25 de setembro de 2015

Capítulo 27 - Necessidades

Eu não fui muito longe antes que fosse impossível dirigir.
Quando eu não podia mais enxergar, eu deixei os meus pneus encontrarem o acostamento e rolarem lentamente até pararem. Eu me joguei no banco e deixei que a fraqueza que eu tinha lutado no quarto de Jacob se apoderasse de mim. Foi pior do que eu pensava - isso me surpreendeu. Sim, eu tinha estado certa de esconder isso de Jacob. Ninguém devia ver isso.
Mas eu não fiquei sozinha por muito tempo - só exatamente o tempo necessário pra Alice me ver aqui, e depois os poucos minutos que levaram até que ele chegasse lá. A porta se abriu, e ele me puxou para os seus braços.
No início foi pior. Porque havia aquela menor parte de mim - menor, mas ficando mais alta e mais raivosa a cada minuto, gritando com o resto de mim - que desejava um par diferente de braços. Depois houve culpa fresca pra sancionar a dor.
Ele não disse nada, só me deixou soluçar até que eu comecei a dizer o nome de Charlie.
—Você realmente está pronta pra voltar pra casa?—, ele perguntou duvidosamente.
Eu consegui dizer, depois de algumas tentativas, que eu não ia ficar melhor muito cedo. Eu precisava passar por Charlie antes que fosse tarde suficiente pra ele ligar pra Billy.
Então, ele me levou pra casa - pela primeira vez nem chegando perto do limite de velocidade da minha caminhonete - mantendo um braço ao meu redor com força. O caminho inteiro, eu lutei pra ter controle. Parecia ser um esforço inútil no começo, mas eu não desisti. Só alguns segundos, eu disse a mim mesma. Só o tempo para algumas desculpas, algumas mentiras, e aí eu podia ter um ataque de novo. Eu tinha que ser capaz de fazer isso. Eu vasculhei a minha cabeça, procurando desesperadamente por uma reserva de força.
Só havia suficiente pra que eu aquietasse os soluços - segura-los, mas não acabar com eles. As lágrimas não diminuíram. Eu não parecia conseguir encontrar controle suficiente pra sequer começar a trabalhar com essas.
—Espere por mim lá em cima—, eu murmurei quando nós estávamos na frente de casa.
Ele me abraçou mais apertado por um minuto, e depois ele desapareceu.
Quando dentro, eu fui direto para as escadas.
—Bella?—, Charlie chamou no seu lugar de sempre no sofá quando eu passei.
Eu me virei pra olhar pra ele sem falar. Os olhos dele se arregalaram, e ele se lançou pra ficar de pé.
—O que aconteceu? É Jacob...?—, ele quis saber.
Eu balancei a minha cabeça furiosamente, tentando encontrar a minha força. —Ele está bem, ele está bem.— eu prometi, minha voz baixa e rouca. A Jacob estava bem, fisicamente, que era com o que Charlie estava preocupado no momento.
—Mas o que aconteceu?— ele agarrou os meus ombros, os olhos dele ansiosos e grandes. —O que aconteceu com você?—
Eu devia estar pior do que eu tinha imaginado.
—Nada, pai, eu... só tive que falar com Jacob... algumas coisas que foram difíceis. Eu tô bem—.
A ansiedade se acalmou, e foi substituída pela desaprovação.
—Será que essa era mesmo a melhor hora?— ele perguntou.
—Provavelmente não, pai, mas eu não tinha alternativas - eu simplesmente cheguei em um ponto em que eu precisava escolher... As vezes, não tem como manter o compromisso—.
Ele balançou a cabeça lentamente. —Como foi que ele lidou com isso?—
Eu não respondi.
Ele olhou pro meu rosto por um minuto, e aí balançou a cabeça. Aquela devia ser resposta suficiente.
—Eu espero que você não tenha estragado a recuperação dele—.
—Ele se cura rápido—, eu murmurei.
Charlie suspirou.
Eu podia sentir o controle desaparecendo.
—Eu vou estar no meu quarto—, eu disse a ele, levantando os ombros embaixo das mãos dele.
—Tá—, Charlie concordou. Ele provavelmente conseguia ver as cascatas começando a funcionar. Nada assustava Charlie mais do que lágrimas.
Eu fiz o caminho para o meu quarto, cega e tropeçando.
Uma vez dentro, eu lutei com o abridor da minha pulseira, tentando abrí-la com os dedos tremendo.
—Não, Bella—, Edward sussurrou, capturando as minhas mãos. —Isso é parte de quem você é—.
Ele me puxou para o berço dos seus braços e os soluços ficaram livres de novo.
O mais longo dos dias parecia estar se esticando mais e mais. Eu me perguntei se ele ia acabar um dia.
Mas, apesar da noite ter se passado implacavelmente, não foi a pior noite da minha vida. Eu tirei conforto disso. E eu não estava sozinha. Havia uma boa quantidade de conforto nisso também.
O medo de Charlie de descontroles emocionais evitou que ele viesse me checar, apesar de eu não ter ficado quieta - ele provavelmente não dormiu mais que eu.
A minha compreensão tardia parecia insuportavelmente clara essa noite. Eu podia ver cada erro que eu havia cometido, cada dano que eu havia causado, as coisas pequenas e as coisas grandes. Cada dor que eu havia causado a Jacob, cada ferida que eu havia dado a Edward, foram aumentando em pilhas organizadas que eu não podia ignorar e nem negar.
Eu me dei conta de que estive errada o tempo inteiro sobre os imãs. Não eram Edward e Jacob que eu estava tentando forçar a ficarem juntos, eram as duas partes de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob. Mas elas não podiam existir juntas, e eu nunca devia ter tentado.
Eu havia causado tanto dano.
Em algum ponto da noite, eu me lembrei da promessa que havia feito a mim mesma essa manhã - que eu nunca faria Edward ver vertendo outra lágrima por Jacob. Esse pensamento trouxe uma rodada de histeria que assustou Edward mais do que a choradeira. Mas isso passou também, quando teve que passar.
Edward disse pouco; ele só me segurou na cama e me deixou arruinar a camisa dele, pingando de água salgada.
Levou mais tempo do que eu esperava para aquela parte menor de mim, a parte quebrada, chorar tudo. Aconteceu, no entanto, e eventualmente eu fiquei exausta o suficiente pra dormir. A inconsciência não trouxe alívio completo da dor, só uma calma entorpecida, como se fosse um medicamento. A tornou mais suportável. Mas ela ainda estava lá; eu estava consciente dela, mesmo adormecida, e isso me ajudou a fazer os ajustes que eu precisava fazer.
A manhã trouxe consigo, se não uma perspectiva mais clara, pelo menos uma medida de controle, alguma aceitação. Instintivamente, eu soube que a nova lágrima do meu coração sempre doeria. Isso simplesmente seria uma parte de mim agora. O tempo faria ser mais fácil - isso era o que todo mundo sempre dizia. Mas eu não me importava se o tempo me curasse ou não, contanto que Jacob pudesse melhorar. Pudesse ser feliz de novo.
Quando eu acordei, não havia nenhuma desorientação. Eu abri meus olhos - finalmente secos - e encontrei o olhar ansioso dele.
—Hey—, eu disse. Minha voz estava rouca. Eu limpei a minha garganta.
Ele não respondeu. Ele me observou, esperando que aquilo começasse.
—Não, eu estou bem—, eu prometi. —Aquilo não vai acontecer de novo—.
Os olhos dele se estreitaram com as minhas palavras.
—Eu lamento que você tenha que ter visto isso—, eu disse. —Aquilo não foi justo com você—.
Ele colocou as mãos dos dois lados do meu rosto.
—Bella... você tem certeza? Você fez a escolha certa? Eu nunca vi você sofrendo tanto -— A voz dele se partiu na última palavra.
Mas eu já havia conhecido dor pior.
Eu toquei os lábios dele. —Sim—.
—Eu não sei...— A sobrancelha dele se contraiu. —Se isso te machuca tanto, como é que pode ser a coisa certa pra você?—
—Edward, eu sei que eu não posso viver sem—.
—Mas...—
Eu balancei a minha cabeça. —Você não entende. Você pode ser corajoso o suficiente ou forte o suficiente pra viver sem mim, se isso for para o melhor. Mas eu nunca poderia me auto-sacrificar desse jeito. Eu tenho que estar com você. É a única forma de que poder viver—.
Eu ainda parecia estar duvidando. Eu nunca devia ter deixado ele ficar comigo na noite passada. Mas eu tinha precisado tanto dele...
—Me passa aquele livro, por favor?—, eu perguntei, apontando por cima do ombro dele.
As sobrancelhas dele se juntaram de confusão, mas ele o deu pra mim rapidamente.
—Isso de novo?—, ele perguntou.
—Eu só queria encontrar essa parte da qual eu me lembrei... pra ver como ela disse...— Eu passei as páginas do livro, encontrando facilmente a página que eu queria. O canto estava parecendo uma orelha de cachorro pela quantidade de vezes que eu já tinha parado ali. —Cathy é um monstro, mas haviam algumas coisas que ela entendia direito—, eu murmurei. Eu li as linhas baixinho, eu grande parte pra mim mesma. —Se todo o resto perecesse, e ele permanecesse, eu deveria continuar a existir; se todo o resto permanecesse, e ele fosse aniquilado, o universo se transformaria em um poderoso estranho—, eu balancei a cabeça, de novo pra mim mesma. —Eu sei exatamente o que ela quer dizer. Eu sei quem eu não posso viver sem—.
Edward pegou o livro das minhas mãos e o atirou através do meu quarto - ele caiu com um leve thud na minha mesa. Ele passou os braços ao redor da minha cintura.
Um sorriso iluminou o seu rosto perfeito, apesar de que ainda havia uma linha de preocupação na testa dele. —Heathcliff também teve seus momentos—,ele disse. Ele não precisou do livro pra dizer as palavras com perfeição. Ele me puxou mais pra perto em seus braços e sussurrou no meu ouvido. —'Eu não posso viver a minha vida! Eu não posso viver sem a minha alma!—
—Sim—, eu disse baixinho. —É disso que eu estou falando—.
—Bella, eu não consigo aguentar que você esteja infeliz. Talvez...—
—Não, Edward. Eu fiz uma verdadeira bagunça com as coisas, e eu vou ter que viver com isso. Mas eu sei o que eu quero e o que eu preciso... e o que eu vou fazer agora.—
—O que nós vamos fazer agora?—
Eu ri um pouquinho com a correção dele, e aí suspirei. —Nós vamos ver Alice—.
Alice estava no topo das escadas da varanda, hiperativa demais pra esperar do lado de dentro. Ela parecia a ponto de começar a fazer uma dança de celebração, de tão excitada que eu estava com a notícia que eu estava lá pra dar.
—Obrigada, Bella!—, ela cantou assim que nós saímos da caminhonete.
—Espere, Alice—, eu avisei a ela, levantando uma mão pra parar a alegria dela. —Eu tenho algumas limitações pra você—.
—Eu sei, eu sei, eu sei. Eu só tenho até treze de Agosto no máximo, você tem poder de veto na lista dos convidados, e se eu exagerar em alguma coisa, você nunca mais vai falar comigo de novo—.
—Oh, ok. Bem, é. Então, você sabe as regras—.
—Não se preocupe, Bella, será perfeito. Você quer ver o seu vestido?—
Eu tive que respirar fundo algumas vezes. Qualquer coisa que deixar ela feliz, eu disse pra mim mesma.
—Claro—.
O sorriso de Alice era presumido.
—Um, Alice?—, eu disse, me mantendo casual, um tom tranquilo na minha voz. —Quando foi que você me comprou um vestido?—
Isso provavelmente não era bem um show. Edward apertou a minha mão.
Alice guiou o caminho pra dentro, indo direto para as escadas. —Essas coisas levam tempo, Bella—, Alice explicou. —Quer dizer, eu não tinha certeza de que as coisas acabariam desse jeito, mas havia uma distinta possibilidade...—
—Quando?—, eu perguntei de novo.
—Perrine Bruyere tem uma lista de espera, sabe—, ela disse, agora na defensiva. —Obras primas dos tecidos não acontecem da noite pra o dia. Se eu não tivesse me adiantado, você estaria usando um trapo qualquer!—
Não parecia que eu ia conseguir uma reposta direta. —Per - quem?—
—Ele não é o maior designer, Bella, então não precisa dar um piti. No entanto, ele é uma promessa, e é especialista no que eu precisava—.
—Eu não estou dando piti—.
—Não, não está— Ela olhou meu rosto calmo com suspeita. Aí, enquanto entrávamos no quarto dela, ela se virou pra Edward.
—Você - fora—.
—Porque?—, eu quis saber.
—Bella—, ela gemeu. —Você sabe as regras. Ele não pode ver o vestido até o dia—.
Eu respirei fundo de novo. —Isso não importa pra mim. E você sabe que ele já o viu em sua cabeça. Mas se é assim que você quer...—
Ela empurrou Edward de volta pela porta. Ele nem olhou pra ela - os olhos dele estavam em mim, cautelosos, com medo de me deixar sozinha.
Eu balancei a cabeça, esperando que a minha expressão estivesse tranquila o suficiente pra reassegurar ele.
Alice fechou a porta no rosto dele.
—Tudo bem!—, ela murmurou. —Vamos—.
Ela agarrou o meu pulso e me puxou para o closet dela - que era maior do que o meu quarto - e me arrastou até o canto do fundo, onde uma bolsa de artigo de vestuário tinha uma prateleira só pra si.
Ela abriu o zíper da bolsa num movimento rápido, e depois o escorregou cuidadosamente no cabide. Ela deu um passo pra trás, segurando a mão na direção do vestido como se fosse uma apresentadora de um game show.
—Bem?—, ela perguntou sem fôlego.
Eu avaliei por um longo momento, brincando com ela um pouco. A expressão dela ficou preocupada.
—Ah—, eu disse, e sorri, deixando ela relaxar. —Eu vejo—.
—O que você acha?—, ela quis saber.
Era a minha visão de Anne of Green Gables de novo.
—É perfeito, é claro. Exatamente certo. Você é um gênio—.
Ela sorriu. —Eu sei—.
—Mil novecentos e dezoito?—, eu adivinhei.
—Mais ou menos—, ela disse, balançando a cabeça. —Um pouco dele é meu design, a trena, o véu...— Ela tocou o cetim branco enquanto falava. —O laço é um vintage. Você gosta?—
—É lindo. É exatamente certo pra ele—.
—Mas é certo pra você?—, ela insistiu.
—Sim, eu acho que é, Alice. Eu acho que é exatamente o que eu estava precisando. Eu sei que você fará um trabalho ótimo com isso... se você puder se controlar—.
Ela se irritou.
—Posso ver o seu vestido?', eu perguntei.
Ela piscou, seu rosto confuso.
—Você não encomendou o seu vestido de dama-de-honra ao mesmo tempo? Eu não quero a minha madrinha vestindo algum trapo—, eu fingi estremecer de horror.
Ela jogou os braços ao redor da minha cintura. —Obrigada, Bella!—
—Como é que você não conseguiu enxergar isso?—, eu zombei, beijando o seu cabelo espetadinho. —Bela psíquica você é!—
Alice dançou de volta, e o rosto dela estava brilhando com excitação fresca. —Eu tenho tanto pra fazer! Vá brincar com Edward. Eu tenho um trabalho a fazer—.
Ela saiu correndo do quarto, gritando, —Esme!— enquanto desaparecia.
Eu segui no meu próprio passo. Edward estava esperando por mim no corredor, encostado na parede forrada de madeira.
—Aquilo foi muito, muito legal da sua parte—, ele disse pra mim.
—Ela parece feliz—, eu concordei.
Ele tocou o meu rosto; os olhos dele - escuros demais, já fazia tanto tempo desde que ele havia me deixado - vasculharam a minha expressão minuciosamente.
—Vamos sair daqui—, ele sugeriu de repente. —Vamos para a nossa clareira—.
Parecia bastante tentador. —Eu acho que não preciso mais me esconder, preciso?—
—Não. O perigo está atrás de nós—.
Ele estava quieto, pensativo, enquanto corria. O vento batia no meu rosto, mais quente agora que a tempestade realmente havia passado. As nuvens cobriam o céu, do jeito que faziam sempre.
A clareira hoje era um lugar pacífico, feliz. Remendos das margaridas de verão interrompiam a grama com tons de branco e amarelo. Eu me deitei, ignorando a leve sujeira no chão, e olhei para as figuras nas nuvens. Eles eram macias demais, uniformes demais. Sem figuras, só um cobertos macio, cinza.
Edward deitou ao meu lado e segurou a minha mão.
—Treze de Agosto?—, ele perguntou casualmente depois de alguns minutos de um silêncio confortável.
—Isso me dá um mês até o meu aniversário. Eu não queria chegar tão perto—.
Ele suspirou. —Esme é três anos mais velha que Carlisle - tecnicamente. Você sabia disso?—
Eu balancei a minha cabeça.
—Isso não fez diferença pra eles—.
A minha voz estava serena, um contraponto com a ansiedade dele. —A minha idade realmente não é tão importante. Edward, eu estou preparada. Eu escolhi a minha vida - agora eu quero começar a vivê-la—.
Ele alisou o meu cabelo. —O veto da lista de convidados?—
—Eu realmente não ligo, mas eu... — eu hesitei, sem querer explicar isso. Era melhor acabar logo com isso. —Eu não tenho certeza de que Alice sentiria a necessidade de convidar... alguns lobisomens—.
—Eu não sei se... Jake sentiria... que ele devia vir. Como se essa é a coisa certa a fazer, ou que os meus sentimentos se magoariam se ele não viesse. Ele não devia ter que passar por isso—.
Edward ficou quieto por um minuto. Eu olhei para o topo das árvores, quase pretas contra o cinza leve do céu.
De repente, Edward me pegou pelo pulso e me puxou para o peito dele.
—Me diga porque você está fazendo isso, Bella. Por que você decidiu, agora, dar liberdade total à Alice?—
Eu repeti pra ele a conversa que tinha tido com Charlie na noite passada antes de ir ver Jacob.
—Não seria justo manter Charlie de fora disso—, eu concluí. —E isso significa Renée e Phil. Eu posso muito bem deixar Alice se divertir também. Talvez a coisa toda seja mais fácil pra Charlie se ele tiver uma despedida apropriada. Se ele acha que é cedo demais, eu não vou querer roubar dele a chance de me levar pela igreja—, eu fiz uma careta com as palavras, aí respirei fundo de novo. —Pelo menos a minha mãe e o meu pai e os meus amigos vão saber da melhor parte da minha escolha, a parte que eu tenho permissão de contar pra eles. Eles saberão que eu escolhi você, e eles saberão que estamos juntos. Eles saberão que eu estou feliz, onde quer que eu esteja. Eu acho que isso é o melhor que eu posso fazer por eles—.
Edward segurou o meu rosto, procurando por um breve momento.
—O acordo está acabado—, ele disse abruptamente.
—O quê?—, eu asfixiei. —Você está dando pra trás? Não!—
—Eu não estou dando pra trás, Bella. Eu ainda vou manter o meu lado da barganha. Mas você fica fora disso. O que você quiser, nada de correntes—.
—Porque?—
—Bella, eu vejo o que você está fazendo. Você está tentando deixar todas as outras pessoas felizes. E eu não me importo com os sentimentos de mais ninguém. Eu só preciso que você seja feliz. Não se preocupe em dar as notícias a Alice. Eu vou cuidar disso. Eu prometo que ela não vai fazer com que você se sinta culpada—.
—Mas eu -—
—Não. Você vai fazer isso do seu jeito. Porque do meu jeito não funciona. Eu te chamo de teimosa, mas olha só o que eu fiz. Eu fiquei colado com essa minha obstinação idiota da minha ideia do que era melhor pra você, apesar de que isso só te machucou. Te machucou tão profundamente, de novo e de novo. Eu não confio mais em mim mesmo. Você pode ter a felicidade do seu jeito. O meu jeito está sempre errado. Então— Ele mudou de posição embaixo de mim, enquadrando os ombros. —Nós vamos fazer isso do seu jeito, Bella. Essa noite. Hoje. Quanto mais cedo melhor. Eu vou falar com Carlisle. Eu estava pensando antes que talvez, se nós te déssemos morfina suficiente, não seria tão ruim. Vale a pena tentar—. Ele apertou os dentes.
—Edward, não -—
Ele colocou um dedo nos meus lábios. —Não se preocupe, Bella, amor. Eu não esqueci o resto dos seus pedidos—.
As mãos dele estavam no meu cabelo, os lábios dele se movendo suavemente - mas muito seriamente - contra os meus, antes que eu me desse conta do que ele estava dizendo. O que ele estava fazendo.
Não havia muito tempo pra agir. Se eu esperasse tempo demais, eu não seria capaz de me lembrar porque eu precisava pará-lo. Eu já não conseguia respirar direito. As minhas mãos estavam apertando os braços dele, apertando mais ele contra mim, a minha boca se colou à dele e respondeu todas as perguntas não feitas que ele tinha na cabeça.
Eu tentei limpar a minha cabeça, pra encontrar uma forma de falar.
Ele rolou gentilmente, me pressionando na grama.
Oh, deixa pra lá! O meu lado menos nobre exultou. A minha cabeça estava cheia com a doçura da respiração dele.
Não, não, não, eu discuti comigo mesma. Eu balancei a minha cabeça, e a boca dele se moveu para o meu pescoço, me dando uma chance de respirar.
—Pare, Edward. Espere— A minha voz estava tão fraca quanto a minha força de vontade.
—Porque?—, ele sussurrou na base da minha garganta.
Eu trabalhei pra colocar alguma resolução no meu tom. —Eu não quero fazer isso agora—.
—Não quer?—, ele perguntou, com um sorriso na voz. Ele moveu seu lábios de volta para os meus, e falar ficou impossível. Calor correu pelas minha veias, queimando a minha pele onde ela tocava a dele.
Eu me fiz ficar concentrada. Eu tive que me esforçar bastante só pra libertar as minhas mãos do cabelo dele, pra movê-las para o peito dele. Mas eu consegui. E ai eu empurrei ele, tentando afastá-lo. Eu não podia conseguir sozinha, mas ele respondeu como eu sabia que iria.
Ele se afastou alguns centímetros de mim pra me olhar, e os olhos dele não fizeram nada além de ajudar na minha resolução. Eles eram um fogo negro. Eles estavam chamuscando.
—Porque?—, ele perguntou de novo, a voz dele estava baixa e áspera. —Eu amo você. Eu te quero. Agora mesmo—.
As borboletas no meu estômago flutuaram para a minha garganta. Ele se aproveitou da minha falta de fala.
—Espere, espere—, eu tentei dizer através dos lábios dele.
—Não por mim—, ele murmurou em discordância.
—Por favor?—, eu ofeguei.
Ele gemeu, e se empurrou pra longe de mim, rolando de volta para as suas costas.
Nós dois ficamos lá deitados por um minuto, tentando diminuir as nossas respirações.
—Me diga porque não, Bella— ele quis saber. —É melhor que isso não seja sobre mim—.
Tudo no meu mundo era sobre ele. Que coisa boba pra ele esperar.
—Edward, isso é muito importante pra mim. Eu vou fazer isso do jeito certo—.
—A definição de quem do que é certo?—
—A minha—.
Ele rolou pra se equilibrar no cotovelo e me encarou, a expressão dele estava desaprovadora.
—Como você vai fazer isso do jeito certo?—
Eu respirei fundo. —Com responsabilidade. Tudo na ordem certa. Eu não vou deixar Charlie e Renée sem a melhor resolução que eu puder dar pra eles. E eu não vou negar a diversão a Alice, já que eu vou ter um casamento do mesmo jeito. E eu vou me prender a você de todas as formas humanas possíveis, antes de te pedir que me torne imortal. Eu vou seguir as regras, Edward—.
—A sua alma é muito, muito mais que importante pra que eu brinque com ela. Você não vai me fazer cair nessa—.
—Eu aposto que eu poderia—, ele murmurou, seus olhos queimando de novo.
—Mas você não faria isso—, eu disse, tentando manter o meu nível de voz. —Não sabendo que isso é o que eu realmente preciso—.
—Você não luta justo—, ele acusou.
Eu sorri pra ele. —Eu nunca disse que lutava justo—.
Ele sorriu de volta, saudoso. —Se você mudar de ideia...—
—Você vai ser o primeiro a saber—, eu prometi.
Bem nessa hora a chuva começou a pingar das nuvens, algumas gotas esporádicas faziam leves thuds quando atingiam a grama.
Eu olhei para o céu.
—Eu vou te levar pra casa— Ele limpou as pequenas gotículas de água das minhas bochechas.
—Chuva não é um problema—, eu murmurei. —Ela só significa que está na hora de fazer uma coisa que será muito desagradável e que possivelmente será altamente perigosa—.
Os olhos dele se arregalaram em alarme.
—É bom que você seja a prova de balas— Eu suspirei. —Eu vou precisar daquele anel. Está na hora de contar a Charlie—.
Ele riu da expressão no meu rosto. —Altamente perigoso—, ele concordou. Ele riu de novo e colocou a mão no bolso do seu jeans. —Mas pelo menos não precisamos parar no caminho—.
Novamente ele escorregou o meu anel no seu lugar no dedo anular da minha mão esquerda.
Onde ele ia ficar - concebivelmente pelo resto da eternidade.

8 comentários:

  1. Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaassaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Incrível !

    Assi: Apaixonada por livros.

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  2. ate que em fim, tô esperando o casamento desdo primeiro livro...

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  3. Edward safadenho(aquela carinha)😍😍😋😋😘😘😏😏😻

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  4. Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh que tudo!!!!

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  5. Tan tan tun-tan kkkkkk

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  6. Se tem uma coisa q amo em forks é esse clima chuvoso, e pqp ate q enfim vao casar

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  7. Novamente ele escorregou o meu anel no seu lugar no dedo anular da minha mão esquerda.
    Onde ele ia ficar - concebívelmente pelo resto da eterminade.

    Cara quase eu choro quando ele disse isso.🙆😻

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