25 de setembro de 2015

Capítulo 6 - Suíça

Enquanto eu dirigia pra casa, eu não estava prestando muita atenção na estrada que brilhava com a água no sol. Eu estava pensando o jorro de informações que Jacob havia dividido comigo, tentando desvendar tudo, forçar isso a ter sentido. Apesar da sobre-carga, eu me sentia mais leve. Ver Jacob sorrir, ter todos os segredos colocados pra fora... isso não deixava as coisas perfeitas, mas as fazia melhores. Eu estava certa por ter ido. Jacob precisava de mim. E obviamente, eu pensei enquanto piscava com causa da claridade, não havia nenhum perigo.
Ele apareceu do nada. Num minuto não havia nada além da pista clara no meu espelho retrovisor. No minuto seguinte, o sol estava resplandecendo em um Volvo prateado que estava na minha cola.
— Aw, droga — eu choraminguei.
Eu considerei parar. Mas eu era covarde demais pra enfrentá-lo imediatamente. Eu estava contando com algum tempo pra me preparar... e ter Charlie por perto como amortecedor. Pelo menos ele ia se esforçar pra manter a voz baixa.
O Volvo seguia a uns metros atrás de mim. Eu mantive os meus olhos na estrada em frente.
Como a covarde que eu era, eu dirigi direto para a casa de Ângela sem encontrar nenhuma vez os olhos que eu sentia me queimando um buraco no espelho retrovisor.
Ele me seguiu até que eu parei na calçada na frente da casa dos Weber. Ele não parou, e eu não olhei pra cima quando ele passou. Eu não queria ver a expressão no rosto dele. Eu corri pela curta calçada de concreto até a porta de Ângela quando ele estava fora de vista.
Ben atendeu a porta antes que eu pudesse terminar de bater, como se ele estivesse de pé atrás dela.
—Hey, Bella!—, ele disse, surpreso.
—Oi, Ben. Er, Ângela está aqui?— eu me perguntei se Ângela teria esquecido os nossos planos, e estremeci com o pensamento de voltar pra casa mais cedo.
—Claro—, Ben disse exatamente quando Ângela chamou, —Bella!— e apareceu no topo das escadas.
Ben espiou através de mim enquanto nós dois ouvimos o som de um carro na estrada; o som não me assustou - esse motor fez barulho quando parou, acompanhado pelo estouro da descarga. Nada como o ronco do Volvo. Esse devia ser o visitante que Ben estava esperando.
—Austin está aqui—, Ben disse quando Ângela chegou ao lado dele.
Uma buzina soou na rua.
—Eu te vejo mais tarde—, Ben prometeu. —Já sinto sua falta—.
Ele jogou o braço ao redor do pescoço de Ângela e trouxe o rosto dela pra baixo até a altura dele pra que ele pudesse dar um beijo nela com entusiasmo. Depois de um segundo disso, Austin buzinou de novo.
—Tchau, Ang! Te amo!—, Ben gritou enquanto passava correndo por mim.
Ângela virou, o rosto dela levemente rosado, depois se recuperou e acenou até que Ben e Austin estivessem fora de vista. Depois ela se virou pra mim e sorriu significantemente.
—Obrigada por fazer isso, Bella—, ela disse. —Do fundo do meu coração. Você não está apenas salvando as minhas mãos de danos permanentes, você também me poupou de duas longas horas de um filme chato e com artes-marcias de má qualidade.— Ela suspirou aliviada.
—Feliz por servir—, Eu estava sentindo um pouco menos de pânico, e era capaz de respirar um pouco mais uniformemente. Eu me sentia tão normal aqui. Os dramas fáceis de Ângela eram estranhamente tranquilizadores. Era legal saber que eu era normal em algum lugar.
Eu segui Ângela pelas escadas até o quarto dela. Ela chutou brinquedos fora do caminho enquanto passava. A casa estava estranhamente quieta.
—Onde está a sua família?—
—Os meus pais levaram os gêmeos para uma festa de aniversário em Port Angeles. Eu não posso acreditar que você realmente vai me ajudar com isso. Ben está fingindo que tem tendinite—. Ela fez uma cara.
—Eu não me importo nem um pouco—. Eu disse, e então entrei no quarto de Ângela e vi as pilhas de envelopes esperando.
—Oh!— eu ofeguei. Ângela virou pra olhar pra mim, pedindo desculpas com os olhos. Eu podia ver porque ela esteve adiando isso, e porque Ben pulou fora.
—Eu pensei que você estivesse exagerando—, eu admiti.
—Eu queria. Você tem certeza que quer fazer isso?—
—Me faça trabalhar. Eu tenho o dia inteiro—
Ângela dividiu uma pilha na metade e colocou o livro de endereços da mãe dela entre nós em cima da mesa. Por um momento nós nos concentramos, e só havia o som das nossas canetas passando quietamente sobre o papel.
—O que Edward vai fazer essa noite?—, ela perguntou depois de alguns minutos.
A minha caneta afundou no envelope no qual eu estava escrevendo. —Emmett está em casa para o fim de semana. Eles deviam estar caminhando—.
—Você diz isso como se não tivesse certeza—.
Eu levantei os ombros.
—Você tem sorte que Edward tem os irmãos pra fazer as caminhadas e os acampamentos. Eu não sei o que eu faria se Ben não tivesse Austin para essa coisa de garotos.—
—É, o ar livre não é pra mim. E não tem jeito de eu ser capaz de acompanhar—.
Ângela riu. —Eu também prefiro ficar em casa—.
Ela se concentrou na sua pilha por um minuto. Eu escrevi mais quatro endereços. Nunca havia a pressão de encher uma pausa com tagarelice sem sentido com Ângela. Como Charlie, ela ficava confortável com o silêncio.
Mas, como Charlie, ela também era muito observadora as vezes.
—Tem algo errado?— ela perguntou com uma voz baixa agora. —Você parece... ansiosa—.
Eu sorri bobamente. —É assim tão óbvio?—
—Na verdade não—.
Ela provavelmente estava mentindo pra fazer eu me sentir melhor.
—Você não precisa falar disso a não ser que queira—, ela me assegurou. —Eu vou escutar se você achar que eu posso ajudar—.
Eu estava prestes a dizer obrigada, mas não, obrigada. Afinal, haviam segredos demais que eu precisava guardar. Eu realmente não podia discutir os meus problemas com alguém humano. Isso era contra as regras.
E mesmo assim, com uma intensidade estranha, repentina, isso era exatamente o que eu queria. Eu queria falar com uma amiga normal e humana. Eu queria gemer um pouco, como qualquer outra garota adolescente.
Eu queria que os meus problemas fossem assim tão simples. Também seria legal ter alguém de fora dessa bagunça de vampiros-lobisomens pra colocar as coisas em perspectiva. Uma pessoa neutra.
—Eu vou cuidar dos meu próprios assuntos—, Ângela prometeu, sorrindo para o endereço no qual ela estava trabalhando.
—Não—, eu disse. —Você está certa. Eu estou ansiosa. É... é Edward—.
—O que há de errado?—
É tão fácil conversar com Ângela. Quando ela perguntava uma coisa assim, eu podia notar que ela não estava apenas morbidamente curiosa ou procurando uma fofoca, como Jéssica estaria. Ela se importava por eu estar chateada.
—Oh, ele está com raiva de mim—.
—Isso é difícil de imaginar—, ela disse. —Do que ele está com raiva?—
Eu suspirei. —Você se lembra de Jacob Black?—
—Ah—, ela disse
—É—.
—Ele está com ciúmes—.
—Não, não com ciúmes...— eu devia ter mantido a minha boca fechada. Não tinha jeito de explicar isso direito. Mas eu queria continuar falando do mesmo jeito. Eu não tinha me dado conta de que estava faminta por conversa humana. —Edward pensa que Jacob é... uma má influência, eu acho. Meio... perigoso. Você sabe em quantos problemas eu me meti há uns meses atrás... no entanto, isso é ridículo—.
Eu fiquei surpresa por ver Ângela balançando a cabeça.
—O que?—, eu perguntei.
—Bella, eu vi como Jacob Black olha pra você. Eu apostaria que o problema de verdade é ciúme—.
—Não é assim com Jacob—.
—Pra você, talvez, mas pra Jacob...—
Eu fiz uma careta. —Jacob sabe como eu me sinto. Eu o disse tudo—.
—Edward é apenas um humano, Bella. Ele vai reagir como qualquer outro garoto—.
Eu fiz uma careta. Eu não tinha uma resposta pra isso—.
Ela deu um tapinha na mão. —Ele vai superar isso—.
—Eu espero que sim. Jacob está passando por um período meio difícil. Ele precisa de mim—.
—Você e Jacob são muito próximos, não são?—
—Como família—, eu concordei.
—E Edward não gosta dele... Isso deve ser difícil. Eu me pergunto como Ben lidaria com isso?— ela meditou.
Eu dei um meio sorriso. —Provavelmente como qualquer outro garoto—.
Ela riu. —Provavelmente—
Aí ela mudou de assunto. Ângela não era de forçar a barra, e ela pareceu pressentir que eu não ia - que eu não podia - dizer mais nada.
—Eu peguei a minha inscrição para o dormitório hoje. O prédio mais afastado do campus, naturalmente—.
—Ben já sabe onde ele vai ficar?—
—No dormitório mais próximo do campus. Ele ficou com toda a sorte. E quanto a você? Você já decidiu pra onde vai?—
Eu olhei pra baixo, me concentrando nos garranchos da minha caligrafia. Por um segundo eu me distraí com o pensamento de Ângela e Ben na Universidade de Washington. Será que a ameaça de vampiros mais jovens já teria se mudado pra outro lugar? Haveria outro lugar, alguma outra cidade tremendo com as manchetes de filmes de terror?
Seriam essas manchetes por minha causa?
Eu tentei deixar isso pra lá e respondi a pergunta dela um pouco atrasada. —Alaska, eu acho. A universidade lá de Juneau—.
eu podia ouvir a surpresa na voz dela. —Alaska? Oh. Mesmo? Quer dizer, isso é ótimo. Eu só achei que você fosse pra um lugar mais... quente—.
Eu ri um pouco, ainda olhando para o envelope. —É. Forks realmente mudou a minha perspectiva de vida—.
—E Edward?—
Apesar do nome dele ter feito borboletas flutuarem no meu estômago, eu olhei pra cima e sorri pra ela. —Alaska também não é frio demais pra Edward.—
Ela sorriu de volta. —É claro que não— E depois ela suspirou. —É longe demais. Você não será capaz de voltar pra casa com muita frequência. Eu vou sentir sua falta. Você me manda e-mails?—
Uma onda de tristeza silenciosa passou por mim; talvez fosse um erro me aproximar de Ângela agora. Mas não seria ainda mais triste perder essas últimas chances? Eu deixei pra lá os pensamentos tristes, pra poder responder a ela com zombaria.
—Se eu puder digitar de novo depois disso— Eu acenei com a cabeça em direção à pilha de envelopes que eu havia feito.
Nós rimos, e depois foi fácil conversar sobre alegremente sobre as aulas e os formandos enquanto terminávamos o resto - Tudo o que eu tive que fazer foi não pensar nisso. De qualquer forma, haviam coisas mais urgentes com as quais me preocupar hoje.
Eu ajudei ela a colocar os selos também. Eu estava com medo de ir embora.
—Como está a sua mão?— ela perguntou.
Eu flexionei os meus dedos. —Eu acho que recuperarei completamente o uso... algum dia—.
A porta bateu lá embaixo, e nós duas olhamos pra cima.
—Ang?—, Ben chamou.
Eu tentei sorrir, mas os meus lábios tremeram. —Eu acho que essa é a minha deixa pra ir embora—.
—Você não precisa ir. Apesar de que ele provavelmente vai descrever o filme pra mim... em detalhes—.
—De qualquer maneira Charlie vai ficar se perguntando onde eu estou.—
—Obrigada por me ajudar—.
—Na verdade, eu me diverti. Nós devíamos fazer algo assim de novo. É legal ter um tempo de garotas—.
—Definitivamente—.
Houve uma batida de leve na porta do quarto.
—Entre, Ben—, Ângela disse.
Eu me levantei e me estiquei.
—Hey, Bella! Você sobreviveu—, Ben me saudou rapidamente antes de ir tomar o meu lugar ao lado de Ângela. Ele olhou o nosso trabalho. —Belo trabalho. Que pena que não tem mais nada pra fazer, eu teria...— Ele deixou o pensamento parar, e recomeçou excitadamente. —Ang, eu não acredito que você perdeu isso! Foi ótimo. Houve essa sequência de luta no final - a coreografia foi inacreditável! Esse cara - bem, você vai ter que ver pra saber o que eu estou falando -—
Ângela revirou os olhos pra mim.
—Te vejo na escola—, eu disse com uma risada nervosa.
Ela suspirou. —A gente se vê—.
Eu estava inquieta na caminho até a caminhonete, mas a rua estava vazia. Eu passei toda a viagem olhando ansiosamente em todos os meus espelhos, mas nunca havia nenhum sinal do carro prateado.
O carro dele também não estava na frente de casa, apesar de que isso significava pouco.
—Bella?— Charlie perguntou quando eu abri a porta.
—Oi, pai—
Eu o encontrei na sala de estar, na frente da TV.
—Então, como foi o seu dia?—
—Bom—, eu disse. Eu podia ter contado tudo a ele - ele ouviria isso de Billy em breve. Além do mais, isso ia deixá-lo feliz. —Eles não precisaram de mim no trabalho, então eu fui até La Push—.
Não houve surpresa suficiente no rosto dele. Billy já tinha falado com ele.
—Como está Jacob?— Charlie perguntou, tentando soar indiferente.
—Bem—, eu disse, igualmente indiferente.
—Você foi à casa dos Weber?—
—Sim. Nós endereçamos todos os anúncios dela—.
—Isso é legal— Charlie deu um sorriso largo. Ele estava estranhamente concentrado, considerando o fato de que estava passando um jogo. —Eu estou feliz que você tenha passado tempo com os seus amigos hoje—.
—Eu também—.
Eu segui em direção a cozinha, procurando algo em que trabalhar. Infelizmente, Charlie já tinha limpado o seu almoço. Eu fiquei lá, olhando para a trilha brilhante que o sol fez no chão. Eu sabia que não podia adiar isso pra sempre.
—Eu vou estudar—, eu anunciei sem entusiasmo enquanto eu ia para a escada.
—Te vejo mais tarde—, Charlie chamou.
Se eu sobreviver, eu pensei comigo mesma.
Eu fechei a porta do meu quarto cuidadosamente antes de me virar para enfrentar o meu quarto.
É claro que ele estava lá. Ele estava contra a parede na minha frente, na sombra ao lado da janela aberta. O rosto dele estava duro e a postura dele estava tensa. Ele me encarou sem dizer nada.
Eu aguentei, esperando pela tempestade, mas ela não veio. Ele só continuou a encarar, possivelmente com raiva demais pra falar.
—Oi—, eu disse finalmente.
O rosto dele podia ter sido cravado em uma pedra. Eu contei até cem na minha cabeça, mas não houve mudança.
—Er... então, eu ainda estou viva—, eu comecei.
Um rugido se fez ouvir baixinho no peito dele, mas a expressão dele não mudou.
—Nenhum dano causado—, eu insisti, encolhendo os ombros.
Ele se moveu. Os olhos dele se fecharam, e ele segurou a base do nariz entre os dedos da mão direita dele.
—Bella—, ele sussurrou. —Você tem alguma ideia do quanto eu estive perto de cruzar a linha hoje? De quebrar o acordo e ir atrás de você? Você sabe o que isso teria significado?—
Eu ofeguei e ele abriu os olhos. Eles estavam tão frios e duros como a noite.
—Você não pode!— eu disse alto demais. Eu trabalhei em modular o volume da minha voz pra que Charlie não ouvisse, mas eu queria gritar as palavras. —Edward, eles não vão usar nenhuma desculpa para uma briga. Eles adorariam isso. Você não pode quebrar as regras nunca!—
—Talvez eles não sejam os únicos que gostariam de uma luta—.
—Não comece— eu soltei. —Vocês fizeram o acordo - obedeça ele—.
—Se ele tivesse machucado você -—
—Chega!— eu cortei ele. —Não há nada com o que se preocupar. Jacob não é perigoso—.
—Bella— ele revirou os olhos. —Você não é exatamente a melhor juíza do que é ou não perigoso—.
—Eu sei que eu não preciso me preocupar com Jake. E nem você—.
Ele apertou os dentes. As mãos dele estavam transformadas em bolas nos pulsos dos lados dele. Ele ainda estava contra a parede, e eu odiava o espaço entre nós.
Eu respirei fundo e atravessei o quarto. Ele não se moveu quando eu passei os meus braços ao redor dele. Perto do resto do calor do fim do sol da tarde que passava pela janela, a pele dele estava especialmente gelada. Ele parecia gelo também, congelado do jeito que estava.
—Eu sinto muito por ter te deixado ansioso—, eu murmurei.
Ele suspirou e relaxou um pouco. Os braços dele seguraram a minha cintura.
—Ansioso é uma indicação bem incompleta—, ele murmurou. —Esse dia foi bem longo—.
—Não era pra você saber sobre isso— eu lembrei ele. —Eu pensei que você passaria mais tempo caçando—.
Eu olhei para o rosto dele, para os seus olhos defensivos; eu não reparei no estresse do momento, mas eles estava escuros demais. Os círculos embaixo deles eram roxo-escuros. Eu fiz uma careta de desaprovação.
—Quando Alice te viu desaparecer, eu voltei—, ele explicou.
—Você não devia ter feito isso. Agora você vai ter que ir de novo—. A minha careta se intensificou.
—Eu posso esperar—.
—Isso é ridículo. Quer dizer, eu sabia que ela não podia me ver com Jacob, mas você devia saber que -—
—Mas eu não sabia— ele interrompeu. —E você não pode esperar que eu -—
—Oh, sim, eu posso— eu interrompi ele. —Isso é exatamente o que eu espero—.
—Isso não vai acontecer de novo—.
—Exatamente! Porque você não vai ser exagerado da próxima vez—.
—Porque você não vai outra vez—.
—Eu entendo quando você precisa ir embora, mesmo que eu não goste -—
—Isso não é o mesmo. Eu não estou arriscando a minha vida—.
—E nem eu—.
—Lobisomens constituem um risco—.
—Eu discordo—.
—Eu não estou negociando isso, Bella—
—Nem eu—.
As mãos dele estavam nos pulsos de novo. Eu podia senti-las nas minhas costas.
As palavras saíram sem que eu pensasse. —Isso se trata realmente da minha segurança?—
—O que você quer dizer?— ele quis saber.
—Você não está...— A teoria de Ângela parecia mais boba agora do que antes. Foi difícil concluir o pensamento. —Eu quero dizer, você sabe que não precisa sentir ciúme, certo?—
Ele ergueu uma sobrancelha. —Eu sei?—
—Fale sério—.
—Facilmente - não há nada remotamente engraçado nisso—.
Eu fiz uma careta de suspeita. —Ou... isso é mais alguma coisa? Uma daquelas bobagens sobre vampiros e lobisomens serem inimigos? Ou isso é só cheio de testosterona -—
Os olhos dele brilharam. —Isso é só sobre você. Tudo com o que eu me importo é que você esteja em segurança—.
Era impossível duvidar do fogo negro dos olhos dele.
—Tudo bem—, eu suspirei. —Eu acredito nisso. Mas eu quero que você saiba de uma coisa - quando se trata dessa bobagem de inimigos, eu estou fora. Eu sou um país neutro. Eu sou a Suíça. Eu me recuso a participar de disputas territoriais entre criaturas místicas. Jacob é da família. Você é... bem, você não é exatamente o amor da minha vida, porque eu espero te amar por muito mais tempo que isso. O amor da minha existência. Eu não me importo com quem é o lobisomem e que é o vampiro. Se Ângela virar uma bruxa, ela pode se juntar a festa também—.
Ele olhou pra mim silenciosamente por entre olhos apertados.
—Suíça—, eu repeti de novo pra dar ênfase.
Ele fez uma careta pra mim, e depois suspirou. —Bella...—, ele começou, mas depois parou, e o nariz dele enrugou de desgosto.
—O que foi agora?—
—Bem... não se ofenda, mas você está cheirando como um cachorro—, ele me disse.
E depois ele deu um sorriso torto, então eu sabia que a briga tinha acabado. Por enquanto.
Edward teria que ajeitar as coisas por ter perdido a viagem de caça, então ele ia na Sexta à noite com Jasper, Emmett e Carlisle para atacar alguma reserva ao Norte da Califórnia que estivesse com problemas com leões da montanha.
Nós não chegamos ao um acordo no problema com os lobisomens, mas eu não me senti culpada por ligar para Jake - durante a minha pequena janela de oportunidade quando Edward levou o Volvo pra casa antes de entrar de novo pela minha janela - pra deixá-lo saber que eu estaria voltando no Sábado de novo. Eu não ia ficar me escondendo. Edward sabia como eu me sentia. E se ele quebrasse a minha caminhonete de novo, então eu pediria que Jake viesse me buscar. Forks era neutra, assim como a Suíça - assim como eu.
Então, quando eu saí na Quinta e era Alice quem estava me esperando no Volvo no lugar de Edward, eu não suspeitei inicialmente. A porta do passageiro estava aberta, e uma música que eu não reconhecia estava fazendo as estruturas tremerem quando o baixo soava.
—Ei, Alice—, eu gritei por cima do som enquanto eu entrava. —Onde está o seu irmão?—
Ela estava acompanhando a música, a voz dela estava um oitavo mais alta do que a melodia, seguindo ela com uma harmonia complicada. Ela acenou pra mim com a cabeça, ignorando a minha pergunta enquanto se preocupava em acompanhar a música.
Eu fechei a porta e coloquei as mãos em cima dos ouvidos. Ela sorriu, e baixou o volume até que a música estava apenas no fundo. Então ela travou as portas e pisou no acelerador no mesmo segundo.
—O que está acontecendo?— Eu perguntei, começando a me sentir inquieta. —Onde está Edward?—
Ela levantou os ombros. —Eles foram mais cedo—.
—Oh—, eu tentei controlar a minha decepção absurda. Se ele tinha ido embora antes, significava que ele estaria de volta mais cedo, eu lembrei a mim mesma.
—Todos os garotos foram, e nós vamos ter uma festa do pijama!— ela anunciou em uma voz alegre, cantante.
—Uma festa do pijama?— eu repeti, a suspeita finalmente estava entrando.
—Você não está excitada?— ela gritou de alegria.
Eu encontrei o olhar animado dela por um segundo.
—Você está me sequestrando, não está?—
Ela sorriu e balançou a cabeça. —Até sábado. Esme falou com Charlie; você vai ficar comigo por duas noites, e eu vou te levar e te trazer da escola amanhã—.
Eu virei o meu rosto para a janela, os meus dentes se apertando.
—Desculpa—, Alice disse sem soar nem um pouco arrependida. —Ele me pagou—.
—Como?— eu assobiei por entre os dentes.
—O Porsche. É exatamente como o que eu roubei na Itália—. Ela suspirou alegremente.
—Eu não devo dirigi-lo em Forks, mas se você quiser, nós podemos ver quanto tempo leva pra ir daqui até Los Angeles - eu aposto que te traria de volta antes de meia noite—.
Eu respirei fundo. —Eu acho que vou passar—, eu suspirei, reprimindo um tremor.
Nós continuamos, sempre rápido demais, pelo longo caminho. Alice parou na garagem, e eu rapidamente olhei para os carros.
O jipe grande de Emmett estava lá, com um brilhante Porsche amarelo cor de canário entre ele e o conversível vermelho de Rosalie.
Alice saiu graciosamente e foi passar a mão no suborno dela. —É bonito, não é?—
—Bonito até demais—, eu murmurei, incrédula. —Ele te deu isso só pra você me manter prisioneira por dois dias?—
Alice fez uma cara.
Um segundo depois, a compreensão veio e eu sufoquei de horror. —É por todo o tempo que ele esteve longe, não é?—
Ela acenou com a cabeça.
Eu bati a minha porta e marchei em direção à casa. Ela dançou ao meu lado o tempo inteiro, ainda sem se arrepender.
—Alice, você não acha que isso é um pouco controlador demais? Um pouquinho psicótico, talvez?—
—Na verdade não—, ela fungou. —Você não parece compreender o quanto um lobisomem jovem pode ser. Especialmente quando eu não consigo vê-los. Edward não tem nenhuma forma de saber se você está segura. Você não devia ser tão irresponsável—.
Minha voz se tornou ácida. —Sim, porque uma festa do pijama de vampiro é pináculo de um comportamento conscientemente seguro—.
Alice riu. —Eu vou ser sua pedicure e tudo—, ela prometeu.
Não foi tão ruim, exceto pelo fato de que eu estava sendo segurada contra a minha vontade. Esme comprou comida Italiana - coisas boas, diretamente de Port Angeles - e Alice estava preparada com os meus filmes favoritos. Até Rosalie está lá, silenciosamente no fundo. Alice insistiu em ser pedicure, e eu me perguntei se ela tinha feito uma lista - talvez uma coisa que ela tenha inventado depois de assistir seriados ruins.
—Quão tarde você quer ficar acordada?— ela perguntou quando as minhas unhas estavam brilhando um vermelho sangue. O entusiasmo dela continuou a não mexer com o meu humor.
—Eu não quero ficar acordada. Nós temos escola amanhã—.
Ele fez beicinho.
—Onde é que eu vou dormir, afinal?— eu medi o sofá com os meus olhos. Ele era um pouco curto. —Será que eu não posso dormir sob vigilância em minha casa?—
—Que espécie de festa do pijama seria esta?— Alice balançou a cabeça exasperada.
—Você vai dormir no quarto de Edward—.
Eu suspirei. O sofá de couro preto dele era mais longo do que esse. Na verdade, o carpete dourado do quarto dele provavelmente era grosso o suficiente pra que o chão também não fosse uma má ideia.
—Posso ir à minha casa pra pegar as minhas coisas, pelo menos?—
Ela sorriu. —Já cuidei disso—.
—Eu tenho permissão de usar o seu telefone?—
—Charlie sabe que você está aqui—
—Eu não ia ligar pra Charlie—. Eu fiz uma careta. —Aparentemente, eu tenho planos pra cancelar—.
—Oh—, ela pensou. —Eu não tenho certeza quanto a isso—.
—Alice!— eu choraminguei alto. —Vamos!—
—Tá bom, tá bom—, ela disse, saindo do quarto. Ela estava de volta em menos de meio segundo, com o celular na mão.
—Ele não proibiu isso especificamente...— ela murmurou pra si mesma enquanto passava ele pra mim.
Eu disquei o número de Jacob, esperando que ele não estivesse fora caçando com os amigos esta noite. A sorte estava ao meu lado - foi Jacob que atendeu.
—Alô?—
—Ei, Jake, sou eu— Alice me olhou com olhos inexpressivos por um segundo, antes de e se virar e ir se sentar ao lado de Rosalie e Esme no sofá.
—Oi, Bella—, Jacob disse, cuidadoso de repente. —O que foi?—
—Nada de bom. No fim das contas eu não vou poder ir no sábado—.
Ficou silencioso por um segundo. —Sugador de sangue estúpido—, ele finalmente murmurou. —Eu pensei que ele ia embora. Será que você não pode ter uma vida quando ele está longe? Ou ele te tranca no caixão dele?—
Eu ri.
—Eu não achei engraçado—.
—Eu só estou rindo porque você está perto—, eu disse a ele. —Mas ele vai estar aqui no sábado, então isso não importa—.
—Ele vai estar se alimentando em Forks então?— Jacob perguntou curtamente.
—Não— eu não me deixei ficar irritada com ele. Eu não estava tão longe de estar com tanta raiva quanto ele estava. —Ele foi mais cedo—.
—Oh. Bem, ei, venha agora, então—, ele disse com entusiasmo repentino. —Não está tão tarde. Ou eu vou te buscar na casa de Charlie—.
—Eu queria. Eu não estou na casa de Charlie—, eu disse amargamente. —Eu estou meio que sendo mantida prisioneira—.
Ele ficou em silêncio enquanto isso se encaixava, e então ele rosnou. —Nós vamos buscar você—, ele prometeu numa voz vazia, passando rapidamente pelo plural.
Um tremor percorreu a minha espinha, mas eu respondi num voz leve e zombeteira. —Tentador. Eu estou sendo torturada - Alice pintou as unhas dos meus pés—.
—Estou falando sério—.
—Não fale. Eles só estão tentando me manter segura—.
Ele rosnou de novo.
—Eu sei que é bobagem, mas o coração deles está no lugar certo—.
—O coração deles!— Jacob zombou.
—Eu lamento por sábado—, eu me desculpei. Eu tenho que ir para a cama— - o sofá, eu corrigi mentalmente - —mas eu te ligo de novo em breve—.
—Você tem certeza que eles vão deixar?— ele perguntou num tom severo.
—Não completamente—, eu suspirei. —Boa noite, Jake—.
—A gente se vê por aí—.
Alice estava abruptamente ao meu lado, a mão dela estava erguida para o telefone, mas eu já estava discando. Ela viu o número.
—Eu acho que ele não está com o telefone dele—, ela disse.
—Eu vou deixar uma mensagem—
O telefone tocou quatro vezes, seguidas por um bipe. Não havia nenhuma saudação.
—Você está com problemas— eu disse lentamente, enfatizando cada palavra. —Problemas enormes. Ursos pardos raivosos não serão nada perto do que está te esperando em casa—.
Eu fechei o telefone e o coloquei na mão dela que estava esperando. —Eu acabei—.
Ela sorriu. —Essa coisa de refém é divertida—.
—Eu vou dormir agora—, eu anunciei, indo para as escadas. Alice veio junto.
—Alice—, eu suspirei. —Eu não vou escapulir. Você saberia se eu estivesse planejando isso, e você me pegaria se eu tentasse—.
—Eu só vou te mostrar onde as suas coisas estão—, ela disse inocentemente.
O quarto de Edward ficava no fim do corredor do terceiro andar, difícil de me enganar mesmo se a casa enorme fosse menos familiar. Mas quando eu acendi a luz, eu parei, confusa. Eu tinha escolhido o quarto errado?

Era o mesmo quarto, eu reparei rapidamente; só que os móveis haviam sido re-arrumados. O sofá tinha sido empurrado para a parede norte e o som estava enfiado contra as vastas prateleiras de CD's - pra dar espaço à cama colossal que agora dominava o espaço no centro.
A parede de vidro ao sul refletia a cena como um espelho, fazendo ela parecer duas vezes pior.
Ela combinava. A colcha era de um dourado fraco, um pouco mais claro que as paredes; a armação era preta, feita com um aço forte e patenteado. Rosas esculpidas de metal se espalhavam em vinhas pelo alto poste e formavam um entrelaçado gracioso em cima. Os meus pijamas estavam cuidadosamente dobrados no pé da cama, e a minha bolsa de coisas de toalete estava ao lado.
—Que diabos é tudo isso?— eu disparei.
—Você não achou realmente que ele fosse te deixar dormir no sofá, pensou?—
Eu murmurei inteligivelmente enquanto marchava para arrancar as minhas coisas da cama.
—Eu vou te dar um pouco de privacidade—, Alice riu. —Te vejo de manhã—.
Depois que os meus dentes estavam escovados e eu estava vestida, eu peguei um travesseiro de penas fofo da cama e arrastei a coberta dourada até o sofá. Eu sabia que estava sendo boba, mas não me importava. Porsches de suborno e camas King-size em casas onde ninguém dormia - era irritante ao extremo. Eu desliguei as luzes e me curvei no sofá, me perguntando se estava chateada demais para dormir.
No escuro, a parede de vidro não era mais um espelho escuro, duplicando o quarto. A luz da lua brilhava nas nuvens do lado de fora da janela. Enquanto os meus olhos se ajustavam, eu podia ver um brilho difuso destacando o topo das árvores, e fazendo um pequeno pedaço do rio cintilar. Eu olhei a luz prateada, esperando que os meus olhos ficassem pesados.
Houve uma batida de leve na porta.
—O que, Alice?— eu assobiei. Eu estava na defensiva, imaginando a diversão dela quando ela visse a minha cama improvisada.
—Sou eu—, Rosalie disse suavemente, abrindo a porta o suficiente pra que eu pudesse ver o brilho prateado tocar o seu rosto perfeito. —Posso entrar?

8 comentários:

  1. Fernanda Boaventura12 de outubro de 2015 15:46

    Se eu tivesse no lugar da Alice... Não aceitaria o suborno... Bom... Sinceramente aceitaria. E deve ser divertido manter uma cunhada com "refém" ainda mais sendo a Bella.

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  2. Só eu q acho a relação deles meio abusiva? Fala sério, ele controla ela! Se fosse na vida real era só ela denunciar ele q gerava no mínimo um boletim de ocorrência válido! Cade a lei Maria da penha nessa bagaça?!

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    1. Eu tb concordo Gabriela!
      Ela é totalmente submissa à ele, chega a ser irritante.
      Mikaela

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    2. Concordo plenamente! É por isso que prefiro a adaptação feita para os filmes. A Bella do filme não é tão palerma! E o Edward do filme não é tão controlador!

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  3. Ele está te trancando no seu caixão? Kkkkkkkkkk morri nessa parte

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