25 de setembro de 2015

Capítulo 25 - Espelho

Eu forcei os meus olhos - que estavam congelados e arregalados com o choque - a se moverem pra que eu não pudesse examinar tão de perto o objeto oval que foi arrancado da raiz com os seu cabelos tremulo e ígneo.
Edward estava em movimento de novo. Rápido e friamente profissional, ele desmembrou o cadáver sem cabeça.
Eu não podia ir até ele - eu não conseguia fazer os meus pés responderem; eles estavam travados à pedra embaixo deles. Mas eu estudei a ação a cada minuto, procurando por qualquer evidência de que ele tivesse sido machucado. O meu coração diminuiu a um ritmo mais saudável quando eu não encontrei nada. Ele estava tão leve e gracioso como sempre. Eu não podia nem sequer ver um rasgão nas roupas dele.
Ele não olhou pra mim - onde eu estava grudada à parede do penhasco, horrorizada - enquanto ele empilhava os membros trêmulos e os cobria com gravetos secos.Ele ainda não encontrou o meu olhar chocado enquanto ele se embrenhou na floresta procurando por Seth.
Eu não tive tempo pra me recuperar antes que ele e Seth estivessem de volta, Edward com os braços cheios de Riley. Seth estava carregando um volume grande - o tórax - em sua boca. Eles adicionaram seu fardo à pilha, e Edward puxou um triângulo prateado do seu bolso. Ele abriu o isqueiro a gás e segurou a chama na madeira seca. Ela acendeu imediatamente; línguas longas de fogo laranja lamberam rapidamente a pilha.
—Pegue todos os pedaços—, Edward disse numa voz baixa pra Seth.
Juntos, o vampiro e o lobisomem vasculharam o local, ocasionalmente atirando pedaços pequenos de caroços brancos de pedra nas chamas. Seth manuseou os pedaços com seus dentes. O meu cérebro não estava funcionando bem o suficiente pra entender porque ele não mudava de volta pra uma forma com mãos.
Edward manteve seus olhos no trabalho.
E aí eles tinham acabado, e a pilha grande estava mandando uma grossa fumaça asfixiante em direção ao céu.
A fumaça grossa se curvava lentamente, parecendo ser mais sólida do que devia; ela tinha cheiro de incenso queimando, e o cheiro era desconfortável. Ele era pesado, muito forte.
Seth fez aquele som de risada de novo, no fundo do seu peito.
Um sorriso de abriu no rosto tenso de Edward.
Edward esticou o braço, e curvou a mão no punho. Seth deu um sorriso, revelando a longa fileira de dentes afiados, e bateu o seu nariz na mão de Edward.
—Belo trabalho em equipe—, Edward murmurou.
Seth tossiu uma risada.
Aí Edward respirou fundo, e se virou lentamente pra me olhar.
Eu não entendi a expressão dele. Os olhos dele estavam cautelosos como se eu fosse outro inimigo - mais que cautelosos, eles estavam com medo. E mesmo assim, ele não demonstrou medo nenhum quando enfrentou Victoria e Riley... A minha mente estava travada, tão pasma e inútil quanto o meu corpo. Eu encarei ele, desnorteada.
—Bella, amor—, ele disse no tom mais suave, caminhando em minha direção com lentidão exagerada, as mãos dele estavam pra cima, com as palmas viradas pra frente. Ofuscada como eu estava, isso me lembrou estranhamente de um suspeito se aproximando do policial, mostrando que ele não estava armado...
—Bella, você pode soltar a pedra, por favor? Cuidadosamente. Não se machuque—.
Eu tinha esquecido da minha arma crua, apesar de ter me dado conta de que eu estava segurando ela com tanta força que a minha mão estava gritando em protesto. Será que ela estava re-quebrada? Dessa vez Carlisle com certeza ia colocar um gesso.
Edward hesitou a alguns metros de mim, as mãos dele ainda no ar, os olhos dele ainda amedrontados.
Eu levei alguns segundos pra lembrar de como os meus dedos funcionavam. Aí a rocha resvalou no chão, enquanto a minha mão ficou congelada na mesma posição.
Edward relaxou um pouco quando as minhas mãos estavam vazias, mas não se aproximou mais.
—Você não precisa ter medo, Bella—, Edward murmurou. —Você está a salvo. Eu não vou te machucar—.
Essa promessa sem sentido só me confundiu ainda mais. Eu encarei ele como uma imbecil, tentando entender.
—Tudo vai ficar bem, Bella. Eu sei que você está amedrontada agora, mas está acabado. Ninguém vai te machucar. Eu não vou te tocar. Eu não vou te machucar—, ele disse de novo.
Meus olhos piscaram furiosamente, e eu encontrei minha voz. —Porque você fica dizendo isso?—
Eu dei um passo instável em direção a ele, e ele se inclinou pra longe do meu avanço.
—O que há de errado?—, eu sussurrei. —O que você quer dizer?—
—Você está...— de repente seus olhos dourados estavam tão confusos quanto eu me sentia. —Você não está com medo de mim?—
—Medo de você? Porque?—
Eu dei outro passo pra frente, e aí tropecei em alguma coisa - provavelmente meus próprios pés. Edward me pegou, e eu enterrei meu rosto no peito dele e comecei a soluçar.
—Bella, Bella, eu lamento. Está acabado, está acabado—.
—Eu estou bem—, eu ofeguei. —Eu estou bem. Eu só estou. Enlouquecendo. Me dê. Um minuto.—
Os braços dele se apertaram ao meu redor. —Eu lamento—, ele murmurou, de novo e de novo.
Eu me apertei a ele até que eu pudesse respirar, a aí eu estava beijando ele - seu peito, seu ombro, seu pescoço - todas as partes dele que eu conseguia alcançar. Lentamente, o meu cérebro começou a funcionar de novo.
—Você está bem?—, eu quis saber entre os beijos. —Ela te machucou?—
—Eu estou absolutamente bem—, ele prometeu, enterrando o rosto no meu cabelo.
—Seth?'
Edward gargalhou. —Mais que bem. Muito feliz consigo mesmo, na verdade—.
—Os outros? Alice, Esme? Os lobos?—
—Todos bem. Está acabado lá também. Foi tudo tão calmo quanto eu te prometi. Nós ficamos com o pior aqui—.
Eu me deixei absolver isso por um momento, deixei isso afundar e se ajustar na minha cabeça.
Minha família e meus amigos estavam a salvo. Victoria nunca mais viria atrás de mim. Estava acabado.
Nós todos íamos ficar bem.
Mas eu não conseguia aceitar completamente as boas notícias enquanto estava tão confusa.
—Me diga—, eu insisti. —Porque você achou que eu estaria com medo de você?—
—Eu lamento—, ele disse, se desculpando mais uma vez - pelo quê? Eu não fazia ideia.
—Lamento tanto. Eu não queria que você visse aquilo. Que me visse daquele jeito. Eu sei que eu devo ter te deixado aterrorizada—.
Eu tive que pensar nisso por um minuto, sobre a forma hesitante com a qual ele havia se aproximado de mim, com as mãos pro ar. Como se eu fosse sair correndo se ele se aproximasse rápido demais...
—Sério?—, eu perguntei finalmente. —Você... o que? Pensou que tinha me assustado?— Eu bufei. Bufar era bom; a voz não podia tremer e nem falhar enquanto você bufava. Eu pareci impressionantemente despreocupada.
Ele colocou a mão embaixo do meu queixo e colocou a minha cabeça pra trás pra ler o meu rosto.
—Bella, eu só -— ele hesitou e aí forçou as palavras a saírem - —Eu acabei de arrancar a cabeça e desmembrar uma criatura viva a menos de vinte metros de você. Isso não incomoda você?—
Ele fez uma careta pra mim.
Eu levantei os ombros. Levantar os ombros era bom também. Bem blasé. —Na verdade não. Eu só estava com medo de que você e Seth pudessem se machucar. Eu queria ajudar, mas não havia muito que eu pudesse fazer...—
A expressão repentinamente lívida dele fez a minha voz desaparecer.
—Sim—, ele disse, seu tom entrecortado. —Sua pequena performance com a pedra. Você sabia que por pouco não me deu um ataque do coração? E isso não é a coisa mais fácil de se fazer—.
O seu olhar furioso fez com que fosse difícil responder.
—Eu queria ajudar... Seth estava machucado...—
—Seth só estava fingindo que estava machucado, Bella. Era um truque. E aí você...!— Ele balançou a cabeça, incapaz de terminar. —Seth não podia ver o que você estava fazendo, então eu tive que intervir. Agora Seth está um pouco aborrecido porque agora não pode dizer que foi uma batalha solo—
—Seth estava... fingindo?—
Edward balançou a cabeça duramente.
—Oh.—
Nós dois olhamos pra Seth, que estava nos ignorando de propósito, observando as chamas. Presunção radiava de todos os fios do pêlo dele.
—Bem, eu não sabia disso—, eu disse, agora na ofensiva. —Não é fácil ser a única pessoa indefesa por perto. Espere até que eu seja uma vampira! Da próxima vez eu não vou ficar sentada nos cantos—.
Uma dúzia de emoções passou pelo rosto dele e ele acabou ficando divertido. —Da próxima vez? Você está antecipando outra guerra em breve?—
—Com a minha sorte? Quem sabe?—
Ele revirou os olhos, mas eu podia ver que ele estava voando - o alívio estava fazendo com nós dois ficássemos com as cabeças leves. Estava acabado.
Ou... estava?
—Espere. Você não disse alguma coisa antes - ?— Eu vacilei, lembrando exatamente o que havia acontecido antes - o que eu ia dizer pra Jacob? Meu coração rachado correu pra uma batida dolorosa, incômoda. Era difícil de acreditar, quase impossível, mas a parte mais difícil desse dia não estava atrás de mim - e aí eu continuei.
—Sobre uma complicação? E Alice tendo que ajustar os horários pra Sam? Você disse que seria apertado. O que ia ser apertado?—
Os olhos de Edward voltaram pra Seth, e eles trocaram um olhar carregado.
—Bem?—, eu perguntei.
—Não é nada, de verdade—, Edward disse rapidamente. —Mas nós precisamos ir...—
Ele começou a posicionar nas costas dele, mas eu enrijeci e me afastei.
—Defina nada—.
Edward pegou meu rosto entre suas palmas. —Nós só temos um minuto, então não entre em pânico, tudo bem? Eu te disse que não haviam motivos pra ter medo. Confie em mim, por favor?—
Eu balancei a cabeça, tentando esconder o horror repentino - quão mais eu podia aguentar antes de ter um colapso? —Não há motivo pra ter medo. Entendi—
Ele torceu os lábios por um segundo, decidindo o que dizer. E aí ele olhou abruptamente pra Seth, como se o lobo tivesse chamado por ele.
—O que ela está fazendo?— Edward perguntou.
Seth choramingou; era um som ansioso, inquieto.
Ele fez os cabelos da minha nuca se arrepiarem.
Tudo ficou em um silêncio de morte por um segundo sem fim.
E aí Edward ficou sem fôlego. —Não!— e uma das mãos dele voou como se fosse pra pegar alguma coisa que eu não podia ver. ——Não -!—
Um espasmo balançou o corpo de Seth, e um uivo, empolado de agonia, escapou dos seus pulmões.
Edward caiu de joelhos nesse exato momento, agarrando os lados da cabeça dele com as duas mãos, o rosto dele contorcido de dor.
Eu gritei uma vez com um terror desnorteado, e caí de joelhos ao lado dele. Estupidamente, eu tentei puxar as mãos dele do seu rosto; as minhas palmas, brilhando de suor, escorregavam da pele de mármore dele.
—Edward! Edward!—
Os olhos dele se focaram em mim; com um esforço óbvio, ele separou seus dentes trincados.
—Está tudo bem. Nós vamos ficar bem. É -— Ele parou e gemeu de novo.
—O que está acontecendo?— eu chorei enquanto Seth uivou angustiado.
—Nós estamos bem. Nós vamos ficar bem—, Edward resfolegou. —Sam - ajude ele -—
E eu me dei conta nesse instante, quando ele disse o nome de Sam, que ele não estava falando de si mesmo e de Seth. Nenhuma força desconhecida estava atacando eles. Dessa vez, a crise não era aqui.
Ele estava usando o plural do bando.
Eu havia me queimado com toda a minha adrenalina. Já não restava nada mais de mim. Eu caí, e Edward me pegou antes que eu pudesse atingir as rochas. Ele ficou de pé, comigo em seus braços.
—Seth!— Edward gritou.
Seth estava curvado, ainda tenso de agonia, parecendo que estava se preparando pra se lançar floresta à dentro.
—Não!— Edward ordenou. —Você vai direto pra casa. Agora. O mais rápido que você puder!—
Seth choramingou, balançando a cabeça de um lado pro outro.
—Seth. Confie em mim—.
O enorme lobo olhou pra os olhos agoniados de Edward por um longo segundo, e aí ele se endireitou e voou para as árvores, desaparecendo como um fantasma.
Edward me apertou com força contra o seu peito, e aí nós também estávamos correndo pela floresta sombria, tomando um caminho diferente do lobo.
—Edward—, eu forcei a sair pela minha garganta bloqueada. —O que aconteceu, Edward? O que aconteceu com Sam? Onde estamos indo? O que está acontecendo?—
—Nós temos que voltar para a clareira—, ele me disse com uma voz baixa. —Nós sabíamos que havia uma boa probabilidade disso acontecer. Mais cedo essa manhã, Alice viu isso e passou de Sam pra Seth. Os Volturi decidiram que era hora de interceder—.
Os Volturi.
Era demais. A minha mente se recusava a entender o sentido das palavras, fingia que eu não conseguia entender.
As árvores passavam voando por nós. Ele estava correndo abaixo tão rápido que eu sentia como se estivéssemos levitando, perdendo o controle.
—Não entre em pânico. Eles não estão vindo por nós. É só o contingente normal da guarda que geralmente limpa esse tipo de bagunça. Nada importante, eles só estão fazendo seu trabalho. É claro, eles parecem ter planejado o timing de sua chegada muito cuidadosamente. O que me leva a acreditar que ninguém na Itália teria sentido muito se um desses recém-nascidos tivessem reduzido o tamanho da família Cullen— As palavras saíram entre os dentes dele, duras e inexpressivas. —Eu vou saber com certeza o que eles estavam pensando quando eles chegarem na clareira—.
—É por isso que estamos voltando?—, eu sussurrei. Será que eu podia lidar com isso? Imagens de robes flutuantes se grudaram na minha cabeça contra a minha vontade, e eu me separei delas. Eu estava perto do ponto final.
—É parte da razão. Em grande parte, será mais seguro se nós apresentarmos uma frente unida a esse ponto. Eles não tem motivos pra nos atacar, mas... Jane está com eles. Se ela soubesse que estávamos em algum lugar, longe dos outros, isso podia tentar ela. Como Victoria, Jane provavelmente vai adivinhar que eu estou com você. Demetri, é claro, está com ela. Ele podia me encontrar, se Jane pedisse isso a ele—.
Eu não queria pensar nesse nome. Eu não queria ver aquele rosto impressionantemente primoroso, infantil, na minha cabeça. Um som estranho saiu da minha garganta.
—Shh, Bella, shh. Vai ficar tudo bem. Alice consegue ver isso—.
Alice podia ver? Mas... então onde estavam os lobos? Onde estava o bando?
—O bando?—
—Eles tiveram que ir embora rapidamente. Os Volturi não honram tréguas com lobisomens—.
Eu ouvi a minha respiração ficar mais alta, mas eu não consegui controlá-la. Eu comecei a asfixiar.
—Eu juro que eles ficarão bem—, Edward me prometeu. —Os Volturi não reconhecerão o cheiro - eles não se darão conta de que os lobos estão aqui; essa não é uma espécie com a qual eles estão familiarizados. O bando ficará bem—.
Eu não consegui processar a explicação dele. A minha concentração estava aos trapos por causa do medo. Nós vamos ficar bem, ele havia dito antes... e Seth, uivando de agonia... Edward tinha evitado a minha primeira pergunta, me distraiu com os Volturi...
Eu estava muito próxima do limite - me segurando com as pontas dos dedos.
As árvores estavam passando por ele como um vulto ao redor dele, como água de jade.
—O que aconteceu?—, eu sussurrei de novo. —Antes. Quando Seth estava uivando? Quando você estava machucado?—
Edward hesitou.
—Edward! Me diga!—
—Está tudo acabado—, ele sussurrou. Eu mal conseguia ouvir ele com todo o vento que a velocidade dele criava. —Os lobos não contaram a metade deles... eles acharam que já haviam destruído todos. É claro, Alice não pôde ver...—
—O que aconteceu?!—
—Um dos recém-nascidos estava se escondendo... Leah encontrou ele - ela estava sendo estúpida, convencida, tentando provar alguma coisa. Ela cercou ele sozinha...—
—Leah—, eu repeti, e eu estava fraca demais pra me sentir envergonhada pelo alívio que tomou conta de mim. —Ela vai ficar bem?—
—Leah não se machucou—, Edward murmurou.
Eu encarei ele por um longo segundo.
Sam - ajude ele - Edward tinha ofegado. Ele, não ela.
—Estamos quase lá—, Edward disse, e ele olhou para um ponto fixo no céu.
Automaticamente, os meus olhos seguiram os dele. Havia uma nuvem escura roxa pairando baixa acima das árvores. Mas estava tão anormalmente ensolarado... Não, não uma nuvem - eu reconheci a coluna grossa de fumaça, assim como aquela no nosso acampamento.
—Edward, eu disse, minha voz quase inaudível. —Edward, alguém se machucou—.
Eu tinha ouvido a agonia de Seth, visto a tortura no rosto de Edward.
—Sim—, ele sussurrou.
—Quem?—, eu perguntei, apesar, é claro, de que eu já sabia a resposta.
É claro que eu sabia. É claro.
As árvores estavam ficando mais lentas ao nosso redor enquanto nos aproximávamos do nosso destino.
Ele levou um longo momento pra responder.
—Jacob—, ele disse.
Eu fui capaz de balançar a cabeça uma vez.
—É claro—, eu sussurrei.
E aí eu escorreguei do limite ao qual eu estava me segurando dentro da minha cabeça.
Tudo ficou preto.

Primeiro eu fiquei consciente das mãos frias me tocando. Mais do que um par de mãos. Braços me segurando, uma palma curvada pra levantar a minha bochecha, dedos alisando a minha testa, e mais dedos pressionados levemente na minha cintura.
Aí eu tive consciência das vozes. No início elas só estavam cochichando, e aí elas aumentaram de volume e clareza, como se alguém estivesse aumentando um rádio.
—Carlisle - já se passaram cinco minutos— A voz de Edward, ansiosa.
—Ela vai acordar quando estiver pronta, Edward—, a voz de Carlisle, sempre calma e segura. —Ela teve que lidar com muitas coisas hoje. Deixe que ela proteja sua mente por si só—.
Mas a minha mente não estava protegida. Eu estava presa no conhecimento que não havia me deixado, mesmo na inconsciência - a dor que era parte da escuridão.
E me senti totalmente desconectada do meu corpo. Como se eu estivesse aprisionada a alguma outra parte do meu cérebro, que já não estava sob controle. Mas eu não podia fazer nada em relação a isso. Eu não conseguia pensar. A agonia era forte demais pra isso. Não havia como escapar dela.
Jacob.
Jacob.
Não, não, não, não, não...
—Alice, quanto tempo nós temos?— Edward quis saber, a voz dele ainda estava tensa; as palavras tranquilizadoras de Carlisle não haviam ajudado.
De mais distante, a voz de Alice. Era um chispado brilhante. —Mais cinco minutos. E Bella vai abrir os olhos em trinta e sete segundos. Eu não duvidaria que ela estivesse nos ouvindo agora—.
—Bella, querida?— Essa era a voz suave, reconfortante de Esme. —Você consegue me ouvir? Você está a salvo agora querida—.
Sim, eu estava a salvo. Isso realmente importava?
Aí haviam lábios frios no meu ouvido, e Edward estava falando as palavras que me permitiram escapar da tortura que havia me aprisionado dentro da minha própria cabeça.
—Ele vai sobreviver, Bella. Jacob Black está se curando enquanto eu falo. Ele ficará bem—.
Enquanto a dor e o medo se acalmavam, eu encontrei meu caminho de volta para o meu corpo. As minhas pálpebras levitaram.
—Oh, Bella—, Edward suspirou aliviado, e os lábios dele tocaram os meus.
—Edward—, eu sussurrei.
—Sim, eu estou aqui—.
Eu fiz minhas pálpebras se abrirem, e eu olhei para o dourado cálido.
—Jacob está bem?—, eu perguntei.
—Sim—, ele prometeu.
Eu procurei em seus olhos algum sinal de que ele estava tentando me acalmar, mas eles estavam perfeitamente claros.
—Eu mesmo o examinei—, Carlisle falou; eu virei minha cabeça pra encontrar o rosto dele, apenas alguns centímetros distante. A expressão de Carlisle estava séria e tranquilizadora ao mesmo tempo. Duvidar dele era impossível. —A vida dele não correr nenhum risco. Ele estava se curando a uma velocidade incrível, apesar de que os ferimentos dele serem extensos o suficiente pra que ele leve alguns dias pra estar de volta ao normal, mesmo se a velocidade de sua cura for estabilizada. Assim que acabarmos aqui, eu vou ver o que posso fazer por ele. Sam está tentando fazer com que ele volte a sua forma humana. Isso fará com que seja mais fácil tratá-lo— Carlisle sorriu um pouco. —Eu nunca estive na escola de veterinária—.
—O que aconteceu com ele?—, eu sussurrei. —Os ferimentos foram muito ruins?—
O rosto de Carlisle estava sério de novo. —Outro lobo estava com problemas -—
—Leah—, eu respirei.
—Sim. Ele tirou ela do caminho, mas não teve tempo de defender a si mesmo. O recém-nascido passou os braços ao redor dele. A maioria dos ossos de seus lado direito foram quebrados—.
Eu vacilei.
—Sam e Paul chegaram lá a tempo. Ele já estava melhorando quando eles o levaram de volta para La Push—.
—Ele vai voltar ao normal?—, eu perguntei.
—Sim, Bella. Ele não terá nenhum dano permanente—.
Eu respirei fundo.
—Três minutos—, Alice disse baixinho.
Eu lutei, tentando ficar na vertical. Edward se deu conta do que eu estava tentando fazer e me ajudou a ficar de pé.
Eu olhei para a cena à minha frente.
Os Cullen estavam em um semi-círculo frouxo ao redor de uma fogueira. Já era difícil ver alguma chama, apenas a fumaça grossa, de um roxo escuro. Se espalhando como uma doença contra a grama brilhante. Jasper era o que estava mais perto da névoa de aparência sólida, em sua sombra, a pele dele não brilhava no sol tanto quanto a pele dos outros brilhava. Ele estava de costas pra mim, os ombros dele estavam tensos, seus braços um pouco estendidos. Havia mais alguma coisa, na sombra dele. Alguma coisa sobre a qual ele estava se curvando com cautelosa intensidade...
Eu estava entorpecida demais pra sentir mais do que um choque moderado quando eu me dei conta do que era.
Haviam oito vampiros na clareira.
A garota estava curvada em uma pequena bola ao lado das chamas, seus braços estavam ao redor de suas pernas. Ela era muito jovem. Mais jovem que eu - ela parecia ter talvez quinze anos, tinha cabelos escuros e ralos. Os olhos dela estavam focados em mim, e as íris eram de um vermelho chocante, brilhante. Muito mais brilhantes que os de Riley, quase cintilantes. Eles se moviam selvagemente, fora de controle.
Edward viu a minha expressão desnorteada.
—Ela se rendeu—, ele me disse baixinho. —Isso é uma coisa que eu nunca vi antes. Apenas Carlisle pensou em oferecer. Jasper não aprova—.
Eu não podia retirar os meus olhos da cena ao lado fogo. Jasper estava esfregando ausentemente seu antebraço.
—Jasper está bem?—, eu sussurrei.
—Ele está bem. O veneno coça—.
—Ele foi mordido?—, eu perguntei, horrorizada.
—Ele estava tentando estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Na verdade, ele estava tentando certeza de que Alice não tivesse nada pra fazer—. Edward balançou a cabeça. —Alice não precisa da ajuda de ninguém—.
Alice fez uma careta na direção do seu verdadeiro amor. —Bobo super-protetor—.
A jovem fêmea jogou a cabeça pra trás de repente como um animal e lamentou ruidosamente.
Jasper rosnou pra ela e ela se afastou, mas os dedos dela se enterraram no chão como se fossem garras e a cabeça dela balançava pra frente e pra trás, angustiada.
Jasper deu um passo em direção a ela, se curvando ainda mais. Edward se moveu com uma casualidade excedida, virando seu corpo até que ele estava entre a garota e eu. Eu dei uma espiada ao redor do braço dele pra observar a garota e Jasper.
Carlisle estava ao lado de Jasper em um instante. Ele colocou uma mão restringente no braço de seu filho mais recente.
—Você mudou de ideia, minha jovem?— Carlisle perguntou, calmo como sempre. —Nós não queremos destruir você, mas se você não se controlar, nós iremos—.
—Como vocês conseguem aguentar isso?— a garota rosnou numa voz alta, clara. —Eu quero ela—. As íris escarlates brilhantes se focaram em Edward, através dele, além dele pra mim, e as unhas dela se enterraram no solo duro novamente.
—Você deve aguentar— Carlisle disse gravemente pra ela. —Você precisa exercitar o controle. É possível, e é a única coisa que te salvará agora.—
A garota agarrou a cabeça com as mãos sujas de terra, gemendo baixo.
—Não devíamos nos distanciar dela?—, eu sussurrei, me agarrando ao braço de Edward.
Os lábios da garota se ergueram sobre seus dentes quando ela ouviu a minha voz, a expressão dela estava atormentada.
—Nós temos que ficar aqui—, Edward murmurou. —Eles estão vindo pelo lado Norte da clareira nesse momento—.
O meu coração começou a saltar enquanto eu vasculhava a clareira, mas eu não conseguia ver nada além da nuvem grossa de fumaça.
Depois de um segundo de procura infrutífera, o meu olhar voltou para a jovem fêmea vampira. Ela ainda estava olhando pra mim, seus olhos meio-loucos.
Eu encontrei o olhar da garota por um longo momento. Um cabelo escuro na altura do queixo emoldurava o rosto dela, que era pálido cor de alabastro. Era difícil dizer se as feições dela eram bonitas, contorcida como elas estavam de raiva e de sede. Seus olhos vermelhos ferinos eram dominantes - era difícil desviar o olhar. Ela me olhou furiosamente, estremecendo e se estorcendo a cada segundo.
Eu encarei ela, hipnotizada, me perguntando se eu estaria olhando pra um espelho de mim mesma no futuro.
Aí Carlisle e Jasper começaram a voltar para o resto de nós. Emmett, Rosalie, e Esme, todos se convergiram apressadamente ao redor de onde Edward estava com Alice e eu. Uma frente unida, como Edward havia dito, comigo no coração, no lugar mais seguro.
Eu desviei a minha atenção da garota selvagem para procurar pelos monstros que se aproximavam.
Não havia nada pra ver. Eu olhei pra Edward, e os olhos dele estava travados diretamente à frente. Eu tentei seguir o olhar dele, mas não havia nada além da fumaça - uma fumaça densa, oleosa, se torcendo baixo no chão, se erguendo preguiçosamente, ondulando sobre a grama.
Ela se ondulava para a frente, mais escura no meio.
—Hmm—, uma voz morta murmurou da névoa. Eu reconheci aquela apatia imediatamente.
—Bem-vinda, Jane—, o tom de Edward era friamente cortês.
As formas escuras se aproximaram, se separando da névoa, se solidificando. Eu sabia que seria Jane na frente - o manto mais escuro, quase preto, e a menor figura por quase meio metro.
Eu mal podia ver as feições angelicais de Jane por causa das sombras do capuz.
As quatro figuras vestidas de cinza que vieram atrás dela também eram um tanto familiares. Eu tinha certeza de que reconhecia o maior, e enquanto eu encarava, tentando confirmar as minhas suspeitas, Felix olhou pra cima. Ele deixou seu capuz cair um pouco pra trás pra que eu visse ele piscando e sorrindo pra mim. Edward estava muito imóvel ao meu lado, muito controlado.
O olhar de Jane se moveu lentamente entre os rostos luminosos dos Cullen e tocou a garota recém-nascida ao lado da fogueira; a garota recém-nascida colocou as mãos na cabeça de novo.
—Eu não compreendo—, a voz de Jane estava sem tom, mas não tão desinteressada quanto antes.
—Ela se rendeu—, Edward explicou, respondendo à confusão na cabeça dela.
Os olhos escuros de Jane passaram para o rosto dele. —Se rendeu?—
Felix e outra sombra trocaram um rápido olhar.
Edward levantou os ombros. —Carlisle deu-a a opção—.
—Não existem opções para aqueles que quebram as regras—, Jane disse inexpressivamente.
Carlisle falou aí, a voz dele moderada. —Isso está em suas mãos. Enquanto ela estava disposta a cessar o seu ataque sobre nós, eu não vi nenhuma necessidade de destruí-la. Ela nunca foi ensinada—.
—Isso é irrelevante—, Jane insistiu.
—Como você quiser—.
Jane olhou pra Carlisle consternada. Ela balançou a cabeça minimamente, e aí recompôs suas feições.
—Aro esperava que fôssemos chegar o suficiente a oeste pra vermos você, Carlisle. Ele manda suas saudações—.
Carlisle balançou a cabeça. —Eu apreciaria se você mandasse as minhas pra ele—.
—É claro—, Jane sorriu. O rosto dela era quase adorável demais quando ela estava animada. Ela voltou em direção à fumaça. —Parece que vocês fizeram o nosso trabalho por nos hoje... em grande parte— Os olhos dela passaram para a refém. —Só por curiosidade profissional, quantos eles eram? Eles deixaram um despertar de destruição em Seattle—.
—Dezoito, incluindo essa—, Carlisle respondeu.
Os olhos de Jane se arregalaram, e ela olhou para o fogo de novo, parecendo medir novamente o tamanho dele. Felix e a outra sombra trocaram um olhar mais demorado.
—Dezoito?—, ela repetiu, a voz dela soou incerta pela primeira vez.
—Todos novos—, Carlisle disse disperssadamente. —Eles não tinham habilidade—.
—Todos?—, a voz dela ficou áspera. —Então quem era o criador deles?—
—O nome dela era Victoria— Edward respondeu, nenhuma emoção em sua voz.
—Era?—, Jane perguntou.
Edward inclinou sua cabeça em direção à floresta mais ao leste. Os olhos de Jane levantaram e se focaram em alguma coisa à distância. A outra pilastra de fumaça? Eu não desviei o olhar pra checar.
Jane olhou pra o leste por um longo momento, e aí examinou a fogueira mais próxima novamente.
—Essa Victoria - ela separada desses dezoito aqui?—
—Sim. Só havia mais um com ela. Ele não era tão novo quanto esses aqui, mas não tinha mais de um ano—.
—Vinte—, Jane respirou. —Quem lidou com o criador deles?—
—Fui eu—, Edward disse a ela.
Os olhos de Jane se estreitaram, e ela se virou para a garota ao lado da fogueira.
—Você aí—, ela disse, sua voz morta estava mais áspera do que antes. —Seu nome—.
A garota recém-nascida deu um olhar pra Jane, os lábios dela pressionados com força.
Jane sorriu de volta angelicalmente.
O grito de resposta da garota recém-nascida era muito estridente; o corpo dela se arqueou rigidamente em uma posição distorcida, desnatural. Eu desviei o olhar, lutando com a vontade de cobriu meus ouvidos. Eu trinquei os meus dentes, esperando controlar o meu estômago. O grito se intensificou. Eu tentei me concentrar no rosto de Edward, calmo e sem emoção, mas isso me fez lembrar de quando era Edward quem estava sob o olhar torturante de Jane, e eu me senti pior. Ao invés disso, eu olhei pra Alice, e Esme ao lado dela. Os rostos delas estavam tão vazios quanto o dele.
Finalmente, houve silêncio.
—Seu nome—, Jane disse de novo, sua voz inflexível.
—Bree—, a garota resfolegou.
Jane sorriu, a garota gritou de novo. Eu segurei a respiração até que o som da agonia dela parou.
—Ela te dirá tudo o que você quiser saber— Edward disse através de seus dentes. —Você não precisa fazer isso—.
Jane olhou pra cima, de repente havia humor em seus olhos geralmente mortos. —Oh, eu sei—, ela disse pra Edward, sorrindo maliciosamente pra ele antes de se virar de volta para a jovem vampira, Bree.
—Bree—, Jane disse, sua voz fria de novo. —Essa história é verdade? Haviam vinte dos seus?—
A garota estava caída arquejando, o lado de seu rosto estava pressionado contra a terra. Ela falou rapidamente. —Dezenove ou vinte, talvez mais, eu não sei!— Ela vacilou, aterrorizada que a ignorância dela pudesse trazer outra rodada de tortura. —Sara e um outro que eu não sei o nome se meteram em uma briga no caminho...—
—E essa Victoria - ela criou vocês?—
—Eu não sei—, ela disse, se arqueando de novo. —Riley nunca disse o nome dela. Naquela noite eu não vi... estava tão escuro, e doeu... —Bree estremeceu. —Ele não queria que fôssemos capazes de pensar nela. Ele disse que os nossos pensamentos não eram seguros...—
Os olhos de Jane olharam pra Edward, e depois de volta para a garota.
Victoria havia planejado isso bem. Se ela não tivesse seguido Edward, nunca haveria uma forma de saber que ela tinha estado envolvida...
—Me fale sobre Riley—, Jane disse. —Porque ele te trouxe aqui?—
—Riley nos disse que nós tínhamos que destruir os estranhos de olhar amarelos aqui— Bree tagarelou rapidamente e com vontade. —Ele disse que seria fácil. Ele disse que essa cidade era deles, e que eles estavam vindo pra nos pegar. Ele disse que quando eles tivessem ido embora, todo o sangue seria nosso. Ele nos deu o cheiro dela— Bree levantou uma mão e apontou um dedo em minha direção. —Ele disse que nós saberíamos quando tivéssemos encontrado o grupo certo, porque ela estaria com eles. Ele disse que quem quer que a encontrasse primeiro, podia ficar com ela—.
Eu ouvi a mandíbula de Edward se flexionar ao meu lado.
—Parece que Riley entendeu errado a parte de ser fácil—, Jane notou.
Bree balançou a cabeça, parecendo aliviada por essa conversa ter tomado um curso não doloroso. Ela se sentou cuidadosamente. —Eu não sei o que aconteceu. Nós nos separamos, mas os outros nunca voltaram. E Riley nos deixou, e não voltou pra nos ajudar como havia prometido. E aí foi tão confuso, e todo mundo estava em pedaços—. Ela estremeceu de novo. —Eu estava com medo. Eu queria fugir. Aquele ali— - ela olhou pra Carlisle - —disse que não me machucaria se eu parasse de lutar—.
—Ah, mas esse não era um presente a se oferecer, minha jovem—, Jane murmurou, a voz dela estranhamente gentil agora. —Regras quebradas pedem por uma consequência—.
Bree encarou ela, sem compreender.
Jane olhou pra Carlisle. —Você tem certeza de que pegaram todos eles? A outra parte que se separou?—
O rosto de Carlisle estava muito calmo enquanto ele balançava a cabeça. —Nós nos dividimos também—.
Jane deu um meio sorriso. —Eu não posso negar que estou impressionada—. As grandes sombras atrás dela murmuraram concordando. —Eu nunca vi um grupo escapar intacto dessa magnitude de ataque. Vocês sabem o que estava por trás disso? Esse parece ser um comportamento extremo, considerando a forma como vocês vivem aqui. E porque a garota era a chave?— Os olhos dela descansaram em mim sem vontade por um breve segundo.
Eu estremeci.
—Victoria queria vingança contra Bella— Edward disse a ela, sua voz estava impassiva.
Jane riu - o som era dourado, a risada borbulhante de uma criança feliz. —Essa aí parece trazer fortes reações bizarras àqueles da nosso espécie—, ela observou, sorrindo diretamente pra mim, o rosto dela beatífico.
Edward enrijeceu. Eu olhei pro rosto dele na hora de ver o rosto dele se virando, de volta pra Jane.
—Você poderia por favor não fazer isso?—, ele perguntou com uma voz apertada.
Jane riu levemente de novo. —Só checando. Aparentemente, nenhum dano causado—.
Eu estremeci, profundamente grata que aquela estranha falha no meu sistema - que me protegeu de Jane na última vez que nos encontramos - ainda fazia efeito. Os braços de Edward se apertaram ao me redor.
—Bem, aparentemente não tem muito mais que possamos fazer. Estranho— Jane disse, a apatia estava de volta à voz dela. —Nós não estamos acostumados a ser movidos desnecessariamente. Que pena que nós perdemos a luta. Parece que ela teria sido uma coisa muito divertida de se assistir—
—Sim—, Edward respondeu rapidamente, a voz dele afiada. —E vocês estavam tão perto. É uma pena que vocês não chegaram meia hora adiantados. Talvez assim vocês tivessem concluído o seu propósito aqui—.
Jane encontrou os olhos de Edward e o olhar dela não vacilou. —Sim. Realmente uma pena a forma como as coisas acabaram, não é?—
Edward balançou a cabeça uma vez pra si mesmo, as suspeitas dele estavam confirmadas.
Jane se virou pra olhar para a recém-nascida Bree de novo, o rosto dela estava completamente enfadado. —Felix?—, ela chamou.
—Espere—, Edward interviu.
Jane ergueu uma sobrancelha, mas Edward estava olhando pra Carlisle enquanto falava numa voz urgente. —Nós poderíamos explicar as regras para a jovem. Ela não parece estar sem vontade de aprender. Ela não sabia o que estava fazendo.—
—É claro—, Carlisle respondeu. —Nós certamente estaríamos preparados pra tomar a responsabilidade por Bree—.
A expressão de Jane estava dividida entre diversão e descrença.
—Nós não fazemos exceções—, ela disse. —E nós não damos segundas chances. É ruim para a nossa reputação. O que me lembra...— De repente, os olhos dela estavam em mim de novo, e seu rosto de querubim sorridente. —Caius vai ficar tão interessado em ouvir que você ainda é humana, Bella. Talvez ele decida que vai fazer uma visita—.
—A data está marcada— Alice disse a Jane, falando pela primeira vez. —Talvez a gente vá visitar vocês em alguns meses—
O sorriso de Jane desapareceu, e ela ergueu os ombros com indiferença, sem nunca olhar pra Alice. Ela se virou pra olhar pra Carlisle. —Bom bom conhecê-lo, Carlisle - eu pensei que Aro estava exagerando. Bem, até nos vermos novamente...—
Carlisle balançou a cabeça, a expressão dele estava doída.
—Cuide disso, Felix—, Jane disse, acenando com a cabeça na direção de Bree, a voz dela estava pingando de enfado. —Eu quero ir pra casa—.
—Não olhe—, Edward sussurrou no meu ouvido.
Eu estava ansiosa para seguir a instrução dele. Eu havia visto mais do que o suficiente por hoje - mais do que o suficiente por uma vida. Eu apertei os meus olhos com força e virei o meu rosto na direção do peito de Edward.
Mas eu ainda podia ouvir.
Houve um rosnado profundo, estrondoso, e aí um barulho alto e estridente que era horrivelmente familiar. Aquele som se cortou rapidamente, e aí o único som era o de coisas se quebrando e se partindo.
Edward esfregou as mão ansiosamente nos meus ombros.
—Venham—, Jane disse, e eu olhei pra cima pra ver as costas dos altos mantos cinzas indo embora em direção à fumaça encaracolada. O cheiro de incenso ficou forte de novo - fresco.

Os mantos cinzas desapareceram dentro da névoa grossa.

11 comentários:

  1. Veyyy eu acho a Jane mt foda *----*

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    1. Minha personagem favorita pela parte dos volturi <3 -N

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    2. conserteza ela é muito fofa

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  2. Ela é fofa e malvada ao mesmo tempo amo a jane

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  3. Pq a Jane conquista tds nós? Deve ser essa coisa de vampiro...minha segunda favorita dos Volturi, sendo o primeiro, o Caius <3

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  4. A Jane é mt foda velho....Essa garota tem poder

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  5. Jane é muito foda ...mas ela me faz lembrar da noiva do thwike o boneco assasino kkkkkk

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  6. que foda e que perversidade de JANE que personagem fantastica

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  7. Eu sei que o nome verdadeiro da Jane é Dakota alguém sabe o sobrenome dela?

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  8. 1. Como vcs sabem disso?
    2. Precisava desmaiar Bella?
    Gu

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