25 de setembro de 2015

Capítulo 3 - Motivos

O sol estava tão profundamente enterrado atrás das nuvens que não havia jeito de dizer se ele havia se posto ou não. Depois de um longo voo – perseguindo o sol em direção ao oeste até que ele pareceu nem se mover no céu – isso foi especialmente desorientador; o tempo parecia estranhamente variável. Eu fui pega de surpresa quando a floresta deu lugar aos primeiros prédios, sinalando que estávamos quase em casa.
—Você estava muito quieta—, Edward observou. —O avião te deixou enjoada?—
—Não, eu estou bem—
—Você está triste por ir embora?—
—Mais aliviada do que triste, eu acho—
Ele ergueu uma sobrancelha pra mim. Eu sabia que era inútil – e mesmo que eu não gostasse de admitir – desnecessário pedir que ele mantivesse os olhos na estrada.
—Renée é muito mais... perceptiva do que Charlie de algumas maneiras. Isso estava me deixando inquieta—.
Edward riu. —A sua mãe tem uma mente muito interessante. Quase infantil, mas muito intuitiva. Ela vê as coisas diferente das outras pessoas—.
Intuitiva. Essa era uma boa descrição da minha mãe – quando ela estava prestando atenção. Na maior parte do tempo Renée estava tão perplexa com a sua própria vida que ela não reparava muito nas outras coisas. Mas esse fim de semana ela esteve prestando bastante atenção em mim.
Phil estava ocupado – o time colegial de baseball que ele estava treinando estava nas semi finais – e estando sozinha com Edward e eu apenas aguçou os sentidos de Renée. Assim que os abraços e os gritinhos de deleite dela estavam fora do caminho, Renée começou a prestar atenção. E enquanto ela prestava atenção, seus grandes olhos azuis ficaram primeiro confusos e depois preocupados.
Essa manhã nós havíamos saído pra fazer uma caminhada na praia. Ela queria mostrar as belezas do novo lar dela, ainda esperando, eu acho, que o sol pudesse me atrair a sair de Forks.
Ela também queria falar comigo a sós, e isso foi facilmente arranjado. Edward havia inventado um trabalho de termologia para dar a si mesmo uma desculpa pra ficar dentro de casa durante o dia.
Na minha cabeça, eu repassei a conversa de novo...
Renée e eu andamos pela calçada, tentando ficar ao alcance das sombras inconstantes que vinham das palmeiras. Apesar de ser cedo, o calor estava começando a se acumular. O ar estava tão pesado com a umidade que simplesmente inspirar e expirar já era um exercício para os meus pulmões.
—Bella?—, minha mãe perguntou, olhando através da areia para as ondas quebrando enquanto falava.
—O que é, mãe?—
Ela suspirou, sem me olhar nos olhos. —Eu estou preocupada...—
—O que é?— eu perguntei, ficando imediatamente ansiosa. —O que eu posso fazer?—
—Não sou eu—. Ela balançou a cabeça. —Eu estou preocupada com você... e Edward—.
Renée finalmente olhou pra mim quando disse o nome dele, o rosto dela estava apologético.
—Oh—, eu murmurei, fixando o meu olhar num par de corredores enquanto eles passaram por nós, molhados de suor.
—Vocês dois são mais sérios do que eu estive pensando—, ela continuou.
Eu fiz uma careta, rapidamente revendo os últimos dois dias na minha cabeça. Edward e eu mal nos tocamos – não frente dela, pelo menos. Eu me perguntei se Renée ia me passar um sermão sobre responsabilidade também. Não me importava como com o de Charlie. Com a minha mãe isso não era vergonhoso. Afinal, era eu quem vivia passando esse sermão nela de vez em quando pelos últimos dez anos.
—Há alguma coisa... estranha com o jeito de vocês dois juntos—, ela murmurou, a testa dela estava enrugando sobre os seus olhos confusos. —O jeito como ele olha pra você – é tão... protetor. Como se ele estivesse prestes a se jogar na frente de uma bala pra te salvar ou algo assim—.
Eu ri, apesar de ainda não ser capaz de olhá-la nos olhos. —Isso é uma coisa ruim?—
—Não—, ela fez uma careta enquanto lutava pra encontrar as palavras. —Só é diferente. Ele é muito intenso com você... e muito cuidadoso. Eu sinto como não entendesse realmente o relacionamento de vocês. Como se houvesse um segredo que eu estou perdendo...—
—Eu acho que você está imaginando coisas, mãe—. Eu disse rapidamente, lutando pra manter minha voz leve. Havia um friozinho no meu estômago. Eu havia esquecido o quanto a minha mãe via. Alguma coisa na sua forma simples de ver o mundo ultrapassava todas as distrações e penetrava diretamente na verdade das coisas. Isso nunca foi um problema antes. Até agora, nunca houve um segredo que eu não pudesse contar pra ela.
—Não é só ele—. Ela juntou os lábios em defesa. —Eu queria que você pudesse ver como se move perto dele—.
—O que você quer dizer?—
—A forma como você se move – você se orienta ao redor dele sem nem sequer pensar nisso. Quando ele se move, mesmo que um pouco, você ajusta a sua posição ao mesmo tempo. Como imãs... ou gravidade. Você é como um satélite, ou algo assim. Eu nunca vi nada parecido—.
Ela torceu os lábios e olhou pra baixo.
—Não me diga—, eu zombei, forçando um sorriso. —Você está lendo mistérios de novo, não está? Ou dessa vez é ficção científica?—
Renée corou em um rosa delicado. —A questão vai além disso—.
—Achou algo bom?—
—Bom, houve um – mas isso não importa. Nós estamos falando de você agora—.
—Você devia continuar nos romances, mãe. Você sabe que você enlouquece—.
Os lábios dela torceram pra cima nos cantos. —Eu estou sendo boba, não estou?—
Por meio segundo, eu não pude responder. Renée era tão facilmente distraída. As vezes isso era uma coisa boa, porque nem todas as ideias dela eram práticas. Mas me machucou ver o quão rapidamente ela se rendia às minhas perguntas, especialmente já que ela estava absolutamente certa dessa vez.
Ela olhou pra cima, e eu controlei a minha expressão.
—Boba não – só sendo mãe—.
Ela sorriu e depois fez um gesto largo na direção das areias brancas que se estendiam para a água azul.
—E tudo isso não é suficiente pra fazer você voltar a morar com a sua mãe boba?—
Eu bati a minha mãe dramaticamente na minha testa, e depois fingi estar torcendo os meus cabelos.
—Você se acostuma com a umidade—, ela prometeu.
—Você também pode se acostumar á chuva—, eu apontei.
Ela me acotovelou de brincadeira e depois pegou a minha mãe enquanto caminhávamos de volta para o carro.
Apesar das preocupações dela comigo, ela parecia feliz o suficiente. Contente. Ela ainda olhava para Phil com olhos abobalhados, e isso era reconfortante. Com certeza a vida dela era plena e satisfatória. Com certeza ela não sentia a minha falta tanto assim, mesmo agora...
Os dedos gelados de Edward alisavam a minha bochecha. Eu olhei pra cima, piscando, voltando para o presente. Ele se inclinou e me deu um beijo na testa.
—Você está em casa, Bela Adormecida. Hora de acordar—.
Nós estávamos parados na frente da casa de Charlie. A luz da varanda estava acesa e a viatura estava parada na entrada de carros. Enquanto eu examinava a casa, eu vi a cortina se mexer na janela da sala de estar, jogando uma linha de luz amarela através da grama escura.
Eu suspirei. É claro que Charlie estava esperando para reclamar.
Edward deve ter pensado a mesma coisa, porque a expressão dele estava rígida e os olhos dele estavam remotos enquanto ele vinha abrir a porta pra mim.
—Quão ruim?—, eu perguntei.
—Charlie não vai ser difícil—, Edward prometeu, o nível de voz dele não continha humor. —Ele sentiu a sua falta—.
Os meus olhos se estreitaram duvidosamente. Se esse era o caso, então porque Edward estava tenso como se para batalhar?
A minha mala era pequena, mas ele insistiu em carregá-la até em casa. Charlie segurou a porta aberta para nós.
—Bem vinda ao lar, guria!— Charlie gritou como se estivesse falando sério. —Como foi Jacksonville?—
—Úmido. E com insetos—.
—Então Renée não te convenceu a ir para a universidade da Flórida?—
—Ela tentou. Mas eu prefiro beber água do que inalá-la—.
Os olhos de Charlie se moveram sem vontade para Edward. —Você se divertiu?—
—Sim—, Edward respondeu numa voz serena. —Renée foi muito hospitaleira—.
—Isso é... hum, bom. Fico feliz que você se divertiram—. Charlie virou de costas pra Edward e me puxou em um abraço inesperado.
—Impressionante—, eu suspirei no ouvido dele.
Ele abafou um riso. —Eu realmente senti sua falta, Bells. A comida aqui é uma droga quando você não está—.
—Eu vou cuidar disso—, eu disse enquanto ele me soltava.
—Você poderia ligar para Jacob antes? Ele esteve me enchendo a casa cinco minutos desde as seis horas dessa manhã. Eu prometi que te faria ligar pra ele antes mesmo de desfazer as malas.—
Eu não tive que olhar pra Edward pra saber que ele estava rígido demais, frio demais ao meu lado. Então esse era o motivo da tensão.
—Jacob quer falar comigo?—
—Muito, eu diria. Ele não quis me dizer sobre o que era – só disse que era importante—.
Então o telefone tocou, barulhento e insistente.
—É ele de novo, eu aposto o meu próximo salário—, Charlie murmurou.
—Eu atendo—. Eu corri para a cozinha.
Edward me seguiu enquanto Charlie desaparecia na sala de estar.
Eu agarrei o telefone no meio do toque, e me virei até que fiquei encarando a parede. —Alô?—
—Você está de volta—, Jacob disse.
A familiar voz rouca dele mandou uma onda de por mim. Um milhão de memórias giraram na minha cabeça, se enroscando – uma praia cheia de pedras cercada de árvores de salgueiro, uma garagem feita de telhas de plástico, refrigerantes quentes em um saco de papel, uma sala pequena com uma poltrona pequena demais. O sorriso em seus olhos profundos-muito pretos, o calor febril da mão grande dele, e o brilho dos seus dentes brancos em contraste com sua pele escura., o rosto dele se contraindo em um grande sorriso que sempre foi a chave para a porta secreta onde apenas bons espíritos eram permitidos de entrar.
Parecia ser uma espécie de saudade de casa, essa vontade do lugar e da pessoa que havia me protegido na minha noite mais escura.
Eu limpei o caroço da minha garganta. —Sim—, eu respondi.
—Porque você não me ligou?—, Jacob quis saber.
O tom raivoso da voz dele rapidamente me trouxe de volta. —Porque eu estava em casa a exatamente quatro segundos e a sua ligação interrompeu Charlie que estava dizendo que você ligou—.
—Oh. Desculpe—.
—Claro. Agora, porque você está assediando Charlie?—
—Eu preciso falar com você—
—É, eu descobri essa parte sozinha. Vá em frente—
Houve uma curta pausa.
—Você vai para a escola amanhã?—
Eu fiz uma careta para mim mesma, incapaz de entender o sentido dessa pergunta. —É claro que vou. Porque não iria?—
—Eu não sei. Só curioso—.
Outra pausa.
—Então sobre o que você queria falar, Jake?—
Ele hesitou. —na verdade nada, eu acho. Eu... eu queria ouvir a sua voz—.
—É, eu sei. Eu estou tão feliz por você ter ligado. Eu...— Mas eu não sabia o que mais dizer. Eu queria dizê-lo que estava a caminho de La Push agora. E eu não podia dizer isso.
—Eu tenho que ir—, ele disse abruptamente.
—O que?—
—Eu falo com você em breve, ta legal?—
—Mas Jake –—
Ele já tinha ido embora. Eu escutei o tom de discagem sem acreditar.
—Isso foi curto—, eu murmurei.
—Está tudo bem?— Edward perguntou. A voz dele estava baixa e cuidadosa.
Eu me virei lentamente pra ele. A expressão dele estava perfeitamente suave – impossível de ler.
—Eu não sei. Eu me pergunto o que foi isso—. Não fazia sentido que Jake tivesse rondado Charlie o dia inteiro só pra me perguntar se eu ia para a escola. E se ele queria ouvir a minha voz, então porque ele desligou tão rápido?
—A sua suposição provavelmente é melhor do que a minha—, Edward disse, a sombra de um sorriso aparecendo nos cantos da boca dele.
—Mmm—, eu murmurei. Isso era verdade. Eu conhecia Jake por dentro e por fora. Não devia ser tão complicado descobrir as motivações dele.
Com os meus pensamentos a milhas de distância – cerca de quinze milhas de distância, na estrada para La Push – eu comecei a mexer na frigideira, misturando os ingredientes do jantar de Charlie. Edward se inclinou no balcão, e eu estava distantemente consciente dos olhos dele no meu rosto, mas preocupada demais para me preocupar com o que ele via lá.
A coisa da escola parecia ser a chave pra mim. Essa foi a única pergunta de verdade que Jake fez. E ele devia estar procurando a resposta para alguma coisa, senão ele não teria chateado Charlie tão insistentemente.
No entanto, porque o meu registro de presença era importante pra ele?
Eu tentei pensar nisso de forma lógica. Então, se eu não estivesse indo para a escola amanhã, qual seria o problema com isso, na perspectiva de Jacob? Charlie me passou um pequeno sermão por perder um dia de aula tão perto das provas finais, mas eu o convenci de que uma Sexta não ia atrapalhar os meus estudos. Jake dificilmente se importaria com isso.
O meu cérebro se recusava a ter uma intuição brilhante. Talvez eu estivesse perdendo um pedaço vital de informação.
O que havia mudado nos últimos três dias que era tão importante a ponto de fazer Jacob quebrar o longo período de se recusar a atender meus telefonemas e entrar em contato comigo? Que diferença três dias podia fazer?
Eu congelei no meio da cozinha.
O pacote de hambúrguer congelado escorregou da minha mão pelos meus dedos entorpecidos. Me levou um lento segundo pra perder o barulho que ele devia ter feito ao bater no chão.
Edward o havia pego e atirado no balcão. Os braços dele já estavam ao meu redor, os lábios dele no meu ouvido.
—Qual é o problema?—
Eu balancei minha cabeça, confusa.
Três dias podiam mudar tudo.
Eu não estava pensando no quanto a faculdade era impossível? Como eu não poderia nem chegar perto de pessoas durante os dolorosos três dias da conversão que ia me livrar da mortalidade, pra que eu pudesse passar a eternidade com Edward? A conversão que me faria pra sempre prisioneira da minha própria sede...
Será que Charlie tinha contado pra Billy que eu desapareci por três dias? Será que Billy tinha tirado conclusões? Será que Jacob realmente estava me perguntando se eu ainda era humana? Tendo certeza de que o trato dos lobisomens continuava intacto – que nenhum dos Cullen havia mordido um humano... mordido... não matado...?
Mas ele realmente achava que eu voltaria para casa pra Charlie se esse fosse o caso?
Edward me chacoalhou. —Bella?— ele perguntou, realmente ansioso dessa vez.
—Eu acho... eu acho que ele estava checando—. Eu murmurei. —Checando pra ter certeza. De que eu sou humana, eu quero dizer—.
Edward enrijeceu, e um rugido baixo soou no meu ouvido.
—Nós teremos que ir embora—, eu suspirei. —Antes. Para que o acordo não seja quebrado. Nós não seremos mais capazes de voltar—.
Os braços dele se apertaram ao meu redor. —Eu sei—.
—Ahem— Charlie limpou sua alto a voz atrás de nós.
Eu pulei e depois me livrei dos braços de Edward, meu rosto ficando quente. Edward se inclinou de volta no balcão. Os olhos dele estavam estreitos. Eu podia ver preocupação neles, e raiva.
—Se você não quer fazer o jantar, eu peço uma pizza—, Charlie ofereceu.
—Não, está tudo bem. Eu já comecei—.
—Okay—, Charlie disse. Ele se encostou no arco da porta, cruzando os braços.
Eu suspirei e comecei a trabalhar, tentando ignorar a minha plateia.
—Se eu te pedisse pra fazer uma coisa, você confiaria em mim?—, Edward perguntou, com um tom em sua voz macia.
Nós estávamos quase na escola. Edward estava relaxado e fazendo piada a apenas um momento atrás, e agora as mãos dele estavam agarrando o volante com força, as articulações dele lutando com o esforço para não quebrá-lo em pedaços.
Eu encarei a expressão ansiosa dele – os olhos dele estavam distantes, como se ele estivesse ouvindo vozes distantes.
O meu pulso acelerou em resposta ao estresse dele, mas eu respondi cautelosamente. —Isso depende—.
Nós entramos no estacionamento da escola.
—Eu temia que você fosse dizer isso—.
—O que você quer que eu faça, Edward?—
—Eu quero que você fique no carro—, ele parou na sua vaga habitual e desligou o motor enquanto falava. —Eu quero que você espere aqui até eu voltar pra te buscar—.
—Mas... porque?—
Foi aí que eu vi ele. Ele teria sido difícil de não reparar, parecendo uma torre sobre os estudantes como ele estava, mesmo se ele não estivesse encostado em sua moto preta, que estava estacionada ilegalmente na calçada.
—Oh—
O rosto de Jake era uma máscara de calma que eu conhecia bem. Era o rosto de que ele usava quando estava disposto a manter as suas emoções sob controle. Ela fazia ele parecer Sam, o mais velho dos lobos, o líder do bando Quileute. Mas Jacob nunca conseguia controlar a perfeita serenidade que Sam sempre demonstrava.
Eu havia me esquecido do quanto aquele rosto me incomodava. Apesar de eu ter conhecido Sam muito bem antes dos Cullen voltarem – até gostar dele – eu nunca fui completamente capaz de ignorar o ressentimento que eu sentia quando Jacob imitava a expressão de Sam. Era um rosto estranho. Ele não era o meu Jacob quando o usava.
—Você tirou a conclusão errada na noite passada—, Edward murmurou. —Ele perguntou sobre a escola porque ele sabia que eu estaria onde você estivesse. Ele estava procurando por um lugar seguro pra conversar comigo. Um lugar com testemunhas—.
Então eu havia interpretado mal os motivos de Jacob na noite passada. Perdendo informações, esse era o problema. Informações como porque nesse mundo Jacob ia querer falar com Edward.
—Eu não vou ficar no carro—, eu disse.
Edward rosnou baixinho. —É claro que não. Bem, vamos acabar logo com isso—.
O rosto de Jacob endureceu quando caminhamos em direção a ele, de mãos dadas.
Eu reparei nos outros rostos também – os rostos dos meus colegas de classe. Eu reparei em como os olhos deles arregalavam enquanto eles observavam os 2,4m do longo corpo de Jacob, mais musculoso do que um garoto de dezesseis anos e meio podia ser. Eu vi aqueles olhos se mexerem em cima da sua camisa preta apertada – com mangas curtas, apesar de ser um dia razoavelmente frio – seus jeans surrados e sujos de graxa, e a moto preta brilhante na qual ele estava se encostando. Os olhos deles não ficavam em seu rosto – alguma coisa na expressão dele fazia com que eles desviassem o olhar rapidamente. E eu reparei no grande espaço que todos davam pra ele, a bolha de espaço da qual ninguém ousava se aproximar.
Com uma sensação de surpresa, eu me dei conta de que Jacob parecia perigoso para eles. Que estranho.
Edward parou a alguns metros de Jacob, e eu podia notar que ele estava desconfortável por me ter tão perto de um lobisomem. Ele colocou sua mão pra trás um pouco, me colocando um pouco atrás do seu corpo.
—Você podia ter nos ligado—, Edward disse numa voz dura como aço.
—Desculpe—, Jacob respondeu, o rosto dele se contorcendo em uma careta de zombaria. —Eu não tenho sanguessugas na minha discagem rápida—.
—Você podia ter me encontrado na casa de Bella, é claro—.
A mandíbula de Jacob flexionou, e as sobrancelhas dele estavam juntas. Ele não respondeu.
—Esse dificilmente é o lugar, Jacob. Podíamos discutir isso depois?—
—Claro, claro. Eu vou passar na sua cripta depois da escola—. Jacob bufou. —Qual é o problema com agora?—
Edward olhou ao redor apontando, os olhos dele pairando sobre as testemunhas que mal estavam fora do alcance auditivo. Algumas pessoas estavam hesitando na calçada, seus olhos brilhando de expectativa. Como se eles estivessem esperando que um briga fosse começar para aliviar o tédio de outra manhã de Segunda. Eu vi Tyler Crowley cutucando Austin Marks, e os dois pararam no caminho para a aula deles.
—Eu já sei o que você veio pra dizer— Edward lembrou Jacob numa voz tão baixa que eu mal consegui ouvir. —Mensagem entregue. Nos considere avisados—.
Edward olhou pra baixo pra mim por um rápido segundo com olhos preocupados.
—Avisados?— eu perguntei sem entender. —Do que vocês estão falando?—
—Você não contou pra ela?— Jacob perguntou, seus olhos arregalando de descrença. —O que foi, você estava com medo de que ela escolhesse o nosso lado?—
—Por favor deixa pra lá, Jacob— Edward disse com uma voz uniforme.
—Porque?— Jacob desafiou.
Eu fiz uma careta de confusão. —O que eu não sei? Edward?—
Edward simplesmente encarou Jacob como se não tivesse me ouvido.
—Jake?—
Jacob ergueu uma sobrancelha para mim. —Ele não te contou que o... irmão mais velho dele cruzou a linha Sábado à noite?— ele perguntou, o seu tom ficou pesado com uma camada de sarcasmo. E aí os olhos dele voltaram para Edward. —Paul está totalmente justificado em –—
—Aquela terra não tem donos!— Edward assobiou.
—Não é não!—
Jacob estava ficando visivelmente nervoso. As mãos dele tremiam. Ele balançou a cabeça e sugou o ar profundamente para os pulmões duas vezes.
—Emmett e Paul?— eu sussurrei. Paul era o irmão mais volátil do bando de Jacob. Foi ele quem perdeu o controle naquele dia na floresta – a memória do lobo cinza repentinamente estava vívida na minha mente. —O que aconteceu? Eles estavam brigando?— A minha voz foi aumentando com o pânico. —Porque? Paul se machucou?—
—Ninguém brigou— Edward disse baixinho, só pra mim. —Ninguém se machucou. Não fique ansiosa—.
Jacob estava olhando pra nós com olhos incrédulos. —Você não a contou absolutamente nada, contou? Foi por isso que você a levou embora? Pra que ela não soubesse que -?—
—Vá embora agora—. Edward o cortou no meio da frase, e o rosto dele ficou repentinamente assustador. Por um segundo, ela pareceu com... com um vampiro. ele olhou pra Jacob com ódio cruel, descontrolado.
Jacob ergueu as sobrancelhas, mas não fez outro movimento. —Porque você não contou pra ela?—
Eles se encararam silenciosamente por um longo momento. Mais estudantes se acumularam atrás de Tyler e Austin. Eu vi Mike ao lado de Ben – Mike estava com uma mão sobre o ombro de Ben, como se estivesse segurando-o no lugar.
No silêncio mortal, todos os detalhes de repente se encaixaram pra mim como uma explosão de intuição.
Alguma coisa que Edward não queria que eu soubesse.
Alguma coisa que Jacob não teria escondido de mim.
Algo que havia lançado tanto os Cullen quanto os lobisomens na floresta, movendo em perigosa proximidade uns dos outros.
Alguma coisa que faria Edward insistir pra que eu voasse através do país.
Alguma coisa que Alice tinha visto na visão da semana passada – uma visão sobre a qual Edward havia mentido pra mim.
Uma coisa pela qual eu já estava esperando do mesmo jeito. Uma coisa que eu sabia que aconteceria de novo, não importava o quanto eu desejasse que não acontecesse. Isso não ia acabar nunca, não é?
Eu ouvi o rápido gasp, gasp, gasp, gasp do ar passando pelos meus lábios, mas eu não conseguia evitar. Parecia que a escola estava tremendo, como se houvesse um terremoto, mas eu sabia que era o meu próprio tremor que causava a ilusão.
—Ela voltou por mim— eu me engasguei.
Victória nunca ia desistir até que eu estivesse morta. Ela continuaria repetindo o mesmo padrão – aparecer e fugir, aparecer e fugir – até que ela encontrasse um buraco entre os meus defensores.
Talvez eu tivesse sorte. Talvez os Volturi me encontrassem primeiro – pelo menos, eles me matariam mais rápido.
Edward me segurou com força ao seu lado, angulando seu corpo para que ele ainda estivesse entre mim e Jacob, e acariciou meu rosto com mãos ansiosas. —Está tudo bem—, ele sussurrou. —Está tudo bem. Eu nunca vou deixá-la se aproximar de você. Está tudo bem—.
Então ele encarou Jacob. —Isso responde a sua pergunta, mongol?—
—Você não acha que Bella tem o direito de saber?— Jacob desafiou. —É a vida dela—
Edward manteve sua voz baixa; mesmo Tyler, que estava se inclinando uns centímetros para a frente, seria incapaz de ouvir. —Porque ela devia ser assustada se ela nunca estava em perigo?—
—Melhor assustada do que enganada—.
Eu tentei me recompor, mas os meus olhos estavam nadando em umidade. Eu podia vê-la por trás das minhas pálpebras – eu podia ver o rosto de Victoria, seus lábios erguidos sobre seus dentes, seus olhos vermelhos brilhando com sua obsessão por vingança; ela responsabilizava Edward pela morte do seu amor, James. Ela não pararia até que o amor dele fosse tirado também.
Edward limpou as lágrimas das minhas bochechas com as pontas dos dedos.
—Você realmente acha que machucá-la é melhor do que protegê-la?— ele murmurou.
—Ela é mais durona do que você pensa— Jacob disse. —E ela já passou por coisa pior—.
Repentinamente, a expressão de Jacob mudou, e ele estava olhando pra Edward com uma expressão estranha, especulativa.
Os olhos dele ficaram estreitos como se ele estivesse tentando resolver um problema difícil de matemática na cabeça.
Eu senti Edward enrijecer. Eu olhei pra ele, e o rosto dele estava contorcido com o que só podia ser dor. Por um momento terrível, eu me lembrei daquela tarde na Itália, no macabro quarto na torre dos Volturi, onde Jane havia torturado Edward com o seu dom maligno, queimando-o apenas com seus pensamentos...
A memória me arrancou da minha histeria e colocou tudo em perspectiva. Porque eu preferiria que Victoria me matasse mil vezes do que ver Edward sofrer aquilo de novo.
—Isso é engraçado— Jacob disse, rindo enquanto ele olhava o rosto de Edward.
Edward gemeu, mas suavizou a expressão com um pouco de esforço. Ele não conseguia esconder muito bem a agonia em seus olhos.
Eu olhei, com os olhos arregalados, da careta de Edward para o riso de Jacob.
—O que você está fazendo com ele?— eu quis saber.
—Não é nada, Bella— Edward me disse baixinho. —Jacob tem uma boa memória, isso é tudo—.
Jacob deu um sorriso largo e Edward gemeu de novo.
—Pare com isso! O que quer que você esteja fazendo—.
—Claro, se você quer—, Jacob levantou os ombros. —No entanto, é culpa dele mesmo que ele não gosta do que eu lembro—.
Eu o encarei, e ele sorriu de volta cinicamente – como uma criança que foi pega fazendo alguma coisa que ele sabe que não devia por uma pessoa que ele sabe que não vai castigá-lo.
—O diretor está à caminho para desencorajar badernas no terreno escolar—. Edward murmurou pra mim. —Vamos para a aula de Inglês, Bella, pra que você não se envolva—.
—Ele é super-protetor, não é?— Jacob disse, falando só comigo. —Um pouco de problema é divertido. Deixa eu adivinhar, você não tem permissão pra se divertir, não é?—
Edward encarou, e seus lábios se ergueram um pouco sobre seus lábios.
—Cala a boca, Jake—, eu disse.
Jacob riu. —Isso soa como um não. hey, se um dia você sentir vontade de ter uma vida novo, você podia vir me ver. Eu ainda estou com a sua moto na garagem—.
Essa notícia me distraiu. —Era pra você ter vendido aquilo. Você prometeu a Charlie que venderia—. Se eu não tivesse implorado por Jacob – afinal, foi ele quem trabalhou nas duas motos, e ele merecia um pouco do meu troco – Charlie teria jogado a minha moto num lixão. E possivelmente incendiaria o lixão.
—É, certo. Como se eu fosse fazer isso. Ela pertence a você, não a mim. De qualquer forma, eu vou guardá-la até você voltar—.
Uma pequena sombra do sorriso que eu lembrava repentinamente estava brincando nos cantos dos lábios dele.
—Jake...—
Ele se inclinou para a frente, agora seu rosto estava ansioso, o sarcasmo ácido estava desaparecendo. —Eu acho que estava errado antes, sabe, sobre e eu você não sermos capazes de ser amigos. Talvez pudéssemos lidar com isso, no meu lado da linha. Venha me ver—.
Eu estava vividamente consciente de Edward, com seus braços ainda me cercando protetoramente, imóvel como uma pedra. Eu dei uma olhada no rosto dele – estava calmo, paciente.
Jacob abriu mão completamente da fachada antagonista. Foi como se ele tivesse esquecido que Edward estava lá, ou pelo menos ele estava determinado a agir dessa forma. —Eu sinto sua falta todos os dias, Bella. Não é a mesma coisa sem você—.
—Eu sei e eu sinto muito, Jake, é só que eu...—
Ele balançou a cabeça e suspirou. —Eu sei. Não importa, certo? Eu acho que eu vou sobreviver ou algo assim. Quem precisa de amigos?— Ele fez uma careta, tentando esconder a dor com uma fina tentativa de bravura.
O sofrimento de Jacob sempre fazia o meu lado protetor despertar. Isso não era completamente racional – Jacob dificilmente precisaria de qualquer proteção física que eu pudesse oferecer. Mas os meus braços, apertados embaixo dos de Edward, queriam alcançá-lo. Envolver a sua cintura grande, quente em uma promessa silenciosa de aceitação e conforto.
Os braços protetores de Edward se tornaram restritivos.
—Tudo bem, para as salas— uma voz diferente soou atrás de nós. —Mova-se, Sr. Crowley—.
—Vá para a escola, Jake—, eu sussurrei, ansiosa assim que eu reconheci a voz do diretor. Jacob frequentava a escola Quileute mas ele ainda podia ter problemas por invasão ou algo assim.
Edward me soltou, segurando apenas a minha mão e me puxando pra trás do seu corpo de novo.
O Sr. Greene abriu caminho pelo círculo de espectadores, as suas sobrancelhas pressionadas pra baixo como nuvens de uma tempestade mal humorada em cima dos seus olhos pequenos.
—Eu falo sério—, ele estava ameaçando. —Detenção pra todo mundo que ainda estiver aqui quando eu me virar de novo—.
A plateia de dissolveu antes que ele terminasse a frase.
—Ah, Sr. Cullen. Temos um problema aqui?—
—Absolutamente não, Sr. Greene. Nós estávamos a caminho da aula—.
—Excelente. Eu não pareço reconhecer o seu amigo— O Sr. Greene virou seu olhar para Jacob. —Você é um estudante novo aqui?—
Os olhos do Sr. Greene estudaram Jacob, e eu podia ver que ele havia chegado a conclusão que todos haviam chegado: perigoso. Um encrenqueiro.
—Não—, Jacob respondeu, um meio sorriso nos seus lábios cheios.
—Então eu sugiro que você se retire da propriedade escola imediatamente, meu jovem, antes que eu ligue para a polícia—.
O pequeno sorriso de Jacob se transformou num riso aberto, e eu sabia que ele estava imaginando Charlie aparecendo para prendê-lo. Esse sorriso era ácido demais, muito cheio de zombaria para o meu gosto. Esse não era o sorriso que eu estive esperando pra ver.
Jacob disse —Sim, senhor— e fez uma saudação militar antes de montar em sua motocicleta e dar a partida lá mesmo na calçada. O motor roncou e os pneus cantaram quando ele fez uma curva fechada. Em questão de segundos, Jacob estava fora de vista.
O Sr. Greene arranhou e trincou os dentes enquanto ele assistia essa performance.
—Sr. Cullen, eu espero que você peça que seu amigo se retenha de invadir de novo—.
—Ele não é meu amigo, Sr Greene, mas eu vou passar o aviso—.
O Sr. Greene torceu os lábios. As notas perfeitas e os registros impecáveis de Edward eram claramente uma fator para a análise do Sr Greene do incidente. —Eu entendo. Se você estiver preocupado com qualquer problema, eu ficaria feliz em –—
—Não há nada com o que se preocupar, Sr. Greene. Não haverá nenhum problema—.
—Eu espero que isso esteja correto. Bem, então. Para a aula. Você também, Srta. Swan—.
Edward acenou com a cabeça, e me puxou junto rapidamente em direção ao prédio da aula de Inglês.
—Você se sente bem o suficiente para ir para a aula?— ele sussurrou quando passamos do diretor.
—Sim— eu sussurrei de volta, sem ter certeza de se era uma mentira.
Quer eu me sentisse bem ou não, essa dificilmente era a consideração mais importante. Eu precisava falar com Edward imediatamente, e a aula de Inglês não era o local ideal para a conversa que eu tinha em mente.
Mas com o Sr. Greene bem atrás de nós, não haviam muitas outras opções.
Nós chegamos na aula um pouco atrasados e nos sentamos rapidamente. O Sr. Berty estava recitando um poema de Frost. Ele ignorou a nossa entrada, se recusando a nos deixar quebrar o seu ritmo.
Eu arranquei uma página em branco do meu caderno e comecei a escrever, a minha escrita estava mais ilegível do que o normal graças a minha agitação.

O que aconteceu? Me conte tudo. E para com essa bobagem de me proteger, por favor.

Eu joguei o bilhete para Edward. Ele suspirou e então começou a escrever. Ele levou menos tempo que eu, apesar dele ter escrito um parágrafo inteiro com a sua caligrafia particular antes de passar o papel de volta.

Alice viu que Victoria estava vindo. Eu te tirei da cidade meramente por precaução – nunca houve uma chance de que Victoria chegasse em algum lugar perto de você. Emmett e Jasper por pouco não pegaram ela, mas Victoria parece ter algum instinto para fuga.
Ela escapou bem por baixo das fronteira Quileute como se ela estivesse vendo um mapa. Não ajudou muito as habilidades de Alice serem inúteis com os Quileute. Para ser honesto, os Quileute podiam ter pego ela também, se nós não tivéssemos entrado no caminho. O grande cinza achou que Emmett tinha ultrapassado a barreira e ficou defensivo. É claro que Rosalie reagiu a isso, e todos abandonaram a caçada pra proteger seus companheiros. Carlisle e Jasper conseguiram acalmar as coisas antes que elas saíssem do controle. Mas até aí, Victoria já tinha escapado. Isso é tudo.

Eu fiz uma careta para as letras na página. Todos eles haviam estado nisso – Emmett, Jasper, Alice, Rosalie e Carlisle. Talvez até Esme, apesar dele não ter mencionado ela. E também Paul e o resto do bando Quileute. Podia ter sido tão fácil as coisas acabarem em briga, colocando a minha futura família e os meus velhos amigos uns contra os outros. E qualquer um deles podia ter se machucado. Eu imaginei que os lobisomens estariam em maior perigo, mas imaginando a pequena Alice perto de um dos enormes lobisomens, lutando...
Eu tremi.
Cuidadosamente, eu apaguei o parágrafo inteiro com a minha borracha e escrevi no topo:

E quanto a Charlie? Ela podia ter estado atrás dele.


Edward já estava balançando a cabeça antes de eu ter terminado, obviamente preparado pra lidar com qualquer perigo que afligisse Charlie. Ele levantou a mão, mas eu ignorei e comecei de novo.


Você não pode saber que ela não estava pensando isso, porque você não estava aqui. Flórida foi uma má ideia.


Ele pegou o papel de baixo da minha mão.

Eu não estava disposto a te mandar sozinha. Com a sua sorte, nem a caixa preta sobreviveria.

Não foi isso o que eu quis dizer; eu não tinha pensado em ir sem ele. Eu quis dizer que nós devíamos ter ficado aqui juntos. Mas eu fui distraída pela resposta, e um pouco ofendida. Como se eu não pudesse voar pelo país sem fazer o avião cair. Muito engraçado.

Então digamos que a minha má sorte tivesse derrubado o avião. O que exatamente você teria feito sobre isso?

Porque o avião está caindo?

Agora ele estava tentando esconder um sorriso.

Os pilotos desmaiaram de bêbados.

Fácil. Eu pilotaria o avião.

É claro. Eu torci os meus lábios de novo.

Os dois motores explodiram e estamos caindo em espiral em direção à morte.

Eu vou esperar até estarmos bem perto do chão, te segurar bem apertado, chutar a parede fora, e pular. Depois nós voltaríamos a cena do acidente, e nós andaríamos por aí como os dois sobreviventes mais sortudos da história.

Eu o encarei sem palavras.

—O que?— ele sussurrou.

Eu balancei a minha cabeça abobalhada. —Nada— eu fiz com a boca.

Eu deixei pra lá a conversa desconcertante e escrevi mais uma linha.

Você vai me contar da próxima vez.

Eu sabia que haveria uma próxima vez. Esse padrão continuaria até que alguém perdesse.
Edward me olhou nos olhos por um longo tempo. Eu me perguntei qual seria a aparência do meu rosto – ele estava frio, como se o sangue ainda não tivesse retornado para as minhas bochechas. Os meus cílios ainda estavam molhados.
Ele suspirou e depois balançou a cabeça uma vez.

Obrigada.

O papel desapareceu de baixo da minha mão. Eu olhei pra cima, piscando com a minha surpresa, exatamente quando o Sr. Berty vinha andando pelo corredor.
—Há alguma coisa que você queira dividir aí, Sr. Cullen?—
Edward olhou pra cima inocentemente e levantou uma folha de papel do topo do seu caderno. —As minhas anotações?— ele perguntou, parecendo confuso.
O Sr. Berty vasculhou as anotações – sem dúvida era um bela prescrição da aula dele – e depois foi embora fazendo uma careta.
Foi mais tarde, na aula de Cálculo – a única que eu não tinha com Edward – que eu ouvi a fofoca.
—O meu dinheiro está no grande índio—, alguém estava dizendo.
Eu espiei pra ver que Tyler, Mike, Austin e Ben estavam com as cabeças juntas, absolvidos em uma conversa.
—É—, Mike sussurrou. —Vocês viram o tamanho daquele garoto Jacob? Eu acho que ele derrubava o Cullen— Mike parecia feliz com a ideia.
—Eu não acho—, Ben discordou. —Tem alguma coisa em Edward. Ele é sempre tão... confiante. Eu tenho a sensação de que ele saberia cuidar de si mesmo—.
—Eu estou com Ben—, Tyler concordou. —Além do mais, se qualquer outro garoto mexesse com Edward você sabe que aqueles irmãos mais velhos dele iam se envolver—.
—Você já esteve em La Push ultimamente?— Mike perguntou. —Lauren e eu fomos à praia umas duas semanas atrás, e pode acreditar em mim, os amigos de Jacob são tão grandes quanto ele.—
—Huh— Tyler disse. —Que pena que não deu em nada. Acho que a gente nunca vai saber como teria acabado—.
—Pra mim não pareceu acabado— Austin disse. —Talvez tenhamos a chance de ver.—
Mike riu. —Alguém tá a fim de apostar?—
—Dez no Jacob— Austin disse imediatamente.
—Dez em Cullen— Tyler se juntou.
—Dez em Edward—, Bem concordou.
—Hey, algum de vocês sabe do que se tratou?— Austin pensou. —Isso pode afetar os resultados—.
—Eu posso imaginar— Mike disse, e então deu uma olhada para mim ao mesmo tempo que Ben e Tyler.
Pelas expressões deles, eles não se deram conta de que eu estava a uma distância audível. Eles todos desviaram o olhar rapidamente, enfiando papéis em suas mesas.
—Eu ainda digo Jacob—, Mike murmurou por baixo do fôlego.

11 comentários:

  1. Isso não parece ser inteiramente provável, já que eu não tive nenhum problam em ler a mente deles. Da de Black, pelo menos.—
    Eu bati a minha mãe dramaticamente na minha testa, e depois fingi estar torcendo os meus cabelos.

    —Você se acostuma com a umidade—, ela prometeu.

    —Você também pode se acostumar á chuva—, eu apontei.

    Ela me acotovelou de brincadeira e depois pegou a minha mãe enquanto caminhávamos de volta para o carro.

    K, esses paragrafos estão certos?
    XOXOXO

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  2. "Então ele encarou Jacob. —Isso responde a sua pergunta, mongol?—" mongol ksjsksjsksjksjkjsjsjsjs Edward dono da minha vida.

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    1. kkkkkkkk pelo menos ele não chamou de cachorro kkkkk

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  3. Eu não gosto do Jacob nem um pouco (So no filme eu não ligo tanto mas pq ele e um gato)

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  4. EU APOSTO O QUANTO VC QUISER NO PERFEITO CULLEN

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  5. Cullen

    Ass: Apaixonada por livros

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  6. Será que só eu prefiro o Jacob do livro? E ao contrário prefiro a Bella e o Edward dos filmes???

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    1. concordo . o Jacob no livro é um querido , já no filme... Mas o Edward é perfeito nos dois .

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