28 de setembro de 2015

Capítulo 3 - O grande dia

Meus olhos se abriram.
Fiquei deitada tremendo e engasgando em minha cama quente por vários minutos, tentando me livrar do pesadelo. O céu do lado de fora da minha janela mudou do cinza para um rosa pálido enquanto eu esperava meu coração desacelerar.
Quando voltei para a realidade do meu familiar quarto bagunçado, me senti um pouco irritada comigo mesma. Que sonho para se ter na véspera do casamento! Era o que eu ganhava por ficar obcecada com histórias perturbadoras no meio da noite.
Ansiosa para me livrar do pesadelo, eu me vesti e fui para a cozinha muito antes do que o necessário. Primeiro limpei o pequeno cômodo, e quando Charlie levantou, preparei panquecas. Eu estava muito inquieta para ter qualquer interesse em tomar café da manhã – sentei e fiquei remexendo na cadeira enquanto ele comia.
— Você tem que buscar o Sr. Weber às três horas — eu o lembrei.
— Eu não tenho muita coisa para fazer hoje a não ser pegar o pastor, Bells. Não vou esquecer da minha única tarefa. — Charlie tinha tirado o dia todo de folga para o casamento e, definitivamente, não tinha nada para fazer. De vez em quando, seus olhos iam furtivamente para o armário sob a escada, onde guardava sua vara de pesca.
— Essa não é a sua única tarefa. Você também tem que se vestir e ficar apresentável.
Ele fez uma careta para sua tigela de cereais e murmurou as palavras “fantasia de pinguim” baixinho.
Houve uma batida animada na porta da frente.
— E você acha que está mal — eu disse, sorrindo enquanto levantava. — Alice trabalhará em mim o dia todo.
Charlie acenou pensativamente, concordando que ele tinha a menor tarefa. Eu me inclinei para beijar o topo de sua cabeça quando passei – ele corou e pigarreou – e continuei o caminho para abrir a porta para minha melhor amiga – que em pouco tempo seria minha irmã.
O cabelo curto de Alice não estava com suas pontas espetadas – caía em cachos brilhantes, enquadrando seu pequeno rosto, que contrastava com uma expressão profissional. Ela me arrastou da casa com um mero “Oi, Charlie” por cima dos ombros.
Alice me avaliou enquanto eu entrava no Porshe.
— Ah, mas que droga! Veja os seus olhos! — ela reclamou com reprovação. — O que você fez? Ficou acordada a noite toda?
— Quase.
Ela me encarou.
— Eu tenho pouco tempo para te deixar maravilhosa, Bella – você podia ter tomado mais cuidado com o meu material.
— Ninguém espera que eu fique maravilhosa. Acho que o grande problema é que talvez eu durma durante a cerimônia e não seja capaz de dizer “aceito” na hora certa, e então Edward vai conseguir fugir.
Ela riu.
— Vou jogar meu buquê em você quando estiver na hora.
— Obrigada. Pelo menos você terá bastante tempo para dormir no avião amanhã.
Eu ergui uma sobrancelha. Amanhã, pensei. Se nós fôssemos embora depois da festa e ainda estaríamos no avião amanhã... bem, não estávamos indo para Boise, Idaho.
Edward não tinha dado nenhuma pista. Eu não estava tão estressada com o mistério, mas era estranho não saber aonde eu iria dormir na noite seguinte. Ou, esperançosamente, não dormir...
Alice percebeu que tinha me dado uma dica, e franziu a testa.
— Você já está com as malas preparadas e prontas — ela falou para me distrair.
Funcionou.
— Alice, eu queria que você me deixasse preparar as minhas próprias malas!
— Teria dado muitas pistas.
— E negado a você uma oportunidade de fazer compras.
— Você será minha irmã oficialmente em poucas horas... está na hora de superar essa aversão a roupas novas.
Encarei preocupada o para-brisa até que estávamos quase na casa.
— Ele já voltou? — perguntei.
— Não se preocupe, ele estará de volta antes que a música comece. Mas você não pode vê-lo, não importa quando ele chegue. Vamos fazer isso do jeito tradicional.
Eu bufei.
— Tradicional!
— Certo, a parte da noiva e do noivo.
— Você sabe que ele já espiou.
— Ah, não, esse é o motivo de só eu tê-la visto no vestido de noiva. Tenho sido bem cuidadosa para não pensar nisso quando ele está por perto.
— Bem — falei quando fizemos a curva — estou vendo que você reaproveitou a decoração da formatura.
Os seis quilômetros da estrada estavam novamente envoltos em milhares de luzinhas. Dessa vez, ela adicionou arcos de cetim branco.
— Não quero desperdiçar. Aproveite, porque você não verá a decoração interna até que esteja na hora.
Ela estacionou na garagem gigante ao norte da casa. O jipe enorme de Emmett ainda não tinha voltado.
— Desde quando a noiva não pode ver a decoração? — protestei.
— Desde que ela me colocou no comando. Quero que você tenha o impacto completo quando descer as escadas.
Ela colocou a mão sobre meus olhos antes me deixar entrar pela cozinha. Eu fui imediatamente assaltada pelo cheiro.
— O que é isso? — perguntei enquanto ela me guiava pela casa.
— É muito? — A voz de Alice estava abruptamente preocupada. — Você é a primeira humana aqui. Espero que eu tenha acertado.
— O cheiro é delicioso! — eu a assegurei. Rra quase intoxicante, mas não surpreendente, o balanço das fragrâncias diferentes era sutil e completo. — Cascas de laranja... lilás... e alguma coisa a mais – estou certa?
— Muito bom, Bella. Só esqueceu das frésias e das rosas.
Ela não descobriu meus olhos até que estivéssemos em seu banheiro gigante. Olhei para a grande pia, coberta com toda a parafernália de um salão de beleza, e comecei a sentir os efeitos da noite mal dormida.
— Isso é realmente necessário? Eu vou parecer comum perto dele de qualquer jeito.
Ela me sentou em uma cadeira pequena e cor-de-rosa.
— Ninguém vai ousar chamá-la de comum quando eu terminar.
— Só porque eles estarão com medo de que você sugue o sangue deles — murmurei.
Apoiei nas costas da cadeira e fechei meus olhos, esperando ser capaz de cochilar enquanto aquilo durasse. Apaguei de vez em quando enquanto ela me maquiava, passava blush e polia cada superfície do meu corpo.
Já passava do almoço quando Rosalie deslizou para dentro banheiro com um vestido prata brilhante e seu cabelo dourado preso em uma pequena coroa no topo da cabeça. Ela era tão linda que me deu vontade de chorar. Qual era o sentido em me preparar com Rosalie por perto?
— Eles voltaram — Rosalie disse, e imediatamente meu ataque de pânico infantil desapareceu. Edward estava em casa.
— Mantenha-o longe daqui!
— Ele não vai encontrar com você hoje — Rosalie assegurou a Alice. — Ele dá valor demais à vida. Esme os mandou cuidar de algumas coisas. Você quer alguma ajuda? Posso fazer o cabelo dela.
Meu queixo caiu. Fiz uma batalha em minha cabeça, tentando me lembrar de como fechar a boca.
Nunca fui a pessoa preferida de Rosalie. Então, deixando as coisas ainda mais tensas entre nós, ela ficou pessoalmente ofendida pela escolha que eu estava fazendo agora. Embora tivesse aquela beleza impossível, uma família que amava, e sua alma gêmea em Emmett, teria trocado tudo para ser humana. E aqui estava eu, insensivelmente jogando tudo fora, tudo o que ela queria na vida, como se fosse lixo. Eu não a fiz gostar mais de mim.
— Claro — Alice respondeu. — Você pode fazer tranças. Quero que fique bem rebuscado. O véu vai aqui, embaixo. — As mãos dela começaram a passar pelo meu cabelo, levantando e virando-o, ilustrando em detalhes como ela queria. Quando ela terminou, as mãos de Rosalie substituíram as dela, amaciando meu cabeço com um toque mais leve do que pena. Alice voltou para meu rosto.
Depois que Alice elogiou Rosalie pela trabalho em meu cabelo, ela saiu para pegar meu vestido e localizar Jasper, que tinha sido designado para buscar minha mãe e seu marido, Phil, no hotel. Lá embaixo, eu podia ouvir a porta se abrindo e fechando várias vezes.
Vozes começaram a se aproximar.
Alice me fez levantar para que ela pudesse colocar o vestido por cima de meu cabelo e maquiagem. Meus joelhos tremeram muito quando ela fechou os botões de pérola nas minhas costas e o cetim caiu em pequenas ondas pelo chão.
— Respire fundo, Bella. — Alice disse. — E tente diminuir as batidas de seu coração. Você vai suar e borrar a maquiagem.
Atirei a ela a melhor expressão sarcástica que pude fazer.
— Vou tentar fazer isso.
— Eu tenho que me vestir agora. Consegue se segurar por dois minutos?
— Ahn... talvez?
Ela revirou os olhos e saiu pela porta.
Eu me concentrei em minha respiração, contando cada movimento de meus pulmões, e encarei os padrões que a luz do banheiro formavam no tecido reluzente da minha saia. Eu estava com medo de olhar no espelho – medo de que o meu reflexo num vestido de noiva me faria ter um novo ataque de pânico.
Alice voltou antes que eu chegasse nas duzentas respirações, num vestido que caía pelo seu corpo magro como uma cachoeira prateada.
— Alice, uau.
— Não é nada. Ninguém vai olhar para mim hoje. Não enquanto você estiver no salão.
— Haha.
— Agora você está sob controle ou eu preciso trazer Jasper aqui?
— Eles voltaram? Minha mãe está aqui?
— Ela acabou de entrar. Está subindo.
Renée tinha chegado há dois dias, e eu passara cada minuto que podia com ela – cada minuto que eu conseguia fazê-la se afastas de Esme e da decoração, nas palavras dela. Até onde eu podia dizer, ela estava se divertindo mais do que uma criança presa durante a noite na Disney. De um jeito, eu me senti traída do mesmo jeito que Charlie. Todo aquele terror desperdiçado com a reação dela...
— Ah, Bella! — ela exclamou agora, emocionada, antes que tivesse passado pela porta. — Ah, querida, você está maravilhosa! Ah, eu vou chorar! Alice, você é fantástica! Você e Esme deviam entrar no mercado de serviços cerimoniais. Onde você encontrou esse vestido? É lindo! Tão gracioso, tão elegante. Bella, parece que você acabou de sair de um filme de Jane Austin. — A voz de minha mãe pareceu um pouco distante, e tudo no quarto era um fraco borrão. — Uma ideia tão criativa, fazer o tema do vestido baseado na aliança de Bella. Tão romântico! E pensar que está na família de Edward desde o século XIX!
Alice e eu trocamos um olhar breve e conspiratório. Minha mãe errou no estilo do vestido em mais de cem anos. O casamento estava na verdade, centrado não no anel, mas no próprio Edward.
Houve um pigarro na porta.
— Renée, Esme disse que é hora de você descer — Charlie disse.
— Bom, Charlie, como você está arrojado! — Renée disse em um tom que era quase choque.
Talvez isso tenha explicado a rigidez na resposta de Charlie.
— Alice me pegou.
— Já está na hora mesmo? — Renée disse para si mesma, parece quase tão nervosa quanto eu me sentia. — Isso tudo foi tão rápido. Sinto-me tonta.
Isso fazia duas de nós.
— Me dê um abraço antes que eu desça — Renée insistiu. — Cuidado agora, não quero rasgar nada.
Minha mãe me apertou gentilmente pela cintura, então se virou para a porta, só para voltar e me olhar de novo.
— Ah, meu Deus, quase esqueci! Charlie, onde está a caixa?
Meu pai procurou em seu bolso por um minuto e então tirou uma pequena caixa branca e a entregou a Renée. Renée levantou a tampa e entregou para mim.
— Alguma coisa azul — ela disse.
— E alguma coisa antiga também. Eram da vovó Swan — Charlie adicionou. — Nós pedimos para um joalheiro substituir as pedras antigas por safiras.
Dentro da caixa havia duas presilhas de cabelo. Safiras azul-escuras estavam incrustadas em complicados desenhos florais em cima dos prendedores.
Minha garganta ficou apertada.
— Mãe, pai... vocês não precisavam.
— Alice não nos deixou fazer mais nada — Renée disse. — Toda vez que a gente tentava, ela praticamente pulava em nossas gargantas.
Uma gargalhada histérica saiu pelos meus lábios.
Alice veio para frente e rapidamente deslizou as presilhas em meus cabelos, logo abaixo das tranças grossas.
— É algo antigo e azul — Alice pensou, dando uns passos pra trás para me admirar. — E o seu vestido é novo... então, aqui.
Ela jogou alguma coisa para mim. Eu levantei minhas mãos automaticamente e a liga branca translúcida caiu na minha mão.
— Isso é meu e eu quero de volta — Alice me disse.
Eu fiquei vermelha.
— Pronto — Alice disse com satisfação. — Um pouco de cor – é tudo o que você precisa. Você está oficialmente perfeita — com um sorriso que se parabenizava, ela se virou para os meus pais. — Renée, você precisa ir lá pra baixo.
— Sim, senhora — Renée me soprou um beijo e saiu apressada pela porta.
— Charlie, você pode pegar as flores, por favor?
Enquanto Charlie estava fora do quarto, Alice arrancou a liga das minhas mãos e se enfiou embaixo da minha saia. Eu resfoleguei e cambaleei enquanto as mãos frias dela seguravam o meu calcanhar; ela enfiou a liga no lugar.
Ela já estava de pé novamente antes que Charlie retornasse com dois buquês cheios de flores brancas. O cheiro de rosas, flores de laranjeira e frésia me cercou numa suave mistura.
Rosalie – a melhor musicista da família depois de Edward – começou a tocar piano no andar de baixo. O cânone de Pachelbel. Eu comecei a hiperventilar.
— Calma, Bells — Charlie disse. Ele se virou nervosamente pra Alice. — Ela parece um pouco enjoada. Você acha que ela vai conseguir?
A voz dele soou longe. Eu não conseguia sentir minhas pernas.
— É melhor que consiga.
Alice ficou bem na minha frente, na ponta dos pés pra me olhar nos olhos mais facilmente, e agarrou meus pulsos em suas mãos duras.
— Concentre-se, Bella. Edward está te esperando lá embaixo.
Eu respirei profundamente, tentando me recompor.
A música mudou lentamente para outra música. Charlie me cutucou.
— Bells, é a nossa vez.
— Bella? — Alice perguntou, ainda me olhando nos olhos.
— Sim — eu guinchei. — Edward. Tudo bem.
Deixei que ela me tirasse do quarto, com Charlie agarrado em meu cotovelo.
A música estava mais alta no corredor. Flutuei nas escadas junto com as fragrâncias dos milhões de flores. Eu me concentrei na ideia de Edward me esperando lá embaixo para fazer os meus pés se moverem.
A música era familiar, uma marcha tradicional de Wagner cercada por um monte de embelezamentos.
— É a minha vez — Alice cochichou. — Conte até cinco e me siga.
Ela começou a descer as escadas lenta e graciosamente. Eu devia ter me dado conta que ter Alice como minha única dama de honra era um erro. Eu pareceria muito mais descoordenada andando atrás dela.
Uma súbita fanfarra se juntou à música. Reconheci a minha deixa.
— Não me deixe cair, pai — sussurrei.
Charlie pôs a minha mão em seu braço e a apertou com força.
Um passo de cada vez, eu disse a mim mesma enquanto começava a descer os degraus ao lento som da marcha. Não ergui meus olhos até que os meus pés estavam seguros no chão, apesar de conseguir ouvir os murmúrios e ruídos da plateia enquanto eu aparecia. O sangue subiu para o meu rosto por causa do som; é claro que já se esperava que eu fosse uma noiva corada.
Assim que os meus pés tinham vencido as escadas traiçoeiras, eu estava procurando por ele.
Por um breve segundo, fiquei distraída com a profusão de botões de flores brancas que pendiam de guirlandas em qualquer parte da sala que não estivesse ocupada, caindo em longas tiras de leves laços brancos. Mas tirei meus olhos dos arcos das portas e procurei pelas fileiras de cadeiras cobertas de cetim – ficando ainda mais vermelha quando vi a multidão de rostos olhando pra mim – até que finalmente o encontrei, de pé perto de um vaso com ainda mais flores e laços.
Eu mal tinha consciência de Carlisle de pé ao lado dele, e do pai de Angela atrás deles dois. Não vi minha mãe onde ela devia estar sentada na primeira fileira, nem a minha família nova, ou nenhum dos meus convidados – eles teriam que esperar até mais tarde.
Tudo o que eu realmente via era o rosto de Edward; ele encheu minha visão e dominou minha mente. Os olhos dele estavam claros, ouro em chamas; seu rosto perfeito quase parecendo severo com a profundidade de suas emoções. E aí, quando ele encontrou meu olhar abismado, ele se quebrou em um sorriso feliz de tirar o fôlego.
De repente, a única coisa me impedindo de correr pelo corredor era a mão de Charlie apertando a minha.
A marcha era lenta demais enquanto eu tentava fazer meus pés acompanharem o ritmo. Por sorte, o corredor era bem curto. E finalmente, finalmente, eu estava lá. Edward estendeu a mão. Charlie pegou minha e, num símbolo tão antigo quanto o mundo, colocou-a sobre a mão de Edward. Eu toquei o frio milagre de sua pele, e eu estava em casa.
Nossos votos foram simples, palavras tradicionais que já foram ditas milhões de vezes, apesar de nunca por um casal como nós. Nós só pedimos ao Sr. Weber que fizesse uma pequena mudança. Ele concordou em trocar a frase “até que a morte nos separe” por uma mais apropriada “enquanto ambos estivermos vivos”.
Naquele momento, enquanto o pastor falava, meu mundo, que tinha estado de cabeça para baixo por tanto tempo, agora pareceu ficar na posição correta. Eu me dei conta do quanto temia sentir medo disso – como se fosse um presente de aniversário que eu não queria ou uma exibição vergonhosa, como um baile. Olhei para os olhos brilhantes e triunfantes de Edward e soube que eu também estava vencendo. Porque nada mais importava além do fato que eu poderia ficar com ele.
Eu não me dei conta de que estava chorando até a hora de dizer as palavras tão esperadas.
— Eu aceito — consegui soltar num sussurro quase inaudível, piscando para conseguir ver o rosto dele.
Quando foi a vez dele de falar, as palavras soaram claras e vitoriosas.
— Eu aceito — ele jurou.
O Sr. Weber nos declarou marido e mulher, e aí as mãos de Edward de ergueram pra segurar o meu rosto, cuidadosamente, como se ele fosse delicado como as pétalas brancas balançando sobre nossas cabeças. Tentei compreender, apesar da quantidade de lágrimas me cegando, o fato surreal de que essa pessoa incrível era minha. Seus olhos dourados estavam como se pudessem estar cheios de lágrimas também, se isso não fosse uma coisa tão impossível. Ele abaixou sua cabeça em direção à minha, e fiquei na ponta dos pés, jogando meus braços – com buquê e tudo – ao redor do pescoço dele.
Ele me beijou ternamente, me adorando; eu esqueci a multidão, o lugar, o tempo, a razão... lembrando apenas que ele me amava, que ele me queria, que eu era dele.
Ele começou o beijo e eu tive que terminá-lo; eu me agarrei a ele, ignorando as risadinhas e os convidados limpando as gargantas. Finalmente, as mãos dele detiveram meu rosto e ele se afastou – cedo demais – para me olhar. Na superfície, seu sorriso repentino estava divertido, era quase um sorriso pretensioso. Mas por baixo desse espetáculo momentâneo da minha exibição pública estava uma profunda alegria que ecoava a minha própria.
A multidão aplaudiu, e ele virou os nossos corpos para ficar de frente para as nossas famílias e amigos.
Os braços da minha mãe foram os primeiros a me encontrar, seu rosto coberto de lágrimas foi a primeira coisa que vi quando desviei meus olhos de Edward sem querer. E aí eu fui passada para a multidão, de abraço em abraço, apenas meio consciente de quem me abraçava, minha atenção concentrada na mão de Edward que segurava a minha própria com força. Reconheci a diferença entre os abraços suaves e quentes dos meus amigos humanos e os abraços gentis e frios da minha nova família.
Um abraço forte se destacou entre os outros – Seth Clearwater teve a coragem de ficar em meio a todos os vampiros para representar meu amigo lobisomem perdido.

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