disse o quê? — Parecia que eu estava sufocando.
— Eu te disse que não era verdade. — Ângela murmurou pra Jéssica.
Eu estava em silêncio, ainda num estado de choque que estava rapidamente se transformando em irritação. Mas nós tínhamos que encontrar as drogas dos vestidos, e tínhamos muito trabalho á fazer.
— É por isso que Lauren não gosta de você. — Jéssica deu uma risadinha enquanto procurávamos as roupas.
Eu apertei meus dentes.
— Você acha que se eu o atropelasse com meu carro ele pararia de se sentir culpado por causa do acidente? Será que ele vai parar de tentar me recompensar e achar que estamos quites?
— Talvez. — Jéssica deu uma fungou. — Se é por isso que ele está te chamando.
A seção de vestidos não era muito grande, mas elas duas encontraram alguns vestidos para experimentar. Eu sentei em uma cadeira baixa dentro de um dos provadores, perto de um espelho de três faces, tentando controlar a minha fúria.
Jess estava dividida entre dois, um longo, tomara que caia preto básico e outro na altura do joelho de um azul elétrico com alcinhas finas. Eu encorajei ela a ficar com o azul. Porque não realçar os olhos? Ângela escolheu um vestido rosa claro que destacava bem o seu corpo alto e que destacava a cor de mel dos seus cabelos castanho-claros. Eu cumprimentei as duas generosamente e ajudei a colocar os vestidos rejeitados de volta nos cabides. O processo foi muito mais curto e fácil do que as compras que eu fazia com Renée quando estava em casa.
Eu acho que existe algo a ser dito sobre escolhas limitadas.
Nós fomos para a seção de sapatos e acessórios. Enquanto elas provavam as coisas, eu simplesmente olhava e criticava, sem a menor vontade de comprar algo, apesar de estar precisando de sapatos novos. A irritação com Tyler estava acabando com a minha noite das garotas, me deixando com vontade de voltar pra casa.
— Ângela? — Eu comecei hesitante enquanto ela experimentava um sapato de tiras e de salto alto cor de rosa, ela estava mais que contente por um par alto o suficiente que a permitisse usar salto.
Jéssica estava no balcão das joias e nós estávamos sozinhas.
— Sim? — Ela levantou a perna balançando o tornozelo pra ter uma visão melhor do sapato.
Eu me intrometi.
— Eu gostei desse.
— Acho que vou ficar com esse, apesar de não ter nada que combine com ele além desse vestido. — Ela meditou.
— Oh, vá em frente, eles estão em liquidação. — Encorajei.
Ela sorriu, colocando a tampa em outra caixa com sapato branco.
Eu tentei de novo.
— Uhn, Ângela...
Ela olhou pra cima curiosa.
— É normal para... Os Cullen — eu mantive meus olhos nos sapatos —ficar muito tempo fora de escola?
Eu falhei miseravelmente na minha tentativa de parecer desinteressada.
— Sim, quando o clima está bom eles vão acampar sempre, até o médico. Eles gostam muito de atividades ao ar livre.
Ela me disse quietamente, examinando os sapatos também. Ela não fez nem sequer uma pergunta, quanto mais às milhares de perguntas que Jéssica teria feito. Eu realmente estava começando a gostar de Ângela.
— Oh.
Mudei de assunto quando Jéssica voltou da joalheria com uma coisa que ela encontrou pra combinar com os seus sapatos prateados.
Nós planejávamos jantar num pequeno restaurante Italiano na rua principal, mas as compras não demoraram tanto quanto esperávamos. Jess e Ângela foram colocar as suas compras de volta no carro e depois iam descer á baia. Eu disse que me encontraria com elas no restaurante dentro de uma hora, queria encontrar uma livraria. Elas duas estavam querendo vir comigo, mas eu encorajei as duas a irem se divertir, elas não sabiam o quanto eu podia ficar ocupada quanto estava cercada de livros, era algo que eu preferia fazer sozinha. Elas voltaram para o carro conversando alegremente, eu fui à direção que Jess me apontou.
Eu não tive problemas para achar a livraria, mas não era bem aquilo que eu estava procurando.
As janelas estavam cheias de cristais, apanhadores de sonhos, e livros sobre cura espiritual. Eu nem entrei. Pela janela podia ver uma mulher de cinquenta anos com um longo cabelo cinza que ela usava solto, usando um vestido que parecia ser dos anos sessenta, sorrindo saudosamente por detrás do balcão. Decidi que essa era um conversa que eu podia adiar. Tinha que ter uma livraria normal na cidade.
Eu vaguei pelas ruas, que estavam lotadas com o trânsito do fim de um dia de trabalho, e rezei pra estar indo para o centro da cidade.
Não estava prestando tanta atenção em pra onde eu estava indo quanto devia, eu estava lutando contra o desespero. Estava tentando tanto não pensar nele, e no que Ângela disse... E mais do que tudo, tentando acabar com as minhas esperanças em ralação á Sábado, temendo que a decepção fosse mais dolorosa que o resto, quando olhei pra cima eu vi o Volvo de alguém estacionado na rua e aquilo me arranhou por dentro.
Vampiro estúpido e idiota. Pensei comigo mesma.
Eu me dirigi ao sul, em direção a algumas lojas com vitrines de vidro que pareciam promissoras. Mas quando eu cheguei lá, elas eram só lojas de reparo e espaços vazios.
Ainda tinha muito tempo antes de precisar ir encontrar Ângela e Jéssica, e definitivamente estava precisando controlar o meu humor antes de me encontrar com elas. Eu passei a mão pelos meus cabelos e respirei fundo algumas vezes antes de virar a esquina.
Comecei a perceber, enquanto cruzava outra rua, que eu estava indo na direção errada. O pouco trânsito que eu estava vendo, estava se dirigindo a norte, e parecia que aqui, a maioria dos prédios eram depósitos. Eu decidi virar á leste e depois de algumas ruas eu virei e tentei a sorte de encontrar algum mapa da cidade.
Um grupo de quatro homens virou na esquina que eu ia entrar, vestidos casualmente demais pra estarem vindo do trabalho, mas eles também não tinham cara de ser turistas.
Enquanto eles se aproximavam de mim, percebi que não eram muito mais velhos do que eu. Estavam fazendo piadas uns com os outros em voz alta, rindo estridentemente e esmurrando os braços uns dos outros. Eu me mantive tão longe quanto a calçada me permitiu para dar espaço a eles, caminhando devagar, olhando sempre na direção da esquina.
— Ei, você! — Um deles chamou quando eles passaram.
Eles tinham que estar falando comigo já que não havia mais ninguém por perto. Eu olhei pra cima automaticamente. Dois deles haviam parado, os outros dois tinham desacelerado. O mais próximo, um homem pesado, com cabelos escuros, na casa dos vinte, parecia ter sido o homem que falou. Ele estava usando uma camisa de flanela em cima de uma camiseta suja, jeans curtos, e sandálias. Ele deu meio passo na minha direção.
— Olá. — Murmurei, meus joelhos começaram a tremer em resposta.
Então olhei na outra direção e comecei a andar para a esquina o mais rápido que eu conseguia. Podia ouvi-los rindo muito alto atrás de mim.
— Ei, espere! — Um deles me chamou, mas eu baixei minha cabeça e dei a volta na esquina com um suspiro de alívio.
Ainda podia ouvir eles me seguindo.
Eu me vi numa calçada que levava para os fundos de vários armazéns, cada um deles com portas enormes para os caminhões que viessem descarregar, todos fechados porque estava anoitecendo. O lado sul da rua não tinha calçada, só alguns elos com ferros protegendo a passagem de algum depósito de partes de motor. Eu estava na parte de Port Angeles que eu, como visitante, não queria ver.
Me dei conta de que estava ficando escuro, as nuvens finalmente voltando, enchendo o horizonte, criando uma espécie de por do sol adiantado. O horizonte ainda esta claro, mas ficando cinzento, e com listras laranja e cor de rosa. Eu deixei minha jaqueta no carro, e um arrepio repentino me fez cruzar os braços com força na frente do meu peito. Uma única van passou por mim, e então a rua estava deserta.
O céu estava repentinamente escuro, e quando eu olhei pra trás pra ver as nuvens que se formavam, percebi com um choque, que eu estava sendo seguida por dois homens, á menos de vinte passos de distância de mim.
Eles eram do mesmo grupo que tinha passado por mim na esquina, mas nenhum deles era o de cabelo escuro que tinha falado comigo. Eu virei minha cabeça rapidamente, apressando meus passos. Um arrepio que não tinha nada a ver com o frio passou pelo meu corpo. Minha bolsa estava sobre um ombro, entrelaçada no meu corpo, do jeito que se deve usar quando de quer evitar um assalto. Eu sabia exatamente onde o meu spray de pimenta estava, numa mala que eu nunca desfiz, embaixo da minha cama. Não tinha muito dinheiro comigo, uns vinte dólares, ou um pouco mais, eu pensei em derrubá-la "acidentalmente" e continuar andando. Mas uma vozinha assustada na minha cabeça estava me avisando que aqueles homens pareciam ser algo pior que só assaltantes.
Eu escutei atentamente os seus passos, que eram muito mais quietos comparados ao tumulto que eles estavam fazendo essa tarde, não parecia que eles estavam andando mais rápido, ou se aproximando de mim.
Respire, eu lembrei para mim mesma. Você não sabe se eles estão te seguindo. Eu continuei a andar o mais rápido que podia sem correr, me concentrando na entrada á direita que estava a apenas alguns metros de distância de mim. Podia ouvi-los, tão longe quanto antes. Um carro virou na esquina passando rapidamente por mim. Eu pensei em me jogar na frente dele, mas hesitei, inibida sem saber se eles estavam realmente me seguindo, então era tarde demais.
Eu alcancei a esquina, mas me bastou uma olhada rápida para que eu percebesse que era apenas mais uma entrada de carros nos fundos de um dos armazéns.
Eu dei uma meia volta antecipadamente, tive que me apressar e correr pela rua, de volta para a calçada. A rua acabava na próxima esquina, onde havia uma placa de "pare". Eu me concentrei nos passos fracos atrás de mim, decidindo se eu devia correr ou não. Eles, porém, não pareciam estar muito atrás, e eles poderiam me alcançar muito facilmente de qualquer jeito. Eu tinha certeza que ia cair e me espatifar se eu tentasse andar mais rápido. Os passos definitivamente pareciam estar mais pra trás.
Eu me arrisquei a dar uma rápida olhadinha por cima do ombro, e eles estavam seguramente a uns quarenta passos atrás de mim agora, percebi aliviada. Mas eles estavam me encarando.
Pareceu que se passaram horas antes que eu alcançasse a esquina. Mantive o passo firme, os homens atrás de mim ficando mais pra trás a cada passo. Talvez eles tenham se dado conta de que estavam me assustando e se arrependeram. Eu vi dois carros indo na direção norte na rua pra onde eu estava indo, eu respirei aliviada. Haveria mais pessoas por perto assim que eu saísse daquela rua deserta. Virei na esquina com um suspiro agradecido. Quase escorreguei quando tive que parar.
A rua estava alinhada dos dois lados com paredes vazias, sem portas ou janelas. Eu podia ver distantemente, duas ruas abaixo, ruas iluminadas, carros e mais pedestres, mas eles estavam muito longe.
Saindo de um prédio no lado oeste, no meio da rua, estavam os outros dois homens do grupo, os dois me observando com sorrisos excitados enquanto eu ficava paralisada na calçada.
Percebi que não estava sendo seguida.
Eu estava sendo guiada.
Pausei por um segundo, mas pareceu um longo tempo. Eu me virei e tentei voltar pelo outro lado da rua. Tinha o leve pressentimento de que era uma tentativa inútil. Os passos atrás de mim estavam mais altos agora.
— Aí está você! — A voz estrondosa do homem grande, de cabelo escuro quebrou o silêncio intenso, me fazendo pular.
Na escuridão, parecia que ele estava olhando por cima de mim.
— É. — Uma voz respondeu alto atrás de mim, me fazendo pular de novo enquanto eu tentava correr pela rua. — Nós pegamos um pequeno desvio.
Meus passos tiveram que desacelerar. Eu estava fazendo a distância entre mim e eles diminuir ainda mais rapidamente. Eu tinha um bom grito, muito alto, suguei o ar me preparando para usá-lo, mas minha garganta estava tão seca que eu não tinha muita certeza em relação ao volume que ele sairia.
Com um movimento rápido, eu tirei a bolsa pela cabeça, segurando-a com uma mão, me preparando para entregá-la ou usá-la como arma se fosse necessário.
O homem mais magro se desencostou da parede e começou a avançar vagarosamente pela rua.
— Fique longe de mim. — Avisei numa voz que deveria ter sido forte e destemida. Mas eu estava certa em relação a minha garganta, nada de volume.
— Não seja assim, docinho. — Ele falou e as risadas recomeçaram atrás de mim.
Eu me recompus, tentando lembrar-me, apesar do pânico, das poucas técnicas de defesa pessoal que eu sabia. Peito da mão no nariz, que deve com alguma sorte quebrar o nariz dele ou enfiá-lo pra dentro do cérebro. Dedo na cavidade do olho tente enfiar o dedo por dentro do olho e arrancá-lo da órbita.
E o joelho de praxe na virilha, é claro. Aquela vozinha pessimista na minha cabeça de novo, me dizia que eu não chance nem sequer contra um deles, eles eram quatro.
Cala a boca!
Eu ordenei á voz antes que o terror me deixasse incapacitada. Não ia me machucar sem machucar alguém também. Eu tentei engolir pra dar um grito decente.
Faróis apareceram de repente na esquina, o carro quase atingindo o homem forte, forçando-o a pular na direção da calçada. Eu corri para o meio da rua, esse carro ia parar, ou teria que me atingir.
Mas o carro prateado inesperadamente deu um cavalo de pau, parando em cima da calçada com a porta do passageiro aberta a apenas alguns passos de distância de mim.
— Entre. — Uma voz furiosa ordenou.
Foi impressionante como instantaneamente o medo havia desaparecido, incrível como de repente a sensação de segurança me inundou, mesmo antes de eu estar fora da rua, assim que eu ouvi a voz dele. Pulei pra dentro do carro fechando a porta atrás de mim.
Estava escuro dentro, nenhuma luz se acendeu quando a porta abriu, e eu mal podia ver o seu rosto pelo brilho fraco do painel.
Os pneus cantaram quando ele virou para o norte, acelerando muito, desviando dos homens abismados na rua. Eu tive uma breve visão deles se atirando na calçada enquanto acelerávamos na direção do porto.
— Ponha o seu cinto de segurança. — Ele comandou, e eu percebi que estava me agarrando no banco com as duas mãos.
Obedeci rapidamente, o clique do cinto se conectando era alto na escuridão.
Ele fez uma curva estreita na esquerda, correndo em frente, avançando muitos sinais vermelhos sem parar, mas eu me sentia extremamente segura e, no momento, completamente despreocupada com o lugar pra onde estávamos indo. Olhei para o rosto dele profundamente aliviada, um alívio que ia além das palavras.
Estudei o seu rosto perfeito na luz limitada, esperando minha respiração voltar ao normal, até que eu percebi que a sua expressão estava assustadoramente zangada.
— Você está bem? — Eu estava surpresa de ver como a minha voz estava áspera.
— Não. — Ele disse curtamente, seu tom estava lívido.
Eu sentei em silêncio, observando o seu rosto enquanto os seus olhos reluziam sempre olhando para frente, até que o carro parou bruscamente.
Olhei ao redor, mas estava escuro demais para vez alguma coisa além da linha de árvores que se estendiam pelo acostamento.
Nós não estávamos mais na cidade.
— Bella. — Ele me chamou a voz apertada, controlada.
— Sim? — Minha voz ainda estava áspera.
Eu tentei limpar a minha garganta silenciosamente.
— Você está bem? — Ele ainda não estava me olhando, mas a fúria estava claramente visível no rosto dele.
— Sim. — Eu respondi suavemente.
— Por favor, me distraia. — Ele ordenou.
— Perdão, o que você disse?
Ele respirou agudamente.
— Fale sobre alguma coisa sem importância até que eu me acalme. — Ele esclareceu, fechando os olhos e apertando o nariz com os dedos polegar e indicador.
— Uhn... —Vistoriei meu cérebro à procura de algo trivial. — Vou atropelar Tyler Crowley amanhã depois da aula.
Ele ainda estava apertando os olhos, mas os seus lábios se curvaram.
— Por quê?
— Ele está dizendo a todo mundo que vai me levar no baile de fim de ano, ou ele é louco, ou ainda está tentando se desculpar por quase ter me... Bom, você lembra, ele acha que o baile vai melhorar as coisas. Então eu achei que se colocasse a vida dele em risco, ele acharia que estamos quites e não teria que ficar tentando se redimir. Eu não preciso de inimigos, e Lauren vai parar de me perseguir se ele me deixar em paz. Eu posso acabar destruindo o carro dele. Se ele estiver sem carro não vai poder levar ninguém ao baile... — Tagarelei.
— Eu ouvi alguma coisa sobre isso. — Ele falou um pouco mais recomposto.
—Você ouviu? — Perguntei sem acreditar, já sentindo uma ponta de irritação. — Se ele estiver paralisado do pescoço pra baixo, ele também não vai poder ir para o baile. — Eu cochichei redefinindo o meu plano.
Edward suspirou e finalmente abriu os olhos.
— Melhor?
— Na verdade não.
Eu esperei, mas ele não falou mais nada. Ele se inclinou no banco, olhando para o teto do carro. Seu rosto estava rígido.
— Qual é o problema? —Minha voz saiu num suspiro.
— Às vezes eu tenho problemas com o meu temperamento, Bella. — Ele também estava falando baixinho, e quando olhou pela janela, seus olhos se transformaram em duas linhas. — Mas não seria de grande ajuda se eu voltasse até lá e caçasse aqueles... — Ele não terminou a frase, olhando pra longe, lutando por um momento pra controlar sua raiva. — Pelo menos, — ele continuou —é disso que eu estou tentando me convencer.
— Oh. —A palavra pareceu inadequada, mas eu não consegui pensar em uma resposta melhor.
Nós ficamos em silêncio de novo. Olhei para o relógio no painel. Já eram mais de seis e meia.
— Jéssica e Ângela vão ficar preocupadas. — Murmurei. — Eu tinha que me encontrar com elas.
Ele ligou o motor sem dizer outra palavra, dando a volta suavemente e correndo em direção á cidade. Nós estávamos de volta ás luzes da cidade sem demora nenhuma, ainda indo rápido demais, desviando sem dificuldade dos outros carros passando na rua. Ele parou ao lado de uma vaga que eu achei pequena demais para o Volvo, mas conseguiu estacionar sem dificuldade na primeira tentativa.
Eu olhei pra fora pra ver as luzes do La Bella Itália. Jess e Ângela que estavam acabando de sair, caminhando ansiosamente na direção contrária á nós.
— Como você sabia onde... — Eu comecei, mas então balancei a cabeça. Eu ouvi a porta se abrindo e me virei pra ver ele saindo.
— Pra onde você tá indo? — Eu perguntei
— Te levando pra jantar. — Ele sorriu levemente, mas seus olhos estavam duros.
Saiu do carro e bateu a porta. Eu apalpei o banco e depois me apressei pra sair do carro também. Ele estava esperando por mim na calçada.
Falou antes que eu tivesse a chance.
— Vá parar Jéssica e Ângela antes que eu tenha que caçar elas duas também. Eu não acho que vou conseguir me controlar se esbarrar em um dos seus amigos de novo.
Eu tremi com o tom de ameaça na voz dele.
— Jess! Ângela! — Eu chamei por elas, acenando quando se viraram.
Elas voltaram correndo, o alívio aparecendo nos rostos e nas vozes das duas se transformou em surpresa quando elas viram quem estava ao meu lado. Elas pararam a poucos metros de distância de nós.
— Onde você esteve? — A voz de Jéssica estava cheia de suspeita.
— Eu me perdi. — Admiti envergonhada. — E aí eu esbarrei em Edward. — Fiz um gesto em direção a ele.
— Estaria tudo bem se eu me juntasse a vocês? — Ele perguntou numa voz sedosa, irresistível.
Eu podia ver as duas cambaleando e percebi que ele nunca havia usado os seus talentos com elas antes.
— Er... Claro. — Jéssica respirou.
— Na verdade, Bella, nós já comemos enquanto esperávamos você, desculpa. — Ângela confessou.
— Tudo bem, eu não estou com fome. — Levantei os ombros.
— Eu acho que você devia comer alguma coisa. — A voz de Edward estava baixa, mas cheia de autoridade.
Ele olhou para Jéssica e falou um pouco mais alto.
— Vocês se incomodam se eu levar Bella esta noite? Assim vocês não vão precisar esperar enquanto ela come.
— Hum, sem problema, eu acho... — Ela mordeu o lábio, tentando descobrir pela minha expressão se eu queria ou não. Eu pisquei pra ela. Não havia nada que eu quisesse mais do que ficar sozinha com o meu eterno salvador. Havia tantas perguntas, mas eu não podia bombardeá-lo até que estivéssemos sozinhos.
— Ok. — Ângela foi mais rápida que Jéssica. — Te vejo amanhã, Bella... Edward.
         Ela agarrou a mão de Jéssica e puxou ela em direção ao carro, que estava parado a apenas alguns metros dali, na Avenida principal.
Enquanto elas entravam no carro, Jess se virou e acenou a expressão dela cheia de curiosidade. Eu acenei de volta, esperando que elas fossem embora antes de me virar para encará-lo.
— Honestamente, eu não estou com fome. — Eu insisti, olhando pra cima para examinar seu rosto. Sua expressão era ilegível.
Ele entrou pela porta do restaurante e segurou a porta aberta pra mim com uma expressão obstinada. Eu passei por ele entrando no restaurante com um suspiro de resignação.
O restaurante não estava lotado, não era alta estação em Port Angeles.
A maitre era mulher, e eu entendi a expressão no seu olhar enquanto ela assessorava Edward. Ela o recebeu um pouco mais educadamente do que era necessário, fiquei surpreendida de ver o quanto isso me incomodou. Ela era vários centímetros mais alta que eu, e o louro do cabelo dela não era nem um pouco natural.
— Mesa pra dois. — A voz dele era fascinante, fosse intencional ou não.
Eu a vi olhar pra mim e afastar o olhar, obviamente feliz por eu ser tão comum, e pela cautelosa distância que Edward mantinha entre nós.
Ela nos guiou para uma mesa grande o suficiente para quatro pessoas no centro da área mais cheia do restaurante.
Eu estava quase me sentando, quando Edward balançou a cabeça pra mim.
— Talvez algo mais particular? — Ele insistiu para a maitre.
Não tinha certeza, mas podia jurar que o vi dar uma gorjeta na mão dela. Eu nunca tinha visto uma pessoa recusar uma mesa antes, exceto nos filmes antigos.
— Claro. —Ela parecia tão surpresa quanto eu estava. Virou-se e nos guiou até umas cabines – todas vazias. — Que tal isto?
— Perfeito. — Ele deu um dos seus sorrisos encantadores, deixando ela momentaneamente deslumbrada.
— Uhn, — ela balançou a cabeça — seu garçom virá em um instante.
Ela foi embora descompassada.
— Você não devia fazer isso com as pessoas. — Eu critiquei. — Não é muito justo.
— Fazer o que?
— Deslumbrar as pessoas desse jeito, ela deve estar hiperventilando na cozinha nesse exato momento.
Ele pareceu confuso.
— Ah, qual é. — Eu falei duvidosamente. — Você tem que saber o efeito que causa nas pessoas.
Ele inclinou a cabeça para um lado, os olhos curiosos.
— Eu deslumbro as pessoas?
— Você nunca percebeu? Acha que todo mundo consegue o que quer assim tão fácil?
Ele ignorou as minhas perguntas.
— Eu deixo você deslumbrada?
— Frequentemente. — Admiti.
E então a nossa garçonete apareceu, o rosto cheio de expectativa. A maitre definitivamente havia falado sobre ele, e essa garota nova não parecia decepcionada. Ela colocou uma mecha curta de cabelo preto atrás da orelha e sorriu pra ele com um entusiasmo desnecessário.
— Olá, meu nome é Amber, e eu vou servi-los essa noite. O que vocês desejam beber? — Eu não deixei de notar que ela estava falando só com ele.
Ele olhou pra mim.
— Eu vou beber uma coca. —Pareceu que eu estava perguntando.
— Duas cocas. —Ele disse.
— Eu volto logo pra trazer. — Ela assegurou pra ele com outro sorriso desnecessário. Mas ele não viu. Ele estava olhando pra mim.
— O que foi? — Eu perguntei quando ela foi embora.
Seus olhos estavam fixados no meu rosto.
— Como você está se sentindo?
— Eu estou bem. – Respondi surpresa com a intensidade da pergunta.
— Você não está sentindo náusea, tontura, frio?
— Eu devia?
Ele sorriu do meu tom confuso.
— Bem, na verdade eu ainda estou esperando você entrar em choque.
O rosto dele se contorceu num sorriso perfeito
— Eu não acho que isso vai acontecer. — Disse depois que eu consegui respirar de novo. — Eu sempre fui boa em reprimir sentimentos desagradáveis.
— Dá na mesma você vai se sentir melhor quando tiver um pouco de açúcar e comida no seu sangue.
Bem na hora, a garçonete apareceu com as nossas bebidas e uma cestinha de pães de alho. Ela ficou de costas pra mim enquanto colocava as coisas em cima da mesa.
— Vocês estão prontos para fazer o pedido? —Ela perguntou a Edward.
— Bella?
Ela virou sem muita vontade na minha direção.
Eu escolhi a primeira coisa que apareceu no cardápio.
— Uhn... Eu vou querer o ravióli de cogumelos.
— E você? — Ela se virou pra ele sorrindo.
— Nada pra mim. — Ele disse.
É claro.
— Me avise se você mudar de ideia. — O sorriso educado ainda estava lá, mas os olhos dele não estavam mais prestando atenção, e ela foi embora insatisfeita.
— Beba. — Ele ordenou.
Eu dei um gole no refrigerante obedientemente, e depois outro gole mais fundo, surpresa de ver o quanto eu estava com sede. Só percebi que eu já havia acabado com o copo inteiro quando ele passou o copo dele pra mim.
— Obrigada. — Cochichei, ainda com sede. O frio do refrigerante passou pelo meu peito, e eu tremi.
— Você está com frio?
— É só o refrigerante. — Expliquei, tremendo de novo.
— Você não tem um casaco? —A voz dele era desaprovadora.
— Sim. — Eu olhei para a cadeira vazia. – Oh, eu deixei no carro de Jéssica. — Percebi.
Edward já estava tirando o casaco dele. De repente eu me dei conta de que eu nunca prestei atenção no que ele estava vestindo, não só essa noite, mas nunca. Eu simplesmente não parecia ser capaz de desviar os olhos do rosto dele. Eu me obriguei a olhar agora, me concentrando. Ele estava tirando um casaco de couro bege claro, por baixo ele usava um suéter marfim.
Ficava perfeito nele, enfatizando como o seu peito era musculoso.
Ele me passou o casaco, atrapalhando as minhas observações.
— Obrigada. — Disse de novo, colocando o casaco dele.
Estava frio, como o meu casaco estava quando eu o vesti pela manhã. Eu tremi de novo. O cheio era delicioso. Inalei, tentando identificar a deliciosa essência. Não parecia ser perfume. As mangas eram grandes demais, tive que colocá-las pra trás para libertar minhas mãos.
— Essa cor fica linda em você. — Disse, me observando.
Eu estava surpresa. Olhei pra baixo, corando, é claro.
Ele empurrou o cesto de pães na minha direção.
— Sério, eu não vou entrar em choque. — Eu protestei.
— Você deveria, uma pessoa normal entraria. Você nem parece estar nervosa. — Ele parecia agitado.
Me olhou nos olhos. Percebi como os olhos dele estavam claros, mais claros do que eu jamais tinha visto, como um uísque dourado.
— Eu me sinto segura com você. — Confessei, hipnotizada.
Isso pareceu desagradá-lo, o centro entre as suas sobrancelhas ficou enrugado. Ele balançou a cabeça fazendo cara de bravo.
— Isso é mais complicado do que eu planejava. — Ele murmurou pra si mesmo.
Peguei um pão e comecei a dar uma mordidinha na ponta, medindo a expressão dele. Eu imaginei se essa seria a hora pra começar a fazer perguntas pra ele.
— Geralmente você está com um humor melhor quando seus olhos estão tão claros. — Comentei, tentando distraí-lo do que quer que fosse que estivesse deixando ele tão pensativo e sombrio.
Ele me encarou, aturdido.
— O quê?
— Seu humor sempre está pior quando seus olhos estão pretos, já reparei. —Continuei. — Eu tenho uma teoria sobre isso.
Ele revirou os olhos.
— Mais teorias?
— Uhum. — Mastiguei um pequeno pedaço de pão, tentando parecer indiferente.
— Espero que você tenha sido criativa dessa vez... Ou você continua roubando-as de histórias em quadrinhos? — O sorriso dele era de zombaria, mas seus olhos estavam apertados.
— Bom, não, não peguei de uma história em quadrinhos, mas também não fui eu que inventei. — Confessei.
— E? — Ele apontou.
Mas nessa hora a garçonete apareceu trazendo minha comida. Percebi que nós dois estávamos inconscientemente inclinados sobre a mesa um na direção do outro, porque nós dois sentamos retos quando ela se aproximou. Ela colocou o prato na minha frente, parecia estar bom, e se virou rapidamente para Edward.
— Você mudou de ideia? — Ela perguntou. — Não tem nada que eu possa te oferecer? — Eu posso ter imaginado o duplo sentido das palavras dela.
— Não, obrigado, mas mais refrigerante seria bom. — Ele fez um gesto com a longa mão branca para os dois copos vazios na minha frente.
— Claro. — Ela removeu os dois copos vazios e foi embora.
— O que você estava dizendo? — Ele perguntou.
— Eu te conto no carro. Se... — Pausei.
— Tem condições? — Ele ergueu uma sobrancelha, a voz maliciosa.
— Eu tenho algumas perguntas, é claro.
— É claro.
A garçonete voltou com outros dois copos de refrigerante. Dessa vez ela os colocou na mesa sem uma palavra sequer e foi embora.
Eu tomei um gole.
— Bem, vá em frente. — Ele instigou, com voz ainda estava dura.
Eu comecei com a pergunta menos exigente.
— O que você está fazendo em Port Angeles?
Ele olhou pra baixo, cruzando suas longas mãos lentamente em cima da mesa. Os seus olhos brilharam por baixo dos cílios, a leve sombra de um sorriso brincando em seus lábios.
— Próxima.
— Mas essa é a mais fácil. — Reclamei.
— Próxima. — Ele repetiu.
Eu olhei pra baixo, frustrada.
Desenrolei os talheres, peguei meu garfo, e cuidadosamente espetei um ravióli. Coloquei na boca lentamente, ainda olhando pra baixo, mastigando enquanto pensava. Os cogumelos estavam bons.
Eu engoli e bebi outro gole da coca antes de olhar pra cima.
— Tudo bem, então. — Eu olhei pra ele, e continuei vagarosamente. —Digamos, hipoteticamente é claro, que... Alguém pudesse saber o que as pessoas pensam, ler mentes sabe, com algumas exceções.
— Só uma exceção.  — Ele corrigiu. — Hipoteticamente.
— Tudo bem, uma exceção, então. — Eu estava contentíssima que ele estava brincando comigo, mas tentei parecer casual. — Como isso funciona? Quais são as limitações? Como poderia... Essa pessoa... Achar outra pessoa na hora exata? Como ele poderia saber que ela estava com problemas? — Eu imaginei se as perguntas consecutivas estavam fazendo algum sentido.
— Hipoteticamente? — Ele perguntou.
— Claro.
— Bem, se... Essa pessoa...
— Vamos chamá-lo de Joe. — Sugeri.
Ele sorriu.
— Joe, então. Se Joe estivesse prestando atenção, a hora não precisaria ser tão exata. — Ele balançou a cabeça, revirando os olhos.
— Só você poderia se meter em encrencas numa cidade tão pequena. Você teria mudado as estatísticas criminalísticas por décadas, sabia?
— Estávamos falando de um caso hipotético.
Ele sorriu pra mim.
— Sim, estávamos. — Ele concordou. — Podemos chamar você de Jane?
— Como é que você sabia? — Eu perguntei de uma vez, sem conseguir controlar a minha intensidade.
Me dei conta de que estava me inclinando pra ele de novo.
Ele pareceu vacilar, dividido com algum dilema interno. Seus olhos se prenderam aos meus, e eu percebi que ele estava decidindo naquele momento se era melhor me contar a verdade de vez ou não.
— Você pode confiar em mim. — Murmurei.
Eu avancei, sem pensar, para tocar suas mãos entrelaçadas, mas ele as afastou na hora então eu me afastei.
— Eu não sei mais se tenho outra escolha. — A voz dele era mais um murmúrio. — Eu estava enganado, você é muito mais observadora do que pensava.
— Eu pensei que você estivesse sempre certo.
— Eu costumava estar. — Ele balançou a cabeça de novo. — Eu estava errado em relação á outra coisa, também. Você não é um imã para acidentes, essa não é uma classificação abrangente o suficiente. Se existir alguma coisa perigosa num raio de dez quilômetros de distância, ela vai invariavelmente encontrar você.
— E você se inclui nessa categoria? — Adivinhei.
Seu rosto ficou frio, sem expressão.
— Inquestionavelmente.
Eu estiquei minha mão sobre a mesa de novo, dessa vez eu não me inibi quando ele puxou a mão levemente, para tocar as costas das suas mãos timidamente com as pontas dos meus dedos. Sua mão era fria e dura, como uma pedra.
— Obrigada. — Minha voz estava fervendo de gratidão. — Já foram duas vezes.
O rosto dele se suavizou.
— Não vamos tentar uma terceira, está bem?
Eu fiz uma careta, mas afirmei com a cabeça. Ele tirou as mãos de baixo das minhas, colocando-as embaixo da mesa. Mas se inclinou na minha direção.
— Eu te segui até Port Angeles. — Ele admitiu, falando depressa. — Nunca tentei manter uma pessoa específica viva, e é muito mais trabalhoso do que eu imaginava. Mas isso provavelmente é porque a pessoa é você. Pessoas normais parecem conseguir viver um dia sem tantas catástrofes. — Ele pausou.
Eu imaginei se eu deveria estar com raiva por ele estar me seguindo, mas ao invés disso eu sentia uma enorme sensação de prazer. Ele me encarou, talvez imaginando porque meus lábios estavam se curvando num sorriso involuntário.
— Você já parou pra pensar que talvez eu estivesse marcada pra morrer naquele dia, como a van, e que você está interferindo no meu destino? — Eu especulei, tentando me distrair.
— Aquela não foi a primeira vez. — Ele disse. Sua voz era difícil de ouvir. Eu olhei pra ele assombrada, mas ele estava olhando pra baixo. — Você estava marcada para morrer na primeira vez que nos vimos.
Eu senti um espasmo de medo com essas duas últimas palavras, e lembrei-me do seu violento olhar negro naquele primeiro dia... Mas a incrível sensação de segurança que eu sentia ao lado dele fez o medo ir embora. Quando ele olhou para os meus olhos, não havia nenhum traço de medo neles.
— Você se lembra? — Seu rosto angelical estava agravado.
— Sim. — Eu estava calma.
— E mesmo assim você está aqui. — Havia um traço de descrença na voz dele, ele ergueu uma sobrancelha.
— É, aqui estou eu... por sua causa. — Parei. — Porque, de alguma forma você sabia como me encontrar hoje. — Eu lembrei.
Ele apertou os lábios, os olhos pensativos, decidindo de novo.
Ele olhou para o prato cheio na minha frente, e de volta pra mim.
— Você come, eu falo. — Ele barganhou.
Eu rapidamente espetei outro ravióli e coloquei na boca.
— É mais difícil do que devia ser manter um olho em você. Normalmente eu consigo achar uma pessoa muito facilmente, se eu já tiver ouvido a mente deles antes.
Ele me olhou ansiosamente, e eu percebi que estava petrificada. Eu me forcei a engolir, então peguei mais ravióli e coloquei na boca.
— Eu estava projetando a minha atenção em Jéssica, sem muito cuidado, como eu disse, só poderia arrumar problemas em Port Angeles, no início eu não tinha percebido que você tinha ido por outro caminho. Então me dei conta que você não estava mais com ela, e fui te procurar na livraria que havia na mente dela. Eu podia ver que você não tinha entrado e que tinha ido para o sul... E eu sabia que você logo teria que dar a volta. Então eu fiquei esperando por você, procurando pelos pensamentos das pessoas que passavam na rua, pra ver se alguém tinha reparado em você e assim eu pudesse te procurar. Não tinha motivos para estar preocupado, mas eu estava estranhamente ansioso... —Ele estava perdido em pensamentos, olhando pra mim, mas vendo coisas que eu nem podia imaginar. — Eu comecei a dirigir em círculos, ainda... Escutando. O sol estava finalmente se pondo, e eu estava me preparando pra te procurar a pé. E então... — Ele parou, arranhando os dentes, com uma fúria repentina. Ele fez um esforço para se acalmar.
— Então o que? —Murmurei.
Ele continuou a olhar por cima da minha cabeça.
— Eu ouvi o que eles estavam pensando. — Ele grunhiu, seu lábio superior se curvando lentamente sobre os seus dentes. — Eu vi o seu rosto na mente dele. — Ele se inclinou para frente de repente, um cotovelo aparecendo por cima da mesa, a mão cobrindo os olhos. O movimento foi tão rápido que me surpreendeu.
— Foi muito... Difícil, você não tem ideia do quanto foi difícil pra mim, simplesmente te tirar de lá, e deixá-los... Vivos. — A voz dele estava abafada pelo seu braço. — Eu podia ter te deixado ir com Jéssica e Ângela, mas eu estava com medo de que se você me deixasse sozinho, eu fosse procurar por eles. — Ele admitiu num murmúrio.
Eu sentei quieta, ofuscada, meus pensamentos incoerentes. Minhas mãos estavam cruzadas no meu colo, e eu estava apoiada fracamente no encosto da cadeira. Ele ainda estava com o rosto na mão, estava tão imóvel que parecia uma escultura de pedra.
Finalmente ele olhou pra cima, seus olhos procurando os meus, cheio com as suas próprias perguntas.
— Você está pronta pra ir pra casa? — Ele perguntou.
— Eu estou pronta pra ir. — Disse, agradecida que ainda tínhamos uma longa hora na volta pra casa.
Eu ainda não estava pronta pra dizer adeus pra ele.
A garçonete apareceu como se tivesse sido chamada. Ou como se estivesse espionando.
— Como estamos? — Ela perguntou para Edward.
— Nós queremos a conta, obrigado. — A voz dele estava baixa, mais forte, ainda refletindo a conversa que tínhamos acabado de ter.
Ela pareceu assustada. Ele olhou pra cima esperando.
— C-claro. — Ela gaguejou. — Aqui está.
Ela puxou um caderninho de couro do bolso do avental dela e entregou para ele.
Já havia uma nota na mão dele. Ele a colocou dentro do caderninho e entregou de volta pra ela.
— Sem troco. — Ele sorriu e ficou de pé, enquanto eu tentava me equilibrar nos meus pés.
Ela sorriu calorosamente pra ele de novo.
— Tenha uma boa noite.
Ele não olhou pra ela quando agradeceu. Eu tentei não sorrir. Ele andou ao meu lado, perto de mim até a porta, mas ainda tomando cuidado pra não me tocar. Eu me lembrei do que Jéssica havia dito sobre o seu relacionamento com Mike, como eles estavam quase no estágio do primeiro beijo. Eu suspirei. Edward pareceu me ouvir, e olhou pra baixo curioso. Eu olhei para a calçada, agradecida por ele supostamente não ser capaz de saber o que eu estava pensando
Ele abriu a porta do passageiro, segurando ela pra mim enquanto eu entrava no carro, estarrecida, mais uma vez, com o quanto ele era gracioso. Eu provavelmente já devia estar acostumada – mas não estava. Eu tinha o pressentimento de que Edward era uma pessoa com a qual eu nunca me acostumaria.
Dentro do carro, ele ligou o motor e colocou o aquecedor no máximo. Tinha esfriado muito, e eu achava que o bom clima estava chegando ao fim. Mesmo assim, estava aquecida no casaco dele, aspirando o cheiro dele quando eu achava que ele não estava olhando.
Edward se enfiou no trânsito, aparentemente sem olhar, e fez uma volta pra ir para a autoestrada.
— Agora. — Ele disse significantemente. — É a sua vez.

8 comentários:

  1. O filme é totalmente diferente do livro... Parabéns por seu trabalho.

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  2. Tem razão . É BEM diferente .
    Assi: Apaixonada por livros.

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  3. verdade, no filme ela é besta e sem atitude no livro não, e ele é bem mais misterioso, inteligente e bonito.

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  4. O nome do capítulo é Port Angeles não Port Angels

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    1. Nossa tem tanta coisa que foi mudada no,filme tipo o livro é muito mais interessante o filme ficou mto bosta tem,umas cenas mto nada a ver no filme aff

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    2. Compensa ler o livro que conta detalhe por detalhe... E é melhor do que o filme...

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  5. O filme é completamente diferente do filme. Estou simplesmente amando 😍😍

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