28 de setembro de 2015

Capítulo 6 - Distrações

Minha diversão tornou-se a prioridade máxima na Ilha de Esme. Nós nadamos com snorkel (bom, eu nadei com snorkel, enquanto ele ostentou a capacidade de se manter indefinidamente sem oxigênio). Exploramos a pequena selva que margeava o pico pequeno e rochoso. Visitamos os papagaios que moravam na mata do extremo sul da ilha. Vimos o sol se pôr da angra rochosa a oeste. Nadamos com os botos que brincavam nas águas quentes e rasas de lá. Ou pelo menos eu nadei; quando Edward estava na água, os botos desapareciam, como se houvesse um tubarão por perto.
Eu sabia o que estava acontecendo. Ele tentava me manter ocupada, distraída, para que eu não continuasse a incomodá-lo com a história de sexo. Sempre que eu tentava falar com ele para relaxarmos com um dos milhões de DVDs sob a imensa tevê de plasma, ele me atraía para fora da casa com palavras mágicas como recifes de coral, cavernas submersas e tartarugas marinhas. Ficávamos fora, fora o dia todo; então eu me via completamente faminta e exausta quando o sol finalmente se punha.
Eu me debruçava sobre o prato depois de terminado o jantar todas as noites; certa vez caí no sono ali mesmo sobre a mesa, e ele teve de me levar para a cama. Parte disso era que Edward sempre fazia comida demais para uma pessoa, mas eu ficava tão faminta depois de nadar e escalar o dia todo que comia a maior parte dela. E depois, saciada e cansada, mal conseguia manter os olhos abertos. Tudo parte do plano, sem dúvida.
A exaustão não ajudava muito com minhas tentativas de persuasão. Mas eu não desisti. Tentei argumentar, pedir e resmungar, tudo em vão. Em geral eu estava inconsciente antes de conseguir levar meu caso adiante. E depois meus sonhos pareciam tão reais – pesadelos, em sua maior parte, mais nítidos, imagino, pelo fato de as cores na ilha serem tão vivas – que eu acordava cansada, por mais que tivesse dormido.
Mais ou menos uma semana depois de chegarmos à ilha, decidi tentar um acordo. Tinha funcionado conosco no passado. Estávamos dormindo no quarto azul. Os empregados só viriam no dia seguinte e assim o quarto branco ainda tinha uma manta branca de penas. O quarto azul era menor, a cama, de proporções mais razoáveis. As paredes eram escuras, revestidas de madeira clara, e os acessórios eram todos de uma luxuriosa seda azul.
Havia me acostumado a usar parte da coleção de lingerie de Alice para dormir à noite – que não era tão reveladora, comparada com os biquínis mínimos que ela colocara em minha mala. Perguntei-me se ela tivera uma visão do motivo de eu querer aquelas coisas, e então estremeci, constrangida com a ideia.
Comecei devagar por inocentes cetins marfim, preocupada com o fato de que revelar muito de minha pele tivesse o efeito contrário ao que eu procurava, mas disposta a tentar de tudo. Edward pareceu nem perceber, como se eu estivesse usando os mesmos moletons velhos e puídos que usava em casa.
Os hematomas tinham melhorado muito – amarelando em alguns pontos e desaparecendo completamente em outros – então naquela noite vesti uma das peças mais assustadoras no banheiro revestido de madeira. Era preta, de renda, e constrangedora de olhar até fora do corpo. Tive o cuidado de não me olhar no espelho antes de voltar ao quarto. Eu não queria perder a coragem.
Tive a satisfação de ver os olhos de Edward se arregalando por um segundo antes de ele disfarçar a expressão.
— O que você acha? — perguntei, dando uma pirueta para que ele pudesse ver cada ângulo.
Ele pigarreou.
— Você está linda. Sempre está.
Obrigada — eu disse, meio azeda. Estava cansada demais para resistir a subir rapidamente na cama macia. Ele me abraçou e me puxou para seu peito, mas aquilo era rotina – fazia muito calor para dormir sem seu corpo frio junto ao meu.
— Quero fazer um acordo com você — eu disse, sonolenta.
— Não farei mais acordos com você — respondeu ele.
— Ainda nem ouviu o que tenho a propor.
— Não importa.
Suspirei.
— Droga. E eu, na verdade, queria... Ah, deixa pra lá.
Ele revirou os olhos.
Fechei os meus e deixei a isca pairando no ar. Bocejei. Levou só um minuto – tempo insuficiente para eu apagar.
— Tudo bem. O que você quer?
Trinquei os dentes por um segundo, reprimindo um sorriso. Se havia uma coisa a que ele não resistia era a oportunidade de me dar algo.
— Bom, eu estava pensando... Sei que toda essa história de Dartmouth era só para ser um disfarce, mas, sinceramente, um semestre de faculdade não iria me matar — eu disse, fazendo eco a suas palavras de um ano antes, quando ele tentou me convencer a adiar minha transformação em vampira. — Charlie vai ficar emocionado com histórias de Dartmouth, aposto. É claro que pode ser constrangedor se eu não conseguir acompanhar todos os nerds. Ainda assim... 18, 19. Não faz muita diferença. Afinal, eu não vou estar com pés de galinha no ano que vem.
Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Depois, em voz baixa, disse:
— Você esperaria. Você continuaria humana.
Eu segurei a língua, deixando que ele absorvesse a proposta.
— Por que está fazendo isso comigo? — disse ele entredentes, o tom de voz de repente irritado. — Já não é bem difícil sem isso? — Ele pegou um babadinho de renda em minha coxa. Por um momento, pensei que fosse arrancá-lo da costura. Depois sua mão relaxou. — Não importa. Não vou fazer nenhum acordo com você.
— Quero ir para a faculdade.
— Não quer, não. E não há nada que valha arriscar sua vida de novo. Que valha machucar você.
— Mas eu quero ir. Bom, não é tanto a faculdade que eu quero... Quero ser humana por mais um tempinho.
Ele fechou os olhos e expirou pelo nariz.
— Você está me deixando louco, Bella. Já não tivemos essa discussão umas mil vezes, você sempre pedindo para ser logo vampira?
— Sim, mas... Bom, eu tenho um motivo para ser humana que não tinha antes.
— E qual é?
— Adivinhe — eu disse, e me arrastei dos travesseiros para beijá-lo.
Ele retribuiu o beijo, mas não com intensidade suficiente para me fazer pensar que eu tinha vencido. Era mais como se ele estivesse tendo o cuidado de não ferir meus sentimentos; ele estava completa e enlouquecedoramente controlado. Com delicadeza, me afastou depois de um instante e me aninhou em seu peito.
— Você é humana demais, Bella. Regida por seus hormônios. — Ele riu.
— Aí é que está, Edward. Gosto dessa parte de ser humana. Ainda não quero abrir mão disso. Não quero esperar durante anos como uma recém-criada louca por sangue, para que parte disso volte à minha vida.
Bocejei e ele sorriu.
— Você está cansada. Durma, amor.
Ele começou a cantarolar a cantiga de ninar que compôs para mim quando nos conhecemos.
— Fico me perguntando por que estou tão cansada — murmurei com sarcasmo. — Isso não pode ser parte de seu esquema, nem nada, não é?
Ele se limitou a rir e voltou a cantarolar.
— Porque, do jeito que ando cansada, era para eu dormir melhor.
A música parou.
— Você dorme feito uma pedra, Bella. Não disse uma palavra sequer dormindo desde que viemos para cá. Se não fosse pelos roncos, eu pensaria que estava em coma.
Ignorei a piada sobre os roncos; eu não roncava.
— Eu não fico agitada? Que estranho. Em geral rolo por toda a cama quando tenho pesadelos. E grito.
— Você anda tendo pesadelos?
— Nítidos. Eles me deixam tão cansada! — Bocejei. — Nem acredito que não fico falando a noite toda.
— Sobre o que são?
— Coisas diferentes... E iguais, você sabe, por causa das cores.
— Cores?
— É tudo brilhante e real. Em geral, quando estou sonhando, sei que estou. Nesses, não tenho consciência de que estou dormindo. Isso os torna mais apavorantes.
Ele pareceu perturbado quando falou novamente.
— O que a apavora?
Eu tremi um pouco.
— Principalmente... — hesitei.
— Principalmente? — insistiu ele.
Eu não sabia bem por quê, mas não queria contar a ele sobre a criança em meu pesadelo recorrente; havia alguma coisa íntima naquele pavor em particular. Então, em vez de lhe dar uma descrição completa, só falei de um elemento. Certamente o suficiente para me assustar, ou qualquer outra pessoa.
— Os Volturi — sussurrei.
Ele me abraçou com mais força.
— Eles não vão mais nos incomodar. Você será imortal em breve, e eles não terão motivos.
Deixei que ele me reconfortasse, sentindo-me um pouco culpada por ele ter entendido mal. Os pesadelos não eram assim, não exatamente. Não era que eu tivesse medo por mim – temia pelo menino.
Não era o mesmo menino do primeiro sonho – a criança vampira com os olhos injetados, sentada numa pilha de pessoas que eu amava e que estavam mortas. O menino com quem sonhei quatro vezes na última semana, sem dúvida, era humano; seu rosto era corado e os olhos grandes, de um verde suave. Mas, como a outra criança, ele tremia de medo e desespero enquanto os Volturi se aproximavam de nós.
Nesse sonho, que era ao mesmo tempo novo e antigo, eu simplesmente tinha de proteger a criança desconhecida. Não havia alternativa. Ao mesmo tempo, eu sabia que fracassaria.
Ele viu a desolação em meu rosto.
— O que posso fazer para ajudar?
Eu descartei a oferta.
— São só sonhos, Edward.
— Quer que eu cante para você? Vou cantar a noite toda, se isso afugentar os sonhos ruins.
— Não são assim tão ruins. Alguns são bons. Tão... coloridos. Debaixo da água, com os peixes e os corais. Tudo parece que está acontecendo de verdade... Não tenho consciência de que estou sonhando. Talvez esta ilha seja o problema. Aqui tem muita luz.
— Quer ir para casa?
— Não. Não, ainda não. Podemos ficar mais tempo?
— Podemos ficar o tempo que você quiser, Bella — ele me prometeu.
— Quando o semestre começa? Eu não estava prestando atenção antes.
Ele suspirou. Talvez tenha começado a cantarolar também, mas dormi antes de poder ter certeza.
Mais tarde, quando acordei no escuro, foi com um choque. O sonho tinha sido real demais ... Tão nítido, tão sensorial... Eu arfava, desorientada no escuro. Só um segundo antes, parecia, eu estava sob um sol forte.
— Bella? — sussurrou Edward, os braços firmes à volta de mim, sacudindo-me com gentileza. — Está tudo bem, meu amor?
— Ah! — arfei novamente.
Só um sonho. Não era real. Para minha completa perplexidade, as lágrimas transbordaram de meus olhos de repente, escorrendo pelo rosto.
— Bella! — ele disse, agora mais alto, alarmado. — Qual é o problema?
Ele enxugava as lágrimas de minha face quente com dedos frios e frenéticos, mas outras se seguiam.
— Foi só um sonho.
Não pude conter o soluço baixo que cortou minha voz. As lágrimas sem sentido eram perturbadoras, mas eu não conseguia controlar a profunda tristeza que me tomou. Eu queria tanto que o sonho fosse real!
— Está tudo bem, amor, está tudo bem. Eu estou aqui. — Ele me embalou, um pouco rápido demais para que eu me tranquilizasse. — Teve outro pesadelo?
Não era real, não era real.
— Não foi um pesadelo — sacudi a cabeça, passando as costas das mãos nos olhos. — Foi um sonho bom. — Minha voz falhou novamente.
— Então, por que está chorando? — perguntou ele, confuso.
— Porque acordei — gemi, passando os braços em volta de seu pescoço num abraço sufocante e chorando.
Ele riu de minha lógica, mas parecia tenso de preocupação.
— Está tudo bem, Bella. Respire fundo.
— Foi tão real! — chorei. — Eu queria que fosse real.
— Fale-me dele — insistiu Edward. — Talvez isso possa ajudar.
— Estávamos na praia... — Minha voz falhou e eu me afastei para fitar com os olhos cheios de lágrimas seu rosto ansioso de anjo, sombrio no escuro. Eu o olhava pensativa enquanto a tristeza irracional começava a ceder.
— E...? — instigou ele por fim.
Pisquei para afugentar as lágrimas de meus olhos.
— Ah, Edward...
— Conte-me, Bella — pediu ele, os olhos loucos de preocupação com a dor em minha voz.
Mas não consegui. Em vez disso, tornei a passar os braços por seu pescoço pressionei febrilmente a boca contra a dele. Não era desejo – era necessidade, intensa, a ponto de doer. A resposta dele foi imediata, mas rapidamente seguida por sua rejeição.
Ele lutou comigo com a maior gentileza que pôde em sua surpresa, mantendo-me afastada, segurando meus ombros.
— Não, Bella — insistiu Edward, olhando para mim como se estivesse preocupado com minha possível insanidade.
Meus braços caíram de lado, derrotados, as lágrimas estranhas derramando uma torrente fresca por meu rosto, um novo soluço subindo por minha garganta. Ele tinha razão – eu devia estar louca. Ele me fitou com olhos confusos e angustiados.
— Me d-d-d-desculpe — murmurei.
Mas ele me puxou, abraçando-me com força contra seu peito de mármore.
— Não posso, Bella, não posso! — Seu gemido era agoniado.
— Por favor — eu disse, meu pedido abafado em sua pele. — Por favor, Edward?
Não sei se ele ficou comovido com minha voz trêmula, com as lágrimas, ou se estava despreparado para lidar com a surpresa de meu ataque, ou se naquele momento a necessidade dele era simplesmente tão insuportável quanto a minha. Qualquer que fosse o motivo, ele puxou minha boca para a dele, rendendo-se com um gemido.
E começamos onde meu sonho tinha parado.


Fiquei imóvel quando acordei pela manhã, e tentei estabilizar minha respiração. Tive medo de abrir os olhos.
Eu estava deitada no peito de Edward, mas ele estava completamente parado e seus braços não me envolviam. Mau sinal. Tive medo de admitir que estava acordada e enfrentar sua fúria – independentemente de quem fosse o alvo hoje.
Com cuidado, espiei pelas pálpebras. Ele olhava fixamente o teto escuro, os braços atrás da cabeça. Eu me apoiei no cotovelo para ver melhor seu rosto. Era suave, sem expressão.
— Estou muito encrencada? — perguntei em voz baixa.
— Muito — disse ele, mas virou a cabeça e sorriu maliciosamente para mim.
Soltei um suspiro de alívio.
— Eu lamento muito — disse. — Não queria... Bom, não sei exatamente o que aconteceu ontem à noite.
Sacudi a cabeça com a lembrança do choro irracional, o pesar esmagador.
— Você não me contou de que se tratava o sonho.
— Acho que não... Mas eu, de certa maneira, mostrei a você de que se tratava.
Eu ri, nervosa.
— Ah! — disse ele. Seus olhos se arregalaram, depois ele piscou. — Interessante.
— Foi um sonho muito bom — murmurei.
Ele não fez nenhum comentário, então, alguns segundos depois, perguntei:
— Estou perdoada?
— Estou pensando nisso.
Eu me sentei, pretendendo me examinar – não parecia haver nenhuma pluma, pelo menos. Mas, enquanto eu me mexia, uma estranha pontada de vertigem me atingiu. Eu oscilei e caí nos travesseiros.
— Caramba... fiquei tonta.
Seus braços então me envolveram.
— Você dormiu por muito tempo. Doze horas.
— Doze? — Que estranho.
Dei uma rápida olhada em meu corpo enquanto falava, tentando ser discreta. Parecia bem. Os hematomas nos braços ainda eram os de uma semana atrás, amarelados. Espreguicei-me, experimentando. Também me sentia bem. Quer dizer, na verdade mais do que bem.
— O inventário está completo?
Assenti timidamente.
— Todos os travesseiros parecem ter sobrevivido.
— Infelizmente, não posso dizer o mesmo de sua, hã, camisola. — Ele fez um gesto de cabeça na direção do pé da cama, onde vários pedaços de renda preta estavam espalhados sobre os lençóis de seda.
— Isso é péssimo — eu disse. — Eu gostava dessa.
— Eu também.
— Mais alguma baixa? — perguntei timidamente.
— Terei de comprar uma cama nova para Esme — confessou ele, olhando sobre o ombro. Segui seu olhar e fiquei chocada ao ver que grandes nacos de madeira aparentemente tinham sido arrancados do lado esquerdo da cabeceira.
— Hmmmm. — Franzi a testa. — Acho que eu teria ouvido isso.
— Você parece ser extraordinariamente alienada quando sua atenção está em outra parte.
— Fiquei meio absorta — admiti, ganhando um rubor vermelho forte.
Ele tocou meu rosto em brasa e suspirou.
— Vou sentir muita falta disso.
Eu o encarei, procurando qualquer sinal de raiva ou remorso, que eu temia. Ele retribuiu meu olhar tranquilamente, a expressão calma mas indecifrável.
— Como está se sentindo?
Ele riu.
— Que foi? — perguntei.
— Você parece tão culpada... Como se tivesse cometido um crime.
— Eu me sinto culpada — murmurei.
— Então você seduziu seu marido louco para ser seduzido. Isso não é um pecado capital.
Ele parecia estar brincando. Meu rosto ficou mais quente.
— A palavra seduziu implica certo nível de premeditação.
— Talvez essa fosse a palavra errada — admitiu ele.
— Não está com raiva?
Ele sorriu pesaroso.
— Não estou com raiva.
— E por que não?
— Bom... — ele se interrompeu. — Eu não a machuquei, para começar. Foi mais fácil, desta vez, me controlar, canalizar os excessos. — Seus olhos passaram para a guarda da cama novamente. — Talvez porque eu tivesse uma ideia melhor do que esperar.
Um sorriso esperançoso começou a se abrir em meu rosto.
— Eu disse que era uma questão de prática.
Ele revirou os olhos. Meu estômago roncou e ele riu.
— Hora do café da manhã da humana? — perguntou ele.
— Por favor — eu disse, pulando da cama.
Mas me mexi rápido demais e tive de cambalear como bêbada para recuperar o controle. Ele me pegou antes que eu tropeçasse na cômoda.
— Está tudo bem?
— Se eu não tiver um senso de equilíbrio melhor em minha próxima vida, vou exigir reembolso.
Naquela manhã, fui para a cozinha e fritei alguns ovos – faminta demais para fazer algo mais elaborado. Impaciente, eu os virei num prato depois de poucos minutos.
— Desde quando você come ovos fritos de um só lado? — perguntou ele.
— Desde agora.
— Sabe quantos ovos você comeu na última semana? — Ele pegou uma embaixo da pia: estava cheia de embalagens vazias.
— Que estranho — eu disse, depois de engolir um pedaço escaldante. — Este lugar está bagunçando meu apetite. — E meus sonhos, e meu equilíbrio já duvidoso, pensei. — Mas gosto daqui. Provavelmente vamos embora logo, para chegar a Dartmouth a tempo, não é? Acho que precisamos encontrar um lugar para morar e outras coisas também.
Ele se sentou ao meu lado.
— Pode desistir dessa história falsa de faculdade... Você já conseguiu o que queria. E não fizemos um acordo; então, não existem pendências.
Bufei.
— Eu não estava fingindo, Edward. Não passo o meu tempo livre tramando, como algumas pessoas fazem. O que posso fazer para esgotar a Bella hoje? — eu disse numa imitação ruim de sua voz. Ele riu, descarado. — Eu realmente quero um pouco mais de tempo como humana. — Inclinei-me para passar a mão em seu peito nu. — Ainda não tive o bastante.
Ele me olhou de forma dúbia.
— Para isso? — perguntou ele, pegando minha mão, que descia por sua barriga. — O sexo era a chave o tempo todo? — Ele revirou os olhos. — Por que não pensei nisso? — murmurou ele com sarcasmo. — Podia ter me poupado muitas discussões.
Eu ri.
— É, talvez pudesse mesmo.
— Você é tão humana! — repetiu ele.
— Eu sei.
Uma sugestão de sorriso apareceu em seus lábios.
— Vamos para Dartmouth? De verdade?
— Provavelmente vou tomar bomba no primeiro semestre.
— Vou ser seu professor particular. — O sorriso dele agora era amplo. — Você vai adorar a faculdade.
— Acha que podemos encontrar um apartamento assim tão em cima da hora?
Ele fez uma careta, parecendo culpado.
— Bom, nós já temos uma casa lá. Sabe como é, só por precaução.
— Você comprou uma casa?
— Os imóveis são um bom investimento.
Ergui uma sobrancelha e deixei passar.
— Então estamos preparados.
— Terei de ver se podemos manter seu carro de “antes” por mais tempo
— Sim, Deus me livre de não estar protegida contra tanques.
Ele sorriu.
— Quanto tempo ainda podemos ficar aqui? — perguntei.
— Estamos bem de tempo. Mais algumas semanas, se você quiser. E depois podemos visitar Charlie antes de irmos para New Hampshire. Podemos passar o Natal com Renée...
Suas palavras pintaram um futuro imediato muito feliz, um futuro sem sofrimento para todos os envolvidos. O incidente Jacob, quase esquecido, chocalhou e eu corrigi o pensamento – para quase todos.
Aquilo não estava ficando mais fácil. Agora que eu havia descoberto exatamente como era bom ser humana, era tentador deixar o barco correr. 18 ou 19, 19 ou 20 anos... Que diferença faria? Eu não ia mudar tanto em um ano. E ser humana com Edward... A decisão se tornava mais complicada a cada dia.
— Algumas semanas — concordei. E depois, porque nunca parecia haver tempo suficiente, acrescentei: — Então, eu estava pensando... Sabe o que eu disse antes sobre a prática?
Ele riu.
— Pode segurar um pouco esse pensamento? Estou ouvindo um barco. Os empregados devem estar aqui.
Ele queria que eu segurasse o pensamento. Então isso significava que ele não ia me criar mais problemas com a prática? Sorri.
— Deixe-me explicar a bagunça com o quarto branco ao Gustavo, e depois podemos sair. Há um lugar na mata ao sul...
— Não quero sair. Não vou andar pela ilha toda hoje. Quero ficar aqui e ver um filme.
Ele franziu os lábios, tentando não rir de meu tom de voz desapontado.
— Tudo bem, o que você quiser. Por que não escolhe um DVD enquanto atendo à porta?
— Não ouvi ninguém bater.
Ele inclinou a cabeça de lado, escutando. Meio segundo depois, uma batida fraca e tímida soou na porta. Ele sorriu e se virou para o corredor.
Fui até as prateleiras sob a grande tevê e comecei a percorrer os títulos. Era difícil decidir por onde começar. Eles tinham mais DVDs do que uma locadora. Pude ouvir a voz baixa e aveludada de Edward voltando pelo corredor, conversando fluentemente no que eu supus ser um português perfeito. Outra voz humana, mais rude, respondeu na mesma língua.
Edward os levou até o quarto, apontando para a cozinha no caminho. Os brasileiros pareciam incrivelmente baixos e morenos ao lado dele. Eram um homem roliço e uma mulher magra, o rosto de ambos vincados de rugas. Edward gesticulou para mim com um sorriso de orgulho, e ouvi meu nome misturado numa lufada de palavras desconhecidas. Corei um pouco enquanto pensava na bagunça de penas no quarto branco, que eles logo encontrariam. O baixinho sorriu para mim com educação.
Mas a mulher de pele de café não sorriu. Encarou-me com um misto de choque, preocupação e, acima de tudo, muito medo. Antes que eu pudesse reagir, Edward indicou que o seguissem para a gaiola de penas, e eles se foram.
Quando reapareceu, Edward estava sozinho. Andou rapidamente até mim e me abraçou.
— O que há com ela? — sussurrei com urgência, lembrando-me de sua expressão de pânico.
Ele deu de ombros, sem se perturbar.
— Kaure é, em parte, uma índia ticuna. Foi criada para ser mais supersticiosa... ou você pode chamar mais consciente... do que os que vivem no mundo moderno. Ela desconfia do que eu sou, ou chega bem perto. — Ele ainda não parecia preocupado. — Eles têm suas próprias lendas por aqui. O lobisomem... um demônio bebedor de sangue que ataca exclusivamente mulheres bonitas. — Ele me olhou de lado.
Só mulheres bonitas? Bom, isso era meio lisonjeiro.
— Ela parece apavorada — eu disse.
— E está... Mas está mais preocupada com você.
— Comigo?
— Ela teme o motivo de eu ter você aqui, a sós. — Ele riu sombriamente e depois olhou a parede de filmes. — Ah, bem, por que não escolhe alguma coisa para assistirmos? Isso é algo humano e aceitável a fazer.
— Sei, como se um filme fosse convencê-la de que você é humano. — Eu ri e abracei com firmeza seu pescoço, ficando na ponta dos pés. Ele se curvou para que eu pudesse beijá-lo, depois seus braços me apertaram, erguendo-me chão para que ele não tivesse de se curvar. — Então, que seja um filme — murmurei, enroscando meus dedos em seus cabelos de bronze, enquanto seus lábios desciam por meu pescoço.
Em seguida ouvi um arquejo e ele me baixou abruptamente. Kaure estava paralisada na soleira da porta, com penas no cabelo preto, um saco enorme de mais penas nos braços, uma expressão de pavor no rosto. Ela me fitou de olhos arregalados enquanto eu corava e baixava a cabeça. Então se recuperou e murmurou alguma coisa que, mesmo em uma língua desconhecida, era claramente um pedido de desculpas. Edward sorriu e respondeu num tom simpático. Ela desviou os olhos escuros e seguiu pelo corredor.
— Ela estava pensando o que eu penso que ela estava pensando, não é? — murmurei.
Ele riu de minha frase enrolada.
— Está.
— Tome — eu disse, pegando um filme aleatoriamente e passando a ele. — Coloque este, e podemos fingir que estamos vendo.
Era um antigo musical com rostos sorridentes e vestidos esvoaçantes.
— Bem de lua de mel — Edward aprovou.
Enquanto atores na tela dançavam uma animada música de abertura, eu me refestelei no sofá, aninhada nos braços dele.
— Depois vamos voltar para o quarto branco? — perguntei preguiçosamente.
— Não sei... Já estraguei demais o outro quarto... Talvez, se nos limitarmos à destruição de apenas uma área da casa, Esme possa nos convidar a voltar.
Eu dei um sorriso largo.
— Então haverá mais destruição?
Ele riu de minha expressão.
— Acho que pode ser mais seguro se for premeditado, em vez de eu esperar que você me ataque novamente.
— Seria só uma questão de tempo — concordei, num tom despreocupado, mas minha pulsação estava disparada.
— Algum problema com seu coração?
— Não. Saudável como um cavalo. — Fiz uma pausa. — Quer fazer um levantamento da zona de destruição agora?
— Talvez fosse mais sensato esperar que fiquemos a sós. Você pode não perceber quando estou destruindo a mobília, mas isso provavelmente iria assustá-los.
Na verdade, eu já me esquecera das pessoas no outro cômodo.
— É verdade. Droga.
Gustavo e Kaure moviam-se rapidamente pela casa enquanto eu esperava com impaciência que terminassem e tentava prestar atenção no felizes-para-sempre da tela. Estava começando a ficar com sono – embora, segundo Edward, tivesse dormido metade do dia – quando uma voz rude me sobressaltou. Edward se sentou, mantendo-me aninhada nele, e respondeu a Gustavo num português fluente. Gustavo assentiu e dirigiu-se rapidamente para a porta da frente.
— Eles terminaram — disse-me Edward.
— Então isso quer dizer que agora estamos sozinhos?
— Que tal almoçar primeiro? — ele sugeriu.
Mordi o lábio, dividida pelo dilema. Eu estava mesmo com fome. Com um sorriso, ele pegou minha mão e me levou à cozinha. Conhecia meu rosto tão bem, que não importava que não conseguisse ler minha mente.
— Isso está fugindo do controle — eu me queixei quando finalmente me senti satisfeita.
— Quer nadar com os golfinhos esta tarde... queimar as calorias? — perguntou ele.
— Talvez depois. Tenho outra ideia para queimar calorias.
— E qual seria?
— Bom, ainda resta muito da cabeceira da cama...
Mas não terminei. Ele já havia me pegado nos braços, e seus lábios me silenciaram enquanto eu era carregada para o quarto azul a uma velocidade inumana.

6 comentários:

  1. Mds c controla guria doida

    ResponderExcluir
  2. Bella e sua sede inssaciavél por sexo!!!!
    Edward e seus escorregoes de controle tambem querendo sexo!!
    Ass:gaby

    ResponderExcluir
  3. Se a Bella lesse isso ea querer enfiar a cabeça na terra

    ResponderExcluir
  4. Mds ela ta com muita fome, fome por 2 ela n pode ta gravida e impocibro

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!