25 de setembro de 2015

Capítulo 26 - Ética

O balcão no banheiro de Alice estava coberto com milhares de produtos diferentes, todos clamando embelezar a superfície de uma pessoa. Já que todo mundo nessa casa era perfeito e impermeável, eu só podia presumir que ela havia comprado todas essas coisas comigo em mente. Eu li os rótulos entorpecidamente, golpeada pelo desperdício.
Eu era cuidadosa pra nunca olhar no longo espelho.
Alice penteava o meu cabelo com movimentos lentos, rítmicos.
—Isso é suficiente, Alice—, eu disse sem tom. —Eu quero voltar para La Push—.
Quantas horas eu esperei até que Charlie finalmente deixasse a casa de Billy pra que eu pudesse ver Jacob? Cada minuto, sem saber se Jacob estava respirando ou não, pareciam ser dez vidas inteiras. E aí, quando eu finalmente fui permitida de ir, pra descobrir eu mesma se Jacob estava vivo, o tempo foi embora rápido demais. Eu senti como se eu mal pudesse recuperar o fôlego antes que Alice estivesse ligando pra Edward, insistindo que eu mantivesse essa fachada ridícula da festa do pijama. Isso parecia tão insignificante...
—Jacob ainda está inconsciente—, Alice respondeu. —Carlisle ou Edward vão ligar quando ele estiver acordado. De qualquer forma, você precisa ir ver Charlie. Ele estava lá na casa de Billy, ele viu que Carlisle e Edward estão de volta da viagem, e ele pode começar a suspeitar quando você chegar em casa—.
Eu já tinha a minha história memorizada e confirmada. —Eu não ligo. Eu quero estar lá quando Jacob acordar—.
—Você precisa pensar em Charlie agora. Você teve um dia longo - desculpa, eu sei que isso nem começa e descrever tudo - mas isso não significa que você possa escapar das suas responsabilidades— A voz dela estava séria, quase me repreendendo. —Agora é mais importante do que nunca que Charlie fique seguro no escuro. Faça o seu papel primeiro, Bella, e aí você pode fazer o que você quiser fazer em segundo lugar. Ser meticulosamente responsável faz parte de ser um Cullen—.
É claro que ela estava certa. E se não por essa mesma razão - uma razão que era mais poderosa do que todo o meu medo e dor e culpa - Carlisle nunca teria me convencido a deixar o lado de Jacob, inconsciente ou não.
—Vá pra casa—, Alice ordenou. —Fale com Charlie. Use o seu álibi. Mantenha-o a salvo—.
Eu fiquei de pé, e o sangue correu para os meus pés, picando como se fossem milhares de furadas de agulha. Eu estive sentada na mesma posição por tempo demais.
—Esse vestido fica adorável em você—, Alice arrulhou.
—Huh? Oh. Er - obrigada de novo pelas roupas— eu murmurei mais por cortesia do que por gratidão de verdade.
—Você precisa de evidências— Alice disse, os olhos dela inocentes e grandes. —O que é uma viagem de compras sem uma roupa nova? É muito lisonjeador, se eu puder dizer eu mesma—.
Eu pisquei, incapaz de lembrar com o que ela havia me vestido. Eu não podia evitar que os meus pensamentos escapassem de mim a cada segundo, como insetos fugindo da luz...
—Jacob está bem, Bella—, Alice disse, interpretando a minha preocupação com facilidade. —Não tem pressa. Se você se desse conta da quantidade extra de morfina que Carlisle teve que dar pra ele - com a temperatura dele diminuindo tão rápido - você saberia que ele vai ficar fora por uns tempos—.
Pelo menos ele não estava sentindo dor. Ainda não.
—Há alguma coisa sobre a qual você queira conversar antes de ir embora?— Alice perguntou com simpatia. —Você deve estar mais do que um pouco traumatizada—.
Eu sabia sobre o que ela estava curiosa. Mas eu tinha outras perguntas.
—Eu vou ser daquele jeito?—, eu perguntei, minha voz subjugada. —Como aquela garota, Bree, na clareira?—
Haviam muitas coisas nas quais eu precisava pensar, mas eu não parecia conseguir tirá-la da minha cabeça, a recém-nascida cuja outra vida agora estava - abruptamente- acabada. O rosto dela, contorcido com o desejo pelo meu sangue, ficou marcado atrás das minhas pálpebras.
Alice alisou o meu braço. —Todo mundo é diferente. Mas algo parecido com aquilo, sim—.
Eu estava muito imóvel, tentando imaginar.
—Isso passa—, ela prometeu.
—Quanto tempo?—
Ela levantou os ombros. —Alguns anos, talvez menos. Pode ser diferente pra você. Eu nunca vi isso acontecer com alguém que já havia feito essa escolha com antecedência. Vai ser interessante ver como isso te afeta—.
—Interessante—, eu repeti.
—Nós vamos manter você longe dos problemas—.
—Eu sei disso. Eu confio em vocês—. A minha voz era um monotom, morta.
A testa de Alice enrugou. —Se você está preocupada com Carlisle e Edward, eu tenho certeza que eles ficarão bem. Eu acredito que Sam esteja começando a acreditar em nós... bem, confiar em Carlisle, pelo menos. Isso é uma coisa boa também. Eu imagino que a atmosfera tenha ficado um pouco tensa quando Carlisle teve que re-quebrar as fraturas -—
—Por favor, Alice—.
—Desculpe—.
Eu respirei fundo para me recompor. Jacob havia começado a se curar rápido demais, e alguns dos seus ossos foram para os lugares errados. Ele esteve fora durante o processo, mas mesmo assim era difícil nisso.
—Alice, posso te fazer uma pergunta? Sobre o futuro?—
Ela estava cautelosa de repente. —Você sabe que eu não vejo tudo—.
—Não é isso, exatamente. Mas você vê o meu futuro, as vezes. Porque é que, na sua opinião, que nada funciona em mim? Nada do que Jane faz, ou Edward ou Aro...—
A minha frase desapareceu com o meu nível de interesse. A minha curiosidade nesse ponto estava levitando, pesadamente dominada por outras emoções mais conflitantes.
Alice, no entanto, achou a pergunta muito interessante. —Jasper também, Bella - o talento dele funciona tão bem em você no seu corpo como no de todo mundo. Isso é diferente, você vê? As habilidades de Jasper afetam o corpo fisicamente. Ele realmente acalma o seu sistema, ou o excita. Não é uma ilusão. E eu tenho visões de coisas que vão acontecer, não as razões e os pensamentos por trás dessas decisões que as criam. Está fora da mente, também não é uma ilusão; é realidade, ou pelo menos, uma versão dela—.
—Mas Jane e Edward e Aro e Demetri - eles trabalham dentro da mente. Jane apenas cria a ilusão de dor. Ela não machuca o seu corpo de verdade, você só acha que sente isso. Você vê, Bella? Você está segura dentro de sua mente. Ninguém pode te alcançar aí. Não é de se admirar que Aro esteja tão curioso sobre as suas habilidades futuras—.
Ela observou o meu rosto pra ver se eu estava acompanhando a lógica dela. Na verdade, as palavras dela começaram a correr juntas, as sílabas e os sons perdendo seus significados. Eu não conseguia me concentrar nelas. Mesmo assim, eu balancei a cabeça. Tentando parecer que tinha entendido.
Ela não se deixou enganar. Ela alisou a minha bochecha e murmurou. —Ele vai ficar bem, Bella. Eu não preciso de uma visão pra saber disso. Você está pronta pra ir?—
—Mais uma coisa. Posso te perguntar outra coisa sobre o futuro? Eu não quero coisas específicas, só uma avaliação—.
—Eu farei o meu melhor—, ela disse, em duvida de novo.
—Você ainda consegue me ver virando uma vampira?—
—Oh, essa é fácil. É claro, eu consigo—.
Eu balancei a minha cabeça lentamente.
Ela examinou o meu rosto, seus olhos estavam insondáveis. —Você não conhece a sua própria mente, Bella?—
—Eu conheço. Eu só queria ter certeza—.
—Eu só tenho certeza enquanto você tiver, Bella. Você sabe disso. Se você mudasse de ideia, o que eu vejo iria mudar... ou desaparecer, no seu caso—.
Eu suspirei. —No entanto, isso não vai acontecer—.
Ela colocou os braços ao meu redor. —Eu lamento. Eu não consigo realmente enfatizar. A minha primeira memória é a de ver o rosto de Jasper no meu futuro; eu sempre soube que ele era pra onde a minha vida seguia. Mas eu posso simpatizar. Eu lamento que você tenha que escolher entre duas coisas boas—.
Eu soltei os braços dela. —Não sinta pena de mim—. Haviam pessoas que mereciam simpatia. Eu não era uma delas. E não havia nenhuma escolha pra fazer - agora eu só tinha que quebrar um coração. —Agora eu vou lidar com Charlie—.
Eu dirigi a minha caminhonete pra casa, onde Charlie estava esperando tão suspeitosamente quanto Alice havia previsto.
—Hey, Bella. Como foi a viagem de compras?—, ele me cumprimentou enquanto eu entrava na cozinha. Ele estava com os braços cruzados no peito, os olhos no meu rosto.
—Longa—, eu disse estupidamente. —Nós acabamos de voltar—.
Charlie examinou o meu humor. —Eu acho que você já ouviu de Jacob, então?'
—Sim. O resto dos Cullen nos encontrou em casa. Esme nos contou onde Carlisle e Edward estavam—.
—Você está bem?—
—Preocupada com Jake. Assim que eu fizer o jantar, eu vou até La Push—.
—Eu te disse que aquelas motos eram perigosas. Eu espero que isso faça você se dar conta de que eu não estava brincando—.
Eu balancei a cabeça enquanto comecei a tirar coisas do congelador. Charlie se sentou na mesa. Ele parecia estar num humor mais falante do que de costume.
—Eu não acho que você precise se preocupar muito com Jake. Qualquer um que consiga xingar com toda aquela energia pode se recuperar—.
—Jake estava acordado quando você viu ele?—, eu perguntei, me virando pra olhar para ele.
—Oh, é, ele estava acordado. Você devia ter ouvido ele - na verdade, é melhor que você não tenha ouvido. Eu não acho que houvesse alguém em La Push que não conseguisse ouvir ele. Eu não sei onde ele arranjou aquele vocabulário, mas eu espero que ele não tenho usado aquela linguagem perto de você—.
—Ele teve uma desculpa muito boa hoje. Como ele estava?—
—Acabado. Os amigos dele carregaram ele. É bom que eles sejam garotos grandes, porque aquele garoto é um bom peso. Carlisle disse que a perna direita dele está quebrada, e o seu braço direito. Grande parte do seu lado direito foi esmagado quando ele caiu daquela maldição de moto—, Charlie balançou a cabeça. —Se eu ouvir alguma coisa sobre você montando de novo, Bella -—
—Sem problemas, pai. Você não vai. Você realmente acha que Jake está bem?—
—Claro, Bella, não se preocupe. Ele era ele mesmo o suficiente pra zombar de mim—.
—Zombar de você?—, eu perguntei, chocada.
—É - entre insultar a mãe de alguém e falar o nome de Senhor em vão, ele disse, —Aposto que hoje você está feliz por ela amar um Cullen ao invés de mim, huh, Charlie?—
Eu virei de volta para o congelador pra que ele não visse o meu rosto.
—E eu não pude discutir. Edward é mais maduro do que Jacob quando se trata da sua segurança, eu tenho que admitir isso sobre ele—.
—Jacob é bastante maduro—, eu murmurei defensivamente. —Eu tenho certeza de que isso não foi culpa dele—.
—Hoje foi um dia estranho—, Charlie meditou depois de um minuto. —Sabe, eu não boto muita credibilidade nessa bobagem supersticiosa. mas foi estranho... Era como se Billy soubesse que alguma coisa ruim ia acontecer com Jake. Ele estava nervoso feito um peru na manhã de ação-de-graças. Eu não acho que ele tenha ouvido nada que eu disse pra ele.
—E aí, mais estranho ainda - se lembra de fevereiro e março quando tivemos aqueles problemas com os lobos?—
Eu me abaixei pra pegar uma frigideira no armário, e me escondi lá um segundo a mais ou dois.
—É—, eu murmurei.
—Eu espero que a gente não vá ter mais problemas com aquilo de novo. Essa manhã, nós estávamos no barco, e Billy não estava prestando atenção em mim e nem na pescaria, quando, do nada, você podia ouvir os lobos uivando na floresta. Mais do que um, e, garoto, aquilo foi alto. Parecia que eles estavam lá mesmo no vilarejo. A parte mais estranha foi, Billy voltou com o barco direto para o cais como se eles o estivessem chamando pessoalmente. Ele nem me ouviu perguntar a ele o que estava acontecendo.
—O barulho parou antes que nós atracássemos o barco. Mas, do nada, Billy estava na maior pressa pra não perder o jogo, apesar de que ainda tínhamos horas. Ele estava murmurando alguma loucura sobre uma apresentação mais cedo... de um jogo ao vivo? Eu te digo, Bella, foi estranho.
—Bem, nós encontramos um jogo que ele disse que queria assistir, mas depois ele simplesmente o ignorou.—
—Ele ficou no telefone o tempo inteiro, ligando pra Sue, e Emily, e o avô do seu amigo Quil. Eu não consegui entender o que ele estava procurando - ele só estava conversando com eles bem casualmente.
—Os uivos começaram de novo bem do lado de fora da casa. Eu nunca ouvi nada parecido com aquilo - os meus braços ficaram arrepiados. Eu perguntei a Billy - eu tive que gritar por causa do barulho - se ele tinha colocado armadilhas no quintal dele. Parecia que o animal estava passando por muita dor—.
Eu gemi, mas Charlie estava tão entretido em sua história que não me ouviu.
—É claro que eu esqueci sobre tudo isso até esse momento, porque foi nessa hora que Jake chegou em casa. O lobo ficou uivando por um minuto e você já não podia mais ouví-lo - os xingamentos de Jake abafaram o resto. Aquele garoto tem um belo par de pulmões.—
Charlie parou por um minuto, seu rosto estava pensativo. —Engraçado que alguma coisa boa tenha sido tirada dessa confusão toda. Eu não pensei que eles fossem esquecer esse preconceito bobo que eles têm contra os Cullen por lá. Mas alguém ligou pra Carlisle, e Billy ficou muito agradecido quando ele apareceu. Eu achei que devíamos levar Jake para o hospital, mas Billy queria mantê-lo em casa, e Carlisle concordou. Eu acho que Carlisle sabe o que é o melhor. É generoso da parte dele aceitar receber tantas chamadas em casa—.
—E...— ele pausou como se não estivesse com vontade de dizer alguma coisa. Ele suspirou, e aí continuou. —E Edward foi muito... legal. Ele parecia estar tão preocupado com Jacob quanto você estava - como se fosse um irmão dele que estivesse ali. O olhar nos olhos dele...— Charlie balançou a cabeça. —Ele é um cara decente, Bella. Eu vou tentar me lembrar disso. No entanto, eu não prometo nada— Ele sorriu pra mim.
—Eu não vou te fazer prometer—, eu murmurei.
Charlie esticou as pernas e gemeu. —É bom estar em casa. Você não acreditaria em quão lotada a casinha de Billy pode ficar. Sete dos amigos de Jake se espremeram na sala da frente - eu mal podia respirar—.
—Você já reparou no quanto aqueles garotos Quileute são grandes?—
—Sim, já reparei—.
Charlie me encarou, os olhos dele estavam mais focados abruptamente. —Sério, Bella, Carlisle disse que Jake vai estar de pé e andando por aí em breve. Ele disse que parecia muito pior do que era na verdade. Ele vai ficar bem—.
Eu só balancei a cabeça.
Jacob parecia tão... estranhamente frágil quando eu me apressei pra ir vê-lo assim que Charlie foi embora. Ele estava com suspensórios em todo lugar - Carlisle disse que não havia necessidade de gesso, já que ele estava curando tão rápido. O rosto dele estava pálido e abatido, profundamente inconsciente como ele estava na hora. Quebrável. Mesmo enorme como ele era, ele parecia muito quebrável. Talvez tivesse sido só a minha imaginação, junto com o conhecimento de que eu teria que quebrá-lo.
Se eu pudesse ser atingida por um relâmpago e ser dividida em dois pedaços. Dolorosamente, de preferência. Pelo primeira vez, desistir de ser humana pareceu ser um verdadeiro sacrifício. Como se houvessem muitas coisas para perder.
Eu coloquei o jantar de Charlie na mesa ao lado do cotovelo dele e fui para a porta.
—Er, Bella? Você pode esperar só um segundo?—
—Eu esqueci alguma coisa?—, eu perguntei, olhando para o prato dele.
—Não, não. Eu só... quero te pedir um favor—, Charlie fez uma careta e olhou para o chão. —Sente-se - isso não vai demorar muito—.
Eu sentei em frente a ele, um pouco confusa. Eu tentei me concentrar. —O que você precisa, pai?—
—É aqui que está a essência disso, Bella—, Charlie ficou corado. —Talvez eu só esteja me sentindo... supersticioso depois de ter ficado com Billy enquanto ele estava agindo tão estranho o dia inteiro. Mas eu tenho essa... sensação. Eu me sinto como se fosse... te perder em breve—.
—Não seja bobo, pai— eu murmurei me sentindo culpada. —Você quer que eu vá para a escola, não quer?—
—Só me prometa uma coisa—.
Eu estava hesitante, pronta pra rescindir. —Tudo bem...—
—Você vai me contar antes de fazer alguma coisa maior? Antes de fugir com ele ou alguma coisa assim?—
—Pai...— eu gemi.
—Eu tô falando sério. Eu não vou chutar o balde. Só me dê um aviso com antecedência. Me dê uma chance de te dar um abraço de adeus—.
Vacilando mentalmente, eu levantei a minha mão. —Isso é bobagem. Mas, se isso te deixa feliz... Eu prometo—.
—Obrigado, Bella—, ele disse. —Eu te amo, guria—.
—Eu te amo também, pai—, eu toquei o ombro dele e me levantei da mesa. —Se você precisar de alguma coisa, eu vou estar na casa de Billy—.
Eu não olhei pra trás enquanto corria pra fora. Isso foi perfeito, exatamente o que eu precisava agora. Eu murmurei pra mim mesma no caminho pra La Push.
A Mercedes preta de Carlisle não estava na frente da casa de Billy. Isso era bom e ruim. Obviamente, eu precisava falar com Jacob a sós. E mesmo assim, eu desejava poder segura a mão de Edward de alguma forma, como eu tinha feito antes, quando Jacob estava inconsciente. Impossível. Mas eu sentia falta de Edward - parecia já ter se passado muito tempo desde a minha tarde sozinha com Alice. Eu achava que isso tornava a minha resposta bastante óbvia. Eu já sabia que eu não podia viver sem Edward. Esse fato não ia tornar as coisas nem um pouco menos dolorosas.
Eu bati baixinho na porta da frente.
—Entre, Bella—, Billy disse. O barulho da minha caminhonete era fácil de reconhecer.
Eu me deixei entrar.
—Hey, Billy. Ele está acordado?—, eu perguntei.
—Ele se acordou a cerca de meia hora atrás, pouco antes do doutor ir embora. Eu acho que ele estava esperando por você—.
Eu vacilei, e aí respirei fundo. —Obrigada—.
Eu hesitei na porta do quarto de Jacob, sem ter certeza se eu devia bater. Eu decidi dar uma olhadinha antes, esperando - como a covarde que eu era - que talvez ele tivesse voltado a dormir. Eu senti que poderia usar mais alguns minutinhos.
Eu abri a porta e me inclinei pra dentro hesitantemente.
Jacob estava esperando por mim, seu rosto estava calmo e suave.
A aparência desfigurada, abatida, tinha desaparecido, mas apenas um vazio cuidadoso estava em seu lugar. Não havia nenhuma animação em seus olhos escuros.
Era difícil olhar nos olhos dele, sabendo que eu o amava. Isso fazia mais diferença do que eu teria pensado. Eu me perguntei se teria sido sempre assim tão difícil pra ele, todo esse tempo.
Gratamente, alguém o havia coberto com uma colcha. Era um alívio não precisar ver as extensões dos danos.
Eu entrei e fechei a porta baixinho atrás de mim.
—Oi, Jake—, eu murmurei.
Ele não respondeu no início. Ele olhou pro meu rosto por um longo momento. Aí, com algum esforço, ele rearrumou a sua expressão em um sorriso levemente zombeteiro.
—É, eu meio que pensei que seria assim—. Ele suspirou. —Hoje definitivamente as coisas mudaram pra pior. Primeiro, eu escolhi o pior lugar, perdi a melhor luta, e Seth ficou com toda a glória. Depois Leah ficou agindo feito uma idiota pra provar que era tão durona quanto o resto de nós e eu tive que ser o idiota que salvou ela. E agora isso—. Ele fez um gesto com a mão esquerda na minha direção onde eu hesitei na porta.
—Como você está se sentindo?—, eu murmurei. Que pergunta idiota.
—Um pouco chapado. O Dr. Presa não tem certeza de quanta medicação eu preciso, então ele está na base da tentativa e erro. Eu acho que ele se excedeu—.
—Mas você não está sentindo dor—.
—Não. Pelo menos, eu não consigo sentir os meus ferimentos—, ele disse, dando um sorriso de zombaria de novo.
Eu mordi o meu lábio. Eu nunca ia conseguir fazer isso. Porque ninguém tentava me matar quando eu queria morrer?
O humor torto desapareceu do rosto dele, e os olhos dele se aqueceram. A testa dele enrugou, como se ele estivesse preocupado.
—E quanto a você?—, ele perguntou, realmente parecendo preocupado. —Você está bem?—
—Eu?—, eu encarei ele. Talvez ele tivesse tomado drogas demais. —Porque?—
—Bem, eu quero dizer, eu estava certo de que ele não iria te machucar de verdade, mas eu não tinha certeza do quão ruim ia ser. Eu meio que estive ficando louco de preocupação com isso desde que eu acordei. Eu não sabia se você teria permissão pra fazer uma visita ou algo assim. O suspense foi terrível. Como é que foi? Ele foi mau com você? Eu lamento se foi ruim. Eu não queria que você tivesse que passar por isso sozinha. Eu estava pensando que estaria lá...—
Eu levei um minuto pra entender. Ele continuou tagarelando, parecendo mais e mais desajeitado, até que eu entendi o que ele estava dizendo. Aí eu me apressei pra reassegurá-lo.
—Não, não, Jake! Eu estou bem. Bem demais, na verdade. É claro que ele não foi mau. Bem que eu queria!—
Os olhos dele se arregalaram com o que parecia ser horror. —O que?—
—Ele nem ficou com raiva de mim - ele nem ficou com raiva de você! Ele é tão altruísta que isso faz com que eu me sinta ainda pior. Eu queria que ele tivesse gritado comigo ou coisa assim. Não é como se eu não merecesse... bem, coisa muito pior do que só gritarem comigo. Mas ele não se importa. Ele só quer que eu seja feliz—.
—Ele não ficou com raiva?—, Jacob perguntou, incrédulo.
—Não. Ele foi... gentil demais—.
Jacob me encarou por outro minuto, e aí de repente ele fez uma careta. —Bem, droga!—, ele rosnou.
—Qual é o problema, Jake? Está doendo?— As minhas mãos flutuaram inutilmente enquanto eu procurava pelos medicamentos dele.
—Não—, ele murmurou com um tom enojado. —Eu não consigo acreditar nisso! Ele nem te deu um ultimato ou alguma coisa assim?—
—Nem perto - o que há de errado com você?—
Ele fez uma careta e balançou a cabeça. —Eu meio que estava contando com a reação dele. Dane-se tudo. Ele é melhor do que eu pensava—.
O jeito que ele disse isso, apesar de ser mais raivoso, me fez lembrar do tributo que Edward havia feito à falta de ética de Jacob essa manhã na tenda. O que significava que Jake ainda estava tendo esperanças, ainda estava lutando.
Eu gemi quando essa faca se aprofundou mais.
—Ele não está jogando nenhum jogo, Jake—, eu disse baixinho.
—Pode apostar que ele está. Ele está jogando tão duro quanto eu, só que ele sabe o que está fazendo e eu não. Não me culpe por ele ser um manipulador melhor que eu - eu não estive na ativa a tanto tempo pra aprender todos os truques dele—.
—Ele não está me manipulando!—
—Sim, ele está! Quando é que você vai acordar e se dar conta de que ele não é tão perfeito quanto você pensa?—
—Pelo menos ele não ameaçou se matar pra que eu o beijasse—, eu disparei. Assim que as palavras tinham saído, eu corei de pesar. —Espere. Finja que isso não escapuliu. Eu jurei pra mim mesma que não falaria nada sobre isso—.
Ele respirou fundo. Quando ele falou, ele estava mais calmo. —Por que não?—
—Porque eu não vim aqui pra te culpar por nada—.
—Contudo, é verdade—, ele disse uniformemente. —Eu fiz isso—.
—Eu não ligo, Jake. Eu não estou com raiva—
Ele sorriu. —Eu também não ligo. Eu sabia que você ia me desculpar, e eu estou feliz por ter feito aquilo. Eu faria de novo. Pelo menos eu tenho isso. Pelo menos eu te fiz ver que você me ama. Isso valeu alguma coisa—.
—Valeu? Isso é realmente melhor do que se eu ainda não soubesse nada?—
—Você não acha que você devia saber como se sente - só pra que você não seja pega de surpresa quando já for tarde demais e você estiver casada com um vampiro?—
Eu balancei a minha cabeça. —Não - eu não quis dizer melhor pra mim. Eu quis dizer melhor pra você. Isso torna as coisas melhores ou piores pra você, me fazer saber que eu estou apaixonada por você? Já que isso não faz diferença do mesmo jeito. Não teria sido melhor, mais fácil pra você, se eu nunca tivesse descoberto?—
Ele estudou a minha pergunta tão seriamente quanto eu esperava, pensando cuidadosamente antes de responder. —Sim, eu acho melhor que você saiba—, ele decidiu finalmente.
—Se você não tivesse descoberto... eu sempre me perguntaria se a sua decisão teria sido diferente da que foi. Agora eu sei. Eu fiz tudo o que podia—. Ele inspirou o ar calmamente, e fechou os olhos.
Dessa vez eu não resisti - não consegui resistir - a necessidade de confortá-lo. Eu cruzei o quarto pequeno e me ajoelhei ao lado da cama dele, com medo de sentar na cama com medo de empurrá-lo e machucá-lo, e me inclinei pra tocar a minha testa na bochecha dele.
Jacob suspirou e colocou a mão dele no meu cabelo, me segurando lá.
—Eu lamento, Jake—.
—Eu sempre soube que isso seria difícil. Não é culpa sua, Bella—.
—Você também não—, eu gemi. —Por favor—.
Ele se afastou pra olhar pra mim. —O que?—
—É minha culpa. E eu estou cansada que me digam que não é—.
Ele sorriu. O sorriso não tocou os olhos dele. —Você quer que eu te jogue na brasa?—
—Na verdade... eu acho que quero—.
Ele torceu os lábios enquanto media o quão sério eu estava falando. Um sorriso apareceu brevemente no rosto dele, e aí ele distorceu sua expressão em uma careta feroz.
—Me beijar de volta daquele jeito foi indesculpável— Ele cuspiu as palavras e mim. —Se você sabia que ia dar pra trás, talvez você não devesse ter sido tão convincente—.
Eu gemi e balancei a cabeça. —Eu sinto muito—.
—Sentir muito não melhora as coisas, Bella. O que você estava pensando?—
—Eu não estava—, eu sussurrei.
—Você devia ter me dito pra ir e morrer. É isso que você quer—.
—Não, Jacob—, eu choraminguei, lutando contra as lágrimas que se acumulavam. —Não! Nunca—.
—Você não está chorando?—, ele quis saber, de repente a voz dele estava de volta ao tom normal. Ele se mexeu impacientemente na cama.
—É— , eu murmurei, rindo fracamente de mim mesma através das lágrimas que de repente eram soluços.
Ele trocou seu peso, jogando a sua perna boa pra fora da cama como se ele fosse tentar ficar de pé.
—O que você está fazendo?—, eu perguntei através das lágrimas.
—Deite, seu idiota, você vai se machucar!— eu pulei pra ficar de pé e empurrei o ombro dele com as duas mãos.
Ele se rendeu, se encostando de novo com um gemido de dor, mas ele agarrou a minha cintura e me puxou de volta para a cama, contra o lado bom dele. Eu fiquei curvada lá, tentando abafar os soluços bobos contra a pele quente dele.
—Eu não acredito que você está chorando—, ele murmurou. —Você sabe que eu só disse aquelas coisas porque você queria que eu dissesse. Eu não quis dizê-las— Ele esfregou a mão no meu ombro.
—Eu sei— eu respirei fundo, atormentada, tentando me controlar. Como é que acabou sendo eu que estava chorando e ele que estava me confortando? —Contudo, isso tudo é verdade. Obrigada por dizer em voz alta—.
—Eu ganho pontos por te fazer chorar?—
—Claro, Jake', eu tentei sorrir. —Quantos você quiser—.
—Não se preocupe, Bella, querida. Tudo vai dar certo—.
—Eu não vejo como—, eu murmurei.
Ele deu um tapinha em cima da minha cabeça. —Eu vou desistir e ser bonzinho—.
—Mais jogos?—, eu me perguntei, levantando o meu queixo pra poder ver ele.
—Talvez—, ele riu com um pouco de esforço, e aí suspirou. —Mas eu vou tentar—.
Eu fiz uma careta.
—Não seja tão pessimista—, ele reclamou. —Me dê um pouco de crédito—.
—O que você quer dizer com 'ser bonzinho'?—
—Eu vou ser seu amigo, Bella—, ele disse baixinho. —Eu não vou pedir por mais do que isso—.
—Eu acho que é tarde demais pra isso, Jake. Como é que nós podemos ser amigos, quando nós amamos um ao outro desse jeito?—
Ele olhou para o teto, seu olhar estava atento, como se ele estivesse lendo alguma coisa que estivesse escrita lá. —Talvez... essa terá que ser uma amizade a longa distância—.
Eu apertei os meus dentes, feliz por ele não estar olhando para o meu rosto, lutando contra os soluços que ameaçavam tomar conta de mim de novo. Eu precisava ser forte, e eu não tinha ideia de como...
—Você sabe aquela história na Bíblia?— Jacob perguntou de repente, ainda lendo o teto vazio.—Aquela sobre o rei e as duas mulheres brigando por um bebê?—
—Claro. Rei Salomão—.
—Isso mesmo. Rei Salomão—, ele repetiu. —E ele disse, cortem a criança no meio... mas era só um teste. Só pra ver quem desistiria de sua metade pra proteger a criança—.
—Sim, eu lembro—.
Ele olhou de volta para o meu rosto. —Eu não vou mais te cortar no meio, Bella—.
Eu entendi o que ele estava dizendo. Ele estava dizendo que me amava mais, que a desistência dele provava isso. Eu queria defender Edward, dizer a Jacob que Edward faria a mesma coisa se eu quisesse, se eu o deixasse fazer. Era eu que não queria renunciar à minha reivindicação sobre ele. Mas não havia necessidade de começar uma discussão que só o magoaria mais.
Eu fechei os olhos, desejando a mim mesma que controlasse a dor. Eu não ia impor isso a ele.
Ele ficou quieto por um momento. Ele parecia estar esperando que eu dissesse alguma coisa; eu estava tentando pensar em alguma coisa pra dizer.
—Posso te dizer qual é a pior parte disso?—, ele perguntou hesitantemente quando eu não disse nada. —Você se importa? Eu vou ser bonzinho—.
—Isso vai ajudar?—, eu sussurrei.
—Pode ser. Não pode machucar—.
—Então, qual é pior parte?—
—A pior parte é saber o que teria sido—.
—O que poderia ter sido—. Eu suspirei.
—Não—, Jacob balançou a cabeça. —Eu sou exatamente certo pra você, Bella. Teria sido fácil pra nós - confortável, fácil como respirar. Eu era o caminho natural que a sua vida teria tomado...— Ele olhou para o espaço por um momento, e eu esperei. —Se o mundo fosse do jeito que devia ser, se não houvessem monstros e nem magia...—
Eu podia ver o que ele via, e eu sabia que ele estava certo. Se o mundo fosse o lugar são que devia ser, Jacob e eu teríamos ficado juntos. E nós teríamos sido felizes. Ele era a minha alma gêmea nesse mundo - e ainda teria sido a minha alma gêmea se ele não tivesse sido obscurecido por algo mais forte, uma coisa tão forte que não podia existir no mundo racional.
Será que havia isso pra Jacob também? Alguma coisa que trunfasse uma alma gêmea? Eu tinha que acreditar que sim.
Dois futuros, duas almas gêmeas... demais pra uma pessoa só. E era muito injusto que eu não fosse a única a pagar o preço por isso. A dor de Jacob era um preço alto demais. Vacilando com o pensamento do preço, eu me perguntei se teria tomado outro caminho, se Edward não tivesse ido embora. Se eu não soubesse como era viver sem ele. Eu não tinha certeza. Aquele conhecimento era uma parte muito profunda de mim, e eu não conseguia imaginar como me sentiria sem ela.
—Ele é como uma droga pra você, Bella— A voz dele ainda era gentil, nem um pouco crítica. —Eu vejo que você não consegue viver sem ele agora. É tarde demais. Mas eu teria sido mais saudável pra você. Não uma droga; eu teria sido o ar, o sol—.
O canto da minha boca virou pra cima em um meio sorriso saudoso. —Eu costumava pensar em você desse jeito, sabe. Como o sol. Meu sol particular. Você equilibrava bem as nuvens pra mim—.
Ele suspirou. —Das nuvens eu posso cuidar. Mas eu não posso lutar com um eclipse—.
Eu toquei o rosto dele, descansando a minha mão na bochecha dele. Ele exalou sob o meu toque e fechou os olhos. Tudo ficou muito quieto. Por um minuto, eu pude ouvir as batidas do coração dele, lentas e uniformes.
—Me diga qual é a pior parte pra você—, ele sussurrou.
—Essa pode ser uma má ideia—
—Por favor—
—Eu acho que vai doer—.
—Por favor?—
Como eu podia negar alguma coisa a ele nesse ponto?
—A pior parte...— eu hesitei, e aí deixei as palavras fluírem, numa fonte de verdade. —A pior parte é que eu vi a coisa toda - a nossa vida inteira. Eu queria muito, Jake, eu queria tudo. Eu quero ficar bem aqui e não me mover nunca. Eu quero te amar e te fazer feliz. E eu não posso, e isso está me matando. É como Sam e Emily, Jake - eu nunca tive uma escolha. Eu sempre soube que nada mudaria. Talvez fosse por isso que eu lutei tanto contra você—.
Ele pareceu estar se concentrando em respirar uniformemente.
—Eu sabia que não devia ter dito isso—.
Ele balançou a cabeça lentamente.
—Não. Eu estou feliz que você tenha dito. Obrigado—, ele beijou o topo da minha cabeça, e aí suspirou. —Eu vou ser bonzinho agora—.
Eu olhei pra cima, e ele estava sorrindo.
—Então, você vai se casar, huh?—
—Nós não temos que falar sobre isso—.
—Eu gostaria de saber alguns dos detalhes. Eu não sei quando vou falar com você de novo—.
Eu tive que esperar por um minuto antes de falar. Quando eu tinha absoluta certeza de que a minha voz não ia se partir, eu respondi a pergunta dele.
—Não foi minha ideia de verdade... mas, sim. Significa muito pra ele. Eu me pergunto, porque não?—
Jake balançou a cabeça dele. —É verdade. Não é uma coisa tão grande - em comparação'.
A voz dele estava muito calma, muito prática. Eu encarei ele, curiosa pra saber como ele estava se virando, e isso arruinou tudo. Ele encontrou meus olhos por um segundo, e aí virou a cabeça dele. Eu esperei pra falar até que a respiração dele estava sob controle.
—Sim. Em comparação—, eu concordei.
—Quanto tempo nós ainda temos?—
—Isso depende de quanto tempo Alice leva pra organizar um casamento—, eu suprimi um gemido, imaginando o que Alice faria.
—Antes ou depois?—, ele perguntou baixinho.
Eu sabia o que ele queria dizer. —Depois—.
Ele balançou a cabeça. Isso era um alívio pra ele. Eu imaginei quantas noites de insônia o pensamento da minha formatura havia dado a ele.
—Você está assustada?—, ele sussurrou.
—Sim—, eu sussurrei de volta.
—Do que você tem medo?— Agora eu mal podia ouvir a voz dele. Ele estava olhando para as minhas mãos.
—Muitas coisas— Eu trabalhei pra deixar a minha voz mais leve, mas continuei honesta.
—Eu nunca fui muito masoquista, então, eu não estou muito ansiosa pela dor. E eu queria que houvesse alguma forma de manter ele longe - eu não quero que ele sofra comigo, mas eu não acho que haja outro jeito. Também há Charlie, e Renée... E aí depois, eu espero ser capaz de me controlar cedo. Talvez eu seja uma ameaça tão grande que o bando vai ter que me destruir—.
Ele me olhou com uma expressão desaprovadora. —Eu daria uma paralisia a qualquer um dos meus irmãos que tentasse—.
—Obrigada—.
Ele sorriu sem vontade. Aí ele fez uma careta. —Mas isso não é mais perigoso que isso? Em todas as histórias, eles dizem que é difícil demais... eles perdem o controle... as pessoas morrem...— Ele engoliu seco.
—Não, eu não estou com medo disso. Jacob bobo - você não sabe que não deve acreditar em histórias de vampiros?—
Ele obviamente não apreciou a minha tentativa de humor.
—Bem, de qualquer jeito, muita coisa pra se preocupar. Mas no fim, vale a pena—.
Ele balançou a cabeça sem vontade, e eu sabia que não tinha jeito de ele concordar comigo.
Eu estiquei o meu pescoço pra sussurrar no ouvido dele, descansando a minha bochecha contra a pele quente dele. —Você sabe que eu te amo—.
—Eu sei—, ele respirou, os braços dele se apertando automaticamente ao redor da minha cintura. —Você sabe o quanto eu queria que isso fosse suficiente—.
—Sim—.
—Eu sempre estarei esperando dos lados, Bella—, ele prometeu, deixando seu tom leve e afrouxando os braços. Eu me afastei com uma sensação entorpecente, arrastada, de perda, sentindo a separação rasgante enquanto eu deixava uma parte de mim para trás, lá na cama ao lado dele. —Você sempre vai me ter como segunda opção se quiser—.
Eu fiz um esforço pra sorrir. —Até que o meu coração pare de bater—.
Ele sorriu de volta. —Sabe, eu acho que ainda vou aceitar você - talvez. Eu acho que vai depender do quanto você vai feder—.
—Eu devo voltar pra te ver? Ou você preferiria que eu não viesse?—
—Eu vou pensar nisso e te avisar—,ele disse. —Eu posso precisar de companhia pra evitar ficar louco. O vampiro cirurgião extraordinário disse que eu não posso me transformar até que ele diga que está tudo bem - isso pode estragar a forma como os meus ossos estão arrumados—. Jacob fez uma cara.
—Seja bonzinho e faça o que Carlisle disser pra fazer. Você vai melhorar mais rápido—.
—Claro, claro—.
—Eu me pergunto quando vai acontecer—, eu disse. —Quando a garota certa vai te chamar a atenção—.
—Não tenha grandes esperanças, Bella— A voz de Jacob estava amarga de repente. —Apesar de que eu estou certo de que isso seria um alívio pra você—.
—Talvez, talvez não. Eu provavelmente vou achar que ela não é boa o suficiente pra você. Eu me pergunto o quão ciumenta eu vou ser—.
—Essa parte pode ser meio divertida—, ele admitiu.
—Me avise quando você quiser que eu volte, e eu estarei aqui—, eu prometi.
Com um suspiro, ele virou a bochecha na minha direção.
Eu me inclinei e beijei o rosto dele suavemente. —Te amo, Jacob—
Ele riu levemente. —Te amo mais—.
Ele me observou sair do quarto dele com uma expressão insondável em seus olhos pretos.

17 comentários:

  1. Jacob, pq vc tem que ser tão perfeito? T.T

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    1. Legal o quão ambígua essa frase pode ser O.o kk

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  3. Seriam um belo casal ,as ainda prefiro o Edward !

    Assi: Apaixonada por livros.

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  4. Seria um casal fofo...se o Edward(argh,nem quero pensar nisso)não existisse.

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  5. Gustavo-filho de hades21 de abril de 2016 20:51

    Ka eu amo seu blog e me desculpe por estar corrigindo mas e igual a sensação de corrigir um professor eu acho q tem um erro nessa parte
    "..., porque não?"
    Nao seria separado?
    E q deus vc e filha??

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    1. Sim, é separado. Mas aquele momento em que... ué, lembro de ter mandado esse livro para revisão. Ele não deveria estar tão bagunçado assim... vou corrigir.
      Sou filha de Atena :) e normal, eu vivia corrigindo os professores quando criança, não tinha papas na língua ehuaeuaheuheu

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    2. Gustavo-filho de hades9 de setembro de 2016 20:35

      2 amo corrigir a d mat
      Vlw kkkkkkk

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  6. Como Bella pensou , Jacob seria a alma gêmea dela se o mundo fosse normal.
    Amo tanto Jacob quanto Edward, mais sem dúvida para esse mundo que Bella vive Edward é sua alma gêmea.

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  7. Eu só acho q ela tá sendo meio piriguete e meio cafajeste demais, diz que ama um e tá noiva, e vai visitar o outro pra dizer q ama tb, se lascar, me desculpem, mas fiquei com raiva dela agir desse jeito, parece que tá traindo o Edward, 'nam', e eu achei q o Edward tinha que ser um pouquinho mais duro com ela.

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    1. Tbm acho, anônimo. Na minha visão Bella é muito estúpida, fica ferindo os sentimentos de Edward. Fico muito puta quando ela não deixa Jacob seguir o caminho dele.

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    2. Concordo completamente Franciene

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  8. Bela é uma menina estupida,ignorante... não pensa se vai ou n magoar Edward. Ainda por cima pede pa Jacob a beija uma pessoa q ama otra n pede pra terceiros fica a beijando. Ela realmente n merece Edward.
    SÓ ACHO.

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  9. Ele era a minha alma gêmea nesse mundo - e ainda teria sido a minha alma gêmea se ele não tivesse sido obscurecido por algo mais forte, uma coisa tão forte que não podia existir no mundo racional.

    EU TIVE UM PIRIPAQUE COM ESSA PARTE BELLA COM CCERTEZA TEM PROBLEMA NA CCABEÇA COMO ELA PODE FALAR ISSO ? AFG

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  10. Eu ainda não entendi o motivo de eu estar chorando nesse capítulo.

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