24 de setembro de 2015

Capítulo 23 - A verdade

Eu tinha a sensação de que tinha estado dormindo por muito tempo - meu corpo estava rígido, como se eu também não tivesse me mexido nenhuma vez. Minha mente estava confusa e lenta; sonhos estranhos e coloridos - sonhos e pesadelos - rodavam vertiginosamente dentro da minha cabeça. Eles eram tão vívidos. O horrível e o celestial, tudo misturado numa combinação bizarra. Havia uma impaciência aguda e medo, tudo parte de um frustrante sonho onde você não consegue se mexer rápido o suficiente... E haviam muitos monstros, criaturas de olhos vermelhos que eram mais horríveis do que a sua gentil civilidade demonstrava. O sonho ainda estava forte - eu até podia me lembrar dos nomes. Mas a parte mais forte, mais clara do sonho não era a parte de terror. Era o anjo que estava mais claro.
Foi difícil deixá-lo ir e acordar. Esse sonho não queria ser jogado na vala dos meus sonhos que eu costumava esquecer. Eu lutei contra isso enquanto a minha mente ficava mais alerta, me focando na realidade. Eu não conseguia me lembrar de qual era o dia da semana, mas eu tinha certeza de que Jacob ou a escola ou o trabalho ou alguma outra coisa estava esperando por mim. Eu inalei profundamente, me perguntando como encararia outro dia.
Alguma coisa fria tocou a minha testa com a mais leve das pressões. Eu apertei os meus olhos mais ainda. Eu ainda estava sonhando, parecia, e ele parecia ser anormalmente real. Eu estava perto de acordar... a qualquer segundo agora, e ele iria embora.
Mas eu me dei conta de que era real demais, real demais pra ser bom pra mim. Os braços de pedra que eu imaginei passando ao meu redor eram substanciais demais. Se eu deixasse isso ir mais longe, eu ia me arrepender mais tarde. Com um suspiro resignado, eu abri as minhas pálpebras pra dispersar a ilusão.
— Oh! — eu asfixiei, e joguei meus pulsos em cima dos meus olhos. Bem, claramente, eu tinha ido longe demais; deve ter sido um erro ter deixado a minha imaginação ir tão longe. Ok, então — deixar — era a palavra errada. Eu havia forçado ela a sair de controle - eu havia praticamente perseguido as minhas alucinações - e agora minha mente estava sem controle.
Eu levei menos de um segundo pra me dar conta de que, já eu realmente estava louca agora, eu podia muito bem aproveitar as minhas ilusões enquanto elas eram agradáveis.
Eu abri meus olhos de novo - e Edward ainda estava lá, seu rosto perfeito estava a apenas alguns centímetros dos meus.
— Eu assustei você? — Sua voz baixa estava ansiosa. Isso era muito bom, sendo uma ilusão. O rosto, a voz, o cheiro, tudo - era muito melhor do que me afogar. A linda invenção da minha imaginação observou minhas expressões mudarem, alarmado. As íris dele estavam pretas como piche, com manchas que pareciam sombras embaixo dos olhos. Isso me surpreendeu; as minhas ilusões de Edward costumavam estar mais bem alimentadas.
Eu pisquei duas vezes, desesperadamente tentando me lembrar da última coisa que eu tinha certeza que era real. Alice era parte do meu sonho, e eu me perguntei se ela realmente havia voltado, ou se isso era só sonambulismo. Eu pensei que ela havia voltado no dia em, que eu quase me afoguei...
— Oh, droga — eu esganicei. Minha garganta estava grossa pelo sono.
— Qual é o problema, Bella?— Eu fiz uma carranca pra ele infeliz. O rosto dele estava ainda mais ansioso que antes.
— Eu tô morta, não tô? — eu gemi. — Eu me afoguei. Droga, droga, droga! Isso vai matar o Charlie.
Edward fez uma carranca também.
— Você não está morta.
— Então porque é que eu não tô acordando? — Eu desafiei, erguendo minhas sobrancelhas.
— Você está acordada, Bella.
Eu balancei minha cabeça.
— Claro, claro. É isso que você quer que eu pense. E daí vai ser pior quando eu me acordar. Se eu me acordar, o que eu não vou, porque eu estou morta. Isso é horrível. Pobre Charlie. E Renée e Jake...— eu não consegui falar de horror pelo que eu tinha feito.
— Eu consigo entender que você esteja me confundindo com um pesadelo — o meio sorriso dele era severo. — Mas eu não consigo imaginar o que você possa ter feito pra ir para o inferno. Você cometeu muitos assassinatos enquanto eu estava longe?
Eu fiz uma careta.
— Obviamente não. Se eu estivesse no inferno você não estaria comigo.
Ele suspirou. Minha cabeça estava ficando mais clara. Meus olhos se distanciaram do rosto dele - sem vontade - por um segundo, para a janela escura, aberta, e depois de volta pra ele. Eu comecei a me lembrar dos detalhes... eu senti um calor fraco, estranho na pele das minhas bochechas enquanto eu lentamente me dava conta de que Edward realmente, verdadeiramente estava aqui comigo, e eu estava perdendo tempo sendo uma idiota.
— Aquilo tudo realmente aconteceu, então? — Era quase impossível pensar no meu sonhos como sendo verdade. Eu não conseguia fazer a minha cabeça grudar nesse conceito.
— Isso depende — o sorriso de Edward ainda estava duro. — Se você está se referindo a nós quase sendo massacrados na Itália, então, sim.
— Que estranho — eu meditei. — Eu realmente fui à Itália. Você sabia que o mais longe que eu já fui foi a Albuquerque?
Ele revirou os olhos
— Talvez você devesse voltar a dormir. Você não está sendo coerente.
— Eu não estou mais cansada — Tudo estava vindo claramente agora. —Que horas são? Por quanto tempo eu estive dormindo?
— É pouco mais de uma da manhã. Então, por umas catorze horas.
Eu me espreguicei enquanto ele falava. Eu estava tão rígida.
— Charlie? — eu perguntei.
Edward fez uma carranca.
— Dormindo. Você provavelmente devia saber que eu estou quebrando as regras agora. Bem, não tecnicamente, já que ele disse pra nunca mais passar pela sua porta de novo, e eu vim pela janela... Mas, ainda assim, a intenção era clara.
— Charlie te baniu da casa? — Eu perguntei, com descrença que estava rapidamente se transformando em fúria.
Seus olhos estavam tristes.
— Você esperava outra coisa?
Meus olhos estavam raivosos. Eu ia ter umas palavrinhas com o meu pai - talvez essa fosse uma boa hora pra lembrá-lo de que eu já tinha idade legal pra morar sozinha. Isso não importava muito, é claro, exceto no princípio. Logo em breve não haveriam motivos para proibições. Eu levei minha mente para pensamentos não tão dolorosos.
— Qual é a história? — eu perguntei, genuinamente curiosa, mas também tentando desesperadamente manter a conversa casual, pra me manter firmemente sob controle, pra que assim eu não o assustasse com o pedido frenético, que estava se construindo dentro de mim.
— O que você quer dizer?
— O que eu vou dizer pra Charlie? Qual é a minha desculpa pra ter desaparecido por... afinal, por quanto tempo eu estive fora? — eu tentei contar as horas na minha cabeça.
— Só três dias — os olhos dele se apertaram, mas ele sorriu mais naturalmente dessa vez. — Na verdade, eu estava esperando que você tivesse uma boa explicação. Eu não tenho nada.
Eu gemi.
 — Fabuloso.
 — Bem, talvez Alice invente alguma coisa — ele ofereceu, tentando me confortar.
E eu estava confortada. Quem se importava com o que eu teria que lidar depois? Cada segundo que ele estava aqui - tão perto, seu rosto sem falhas brilhando com a luz fraca do meu relógio digital - era precioso e não podia ser desperdiçado.
— Então — eu comecei, escolhendo a pergunta menos importante - apesar de que ainda era vitalmente interessante - pra começar. Eu estava seguramente entregue em casa, e ele podia decidir ir embora a qualquer momento. Eu tinha que manter ele falando. Além do mais, esse paraíso temporário não era inteiramente completo sem o som da voz dele. — O que você esteve fazendo, até antes desses três dias?
O rosto dele se tornou hesitante por um instante.
— Nada terrivelmente excitante.
— É claro que não — eu murmurei.
— Porque você está fazendo essa cara?
— Bem...— eu torci os lábios, considerando. — Se você fosse, afinal, só um sonho, esse é exatamente o tipo de coisa que você diria. Minha imaginação deve estar bagunçada.
Ele suspirou.
— Se eu te contar, você finalmente vai acreditar que não está tendo um pesadelo?
— Pesadelo!— eu repeti com escárnio. Ele esperou pela minha resposta.
— Talvez — eu disse depois de um segundo de pensamento. — Se você me contar.
— Eu estava... caçando.
— Isso é o melhor que você pode fazer? — eu critiquei. — Isso definitivamente não prova que eu estou acordada — Ele hesitou, e depois falou lentamente, escolhendo as palavras com cuidado — Eu não estava caçando comida... Na verdade eu estava testando a minha sorte em... perseguir. Mas eu não sou muito bom nisso.
— O que é que você estava perseguindo? — eu perguntei, intrigada.
— Nada de importante — As palavras dele não combinavam com a sua expressão; ele parecia aborrecido, desconfortável.
— Eu não entendo.
Ele hesitou; seu rosto, brilhando com uma estranha luz verde do relógio, estava dividido.
—Eu —  ele respirou fundo. — Eu te devo desculpas. Não, é claro que eu te devo muito, muito mais do que isso. Mas você precisa saber, — as palavras começaram a fluir rapidamente, do jeito que eu lembrava que ele falava as vezes quando ficava agitado, e eu tive que realmente me concentrar pra entender todas elas — que eu não fazia ideia. Eu não tinha ideia da confusão que estava deixando pra trás. Eu pensei que fosse seguro pra você aqui. Tão seguro. Eu não tinha ideia de que Victória - os lábios dele se curvaram quando ele disse o nome - — ia voltar. Eu vou admitir, quando eu vi ela daquela última vez, eu estava prestando muito mais atenção aos pensamentos de James. Mas eu não vi que ela seria capaz de responder dessa forma. Que ela tinha um laço tão forte com ele. Eu acho que agora me dou conta do porque - ela tinha tanta confiança nele, que o pensamento dele falhar nunca ocorreu a ela. Era a grande confiança que nublava os sentimentos dela por ele - isso evitou que eu visse a profundidade deles, o vínculo que havia ali. Não que isso seja uma desculpa para o que eu te deixei enfrentar. Quando eu ouvi o que você disse a Alice - e o que ela mesma viu - quando eu me dei conta de que você teve que colocar a sua vida na mão daqueles lobisomens, imaturos, voláteis, a única coisa que podia ser pior do que a própria Victória — ele estremeceu e parou o dilúvio de palavras por um curto segundo. — Por favor, saiba que eu não tinha nenhuma ideia de tudo isso. Eu me sinto doente, com toda a minha essência, mesmo agora, quando eu posso ver e sentir você segura nos meus braços. Eu sou a desculpa mais miserável por —
— Pare — eu interrompi ele. Ele olhou pra mim com olhos agoniados, e eu tentei encontrar as palavras certas - as palavras que iam livrá-lo daquela obrigação imaginada que o causava tanta dor. As palavras eram muito difíceis de dizer. Eu não sabia se podia dizê-las sem me quebrar. Eu não queria ser uma fonte de culpa e angústia para a vida dele. Ele devia ser feliz, não importava o que isso me custasse. Eu realmente estava esperando colocar essa parte da conversa pra mais tarde. Isso ia fazer as coisas acabarem muito mais rápido. Baseada em todos os meus meses de prática por tentar ser normal com Charlie, eu mantive o meu rosto suave.
— Edward — eu disse. O nome dele queimou um pouco a minha garganta quando saiu.
Eu podia sentir um fantasma do buraco, esperando pra se abrir de novo assim que ele desaparecesse. Eu não via muito bem como era que eu ia suportar dessa vez.
— Isso tem que parar agora. Você não pode pensar nas coisas desse jeito. Você não pode deixar ... essa culpa... mandar na sua vida. Você não pode se responsabilizar pelas coisas que acontecem comigo. Nada disso é culpa sua, isso é só parte do que a vida é pra mim. Então, se eu tropeçar na frente de um ônibus ou o que quer que aconteça na próxima vez, você tem que se dar conta de que não é o seu trabalho levar a culpa. Você não pode simplesmente sair correndo para a Itália porque se sente mal por não ter me salvado. Mesmo se eu tivesse pulado daquele precipício pra morrer, isso teria sido a minha escolha, e não sua culpa. Eu sei que é... a sua natureza segurar a culpa por tudo, mas você realmente não pode deixar as coisas chegarem a esses extremos! Isso é muito irresponsável - pense em Esme e Carlisle e...
Eu já estava quase perdendo o controle. Eu parei pra respirar fundo, esperando me acalmar. Eu tinha que deixá-lo livre. Eu tinha que ter certeza de que isso nunca mais aconteceria de novo.
— Isabella Marie Swan — ele sussurrou, com a expressão mais estranha cruzando o rosto dele. Ele quase parecia com raiva. —Você acredita que eu pedi que os Volturi me matassem porque eu me sentia culpado?
Eu podia sentir a incompreensão no meu rosto.
— Não foi isso?
— Se eu me sentia culpado? Intensamente. Mais do que você pode compreender.
— Então... o que é que você tá dizendo? Eu não entendo.
— Bella, eu fui até os Volturi porque eu achava que você estivesse morta — ele disse, com a voz macia, com os olhos penetrantes. — Mesmo se eu não tivesse nenhuma responsabilidade pela sua morte — ele tremeu quando disse a última palavra — mesmo se não fosse minha culpa, eu teria ido para a Itália. Obviamente, eu devia ter sido mais cuidadoso - eu devia ter falado diretamente com Alice, ao invés de aceitar uma informação de segunda mão de Rosalie. Mas, realmente, o que é que eu podia pensar quando o garoto disse que Charlie estava no funeral? Quais eram as chances?As chances — ele murmurou depois, distraído. A voz dele estava tão baixa que eu não tinha certeza de que havia ouvido direito. — As chances estão sempre contra nós. Erro após erro. Eu nunca vou criticar Romeu de novo.
— Mas eu ainda não entendo — eu disse. — É disso que eu tô falando. E daí?
— Perdão?
— E daí se eu estivesse morta?
Ele me encarou duvidosamente por um longo momento depois de responder.
— Você não se lembra de nada do que eu te disse antes?
— Eu me lembro de tudo que você me disse — Incluindo as palavras que anularam todo o resto.
Ele passou as pontas dos dedos gelados no meu lábio inferior.
— Bella, você parece ter compreendido mal — Ele fechou os olhos, balançando a cabeça pra frente e pra trás com um meio sorriso no seu lindo rosto. Não era um sorriso feliz. — Eu pensei que já havia explicado isso claramente antes. Bella, eu não posso existir num mundo onde você não exista.
— Eu estou...— minha cabeça nadou enquanto eu procurava pela palavra apropriada. — Confusa — Essa funcionava. Eu não conseguia entender o sentido do que ele estava falando. Ele me olhou dentro dos olhos com um olhar sincero, intenso.
— Eu sou um bom mentiroso, Bella, eu tenho que ser.
Eu congelei, meus músculos se travaram com o impacto. Afina linha no meu peito de abriu; a dor me tirou o fôlego. Ele balançou meu ombro, tentando relaxar a minha postura rígida.
— Me deixe terminar! Eu sou um bom mentiroso, mas ainda assim, pra você acreditar em mim tão rapidamente — ele gemeu. — Aquilo foi... um tormento.
Eu esperei, ainda congelada.
— Quando nós estávamos na floresta, quando eu estava te dizendo adeus..
Eu não me permiti lembrar. Eu lutei pra permanecer apenas no presente momento.
— Você não ia desistir — ele sussurrou. — Eu podia ver isso. Eu não queria fazer isso - eu senti que me mataria fazer isso - mas eu sabia que se eu não te convencesse de que não te amava mais, você ia levar muito mais tempo pra retomar a sua vida. Eu esperava que, se você achasse que eu havia seguido em frente, você faria o mesmo.
— Um despedida limpa — eu sussurrei por lábios que não se mexiam.
— Exatamente. Mas eu nunca imaginei que fosse tão fácil fazer isso! Eu pensei que fosse ser quase impossível - que você ia saber que era mentira e eu teria que passar horas tendo que te convencer e plantar a semente da dúvida na sua cabeça. Eu menti, e eu lamento - lamento porque te machuquei, lamento porque foi um esforço inútil. Lamento por não ter podido te proteger do que eu sou. Eu menti pra te salvar, e não funcionou. Eu lamento. — Mas como é que você pôde acreditar em mim? Depois das milhares de vezes que eu disse que te amava, como é que você pôde deixar uma palavra acabar com a sua fé em mim?
Eu não respondi. Eu estava chocada demais pra formular uma resposta racional.
— Eu podia ver nos seus olhos, que você honestamente acreditou que eu não te queria mais. O conceito mais absurdo, mais ridículo - como se houvesse alguma forma de eu existir sem precisar de você!
Eu ainda estava congelada. As palavras dele eram incompreensíveis, porque elas eram impossíveis. Ele chacoalhou meus ombros de novo, não forte, mas o suficiente pra fazer meus dentes baterem.
— Bella — ele suspirou. — Sério, o que é que você estava pensando?
E então eu comecei a chorar. As lágrimas subiram e então começaram a descer miseravelmente pelas minha bochechas.
— Eu sabia — eu solucei. — Eu sabia que estava sonhando.
— Você é impossível — ele disse, e deu uma risada - uma risada dura, frustrada. — Como é que eu posso colocar isso de forma que você acredite em mim? Você não está dormindo, e você não está morta. Eu estou aqui, e eu te amo. Eu sempre amei você, e eu sempre vou amar. Eu estava pensando em você, vendo o seu rosto em minha mente, durante cada segundo em que estive longe. Quando eu te disse que não te queria, aquele foi o tipo mais negro de blasfêmia.
Eu balancei a minha cabeça enquanto as lágrimas continuavam escapando do canto dos meus olhos.
— Você não acredita em mim, acredita? — ele sussurrou, o seu rosto mais pálido que o pálido normal - eu podia ver isso mesmo na luz fraca. — Porque você consegue acreditar numa mentira, mas não na verdade?
— Nunca fez sentido você me amar — eu expliquei, minha voz escapando duas vezes. — Eu sempre soube isso.
Os olhos dele se estreitaram, a mandíbula se apertou.
— Eu vou provar que você está acordada — ele prometeu.
Ele pegou o meu rosto seguramente entre suas mãos de ferro, ignorando minha luta quando eu tentei desviar o meu rosto.
— Por favor, não — eu sussurrei.
Ele parou, seus lábios estavam a meio centímetro dos meus.
— Por que não? — ele quis saber. O hálito dele bateu no meu rosto, fazendo minha cabeça girar.
— Quando eu acordar —ele abriu a boca pra protestar, então eu revisei — Ok, esqueça essa. Quando você se for de novo, já vai ser duro suficiente sem isso também — Ele se afastou um centímetro, pra olhar pro meu rosto.
— Ontem, quando eu te tocava, você estava tão... hesitante, cuidadosa, e ainda assim era a mesma. Isso é porque eu estou muito atrasado? Porque eu te machuquei demais? Porque você realmente seguiu com a sua vida, como eu planejava que você fizesse? Isso seria... muito justo. Eu não vou contestar a sua decisão. Então não tente desperdiçar seus sentimentos, por favor - só me diga se você ainda pode me amar ou não, depois de tudo que eu te fiz. Pode? — ele sussurrou.
— Que tipo de pergunta idiota é essa?
— Só me responda. Por favor.
Eu olhei pra ele com o rosto obscuro por um momento.
— O jeito como eu me sinto por você nunca vai mudar. É claro que eu te amo - e não há nada que você possa fazer pra mudar isso!
— Isso era tudo que eu precisava ouvir.
A boca dele já estava na minha, e eu não consegui lutar com ele. Não porque ele era milhares de vezes mais forte que eu, mas porque a minha coragem se fez em poeira quando os nossos lábios se encontraram. Esse beijo não era tão cuidadoso quanto eu me lembrava, isso pra mim estava ótimo. Eu ia me acabar depois, mas também eu ia pegar em troca tudo o que eu pudesse.
Então eu o beijei de volta, meu coração batendo feito um louco, num ritmo desconjuntado enquanto a minha respiração ficava descontrolada e eu movia os meus dedos cuidadosamente pelo rosto dele. Eu podia sentir o corpo de mármore dele em cada linha do meu, e eu estava tão feliz por ele não ter me escutado - não havia dor no mundo que justificasse perder isso. As mãos dele memorizavam o meu rosto, do mesmo jeito que as minhas mãos faziam com o rosto dele, e, nos breves segundos que os nossos lábios ficaram livres, ele sussurrou meu nome. Eu estava começando a ficar tonta, ele se afastou, só pra colocar a orelha dele no meu coração.
Eu fiquei lá, fascinada, esperando a minha asfixia para e se aquietar.
— Aliás — ele disse num tom casual. — Eu não vou te deixar.
Eu não disse nada e ele pareceu ouvir o ceticismo da minha voz. Ele levantou a cabeça pra prender seus olhos aos meus.
— Eu não vou a lugar nenhum. Não sem você — ele adicionou mais seriamente.— Eu só te deixei em primeiro lugar porque eu queria que você tivesse a chance em uma vida humana normal, feliz. Eu podia ver o que estava fazendo com você - mantendo você constantemente na cara do perigo, tirando você do mundo ao qual você pertencia, arriscando você a cada minuto que você passava comigo. Então eu tinha que tentar. Eu tinha que fazer alguma coisa, e pareceu que ir embora era o único jeito. Se eu não pensasse que você estava melhor sozinha, eu nunca teria me obrigado a ir embora. Eu sou egoísta demais. Só você poderia ser mais importante do que o que eu queria... ou precisava.O que eu quero e preciso é estar com você, e eu sei que jamais serei forte o suficiente pra ir embora de novo. Eu tenho muitas desculpas pra ficar - graças aos céus por isso! Parece que você não consegue ficar segura, não importa quantos quilômetros eu ponha entre nós.
— Não me prometa nada — eu sussurrei. Se eu me deixasse ter esperanças demais, e isso desse em nada... isso me mataria. O trabalho que todos aqueles vampiros sem piedade não conseguiram fazer, elevar minhas esperanças ia terminar. A raiva soltou um brilho metálico dos olhos dele. —Você acha que eu estou mentindo pra você agora?
— Não - não mentindo — Eu balancei minha cabeça, tentando pensar nas coisas coerentemente. Examinar a hipótese de que ele me amava, enquanto continuava objetiva, clínica, pra que assim eu não caísse na armadilha de esperar nada. — Você fala sério... agora. Mas e quanto a amanhã, quando você pensar em todas as razões pelas quais foi embora em primeiro lugar? Ou no mês que vem, quando Jasper der a louca pra cima de mim?
Ele enrijeceu. Eu pensei de novo nos piores dias da minha vida quando ele me deixou, e tentei vê-los pela perspectiva que ele me dava agora. Dessa perspectiva, imaginando que ele nunca havia deixado de me amar, que ele havia me deixado por mim, seus silêncios penetrantes e frios ganharam um significado diferente.
— Não é como se esse não tivesse sido o seu motivo pra ir embora da primeira vez, não é? — eu adivinhei. — Você vai acabar fazendo aquilo que você acha certo.
— Eu não sou tão forte quanto você acredita que eu sou — ele disse.
— Certo e errado já deixaram de significar tanto pra mim; eu já ia voltar do mesmo jeito. Antes de Rosalie ter me dado as notícias, eu já estava cansado de viver a vida semana depois de semana, ou um dia de cada vez. Eu estava lutando pra ver as horas passarem. Era só uma questão de tempo - e não muito tempo - antes de eu aparecer na sua janela e implorasse que você me aceitasse de volta. Eu ficarei feliz de implorar agora, se você quiser isso.
Eu fiz uma careta.
— Fale sério, por favor.
— Oh, eu estou — ele insistiu, me encarando agora. — Será que dá por favor pra você tentar ouvir o que eu estou dizendo? Será que você pode me deixar tentar explicar o quanto você significa pra mim?
Ele esperou, examinando o meu rosto enquanto falava pra ter certeza de que eu estava escutando.
— Antes de você, Bella, minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas haviam estrelas - pontos de luz e razão... E aí você apareceu no meu céu como um meteoro. De repente, tudo estava pegando fogo; havia brilho, havia beleza. Quando você não estava lá, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou escuro. Nada havia mudado, mas os meus olhos haviam ficado cegos com a luz. Eu não conseguia mais ver as estrelas. E não havia mais razão pra nada.
Eu queria acreditar nele. Mas essa era a minha vida sem ele que ele estava descrevendo, não o contrário.
— Seu olhos irão se ajustar.— Eu resmunguei.
— Esse é o problema – eles não podem.
— E a suas distrações?
Ele riu sem um traço de humor
— Só mais uma parte da mentira, amor. Não tinha nenhuma distração vinda da... da agonia.Meu coração não bate a quase noventa anos, mas isso era diferente. Era como se meu coração tivesse ido – como se eu fosse um buraco. Como se eu tivesse deixado tudo que havia dentro de mim aqui com você.
— Isso é engraçado. — Eu murmurei.
Ele arqueou uma perfeita sobrancelha
— Engraçado?
— Eu quis dizer estranho – eu pensei que isso fosse só eu. Muitos pedaços de mim ficaram perdidos, também. Eu não estive capaz de respirar realmente por tanto tempo.— Eu enchi meus pulmões, luxuriando na sensação. E meu coração. Isso estava definitivamente perdido.
Ele fechou seus olhos e pousou sua orelha sobre meu coração de novo. Eu deixei minha face pressionar seus cabelos, sentindo a textura disso na minha pele, sentindo o delicioso aroma dele.
— Perseguir não foi uma distração então? — Eu perguntei, curiosa, e também necessitando de me distrair. Eu estava em muito perigo pela esperança. Eu não seria capaz de me parar por muito tempo. Meu coração palpitou, cantando em meu peito.
— Não — Ele suspirou. — Isso nunca foi uma distração. Isso foi uma obrigação.
— O que isso quer dizer?
— Isso que dizer que, mesmo pensando que eu não esperava nenhum perigo de Victoria, eu não ia deixar ela ir embora com... Bem, como eu disse, eu era horrível fazendo isso. Eu tracei o caminho dela tão longe quanto o Texas, mas então eu segui uma falsa pista no Brasil – e ela realmente veio aqui.— Ele resmungou. — Eu não estava nem no mesmo continente! E todo esse tempo, pior do que meus piores medos.
— Você estava caçando Victoria? — Eu meio que gritei assim que eu consegui encontra minha voz, ultrapassando oito oitavos. Os roncos distantes de Charlie gaguejaram, e então voltaram a um ritmo regular novamente.
— Não bem,— Edward respondeu, estudando minha indignação com um olhar confuso. — Mas eu vou fazer melhor dessa vez. Ela não vai ter bom ar entrando e saindo por muito tempo.
— Isso está.... fora de questão. — Eu balancei a cabeça para esquecer. Insanidade. Mesmo que ele tivesse Emmett ou Jasper ajudando ele. Isso era pior do que minhas outras ideias: Jacob Black estando à pouco espaço da figura viciante e felina de Victoria. Eu não podia suporta imaginar Edward lá, mesmo pensando que ele era muito mais durável que meu melhor amigo meio-humano.
— É muito tarde para ela. Eu devo ter deixado o outro tempo passar, mas não dessa vez, não depois...
Eu interrompi ele novamente, tentando soar calma.
— Você não tinha acabado de prometer que você não ia partir? — Eu perguntei, arrancando as palavras assim que eu disse elas, não as deixando se plantarem em meu coração. — Isso não é exatamente compatível com uma extensiva perseguição, é isso? — Ele amarrou a cara. Um rosnado começou a se formar baixinho em seu peito.
— Eu vou manter minha promessa, Bella. Mas Victoria – o rosnado começou a ficar mais carregado – vai morrer. Logo.
— Não vamos ser precipitados.— Eu disse, tentando esconder meu pânico. — Talvez ela não vá voltar. A matilha de Jake provavelmente assustou ela. Realmente não há razões para ir procurar ela. Além do mais, eu tenho problemas maiores que Victoria.
Os olhos de Edward se estreitaram, mas ele confirmou com a cabeça.
— É verdade. Os lobisomens são um problema.
Eu bufei.
— Eu não estava falando de Jacob. Meus problemas são bem maiores do que um punhado de lobisomens adolescentes colocando eles mesmos em problemas.
Edward olhou como se ele estivesse prestes a dizer alguma coisa, e então pensou melhor sobre isso.
— Sério? — Ele perguntou. — Então qual seria seu maior problema? Que iria fazer o retorno de Victoria a você parecer um inconsequente assunto em comparação?
— Que tal sobre o segundo maior? — Eu sugeri.
— Tudo bem — Ele concordou, desconfiado.
Eu pausei. Eu não estava certa de que conseguiria dizer o nome.
— Tem outros que virão procurar por mim. Eu lembrei ele em um baixo sussurro.
Ele suspirou, mas a resposta não foi tão forte quanto eu havia imaginado depois da resposta à Victoria.
— Os Volturi são o segundo maior problema?
— Você não parece tão chateado com isso.— Eu notei.
— Bem, nós tempos um bom tempo para pensar sobre isso. Tempo significa algo muito diferente pra eles do que significa pra você, ou até para mim. Eles contam anos do jeito que contas dias. Eu não estaria surpreso se você tiver 30 quando cruzar as mentes deles novamente.
O horror passou através de mim. Trinta. Então sua promessa significou nada, no final. Se eu iria ficar com trinta um dia, então ele não poderia estar planejando em ficar muito tempo. A enorme dor desse conhecimento me vez perceber que eu já havia começado a juntar esperanças, se me deixar fazer 5 x 0.
— Você não precisa ter medo.— Ele disse, preocupado assim que viu as lágrimas rolarem dos cantos de meus olhos novamente. — Eu não vou deixar eles te machucarem.
— Enquanto você estiver aqui — Não que eu me importasse com o que iria acontecer a mim depois que ele me deixasse.
Ele pegou minha face entre suas duas mãos de pedra, segurando firmemente, enquanto seus olhos escuros olhavam dentro dos meus com a força gravitacional de um buraco negro.
— Eu nunca vou deixar você novamente.
—Mas você disse trinta — Eu sussurrei. As lagrimas fluíam além do possível. — O que? Você vai ficar mas me deixar ficar toda velha de qualquer maneira? Certo.
Seus olhos amaciaram, enquanto sua boca ficou dura.
— Isso é exatamente o que eu vou fazer. Qual escolha tenho eu? Eu não posso ficar sem você, mas eu não vou destruir sua alma.
— Isso é realmente...— Eu tentei manter minha voz, mas essa pergunta era muito difícil. Eu lembrei de sua face quando Aro quase começou a considerar me transformar em imortal. O olhar doente lá. Era essa fixação em me manter humana com minha alma, ou era incerteza de que ele não me aguentaria por tanto tempo?
— Sim? — Ele perguntou, esperando por minha resposta.
Eu perguntei em um diferente tom. Quase de forma – mas não quieta – dura.
— E quando eu começar a ficar tão velha e as pessoas começaram a achar que sou sua mãe? Sua avó? —Minha voz estava pálida com repulsa. Eu podia ver a face de vovó novamente, no sonho do espelho.
Sua face inteira estava suave agora. Ele secou as lágrimas das minhas bochechas com seus lábios.
— Isso não significa nada pra mim.— Ele respirou contra minha pele. —Você sempre será a coisa mais linda em meu mundo. É claro –— Ele hesitou. Recuando ligeiramente. — Se você me superar – se você quiser algo mais – eu irei entender isso, Bella. Eu prometo, eu não vou ficar no seu caminho se você quiser me deixar.
Seus olhos eram ônix liquido e ultra sinceros. Ele falou como se tivesse posto fins a esse estúpido plano.
— Você percebe que eu vou eventualmente morrer, certo? — Eu reivindiquei.
Ele pensou sobre essa parte, também.
— Eu irei te seguir assim que puder.
— Isso é seriamente...— Eu procurei pela palavra certa. — Doente.
— Bella, é o único jeito certo.
—Vamos só voltar por um instante.— Eu disse, sentindo a raivar fazer isso muito mais claro, decisiva. —Você se lembra dos Volturi, certo? Eu não posso permanecer humana para sempre. Mesmo que eles não pensem em mim até eu ter trinta — Eu sibilei a palavra — Você realmente acha que eles vão esquecer?
— Não — ele respondeu devagar, balançando a cabeça. — Eles não vão esquecer, mas...
— Mas?
Ele sorriu, enquanto eu olhava para ele desconfiada. Talvez eu não fosse a única louca.
— Eu tenho alguns planos.
— E esses planos — Eu disse, minha voz ficando mais acida com cada palavra. — Esses planos giram todos em torno de mim permanecendo humana? Minha atitude endureceu sua expressão.
— Naturalmente — Seu tom era brusco, sua divina face arrogante.
Nós nos encaremos por um longo minuto. Então eu respirei fundo, balançando meus ombros, eu puxei seus braços para longe assim podendo me sentar.
— Você quer que eu vá embora? — Ele perguntou, e meu coração palpitou mostrando que essa ideia feria ele, mesmo ele tentando não mostrar isso.
— Não.— Eu disse —Eu estou indo embora.
Ele me olhou suspeito assim que eu pulei pra fora da cama e tateei pelo quarto escuro, a procura de meus sapatos.
— Eu devo perguntar aonde você está indo? — ele perguntou.
— Eu estou indo pra sua casa.— Eu contei a ele, ainda me sentindo cega.
Ele se sentou e veio para o meu lado.
— Aqui estão seus sapatos. Qual é seu plano para chegar lá?
— Minha caminhonete.
— Isso iria provavelmente acordar Charlie — ele ofereceu como um elemento de dissuasão.
Eu suspirei.
— Eu sei. Mas honestamente, eu vou ficar de castigo por semanas por isso. Em quão mais problemas eu posso entrar?
— Nenhum. Ele vai me culpar, não você.
— Se você tem uma ideia melhor, sou toda ouvidos.
— Fique aqui — Ele sugeriu, mas sua expressão não era esperançosa.
— Sem chances. Mas você vá na frente e faça você mesmo em casa.
Eu o encorajei, supresa com qual naturalidade minha brincadeira havia soado, e andei em direção a porta. Ele estava lá antes de mim, bloqueando minha passagem. Eu amarrei a cara, e me virei para a janela. Não era tão longe do chão, e havia uma grande porção de grama embaixo.
— Okay — ele suspirou. —Eu te darei uma carona.
Eu dei os ombros
— De qualquer jeito. Mas você provavelmente deveria estar lá, também.
— E porque isso?
— Porque você é extraordinariamente apegado as suas opiniões, e eu estou certa que você quer expressar seus pontos de vista.
— Meu ponto de vista em qual assunto? — Ele perguntou através dos dentes.
— Isso não é mais sobre você. Você não é o centro do universo, você sabe.— Meu próprio universo pessoal era, é claro, outra história. — Se você for trazer os Volturi atrás de nós por causa de algo estúpido como me deixar humana, então sua família deveria ter voz ativa.
— Ter voz ativa em que? — Ele perguntou, cada palavra distinta.
— Minha mortalidade. Eu estou colocando isso em votação.

5 comentários:

  1. Obviamente o capítulo mais engraçado do livro kkkkk

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  2. Amo esse capítulo! São tão fofos <3

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  3. amo todos os livros da saga já li tudo e quero ler de novo #twilight #newmoon #eclipse #breakingdown

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  4. Amoooooooooo #ylovetwilight

    Assi: Apaixonada por livros

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