25 de setembro de 2015

Capítulo 4 - Natureza

Eu estava tendo uma semana ruim.
Eu sabia que essencialmente nada havia mudado. Tudo bem, então Victoria não tinha desistido, mas será que eu tinha sonhado por um momento que ela havia? O reaparecimento dela só confirmava o que eu já sabia. Nenhum motivo pra novo pânico.
Teoricamente. Não entrar em pânico era mais fácil de dizer do que fazer.
A formatura era daqui a umas semanas, mas eu me perguntei se não era um pouco bobo ficar sentada, fraca e saborosa, esperando pelo próximo desastre. Parecia perigoso demais ser humana - simplesmente implorar pra ter problemas. Uma pessoa com a minha sorte tende a ser um pouco desesperançada.
Mas ninguém me escutava.
Carlisle dizia —Nós somos sete, Bella. E com Alice ao nosso lado, eu não acho que Victoria vá nos pegar fora de guarda. Eu acho que é importante, pelo bem de Charlie, que nós continuemos com o plano original.
Esme disse —Nós nunca permitiremos que nada aconteça com você, querida. Você sabe disso. Por favor, não fique ansiosa.— E aí ela me deu um beijo na testa.
Emmett disse —eu estou feliz por Edward não ter te matado. Tudo é muito mais divertido com você por perto—.
Rosalie encarou ele.
Alice revirou os olhos e disse —Eu estou ofendida. Você não está honestamente preocupada com isso, está?—
—Se não é nada importante, então porque Edward me arrastou para a Flórida?— eu quis saber.
—Você não reparou ainda, Bella, que Edward tem uma pequena tendência a ser exagerado?—
Jasper havia silenciosamente apagado todo o pânico e a tensão do meu corpo com o seu curioso talento de mudar as emoções na atmosfera. Eu me senti segura, e deixei que eles me convencessem a sair do meu rogo desesperado.
É claro que a calma desapareceu assim que eu e Edward saímos da sala.
Então, o consenso era de que eu devia esquecer que uma vampira alucinada estava me perseguindo, com intenção de me matar. Se meter nos meus assuntos.
Eu tentei. E surpreendentemente, haviam outras coisas igualmente estressantes para duelas comigo pelo status na lista de espécies em perigo...
Porque a resposte de Edward foi a mais frustrante de todas.
—Isso é entre você e Carlisle—, ele disse. —É claro, você sabe que eu estou desejoso de fazer com que seja entre você e eu a qualquer hora que você desejar. Você sabe a minha condição—. E ele sorriu angelicalmente.
Ugh. Eu sabia a condição dele. Edward havia prometido que ele mesmo me transformaria quando eu quisesse... contanto que eu me casasse com ele primeiro.
As vezes eu me perguntava se ele não estava só fingindo que não lia a minha mente. De outra forma, como ele ia manter a insistência na única condição que eu tinha problema em aceitar? A única condição que me fazia desacelerar.
Tudo em tudo, uma semana muito ruim. E hoje era o pior dia dela.
Era sempre ruim quando Edward estava longe. Alice não havia previsto nada fora do normal esse fim de semana, então eu insisti que ele aproveitasse a oportunidade e fosse caçar com os seus irmãos. Eu sabia o quanto o deixava chateado caçar as presas chatas, fáceis que haviam por perto.
—Vá se divertir—, eu disse pra ele. —Traga alguns leões da montanha para mim—.
Eu jamais admitiria pra ele o quanto era difícil pra mim quando ele estava longe -- como isso trazia de volta os meus pesadelos de abandono. Se ele soubesse disso, isso faria com que ele se sentisse horrível e ele ficaria com medo de me deixar de novo, mesmo pelas razões mais necessárias. Foi assim desde o começo, quando ele retornou da Itália. Os olhos dourados dele haviam ficado pretos e ele sofria com a sede mais do que já era necessário que ele sofresse. Então eu fazia uma cara corajosa e chutava ele pra fora de casa toda vez que Emmett e Jasper queriam ir.
No entanto, eu acho que ele via além de mim. Um pouco. Essa manhã havia um bilhete no meu travesseiro:

Eu volto logo pra que você não precise sentir a minha falta. Tome conta do meu coração - eu deixei ele com você.

Então agora eu tinha um longo Sábado vazio com nada além do meu turno matutino no Newton's Olympics Outfitters pra me distrair. E, é claro, eu tinha a promessa muito confortadora de Alice.
—Eu vou ficar perto de casa pra caçar. Eu só estarei a quinze minutos de distância se você precisar de mim. Eu vou ficar de olho se tiverem problemas pra você—.
Tradução: não tente nada engraçadinho só porque Edward está longe.
Alice certamente era tão capaz de arruinar a minha caminhonete quanto Edward.
Eu tentei olhar as coisas pelo lado bom. Depois do trabalho, eu tinha planos pra ajudar Ângela com os anúncios dela, então, isso seria uma distração. E Charlie estava com excelente humor por causa da ausência de Edward, então eu devia aproveitar enquanto durava. Alice passaria a noite comigo se eu fosse patética o suficiente pra pedi-la. E aí amanhã, Edward estaria de volta. Eu ia sobreviver.
Não querendo chegar ridiculamente cedo para o trabalho, eu tomei o café da manhã lentamente. Um cereal de cada vez. Então, quando eu lavei os pratos, eu arrumei os imãs na geladeira em uma linha perfeita. Talvez eu estivesse adquirindo um transtorno obsessivo compulsivo.
Os últimos dois imãs - pedaços utilitários arredondados pretos que eram os meus favoritos porque podiam segurar dez folhas de papel na geladeira sem esforço - não quiseram cooperar com a minha fixação. As polaridades deles eram reversas; toda vez que eu tentava alinhar um deles, o outro pulava fora do lugar.
Por alguma razão - mania iminente, talvez - isso realmente me irritou. Porque que eles não podiam simplesmente ser bonzinhos? Estúpida de teimosia, eu continuei a colocá-los juntos como se estivesse esperando que eles desistissem de repente. Eu podia trocar um de lugar, mas isso ia parecer uma derrota. Finalmente, mais exasperada comigo mesma do que com os imãs, e os tirei da geladeira e os juntei com as duas mãos. Exigiu um pouco de esforço - eles eram fortes o suficiente para sustentar uma briga - mas eu os forcei a coexistir, lado a lado.
—Vejam—, eu disse em voz alta - falando com objetos inanimados, nunca um bom sinal - —Não é tão horrível, é?—
Eu fiquei lá feito uma idiota por um segundo, sem ser exatamente capaz de admitir que eu não estava tendo nenhum efeito duradouro nos princípios científicos. Então, com um suspiro, eu coloquei os imãs de volta na geladeira, um centímetro separados.
—Não há necessidade de ser tão inflexível—, eu murmurei.
Ainda era muito cedo, mas eu decidi que era melhor eu sair de casa antes que os objetos inanimados começassem a responder.
Quando eu cheguei nos Newton, Mike estava passando pano metodicamente nos corredores enquanto a mão dele arrumava o novo display do balcão. E os peguei no meio de um discussão, inconscientes de que eu havia chegado.
—Mas é a única hora que Tyler pode ir—, Mike reclamou. —Você disse que depois da formatura -—
—Você simplesmente vai ter de esperar—, a Sra. Newton disparou. —Você e Tyler podem pensar em outra coisa pra fazer. Você não vai à Seattle até que a polícia pare o que quer que esteja acontecendo lá. Eu sei que Beth Crowley disse a mesma coisa a Tyler, então não haja como se eu fosse o bandido - oh, bom dia, Bella—, ela disse quando me viu, iluminando o seu tom imediatamente. —Você chegou cedo—.
Karen Newton era a última pessoa a quem eu pediria ajuda numa loja de equipamentos de esporte. O seu cabelo loiro perfeitamente claro estava sempre preso em uma elegante trança na parte de trás do seu pescoço, as unhas dela eram pintadas por profissionais, assim como as unhas de seus pés - que eram visíveis pelos sapatos altos de tiras que não se assemelhava em nada com o que Newton oferecia no longo corredor de botas de caminhada.
—Pouco trânsito—, eu brinquei enquanto pegava o meu odioso uniforme laranja florescente debaixo do balcão. Eu estava surpresa pela Sra. Newton estar tão afetada por essa coisa em Seattle quanto Charlie. Eu pensei que ele estava sendo exagerado.
—Bem, er...— a Sra. Newton hesitou por um momento, brincando desconfortavelmente com a pilha de panfletos que ela estava arrumando na registradora.
Eu parei com um braço só no meu uniforme. Eu conhecia aquele olhar.
Quando eu avisei os Newton de que não estaria trabalhando aqui no verão - abandonando-os na época mais agitada, na verdade - eles começaram a treinar Kate Marshall pra ficar no meu lugar. Eles não podiam pagar nós duas ao mesmo tempo, então, quando parecia ser um dia calmo...
—Eu ia ligar— a Sra. Newton continuou. —Eu não acho que estamos esperando uma tonelada de trabalho hoje. Mike e eu provavelmente podemos cuidar das coisas. Eu lamento por termos feito você dirigir até aqui...—
Num dia normal, eu estaria extasiada por essa virada nos planos. Hoje... não tanto.
—Okay—, eu suspirei. Os meus ombros caíram. O que eu ia fazer agora?
—Isso não é justo, mãe—, Mike disse. —Se Bella quer trabalhar -—
—Não, está tudo bem Sra. Newton. Sério, Mike. Eu tenho que estudar para as provas finais e tudo mais...— eu não queria ser a fonte de um discórdia familiar quando eles já estavam discutindo.
—Obrigada, Bella. Mike, você esqueceu o corredor quatro. Um, Bella, você se incomodaria em jogar esses panfletos fora enquanto estiver saindo? Eu disse à garota que os deixou aqui que eu os colocaria no balcão, mas eu realmente não tenho espaço—.
—Claro, sem problema—. Eu tirei o meu uniforme, e enfiei os panfletos embaixo do braço e saí para a fina chuva.
O lixo ficava no lado de trás do Newton's, perto de onde os funcionários deviam estacionar. Eu me arrastei, chutando pedrinhas petulantemente no caminho. Eu estava prestes a jogar a pilha de papéis amarelos na lata de lixo quando a impressão no topo da página chamou minha atenção. Uma palavra em particular aumentou minha atenção.
Eu apertei os papéis com ambas as mãos e olhei para a foto embaixo das legendas. Um caroço me subiu à garganta.

SALVE O LOBO DO OLÍMPICO

Embaixo das palavras, havia um desenho detalhado de um lobo na frente de uma árvore, com a cabeça pra trás enquanto parecia uivar para a lua. Era uma foto desconcertante; alguma coisa na postura melancólica do lobo fez com que ele parecesse abandonado. Como se ele estivesse uivando de tristeza.
E então eu estava correndo para a minha caminhonete, ainda agarrando os panfletos.
Quinze minutos - isso era tudo o que eu tinha. Mas isso devia ser o suficiente. Eram apenas quinze minutos até La Push, e certamente eu ia alcançar à fronteira antes de alcançar a cidade.
A minha caminhonete ligou sem nenhuma dificuldade.
Alice não podia ter me visto fazendo isso, porque eu não estive planejando. Uma decisão repentina, essa era a chave! E contanto que eu me movesse rápido o suficiente, eu seria capaz de realizá-la.
Eu joguei os panfletos amarelos na minha pressa e eles se espalharam numa bagunça brilhante no meu banco do passageiro - cem letras de legendas, cem lobos escuros uivantes se esboçavam no fundo amarelo.
Eu embarrilei pela estrada molhada, ligando os limpadores de vidros e ignorando o barulho do motor velho. Cinquenta e cinco era quase o limite máximo da minha caminhonete, e eu rezei pra que isso fosse suficiente.
Eu não fazia ideia de onde ficava a linha da fronteira, mas eu comecei a me sentir mais segura quando comecei a passar pelas primeiras casas da saída de La Push. Isso devia além de onde Alice tinha permissão de ir.
Eu ia ligar pra ela da casa de Ângela essa tarde, eu pensei, pra que ela soubesse que eu estava bem. Não havia razão pra ela ficar preocupada. Ela não precisava ficar com raiva de mim - Edward ficaria com raiva o suficiente pelos dois quando voltasse.
A minha caminhonete estava certamente a ponto de desistir quando eu parei na frente da casa familiar de um vermelho gasto. O caroço voltou à minha garganta enquanto eu olhava para o pequeno lugar que um dia foi meu refúgio. Já fazia tanto tempo desde que eu tinha estado lá.
No silêncio repentino quando o motor da caminhonete morreu, eu o ouvi ofegar.
—Bella?—
—Hey, Jake!—
—Bella!—, ele gritou de volta, e o sorriu pelo qual eu estava esperando se abriu no rosto dele como se fosse o sol saindo por entre as nuvens. Os dentes dele cintilaram brilhantes contra a sua pele ruiva. —Eu não acredito!—
Ele correu para a caminhonete e meio que me arrancou pela porta aberta, e depois nós dois estávamos pulando pra cima e pra baixo feito duas crianças.
—Como você chegou aqui?—
—Eu escapuli!—
—Maravilhoso!—
—Hey, Bella!—, Billy havia se empurrado até o arco da porta pra ver do que se tratava toda aquela comoção.
—Hey, Bil-!—
Então o meu ar desapareceu - Jacob me agarrou em um abraço de urso apertado demais pra me deixar respirar e me girou em círculo.
—Uau, é bom te ver aqui!—
—Não consigo... respirar!—, eu botei pra fora.
Ele riu e me colocou no chão.
—Bem vinda, Bella—, ele disse, rindo. E o jeito como ele disse as palavras fez com que parecesse Bem vinda ao lar.
Nós começamos a andar, animados demais pra ficarmos sentados em casa. Jacob estava praticamente pulando enquanto se movia, e eu tive que lembrá-lo algumas vezes de que as minhas pernas não tinham dez metros de comprimento.
Enquanto caminhávamos, eu senti que estava entrando em outra versão de mim mesma, a pessoa que eu era com Jacob. Um pouco mais jovem, um pouco mais irresponsável. Alguém que podia, em uma certa ocasião, fazer alguém realmente muito estúpido por nenhum bom motivo.
A nossa exuberância durou durante os primeiros tópicos da nossa conversa: como estávamos indo, o que estávamos fazendo, quanto tempo eu tinha, e o que havia me trazido aqui. Quando eu hesitantemente o contei sobre os panfletos do lobo, a sua risada estrondosa ecoou nas árvores.
Mas depois, quando nós passamos pela loja e passamos pelos arbustos grossos que cercavam a Primeira Praia, nós fomos para as partes mais difíceis.
Cedo demais nós tivemos que começar a falar sobre os motivos por trás da nossa longa separação, e eu observei o rosto do meu amigo endurecer até se transformar naquela máscara ácida com a qual eu já era bem familiar.
—Qual é a história, afinal?— Jacob me perguntou, chutando um pedaço de graveto fora do seu caminho com força demais. Ele viajou pela areia e depois se espatifou nas rochas. —Quer dizer, da última vez que nós... bem, antes de, você sabe...— Ele lutou pelas palavras. Ele respirou fundo e tentou de novo. —O que eu estou perguntando é... tudo está de volta a ser como era antes dele ir embora? Você perdoou ele por aquilo tudo?—
Eu respirei fundo. —Não havia nada pra perdoar—.
Eu queria pular essa parte, as traições, as acusações, mas eu sabia que teríamos que falar tudo antes que fôssemos capazes de superar todo o resto.
O rosto de Jacob enrugou como se ele tivesse lambido um limão. —Eu queria que Sam tivesse tirado uma foto quando ele te encontrou naquela noite em setembro. Ela seria a prova A—
—Ninguém está em julgamento—
—Talvez alguém devesse estar—
—Você não o culparia por ir embora se soubesse as razões dele pra ir embora—.
Ele me encarou por alguns segundos. —Tudo bem—, ele me desafiou acidamente. —Me surpreenda—.
A hostilidade dele estava me cansando - era como esfregar algo áspero, doía quando ele estava com raiva de mim. Eu me lembrei da tarde, ha muito tempo atrás, quando - com as ordens de Sam - ele me disse que não podíamos ser amigos. Eu levei um longo segundo pra me recompor.
—Edward me deixou porque ele não achava que eu devia estar andando com vampiros. Ele achou que seria mais saudável pra mim se ele fosse embora—.
Jacob ingeriu isso. Ele teve que pensar por um minuto. O que quer que ele estivesse planejando dizer, claramente não funcionava mais. Eu estava feliz por ele não saber o que fez a decisão de Edward ser tomada. Eu só podia imaginar o que ele pensaria se ele soubesse que Jasper tinha tentado me matar.
—No entanto, ele voltou, não voltou?— Jacob murmurou. —Que pena que ele não pode sustentar a decisão—.
—Se você se lembra, eu fui e peguei ele—.
Jacob olhou pra mim por um momento, e depois desistiu. O rosto dele relaxou, e sua voz estava mais calma quando ele falou.
—Isso é verdade. Eu nunca ouvi a história. O que aconteceu?—
Eu hesitei, mordendo o meu lábio.
—É um segredo?— A voz dele tomou um tom de zombaria. —Você não tem permissão pra me contar?—
—Não—, eu disparei. —Só que é uma história muito longa—.
Jacob sorriu, arrogante, e virou pra caminhar para a praia, esperando que eu o seguisse.
Não tinha graça estar com Jacob se ele ia agir desse jeito. Eu o segui automaticamente, sem ter certeza se eu devia me virar e ir embora. Porém, eu ia ter que enfrentar Alice, quando eu chegasse em casa... eu acho que não estava com pressa.
Jacob caminhou para um enorme, familiar, pedaço de salgueiro - uma árvore inteira, com raízes e tudo, esbranquiçado, e bem afundado na areia; era a nossa árvore, de certa forma.
Jacob sentou no banco natural, e deu uns tapinhas no espaço ao lado dele.
—Eu não me importo com histórias longas. Tem ação?—
Eu revirei os meus olhos enquanto me sentava ao lado dele. —Tem um pouco de ação—, eu permiti.
—Não seria uma história de terror se não tivesse ação—
—Terror!—, eu repreendi. —Você pode ouvir, ou você vai ficar me interrompendo com comentários rudes sobre os meus amigos?—
Ele fingiu trancar os lábios e depois jogou a chave invisível por cima do ombro. Eu tentei não sorrir, e falhei.
—Eu tenho que começar por onde você já estava—, eu decidi, trabalhando pra organizar as histórias na minha cabeça antes de começar.
Jacob ergueu a mão.
—Pode falar—
—Isso é bom—, ele disse. —Eu não entendi muito bem o que estava acontecendo naquela hora—.
—É, bem, vai ficar complicado, então preste atenção. Você sabe como Alice vê as coisas?—
Eu entendi a careta dele - os lobisomens não estavam felizes porque as lendas sobre os vampiros possuírem dons sobrenaturais eram verdadeiras - como um sim, e prossegui com a história da minha corrida pela Itália para resgatar Edward.
Eu a mantí o mais sucinta possível - deixando de fora qualquer coisa que não fosse essencial. Eu tentei ler as expressões de Jacob, mas o rosto dele estava enigmático quando eu expliquei como Alice tinha visto Edward planejando se matar quando ele ouviu que eu havia morrido. As vezes Jacob parecia tão absolvido em pensamentos, que eu não tinha certeza de que ele estava ouvindo. Ele só interrompeu uma vez.
—A sugadora de sangue que vê o futuro não pode nos ver?— ele ecoou, o rosto dele estava tão feroz quanto estava alegre. —Sério? Isso é excelente!—
Eu trinquei os meus dentes, e nós sentamos em silêncio, o rosto dele estava cheio de expectativa enquanto ele esperava que eu continuasse. Eu o encarei até que ele reparasse no seu erro.
—Oops!—, ele disse. —Desculpe— Ele trancou os lábios de novo.
A resposta dele foi fácil de ler quando eu contei sobre os Volturi. Os dentes dele trincaram, os braços dele ficaram arrepiados, e as narinas dele inflaram. Eu não fui específica, eu só o contei que Edward havia conseguido nos tirar do problema, sem revelar a promessa que nós tivemos que fazer, ou da visita que estávamos esperando. Jacob não precisava ter os meus pesadelos.
—Agora você sabe a história toda—, eu concluí. —Então é a sua vez de falar. O que aconteceu enquanto eu estava com a minha mãe esse fim de semana?— Eu sabia que Jacob me daria mais detalhes do que Edward havia me dado. Ele não estava com medo de me assustar.
Jacob se inclinou para a frente, instantaneamente animado. —Então Embry e Quil e eu estávamos correndo na nossa patrulha no sábado à noite, só as coisas de rotina, e do nada -bam!— Ele levantou os braços, personalizando uma explosão.
—Lá estava - uma trilha fresca, não tinha nem quinze minutos. Sam queria que nós esperássemos por ele, mas eu não sabia que você não estava aqui, e não sabia se os seus sugadores de sangue estavam de olho em você ou não. Então nós perseguimos ela a toda velocidade, mas ela cruzou a linha do acordo antes que a alcançássemos. Nós nos separamos pela linha, esperando que ela voltasse. Foi frustrante, deixe eu te dizer.— Ele balançou a cabeça e os cabelos - que estavam crescendo do corte curto que ele havia adotado quando ele se juntou ao bando - caíram em seus olhos. —Nós acabamos perto demais do Sul. Os Cullen a perseguiram de volta para o nosso lado até apenas algumas milhas do nosso Norte. Teria sido a emboscada perfeita se nós soubéssemos onde esperar—.
Ele balançou a cabeça, agora fazendo careta. —Foi aí que ficou feio. Sam e os outros a alcançaram antes de nós, mas ela estava dançando bem além da linha, e o grupo inteiro estava bem ali do outro lado. O grande, como é o nome dele -—
—Emmett—
—É, ele. Ele tentou atacá-la, mas aquela ruiva é rápida! Ele passou bem por trás dela e quase bateu em Paul. Então Paul... bem, você conhece Paul—.
—É—.
—Ele perdeu o foco. Eu não posso dizer que o culpo - o sugador de sangue grandão estava bem em cima dele. Ele saltou - ei, não me olhe desse jeito. O vampiro estava nas nossas terras—.
Eu tentei recompor o meu rosto para que ele continuasse. As minhas unhas estavam enterradas nas minhas palmas com o estresse da história, mesmo sabendo que tudo tinha acabado bem.
—De qualquer forma, Paul errou, e o vampiro voltou para o lado dele. Mas aí a, uh, bem a, uh, loira...— A expressão de Jacob era uma cômica mistura de nojo e de admiração sem querer enquanto ele tentava encontrar uma palavra para descrever a irmã de Edward.
—Rosalie—.
—Que seja. Ela ficou cheia de si, então Sam e eu voltamos pra perto de Paul. Aí o líder deles e o outro loiro -—
—Carlisle e Jasper—
Ele me deu um olhar exasperado.
—Você sabe que eu não me importo de verdade. De qualquer forma, então Carlisle falou com Sam, tentando acalmar as coisas. Então foi estranho, porque todo mundo ficou muito calmo bastante rápido. Foi aquele outro sobre quem você me falou, que estava zoando com as nossas cabeças. Mas mesmo que soubéssemos o que ele estava fazendo, nós não conseguimos não ficar calmos—.
—É, eu sei como é—
—Muito chato, é isso que é. Só que você só consegue ficar com raiva depois—. Ele balançou a cabeça com raiva. —Então Sam e o vampiro líder concordaram que Victoria era a prioridade, e nós saímos atrás dela de novo. Carlisle nos deu a linha, para que pudéssemos sentir o cheiro apropriadamente, mas aí ela chegou nos penhascos a norte do condado de Makah, lá onde a linha abraça a costa por alguns quilômetros. Ela escapou pela água de novo. O grandão e o calmo pediram permissão para ultrapassar a linha pra ir atrás dela, mas é claro que nós dissemos não—.
—Bom. Quer dizer, você estava sendo estúpido, mas eu estou feliz. Emmett nunca é cuidadoso o suficiente. Ele podia ter se machucado—.
Jacob bufou. —Então o seu vampiro te disse que nós atacamos sem nenhuma razão e que o grupo completamente inocente dele -—
—Não—, eu interrompi. —Edward me contou a mesma história, só que não com tantos detalhes—.
—Huh—, Jacob disse por baixo do fôlego, e se abaixou para pegar uma pedras entre os milhões de pedrinhas aos nossos pés. Com um movimento casual, ele fez ela sair voando uns bons cem metros pra fora da baía. —Bom, ela vai voltar, eu acho. Nós vamos ter outra chance com ela—.
Eu levantei os ombros; é claro que ela ia voltar. Edward realmente me diria da próxima vez? Eu não tinha certeza. Eu ia ter que ficar de olho em Alice, pra procurar por sinais de que o padrão estava prestes a se repetir...
Jacob não pareceu reparar a minha reação. Ele estava olhando para as ondas com um expressão pensativa no rosto, com seus lábios grossos fazendo beicinho.
—No que você está pensando?—, eu perguntei depois de um longo tempo, em silêncio.
—Eu estou pensando no que você me disse. Sobre quando o vidente viu você pular do penhasco e pensou que você tinha se suicidado, e como tudo saiu do controle... Você se dá conta de que se você tivesse esperado por mim como devia, então depois a su -Alice não tivesse sido capaz de te ver pular? Nada teria mudado. Nós provavelmente estaríamos na minha garagem agora, como em qualquer outro sábado. Não haveriam vampiros em Forks, e você e eu...— Ele parou, perdido em pensamentos.
O jeito que ele disse isso foi desconcertante, como se fosse uma coisa que não houvessem vampiros em Forks. O meu coração bateu fora de ordem por causa do vazio do quadro que ele pintou.
—Edward teria voltado do mesmo jeito—.
—Você tem certeza disso?— ele perguntou, agressivo de novo assim que eu falei o nome de Edward.
—Estar separados... Não funcionou muito bem para nenhum de nós—
Ele começou a dizer alguma coisa, alguma coisa raivosa pela expressão dele, mas ele se deteve, respirou fundo, e começou de novo.
—Você sabia que Sam está com raiva de você?—
—Eu?— Eu levei um segundo. —Oh. Eu entendo. Ele acha que eles teriam ficado longe se eu não estivesse aqui—.
—Não. Não é isso—.
—Qual é o problema então?—
Jacob se abaixou para pegar outra pedra. Ele a girou pra lá e pra cá em seus dedos; os olhos dele estavam grudados na pedra preta enquanto ele falava com uma voz baixa.
—Quando Sam viu... como você estava no começo, quando Billy os disse o quanto Charlie estava preocupado quando você não melhorou, e aí você começou a pular de penhascos...—
Eu fiz uma cara. Ninguém ia me deixar esquecer aquilo.
Os olhos de Jacob vieram para os meus. —Ele pensou que você era a única pessoa no mundo que teria tantas razões para odiar os Cullen quanto ele. Sam se sente meio... traído por você simplesmente ter deixado eles voltarem para a sua vida como se eles nunca tivessem te machucado—.
Eu não acreditei nem por um segundo que era Sam que se sentia assim.
E o ácido na minha voz agora era para eles dois.
—Você pode dizer a Sam que ele -—
—Olhe pra isso—, Jacob me interrompeu, apontando para uma águia que estava voando pra baixo em direção ao oceano de uma altura incrível. Ela se deteve no último minuto, apenas as suas garras quebrando a superfície das ondas, só por um instante. Depois ela levantou voo, suas asas se debatendo contra o peso de um peixe enorme e ela tinha pego.
—Aqui você vê isso o tempo inteiro— Jacob disse, sua voz repentinamente distante. —A natureza tomando o seu curso - o caçador e a presa, e o interminável ciclo de vida e morte—.
Eu não entendi a necessidade do discurso sobre a natureza; eu imaginei que ele estivesse só tentando mudar de assunto. Mas depois ele olhou de volta para mim com humor negro nos olhos.
—E mesmo assim, você não vê o peixe tentando dar um beijo na águia. Você nunca vê isso—. Ele deu um sorriso de zombaria.
Eu correspondi com um sorriso forçado, apesar do gosto amargo ainda estar na minha boca. —Talvez o peixe estivesse tentando—, eu sugeri. —É difícil dizer o que o peixe estava pensando. Águias são pássaros de boa aparência, você não acha?—
—É disso que se trata?— A voz dele estava abruptamente mais afiada. —Boa aparência?—
—Não seja estúpido, Jacob—
—É o dinheiro, então?—, ele insistiu.
—Isso é legal— eu murmurei, me levantando da árvore. —Eu estou lisonjeada que você pense tão bem de mim—. Eu dei as costas pra ele e comecei a ir embora.
—Aw, não fique com raiva—. Ele estava bem atrás de mim; ele agarrou o meu pulso e me virou. —Eu estou falando sério! Eu estou tentando entender, e estou ficando em branco—
As minhas sobrancelhas se uniram raivosamente, e os olhos dele estavam pretos nas sombras escuras.
—Eu amo ele. Não porque ele é lindo ou porque ele é rico!— eu joguei a palavra em Jacob.
—Eu preferiria se ele não fosse nenhum dos dois. Isso iria balancear as coisas entre nós um pouquinho - porque ele ainda seria a pessoa mais amorosa e altruísta e brilhante e decente que eu já conheci. É claro que eu amo ele. Será que isso é difícil de entender?—
—É impossível de entender—.
—Por favor, me esclareça então, Jacob— eu deixei o sarcasmo voar solto. —Qual é o motivo válido pra se amar alguém? Já que aparentemente eu estou fazendo isso errado—.
—Eu acho que o melhor lugar pra começar seria procurar entre a nossa própria espécie. Isso geralmente funciona—.
—Bem, isso é uma droga!— eu atirei. —Eu acho que estou presa com Mike Newton afinal de contas—.
Jacob enrijeceu e mordeu o lábio. Eu podia notar que as minhas palavras haviam machucado ele, mas eu ainda estava com raiva demais pra me sentir mal sobre isso. Ele soltou o meu pulso e cruzou os braços no peito, desviando de mim pra encarar o oceano.
—Eu sou humano—, ele murmurou, sua voz quase inaudível.
—Você não é tão humano quanto Mike— eu continuei rudemente. —Você ainda acha que essa é a consideração mais importante?—
—Não é a mesma coisa—, Jacob não desviou o olhar das ondas cinzas. —Eu não escolhi isso—.
Eu ri mais uma vez sem acreditar. —Você acha que Edward escolheu? Ele não sabia o que estava acontecendo com ele mais do que você sabia. Ele não se inscreveu pra isso—.
Jacob estava balançando a cabeça pra frente e pra trás, num movimento pequeno, rápido.
—Sabe, Jacob, você é terrivelmente cheio de si - levando em consideração que você é um lobisomem e tudo mais—.
—Não é a mesma coisa—, ele repetiu, olhando pra mim.
—Eu não vejo porque não. Você podia ser um pouco mais compreensivo com os Cullen. Você não tem ideia do quão realmente bons eles são - demais, Jacob—.
A careta dele se aprofundou. —Eles não deviam existir. A existência deles vai contra a natureza—.
Eu o encarei com um sobrancelha erguida incredulamente. Levou um tempo até que ele reparasse.
—O que ?—
—Falando de sobrenatural...— eu indiquei.
—Bella—, ele disse com uma voz lenta e diferente. Amadurecida. Eu me dei conta de que de repente ele parecia ser mais velho que eu - como uma pai ou um professor. —O que eu sou nasceu comigo. Isso é parte de quem eu sou, de quem a minha família é, de quem toda a tribo é - essa é a razão pela qual ainda estamos aqui.
—Além do mais— - ele olhou pra mim, seus olhos pretos ilegíveis. —Eu ainda sou humano—.
Ele pegou a minha mão e pressionou no seu peito febrilmente quente. Através da sua camisa, eu podia sentir as batidas uniformes do coração dele na minha palma.
—Humanos normais não podem andar em motos do jeito que você faz—.
Ele deu um meio sorriso fraco. —Humanos normais fogem de monstros, Bella. E eu nunca disse que era normal. Só humano.—
Ficar com raiva de Jacob era trabalhoso demais. Eu comecei a sorrir enquanto tirava a minha mão do peito dele.
—Você é bastante humano pra mim—, eu permiti. —No momento—.
—Eu me sinto humano—. Ele olhou através de mim, o rosto dele estava entristecido. O lábio inferior dele estremeceu, e ele o mordeu com força.
—Oh, Jake—, eu sussurrei, pegando a mão dele.
Era por isso que eu estava lá. Era por isso que eu aguentaria qualquer recepção que estivesse esperando por mim quando eu voltasse. Porque, por baixo de toda aquela raiva e sarcasmo, Jacob estava sentindo dor. Nesse momento, isso estava muito claro nos olhos dele. Eu não sabia como ajudá-lo, mas eu já sabia que eu tinha que tentar. Isso era mais do que porque eu o devia. Era porque a dor dele me machucava também. Jacob havia se tornado uma parte de mim, e não havia como mudar isso agora.

8 comentários:

  1. ''como uma pai ou um professor'' ?

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    1. olha realmente tem vários erros. mas se vc quiser perfeito compre um livro.
      Karina esta de parabéns pq eu não tenho a coragem que ela teve.
      então simplesmente tenha um pouco de respeito.
      reescreva um livro e depois venha criticar.
      Karina eu amo seus livros esta de parabéns.

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    2. eu concordo com voçe karina nem liga para estes comentario voçe e otima esta de parabens estou amando o livro .............................................................

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  2. perfeito nem reparei nos erros, amei karina você é dez!!!

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  3. Perfeito! Quando lemos buscando a essência do romance nem reparamos nos erros!

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  4. adorei esse livro voce esta de parabens Karina

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  5. sabe as vontades que dá de matar o jake eu realmente acho q ele usa a culpa pra manter ela por perto tipo como o charlie fez "você é uma boa pessoa" e tbm n to gostando mt do charlie n, embora eu o compreenda, c fosse com minha filha ...

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