22 de setembro de 2015

Capítulo 36

— Tudo está morto — Stella olhou ao redor de Titus.
No momento em que chegaram a Titus, Stella percebeu o quanto se parecia com o Olimpo a partir de um breve vislumbre que havia tido, vindo do futuro. O ar era praticamente o mesmo e, assim como no Olimpo, havia edifícios e estruturas de mármore magníficas.
— É que nem o Olimpo depois que a UCP mandou a arma para lá.
As árvores ao seu redor estavam secas e murchas. A grama era marrom e não se escutava o som de pássaros, animais ou insetos.
— É assim que o Olimpo ficou depois do nosso ataque? — disse Agente B, em uma espécie de choque silencioso.
Stella fez que sim com a cabeça.
— Era tão bonito e, contudo, tão morto.
— O Olimpo e Titus eram mundos gêmeos magníficos — disse Júpiter com tristeza. — Ao criar essa arma, Saturno destruiu esse mundo só para nos derrotar.
Havia algo errado em sua voz que chamou a atenção de Stella. O som da voz de Júpiter o denunciava. Ele não parecia estar muito bem. Começava a se curvar. E olhou em volta para os outros olímpicos – também pareciam estar doentes.
— O que há de errado? — O Agente B retirou o elmo de melro e se voltou para Júpiter.
— Estamos perto da arma — disse ele, engasgando. — Minerva nos avisou, mas eu não acreditava que isso me afetaria tão rapidamente como afetou. Precisamos encontrá-la antes que ela nos mate.
O Minotauro bufou e bateu o chão. O Guerreiro Tartaruga se enfiou dentro de sua carapaça e gritou de dor enquanto o Guerreiro Melro crocitava e o Guerreiro Dragão rugia. Até mesmo Briareos tinha reações violentas à proximidade da arma.
Stella foi com a cadeira de rodas até onde Vulcano estava e tocou de leve em seu braço.
— Você pode sentir de onde a dor está vindo?
— De toda parte — disse ele, gemendo.
— Seja mais específico — ordenou bruscamente o Agente B. — Não podemos deter a arma se não pudermos encontrá-la!
Vulcano cerrou os punhos. Ele se levantou e tirou o elmo. O rosto estava contorcido por causa da dor terrível. Ele virou-se lentamente e apontou para um belo edifício com pilares que se assomava à distância.
— Vem de lá, do palácio de Saturno.
— Só poderia ser — afligiu-se o Agente B. — Olha. É lá que todos os Titãs das Sombras recebem a sua orientação. — Ele verificou o céu ao seu redor. — Pelo menos não consigo ver nenhuma sombra voadora. Eles provavelmente estão na Terra para a batalha final. — O agente da UCP sacou a espada flamejante. — Espero que vocês, olímpicos, possam colaborar, pois Stella e eu não conseguiremos enfrentá-los todos sozinhos.
Plutão se contorcia de dor.
— Eu não manifestarei quaisquer poderes enquanto essa arma estiver exposta — disse ele, com os dentes cerrados. — Mas pelo menos ainda posso empunhar uma espada.
— Eu também — concordou Júpiter, enquanto sacava a arma. — Temos que nos mover agora, antes que essa coisa acabe conosco.
Stella sacou a própria espada flamejante da bainha montada em sua cadeira de rodas.
— Maxine, preciso de sua ajuda — disse ela à cadeira. — Por favor, me leve para o palácio de Saturno. Temos que chegar onde a arma está.
Abaixo dela, a cadeira reagiu ao pedido. As rodas começaram a girar enquanto a cadeira avançava.
Muito antes de chegarem ao palácio, os Titãs das Sombras perceberam sua presença em Titus. Eles irromperam pelas estradas pavimentadas e atacaram os olímpicos com toda a ferocidade que possuíam.
Mais uma vez, Briareos provou seu valor. Mesmo sob os efeitos doentios da arma, ele era um lutador poderoso. E abriu caminho em meio às hordas de Titãs das Sombras.
Mas os Três Grandes estavam perdendo as forças. A cada instante, seus movimentos ficavam mais lentos enquanto se esforçavam para respirar.
Júpiter foi atingido nas costas pela espada de um Titã das Sombras invisível. A armadura que usava o protegeu, mas mesmo assim ele foi jogado ao chão. O Agente B lutou para abrir caminho e chegar até o olímpico caído, e usou a espada flamejante para destruir um guerreiro. Ele ajudou a Júpiter a se levantar, penosamente.
— Não podemos vencer assim — disse Júpiter ofegante, segurando o braço do agente para ter apoio. — O poder da arma é muito grande. Ela vai nos matar muito antes de chegarmos ao palácio. Você e Stella são nossa única esperança. Eu imploro, vão até o palácio e guardem a arma dentro da caixa dourada. Com ela coberta, nossa força poderá retornar. Vá agora, antes que seja tarde demais.
Stella ordenou que Maxine a levasse pelo ar.
— Agente B, Maxine pode levar nós dois!
— Você tem certeza que essa coisa pode nos erguer?
Maxine deu uma rasante. O Agente B não titubeou, deu um salto se agarrou a uma de suas rodas.
— Sim, pode! — Stella deu um grito enquanto Maxine os carregava, sobrevoando a contenda, rumo ao palácio. — Ela pode fazer qualquer coisa!
O Agente B usou sua mão livre para matar o maior número de Titãs das Sombras que podia com a espada flamejante.
Atrás deles, a batalha continuava. Briareos pairava sobre os guerreiros que o atacavam. Mas o enorme Cem-braços estava ficando com os movimentos mais lentos. Mesmo daquela distância, podiam ver a dor cravada em seus rostos imundos.
— Se ele cair, todos caem — alertou o Agente B.
— Rápido, Maxine, temos de parar essa arma!
Enquanto se aproximavam do imponente palácio, Stella percebeu um movimento no telhado.
— Alguém está lá em cima.
— Esse é o ponto mais alto da região. É uma plataforma perfeita para que a arma seja ativada.
Stella pediu a Maxine para que imprimisse mais velocidade e pousasse no telhado. Com a espada flamejante erguida, o Agente B pulou de Maxine bem na hora em que a cadeira pousou na superfície lisa de mármore.
Eles pararam de repente a alguns metros de uma figura que outrora, podia ter sido um homem. Era algo muito seco e enrugado para que se pudesse dizer do que se tratava. Em seus braços, ele se esforçava para carregar uma grande pedra. A mesma que Stella vira caindo da caixa dourada não muito tempo atrás.
— É essa aí... essa é a arma! — gritou.
— É isso que você está procurando, humana? — perguntava a criatura enrugada. — Você chegou tarde demais. Em instantes eu estarei morto e você vai testemunhar o maior triunfo de Saturno. No momento em que chegarmos ao Olimpo, eu a detonarei. Os poderes da arma irão crescer e se espalhar por todo o cosmos, destruindo todos os olímpicos vivos que existem. Essa vitória vale o meu sofrimento.
A criatura ergueu uma pedra azul que parecia semelhante a que Joel e Emily tinham.
— Não! — gritou o Agente B. Ele ergueu a espada e atacou.
Seis Titãs das Sombras surgiram no telhado do palácio e correram na direção do Agente da UCP.
— Stella faça alguma coisa. Detenha-o! — gritou o Agente B enquanto encarava todos os Titãs das Sombras que o atacavam.
Não havia tempo para pensar. O velho ergueu a joia.
Stella largou a espada flamejante e sacou a pequena adaga de prata. Vulcano havia lhe ensinado como arremessá-la com precisão mortal. Mas aquilo era treino. E agora se tratava da realidade.
— Olimpo! — gritou o velho.
Stella segurou o punhal da lâmina e prendeu a respiração.
A Corrente Solar se abriu em frente ao velho e ele começou a se mover.
Stella usou toda a sua força para lançar a adaga.
Ele atingiu a criatura hedionda bem no peito.
Ele largou a pedra e cambaleou para o lado, longe da Corrente Solar que se abria.
— A pedra, Stella — gritou o Agente B. — Coloque-a na caixa.
— Maxine, mova-se — gritou Stella. — Leve-me até aquela pedra.
Stella se jogou da cadeira de rodas e se esforçou para soltar a grande caixa dourada sob seu assento.
— Solte a caixa.
A cadeira de rodas se inclinou para trás até a caixa cair dos suportes de retenção. Ela caiu no escorregadio piso de mármore e deslizou para mais longe.
Stella soltou palavrão e tentou rolar a pedra para dentro da caixa dourada. Mas, enquanto se movia e sentia seu peso, ela percebeu que jamais poderia levantá-la e colocá-la dentro do recipiente.
— Maxine, empurre-a para perto de mim!
A cadeira de rodas fez o que lhe foi ordenado e empurrou a caixa onde a pedra estava. Stella se ergueu o máximo que pôde e levantou a pesada tampa de ouro.
— Agente B — gritou — a pedra é muito pesada para mim, não consigo levantá-la e colocá-la na caixa!
Havia apenas três Titãs das Sombras enfrentando o Agente B. À sua volta, estavam dispersos os restos dos outros lutadores. Sua espada flamejante brilhou no ar enquanto rasgava um quarto Titã das Sombras. Com apenas dois guerreiros Tartaruga sobrando, o Agente B correu na direção de Stella.
— Prepare a tampa!
Ele deixou cair a espada e ergueu a pedra pesada no ar. Quando estava prestes a colocá-la na caixa, os dois guerreiros Tartaruga avançaram e perfuraram a armadura do Agente B com suas espadas.
O agente da UCP engasgou em agonia. Stella viu as lâminas cobertas de sangue saindo da frente de sua armadura. As tartarugas puxaram suas armas e o apunhalaram novamente.
— Pegue a tampa — disse o Agente B, engolindo em seco.
Quando caiu, ele usou suas últimas forças para largar a pedra dentro da caixa dourada. Lutando com o peso, Stella conseguiu fechar a tampa sobre a arma.
O Agente B caiu sobre o telhado do palácio e parou de se mexer.
Stella esforçou-se para pegar a caixa. Sem arma alguma, ela olhou com ar desafiador para os rostos cobertos dos Titãs das Sombras que avançavam em sua direção.

Um comentário:

  1. Agente B
    Q maldade em
    Aff
    Paelen depois pegaus agora o agente B
    Aff
    Q maldade
    Ao menos ele poderia ter sobrevivido

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