28 de setembro de 2015

Capítulo 4 - Gesto

O casamento foi seguido sutilmente pela festa de recepção – prova do planejamento perfeito de Alice. O crepúsculo chegava acima do rio; a cerimônia tinha durado o tempo exato, permitindo que o sol se pusesse atrás das árvores. As luzes nas árvores brilhavam enquanto Edward me guiava através das portas de vidro dos fundos da casa, fazendo as flores brancas brilharem. Haviam mais dezenas de milhares de flores ali, servindo como uma tenda perfumada e flutuante sobre a pista de dança que foi criada na grama sob duas cidreiras antigas.
As coisas desaceleraram, relaxando enquanto a leve noite de agosto nos cercava. A pequena multidão se espalhou sob o leve brilho das luzes cintilantes, e nós fomos felicitados novamente pelos amigos que tínhamos acabado de cumprimentar.
Agora havia tempo para conversar, para sorrir.
— Parabéns, pessoal — Seth Clearwater nos disse, abaixando a cabeça por causa de uma guirlanda de flores.
A mãe dele, Sue, estava bem ao seu lado, olhando os convidados com um estudado interesse. O rosto dela era fino e penetrante, uma expressão que se atenuava pelo seu corte de cabelo curto e severo; era tão curto quanto o cabelo de sua filha Leah – eu me perguntei se ela tinha cortado curto desse jeito em sinal de solidariedade. Billy Black, do outro lado de Seth, não estava tão tenso quanto Sue.
Quando eu olhava para o pai de Jacob, sempre sentia que estava vendo duas pessoas e não uma só. Lá estava um homem velho numa cadeira de rodas com um rosto marcado de rugas e um sorriso branco que todo mundo via. E depois havia o descendente direto de uma longa linhagem de chefes índios poderosos, vestido com aquela autoridade com a qual ele tinha nascido.
Apesar de a mágica ter – pela ausência de problemas – pulado a sua geração, Billy ainda era uma parte do poder e da lenda. Eles o cercavam. Cercavam o seu filho, o herdeiro da magia, que deu as costas a isso tudo. Isso agora permitia que Sam Uley agisse como chefe das lendas e magia...
Billy parecia estranhamente tranquilo considerando a companhia e o evento – seus olhos brilhavam como se ele tivesse acabado de receber uma boa notícia. Eu estava impressionada com o comportamento dele. Esse casamento devia parecer uma coisa ruim, a pior coisa que podia ter acontecido à filha do melhor amigo dele, aos olhos de Billy.
Eu sabia que não era fácil pra ele esconder seus sentimentos, considerando o desafio que esse evento marcava para a antiga trégua feita entre os Cullen e os Quileutes – o acordo havia proibido que os Cullen viessem a criar outro vampiro. Os lobisomens sabiam que uma quebra do acordo estava acontecendo, mas os Cullen não faziam ideia de como eles reagiriam. Antes da aliança, isso teria significado ataque imediato. Uma guerra. Mas agora que eles se conheciam melhor, será que ao invés disso haveria perdão?
Como que em resposta a esse pensamento, Seth se inclinou na direção de Edward, com os braços estendidos. Edward retornou o abraço com seu braço livre.
Vi Sue estremecer delicadamente.
— É bom ver as coisas dando certo pra você, cara — Seth disse. — Estou feliz por você.
— Obrigado, Seth. Isso significa muito pra mim — Edward se afastou de Seth e olhou para Sue e Billy. — Obrigado a vocês também. Por terem deixado Seth vir. Por dar apoio a Bella hoje.
— De nada — Billy disse com sua voz profunda, gutural, e eu me surpreendi com o otimismo na voz dele. Talvez uma trégua mais forte estivesse no horizonte.
Uma pequena fila estava se formando, então Seth acenou dando adeus e Billy levou sua cadeira em direção à comida. Sue manteve uma mão em cada um deles.
Angela e Ben eram os próximos querendo nossa atenção, seguidos pelos pais de Angela e então Mike e Jéssica, que estavam – para minha surpresa – de mãos dadas. Eu não sabia que eles estavam juntos de novo. Isso era bom.
Atrás dos meus amigos humanos estavam os meus novos primos, os vampiros do clã Denali. Eu me dei conta de que estava prendendo a respiração enquanto a vampira da frente – Tanya, presumi pelo tom dos seus cabelos loiros – se aproximava para abraçar Edward. Perto dela, os outros três vampiros de olhos dourados me observaram com franca curiosidade.
Uma das mulheres tinha cabelo longo, loiro pálido, liso como seda. A outra mulher e o homem ao seu lado tinham cabelos escuros, com a pele meio escurecida sobre sua compleição pálida.
Eles eram todos tão lindos que faziam meu estômago doer.
— Ah, Edward — Tanya disse. — Eu senti sua falta.
Edward gargalhou e inteligentemente conseguiu se livrar do abraço, colocando a mão levemente sobre o ombro dela e dando um passo pra trás.
— Já faz bastante tempo, Tanya. Você parece bem.
— E você também.
— Deixe-me apresentá-los à minha esposa — era a primeira vez que Edward dizia essa palavra desde que isso virou oficialmente verdade; parecia que ele ia explodir de satisfação dizendo-a agora. Todos os Denali sorriram levemente em resposta. — Tanya, esta é a minha Bella.
Tanya era exatamente tão amável quanto os meus piores pesadelos haviam predito. Ela me lançou um olhar que era mais especulativo do que resignado, e então pegou minha mão.
— Bem vinda à família, Bella — ela sorriu, um pouco pesarosa. — Nós nos consideramos uma extensão da família de Carlisle, e eu lamento por, hã, aquele incidente recente quando não nos comportamos como tal. Nós devíamos tê-la conhecido mais cedo. Você pode nos perdoar?
— É claro — eu disse sem fôlego. — É muito bom conhecer vocês.
— Agora todos os Cullen tem um par. Talvez agora seja a nossa vez, hein, Kate?
Ela sorriu para a loira.
— Continue sonhando — Kate disse, rolando seus olhos. Ela tomou minha mão da de Tanya e apertou-a gentilmente. — Bem vinda, Bella.
A mulher de cabelos escuros pôs a mão sobre a de Kate.
— Eu sou Carmem, este é Eleazar. Estamos muito felizes por finalmente conhecê-la.
— E-eu também — eu gaguejei.
Tanya olhou para as pessoas esperando atrás dela – o companheiro de trabalho de Charlie, Mark, e sua esposa. Seus olhos estavam arregalados enquanto olhavam para os Denali.
— Vamos conversar melhor depois. Nós temos muito tempo para fazer isso! — Tanya riu enquanto ela e sua família seguiam em frente.
Todos os padrões tradicionais foram mantidos. Eu fiquei cega pelos flashes das câmeras enquanto segurávamos a faca sobre o bolo espetacular – grande demais, eu pensei, para o nosso grupo relativamente íntimo de amigos e familiares. Nós começamos servir o bolo um na boca do outro; Edward engoliu corajosamente e parte que cabia a ele enquanto eu olhava sem acreditar. Joguei meu buquê com estranha destreza, diretamente nas mãos da surpresa Angela.
Emmett e Jasper rugiram de tanto rir quanto Edward arrancou a minha liga emprestada – que eu havia feito deslizar quase até o meu calcanhar – muito cuidadosamente com os dentes.
Com uma piscadela pra mim, ele atirou-a bem na cara de Mike Newton.
E quando a música começou, Edward me puxou para os seus braços para a costumeira primeira valsa; eu fui por vontade própria, apesar do meu medo de dançar – especialmente dançar na frente de uma plateia – feliz por ele simplesmente me abraçar. Ele fez todo o trabalho, e eu girei sem esforço algum sob as luzes e flashes brilhantes das câmeras.
— Aproveitando a festa, Sra. Cullen? — ele sussurrou no meu ouvido.
Eu ri.
— Vou levar um tempo para me acostumar com isso.
— Nós temos um tempo — ele me lembrou, sua voz exultante, e se inclinou pra me beijar enquanto a gente dançava. Câmeras disparavam sem parar.
A música mudou, e Charlie cutucou o ombro de Edward.
Dançar com Charlie nem de perto foi tão fácil. Ele não era melhor do que eu, então nós nos mexíamos cuidadosamente de um lado para o outro no pequeno formato de um quadrado. Edward e Esme giravam ao nosso redor como Fred Astaire e Ginger Rogers.
— Vou sentir sua falta lá em casa, Bella. Eu já me sinto sozinho.
Falei através da minha garganta apertada, tentando fazer piada sobre isso.
— Eu me sinto simplesmente horrível, tendo que fazer você cozinhar para si mesmo – é praticamente um crime de negligência. Você podia me prender.
Ele deu um sorriso.
— Acho que vou sobreviver à comida. Só me ligue quando puder.
— Eu prometo.
Parecia que eu tinha dançado com todo mundo. Era bom ver todos os meus amigos, mas o que eu queria mesmo era estar com Edward acima de qualquer coisa. Fiquei feliz quando ele finalmente interrompeu, meio minuto depois que uma nova dança começou.
— Ainda não gosta muito de Mike, hein? — comentei enquanto Edward me puxava pra longe dele.
— Não quando preciso ouvir os pensamentos dele. Ele tem sorte que eu não o atirei para fora. Ou algo pior.
— Tá, ok.
— Você teve uma chance de olhar para si mesma?
— Hum, não, eu acho que não. Por quê?
— Então acho que você não se dá conta de que está absolutamente linda e de tirar o fôlego esta noite. Não me surpreende que Mike tenha dificuldade com seus pensamentos impróprios para com uma mulher casada. Estou desapontado por Alice não tê-la forçado a se olhar no espelho.
— Você é louco, sabia?
Ele suspirou e então parou, me virando em direção à casa. A parede de vidro refletia a festa lá atrás como um longo espelho. Edward apontou para o casal no espelho diretamente à nossa frente.
— Sou louco, não é?
Eu vi apenas um pouco do reflexo de Edward – uma duplicata perfeita de seu rosto perfeito – com uma beldade de cabelos escuros ao seu lado. A pele dela era como rosas e creme, seus olhos estavam enormes e excitados e margeados por enormes cílios grossos. A estrutura estreita do vestido branco cintilante ficava subitamente cheio na cauda quase como um lírio invertido, cortado com tanta destreza que seu corpo parecia elegante e gracioso – quando estava parada, pelo menos.
Antes de eu pudesse piscar e fazer a beldade voltar a ser eu, Edward enrijeceu repentinamente e se virou automaticamente na outra direção, como se alguém tivesse chamado seu nome.
— Oh — ele disse.
A testa dele enrugou por um instante e depois ficou suave de novo. De repente, ele estava sorrindo brilhantemente.
— O que é? — perguntei.
— Um presente de casamento surpresa.
— Hã?
Ele não respondeu; simplesmente começou a dançar de novo, girando comigo para o lado oposto ao que estávamos indo antes, nos distanciando das luzes e entrando nas profundezas da noite que cercava a luminosa pista de dança.
Ele não parou até que alcançamos o lado escuro de uma das enormes cidreiras. Então Edward seguiu diretamente para a sombra mais escura.
— Obrigado — Edward disse para a escuridão. — Isso é muito... gentil da sua parte.
— Gentil é o meu nome do meio — uma voz rouca familiar se ergueu da noite escura. — Posso ter esta dança?
Minha mão voou para a minha garganta, e se Edward não estivesse me segurando eu sofreria um colapso.
— Jacob! — exclamei assim que consegui respirar. — Jacob!
— E aí, Bells?
Cambaleei na direção da voz dele. Edward continuou segurando meu cotovelo até que outro forte par de mãos me pegou na escuridão. O calor da pele de Jacob queimou o cetim do vestido quando ele me puxou pra perto. Ele não se esforçou para dançar; apenas me abraçou enquanto eu enterrava meu rosto em seu peito.
— Rosalie não vai me perdoar se ela não tiver sua valsa oficial na pista de dança — Edward murmurou, e eu sabia que ele estava nos deixando, me dando um presente – esse momento com Jacob.
— Oh, Jacob — eu estava chorando agora. Eu não conseguia botar as palavras pra fora com clareza. — Obrigada.
— Para de se derreter, Bella. Você vai estragar seu vestido. Sou só eu.
— ? Oh, Jake! Tudo está perfeito agora.
Ele rosnou.
— É, a festa já pode começar. O padrinho finalmente chegou.
— Agora todos que eu amo estão aqui.
Senti os lábios dele passando pelos meus cabelos.
— Lamento ter me atrasado, querida.
— Estou tão feliz por você ter vindo!
— Essa era a ideia.
Olhei na direção dos convidados, mas não consegui ver através dos dançarinos o lugar onde eu tinha visto o pai de Jacob pela última vez. Eu não sabia se ele tinha ficado.
— Billy sabe que você está aqui?
Assim que perguntei, soube que ele deveria saber – era a única maneira de explicar a sua expressão feliz de antes.
— Tenho certeza de que Sam contou a ele. Eu vou vê-lo quando... quando a festa acabar.
— Ele vai ficar tão feliz por você estar em casa.
Jacob se afastou um pouco e se ergueu de novo. Ele deixou uma mão na base das minhas costas e segurou minha mão direita com a outra. Pôs nossas mãos no peito dele; eu podia sentir o coração dele batendo sob a minha palma, e supus que ele não havia colocado a minha mão ali por acidente.
— Eu não sei se vou ganhar mais do que essa dança — ele disse, e começou a me puxar em círculos que não combinavam com o ritmo da música vindo de trás de nós. — É melhor que eu tire o melhor que puder disso.
Nós nos movíamos seguindo o ritmo do coração dele embaixo da minha mão.
— Estou feliz por ter vindo — ele disse baixinho depois de um momento. — Eu não achei que ficaria feliz. Mas é bom ver você... uma vez mais. Não é tão triste quanto eu imaginei que seria.
— Eu não quero que você se sinta triste.
— Eu sei disso. E eu não vim essa noite pra te fazer sentir culpada.
— Não... eu fico muito feliz por você ter vindo. É o melhor presente que você podia ter me dado.
Meus olhos estavam se ajustando, e agora eu conseguia ver o rosto dele, mais alto do que eu esperava. Será que era possível que ele ainda estivesse crescendo? Ele devia estar se aproximando de dois metros e meio de altura. Era um alívio ver o rosto familiar novamente depois de todo esse tempo – seus olhos escuros embaixo das sobrancelhas pretas bagunçadas, as maçãs altas de seu rosto, seus lábios carnudos esticados sobre os dentes brilhantes num sorriso sarcástico que combinava com a voz dele. Seus olhos estavam apertados nos cantos – cuidadoso; eu podia ver que ele estava sendo muito cuidadoso essa noite. Ele estava fazendo todo o possível pra me deixar feliz, para não escapar e deixar claro o quanto isso era difícil para ele. Eu nunca fiz nada bom o suficiente pra merecer um amigo como Jacob.
— Quando você decidiu voltar?
— Consciente ou inconscientemente? — ele respirou profundamente antes de responder sua própria pergunta. — Eu realmente não sei. Acho que já faz algum tempo que estou rodando essa área, e talvez isso seja porque eu vinha para cá. Mas não foi até essa manhã que comecei a correr. Eu não sabia se ia conseguir chegar a tempo — ele riu. — Você não acreditaria no quanto isso parece estranho – caminhar sobre duas pernas de novo. E roupas! E é mais bizarro ainda porque isso parece estranho. Eu não esperava isso. Estou sem prática nessa coisa toda de humano — ele girou firmemente sem sair do lugar. — Seria uma pena perder de vê-la assim, no entanto. Isso já valeu a viagem até aqui. Você está inacreditável, Bella. Tão linda.
— Alice investiu muito tempo em mim hoje. O escuro também está ajudando.
— Não está tão escuro pra mim, sabe.
— Certo — sentidos de lobisomem. Era fácil esquecer de todas as coisas que ele podia fazer, ele parecia tão humano. Especialmente agora. — Você cortou seu cabelo — notei.
— É. É mais fácil, sabe. Pensei que seria bom tirar vantagem das minhas mãos.
— Ficou bom — menti.
Ele rosnou.
— Certo. Eu mesmo cortei, com facas de cozinha enferrujadas. — Ele deu um sorriso largo por um momento, e aí seu sorriso sumiu. A expressão dele ficou séria. — Você está feliz, Bella?
— Sim.
— Ok — eu o senti erguer os ombros. — Isso é o mais importante, acho.
— Como você está Jacob? Sério?
— Eu estou bem, Bella, de verdade. Você não precisa mais se preocupar comigo. Pode parar de encher o saco do Seth.
— Eu não estou enchendo o saco dele só por sua causa. Eu gosto do Seth.
— Ele é um bom garoto. Melhor companhia do que alguns. Eu te digo, se eu pudesse me ver livre das vozes na minha cabeça, ser um lobisomem seria perfeito.
Sorri pela forma que isso soou.
— É. Eu também não consigo fazer as minhas vozes pararem.
— No seu caso, isso significaria que você está louca. É claro, eu já sabia que você é louca — ele zombou.
— Obrigada.
— Insanidade provavelmente é mais fácil do que dividir os pensamentos com um bando. As vozes dos loucos não mandam babás atrás de você.
— Hã?
— Sam está por aí. E alguns dos outros. Só por via das dúvidas, sabe.
— Que dúvidas?
— No caso de eu não conseguir me controlar, alguma coisa assim. No caso de eu tentar destruir a festa — ele abriu um sorriso rápido pelo que pareceu ser uma boa ideia para ele. — Mas não estou aqui para estragar seu casamento, Bella. Eu estou aqui para... — ele parou.
— Pra deixar tudo perfeito.
— Isso é um pouco grandioso demais.
— Que bom que você é tão alto.
Ele grunhiu com a minha piada ruim e então suspirou.
— Eu só estou aqui para ser seu amigo. Seu melhor amigo, uma última vez.
— Sam devia te dar mais crédito.
— Bem, talvez eu esteja sendo sensível demais. Talvez eles já devessem estar aqui de qualquer jeito, para ficar de olho no Seth. Tem um monte de vampiros por aqui. Seth não leva isso tão a sério quanto devia.
— Seth sabe que não está em perigo. Ele compreende os Cullen melhor que Sam.
— Claro, claro — Jacob disse, fazendo paz antes que isso se transformasse numa briga.
Era estranho vê-lo sendo tão diplomata.
— Eu lamento por essas vozes — eu disse. — Queria poder melhorar as coisas. — De várias maneiras.
— Não é tão ruim. Eu só estou choramingando um pouco.
— Você está... feliz?
— Estou bem perto. Mas já chega de falar de mim. Você é a estrela hoje — ele gargalhou. — aposto que você está adorando isso. Ser o centro das atenções.
— É. Eu nunca me canso da atenção.
Ele riu e olhou por sobre a minha cabeça. Com os lábios torcidos, ele estudou o brilho cintilante da festa de recepção, os graciosos giros dos dançarinos, as pétalas flutuantes caindo das guirlandas; eu olhei junto com ele. Tudo parecia muito distante desse espaço escuro, silencioso. Era quase como observar os pequenos pedacinhos brancos caindo em círculos num globo de neve.
— Sou forçado a admitir — Jacob falou — eles sabem como dar uma festa.
— Alice é uma força da natureza impossível de ser detida.
Ele suspirou.
— A música acabou. Você acha que eu posso dançar outra? Ou isso é pedir demais de você?
Eu apertei a mão dele com a minha.
— Você pode ter quantas danças quiser.
Ele riu.
— Isso seria interessante. Mas acho que é melhor parar na segunda. Não quero dar motivo para fofoca.
Nós giramos em outro círculo.
— É de se imaginar que a esta altura eu já estivesse acostumado a ter de dizer adeus — ele murmurou.
Tentei engolir o caroço na minha garganta, mas não consegui forçá-lo a descer.
Jacob olhou para mim e fez uma careta. Ele passou os dedos na minha bochecha, pegando as lágrimas que escorriam ali.
— Não é você quem devia estar chorando, Bella.
— Todo mundo chora em casamentos — respondi com a voz grossa.
— É isso que você quer, não é?
— É.
— Então sorria.
Eu tentei. Ele sorriu com a minha careta.
— Eu vou tentar lembrar de você assim. Fingir que...
— Que o quê? Que eu morri?
Ele apertou os dentes. Ele estava lutando consigo mesmo – com a sua decisão de fazer de sua presença aqui um presente e não um julgamento. Eu podia adivinhar o que ele queria dizer.
— Não — ele respondeu finalmente. — Mas eu vou te ver desse jeito em minha cabeça. Bochechas rosadas. Coração batendo. Dois pés esquerdos. Tudo isso.
Eu deliberadamente pisei no pé dele o mais forte que pude.
Ele sorriu.
— Essa é a minha garota.
Ele começou a dizer outra coisa, mas fechou a boca. Lutando de novo, ele fechou os dentes sobre as palavras que não queria dizer.
Meu relacionamento com Jacob costumava ser tão fácil. Natural como respirar. Mas desde que Edward voltou para a minha vida, era uma dificuldade constante. Porque – nos olhos de Jacob – ao escolher Edward, eu estava escolhendo um futuro que era pior que a morte, ou pelo menos equivalente a isso.
— O que foi, Jake? É só me dizer. Você pode me dizer qualquer coisa.
— Eu... eu não tenho nada pra te dizer.
— Oh, por favor. Diga de uma vez.
— É verdade. É... é uma pergunta. É uma coisa que quero que você diga pra mim.
— Pergunte.
Ele resistiu por um minuto e então exalou.
— Eu não devia. Não importa. É simplesmente curiosidade mórbida.
Como eu o conhecia tão bem, eu entendi.
— Não será nesta noite, Jacob — sussurrei.
Jacob estava ainda mais obcecado com a minha humanidade que Edward. Cada uma das batidas do meu coração era como um tesouro, já que elas agora estavam com os dias contados.
— Quando? — ele murmurou.
— Eu não tenho certeza. Uma semana ou duas, talvez.
A voz dele mudou, criou um tom defensivo, de zombaria.
— O que está te impedindo?
— Eu simplesmente não queria passar a minha lua de mel esperneando de dor.
— Você prefere passá-la como? Jogando cartas? Haha.
— Muito engraçado.
— Brincadeira, Bells. Mas honestamente, eu não vejo a necessidade. Você não pode ter uma lua de mel de verdade com o seu vampiro, então porque atrasar isso? Vamos ser sinceros. Não é a primeira vez que você adia. Isso, no entanto, é uma coisa boa — ele continuou repentinamente, mostrando sinceridade. — Não fique com vergonha disso.
— Eu não estou adiando — atirei. — E posso sim ter uma lua de mel de verdade! Posso fazer o que eu quiser! Não se meta!
Ele parou o lento círculo da dança abruptamente. Por um momento, eu me perguntei se ele finalmente havia reparado que a música tinha mudado, e procurei na minha mente alguma forma de contornar o nosso pequeno desentendimento antes que ele dissesse adeus. Nós não devíamos nos despedir dessa forma.
E aí os olhos dele ficaram muito arregalados com um tipo estranho de horror confuso.
— O quê? — ele resfolegou. — O que você disse?
— Sobre o quê... Jake? Qual é o problema?
— O que você quis dizer? Ter uma lua de mel de verdade? Enquanto você ainda é humana? Você tá brincando? Essa é uma piada doentia, Bella!
Eu o encarei.
— Eu disse para você não se meter, Jake. Isso simplesmente não é assunto seu. Eu não devia ter... nós não devíamos estar conversando sobre isso. É particular...
As mãos enormes dele agarraram os meus braços, se fechando neles, seus dedos se tocando.
— Ai, Jake! Me solta!
Ele me sacudiu.
— Bella! Você perdeu a cabeça? Você não pode ser tão estúpida assim! Me diga que você está brincando!
Ele me sacudiu de novo. As mãos dele, apertadas como torniquetes, estavam tremendo, mandando vibrações profundas pelos meus ossos.
— Jake, pare!
De repente a escuridão foi tomada por uma multidão.
— Tire as suas mãos dela! — a voz de Edward era fria como gelo, afiada como navalhas.
Atrás de Jacob, houve um rosnado que saiu da escuridão da noite, e depois outro, mais alto que o primeiro.
— Jake, mano, se afasta — ouvi Seth Clearwater pedir. — Você está perdendo o controle.
Jacob pareceu ficar congelado como estava, seus olhos horrorizados arregalados e vidrados.
— Você vai machucá-la — Seth sussurrou. — Solte-a.
— Agora! — Edward rosnou.
As mãos de Jacob caíram ao lado de seu corpo, e o fluxo de sangue que começou a correr repentinamente em minhas veias era quase doloroso. Antes que eu pudesse me dar conta de mais coisas além disso, mãos frias tomaram o lugar das quentes, e de repente o ar ao meu redor começou a correr.
Eu pisquei, e estava de pé a doze metros de distância do lugar onde eu havia estado antes. Edward estava tenso na minha frente. Havia dois enormes lobos entre ele Jacob, mas eles não pareciam agressivos comigo. Era mais como se estivessem tentando prevenir a briga.
E Seth – o grande Seth, de apenas quinze anos – passou seus braços longos ao redor do corpo trêmulo de Jacob, e estava puxando-o para longe. Se Jacob se transformasse com Seth tão perto dele...
— Anda, Jake. Vamos.
— Eu vou matar você — Jacob disse, a voz dele estava tão esganiçada de raiva que era apenas um sussurro baixo. Seus olhos, focados em Edward, queimavam de fúria. — Eu vou matar você com minhas próprias mãos! Eu vou fazer isso agora! — ele tremeu convulsivamente.
O maior lobo, o preto, rosnou alto.
— Seth, saia do caminho — Edward assobiou.
Seth puxou Jacob novamente. Jacob estava tão acometido de raiva que Seth conseguiu puxá-lo mais uns metros para longe.
— Não faça isso, Jake. Vamos embora. Anda.
Sam – o maior lobo, o preto – se juntou a Seth nessa hora. Ele colocou sua cabeça enorme contra o peito de Jacob e empurrou.
Eles três – Seth puxando, Jacob tremendo, e Sam empurrando – desapareceram rapidamente na escuridão.
O outro lobo ficou assistindo eles irem. Eu não tinha certeza, na luz fraca, de qual era a cor do pelo dele – marrom chocolate, talvez? Era Quil, então?
— Lamento — sussurrei para o lobo.
— Está tudo bem agora, Bella — Edward murmurou.
O lobo olhou para Edward. O olhar dele não era amigável. Edward deu a ele um frio aceno de cabeça. O lobo fez um som e então se virou para acompanhar os outros, sumindo assim como eles.
— Tudo bem — Edward disse pra si mesmo, e então olhou pra mim. — Vamos voltar.
— Mas Jake...
— Ele está nas mãos de Sam. Ele se foi.
— Edward, eu lamento. Eu fui estúpida...
— Você não fez nada errado...
— Eu tenho uma boca tão grande! Por que eu... Eu não devia ter deixado ele me tirar do sério assim. O que eu estava pensando?
— Não se preocupe — ele tocou meu rosto. — Precisamos voltar para a recepção antes que alguém perceba a nossa ausência.
Concordei com a cabeça, tentando me reorientar. Antes que alguém percebesse? Será que alguém não tinha visto isso?
Então, enquanto pensava nisso, eu me dei conta de que o confronto que me pareceu tão catastrófico, na realidade, tinha sido bem silencioso e rápido ali nas sombras.
— Me dê dois segundos — implorei.
Eu estava um caos por dentro com pânico e pesar, mas isso não importava – apenas o exterior importava nesse momento. Fazer uma boa atuação era uma coisa que eu sabia que precisava dominar.
— Meu vestido?
— Você está bem. Nem um fio de cabelo está fora do lugar.
Eu respirei profundamente duas vezes.
— Certo. Vamos lá.
Ele colocou o braço ao meu redor e me guiou de volta para a luz. Quando passamos por baixo das luzes piscando, ele me virou gentilmente até a pista de dança. Nós nos misturamos com os outros dançarinos como se a nossa dança nunca tivesse sido interrompida.
Olhei para os convidados ao redor, mas ninguém parecia chocado ou amedrontado. Apenas os rostos mais pálidos ali demonstravam algum sinal de estresse, e eles estavam escondendo bem. Jasper e Emmett estavam na beira da pista de dança, juntos um do outro, e adivinhei que eles tinham estado lá quando o confronto aconteceu.
— Você está...
— Eu estou bem — prometi. — Não consigo acreditar que fiz aquilo. O que há de errado comigo?
— Não há nada de errado com você.
Eu tinha estado tão feliz por Jacob estar lá. Sabia o sacrifício que ele estava fazendo. E então arruinei tudo, transformei seu presente em um desastre. Eu devia estar isolada do mundo.
Mas a minha idiotice não arruinaria nada mais esta noite. Eu deixaria tudo de lado, jogaria numa gaveta e a trancaria pra lidar com isso mais tarde. Haveria tempo suficiente pra me autoflagelar mais tarde, e nada do que eu fizesse nesse momento ajudaria.
— Está acabado — eu disse. — Não vamos pensar nisso de novo esta noite.
Esperei que Edward concordasse rapidamente, mas ele ficou em silêncio.
— Edward?
Ele fechou os olhos e pôs a testa sobre a minha.
— Jacob está certo — ele sussurrou. — O que eu estou pensando?
— Ele não está certo — tentei manter meu rosto tranquilo por causa da multidão de amigos observando. — Jacob é preconceituoso demais pra ver alguma coisa claramente.
Ele murmurou alguma coisa que quase soou como:
— Eu devia deixá-lo me matar só por eu ter pensado...
— Pare com isso — eu disse ferozmente. Agarrei o rosto dele com as minhas mãos e esperei até que ele abrisse os olhos. — Você e eu. Isso é só o que importa. A única coisa na qual você tem permissão para pensar agora. Você me ouviu?
— Sim — ele suspirou.
— Esqueça que Jacob apareceu — eu podia fazer isso. Eu faria isso. — Por mim. Prometa que você vai deixar isso pra lá.
Ele fitou meus olhos por um momento antes de responder.
— Eu prometo.
— Obrigada, Edward. Eu não estou com medo.
— Eu estou — ele sussurrou.
— Não fique — respirei profundamente e sorri. — Por sinal, eu te amo.
Ele sorriu só um pouco como resposta.
— É por isso que estamos aqui.
— Você está monopolizando a noiva — Emmett disse, vindo por trás do ombro de Edward. — Deixe-me dançar com a minha irmãzinha. Pode ser a minha última chance de fazê-la corar.
Ele riu alto, tão tranquilo quanto sempre era não importando a atmosfera.
Acabou que havia muitas pessoas com as quais eu não tinha dançado ainda, e isso me deu uma chance de realmente me recompor e me decidir. Quando Edward me tirou pra dançar de novo, decidi que a gaveta de Jacob estava bem fechada com força. Quando ele colocou os braços ao meu redor, consegui recuperar a minha sensação de alegria de anteriormente, a minha certeza de que tudo na minha vida estava no lugar certo essa noite. Eu sorri e coloquei minha cabeça no peito dele. Os braços dele me apertaram mais.
— Eu posso me acostumar a isso — falei.
— Não me diga que você superou os seus problemas com dança?
— Dançar não é tão ruim – com você. Mas eu estava pensando mais nisso — e eu me pressionei a ele ainda mais — em nunca te soltar.
— Nunca — ele prometeu e se inclinou para me beijar. Esse foi um beijo sério – intenso, lento mais aumentando o ritmo...
Eu quase tinha esquecido de onde eu estava quando ouvi Alice chamar:
— Bella, está na hora!
Senti uma leve pontada de irritação com minha nova irmã pela interrupção.
Edward a ignorou; seus lábios estavam pousados com força nos meus, mais urgentes que antes.
Meu coração começou a correr e minhas palmas estavam escorregadias na nuca dele.
— Vocês querem perder o avião? — Alice quis saber, bem ao meu lado agora. — Eu tenho certeza de que vocês terão uma bela lua de mel acampados no aeroporto esperando pelo próximo voo.
Edward virou um pouco o rosto para murmurar “Vai embora, Alice”, e então pressionou seus lábios nos meus de novo.
— Bella, você quer usar esse vestido no avião? — ela quis saber.
Eu realmente não estava prestando muita atenção. Naquele momento, eu simplesmente não ligava.
Alice rosnou baixinho.
— Eu vou contar aonde você a está levando, Edward. Deus me ajude, mas eu vou.
Ele congelou. Então levantou o rosto do meu e encarou sua irmã favorita.
— Você é pequena demais para ser tão enormemente irritante.
— Eu não escolhi o vestido de viagem perfeito para vê-lo sem uso — ela respondeu, pegando minha mão. — Venha comigo, Bella.
Lutei com a mão dela para ficar na ponta dos pés e dar mais um beijo em Edward. Ela puxou meu braço impacientemente, me levando pra longe dele. Houveram algumas gargalhadas dos convidados que estavam olhando. Então desisti e a deixei me guiar para a casa vazia.
Ela parecia chateada.
— Desculpa, Alice — eu me desculpei.
— Eu não te culpo, Bella — ela suspirou. — Você não parece ser capaz de se controlar.
Eu ri da expressão martirizada dela, e ela fez uma careta.
— Obrigada, Alice. É o casamento mais lindo que alguém já teve — eu disse sinceramente a ela. — Tudo estava exatamente certo. Você é a melhor irmã, mais esperta e talentosa do mundo inteiro.
Isso a ganhou; ela deu um sorriso enorme.
— Estou feliz que você tenha gostado.
Renée e Esme estavam esperando no andar de cima. Elas três me tiraram rapidamente do meu vestido e me puseram no vestido azul escuro para viagem de Alice. Fiquei agradecida por alguém ter tirado as presilhas do meu cabelo e o deixado cair pelas minhas costas, ondulado por causa das tranças, me salvando de uma dor de cabeça por causa delas mais tarde. As lágrimas de minha mãe rolaram o tempo inteiro sem parar.
— Eu vou te ligar quando souber para onde estou indo — prometi enquanto dava um abraço de despedida nela. Eu sabia que o segredo sobre a lua de mel estava provavelmente deixando-a louca; mães odeiam segredos, a não ser que estivessem envolvidas neles.
— Eu vou te contar assim que ela estiver seguramente longe — Alice ganhou de mim, sorrindo maliciosamente pela minha expressão magoada.
Que injusto, eu ser a última a saber.
— Você vai ter que visitar a mim e ao Phil, muito, muito em breve. É a sua vez de ir para o sul – ver o sol pra variar — Renée disse.
— Hoje não choveu — lembrei ela, evitando o seu pedido.
— Um milagre.
— Está tudo pronto — Alice disse. — Suas malas estão no carro – Jasper vai trazê-lo.
Ela me puxou de volta em direção às escadas com Renée seguindo, ainda meio abraçada comigo.
— Eu te amo, mãe — sussurrei enquanto descíamos. — Estou muito feliz que você tenha o Phil. Cuidem um do outro.
— Eu te amo também, Bella, querida.
— Adeus, mãe. Eu amo você — eu disse de novo, minha garganta grossa.
Edward estava esperando no fim das escadas. Segurei a mão que ele ergueu pra mim, mas me distanciei, procurando por entre a pequena multidão que esperava pra nos ver sair.
— Pai? — perguntei, meus olhos procurando.
— Aqui — Edward murmurou.
Ele me puxou entre os convidados; eles abriram caminho pra nós. Encontramos Charlie encostado de forma estranha na parede atrás de todo mundo, parecendo estar se escondendo. A vermelhidão ao redor dos olhos dele me explicou o porquê.
— Oh, pai!
Eu o abracei pela cintura, lágrimas surgindo de novo – eu estava chorando demais essa noite. Ele deu uns tapinhas nas minhas costas.
— Tudo bem. Você não quer perder seu avião.
Era difícil falar de amor com Charlie – nós éramos parecidos demais, sempre revertendo as coisas triviais para evitar demonstrações embaraçosas de carinho. Mas não era hora pra ter vergonha.
— Eu amo você, pai — eu disse a ele. — Não esqueça isso.
— Você também, Bells. Sempre amei, sempre amarei.
Beijei a bochecha dele ao mesmo tempo que ele beijou a minha.
— Me ligue — ele disse.
— Logo — prometi, sabendo que isso era tudo o que eu podia prometer.
Apenas uma ligação. Meu pai e minha mãe não poderiam me ver novamente; eu estaria diferente demais, e muito, muito perigosa.
— Vá lá, então — ele disse com a voz grogue. — Vocês não querem se atrasar.
Os convidados abriram-se em um corredor nós. Edward me puxou para o seu lado e nós escapamos.
— Você está pronta? — ele perguntou.
— Estou — eu disse, e sabia que era verdade.
Todo mundo aplaudiu quando Edward me beijou no batente da porta. Então ele correu para o carro enquanto a chuva de arroz começava. A maioria passou longe, mas alguém, provavelmente Emmett, jogou com tremenda precisão, e um monte deles ricocheteou nas costas de Edward.
O carro estava decorado com mais flores que enfeitavam toda a casa, e longos laços de fita que estavam amarrados a uma dúzia de sapatos – sapatos de estilistas famosos que pareciam novos em folha – presos ao fundo do carro.
Edward me protegeu do arroz enquanto eu entrava, e então ele entrou e começou a acelerar o carro enquanto eu acenava pela janela e gritava “eu amo vocês” para a varanda, onde minhas famílias acenavam de volta.
A última imagem que registrei foi a dos meus pais. Phil tinha os dois braços rodeando Renée ternamente. Ela tinha um braço agarrado à cintura dele e a mão livre dela alcançou a de Charlie. Tantos tipos diferentes de amor, em harmonia nesse momento. Me parecia uma imagem promissora.
Edward apertou minha mão.
— Eu te amo — ele falou.
Eu me inclinei nos braços dele.
— É por isso que estamos aqui — repetiu o que ele disse antes.
Ele beijou meu cabelo.
Enquanto nós entrávamos na estrada escurecida e Edward pisava no acelerador, ouvi um barulho por sobre o ronco do motor, vindo da floresta atrás de nós. Se eu podia ouvir, ele certamente também podia. Mas ele não disse nada enquanto o som desaparecia à distância. Eu também não disse nada.
O uivo penetrante, de partir o coração, ficou fraco e então desapareceu inteiramente.

4 comentários:

  1. Eu axei q o Jacob foi muito idiota poxa ela tbm e doida mas ele fazendo os 2 casados se sentirem culpados ...

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    1. Gustavo-filho de hades10 de setembro de 2016 09:25

      S ele acha q e dono dela idiota

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  2. Alice rosnou baixinho.
    — Eu vou contar aonde você a está levando, Edward. Deus me ajude, mas eu vou.
    Ele congelou. Então levantou o rosto do meu e encarou sua irmã favorita.
    — Você é pequena demais para ser tão enormemente irritante.
    — Eu não escolhi o vestido de viagem perfeito para vê-lo sem uso — ela respondeu, pegando minha mão. — Venha comigo, Bella.
    Kkk 💜💜💜

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