25 de setembro de 2015

Capítulo 23 - Monstro

Quando eu acordei pela manhã, estava muito claro - mesmo dentro da tenda, a luz do sol machucou os meus olhos. Jacob estava roncando levemente no meu ouvido, seus braços ainda apertados ao meu redor.
Eu levantei a minha cabeça do seu peito ferventemente quente e senti o penetrante frio da manhã na minha bochecha. Jacob suspirou em seu sono; seus braços se apertaram inconscientemente.
Eu me contorci, incapaz de escapar do aperto dele, lutando pra levantar a minha cabeça o suficiente pra ver...
Edward encontrou o meu olhar diretamente. O rosto dele estava calmo, mas a dor nos olhos dele era impossível de esconder.
—Está mais quente aí fora?—, eu sussurrei.
—Sim. Eu não acho que o aquecedor será necessário hoje—.
Eu tentei alcançar o zíper, mas não consegui liberar os meus braços. Eu repuxei, lutando contra a força inerte de Jacob. Jacob murmurou, ainda adormecido, os braços dele se apertando de novo.
—Uma ajudinha?—, eu pedi baixinho.
Edward sorriu. —Você queria que eu tirasse os braços dele completamente do caminho?—
—Não, obrigada. Só me solte. Eu vou sofrer uma hipotermia—.
Edward baixou o zíper do saco de dormir num movimento rápido, abrupto. Jacob caiu pra fora, o peito nu dele batendo no chão gelado da tenda.
—Hey!—, Ele reclamou, seus olhos se abrindo. Instintivamente, ele se afastou de frio, rolando em cima de mim. Eu asfixiei quanto o peso dele tirou meu fôlego.
E de repente o peso dele tinha desaparecido. Eu senti o impacto quando Jacob bateu contra as armações da tenda e a tenda estremeceu.
O rosnado estava vindo de todos os lugares. Edward estava curvado na minha frente, e eu não conseguia ver o rosto dele, mas os rugidos estavam saindo raivosos do peito dele. Jacob também estava meio curvado, seu corpo inteiro tremendo, enquanto rosnados escapavam por entre seus dentes apertados. Do lado de fora da tenda, as rosnaduras viciosas de Seth Clearwater ecoavam nas rochas.
—Parem! Parem!—, eu gritei, me arrastando estranhamente pra me colocar no meio deles dois.
O espaço era tão pequeno que eu nem precisei me esticar tanto pra colocar as minhas mãos nos peitos dos dois. Edward passou a mão pela minha cintura, preparado pra me tirar do caminho.
—Pare, agora—, eu avisei ele.
Sob o meu toque, Jacob começou a se acalmar. Os tremores diminuíram, mas os dentes dele ainda estavam expostos, os olhos dele furiosamente focados em Edward. Seth continuou a rosnar, um fundo violento para o silêncio repentino na tenda.
—Jacob?—, eu chamei até que ele finalmente baixou seu olhar pra olhar pra mim. —Você está machucado?—
—É claro que não!—, ele assobiou.
Eu me virei pra Edward. Ele estava olhando pra mim, a expressão dele estava dura e raivosa. —Isso não foi legal. Você devia pedir desculpas—.
Os olhos dele se arregalaram de nojo. —Você deve estar brincando - ele estava te esmagando!—
—Porque você derrubou ele no chão! Ele não fez aquilo de propósito, e ele não me machucou—.
Edward rosnou, revoltado. Lentamente, ele levantou os olhos pra encarar Jacob com olhos hostis. —Minhas desculpas, cachorro—.
—Nenhum dano causado—, Jacob disse, um tom de escárnio na voz.
Ainda estava frio, apesar de não tão frio quanto tinha estado. Eu cruzei os braços no peito.
—Aqui—, Edward disse, calmo de novo. Ele pegou a pele no chão e passou ela por cima do meu casaco.
—Isso é de Jacob—, eu me opus.
—Jacob tem um casaco de pêlos—, Edward indicou.
—Eu vou usar o saco de dormir de novo, se vocês não se incomodam—, Jacob ignorou ele, passando ao nosso redor e se enfiando no saco de novo. —Eu não estava completamente pronto pra acordar. Essa não foi a melhor noite de sono que eu já tive—.
—Foi ideia sua—, Edward disse impassivamente.
Jacob se curvou, os olhos já fechados. Ele bocejou. —Eu não disse que não foi a melhor noite que eu já passei. Eu só não consegui dormir muito. Eu pensei que Bella não fosse calar a boca nunca—
Eu gemi, imaginando o que teria saído da minha boca durante o sono. As possibilidades eram horripilantes.
—Eu estou feliz que você tenha gostado—, Edward murmurou.
Os olhos escuros de Jacob se abriram. —Você não teve uma noite boa, então?—, ele perguntou, presumido.
—Não foi a pior noite da minha vida—.
—Chegou na lista das dez piores?— Jacob perguntou, perverso com a diversão.
—Possivelmente—
Jacob sorriu e fechou os olhos.
—Mas—, Edward continuou. —se eu tivesse sido capaz de ficar no seu lugar na noite passada, isso não teria chegado na lista das dez melhores noites da minha vida. Vai sonhando com isso—.
Os olhos de Jacob se abriram brilhando. Ele se sentou rigidamente, seus ombros tensos.
—Sabe o que mais? Está lotado demais aqui—.
—Eu não poderia concordar mais—
Eu acotovelei as costelas de Edward - provavelmente dando contusão a mim mesma.
—Acho que eu vou recuperar o meu sono depois, então—, Jacob fez uma cara. —De qualquer forma, eu preciso falar com Sam—.
Ele rolou até ficar de joelhos e agarrou o zíper da porta.
Uma dor se espalhou pela minha espinha e se espalhou pelo meu estômago enquanto eu me dava conta abruptamente de que esta podia ser a última vez que eu veria. Ele ia voltar pra Sam, de volta pra lutar com uma horda de vampiros recém-nascidos sedentos por sangue.
—Jake, espere -— eu alcancei ele, minha mão deslizando pelo braço dele.
Ele puxou o braço antes que os meus dedos pudessem ter suporte.
—Por favor, Jake? Você não vai ficar?—
—Não—
A palavra era dura e fria. Eu sabia que o meu rosto demonstrava a dor, porque ele exalou e um meio sorriso suavizou a sua expressão.
—Não se preocupe comigo, Bells. Eu vou ficar bem, como sempre fico—, ele forçou uma risada. —Além do mais, você acha que eu vou deixar Seth ir no meu lugar - se diverti sozinho e ficar com toda a glória? Tá certo—. Ele bufou.
—Tome cuidado -—
Ele saiu da tenda antes que eu pudesse terminar.
—Dá um tempo, Bella—, eu ouvi ele murmurar enquanto re-fechava o zíper da porta.
Eu tentei ouvir o som de passos se afastando, mas tudo estava perfeitamente quieto.
Não havia mais vento. Eu podia ouvir a canção matutina dos pássaros à distância na montanha, e nada mais. Jacob se movia silenciosamente agora.
Eu me agarrei nos meus casacos, e me inclinei no ombros de Edward. Nós ficamos em silêncio por algum tempo.
—Quanto tempo mais?—, eu perguntei.
—Alice disse a Sam que devia sem em uma hora mais ou menos—, Edward disse, suave e distante.
—Nós ficamos juntos. Aconteça o que acontecer—.
—Aconteça o que acontecer—, ele concordou, seus olhos apertados.
—Eu sei—, eu disse. —Eu estou morrendo de medo por eles também—.
—Eles sabem como se cuidar—, Edward me assegurou, fazendo sua voz ficar propositadamente leve. —Eu só odeio estar perdendo a diversão—.
De novo com a diversão. As minhas narinas inflaram.
Ele colocou o braço em cima dos meus ombros. —Não se preocupe—, ele urgiu, e aí ele beijou a minha testa.
Como se houvesse algum jeito de evitar isso. —Claro, claro—.
—Você quer que eu te distraia?— Ele respirou, correndo seus dedos frios na maçã do meu rosto.
Eu estremeci involuntariamente; a manhã ainda estava congelante.
—Talvez agora não—, ele mesmo respondeu, retirando a sua mão.
—Existem outras formas de me distrair—.
—O que você gostaria?—
—Você podia me falar das suas dez melhores noites—, eu sugeri. —Eu estou curiosa—.
Ele riu. —Tente adivinhar—.
Eu balancei a minha cabeça. —Existem muitas noites das quais eu não sei. Um século delas—.
—Eu vou facilitar pra você. Todas as minhas melhores noite aconteceram desde que eu encontrei você—.
—Mesmo?—
—Sim, mesmo - e também, com uma margem bem grande—.
Eu pensei por um minuto. —Eu só consigo pensar nas minhas—, eu admiti.
—Elas podem ser as mesmas—, ele encorajou.
—Bem, houve a primeira noite. A noite que você ficou—.
—Sim, essa é uma das minhas também. É claro, você estava inconsciente na minha parte favorita—.
—Isso mesmo—, eu lembrei. —Eu estava falando naquela noite também—.
—Sim—, ele concordou.
O meu rosto ficou quente de novo quando eu me perguntei o que eu poderia ter dito enquanto dormia nos braços de Jacob. Eu não conseguia me lembrar com o que eu havia sonhado, ou se sequer eu havia sonhado, então isso não ajudava.
—O que eu disse na noite passada?—, eu sussurrei mais baixo do que antes.
Ele levantou os ombros ao invés de responder, e eu gemi.
—Ruim assim?—
—Nada muito horrível—, ele suspirou.
—Por favor me diga—.
—Em maioria você disse o meu nome, como sempre—.
—Isso não é ruim—, eu concordei cautelosamente.
—Perto do final, no entanto, você começou a murmurar algumas bobagens sobre 'Jacob, meu Jacob—, eu podia ouvir a dor, mesmo nos sussurros. —O seu Jacob gostou muito disso—.
Eu estiquei o meu pescoço, me inclinando pra alcançar a beira da mandíbula dele com os meus lábios. Eu não podia olhar os olhos dele. Ele estava olhando para o teto da tenda.
—Desculpa—, eu murmurei. —Essa é só a forma como eu diferencio—.
—Diferencia?—
—Entre o Dr. Jekyll e o Sr. Hide. Entre o Jacob que eu gosto e o que me tira do sério—, eu expliquei.
—Isso faz sentido— Ele parecia mais maleável. —Me diga outra das suas noites favoritas—.
—Voltar pra casa da Itália—.
Ele fez uma careta.
—Essa não é uma das suas?—, eu me perguntei.
—Não, na verdade, essa é uma das minhas, mas eu estou surpreso que esteja na sua lista. Você não estava com a ridícula impressão que eu estava agindo por peso na consciência, e que eu ia fugir assim que as portas do avião se abrissem?—
—Sim—, eu sorri. —Mas, mesmo assim, você estava lá—
Ele beijou meu cabelo. —Você me ama mais do que eu mereço—.
Eu rí com a impossibilidade da ideia. —A próxima seria a noite depois da Itália—, eu continuei.
—Sim, essa está na lista. Você foi tão engraçada—.
—Engraçada?—, eu me opus.
—Eu não tinha ideia de que os seus sonhos eram tão vívidos. Eu levei uma eternidade pra te convencer de que você estava acordada—.
—Eu ainda não tenho certeza—, eu murmurei.
—Você sempre pareceu mais com um sonho do que com a realidade. Me diga uma das suas agora. Eu adivinhei a sua primeira colocada?—
—Não - essa seria há duas noites atrás, quando você finalmente aceitou casar comigo—.
Eu fiz uma cara.
—Essa não está na sua lista?—
Eu pensei no jeito como ele tinha me beijado, na concessão que eu tinha ganho, e mudei de ideia. —Sim... está. Com reservas. Eu não entendo porque isso é tão importante pra você. Você já me tem pra sempre—.
—Daqui a cem anos, quando você tiver ganho perspectiva suficiente pra realmente apreciar a resposta, eu vou explicar pra você—
—Eu vou te lembrar de explicar - daqui a cem anos—.
—Você está aquecida o suficiente?—, ele perguntou de repente.
—Eu estou bem—, eu assegurei ele. —Porque?—
Antes que ele pudesse responder, o silêncio de fora da tenda foi partido por um rosnado ensurdecedor de dor. O som ricocheteou na face da montanha e encheu o ar até que ele estava sendo propagado em todas as direções.
O rosnado invadiu a minha mente como um tornado, tão estranho quanto familiar. Estranho porque eu nunca havia ouvido tal choro de tortura antes. Familiar porque eu reconheci a voz imediatamente - eu reconheci o som e compreendi o significado tão perfeitamente como se ele tivesse saído de mim mesma. Não fazia diferença se Jake era humano ou não quando ele chorava. Eu não precisava de tradução.
Jacob estava perto. Jacob havia ouvido todas as palavras que havíamos dito. Jacob estava em agonia.
O uivo foi sufocado com um estranho gargarejo, e depois tudo ficou quieto de novo.
Eu não ouvi sua fuga silenciosa, mas eu podia sentí-la - eu podia sentir a ausência que eu havia imaginado erradamente que existisse antes, o espaço vazio que ele deixou pra trás.
—Porque o seu aquecedor passou dos limites—, Edward respondeu rapidamente. —A trégua está acabada—, ele acrescentou, tão baixo que eu não podia ter realmente certeza de que foi isso o que ele havia dito.
—Jacob estava escutando—, eu sussurrei. Não foi uma pergunta.
—Sim—
—Você sabia—
—Sim—.
Eu encarei o nada, vendo nada.
—Eu nunca prometi que lutaria de forma justa—, ele me lembrou baixinho. —E ele merecia saber—.
Minha cabeça caiu nas minhas mãos.
—Você está com raiva de mim?—, ele perguntou.
—Não de você—, eu sussurrei. —Eu estou horrorizada comigo—
—Não se atormente—, ele implorou.
—Sim—, eu concordei acidamente. —Eu devia guardar as minhas energias pra atormentar Jacob um pouco mais. Eu não ia querer deixar nenhuma parte dele intacta—.
—Ele sabia o que estava fazendo—.
—Você acha que isso importa?— Eu estava piscando contra as lágrimas, e era fácil ouvir isso em minha voz. —Você acha que eu me importo se ele foi ou não foi adequadamente avisado? Eu estou machucando ele. Toda vez que eu me viro, eu estou machucando ele de novo—. A minha voz estava ficando mais alta, mais histérica. —Eu sou uma pessoa odiosa—.
Ela passou seus braços com força ao meu redor. —Não, você não é—.
—Eu sou! O que há de errado comigo?—, eu lutei contra os braços dele, e ele os deixou cair. —Eu tenho que ir encontrá-lo—.
—Bella, ele já está a quilômetros de distância, e está frio—.
—Eu não me importo. Eu não posso simplesmente sentar aqui— Eu tirei o casaco de pele de Jacob, enfiei meus pés em minhas botas, e me arrastei rigidamente até a porta; minhas pernas estavam dormentes. —Eu tenho que - eu tenho que...— Eu não sabia como terminar a frase, não sabia o que podia ser feito, mas eu abri o zíper da porta do mesmo jeito, e saí pela manhã clara, gélida.
Havia menos neve do que eu teria pensado, depois da fúria da tempestade de ontem.
Provavelmente ela havia sido levada pelo vento e não derretida pelo sol que agora brilhava baixo no sudeste, cintilando na neve que faziam meus olhos não ajustados demorarem a se acostumar e os fazia doer. O vento tinha um pouco a ver com isso, mas ele estava mortalmente calmo e se ficando lentamente mais de acordo com a estação enquanto o sol se erguia mais.
Seth Clearwater estava encurvado num remendo de galhos secos embaixo da sombra de uma árvore, com a cabeça nas patas. O pelo cor de areia dele era quase invisível contra os galhos, mas eu podia ver o reflexo da neve brilhante nos olhos dele. Ele estava me encarando com o que eu imaginei que fosse uma acusação.
Eu sabia que Edward estava me seguindo enquanto eu tropeçava por entre as árvores. Eu não podia ouvir ele, mas o sol refletia na pele dele formando arco-íris que dançavam na minha frente. Ele não tentou me parar até que eu já estava ha vários passos dentro das sombras da floresta.
A mão dele agarrou o meu pulso esquerdo. Ele ignorou quando eu tentei me libertar.
—Você não pode ir atrás dele. Hoje não. Já está quase na hora. E mais que tudo, você se perder não ia ajudar ninguém—
Eu torci meu pulso, puxando ele inutilmente.
—Eu lamento, Bella—, ele sussurrou. —Eu lamento por ter feito isso—.
—Você não fez nada. A culpa é minha. Eu fiz isso. Eu fiz tudo errado. Eu podia ter... Quando ele... eu não devia ter... eu... eu... —Eu estava soluçando.
—Bella, Bella—.
Os braços dele se dobraram ao meu redor, e as minhas lágrimas molharam a camisa dele.
—Eu devia ter - dito a ele - eu devia - ter dito -— O que? O que poderia ter feito isso certo? —Ele não devia ter - descoberto isso assim—
—Você quer que eu veja se eu consigo trazê-lo de volta, pra você poder falar com ele? Ainda há um pouco de tempo— Edward murmurou, agonia silenciada em sua voz.
Eu balancei a cabeça no peito dele, com medo de ver o rosto dele.
—Fique na tenda. Eu volto logo—.
Os braços dele desapareceram. Ele se foi tão rapidamente que, no segundo que eu levei pra olhar pra cima, ele já tinha ido embora. Eu estava sozinha.
Um novo soluço se partiu no meu peito. Hoje eu estava magoando todo mundo. Havia alguma coisa que eu tocasse que não se estragasse?
Eu não sabia porque isso estava me atingindo com tanta força agora. Não era como se eu não soubesse o tempo todo que isso ia acontecer.
Mas Jacob nunca havia reagido tão fortemente - perdido a sua forte super confiança e demonstrado a intensidade da sua dor. O som da agonia dele ainda me cortava, em algum lugar no fundo do meu peito. Bem ao lado havia a outra dor. A dor por sentir dor por Jacob. Dor por magoar Edward também. Por não ser capaz de ver Jacob ir embora com compostura, sabendo que essa era a coisa certa, o único jeito.
Eu era egoísta, eu machucava as pessoas. Eu torturava aqueles que eu amava.
Eu era como Cathy, como O Morro dos Ventos Uivantes, só que as minhas opções eram muito melhores do que as dela, nenhum deles era mau, nenhum deles era fraco. E aqui estava eu, chorando por isso, sem fazer nada produtivo pra endireitar as coisas. Exatamente como Cathy.
Eu não podia que o que me machucava influenciasse mais nas minhas decisões. Era um pouco tarde demais, mas eu tinha que fazer a coisa certa agora. Talvez isso já estivesse acabado pra mim. Talvez Edward fosse capaz de trazer ele de volta. E aí eu aceitaria isso e seguiria em frente com a minha vida. Edward nunca mais me veria verter outra lágrima por Jacob Black. Não haveriam mais lágrimas. Eu limpei as últimas delas com os meus dedos agora.
Mas se Edward voltasse com Jacob, isso era tudo. Eu ia dizer a ele pra ir embora e nunca mais voltar.
Porque isso era tão difícil? Tão mais difícil do que dizer adeus aos meus outros amigos, a Ângela, a Mike? Porque isso machucava? Isso não estava certo. Isso não devia ter a capacidade de me machucar. Eu tinha o que eu queria. Eu não podia ter os dois, porque Jacob não podia ser só meu amigo. Estava na hora de desistir de desejar isso. Quão ridiculamente gananciosa uma pessoa podia ser?
Eu tinha que superar esse pensamento irracional de que Jacob pertencia à minha vida. Ele não podia pertencer ao meu lado, não podia ser o meu Jacob, quando eu pertencia a outra pessoa.
Eu caminhei de volta para a pequena clareira, meus pés se arrastando.
Quando eu entrei no espaço aberto, piscando por causa da luz ofuscante, eu joguei um rápido olhar na direção de Seth - ele não havia se mexido da sua cama de gravetos - e depois desviei o olhar, evitando os olhos dele.
Eu podia sentir que os meus cabelos estavam selvagens, enrolados em aglomerações, como as cobras de Medusa. Eu passei os meus dedos através deles, e desisti rapidamente. Afinal, quem se importava com como eu estava?
Eu peguei um cantil pendurado ao lado da porta da tenda e o balancei. Algo molhado fez barulho lá dentro, então eu desenrosquei a tampa e dei um gole pra molhar a minha boca com a água gelada. Havia comida por perto em algum lugar, mas eu não estava com fome o suficiente pra procurar por ela. Eu comecei a vagar no pequeno espaço claro, sentindo os olhos de Seth em mim o tempo inteiro. Como eu não olhava pra ele, na minha cabeça ele se tornou aquele garoto de novo, e não o lobo gigante. Muito mais parecido com o Jacob mais novo.
Eu queria pedir que Seth latisse ou algo assim pra dar um sinal de que Jacob estava voltando, mas eu me impedi. Não importava se Jacob ia voltar. Podia ser mais fácil se ele não voltasse. Eu queria ter alguma forma de ligar pra Edward.
Seth choramingou nesse momento, e ficou de pé.
—O que é?—, eu perguntei a ele, estupidamente.
Ele me ignorou, caminhando até a beira das árvores, e apontando o nariz na direção oeste. Ele começou a choramingar.
—São os outros, Seth?—, eu quis saber. —Na clareira?—
Ele olhou pra mim e ganiu suavemente uma vez, e aí virou seu nariz de volta para o oeste, alerta. As orelhas dele caíram pra trás, e ele choramingou de novo.
Porque eu era tão boba? No que eu estava pensando, mandando Edward embora? E se Edward e Jacob se perdessem? E se Edward decidisse se juntar à luta?
Um medo gélido se apoderou do meu estômago. E se a angústia de Seth não tivesse nada a ver com a clareira, e o choro dele tivesse sido uma negação? E se Jacob e Edward estivessem brigando um com o outro, longe na floresta?
Eles não iriam tão longe, iriam?
Com uma certeza repentina, arrepiante, eu me dei conta de que eles iriam sim - se as palavras erradas tiverem sido ditas. Eu pensei na sensação de retraimento dessa manhã na tenda, e me perguntei se eu havia subestimado o quão perto eles chegaram de uma briga.
Se eu perdesse eles dois, isso não seria nada além do que eu merecia.
O gelo travou no meu coração.
Antes que eu tivesse um colapso de medo, Seth rosnou um pouco, fundo dentro do peito, e se desviou das suas observações e voltou para o seu lugar de descanso. Isso me acalmou, mas me deixou irritada. Será que ele não podia escrever uma mensagem na terra ou alguma coisa assim?
A caminhada estava me fazendo suar embaixo da minhas camadas. Eu joguei o meu casaco na tenda, e aí eu voltei pra usar um pequeno lugar no centro de uma pequena pausa entre as árvores.
De repente, Seth pulou pra ficar de pé de novo, os pelos no pescoço dele estavam rigidamente em pé. Eu olhei ao redor, mas não vi nada. Se Seth não parasse com isso, eu ia atirar uma pinha nele.
Ele rosnou, um som baixo de aviso, se arrastando de novo para o lado oeste, e eu repensei a minha impaciência.
—Somos só nós, Seth—, Jacob disse à distância.
Eu tentei explicar a minha mesma porque o meu coração entrou na quarta marcha quando eu ouvi ele. Eu só estava com medo do que teria que fazer agora, isso era tudo. Eu não podia me permitir ficar aliviada porque ele estava de volta. Isso seria o oposto de uma ajuda.
Edward apareceu primeiro, seu rosto estava vazio e suave. Quando ele saiu do meio das árvores, o sol cintilou nele como fazia na neve. Seth foi saudar ele, olhando intentamente nos olhos dele. Edward balançou a cabeça lentamente, e preocupação fez a testa dele enrugar.
—Sim, isso é tudo o que precisamos—, ele murmurou pra si mesmo antes de se dirigir para o grande lobo. —Eu suponho que não deveríamos estar surpresos. Mas o timing vai ser bem apertado. Por favor faça Sam pedir a Alice pra tentar acertar melhor os horários—.
Seth baixou a cabeça uma vez, e eu desejei ser capaz de rosnar. Claro, agora ele podia balançar a cabeça. Eu virei a minha cabeça, aborrecida, e eu me dei conta de que Jacob estava lá.
Ele estava de costas pra mim, olhando pra o caminho de onde ele tinha vindo. Eu esperei cautelosamente que ele se virasse.
—Bella—, Edward murmurou, repentinamente bem ao meu lado. Ele olhou pra baixo pra mim com nada além de preocupação aparecendo em seus olhos. Não havia fim para a generosidade dele. Eu não o merecia mais agora do que sempre havia merecido.
—Há uma pequena complicação—, ele me disse, a voz dele cuidadosamente despreocupada. —Eu vou levar Seth em algumas direções pra entender isso. Eu não vou longe, mas eu também não vou ouvir. Eu sei que você não quer uma plateia, não importa que caminho você decida seguir—.
Apenas no final a dor quebrou na voz dele.
Eu nunca ia machucá-lo de novo. Essa seria a missão da minha vida. Eu nunca seria a razão pra aquele olhar nos olhos dele novamente.
Eu estava triste demais pra perguntá-lo qual era o problema. Eu não precisava de mais nada no momento.
—Volte rápido—, eu sussurrei.
Ele me beijou levemente nos lábios, e aí desapareceu na floresta com Seth ao seu lado.
Jacob ainda estava nas sombras das árvores; eu não podia ver a expressão dele claramente.
—Eu estou com pressa, Bella—, ele disse com uma voz inexpressiva. —Porque você não acaba logo com isso?—
Eu engoli, minha garganta estava seca de repente que eu não sabia se podia fazer algum som sair.
—Só diga as palavras, e tudo está acabado—.
Eu respirei fundo.
—Eu lamento por ser uma pessoa tão podre—, eu sussurrei. —Eu lamento por ter sido tão egoísta. Eu queria nunca ter te conhecido, pra não ter que te machucar do jeito que eu fiz. Eu não farei mais isso, eu prometo. Eu vou ficar longe de você. Eu vou me mudar do estado. Você não vai mais ter que olhar pra mim de novo—.
—Esse não é um pedido de desculpa muito bom—, ele disse acidamente.
Eu não consegui fazer a minha voz ser mais alta que um cochicho. —Me diga como fazer isso certo—.
—E se eu não quiser que você vá embora? E se eu preferisse que você ficasse, egoísta ou não? Será que eu não tenho nenhuma palavra, já que você está tentando acertas as coisas comigo?—
—Isso não vai ajudar em nada, Jake. Foi errado ficar com você quando você queria coisas tão diferentes. Isso não vai melhorar. Eu só vou continuar machucando você. Eu não quero mais te machucar. Eu odeio isso— Minha voz se partiu.
Ele suspirou. —Pare. Você não precisa dizer mais nada. Eu entendo—.
Eu queria dizer o quanto eu sentiria saudades dele, mas mordi minha língua. Isso também não ajudaria em nada.
Ele ficou quieto por um momento, olhando para o chão, e eu lutei contra a minha vontade de ir e passar os meus braços ao redor dele. De confortar ele.
E aí a cabeça dele se levantou.
—Bem, você não é a única capaz de se auto-sacrificar—, ele disse, sua voz estava mais forte. —Nesse jogo dois podem jogar—.
—O que?—
—Eu tenho me comportado muito mal ultimamente. Eu fiz isso ser muito mais difícil pra você do que precisava ser. Eu podia ter desistido de boa vontade no início. Mas eu te machuquei também.
—Isso é minha culpa—.
—Eu não vou deixar você reclamar a culpa aqui, Bella. E nem a glória também. Eu sei como me redimir—.
—Do que você está falando?—, eu quis saber. A luz repentina, frenética nos olhos dele me assustou.
Ele olhou para o sol e sorriu pra mim. —Há uma luta bem séria prestes a acontecer aqui. Eu não acho que será muito difícil tirar o meu time de cena—.
As palavras dele mergulharam no meu cérebro, vagarosamente, uma a uma, e eu não pude respirar. Apesar de todas as minhas intenções de cortar Jacob completamente da minha vida, eu não tinha me dado conta, até esse momento, o quanto a faca teria que ser profunda pra isso.
—Oh, não, Jake! Não, não, não, não—, eu botei pra fora horrorizada. —Não, Jake, não. Por favor, não— Os meus joelhos começaram a estremecer.
—Qual é a diferença, Bella? Isso só vai tornar as coisas mais convenientes pra todo mundo. Você não vai ter que se mudar—.
—Não!— A minha voz ficou mais alta. —Não, Jacob! Eu não vou deixar!—
—Como você vai me parar?—, ele escarneceu levemente, sorrindo pra tirar a pontada voz dele.
—Jacob, eu estou implorando. Fique comigo—. Eu teria ficado de joelhos, se eu pudesse me mexer.
—Por quinze minutos enquanto perco uma boa rixa? Pra que você possa fugir de mim assim que achar que eu estou a salvo? Você deve estar brincando—.
—Eu não vou fugir. Eu mudei de ideia. Nós vamos conseguir dar um jeito, Jacob. Sempre hà um compromisso. Não vá!—
—Você está mentindo—.
—Não estou. Você sabe que mentirosa horrível eu sou. Olhe nos meus olhos. Eu fico se você ficar—.
O rosto dele endureceu. —E eu posso ser o seu padrinho de casamento?—
Levou um minuto antes que eu pudesse falar, e mesmo assim a única resposta que eu pude dar pra ele foi, —Por favor—.
—Foi isso o que eu pensei—, ele disse, seu rosto ficando calmo de novo, mas havia uma luz turbulenta nos olhos dele.
—Eu te amo, Bella—, ele murmurou.
—Eu amo você, Jacob—, eu sussurrei com a voz partida.
Ele sorriu. —Eu sei disso melhor que você—.
Ele se virou pra ir embora.
—Qualquer coisa', eu chamei ele com a voz estrangulada. —Qualquer coisa que você quiser, Jacob. Só não faça isso!—
Ela pausou, se virando lentamente.
—Você não está realmente falando sério—.
—Fique—, eu implorei.
Ele balançou a cabeça. —Não, eu vou—. Ele pausou, como se estivesse decidindo alguma coisa. —Mas eu podia deixar isso nas mãos do destino—.
—O que você quer dizer?—, eu botei pra fora?
—Você não tem que fazer nada deliberadamente - eu podia simplesmente fazer o melhor pelo meu bando e deixar que o que tiver de acontecer, aconteça—. Ele levantou os ombros. —Se você me convencer de que realmente que eu volte - mais do que querer fazer uma coisa altruísta—.
—Como?—, eu perguntei.
—Você podia me pedir—, ele sugeriu.
—Volte—, eu sussurrei. Como ele podia duvidar que eu estava falando sério?
Ele balançou a cabeça, sorrindo de novo. —Não é disso que eu estava falando—.
Eu levei um segundo pra compreender o que ele estava falando, e todo o tempo ele estava olhado pra mim com aquela expressão superior - certo demais da minha reação. Assim que a realização bateu, no entanto, eu botei as palavras pra fora sem parar pra medir os custos.
—Jacob, você me beija?—
Os olhos dele se arregalaram com surpresa, e aí se estreitaram com surpresa. —Você está blefando—.
—Me beije, Jacob. Me beije, e depois volte—.
Ele hesitou na sombra, cauteloso consigo mesmo. Ele meio que se virou de novo para o oeste, o tórax dele se virando pra longe de mim enquanto os pés dele continuavam plantados onde estavam. Ainda olhando pra longe, ele deu um passo incerto em minha direção, e depois outro. Ele virou o rosto pra olhar pra mim, os olhos dele estavam duvidosos.
Eu encarei de volta. Eu não fazia de expressão que havia no meu rosto.
Jacob se virou nos calcanhares, e aí se lançou pra frente, fechando a distância que havia entre nós com três passadas longas.
Eu sabia que ele ia tirar vantagem da situação. Eu esperava isso. Eu fiquei muito imóvel - meus olhos fechados, meus dedos dobrados nos punhos aos lados do meu corpo - enquanto ele segurava o meu rosto entre as mãos e os lábios dele encontraram os meus com uma ansiedade que não estava distante da violência.
Eu podia sentir a raiva dele enquanto a boca dele encontrava a minha resistência passiva. Uma mão se moveu para a minha nuca, agarrando as raízes do meu cabelo com o seu punho. A outra mão agarrou o meu ombro com força, me balançando, e depois me trazer pra ele. As mãos dele continuaram a descer pelo meu braço, encontrando o meu pulso e colocando o meu braço ao redor do pescoço dele. Eu o deixei lá, minha mão ainda estava curvada no punho, incerta do quão longe eu iria no meu desespero de mantê-lo vivo.
Durante todo esse tempo, os lábios dele, desconcertamentemente macios e quentes, tentaram forçar uma resposta aos meus.
Assim que ele teve certeza que eu não ia abaixar o braço, ele soltou o meu pulso, as mãos dele indo em direção à minha cintura. A mão fervente dele encontrou a pele das minhas costas, e ele me puxou pra frente, ajustando o meu corpo contra o dele.
Os lábios dele desistiram dos meus por um segundo, mas eu sabia que ele ainda não estava nem perto de acabar. A boca dele seguiu a linha da minha mandíbula, e depois explorou o meu pescoço. Ele soltou o meu cabelo, pegando o meu outro braço pra colocá-lo em cima do seu pescoço assim como o primeiro.
Aí os dois braços dele estavam na minha cintura, e os lábios dele encontraram a minha orelha.
—Você consegue fazer melhor que isso, Bella—, ele sussurrou asperamente. —Você está pensando demais—.
Eu estremeci quando os dentes dele morderam o lóbulo da minha orelha.
—Isso mesmo—, ele murmurou. —Pelo menos uma vez, deixe-se sentir o que você sente—.
Eu balancei a minha cabeça mecanicamente até que uma das mãos dele voltou para o meu cabelo e me parou.
A voz dele se tornou ácida. —Você tem certeza que quer que eu volte? Ou você realmente quer que eu morra?—
A raiva me fez balançar como se fosse um saco de areia depois de um soco forte. Isso foi demais - ele não estava lutando justo.
Os meus braços já estavam ao redor dele, então eu agarrei uma mão cheia dos cabelos dele - ignorando a dor penetrante na minha mão direita - e lutei de volta, lutando pra levar o meu rosto pra longe do dele.
E Jacob entendeu errado.
Ele era forte demais pra reconhecer que as minhas mãos, tentando arrancar os cabelos dele das raízes, tentavam causá-lo dor. Ao invés de raiva, ele imaginou paixão. Ele pensou que eu estivesse correspondendo ele.
Com um movimento selvagem, ele trouxe sua boca de volta para a minha, os dedos dele se agarrando freneticamente à pele da minha cintura.
A onde de raiva desequilibrou o meu auto-controle tenaz; a resposta inesperada, estática dele o subverteu inteiramente. Se houvesse apenas triunfo, eu teria resistido. Mas a enorme alegria indefesa dele arrebentou a minha determinação, a incapacitou. O meu cérebro se desconectou do meu corpo, e eu estava beijando ele de volta. Contra todas as razões, os meus lábios estavam se movendo nos dele de formas estranhas, confusas, que nunca haviam se movimentado antes - porque eu não precisava ser cuidadosa com Jacob, e ele certamente não estava sendo cuidadoso comigo.
Os meus dedos apertaram os cabelos dele, mas agora eu estava o trazendo mais pra perto.
Ele estava em todo lugar. A penetrante luz do sol deixou as minhas pálpebras vermelhas, e a cor se ajustava, combinava com o calor. O calor estava em todo lugar. Eu não podia ver ou ouvir ou sentir outra coisa que não fosse Jacob.
A pequena parte do meu cérebro que retinha a sanidade gritava perguntas pra mim.
Porque eu não estava parando isso? Pior que isso, porque eu não podia encontrar em mim mesma nem o desejo de querer pará-lo? O que significava eu não querer que ele parasse? Que as minhas mãos estavam agarrando os ombros dele, e que elas gostavam que eles fossem largos e fortes? Que as mãos dele me puxassem com tanta força contra ele, e mesmo assim isso não era o suficiente pra mim?
As perguntas eram estúpidas, porque eu sabia a resposta: eu estive mentindo pra mim mesma.
Jacob estava certo. Ele esteve certo o tempo inteiro. Ele era mais que só meu amigo. Era por isso que era tão impossível dizer adeus a ele - porque eu estava apaixonada por ele. Também. Eu amava ele, muito mais do que eu deveria, e mesmo assim, não era nem de perto o suficiente. Eu estava apaixonada por ele, mas isso não era o suficiente pra mudar tudo; só era o suficiente pra nos machucar ainda mais. Pra magoar mais do que eu já tinha feito.
Eu não me importava pra mais que isso - a dor dele. Eu merecia mais do que qualquer dor que isso causasse pra mim. Eu esperava que fosse ruim. Eu esperava que eu realmente sofresse.
Nesse momento, parecia que éramos a mesma pessoa. A dor dele sempre foi e sempre seria a minha dor - agora a alegria dele era a minha alegria. Eu sentia alegria também, e mesmo assim, a alegria dele de alguma forma também era dor. Quase tangível - ela queimava na minha pele como ácido, uma dor lenta.
Por um segundo breve, sem fim, um caminho inteiramente diferente se expandiu atrás das pálpebras dos meus olhos molhados de lágrimas. Como se eu estivesse olhando pra algum compartimento dentro dos pensamentos de Jacob, eu podia ver exatamente as coisas das quais eu abriria mão, exatamente o que esse novo auto-conhecimento não ia me salvar de perder. Eu podia ver Charlie e Renée misturados em uma estranha colagem com Billy e Sam e La Push. Eu podia ver os anos se passando, e significando alguma coisa enquanto passavam, me mudando. Eu podia ver o enorme lobo marrom-avermelhado que eu amava, sempre protetor se eu precisasse dele. Pelo menor fragmento desse segundo, eu vi as cabeças saltitantes de duas crianças, de cabelos pretos, correndo pra longe de mim e pra dentro da floresta familiar. Quando eles desapareceram, o resto da visão foi com eles.
E aí, bem distintamente, eu senti uma fissura na linha do meu coração enquanto a parte menor se separava do resto.
Os lábios de Jacob ficaram imóveis antes dos meus. Eu abri os meus olhos e ele estava olhando pra mim com maravilha e elação.
—Eu tenho que ir embora—, ele sussurrou.
—Não—.
Ele sorriu, contente com a minha resposta. —Eu não vou demorar—, ele prometeu. —Mas primeiro uma coisa...—
Ele se inclinou pra me beijar de novo, e não havia razão pra resistir. Qual seria a necessidade?
Dessa vez foi diferente. As mãos dele estavam macias no meu rosto e os lábios dele eram gentis, inesperadamente excitantes. Foi breve, e muito, muito doce.
Os braços dele se curvaram ao meu redor, e ele me abraçou seguramente enquanto sussurrava no meu ouvido.
—Esse devia ter sido o nosso primeiro beijo. Antes tarde do que nunca—.
Contra o peito dele, onde ele não podia ver, as lágrimas rolaram e se espalharam.

21 comentários:

  1. Respostas
    1. Neh?! kkk Nunca superarei isso... já que não consegui mesmo depois de três anos do fim...

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    2. Eu tô aqui chorando de raiva olha o q eu pensei Jacob_Jem, Edward_Will, Bella_Tess. Mas graças a deus ela fica com o edward (tessa e jem=decepção)

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    3. Afffff Jacob é um filho da puta

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    4. S e a bella e a puta meu eu dizia q morra seu aproveitador a imbecil ainda bja ele vsf edward merecia coisa melhor queria q ele tivesse traido ela tbm 2 vezes hahahaha muuuahahahaha
      Gu

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  2. Aff que decepção bella

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  3. nNum to entendendo mais nada só sei que isto foi nojento,gostava do Jacob mas sinceramente o Jasper está mais atraente agora

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  4. Discordo totalmente de todo mundo. Seria irreal se ela não reconhecesse o que sente por ele. Só quem passou por isso sabe como é: ser dividida ao meio por duas paixões tão diferentes... Muuuuito bom esse capítulo!

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  5. MDS a Bella ta noiva ela n podia fazer isso com o Edward!

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  6. RIDÍCULA! Se decida querida!

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  7. Bella p.... e edward ta me parecendo um .... manso !! A saga esta otima até agora

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  8. Realmente Edward ta me parecendo corno e ta fazendo bem praquela ordinária

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  9. ISSO É TRAIÇÃO BELLA!!!!!,burra você ama Edward...que decepção.

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  10. Sinceramente desanimei!! Não gosto desses romances que colocam traição, e a Bella traiu sim o Edward... decepção total! Não importa que ela termine com o Edward e o Jacob depois dessa palhaçada toda tenha aquele final(que sinceramente eu odiei), simplesmente desanimei... Vou terminar só pra terminar mesmo!!!

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  11. Odiei isso! Apesar dela ter q assumir o q sente pelo jacob(eu torço pelo edward e ela vai ficar com ele), ela ta noiva! Achei isso muito feio! E o edward tem q tomar vergonha na cara e deixar de aceitar tudo relacionado ao jacob camalmente! Eu gosto do jacob,mas n cm a bella!

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  12. Geeeente!!!!! Já começo a ler o capítulo imaginando os comentários de vocês kkkkkkk muito bom!!!!! Adoro ter companheiros de leitura kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  13. Tou rindo muuuito do comentarios de vcs , mas relativamente eu odieei esse capitulo na verdade nesse livro eu so gosto de qnd ele volta da caça pela segunda vez , e qnd ela se aceita casar ....FIM

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  14. Há Bella . Querida eu te adoro , mas sério ? Eu tbm adoro o Jacob , mas vc é do Edward e ele é seu ? E se ele beija-se outra ? Nunca gostei dessa parte , e Lua Niva é de longe o meu livro favorito, apesar de amar toda a série .:'(

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  15. Gente, pelo amor de Deus. Vocês não vêem que o Edward ama a Bella e quer o melhor pra ela? E um quase humano é melhor que um vampiro na visão dele. É lógico que ele n vai ficar com raiva da Bella aff

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  16. Eu senti uma forte vontade de vomitar durante todo momento q ela beija Jacob eca, mto amor da parte do Edward p n se importar cm isso eu n lugar dele ficaria louca e ela otaria fica caindo no jogo sujo d Jacob, por isso nunca fui team jake ele n respeita a escolha dela e fica insistindo msm sabendo q qm ela ama msm é o Edward aff

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