29 de setembro de 2015

Capítulo 28 - O futuro

Carlisle e Edward não conseguiram alcançar Irina antes que seu rastro desaparecesse no estreito. Eles nadaram até a outra margem para ver se recuperavam o rastro em uma linha reta, mas não havia vestígio dela por quilômetros em nenhuma direção na margem leste.
Foi tudo culpa minha. Ela viera, como tinha previsto Alice, para fazer as pazes com os Cullen, e acabou enfurecida por minha camaradagem com Jacob. Eu queria ter percebido sua presença antes de Jacob se metamorfosear. Queria que tivéssemos ido caçar em outro lugar.
Não havia muito a ser feito. Carlisle ligou para Tanya com a notícia decepcionante. Tanya e Kate não viam Irina desde que decidiram vir a meu casamento, e elas ficaram perturbadas por Irina ter chegado tão perto e não ter voltado para casa; não era fácil para elas perder a irmã, mesmo que a separação fosse temporária. Perguntei-me se aquilo lhe trazia duras lembranças da perda da mãe, tantos séculos antes.
Alice conseguiu pegar alguns vislumbres do futuro imediato de Irina, mas nada concreto. Ela não ia voltar aos Denali, pelo que Alice podia dizer. A imagem era nebulosa. Tudo o que Alice podia ver era que Irina estava perturbada; vagava por regiões cobertas de neve – para o norte? para o leste? – com uma expressão arrasada. Sem nenhum novo destino além de sua aflição, sem rumo.
Os dias se passaram, e embora evidentemente eu não me esquecesse de nada, Irina e sua dor passaram ao fundo de minha mente. Havia coisas mais importantes a pensar. Eu partiria para a Itália dali a alguns dias. Quando voltasse, todos iríamos para a América do Sul.
Cada detalhe fora repassado mil vezes. Começaríamos pelos ticunas, rastreado suas lendas na fonte o melhor que pudéssemos. Agora que estava decidido que Jacob iria conosco, ele ocupava com proeminência um lugar nos planos – era improvável que o povo que acreditava em vampiros contasse suas histórias a qualquer um de nós. Se chegássemos a um beco sem saída com os ticunas, havia muitas tribos relacionadas na área a pesquisar. Carlisle tinha alguns velhos amigos na Amazônia; se conseguíssemos encontrá-los talvez tivessem informações para nós. Ou pelo menos uma sugestão de onde procurar respostas. Era improvável que os três vampiros da Amazônia tivesse alguma coisa a ver com as lendas de vampiros híbridos, uma vez que eram todos mulheres. Não havia como saber quanto tempo nossa pesquisa levaria.
Eu ainda não havia contado a Charlie sobre nossa longa viagem e ruminava sobre o que dizer a ele enquanto a discussão de Edward e Carlisle continuava. Como dar a notícia a ele da maneira correta?
Olhei para Renesmee enquanto deliberava intimamente. Ela estava enroscada no sofá, a respiração lenta, no sono pesado, os cachos esparramados em torno de seu rosto. Em geral, Edward e eu a levávamos para o nosso chalé para colocá-la para dormir, mas naquela noite ficamos com a família, ele e Carlisle imersos em sua sessão de planejamento.
Enquanto isso, Emmett e Jasper estavam mais animados com o planejamento das possibilidades de caça. A Amazônia oferecia uma variação de nossas presas normais. Onças-pintadas e suçuaranas, por exemplo. Emmett tinha a fantasia de lutar com uma anaconda. Esme e Rosalie planejavam o que levar. Jacob estava com a matilha de Sam, colocando as coisas em ordem para sua ausência.
Alice se movia lentamente – para ela – pelo salão, arrumando desnecessariamente o espaço já imaculado, endireitando as guirlandas de Esme que pendiam perfeitas. Ela estava ajeitando de novo os vasos de Esme no console da lareira. Eu podia ver, pelo modo como sua expressão se alternava – consciente, depois inexpressiva, novamente consciente – que ela vasculhava o futuro. Imaginei que tentava ver através dos pontos cegos que Jacob e Renesmee provocavam em suas visões, saber o que esperava por nós na América do Sul, até Jasper falar: “Deixe para lá, Alice; ela não é nossa preocupação”, e uma nuvem de serenidade se esgueirou silenciosa e invisível na sala. Alice devia estar preocupada com Irina de novo.
Ela mostrou a língua para Jasper e ergueu um vaso de cristal cheio de rosas brancas e vermelhas, voltando-se para a cozinha. Uma das flores brancas a mostrar um minúsculo sinal de que começava a murchar, mas Alice parecia querer a perfeição completa como uma distração para sua falta de visão esta noite.
Olhando Renesmee de novo, não vi quando o vaso escorregou dos dedos Alice. Só ouvi o silvo do ar assoviando pelo cristal, e meus olhos se voltaram a tempo de ver o vaso se espatifar em dez mil lascas brilhantes no piso mármore da cozinha.
Ficamos completamente imóveis enquanto o cristal fragmentado quicava e se espalhava para todo lado com um tinido musical, todos os olhos nas costas de Alice.
Meu primeiro pensamento ilógico foi que Alice estava fazendo alguma brincadeira conosco. Porque não era possível que tivesse largado o vaso por acidente. Eu mesma podia ter atravessado a sala e pegado o vaso em pleno ar, se não tivesse suposto que ela o pegaria. E, para início de conversa, como ele cairia de seus dedos? Seus dedos perfeitamente seguros...
Eu nunca vira um vampiro deixar cair nada por acidente. Nunca! E então Alice virou-se para nós, girando o corpo num movimento tão rápido, que parecia não ter acontecido.
Seus olhos estavam ali e meio presos no futuro, arregalados, fixos, enchendo-lhe o rosto fino até que pareceram transbordar dele. Olhar em seus olhos era como olhar de dentro de um túmulo; eu me vi sepultada no terror, no desespero e na agonia de seu olhar.
Ouvi Edward arquejar; foi um som entrecortado e meio sufocado.
— O que foi? — Jasper grunhiu, saltando para o lado dela num movimento rápido, esmagando o cristal quebrado sob os pés. Ele pegou os ombros de Alice e a sacudiu bruscamente. Ela pareceu chocalhar em silêncio em suas mãos. — O que foi, Alice?
Emmett moveu-se em minha visão periférica, os dentes expostos enquanto os olhos disparavam para a janela, antecipando um ataque. De Esme, Carlisle e Rose, que estavam paralisados, como eu, só vinha o silêncio. Jasper sacudiu Alice de novo.
— Eles estão vindo — Alice e Edward sussurraram juntos, perfeitamente sincronizados. — Todos eles.
Pela primeira vez, fui a primeira a entender – porque alguma coisa em suas palavras acionou minha própria visão. Era só a lembrança distante de um sonho – fraca, transparente, indistinta, como se eu olhasse através de uma gaze espessa... Em minha cabeça, vi uma fila de preto avançando para mim, o fantasma de meu pesadelo humano semiesquecido. Eu não podia brilho de seus olhos rubi na imagem toldada, ou a cintilação de seus dentes molhados e afiados, mas sabia onde o brilho devia estar...
Mais forte do que a lembrança da visão veio a lembrança da sensação necessidade esmagadora de proteger a coisa preciosa atrás de mim.
Eu queria pegar Renesmee rapidamente nos braços, escondê-la atrás de minha pele e de meu cabelo, torná-la invisível. Mas não conseguia nem mesmo me virar para olhá-la. Sentia-me não como pedra, mas gelo. Pela primeira vez desde que renascera como vampira, eu senti frio.
Eu mal ouvi a confirmação de meus temores. Não precisava. Eu já sabia.
— Os Volturi — gemeu Alice.
— Todos eles — murmurou Edward ao mesmo tempo.
— Por quê? — sussurrou Alice consigo mesma. — Como?
— Quando? — sussurrou Edward.
— Por quê? — Esme fez eco.
— Quando? — repetiu Jasper numa voz de gelo se rachando.
Os olhos de Alice não piscaram, mas era como se um véu os cobrisse; ficaram completamente inexpressivos. Só sua boca mantinha a expressão de pavor.
— Não demorará — disseram ela e Edward ao mesmo tempo. Depois ela falou sozinha. — Há neve na floresta, neve na cidade. Pouco mais de um mês.
— Por quê? — Foi a vez de Carlisle perguntar.
Esme respondeu:
— Eles devem ter um motivo. Talvez para ver...
— Não se trata de Bella — disse Alice com a voz vazia. — Estão vindo todos... Aro, Caius, Marcus, todos os membros da guarda, até as esposas.
— As esposas nunca saem da torre — Jasper a contradisse, numa voz monótona. — Nunca saíram. Nem durante a rebelião do sul. Nem quando os romenos tentaram destroná-los. Nem mesmo quando perseguiram as crianças imortais. Nunca.
— Estão vindo agora — sussurrou Edward.
— Mas por quê? — repetiu Carlisle. — Não fizemos nada! E, se fizemos, o que pode ter sido, para provocar isso?
— Nós somos muitos — respondeu Edward. — Eles devem querer assegurar de que... — Ele não terminou.
— Isso não responde à pergunta crucial! Por quê?
Senti que sabia a resposta à pergunta de Carlisle, e no entanto ao mesmo tempo não sabia. Renesmee era o motivo, eu tinha certeza. De algum modo eu sabia, desde o início, que eles viriam atrás dela. Meu subconsciente me alertara antes de eu saber que a estava carregando. Agora isso parecia estranhamente esperado. Como se eu, de algum modo, sempre soubesse que os Volturi viriam tirar a felicidade de mim.
Mas isso ainda não respondia a pergunta.
— Volte, Alice — pediu Jasper. — Procure o que a levou a ver. Investigue.
Alice sacudiu a cabeça devagar, os ombros arriando.
— Veio do nada, Jazz. Eu não procurava por eles, nem por nós. Só procurava Irina. Ela não estava onde eu esperava... — Alice se interrompeu, os olhos novamente à deriva. Ficou fitando o vazio por um longo segundo.
E então sua cabeça se ergueu de súbito, os olhos duros como sílex. Ouvi Edward prender a respiração.
— Ela decidiu procurá-los — disse Alice. — Irina decidiu procurar os Volturi. E então eles vão decidir... É como se a esperassem. Como se a decisão deles já estivesse tomada, e eles só estivessem esperando por ela...
Fez-se silêncio de novo enquanto digeríamos a informação. O que Irina diria aos Volturi que resultaria na visão aterradora de Alice?
— Podemos impedi-la? — perguntou Jasper.
— Não há como. Ela está quase lá.
— O que ela está fazendo? — perguntou Carlisle, mas eu não prestava atenção na discussão.
O meu foco estava todo na imagem que dolorosamente ia se formando em minha mente. Visualizei Irina equilibrada no penhasco, observando. O que ela tinha visto? Uma vampira e um lobisomem que eram amigos. Eu havia me concentrado nessa imagem, que obviamente explicaria sua reação. Mas não era só isso que ela tinha visto.
Também vira a criança. Uma criança extraordinariamente bonita, se exibindo na neve que caía, claramente mais do que humana...
Irina... as irmãs órfãs... Carlisle tinha dito que perder a mãe para a justiça dos Volturi deixara Tanya, Kate e Irina puristas quando se tratava da lei. Havia apenas meio minuto, Jasper tinha dito ele mesmo as palavras: Nem mesmo quando perseguiram as crianças imortais... As crianças imortais – a proibição execrável, o tabu consternador...
Com o passado de Irina, como teria ela qualquer outra interpretação do que vira nesse dia no campo estreito? Ela não chegara perto o bastante para ouvir o coração de Renesmee, sentir o calor irradiando de seu corpo. Para Irina, as bochechas rosadas de Renesmee podiam ser um truque de nossa parte.
Afinal, os Cullen estavam em aliança com os lobisomens. Do ponto de vista de Irina, talvez isso significasse que nada estava fora de nosso alcance. Irina, torcendo as mãos na vastidão nevada – não pranteando Laurent, afinal, mas sabendo que era seu dever denunciar os Cullen, sabendo o que aconteceria a eles se ela o fizesse. Ao que parecia, sua consciência tinha vencido os séculos de amizade.
E a reação dos Volturi a tal tipo de infração era tão automática, que já estava decidido. Virei-me e me dobrei sobre o corpo adormecido de Renesmee, cobrindo com meu cabelo, enterrando meu rosto em seus cachos.
— Pensem no que ela viu naquela tarde — eu disse em voz baixa, interrompendo o que Emmett começava a dizer. — Para alguém que perdeu a mãe por causa das crianças imortais, o que Renesmee pareceria?
O silêncio sobreveio novamente enquanto os outros apreendiam o que eu já sabia.
— Uma criança imortal — sussurrou Carlisle.
Senti Edward se ajoelhar ao meu lado, passando os braços em torno de nós duas.
— Mas ela está errada — continuei. — Renesmee não é como as outras crianças. Elas foram paralisadas, mas ela cresce tanto todos os dias. Elas não tinham controle, mas Renesmee nunca machucou Charlie, nem Sue, nem lhes mostrou coisas que os perturbasse. Ela consegue se controlar. Ela já é mais sabida do que a maioria dos adultos. Não haveria motivo...
Continuei tagarelando, esperando que alguém desse um suspiro de alívio, esperando que a tensão gélida na sala relaxasse à medida que percebiam que eu tinha razão. Mas a sala só pareceu ficar mais fria. Por fim minha voz fina foi morrendo, até silenciar.
Ninguém falou por um bom tempo. Então Edward sussurrou em meu cabelo:
— Esse não é o tipo de crime que eles se deem ao trabalho de julgar, amor. Aro viu a prova de Irina nos pensamentos dela. Eles vêm para destruir, não para argumentar.
— Mas eles estão errados — eu disse obstinadamente.
— Eles não vão esperar que mostremos isso.
Sua voz ainda era baixa, gentil, aveludada... e no entanto a dor e a desolação naquele som eram inevitáveis. Sua voz era como os olhos de Alice antes – como o interior de um túmulo.
— O que podemos fazer? — perguntei.
Renesmee estava tão quente e perfeita em meus braços, sonhando tranquilamente tanto com o envelhecimento acelerado de Renesmee – preocupada que ela só tivesse pouco mais de uma década de vida... O medo agora parecia irônico. Pouco mais de um mês...
Era esse o limite, então? Eu tivera mais felicidade do que a maioria das pessoas experimentava. Havia alguma lei natural que exigia partes iguais de felicidade e tormento no mundo? Será que minha alegria estava desequilibrando a balança? Será que quatro meses eram tudo que eu podia ter?
Foi Emmett quem respondeu a minha pergunta retórica.
— Vamos lutar — disse ele calmamente.
— Não podemos vencer — grunhiu Jasper.
Eu podia imaginar como estaria seu rosto, como seu corpo se curvaria protetoramente sobre o de Alice.
— Bom, não podemos fugir. Não com Demetri por perto — Emmett fez um ruído de nojo, e entendi por instinto que ele não estava aborrecido com a ideia do rastreador dos Volturi, mas com a ideia de fugir. — E não sei se não podemos vencer — disse ele. — Há algumas opções a considerar. Não temos de lutar sozinhos.
Minha cabeça ergueu-se subitamente.
— Não precisa sentenciar os quileutes à morte também, Emmett!
— Fique fria, Bella. — Sua expressão não era diferente de quando ele pensava em lutar com anacondas. Nem a ameaça de aniquilação podia mudar a perspectiva de Emmett, sua capacidade de se excitar com um desafio. — Eu não me referia à matilha. Mas seja realista... acha que Jacob ou Sam vão ignorar uma invasão? Mesmo que não fosse por Nessie? Para não falar que, graças a Irina, Aro agora também sabe de nossa aliança com a matilha. Mas eu estava pensando em nosso outros amigos.
Carlisle fez eco a mim num sussurro.
— Outros amigos que não temos de sentenciar à morte.
— Olhem, vamos deixar que eles decidam — disse Emmett num tom apaziguador. — Não estou dizendo que tenham de lutar conosco. — Eu podia ver o plano refinando-se em sua mente enquanto ele falava. — Se eles ficarem a nosso lado, por tempo suficiente para que os Volturi hesitem... Se pudermos obrigá-los a parar e escutar. Embora isso possa acabar com qualquer motivo para uma luta...
Havia uma insinuação de sorriso no rosto de Emmett. Fiquei surpresa que ninguém tivesse dado um murro nele ainda. Era o que eu queria fazer.
— Sim — disse Esme, ansiosa. — Isso faz sentido, Emmett. Tudo que precisamos é que os Volturi parem por um momento. Só o suficiente para ouvir.
— Precisaríamos de um bocado de testemunhas — disse Rosalie asperamente, a voz quebradiça como vidro.
Esme assentiu, concordando, como se não tivesse percebido o sarcasmo na voz de Rosalie.
— Isso podemos pedir aos nossos amigos. Que sirvam de testemunhas.
— Nós faríamos isso por eles — afirmou Emmett.
— Vamos perguntar a eles — murmurou Alice. Olhei para ela e vi que seus olhos eram um vazio escuro outra vez. — Eles terão de ser apresentados com muito cuidado.
— Apresentados? — perguntou Jasper.
Alice e Edward olharam para Renesmee. Depois os olhos de Alice ficaram vidrados.
— A família de Tanya — disse ela. — O clã de Siobhan. Os Amun. Alguns dos nômades... Garrett e Mary, certamente. Talvez Alistair.
— E Peter e Charlotte? — perguntou Jasper um pouco temeroso, como se esperasse uma resposta negativa, poupando seu velho irmão da carnificina iminente.
— Talvez.
— As Amazonas? — perguntou Carlisle. — Kachiri, Zafrina e Senna?
Alice pareceu imersa demais em sua visão para responder; por fim, deu de ombros e seus olhos voltaram ao presente. Ela encontrou o olhar de Carlisle por uma fração mínima de segundo, depois baixou a cabeça.
— Não consigo ver.
— O que foi isso? — perguntou Edward, o sussurro uma exigência. — Essa parte na selva. Nós vamos procurar por eles?
— Não consigo ver — repetiu Alice, sem olhar nos olhos dele. Um lampejo de confusão atravessou o rosto de Edward. — Teremos de nos dividir e correr... Antes que a neve se prenda ao chão. Temos de procurar quem pudermos e trazê-los para cá para mostrar a eles. — Ela olhava fixamente de novo. — Perguntem a Eleazar. Há mais nisso do que apenas uma criança imortal.
O silêncio foi agourento por outro longo tempo enquanto Alice se mantinha em transe. Ela piscou devagar ao sair, os olhos peculiarmente opacos apesar do fato de claramente estar no presente.
— É demais. Temos de nos apressar — sussurrou ela.
— Alice? — perguntou Edward. — Foi rápido demais... Não entendi. O que era?
— Não consigo ver! — ela explodiu, gritando com ele. — Jacob está quase aqui!
Rosalie deu um passo na direção da porta da frente.
— Vou cuidar disso...
— Não, deixe-o entrar — disse Alice rapidamente, a voz mais aguda cada palavra. Ela agarrou a mão de Jasper e começou a puxá-lo para a porta dos fundos. — Verei melhor longe de Nessie também. Tenho de ir. Preciso realmente me concentrar. Preciso ver tudo o que puder. Tenho de ir. Venha, Jasper, não há tempo a perder!
Todos podíamos ouvir Jacob na escada. Alice puxou, impaciente, a mão de Jasper. Ele a seguiu rapidamente, a confusão em seus olhos, assim como nos de Edward. Eles saíram em disparada pela porta, para a noite prateada.
— Rápido! — ela gritou para nós. — Vocês precisam encontrar todos eles!
— Encontrar o quê? — perguntou Jacob, fechando a porta da frente depois de entrar. — Aonde Alice foi?
Ninguém respondeu; nós todos só olhávamos o vazio. Jacob sacudiu a água do cabelo e meteu os braços pelas mangas da camiseta, os olhos em Renesmee.
— Ei, Bells! Pensei que a essa altura vocês já teriam ido para casa...
Ele finalmente olhou para mim, piscou e então me olhou fixamente. Vi sua expressão quando a atmosfera da sala finalmente o tocou. Ele baixou os olhos arregalados para a água esparramada no chão, as rosas espalhadas, os cacos de cristal. Seus dedos tremeram.
— O que foi? — perguntou ele. — O que aconteceu?
Não me ocorria por onde começar. Ninguém mais encontrava as palavras. Jacob atravessou a sala em três passos longos e se ajoelhou ao lado de Renesmee e de mim. Eu podia sentir o calor saindo de seu corpo enquanto tremores desciam pelos braços até as mãos.
— Ela está bem? — perguntou ele, tocando a testa de Renesmee, inclinando a cabeça para ouvir seu coração. — Não me assuste, Bella, por favor!
— Não há nada de errado com Renesmee — consegui dizer, engasgada, quebrando as palavras em lugares estranhos.
— Então, é com quem?
— Com todos nós, Jacob — sussurrei. E lá estava em minha voz também, o som do interior de um túmulo. — Acabou. Fomos todos sentenciados à morte.

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