25 de setembro de 2015

Capítulo 8 - Mau gênio

Nós acabamos na praia de novo, andando sem rumo. Jacob ainda estava cheio de si por ter arquitetado a minha fuga.
—Você acha que eles vão vir aqui te procurando?— ele perguntou, soando esperançoso.
—Não—, eu tinha certeza disso. —No entanto, eles vão estar furiosos comigo essa noite—.
Ele pegou uma pedra e a atirou nas ondas. —Então não volte—, ele sugeriu de novo.
—Charlie ia amar isso—, eu disse sarcasticamente.
—Eu aposto que ele não ia se incomodar—.
Eu não respondi. Jacob estava certo, e isso me fez apertar os meus dentes. A preferência clara que Charlie tinha pelos meus amigos Quileute era tão injusta. Eu me perguntei se ele pensaria a mesma coisa se soubesse que a escolha de verdade estava entre vampiros e lobisomens.
—Então qual é o último escândalo do bando?— eu perguntei levemente.
Jacob parou no ato, e olhou pra mim com olhos chocados.
—O que? Isso foi uma piada—.
—Oh—, ele olhou pra longe.
Eu esperei que ele falasse de novo, mas ele pareceu perdido em pensamentos.
—Há um escândalo?— eu imaginei.
Jacob gargalhou uma vez. —Eu tinha esquecido como é, estar perto de uma pessoa que sabe de tudo o tempo inteiro. Ter um lugar quieto, privado, na minha cabeça—.
Nós caminhamos lado a lado na praia cheia de pedras por alguns minutos.
—Então o que é?— eu perguntei finalmente. —Que todo mundo na sua cabeça já sabe?—
Ele hesitou por um momento, como se não estivesse muito certo de como me dizer. Aí ele suspirou, e disse —Quil teve um imprinting. Agora são três. O resto de nós está começando a ficar preocupado. Talvez seja mais comum do que nas histórias que elas contam...— Ele fez uma careta, e aí se virou pra me encarar
Ele me olhou nos olhos sem falar, as sobrancelhas dele estavam enrugadas de concentração.
—O que você tá olhando?— eu perguntei, me sentindo intimidada.
Ele suspirou. —Nada—.
Jacob começou a caminhar de novo. Sem parecer pensar no que fazia, ele pegou a minha mão. Nós andamos silenciosamente pelas rochas.
Eu pensei no que estávamos parecendo caminhando de mãos dadas pela praia - com um casal, certamente - e me perguntei se eu deveria me opor. Mas as coisas sempre foram desse jeito com Jacob... Não havia razão pra ficar preocupada com isso.
—Porque Quil ter um imprinting é um escândalo tão grande?— eu perguntei, quando não parecia que ele ia continuar. —É porque ele é o mais novo?—
—Isso não tem nada a ver—.
—Então qual é o problema?—
—É outra daquelas coisas de lenda. Eu me pergunto, quando é que vamos parar de nos surpreender por elas serem todas verdadeiras?— ele murmurou pra sí mesmo.
— Você vai me contar? Ou eu vou ter que adivinhar?
— Você nunca adivinharia. Entenda, Quil não tem saído muito conosco, sabe, até recentemente. Então, ele não tinha estado na casa de Emily com frequência.
— O imprinting de Quil foi com Emily também? — eu ofeguei.
— Não! Eu disse que você não ia adivinhar. Emily está recebendo as duas sobrinhas em visita... e Quil conheceu Claire.
Ele não continuou. Eu pensei nisso por um momento.
— Emily não quer a sobrinha dela com um lobisomem? Isso é um pouco de hipocrisia — eu disse.
Mas eu podia entender porque ela, entre todas as pessoas, se sentia dessa forma. Eu pensei de novo nas longas cicatrizes que marcavam o rosto dela e que se estendiam em todo o seu braço direito. Sam só havia perdido o controle uma vez quando estava perto demais dela. Uma vez foi tudo o que precisou... Eu tinha visto a dor nos olhos de Sam quando ele olhou o que ele havia feito com Emily. Eu podia entender porque Emily ia querer proteger a sobrinha dela daquilo.
— Será que você pode parar de tentar adivinhar por favor? Você está errada. Emily não se importa com essa parte, é só que, bem, é um pouco cedo.
— O que você quer dizer com cedo?
Jacob me olhou com os olhos apertados.
— Tente não fazer julgamentos, tudo bem?
Eu balancei a cabeça cautelosamente.
— Claire tem dois anos — Jacob me disse.
A chuva começou a cair. Eu pisquei furiosamente enquanto as gotas caíam no meu rosto.
Jacob esperou em silêncio. Ele não estava usando casaco, como sempre; a chuva deixou uma trilha de pontos escuros na camisa preta dele, e encharcou o seu cabelo que estava pingando. O rosto dele estava sem expressão enquanto ele observava o meu.
— Quil... teve um imprinting... com uma garota de dois anos de idade? — eu finalmente fui capaz de perguntar.
— Isso acontece — Jacob levantou os ombros. Ele abaixou pra pegar outra pedra e a fez sair voando através da baía. — Ou pelo menos isso é o que as histórias dizem.
— Mas ela é um bebê — protestei.
Ele olhou pra mim com um divertimento negro.
— Quil não vai envelhecer — ele me lembrou, com um pouco de ácido em seu tom. — Ele só vai ter que ser paciente por algumas décadas.
— Eu... não sei o que dizer.
Eu estava fazendo o meu melhor pra não ser crítica, mas, na verdade, eu estava horrorizada. Até agora, nada sobre os lobisomens haviam me incomodado desde o dia que eu descobri que não eram eles que estavam cometendo os assassinatos como eu havia suspeitado.
— Você está fazendo julgamentos — ele acusou. — Eu posso ver no seu rosto.
— Me desculpe — eu murmurei. — Mas isso soa muito esquisito.
— Não é bem assim, você entendeu tudo errado — Jacob defendeu o amigo, repentinamente veemente. — Eu vi como é, pelos olhos dele. Não há absolutamente nada romântico nisso, não pra Quil, não por enquanto — rle respirou fundo, frustrado. — É difícil descrever. Não é como se fosse amor à primeira vista, na verdade. É mais como... ação da gravidade. Quando você a vê, de repente não é mais a terra que está te segurando aqui. Ela te segura. E nada importa mais do que ela. E você faria qualquer coisa por ela, seria qualquer coisa por ela... Você se torna qualquer coisa que ela precisa que você seja, seja o protetor dela, ou um amante, ou um amigo, ou um irmão. Quil será o melhor irmão mais velho e o mais gentil que alguém já teve. Não existe um bebê que seja mais bem cuidado do que aquela garotinha será. E depois, quando ela for mais velha e precisar de um irmão, ele será mais compreensivo, confiável e presente do que qualquer pessoa que ela conheça. E depois, quando ela for adulta, eles serão tão felizes quanto Emily e Sam.
— Claire não tem uma escolha aqui?
— É claro. Mas porque ela não o escolheria, afinal? Ele será o par perfeito pra ela. Como se ele tivesse sido inventado só pra ela.
Nós caminhamos em silêncio por um momento, até que eu parei pra atirar uma pedra no oceano. Ela caiu na praia ha muitos metros antes da água. Jacob riu.
— Nós não podemos ser todos sinistramente fortes — eu murmurei.
Ele suspirou.
— Quando você acha que isso vai acontecer com você? — perguntei rapidamente.
A resposta dele foi vazia e imediata.
— Nunca.
— Isso não é uma coisa que você pode controlar, é?
Ele ficou em silêncio por alguns minutos. Inconscientemente, nós dois caminhamos mais devagar, quase sem nos mover.
— Não deve ser — ele admitiu. — Mas você tem que vê-la - aquela que supostamente foi feita pra você.
— E você acha que só porque você não a viu ainda, que ela não está por aí? — perguntei ceticamente. — Jacob, você não viu muito do mundo – menos que eu, até.
— Não, eu não vi — ele disse em uma voz baixa. Ele olhou para os meus olhos com olhos repentinamente penetrantes. — Mas eu nunca vou ver mais ninguém, Bella. Eu só vejo você. Mesmo quando eu fecho os meus olhos e tento pensar em outra coisa. Pergunte a Quil e Embry. Isso os deixa loucos.
Eu deixei os meus olhos caírem para as pedras.
Nós não estávamos caminhando mais. O único som vinha das ondas se batendo nas costas de rochas. Eu não consegui ouvir a chuva acabar com o seu ronco.
—Talvez seja melhor eu ir pra casa—, eu sussurrei.
—Não!— ele protestou, surpreso com essa conclusão.
Eu olhei pra ele e os seus olhos estavam ansiosos agora.
—Você tem o dia inteiro de folga, não tem? O sugador de sangue não vai estar em casa ainda—.
Eu o encarei.
—Sem intenção de ofender—, ele disse rapidamente.
—Sim, eu tenho o dia todo. Mas, Jake...
Ele levantou as mãos.
—Perdão — ele se desculpou. —Eu não vou ser mais assim. Eu vou só ser Jacob.
Eu suspirei.
— Mas isso é o que você está pensando...
— Não se preocupe comigo — ele insistiu, sorrindo com alegria proposital, brilhante demais. — Eu sei o que eu estou fazendo. É só me dizer se eu estiver aborrecendo você.
— Eu não sei...
— Vamos, Bella. Vamos voltar pra casa e pegar as nossas motos. Você tem que andar na moto regularmente pra não perder o costume.
—Eu realmente não acho que eu tenho permissão.
— De quem? De Charlie ou do sugad... dele?
— De ambos.
Jacob sorriu o meu sorriso, e de repente ele era o Jacob do qual eu mais tinha saudade, ensolarado e cálido.
Eu não pude deixar de rir de volta.
A chuva diminuiu, se transformou em um chuvisco.
— Eu não vou contar pra ninguém — ele prometeu.
— Exceto a todos os seus amigos.
Ele balançou a cabeça sobriamente e ergueu a mão direita.
— Eu prometo que não vou pensar nisso.
Eu sorri.
— Se eu me machucar, foi porque eu tropecei.
— O que você disser.
Nós andamos nas nossas motos nas estradas de La Push até que a chuva as deixou com muita lama e Jacob insistiu que ia desmaiar se não comesse nada rápido.
Billy me saudou facilmente quando nós chegamos na casa, como se a minha aparição repentina não significasse nada mais complicado do que eu querendo passar um dia com o meu amigo. Depois que nós comemos os sanduíches que Jacob fez, nós saímos para a garagem e eu o ajudei a limpar as motos. Eu não tinha estado aqui ha meses - desde que Edward havia retornado - mas não havia nenhuma sensação de importância nisso. Era só uma outra tarde na garagem.
—Isso é legal— eu comentei quando ele tirou os refrigerantes quentes do saco de papel da mercearia. —Eu senti falta desse lugar—.
Ele sorriu, olhando para as telhas de plástico juntas acima das nossas cabeça. —É. Eu posso entender isso. Todo o esplendor do Taj Mahal, sem a inconveniência das despesas de uma viagem à Índia—.
—Ao pequeno Taj Mahal de Washington—, eu brindei, levantando a minha lata.
Ele tocou a sua lata na minha.
—Você se lembra do último Dia dos Namorados? Eu acho que aquela foi a última vez que você esteve aqui - a última vez em que as coisas estavam... normais, eu quero dizer.—
Eu rí. —É claro que eu me lembro. Eu troquei uma vida de servidão por uma caixinha em formato de coração. Isso não é uma coisa que eu ache provável esquecer—.
Ele riu comigo. —É isso aí. Hmm, servidão. Eu vou ter que pensar em alguma coisa boa—. Aí ele suspirou. —Parece que já fazem anos. Uma outra era. Uma era mais feliz—.
Eu não podia concordar com ele. Essa era a minha era feliz agora. Mas eu fiquei surpresa por me dar de quantas coisas eu sentia falta das minhas próprias eras negras. Eu olhei para a abertura na floresta cheia de musgos. A chuva estava mais forte de novo, mas estava quente na pequena garagem, sentada perto de Jacob. Ele era tão bom quanto uma lareira.
Os dedos dele alisaram a minha mão. —As coisas realmente mudaram—
—É— Eu disse, e aí eu me inclinei e dei um tapinha no pneu de trás da minha moto. —Charlie costumava gostar de mim. Eu espero que Billy não o conte nada sobre hoje...— eu mordi o meu lábio.
—Ele não vai. Ele não fica esquentado com as coisas do jeito que Charlie fica. Ei, eu nunca me desculpei oficialmente por aquele lance estúpido com as motos. Eu realmente sinto muito por ter te dedurado pro Charlie. Eu queria não ter feito isso—.
Eu revirei os meus olhos. —Eu também—.
—Eu realmente, realmente sinto muito—.
Ele olhou pra mim esperançosamente, seu cabelo preto molhado, emaranhado, estava em todo canto no rosto implorativo dele.
—Oh, tá legal! Você está perdoado—.
—Obrigado, Bells!—
Nós rimos um pro outro por um segundo, e então o rosto dele sombreou.
—Sabe aquele dia, quando eu levei as motos... Eu estava esperando te perguntar uma coisa—, ele disse lentamente. —Mas também... não queria—.
Eu fiquei muito imóvel - uma reação ao estresse. Esse era um hábito que eu havia pego de Edward.
—Você estava só sendo teimosa porque estava com raiva de mim, ou você estava realmente falando sério?— ele sussurrou.
—Sobre o que?— eu sussurrei de volta, apesar de eu ter certeza de que sabia sobre o que ele estava falando.
Ele me encarou. —Você sabe. Quando você disse que não era da minha conta... se - se ele te mordesse—. Ele enrijeceu visivelmente no final.
—Jake— a minha garganta parecia inchada. Eu não consegui terminar.
Ele fechou os olhos e respirou fundo. —Você estava falando sério?—
Ele estava tremendo bem de leve. Os olhos dele ficaram fechados.
—Sim— eu sussurrei.
Jacob inalou, devagar e profundo. —Eu acho que sabia disso—.
Eu olhei para o rosto dele, esperando que seus olhos se abrissem.
—Você sabe o que isso vai significar?— ele perguntou de repente. —Você entende isso, não entende? O que vai acontecer se eles quebrarem o acordo?—
—Nós vamos embora primeiro—, eu disse com uma voz pequena.
Os olhos dele se abriram, as profundidades pretas estavam cheias de raiva e de dor.
—Não havia um limite geográfico para o acordo, Bella. Os nossos avôs só concordaram em manter a paz porque os Cullen juraram que eles eram diferentes, que os humanos não estariam em perigo por causa deles. Eles prometeram que nunca iam matar ou transformar alguém de novo. Se eles derem pra trás com a sua palavra, o acordo não tem valor, e eles não serão diferentes dos outros vampiros. Uma vez que isso está estabelecido, quando nós os acharmos -—
—Mas, Jake, você já não quebrou o acordo—, eu perguntei, me segurando à palha. —Não era parte do acordo que você não poderiam contar às pessoas sobre os vampiros? E você me contou. Então o acordo não pode ser debatido, de alguma forma?—
Jake não gostou do lembrete; a dor dos olhos dele endureceu até se transformar em animosidade. —É, eu quebrei o acordo - antes, quando eu não acreditava em nada disso. E eu tenho certeza de que eles estão informados disso—, ele olhou amargamente para a minha testa, sem encontrar o meu olhar envergonhado. —Mas não é como se isso os desse uma colher de chá. Não há um castigo para uma falta. Eles só têm uma opção de se opor ao que eu fiz. A mesma opção que nós teremos se eles quebrarem o acordo: atacar. Começar a guerra.—
Ele fez com que isso soasse inevitável. Eu tremi.
—Jake, as coisas não têm que ser assim—.
Os dentes dele se apertaram. —É assim que é—
O silêncio depois da declaração dele pareceu muito alto.
—Você nunca vai me perdoar, Jacob?—, eu sussurrei. Assim que eu disse as palavras, eu desejei não ter dito. Eu não queria ouvir a resposta dele.
—Você não será mais Bella—, ele me disse. —A minha amiga não vai existir. Não haverá ninguém pra perdoar—.
—Isso soa como um não—. Eu sussurrei.
Nós encaramos um ao outro por um momento sem fim.
—Isso é adeus, então, Jake?—
Ele piscou rapidamente, a expressão penetrante dele derretendo com a surpresa. —Porque? Nós ainda temos alguns anos. Nós não podemos ser amigos até que não haja mais tempo?—
—Anos? Não, Jake, não anos—. Eu balancei a minha cabeça e ri uma vez sem humor. —Semanas é mais preciso—.
Eu não estava esperando a reação dele.
De repente ele estava de pé, e houve um alto pop quando a lata de refrigerante estourou na mão dele. Voou refrigerante pra todo lado, me molhando, como se ele estivesse saindo de uma mangueira.
—Jake!— eu comecei a reclamar, mas eu fiquei em silêncio quando eu percebi que o corpo inteiro dele estava tremendo de raiva. Ele me encarou selvagemente, um rosnado nascendo no peito dele.
Eu congelei no lugar, chocada demais pra lembrar de como me mexer.
A tremedeira passava por ele, ficando mais rápida, até que pareceu que ele estava vibrando. O corpo dele parecia um vulto...
E aí Jacob apertou os dentes, e os rosnados pararam. Ele apertou a mão com força de concentrando; a tremedeira parou até que apenas as mãos dele estavam tremendo.
—Semanas—, Jacob disse num tom vazio.
Eu não consegui responder; eu ainda estava congelada.
Ele abriu os olhos. Eles estavam além da fúria agora.
—Ele vai te transformar em uma sugadora de sangue suja em apenas algumas semanas!— Jacob assobiou por entre os dentes.
Pasma demais pra me importar com o insulto nas palavras dele, eu só balancei a cabeça, muda.
O rosto dele ficou verde por baixo da pele ruiva.
—É claro, Jake— eu sussurrei, depois de um longo minuto de silêncio. —Ele tem dezessete, Jacob. E eu estou mais próxima dos dezenove a cada dia. Além do mais, qual é a necessidade de esperar? Ele é tudo o que eu quero. O que mais eu posso fazer?—
Essa pergunta era pra ser retórica.
As palavras dele saíram como se fossem um chicote. —Qualquer coisa. Qualquer outra coisa. Era melhor que você estivesse morta. Eu preferiria se você estivesse—.
Eu dei um passo pra trás como se ele tivesse me batido. A dor foi pior do que se ele tivesse batido.
E aí, enquanto a dor passou por mim, a minha própria raiva se fez em chamas.
—Talvez você tenha sorte—, eu disse, vazia, ficando de pé. —Talvez eu bata em um caminhão no meu caminho de volta—.
Eu peguei a minha moto e a arrastei para a chuva. Ele não se moveu quando eu passei por ele. Assim que eu cheguei no pequeno caminho lamacento, e me inclinei e dei partida na moto. O pneu traseiro espirrou uma fonte de lama em direção à garagem, e eu esperei que sujasse ele.
Eu fiquei absolutamente encharcada enquanto corria pela estrada na direção à casa do Cullen. O vento parecia estar congelando a chuva no meu corpo, e os meus dentes estavam batendo antes que eu estivesse a meio caminho de lá.
Motos eram impráticas demais para Washington. Eu ia vender a coisa estúpida quando tivesse a primeira oportunidade. Eu levei a moto até a garagem cavernosa dos Cullen e não me surpreendi ao encontrar Alice esperando por mim, encostada levemente no capô do seu Porsche. Alice alisou a pintura amarela brilhante.
—Eu nem tive a chance de dirigí-lo—. Ela suspirou.
—Desculpa—, eu cuspi por entre os dentes.
—Você parece estar precisando de um banho quente—, ela disse, improvisando, enquanto se colocava levemente de pé.
—É—.
Ela torceu os lábios, olhando cuidadosamente para a minha expressão. —Você quer falar sobre isso?—
—Não—.
Ela assentiu com a cabeça, mas os olhos dela ainda estavam inquietos de curiosidade.
—Você quer ir à Olympia essa noite?—
—Na verdade não. Eu não posso ir pra casa?—
Ela fez uma careta.
—Deixa pra lá, Alice—, eu disse. —Eu fico, se isso facilita as coisas pra você—.
—Obrigada—, ela suspirou aliviada.
Eu fui dormir cedo naquela noite, me dobrando no sofá de novo.
Ainda estava escuro quando eu acordei. Eu estava grogue, mas eu sabia que ainda não estava perto de ser manhã. Os meus olhos se fecharam e eu me estiquei, rolando. Eu levei um segundo pra perceber que o movimento devia ter me derrubado no chão. E eu estava muito mais confortável.
Eu rolei de volta, tentando enxergar.
Estava mais escuro que na noite passada - as nuvens estavam grossas demais para a lua brilhar através delas.
—Desculpe— ele murmurou tão suavemente que as palavras dele pareciam parte da escuridão. —Eu não queria te acordar—.
Eu fiquei tensa, esperando pela fúria - tanto a dele quanto a minha - mas só estava calmo e quieto na escuridão do quarto dele. Eu quase podia sentir a doçura da reunião no ar, uma fragrância separada do perfume da respiração dele; o vazio de quando estávamos separados deixou um gosto amargo. uma coisa que eu não percebia conscientemente até que ele era removido.
Não havia fricção no espaço entre nós. A imobilidade era apaziguadora - não como a calma depois da tempestade, mas como uma noite clara que não foi nem tocada com o sonho de uma tempestade.
E eu não me importei se eu devia estar com raiva dele. Eu não me importava se eu devia estar com raiva de todo mundo. Eu me inclinei pra ele, encontrei a sua mão na escuridão, e me puxei pra mais perto dele. Os braços dele me circundaram, me segurando contra o peito dele. Os meus lábios procuraram, caçando na garganta dele, no seu queixo, até que eu finalmente encontrei os lábios dele.
Edward me beijou suavemente por um momento, e então ele gargalhou.
—Eu estava todo preocupado por causa da briga que ia envergonhar os ursos pardos, e é isso que eu ganho? Eu devia te deixar furiosa mais vezes—.
—Me dê um minuto pra ajeitar isso—, eu caçoei, beijando ele de novo.
—Eu espero o quanto você quiser—, ele sussurrou nos meus lábios. Os dedos dele se entrelaçaram nos meus cabelos.
A minha respiração estava ficando desigual. —Talvez de manhã—.
—O que você preferir—.
—Bem vindo ao lar— eu disse enquanto os lábios frios dele se pressionaram na minha mandíbula. —Eu estou feliz por você ter voltado—.
—Isso é uma coisa muito boa—.
—Mmm—, eu concordei, apertando mais os meus dedos no pescoço dele.
A mão dele se curvou no meu cotovelo, descendo lentamente pelo meu braço, através das minhas costelas e pela minha cintura, traçando o meu quadril e descendo pela minha perna, ao redor do meu joelho. Ele parou aí, a mão dele circulando o meu tornozelo. Ele puxou a minha perna pra cima de repente, passando ela pelo quadril dele.
Eu parei de respirar. Esse não era o tipo de coisa que ele permitia. Apesar das mãos frias dele, eu me senti quente de repente. Os lábios dele se moveram na base da minha garganta.
—Não é pra trazer a ira prematuramente—, ele sussurrou. —Mas será que você pode me dizer o que há nessa cama a que você se opõe?—
Antes que eu pudesse responder, antes que eu sequer pudesse me concentrar o suficiente pra entender o significado das palavras dele, ele rolou para o lado, me colocando em cima dele. Ele segurou o meu rosto com as mãos, angulando ele para que a sua boca pudesse alcançar a minha garganta. A minha respiração estava muito alta - era quase embaraçoso, mas eu não conseguia me importar o suficiente pra ficar envergonhada.
—A cama?— ele perguntou de novo. —Eu acho ela legal—.
—É desnecessária—, eu consegui botar pra fora.
Ele puxou o meu rosto de volta pra o dele, e os meus lábios se encaixaram nos dele. Lentamente dessa vez, ele rolou até estar em cima de mim. Ele se segurou cuidadosamente pra que eu não sentisse nada do peso dele, mas eu podia sentir a frieza de mármore do seu corpo pressionado no meu. O meu coração estava batendo tão alto que foi difícil ouvir o riso baixo dele.
—Isso é debatível—, ele discordou. —Isso ia ser difícil no sofá—.
Fria como gelo, a língua dele traçou os contornos dos meus lábios.
A minha cabeça estava girando - o ar estava vindo rápido demais e muito superficialmente.
—Você mudou de ideia?— eu perguntei sem fôlego. Talvez ele tivesse repensado as suas regras cuidadosas. Talvez houvesse mais significância nessa cama do que eu havia pensado originalmente. O meu coração bateu quase dolorosamente enquanto eu esperava pela resposta dele.
Edward suspirou, rolando de novo até que estávamos de novo dos nossos lados.
—Não seja ridícula, Bella—, ele disse, a desaprovação estava forte na voz dele - claramente ele entendeu do que eu estava falando. —Eu só estava tentando ilustrar os benefícios de uma cama da qual você não parece gostar. Não se deixe levar—.
—Tarde demais—, eu murmurei. —E eu gosto da cama—, eu acrescentei.
—Bom—, eu podia ouvir o sorriso na voz dele enquanto ele beijava a minha testa. —Eu também gosto—.
—Mas eu ainda acho que é desnecessário—, eu continuei. —Se nós não vamos nos deixar levar, qual é o ponto?—
Ele suspirou de novo. —Pela centésima vez, Bella - é perigoso demais—.
—Eu gosto de perigo—, eu insisti.
—Eu sei—, havia um tom amargo na voz dele, e eu me dei conta de que ele devia ter visto a moto na garagem.
—Eu vou te dizer o que é perigoso—, eu disse rapidamente, antes que ele pudesse passar para um novo tópico da discussão. —Eu vou entrar em combustão espontânea um dia desses - e você não vai poder culpar ninguém além de si mesmo—.
Ele começou a me afastar.
—O que você está fazendo?—, eu reclamei, me apertando a ele.
—Te protegendo da combustão. Se isso for demais pra você...—
—Eu posso aguentar—, eu insisti.
Ele deixou que eu me recolocasse no círculo dos braços dele.
—Eu lamento por ter te dado a impressão errada—, ele disse. —Eu não queria te deixar infeliz. Aquilo não foi legal—.
—Na verdade, foi muito, muito legal—.
Ele respirou fundo. —Você não está cansada? Eu devia te deixar dormir—.
—Não, eu não estou. Eu não me importo se você me ser a impressão errada de novo—.
—Essa provavelmente é uma má ideia. Você não á a única que se deixa levar—.
—Sou sim—, eu murmurei.
Ele gargalhou. —Você não tem ideia, Bella. E também não ajuda muito que você esteja tão determinada a quebrar o meu auto-controle—.
—Eu não vou me desculpar por isso—.
—Posso eu pedir desculpa?—
—Pelo quê?—
—Você estava com raiva de mim, lembra?—
—Oh, isso—.
—Eu lamento. Eu estava errado. É muito mais fácil pensar nas perspectivas com clareza quando você está segura aqui— Os braços dele se apertaram ao meu redor. —Eu fico um pouco frenético quando eu tento te deixar. Eu não acho que vou tão longe de novo. Não vale a pena—.
Eu sorri. —Você não achou nenhum leão da montanha?—
—Sim, na verdade eu achei. Mas ainda não vale a ansiedade. Eu sinto muito por ter feito Alice te fazer de refém. Isso foi uma má ideia—.
—Sim—, eu concordei.
—Eu não vou fazer de novo—.
—Tá certo—, eu disse facilmente. Ele já estava perdoado. —Mas festas do pijama têm suas vantagens...— Eu cheguei mais perto, pressionando os meus lábios na clavícula dele. —Você pode me fazer de refém sempre que quiser—.
—Mmm—, ele suspirou. —Eu posso me aproveitar disso—.
—Então é minha vez agora?—
—Sua vez?— a voz dele estava confusa.
—De pedir desculpas—.
—Pelo que você vai pedir desculpas?—
—Você não está com raiva de mim?— eu perguntei sem entender.
—Não—.
Ele soou como se estivesse falando sério.
Eu senti as minhas sobrancelhas se juntando. —Você não viu Alice quando chegou em casa?—
—Sim - Porque?—
—Você vai pegar o Porsche dela de volta?—
—É claro que não. Foi um presente—.
Eu desejei poder ver a expressão dele.
—Você não quer saber o que eu fiz?— eu perguntei, começando a ficar confusa com a aparente falta de preocupação dele.
Eu senti ele erguer os ombros. —Eu sempre estou interessado no que você faz - mas você não tem que me contar a menos que você queira—.
—Mas eu estive em La Push—.
—Eu sei—.
—E eu faltei à escola—
—Eu também—.
Eu encarei na direção da voz dele, traçando o rosto dele com os meus dedos, tentando entender o humor dele. —De onde foi que veio toda essa tolerância?—, eu quis saber.
Ele suspirou.
—Eu decidi que você estava certa. O meu problema antes era mais com... o meu preconceito com os lobisomens do que por outra coisa. Eu vou tentar ser mais razoável e confiar no seu julgamento. Se você diz que é seguro, então eu acredito em você—.
—Uau—.
—E... o mais importante... eu não estou a fim de deixar isso construir uma ponte entre nós—.
Eu descansei a minha cabeça no peito dele e fechei os meus olhos, totalmente contente.
—Então— ele murmurei em um tom casual. —Você fez planos pra ir à La Push em breve?—
Eu não respondi. A pergunta dele trouxe as palavras de Jacob de volta à minha mente, e de repente a minha garganta estava apertada.
Ele entendeu mal a minha falta de palavras e a rigidez no meu corpo.
—Só pra que eu possa fazer os meus próprio planos—, ele explicou rápido. —Eu não quero que você sinta que precisa se apressar só porque eu estou sentado por aqui te esperando—.
—Não— eu disse numa voz que pareceu estranha pra mim. —Eu não tenho planos pra voltar—.
—Oh. Você não tem que fazer isso por mim—.
—Eu não acho que sou mais bem vinda—, eu sussurrei.
—Você atropelou o gato de alguém?— ele perguntou levemente. Eu sabia que ele não queria me forçar a contar a história, mas eu podia ouvir a curiosidade queimando por baixo das palavras dele.
—Não—, eu respirei fundo, e depois murmurei rapidamente a minha explicação. —Eu pensei que Jacob tivesse se dado conta... Eu não pensei que isso fosse surpreendê-lo—.
Edward esperou enquanto eu hesitei.
—Ele não estava esperando... que fosse ser tão cedo—.
—Ah—, Edward disse baixinho.
—Ele disse que preferiria me ver morta— A minha voz quebrou na última palavra.
Edward ficou parado demais por um momento, controlando qualquer que fosse a reação que ele não queria me deixar ver.
Então ele me apertou gentilmente no peito dele. —Eu lamento muito—.
—Eu pensei que você ficaria feliz—, eu murmurei.
—Feliz por uma coisa que machucou você?— ele murmurou no meu cabelo. —Eu acho que não, Bella—.
Eu suspirei e relaxei, me encaixando no formato de pedra dele. Mas ele estava imóvel de novo, tenso.
—Qual é o problema?— eu perguntei.
—Não é nada—.
—Você pode me dizer—.
Ele pausou por um momento. —Isso pode te deixar com raiva—.
—Eu ainda quero saber—.
Ele suspirou. —Eu literalmente bem que podia matar ele por dizer isso pra você. Eu quero matar ele—.
Eu ri sem muita vontade. —Eu acho que é uma coisa boa que você tenha tanto auto-controle—
—Eu podia escorregar— O tom dele estava pensativo.
—Se você vai ter um lapso de controle, eu posso pensar em um lugar melhor pra isso—. Eu alcancei o rosto dele, tentando me levar pra cima pra dar um beijo nele. Os braços dele me seguraram com mais força, me restringindo.
Ele suspirou. —Será que eu preciso ser sempre o responsável?—
Eu sorri para a escuridão. —Não. Me deixa ficar no controle da responsabilidade por alguns minutos... ou horas—
—Boa noite, Bella.—
—Espere - Havia algo mais sobre o que eu queria te perguntar—.
—O que é?—
—Eu estava falando com Rosalie na noite passada...—
O corpo dele ficou tenso de novo. —Sim. Ela estava pensando nisso quando eu entrei. Ela te deu muitas coisas pra levar em consideração, não foi?—
A voz dele estava ansiosa, e eu me dei conta de que ele pensou que eu queria falar nas razões que Rosalie havia me dado pra continuar humana. Mas eu estava interessada em outra coisa muito mais grave.
—Ela me contou um pouco... sobre a época que a sua família viveu em Denali—.
Houve uma curta pausa; esse começo havia pego ele de surpresa. —Sim?—
—Ela mencionou algumas coisas sobre um monte de fêmeas vampiras... e você—.
Ele não respondeu, apesar de eu ter esperado por um longo tempo.
—Não se preocupe— eu disse, depois que o silêncio ficou desconfortável. —Ela me disse que você não... demonstrou nenhuma preferência. Mas eu só estava me perguntando, sabe, se alguma delas demonstrou. Demonstrou preferência por você, eu quero dizer—.
De novo ele não disse nada.
—Qual delas?— eu perguntei, tentando manter a minha voz casual, e sem conseguir. —Ou havia mais de uma?—
Nenhuma resposta. Eu desejei poder ver o rosto dele, pra que assim eu pudesse tentar adivinhar o que o silêncio significava.
—Alice vai me dizer—, eu disse. —Eu vou perguntar a ela agora—.
Os braços dele se apertaram; eu fui incapaz de me mover um centímetro.
—Está tarde—, ele disse. A voz dele estava com um tom que era algo novo. Meio nervosa, talvez um pouco envergonhada. —Além do mais, eu acho que Alice saiu...—
—É ruim— eu adivinhei. —É realmente ruim, não é?— eu comecei a entrar em pânico, o meu coração acelerando enquanto eu imaginava a linda rival imortal que eu nunca imaginei que tivesse.
—Se acalme, Bella—, ele disse, beijando a ponta do meu nariz. —Você está sendo absurda—.
—Estou? Então porque você não me diz?—
—Porque não ha nada pra dizer. Você está colocando isso fora de proporção—.
—Qual delas—? eu insisti.
Ele suspirou. —Tanya expressou um pouco de interesse. Eu deixei ela saber, de uma maneira muito cortês, cavalheiresca, que eu não retornava o interesse. Fim da história—.
Eu mantive a minha voz o mais uniforme possível. —Me diga uma coisa - como Tanya se parece?—
—Exatamente como o resto de nós - pele branca, olhos dourados—, ele respondeu rapidamente demais.
—E, é claro, extraordinariamente linda—.
Eu senti ele erguer os ombros.
—Eu acho, para os olhos humanos—, ele disse, indiferente. —No entanto, quer saber?—
—O que?— a minha voz estava petulante.
Ele colocou os lábios no meu ouvido direito; a respiração gelada dele fez cócegas. —Eu prefiro as morenas—.
—Ela é loira. Não é de estranhar—.
—Loira morango - absolutamente não faz o meu tipo—.
Eu pensei nisso por um momento, tentando me concentrar enquanto os lábios dele se moviam lentamente pela minha bochecha. Ele fez o circuito três vezes antes que eu falasse.
—Eu acho que está tudo bem, então—, eu decidi.
—Hmm—, ele sussurrou na minha pele. —Você é adorável quando está com ciúmes. É surpreendentemente agradável—.
Eu fiz uma careta no escuro.
—Está tarde—, ele disse de novo, murmurando, quase solfejando agora, a voz dele era mais macia que seda. —Durma, minha Bella. Tenha sonhos felizes. Você é a única que já tocou meu coração. Ele será sempre seu. Durma, meu único amor.
Ele começou a cantar a minha canção de ninar, e eu sabia que seria apenas uma questão de tempo até que eu sucumbisse, então eu fechei os meus olhos e me aconcheguei mais no peito dele.

13 comentários:

  1. Fernanda Boaventura12 de outubro de 2015 19:53

    Que lindo!

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  2. Ahá! Finalmente voltou a ser uma relação e não um presídio!

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  3. Respostas
    1. kkkkk tadinha kkk nem conhecemos a pobre, iludida, tânia, deixa ela partir o próprio coração kkk

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  4. Camilla (Filha de Athena e Estudante de Hogwarts na Casa Corvinal).1 de dezembro de 2015 15:24

    Que fofos!
    "Bella ciúmenta" kkkkk

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  5. Perfeitos !

    Assi: Apaixonada por livros.

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  6. Daí eu imagino como seria se o Jake tbm tivesse um imprinting com um bebê, como seria.......

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    1. Poisé né. .. Como seria? kkkkk

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  7. Eu fico imaginando como seria um imprinting c ele fosse gay

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  8. Meu deus... Esse Edward é demais, tão carinhoso e amável... Que sonho

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  9. Eu sou um pouco team Jacob , imagina como esse capitulo partiu meu coração :(

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  10. Então a "pernada" que tem no filme também tem no livro?!?!?! Poxa.... Edward é cruel, ladra mas não morde! Se fosse o Jacob mordia com certeza kkkkkkkkkk

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