25 de setembro de 2015

Capítulo 24 - Decisão repentina

Eu fiquei deitada com o rosto pra baixo no saco de dormir, esperando que a justiça me encontrasse. Talvez uma avalanche me enterrasse aqui. Eu desejei que acontecesse. Eu nunca mais queria ter que ver o meu rosto no espelho de novo.
Não houve nenhum som pra me avisar. Do nada, as mãos frias de Edward alisaram o meu cabelo embolado. Eu estremeci de culpa embaixo do toque dele.
—Você está bem?—, ele murmurou, sua voz ansiosa.
—Não. Eu quero morrer—.
—Isso não vai acontecer nunca. Eu não vou permitir.—
Eu gemi e aí sussurrei, —Você pode mudar de ideia sobre isso—.
—Onde está Jacob?—
—Ele foi lutar—, eu murmurei para o chão.
Jacob tinha deixado o acampamento alegremente - com um alegre —eu vou voltar— - correndo a galope para a clareira, já estremecendo enquanto ele se preparava pra se transformar em seu outro ser. A essa altura o bando inteiro já sabia de tudo. Seth Clearwater, vagando do lado de fora da tenda, era uma testemunha íntima da minha desgraça.
Edward ficou em silêncio por um longo momento. —Oh—, ele disse finalmente.
O tom da voz dele me deixou preocupada que a avalanche não estivesse chegando rápida o suficiente. Eu dei uma olhada para o rosto dele, e certamente, os olhos dele estavam desfocados enquanto ele escutava uma coisa que eu preferia morrer a que ele ouvisse. Eu deixei meu rosto cair de volta no chão.
Eu fiquei aturdida quando Edward gargalhou relutantemente.
—E eu pensava que eu lutava sujo—, ele disse com admiração invejosa. —Ele me faz parecer com os santo patrono dos éticos—, a mão dele alisou a parte da minha bochecha que estava exposta. —Eu não estou com raiva de você, amor. Jacob é mais esperto do que eu tinha acreditado que ele fosse. No entanto, eu gostaria que você não tivesse pedido—.
—Edward—, eu sussurrei através do nilon grosso. —Eu... eu... eu tô -—
—Shh—, ele me calou, os dedos dele calmantes na minha bochecha. —Não foi isso que eu quis dizer. É só que ele teria te beijado de qualquer jeito - mesmo se você não tivesse caído nessa - e agora eu não tenho desculpa pra quebrar a cara dele. Eu teria gostado disso também—.
—Caído nessa?—, eu murmurei quase incompreensivelmente.
—Bella, você realmente acreditou que ele era nobre? Que ele sairia numa chama de glória só pra deixar o caminho livre pra mim?—
Eu levantei a minha cabeça lentamente pra encontrar o olhar paciente dele. A expressão dele era suave, os olhos dele estavam cheios de compreensão, e não da repulsão que eu merecia ver.
—Sim, eu acreditei nisso—, eu murmurei, e depois desviei o olhar. Mas eu não sentia nenhuma raiva de Jacob por ter me enganado. Não havia espaço suficiente no meu corpo pra conter mais nada além da raiva que eu sentia de mim mesma.
Edward riu suavemente de novo. —Você é uma péssima mentirosa, que você acredita em qualquer um que tenha o mínimo de habilidade—.
—Você não está com raiva de mim?—, eu sussurrei. —Porque você não me odeia? Ou você ainda não ouviu a história inteira?—
—Eu acho que dei uma olhada bem compreensiva—, ele disse com uma voz leve, fácil. —Jacob faz imagens mentais vívidas. Eu quase me sinto tão mal pelo bando dele quanto eu me sinto por mim mesmo. O pobre Seth estava ficando nauseado. Mas agora Sam está fazendo Jacob se concentrar—.
Eu fechei os meus olhos e balancei minha cabeça agoniada. As fibras de nilon afiadas da tenda arranhavam a minha pele.
—Você é apenas humana—, ele sussurrou, alisando o meu cabelo de novo.
—Essa é a defesa mais miserável que eu já ouvi—.
—Mas você é humana, Bella. E, por mais que eu queira que seja de outra forma, ele também é... Existem buracos na sua vida que eu não posso preencher. Eu compreendo isso—.
—Mas isso não é verdade. É isso que me faz sentir horrível. Não existem buracos—.
—Você ama ele—, ele murmurou gentilmente.
Todas as células no meu corpo doíam pra negar.
—Eu te amo mais—, eu disse.
Isso era o melhor que eu podia fazer.
—Sim, eu sei disso também. Mas... quando eu deixei você, Bella, eu te deixei sangrando. Foi Jacob que te costurou de novo. Isso tinha chance de deixar marcas - em vocês dois. Eu não tenho certeza de que esse pontos se dissolvem sozinhos. Eu não posso te culpar por uma coisa que eu tornei necessária. Eu posso ganhar perdão, mas isso não me deixa escapar das consequências—.
—Eu devia saber que você ia encontrar alguma forma de culpar a si mesmo. Por favor, pare. Eu não aguento—.
—O que você gostaria que eu dissesse?—
—Eu quero que você me chame de todos os nomes ruins em que conseguir pensar, em todas as línguas que você conhecer. Eu quero que você me diga que está com nojo de mim e que vai embora pra eu poder implorar e rastejar de joelhos pra que você fique—.
—Eu lamento—, ele suspirou. —Eu não posso fazer isso—.
—Pelo menos pare de tentar fazer com que eu me sinta melhor. Me deixe sofrer. Eu mereço—.
—Não—, ele murmurou.
Eu balancei a cabeça lentamente. —Você está certo. Continue sendo compreensivo. Isso provavelmente é pior—.
Ele ficou em silêncio por um momento, e eu senti uma mudança na atmosfera, uma nova urgência.
—Está chegando perto—, eu declarei.
—Sim, mais alguns minutos agora. Só tempo suficiente pra dizer mais uma coisa...—
Eu esperei. Quando ele finalmente falou de novo, ele estava cochichando. —Eu posso ser nobre, Bella. Eu não vou fazer você escolher entre nós dois. Só seja feliz, e você pode ter a parte de mim que você quiser, ou nenhuma delas, se isso for o melhor. Não deixe que nenhum débito que você acha que tem comigo influenciar na sua decisão—.
Eu me empurrei do chão, me jogando nos meus joelhos.
—Droga, pare com isso!—, eu gritei pra ele.
Os olhos dele se arregalaram de surpresa. —Não - você não entende. Eu não estou apenas tentando fazer você se sentir melhor, Bella, eu estou falando sério—.
—Eu sei que está—, eu rosnei. —O que aconteceu com lutar de volta? Não comece com o auto-sacrifício nobre agora! Lute!—
—Como?—, os olhos dele estavam envelhecidos de tristeza.
Eu me arrastei para o colo dele, jogando meus braços ao seu redor.
—Eu não me importo que seja frio aqui. Eu não me importo que eu esteja fedendo como um cachorro agora. Me faça esquecer o quanto eu sou horrível. Me faça esquecer ele. Me faça esquecer meu próprio nome. Lute de volta!—
Eu não esperei que ele decidisse - ou que tivesse a chance de dizer que não estava interessado em um monstro cruel, descrente como eu. Eu me empurrei contra ele e esmaguei a minha boca em seus lábios frios como neve.
—Cuidado, amor—, ele murmurou sob meu beijo urgente.
—Não—, eu rosnei.
Ele afastou o meu rosto gentilmente alguns centímetros. —Você não tem que provar nada pra mim—.
—Eu não estou tentando provar nada. Você disse que eu podia ter a parte de você que eu quisesse. Eu quero essa parte. Eu quero todas as partes— eu passei meu braços pelo pescoço dele e me estiquei pra alcançar seus lábios. Ele abaixou a cabeça pra me beijar de volta, mas a boca fria dele ficava mais hesitante enquanto a minha impaciência ficava mais pronunciada. O meu corpo estava tornando as minhas intenções claras, me traindo. Inevitavelmente, as mãos dele se moveram pra me restringir.
—Talvez esse não seja o melhor momento pra isso—, ele sugeriu, calmo demais pro meu gosto.
—Porque não?—, eu rosnei. Não havia nenhum ponto em lutar se ele ia ser racional; eu deixei meus braços caírem.
—Primeiro, porque está frio—. Ele se inclinou pra puxar o saco de dormir do chão; ele o passou ao meu redor como se fosse um cobertor.
—Errado—, eu disse. —Primeiro, porque você é bizarramente moral pra um vampiro—.
Ele gargalhou. —Tudo bem, eu te dou essa. O frio é a segunda. E terceiro... bem, na verdade você está fedendo, amor—.
Ele torceu o nariz.
Eu suspirei.
—Quarto—, ele murmurou, baixando o rosto até que ele estivesse sussurrando no meu ouvido. —Nós vamos tentar, Bella. Eu vou cumprir a minha promessa. Mas eu preferiria muito que isso não fosse uma reação a Jacob Black—.
Eu bajulei e escondi meu rosto no ombro dele.
—E quinto...—
—Essa é uma lista bem longa—, eu murmurei.
Ele riu. —Sim, mas você queria ouvir a luta ou não?—
Enquanto ele falava, Seth uivou estridentemente.
Meu corpo enrijeceu com o som. Eu não tinha me dado conta de que a minha mão esquerda tinha se curvado no punho, as unhas perfurando a minha mão com o curativo, até que Edward a pegou e gentilmente acalmou os dedos.
—Tudo vai ficar bem, Bella—, ele prometeu. —Nós temos habilidade, treinamento, e a surpresa ao nosso lado. Estará acabado muito em breve. Se eu não acreditasse nisso verdadeiramente, eu não estaria aqui agora - e você estaria aqui, acorrentada em uma dessas árvores ou algo ao longo dessas linhas—.
—Alice é tão pequena—, eu gemi.
Ele gargalhou. —Esse podia ser um problema... se fosse possível alguém agarrar ela.—
Seth começou a choramingar.
—O que há de errado?—, eu quis saber.
—Ele só está com raiva por estar preso aqui conosco. Ele sabe que o bando o tirou da ação pra protegê-lo. Ele está salivando pra se juntar a eles—.
Eu fiz uma careta na direção geral de Seth.
—Os recém-nascidos alcançaram o fim do rastro - funcionou como um feitiço, Jasper é um gênio - e eles sentiram o cheiro dos que estão na clareira, então, agora eles estão se separando em dois grupos, assim como Alice disse—, Edward murmurou, os olhos dele estavam focados em alguma coisa distante. —Sam está nos levando pra começar a emboscada—. Ele estava tão atento no que estava ouvindo que usou o plural com o bando.
De repente ele olhou pra baixo pra mim. —Respire, Bella—.
Eu lutei pra fazer o que ele pedia. Eu podia ouvir a respiração ofegante de Seth bem do lado de fora da parede da tenda, e eu tentei manter os meus pulmões no mesmo passo uniforme, pra que eu não hiperventilasse.
—O primeiro grupo está na clareira. Nós podemos ouvir a luta—.
Os meus dentes se prenderam uns aos outros.
Ele riu uma vez. —Nós conseguimos ouvir Emmett - ele está se divertindo—.
Eu fiz eu mesma respirar fundo novamente com Seth.
—O segundo grupo está se preparando - eles não estão prestando atenção, eles ainda não nos ouviram—.
Edward rosnou.
—O que foi?—, eu ofeguei.
—Eles estão falando sobre você— Os dentes dele se trincaram. —Eles devem ter certeza de que você não vai escapar... Belo movimento, Leah! Mmm, ela é bem rápida—,ele murmurou aprovando. —Um dos recém-nascidos sentiu o nosso cheiro, e Leah o derrubou antes mesmo que ele pudesse se viram. Sam está ajudando ela a acabar com ele. Paul e Jacob pegaram outro, mas agora os outros estão na defensiva. Eles não têm ideia do que fazer conosco. Os dois lados estão se defendendo... não, deixe Sam liderar. Fique fora do caminho.—, ele murmurou. —Separe eles - não deixem que eles protejam as costas um do outro—.
Seth choramingou.
—Isso é melhor, leve eles em direção à clareira—, Edward aprovou. O corpo dele estava mudando de posição inconscientemente enquanto ele falava, se enrijecendo com os movimentos que ele teria feito. As mãos dele ainda seguravam as minhas; eu torci os meus dedos através dos dele. Pelo menos ele não estava lá.
A breve ausência de som foi o único aviso.
A respiração pesada de Seth se cortou, e - como eu havia sincronizado a minha respiração com a dele - eu reparei.
Eu parei de respirar também - assustada demais até pra respirar quando eu me dei conta de que Edward havia se transformado em uma pedra de gelo ao meu lado.
Oh, não. Não. Não.
Quem havia pedido? Os deles ou os nossos? Meus, todos os meus. Qual era a minha perda?
Tão rapidamente que eu não tive exatamente certeza de como havia acontecido, eu estava de pé e a tenda estava caindo em trapos rasgados aos meus pés. Edward havia estraçalhado pra tirá-la do caminho? Porque?
Eu pisquei, chocada, para a luz brilhante. Seth era tudo o que eu podia ver, bem ao nosso lado, o rosto dele a apenas seis centímetros do de Edward. Eles olharam um para o outro em absoluta concentração por um segundo interminável.
O sol cintilava na pele de Edward e fazia brilhos dançarem no pêlo de Seth.
E aí Edward sussurrou urgentemente. —Vai, Seth!—
O enorme lobo se virou e desapareceu nas sombras da floresta.
Será que dois segundos inteiros haviam se passado? Pareciam ter sido horas. Eu estava aterrorizada a ponto de me sentir nauseada pelo conhecimento de que alguma coisa tinha dado errado na clareira. Eu abri minha boca pra mandar que Edward me levasse até, e que o fizesse agora. Eles precisavam dele, precisavam de mim. Se eu tivesse que sangrar pra salvá-los, eu faria isso. Eu morreria por isso, como a terceira esposa fez. Eu não tinha uma adaga de prata na mão, mas eu daria um jeito -
Antes que eu pudesse botar a primeira sílaba pra fora, eu me senti como se estivesse sendo lançada no ar. Mas as mãos de Edward nunca me soltaram - eu só estava sendo movida, tão rapidamente que eu estava com a sensação de que estava voando de lado.
Eu encontrei a mim mesma com as costas pressionadas contra a face do penhasco. Edward estava na minha frente, usando uma postura que eu reconheci imediatamente.
O alívio dominou a minha mente ao mesmo tempo que o meu estômago caiu até a sola dos meus pés.
Eu tinha entendido errado.
Alívio - nada tinha dado errado na clareira.
Horror - a crise era aqui.
Edward ficou numa posição defensiva - meio curvado, os braços dele um pouco estendidos - que eu reconheci com uma certeza doentia. A pedra nas minhas costas podia ser uma parede de tijolos antiga da ruela Italiana onde ele havia ficado entre mim e os guerreiros Volturi com seus mantos pretos.
Alguma coisa estava vindo por nós.
—Quem?—, eu sussurrei.
As palavras saíram por entre os dentes dele em um rosnado que era mais alto do que eu esperava. Alto demais. Isso significava que era tarde demais pra se esconder. Nós estávamos encurralados, e não importava quem ouvisse a resposta dele.
—Victoria—, ele disse, cuspido a palavra, fazendo com que ela fosse um xingamento.
—Ela não está sozinha. Ela sentiu o meu cheiro, seguindo os recém-nascidos pra assistir - ela nunca teve a intenção de lutar ao lado deles. Ela fez uma decisão repentina de vir me encontrar, achando que você estaria onde eu estivesse. Ela estava certa. Você estava certa. Sempre foi Victoria—.
Ela estava perto o suficiente pra que ele pudesse ouvir os seus pensamentos.
Alívio de novo. Se tivessem sido os Volturi, nós dois estaríamos mortos. Mas Victoria não precisava ser nós dois. Edward podia sobreviver a isso. Ele era um bom lutador, tão bom quanto Jasper. Se ela não trouxesse muitos outros, ele podia lutar pra escapar, pra voltar pra sua família. Edward era mais rápido que qualquer um. Ele podia conseguir.
Eu estava tão feliz por ele ter mandado Seth embora. É claro, não havia ninguém a quem Seth pudesse recorrer por ajuda. Victoria tomou a sua decisão com um timing perfeito. Mas pelo menos Seth estava a salvo; eu não podia pensar no enorme lobo cor de areia enquanto pensava no nome dele - só o garotinho de quinze anos de idade.
O corpo de Edward mudou de posição - apenas minimamente, mas isso me disse pra onde olhar. Eu olhei para as sombras negras da floresta.
Era como ter os meus pesadelos vindo em minha direção pra me cumprimentar.
Dois vampiros entraram lentamente na pequena abertura do nosso campo, com os olhos atentos, sem perder nada. Eles reluziram como diamantes no sol.
Eu mal podia olhar para o garoto loiro - sim, ele era só um garoto, apesar de ser musculoso e alto, talvez ele tivesse a minha idade quando foi mudado. Os olhos dele -do vermelho mais vívido que eu já havia visto - não conseguiram segurar os meus. Apesar dele ser o mais próximo de Edward, o perigo mais próximo, eu não consegui olhar ele.
Porque, um metro ao lado e alguns centímetros mais atrás, Victoria estava me encarando.
O cabelo laranja dela era mais brilhante do que eu lembrava, mais parecido com uma chama. Não havia vento aqui, mas o fogo ao redor do rosto dele se movia levemente, como se estivesse vivo.
Os olhos dela estavam pretos de sede. Ela não estava sorrindo, como fazia sempre nos meus pesadelos - os lábios dela estavam pressionados em uma linha dura. Havia uma qualidade felina na forma como ela curvava o seu corpo, uma leoa esperando por uma oportunidade de dar o bote. O seu olhar selvagem, indescansável passava entre Edward e eu, mas nunca parou nele por mais de meio segundo. Ela não conseguia manter os olhos dela longe do meu rosto por mais tempo do que eu conseguia manter os meus longe do dela.
A tensão saia rolando dela, quase visível no ar. Eu podia sentir o desejo, a paixão consumidora que a segurava em seus braços. Quase como se eu também pudesse ouvir os pensamentos dela, eu sabia o que ela estava pensando.
Ela estava tão próxima do que ela queria - o foco de toda a existência dela por mais de um ano, agora estava tão perto.
Minha morte.
O plano dela era tão óbvio como era prático. O grande garoto loiro atacaria Edward. Assim que Edward estivesse suficientemente distraído, Victoria acabaria comigo.
Seria rápido - ela não tinha tempo pra jogos aqui - mas seria completo. Uma coisa da qual seria impossível se recuperar. Alguma coisa que nem o veneno dos vampiros poderia reparar.
Ela teria que parar o meu coração. Talvez uma mão enfiada no meu peito, destruindo ele. Alguma coisa seguindo essas linhas.
O meu coração batia furiosamente, alto, como se fosse pra fazer o alvo ser mais óbvio.
A uma imensa distância ao longe, o uivo de um lobo ecoou no ar parado. Com Seth longe, não havia forma de interpretar o som.
O garoto loiro olhou pra Victoria pelo canto dos olhos, esperando pelo comando dela.
Ele era jovem em mais maneiras que uma. Eu imaginei pelas íris rubras dele que ele não podia ser um vampiro a muito tempo. Ele seria forte, mas inapto. Edward saberia como lutar com ele. Edward sobreviveria
Victoria apontou o queixo na direção de Edward, dando uma ordem silenciosa para o garoto ir em frente.
—Riley—, Edward disse com uma voz suave, implorativa.
O garoto loiro congelou, seus olhos se arregalando.
—Ela está mentindo pra você, Riley—, Edward disse a ele. —Me ouça. Ela mentiu pra você assim como ela mentiu para os outros que agora estão morrendo na clareira. Você sabe que ela mentiu pra você, que ela fez você mentir pra eles, que nenhum de vocês dois ia ajudar eles. Será que é tão difícil de acreditar que ela tenha mentido pra você também?—
Confusão atravessou o rosto de Riley.
Edward mudou de posição alguns centímetros para o lado, e Riley automaticamente compensou a diferença mudando também de posição.
—Ela não ama você, Riley—, a voz suave de Edward era atraente, quase hipnótica. —Ela nunca amou. Ela amou alguém chamado James, e você não passa de uma ferramenta pra ela—.
Quando ele disse o nome de James, Victoria colocou os dentes pra fora como se fosse uma careta. Os olhos dela permaneceram travados em mim.
Riley deu uma olhada frenética na direção dela.
—Riley?—, Edward disse.
Riley se reconcentrou automaticamente em Edward.
—Ela sabe que eu vou te matar, Riley. Ela quer que você morra pra que ela não tenha mais que continuar com o fingimento. Sim - você já viu isso, não viu? Você já leu a relutância nos olhos dela, suspeitou da nota falsa das promessas dela. Você estava certo. Ela nunca te quis. Cada beijo, cada toque era uma mentira—.
Edward se moveu de novo, indo alguns centímetros em direção ao garoto, alguns centímetros pra longe de mim.
Os olhos de Victoria se firmaram no espaço entre nós. Levaria menos de um segundo pra me matar - ela precisava apenas da menor margem de oportunidade.
Mais lentamente dessa vez, Riley se reposicionou.
—Você não precisa morrer—, Edward prometeu, os olhos dele segurando os do garoto.
—Existem outras formas de se viver além da que ela te mostrou. Nem tudo são sangue e mentiras, Riley. Você pode ir embora agora mesmo. Você não precisa morrer pelas mentiras dela—.
Edward deslizou o pé para a frente e para o lado. Agora havia um pé de distância entre nós dois.
Riley circulou demais, compensando em excesso dessa vez. Victoria se inclinou para a frente no peito dos pés.
—Última chance, Riley—, Edward sussurrou.
O rosto de Riley estava desesperado enquanto ele olhava pra Victoria pra ter respostas.
—Ele é um mentiroso, Riley—, Victoria disse, e minha boca se abriu com o choque por causa da voz dela. —Eu te falei sobre os truques com mentes deles. Você sabe que eu só amo você—.
A voz dela não era forte, selvagem, um rosnado felino que eu teria imaginado pelo seu rosto e posição. Ela era suave, era alta - um tilitar de bebê, soprano. O tipo de voz que vinha com cachos loiros e um chiclete cor de rosa. Ela não fazia nenhum sentido saindo de seus dentes expostos, brilhantes.
A mandíbula de Riley endureceu, e ele enquadrou os ombros. Os olhos dele esvaziaram - não havia mais confusão, não havia suspeita. Não havia nenhum pensamento. E ficou tenso pra atacar.
O corpo de Victoria parecia estar estremecendo, de tão enrijecida que ela estava. Os dedos dela já eram garras, esperando que Edward se movesse apenas um centímetro pra longe de mim.
O rugido não veio de nenhum deles.
Um mamute bronzeado voou pelo centro da abertura, jogando Riley no chão.
—Não!—, Victoria chorou, a voz de bebê dela esganiçou com a descrença.
A um metro e meio de mim, o enorme lobo despedaçou e estraçalhou o vampiro loiro embaixo dele. Alguma coisa branca e dura bateu nas pedras aos meu pés. Eu me encolhi pra longe dela.
Victoria não desperdiçou um olhar com o garoto ao qual ela havia jurado amor. Os olhos dela ainda estavam em mim, cheios com um desapontamento tão feroz que ela parecia desarranjada.
—Não—, ela disse de novo, através de seus dentes, enquanto Edward começou a se mover em direção a ela, bloqueando o caminho dela pra mim.
Riley já estava de pé de novo, parecendo disforme e desfigurado, mas ele foi capaz de dar um chute violento no ombro de Seth. Eu ouvi o osso quebrar. Seth se afastou e começou a andar em círculos, mancando.
Riley estava com os braços pra fora, preparado, apesar de parecer que ele estava sem parte de uma mão...
A apenas alguns centímetros dessa luta, Edward e Victória estavam dançando.
Não exatamente circulando, porque Edward não estava permitindo que ela se posicionasse mais perto de mim. Ele moveu pra trás, se movendo de um lado pro outro, tentando encontrar um buraco na defesa dele. Ele imitou o trabalho de pés dela levemente, perseguindo ela com uma concentração perfeita. Ele começou a se mexer só uma fração de segundo antes que ela se mexesse, lendo as intenções nos pensamentos dela.
Seth se lançou em Riley pelo lado, e alguma coisa se rasgou com um horrível som de algo guinchando. Outro pedaço de algo grosso e pesado voou pra dentro da floresta e caiu fazendo um som pesado. Riley rosnou furioso, e Seth pulou pra trás - incrivelmente leve com os pés pro tamanho dele - enquanto Riley tentava socá-lo com uma mão mutilada.
Agora Victoria estava voando através dos troncos das árvores na beira mais distante da clareira. Ela estava dividida, os pés dela a guiando para a segurança enquanto os olhos dela se ligavam aos meus como se eu fosse um imã, atraindo ela. Eu podia ver o desejo de matar lutando com o seu instinto de sobrevivência.
Edward também podia ver isso.
—Não vá, Victoria—, ele murmurou naquele mesmo tom hipnótico de antes. —Você nunca terá outra chance como essa—.
Ela mostrou os dentes e assobiou pra ele, mas ela pareceu incapaz de se mover pra mais longe de mim.
—Você sempre pode fugir mais tarde—, Edward ronronou. —Tem bastante tempo pra isso. É isso que você faz, não é? Era por isso que James te mantinha por perto. Útil, se você gosta de jogar esses jogos mortais. Uma parceira com um misterioso instinto pra fugas. Ele não devia ter te deixado - ele podia ter usado as suas habilidades quando nós o pegamos em Phoenix—.
Um rosnado ricocheteou entre os dentes dela.
—No entanto, isso é tudo o que você era pra ele. Que bobagem desperdiçar tanta energia pra vingar uma pessoa que tinha menos afeição a você do que um caçador tem por sua presa. Você nunca foi nada além de conveniente pra ele. Eu sei bem—.
Os lábios de Edward se ergueram em um dos lados enquanto ele cutucava sua têmpora.
Com um grunhido estrangulado, Victoria saiu de dentro das árvores novamente, indo para o lado. Edward respondeu, e eles começaram a dançar de novo.
Bem aí, o pulso de Riley agarrou o flanco de Seth, e um ganido baixo escapou da garganta de Seth. Seth se afastou, os ombros dele se agitando como se ele estivesse tentando sacudir a dor.
Por favor, queria implorar a Riley, mas eu não consegui encontrar os músculos pra fazer minha boca se abrir, pra empurrar o ar dos meus pulmões. Por favor, ele é só uma criança!
Porque Seth não tinha fugido? Porque ele não fugia agora?
Riley estava fechando a distância entre eles de novo, fazendo Seth ir em direção ao penhasco ao meu lado. De repente, Victoria estava interessada no destino do parceiro. Eu podia vê-la, pelo canto dos seus olhos, julgar a distância entre Riley e eu.
Seth se lançou contra Riley, forçando-o a ir pra trás de novo, e Victoria assobiou.
Seth já não estava mais mancando. Os círculos dele o levaram a apenas alguns centímetros de Edward; o rabo dele passou pelas costas de Edward, e os olhos de Victoria se arregalaram.
—Não, ele não vai me machucar—, Edward disse, respondendo à pergunta na cabeça de Victoria. Ele usou a distração dela pra se aproximar mais. —Você nos deu um inimigo em comum. Você nos tornou aliados—.
Ela apertou os dentes, tentando se concentrar apenas em Edward.
—Olhe mais de perto, Victoria—, ele murmurou, colocando limites à concentração dela. —Ele realmente é tão parecido com o monstro que James perseguiu na Sibéria?—
Os olhos dela arregalaram, e aí começaram a passar loucamente de Edward pra Seth pra mim, de novo e de novo.
—Não é o mesmo?— ela rosnou com o seu soprano de menininha. —Impossível!—
—Nada é impossível—, Edward murmurou, com a voz suave como veludo enquanto ele se movia mais um centímetro na direção dela. —Exceto o que você quer. Você num vai tocar ela—.
Ela balançou a cabeça, rápido e bobamente, lutando contra as distrações, e tentou desviar ao redor dele, mas ele já estava no lugar pra bloqueá-la assim que ela pensou no plano. O rosto dela se contorceu de frustração, e aí ela se curvou ainda mais, uma leoa novamente, e veio pra a frente deliberadamente.
Victoria não era uma recém-nascida inexperiente, dirigida pelos instintos. Ela era letal. Até eu podia reparar a diferença entre ela e Riley, e eu sabia que Seth não duraria muito se ele estivesse lutando com essa vampira.
Edward se moveu também, enquanto eles se aproximavam um do outro, e era um leão contra uma leoa.
A dança aumentou de ritmo.
Era como Alice e Jasper na clareira, uma espiral turva de movimentos, só que essa dança não era coreografada com tanta perfeição. Sons agudos de algo se rachando e quebrando ecoavam na face do penhasco toda vez que alguém errava sua formação. Mas eles estavam se movendo rápido demais pra que eu pudesse ver quem estava cometendo os erros...
Riley estava distraído com o ballet violento, seus olhos estavam ansiosos para a sua parceira. Seth atacou, arrancando outro pequeno pedaço do vampiro. Riley berrou e lançou um soco massivo com as costas da mão que pegou Seth em cheio no peito. O corpo enorme de Seth voou dez metros e se bateu na parede de rochas acima da minha cabeça com uma força que pareceu balançar o pico inteiro. Eu ouví o ar escapar dos pulmões dele, e eu saí do caminho enquanto ele se soltou da rocha e colapsou no chão a apenas alguns metros à minha frente.
O choro baixo escapou pelos dentes de Seth.
Fragmentos afiados de pedra cinza caíram na minha cabeça, arranhando a minha pele exposta. Uma estaca afiada de pedra rolou pelo meu braço direito e eu a peguei em um reflexo.
Os meus dedos agarraram o longo fragmento enquanto os meus próprios instintos de sobrevivência se manifestavam; já que não havia nenhum chance de voa, o meu corpo - sem se preocupar com o quanto o gesto era ineficaz - se preparou pra lutar.
A adrenalina corria pelas minhas veias. Eu sabia que a tipóia estava cortando a minha palma. Eu sabia que a minha mão quebrada estava protestando. Eu sabia disso, mas não conseguia sentir a dor.
Atrás de Riley, tudo o que eu podia ver eram as chamas do cabelo de Victoria se contorcendo e um vulto branco. O aumento frequente dos sons metálicos de algo sendo arrancado e torado, e os suspiros e os assobios chocados, deixavam bem claro que a dança estava se tornando mortal para alguém.
Mas alguém quem?
Riley se lançou em direção a mim, seus olhos vermelhos brilhavam de fúria. Ele olhou para a montanha de pêlo cor de areia entre nós, e as mãos dele - as mãos mutiladas, quebradas - se curvaram em garras. A boca dele se abriu, se arregalou, seus dentes brilhando, enquanto ele se preparava pra abrir a garganta de Seth.
Uma segunda onda de adrenalina me chutou como uma corrente elétrica, e de repente tudo ficou claro.
As duas lutas estavam próximas demais. Seth estava prestes a perder a dele, e eu não fazia ideia de se Edward estava ganhando ou perdendo. Eles precisavam de ajuda. Uma distração. Alguma coisa pra dá-los uma chance.
A minha mão segurou a pedra pontiaguda com tanta força que o suporte na tipóia se abriu.
Será que eu era forte o suficiente? Será que eu era corajosa o suficiente? Com quanta força eu podia enfiar a pedra áspera no meu corpo? Será que isso compraria tempo suficiente pra que Seth pudesse ficar de pé novamente? Será que ele se curaria rápido o suficiente pra fazer que o meu sacrifício valesse a pena pra ele?
Eu passei a ponta do fragmento pelo meu braço, colocando o meu suéter grosso pra expor a minha pele, e pressionei a ponta afiada na ponta do meu cotovelo. Eu já tinha longa cicatriz lá pelo meu último aniversário.
Naquela noite, o meu sangue fluindo foi um chamariz para a atenção de todos os vampiros, pra fazê-los congelar no lugar por um instante. Eu rezei pra que funcionasse de novo. Eu me concentrei e respirei fundo.
Victoria se distraiu com o som da minha respiração. Os olhos dela, ficando parados por uma pequeno porção de seguindo, encontraram os meus. Fúria e curiosidade se misturaram estranhamente na expressão dela.
Eu não tinha certeza de como eu havia ouvido o barulho com os outros barulhos ecoando nas rochas e batendo na minha cabeça. As próprias batidas do meu coração deviam ser suficientes pra abafá-lo. Mas na fração de segundo que eu olhei nos olhos de Victoria, eu pensei ter ouvido um suspiro familiar, exasperado.
Nesse mesmo segundo curto, a dança se separou violentamente. Tudo aconteceu tão rapidamente que já tinha terminado antes que eu pudesse acompanhar as sequências dos fatos. Eu tentei atualizar na minha cabeça.
Victoria havia voando pra fora da formação turva e se chocou numa árvore alta, a cerca de meio tronco árvore à cima. Ela caiu de volta na terra e já se posicionou de novo pra saltar.
Simultaneamente, Edward - simplesmente invisível com a velocidade - havia se virado de costas e pegou o braço de Riley, que estava desprevenido. Parecia que Edward tinha plantado o pé nas costas de Riley, e o levantou -
O pequeno acampamento se encheu com o grito penetrante de agonia de Riley.
Ao mesmo tempo, Seth ficou de pé, cortando a maior parte da minha vista.
Mas eu ainda podia ver Victoria. E apesar de que ela parecia estranhamente deformada - como se ela tivesse sido incapaz de se refazer completamente - eu podia ver o sorriso com o qual eu estive sonhando se abrir no rosto dela.
Ela se curvou e saltou.
Alguma coisa pequena e branca assobiou no ar e se colidiu com ela no meio do ar. O impacto pareceu com um explosão, e atirou ela contra outra árvore - mas essa se partiu no meio. Ela já caiu de pé, curvada e pronta, mas Edward já estava no lugar.
O meu coração se encheu de alívio quando eu vi que ele estava ereto e perfeito.
Victoria chutou alguma coisa pra o lado com um movimento do seu pé - o míssil que havia detido o seu ataque. Ele rolou em minha direção, e eu vi o meu era.
O meu estômago revirou.
Os dedos ainda estavam se mexendo; agarrando tufos de grama, o braço de Riley começou a se arrastar sozinho pelo chão.
Seth estava circulando Riley de novo, e agora Riley estava se afastando. Ele se afastou do ataque do lobisomem que se aproximava, o rosto dele estava rígido de dor. Ele ergueu seu único braço defensivamente.
Seth avançou pra Riley, e o vampiro caiu sem equilíbrio. Eu vi Seth enfiar seus dentes no ombro de Riley e arrancá-lo, pulando pra trás de novo.
Com um som metálico de algo se partindo, Riley perdeu seu outro braço.
Seth balançou a cabeça, atirando o braço para a floresta. O barulho de um assobio partido que saiu pelos dentes de Seth parecia uma risada.
Riley gritou num rogo de tortura. —Victoria!—
Victoria nem vacilou com o som do nome dela. Os olhos dela não olharam na direção do parceiro nem uma vez.
Seth se lançou para a frente com a força de uma bola de canhão. A força do ataque lançou Seth e Riley pra dentro das árvores, onde o som metálico de rasgões se igualou aos gritos de Riley. Gritos que foram cortados abruptamente, enquanto o som de uma pedra sendo feita em pedaços continuou.
Apesar de não ter gastado nenhum olhar de despedida com Riley, Victoria pareceu ter se dado conta de que estava sozinha. Ela começou a se afastar de Edward, um desapontamento frenético brilhando em seus olhos. Ele me jogou outro curto, agoniado, olhar de desejo, e aí começou a se afastar mais rapidamente.
—Não—, Edward sussurrou, a voz dele sedutora. —Fique só um pouco mais—.
Ela se virou e voou para o refúgio da floresta como se fosse uma flecha lançada de um arco.
Mas Edward foi mais rápido - uma bala de revólver.
Ele pegou as costas desprotegidas dela na beira das árvore e, com um último, simples passo, a dança estava acabada.
A boca de Edward alisou o pescoço dela uma vez, como uma carícia. Os gritos produzidos pelos esforças de Seth cobriram todos os outros barulhos, então, não houve nenhum som discernível que tornasse aquela uma imagem de violência. Ele podia estar beijando ela.
E aí a confusão ígnea de cabelos já não estava mais conectada com o resto do corpo. As ondas laranjas inquietas caíram no chão, e saltitaram uma vez antes de saírem rolando em direção às árvores.

3 comentários:

  1. Caramba! Não paro de me surpreender com o tanto que as coisas são mais e mais intensas nos livros do que nos filmes! *O* Good lord! I'm gonna have a heart attack!!!!!

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  2. Concordo !

    Assi: Apaixonada por livros.

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  3. Os livros são mil vezes melhor q o filme e no filme eu já achava a bella uma tonta por parecer comigo nos livros eu acho ela ainda mais idiota vontade d dar na cara dela e na minha própria por me identificar cm essa mongol (com exceção da divisão entre Edward e Jake eu me identifico cm essa boboca)

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