24 de setembro de 2015

Capítulo 22 - Voo

Demetri nos deixou na alegre recepção opulenta, onde a mulher chamada Gianna ainda estava no seu posto atrás do balcão polido. Uma música brilhante, inofensiva saía dos auto falantes.
— Não deixem até que esteja escuro — ele nos advertiu.
Edward balançou a cabeça, e Demetri se apressou pra ir embora. Gianna não pareceu nem um pouco surpresa com a mudança, apesar dela ter olhado para a manta emprestada de Edward com astuta especulação.
—Você está bem? — Edward perguntou por baixo do fôlego, baixo demais para a mulher humana ouvir. A voz dele estava dura - se veludo puder ser duro - com ansiedade. Ainda estressado pela nossa situação, eu imaginei.
— É melhor você sentar ela antes que ela caia — Alice disse. — Ela está caindo aos pedaços.
Foi só aí que eu me dei conta de que estava tremendo, tremendo muito, meu corpo inteiro estava vibrando até que os meus dentes começaram a bater e a sala começou a balançar e parecer um borrão na frente dos meus olhos. Por um louco segundo, eu me perguntei se era assim que Jacob se sentia quando estava prestes a explodir em lobo.
Eu ouvi um som que não fazia sentido, um estranho contraponto, rasgante, diferente da música que outrora estava tão alegre. Distraída pelos tremores, eu não sabia dizer de onde ele estava vindo.
— Shh, Bella, shh — Edward disse enquanto me colocava no sofá mais distante da curiosa humana no balcão.
— Eu acho que ela está ficando histérica. Talvez você devesse dar um tapa nela — Alice sugeriu.
Edward deu uma olhada frenética pra ela.
Foi aí que eu entendi. Oh. O barulho era eu. O som rasgante estava vindo do meu peito. Era isso que estava me fazendo tremer.
— Está tudo bem, você está a salvo, está tudo bem — ele cantava de novo e de novo. Ele me colocou no colo e passou a manta grossa por cima de mim, me protegendo da sua pele fria.
Eu sabia que era estupidez reagir assim. Quem sabia quanto tempo eu ainda teria nessa situação? Ele estava a salvo, e eu estava a salvo, e ele podia me deixar assim que nós estivéssemos livre.
Ter os meus olhos tão cheios de lágrimas que eu não podia nem enxergar o rosto dele era um desperdício - uma insanidade. Mas, atrás dos meus olhos, minhas lágrimas não conseguiam lavar a imagem, eu ainda podia ver o rosto cheio de pânico da pequena mulher com o rosário.
— Todas aquelas pessoas — eu solucei.
— Eu sei — ele cochichou.
— É tão horrível.
— Sim, é sim. Eu queria que você não tivesse que ter visto aquilo.
Eu descansei minha cabeça no seu peito gelado, usando a manta grossa pra limpar meus olhos. Eu respirei fundo algumas vezes, pra me acalmar.
— Há alguma coisa que eu possa pegar pra vocês? — uma voz perguntou educadamente. Era Gianna se inclinando por cima do ombro de Edward que era de preocupação e ainda profissional e destacado ao mesmo tempo. Ela não parecia estar incomodada com o fato de que estava a poucos centímetros de um vampiro hostil. Ou ela era completamente inconsciente, ou muito boa em seu trabalho.
— Não —Edward respondeu friamente.
Ela balançou a cabeça, sorriu pra mim, e depois desapareceu. Eu esperei até que ela saísse da área de escuta.
— Ela sabe o que está acontecendo por aqui? — Eu quis saber, minha voz esta baixa e rouca. Eu estava me controlando, minha respiração saindo uniformemente.
— Sim. Ela sabe de tudo — Edward me disse.
— Ela sabe que eles vão matá-la um dia?
— Ela sabe que é uma possibilidade — ele disse.
Isso me surpreendeu.
O rosto de Edward era difícil de ler.
— Ela está esperando que eles decidam ficar com ela.
Eu senti o sangue fugir do meu rosto.
— Ela quer ser um deles?
Ele acenou com a cabeça uma vez, seus olhos afiados no meu rosto, observando minha reação.
Eu levantei os ombros.
— Como é que ela pode querer isso? — Eu sussurrei, mais pra mim mesma do que realmente procurando por uma resposta. — Como é que ela pode ver aquelas pessoas enchendo aquela sala odiosa e querer ser parte disso?
Edward não respondeu. A expressão dele se torceu em resposta a alguma coisa que eu havia dito. Eu olhei para o seu rosto perfeito demais, tentando entender a mudança, e de repente me caiu a ficha de que eu estava realmente aqui, nos braços de Edward, mesmo que por pouco tempo, e nós não estávamos - nesse exato momento - prestes a sermos mortos.
— Oh, Edward — eu chorei, e já estava soluçando de novo. Era uma reação estúpida. As lágrimas eram grossas demais pra que eu pudesse ver o rosto dele de novo, e isso era imperdoável. Eu só tinha até o pôr do sol com certeza. Como um conto de fadas de novo, com fim da linha onde a magia acabava.
— Qual é o problema? — ele perguntou, ainda ansioso, esfregando as minhas costas com palmadinhas gentis.
Eu passei meus braços ao redor do pescoço dele - qual era a pior coisa que ele podia fazer? Só me afastar - e me abracei mais perto dele.
— É realmente doentio da minha parte estar feliz agora? — Eu perguntei. Minha voz se quebrou duas vezes. Ele não me afastou. Ele me agarrou apertado no seu peito duro e gelado, tão apertado que era difícil respirar, mesmo com os meus pulmões seguramente intactos.
— Eu sei o que você quer dizer — ele sussurrou. — Mas nós temos muitas razões pra estarmos felizes. Pra começar, estamos vivos.
— Sim — eu concordei. — Essa é uma boa.
— E juntos — ele respirou. O hálito dele era tão doce que fez minha cabeça girar.
Eu só balancei a cabeça, certa de que ele não considerava essa consideração como eu.
— E, com alguma sorte, ainda estaremos vivos amanhã.
— Espero que sim — eu disse com dificuldade.
— As chances são muito boas — Alice me assegurou. Ela esteve tão quieta, que eu quase me esqueci da presença dela. — Eu vou ver Jasper em menos de vinte e quatro horas — ela adicionou com um tom satisfeito. Alice sortuda. Ela podia confiar em seu futuro. Eu não consegui manter meus olhos longe dos olhos de Edward por muito tempo. Eu olhei pra ele, querendo mais do que tudo que o futuro nunca acontecesse. Que esse momento durasse pra sempre, ou, se não pudesse, que eu parasse de existir quando esse momento não existisse.
Edward olhou de volta pra mim, seus olhos escuros estavam suaves, e foi fácil fingir que ele se sentia do mesmo jeito. Então foi isso que eu fiz. Eu fingi, pra tornar o momento mais doce. As pontas dos dedos dele traçaram os círculos embaixo dos meus olhos.
— Você parece tão cansada.
— Você parece com sede — eu cochichei de volta, estudando as manchas roxas embaixo das suas íris pretas.
Ele levantou os ombros.
— Não é nada.
— Você tem certeza? Eu posso ir me sentar com Alice — eu ofereci, sem vontade; eu preferia que ele me matasse agora do que me mover um centímetro de onde eu estava.
— Não seja ridícula — Ele suspirou; seu hálito doce acariciou meu rosto.
— Eu nunca tive mais controle dessa parte da minha natureza do que agora — Eu tinha um milhão de perguntas pra ele. Uma delas fez cócegas nos meus lábios agora, mas eu segurei a minha língua. Eu não queria arruinar o momento, mesmo imperfeito como era, aqui nessa sala que me deixava doente, embaixo dos olhos de uma aprendiz de monstro.
Aqui nos braços dele, era tão fácil fantasiar que ele me queria. Eu não queria pensar nas motivações dele agora - se ele estava agindo assim pra me manter calma enquanto ainda estávamos correndo perigo, ou se ele só se sentia culpado por estarmos onde estávamos e aliviado que não era responsável pela minha morte. Talvez o tempo separado fosse o suficiente para que eu não o aborrecesse no momento. Mas isso não importava. Eu estava muito mais feliz fingindo.
Eu fiquei quieta nos braços dele, re-memorizando o seu rosto, fingindo... Ele olhava para o meu rosto como se estivesse fazendo o mesmo, enquanto ele e Alice discutiam como voltar pra casa. As vozes deles eram tão rápidas e baixas que eu sabia que Gianna não conseguia entender. Eu mesma perdi a metade. No entanto, parecia que havia mais roubos envolvidos. Eu me perguntei se o Porshe amarelo chamativo já havia voltado para o seu dono.
— Que conversa foi aquelas sobre cantores? — Alice perguntou uma hora.
— La tua cantante — Edward disse. A voz dele fez as palavras parecerem música.
— Sim, isso — Alice disse, e eu me concentrei por um momento. Eu havia me perguntado sobre isso também, naquela hora.
Eu senti Edward levantar os ombros os meu redor.
— Eles têm um nome pra as pessoas que cheiram como a Bella cheira pra mim. Eles a chamam de minha cantora - porque o sangue dela canta pra mim.
Alice sorriu. Eu estava cansada o suficiente pra dormir, mas eu lutei contra a inconsciência. Eu não ia perder nem um segundo do tempo que tinha com ele. De vez em quando, enquanto ele falava com Alice, ele se inclinava de repente e me beijava - seus lábios gelados e macios passavam no meus cabelos, na minha testa, a ponta do meu nariz. E cada vez era como se um choque elétrico estivesse passando no meu coração há muito adormecido. Os sons das batidas dele pareciam encher a sala inteira. Era o paraíso - bem no meio do inferno. Eu perdi completamente a noção do tempo. Então quando os braços de Edward se apertaram ao meu redor, e ele e Alice olharam para o fim da sala com olhos cautelosos, eu entrei em pânico. Eu me apertei no peito de Edward enquanto Alec - seus olhos de uma cor rubi vívida agora, mas ainda impecável com o seu terno cinza claro apesar da refeição da tarde - passou pela porta dupla. Eram boas notícias.
— Vocês estão livres pra ir agora — Alec nos disse, o tom dele era tão cálido que se poderia pensar que éramos todos amigos de longa data.
— Nós os pedimos que não se demorem na cidade.
Edward não inventou nenhuma resposta educada; a voz dele era fria como gelo.
— Isso não será um problema.
Alec sorriu, balançou a cabeça, e desapareceu novamente.
— Sigam o corredor direito ao redor da esquina para chegarem no primeiro pavimento de elevadores — Gianna nos disse enquanto Edward me ajudava a ficar de pé. — O saguão é dois andares abaixo, e é a saída para a rua. Adeus, agora — ela adicionou prazerosamente.
Eu me perguntei se a competência dela seria o suficiente pra salvá-la. Alice deu uma olhada obscura pra ela. Eu estava aliviada por haver outra saída; eu não tinha certeza de que podia aguentar outro passeio pelos subterrâneos.
Nós deixamos pelo saguão luxuoso. Eu fui a única que olhou de volta para o castelo medieval que abrigava aquela fachada elaborada de lugar de negócios de onde eu não conseguia ver a torre, motivo pelo qual eu fiquei agradecida.
A festa ainda estava com força total nas ruas. As luzes das ruas ainda estavam se acendendo enquanto nós andávamos rapidamente pelas apertadas ruas lotadas. O céu lá em cima estava de uma cor cinza sombria que estava desaparecendo, mas os prédios na rua ficavam tão próximos um do outro que pareciam estar mais escuro.
A festa também estava mais escura. A longa e esvoaçante manta e Edward não se destacava muito do que devia ser mais uma noite normal em Volterra. Havia outras mantas de cetim preto agora, e os dentes de plástico com as presas que eu vi na criança da praça essa tarde parecia ser muito popular com os adultos.
— Ridículo — Edward murmurou uma vez.
Eu não reparei quando Alice desapareceu do meu lado. Eu olhei pra ela pra fazer uma pergunta, e ela tinha sumido.
— Onde está Alice? — eu perguntei em pânico.
— Ela foi recuperar as suas bolsas de onde ela as escondeu hoje de manhã.
Eu havia esquecido que tinha acesso a uma escova de dentes. Isso abrilhantou o meu humor consideravelmente.
— Ela está roubando um carro também, não está? — eu adivinhei.
Ele abriu um sorriso.
— Não até estarmos do lado de fora.
Pareceu demorar muito tempo até chegarmos à entrada. Edward podia ver que eu estava exausta; ele colocou seu braço ao redor da minha cintura e carregou a maior parte do meu peso enquanto caminhávamos.
Eu tremi quando ele me puxou pelo arco de pedras pretas. O enorme portão antigo acima era como a porta de uma gaiola, ameaçando cair sobre nós, nos trancar do lado de dentro. Ele me guiou em direção a um carro escuro, esperando numa piscina de sombras à direita do portão que estava com o motor ligado.
Para a minha surpresa, ele escorregou no banco de trás comigo, ao invés de insistir em dirigir. Alice estava apologética.
— Me desculpem — Ela fez um gesto vago em direção do painel. — Não havia muita escolha.
— Está tudo bem, Alice — Ele sorriu. — Eles não podiam ser todos carros de emergência Turbos.
Ela suspirou.
— Eu posso ter que adquirir um daqueles legalmente. Foi fabuloso.
— Eu vou te dar um no natal — Edward prometeu.
Alice se virou brilhando pra ele, e isso me preocupou, já que ela já estava descendo a curvinha da colina à toda velocidade ao mesmo tempo.
— Amarelo — ela disse pra ele.
Edward me manteve apertada nos braços dele. Dentro da manta cinza, eu estava aquecida e confortável. Mais que confortável.
— Você pode dormir agora, Bella — ele murmurou. — já acabou.
Eu sabia que ele estava se referindo ao perigo, ao pesadelo na cidade antiga, mas eu ainda tive que engolir seco antes de poder responder.
— Eu não quero dormir. Eu não estou cansada —.Só a segunda parte era mentira. Eu não ia fechar meus olhos. O carro só estava fracamente iluminado pelos controles no painel, mas isso era o suficiente pra eu poder ver o rosto dele. Ele pressionou seus lábios no côncavo embaixo da minha orelha.
— Tente — ele encorajou. Eu balancei minha cabeça.
Ele suspirou.
— Você ainda é só uma teimosa — Eu era teimosa; eu lutei com as minha pálpebras pesadas, e ganhei. A estrada escura foi a parte mais difícil; as luzes claras do aeroporto de Florença facilitaram as coisas, enquanto eu tive a chance de escovar os meus dentes e de trocar de roupa e colocar uma limpa; Alice havia trazido roupas pra Edward também, e ele deixou a manta escura em uma pilha de lixo em um corredor.
A viagem até Roma foi tão curta que a fadiga nem teve uma chance de tomar conta de mim. Eu sabia que a viagem de Roma para Atlanta seria um problema inteiramente diferente, então eu pedi à comissária de bordo que me trouxesse uma Coca.
— Bella — Edward disse desaprovando. Ele sabia que eu tinha baixa tolerância à cafeina.
Alice estava atrás de nós. Eu podia ouvir ela murmurando com Jasper no telefone.
— Eu não quero dormir — eu lembrei ele. Eu dei a ele uma desculpa na qual ele acreditou porque era verdade. —Se eu fechar meus olhos agora, eu vou ver coisas que não quero ver. Eu vou ter pesadelos.
Ele não discutiu comigo depois disso. Seria uma boa hora pra conversar, pra pegar as respostas que eu precisava - precisava mas não realmente queria; eu já estava me desesperando com o pensamento do que teria que ouvir. Nós tínhamos um bom tempo pra não sermos interrompidos, e ele não escaparia de mim num avião - bem, pelo menos, não facilmente.
Ninguém nos ouviria exceto Alice; estava tarde e a maioria dos passageiros estava apagando as luzes e pedindo por travesseiros em vozes murmuradas. Conversar me manteria longe da exaustão. Mas, perseveramente, eu mordi minha língua pra conter o meu dilúvio de perguntas. O meu bom senso provavelmente era provindo da exaustão, mas eu esperei que adiando a conversa, eu podia ter direito a passar mais algumas horas com ele mais tarde - fazer isso durar por mais uma noite, ao estilo Sherazade.
Então eu continuei bebendo o meu refrigerante, e resistindo à minha vontade de piscar. Edward parecia perfeitamente contente em me segurar em seus braços, os dedos dele traçando o meu rosto de novo e de novo. Eu toquei o seu rosto também.
Eu não conseguia evitar, apesar de eu estar com medo de que isso pudesse me machucar depois, quando eu estivesse sozinha de novo. Ele continuou a beijar o meu cabelo, minha testa, meus pulsos... mas nunca meus lábios, e isso era bom. Afinal, de quantas outras formas um coração podia ser maltratado e ainda esperar continuar batendo?
Eu havia vivido muitas coisas que podiam ter acabado comigo nesses últimos dias, mas isso não me fez sentir mais forte. Ao invés disso, eu me sentia horrivelmente frágil, como se um palavra pudesse me fazer em pedaços.
Edward não falou. Talvez ele estivesse esperando que eu fosse dormir. Talvez ele não tivesse nada pra dizer. Eu ganhei a briga contra as minhas pálpebras pesadas. Eu estava acordada quando chegamos no Aeroporto em Atlanta, e eu tinha até começado a ver o sol nascendo entre as nuvens em Seattle antes de Edward fechar a janela. Eu estava orgulhosa de mim mesma. Eu não havia perdido nenhum minuto.
Nem Alice nem Edward ficaram surpresos com a recepção que estava esperando por nós no aeroporto Sea-Tac, mas eu fui pega de surpresa. Jasper foi o primeiro que eu vi, mas ele não me viu. Seus olhos foram só pra Alice. Ela foi rapidamente para o lado dele; eles não se abraçaram como os outros casais se encontrando lá. Eles só olharam para o rosto um do outro, e mesmo assim, de alguma forma, o momento era tão particular que eu ainda senti a necessidade de desviar o olhar.
Carlisle e Esme esperavam num canto quieto longe da fila dos detectores de metal, na frente de uma grossa pilastra. Esme veio em minha direção, me abraçando impetuosamente, mas ainda estranhamente, porque Edward também estava com os braços ao meu redor.
— Muito obrigada — ela disse no meu ouvido. Então ela jogou os braços ao redor de Edward, e ela parecia que estaria chorando se isso fosse possível.
— Você nunca vai me fazer passar por isso de novo — ela quase rosnou. Edward sorriu, arrependido.
— Desculpa, mãe.
— Obrigado, Bella — Carlisle disse. — Nós ficamos te devendo.
— Dificilmente — eu murmurei. A falta de sono da noite era de repente dominante. Minha cabeça parecia estar desconectada do meu corpo.
— Ela está morta em cima dos pés — Esme repreendeu Edward. —Vamos levá-la para casa.
Sem ter muita certeza de que ir pra casa era o que eu queria nesse momento, eu tropecei, meio cega, pelo aeroporto, com Edward me arrastando de um lado e Esme do outro. Eu não sabia se Alice e Jasper estavam atrás de nós, e eu estava exausta demais pra olhar.
Eu acho que já estava adormecida, apesar de ainda estar caminhando, quando nós chegamos no carro. A surpresa de ver Emmett e Rosalie se encostando no sedan preto embaixo das luzes fracas da garagem me acordou um pouco. Edward enrijeceu.
— Não — Esme sussurrou. — Ela se sente péssima.
— Ela devia — Edward disse, sem fazer nenhuma tentativa de manter a voz baixa.
— Não é culpa dela — eu disse, minhas palavras saíram grogues com a exaustão.
— Deixe ela se desculpar — Esme implorou. —Nós vamos com Alice e Jasper.
Edward encarou a vampira loira absolutamente adorável esperando por nós.
— Por favor, Edward — eu disse. Eu não queria andar com Rosalie mais do que ele parecia querer, mas eu já havia causado discórdia suficiente na família dele.
Ele suspirou, e me guiou em direção ao carro. Emmett e Rosalie foram para o banco da frente sem falar nada, enquanto Edward me colocava no de trás de novo. Eu sabia que não seria mais capaz de lutar contra as minhas pálpebras, e eu inclinei minha cabeça no peito dele desistindo, deixando elas se fecharem. Eu senti o carro sendo ligado.
— Edward —Rosalie começou.
— Eu sei — o tom brusco de Edward não era generoso.
— Bella? — Rosalie perguntou suavemente.
Minhas pálpebras de abriram com o choque. Era a primeira vez que ela falava diretamente comigo.
— Sim, Rosalie? — eu perguntei, hesitante.
— Eu lamento muito mesmo, Bella. Eu me sinto horrível com cada parte disso, e muito agradecida que você tenha sido corajosa o suficiente pra ir salvar o meu irmão depois do que eu fiz. Por favor, me diga que vai me perdoar.
As palavras soaram estranhas, abafadas por causa da vergonha dela, mas elas pareceram sinceras.
— É claro, Rosalie — eu murmurei, me agarrando a qualquer chance de fazer ela me odiar um pouco menos. — Não é culpa sua de jeito nenhum. Fui eu quem pulou da droga do precipício. É claro que eu te perdoo.
As palavras saíram como se eu estivesse de boca cheia.
— Isso não conta até que ela esteja consciente, Rose — Emmett gargalhou.
— Eu estou consciente — eu disse; só que isso só soou como um suspiro pré fabricado.
— Deixem ela dormir — Edward insistiu, mas a voz dele estava um pouco mais cálida.
Tudo ficou quieto nessa hora, exceto pelo barulho gentil do motor. Eu devo ter caído no sono, porque só pareceram ter se passado segundos quando a porta se abriu e Edward estava me carregando do carro. Meus olhos não se abriam. Primeiro eu pensei que ainda estávamos no aeroporto.
E depois eu ouvi Charlie.
— Bella — ele gritou de uma certa distância.
— Charlie — eu murmurei tentando sair da letargia.
— Shh — Edward sussurrou. — Está tudo bem; você está em casa e a salvo. Só durma.
— Eu não posso acreditar que você tem a cara de pau de aparecer aqui —Charlie gritou pra Edward, a voz dele muito mais próxima agora.
— Para com isso, pai — eu gemi. Ele não me ouviu.
— Qual é o problema com ela? — Charlie quis saber.
— Ela só está muito cansada, Charlie —Edward assegurou baixinho.
— Por favor, deixe ela descansar.
— Não me diga o que fazer!— Charlie gritou. — Dê ela pra mim. Tire suas mãos dela!
Edward tentou me passar pra Charlie, mas eu me agarrei a ele com os dedos trincados, tenazes. Eu podia sentir meu pai puxando meu braço.
— Sai dessa, pai — eu disse com mais volume. Eu consegui abrir as minhas pálpebras o suficiente para olhar pra Charlie nos os olhos turvos. — Fique bravo comigo.
Nós estávamos na frente da minha casa. A porta da frente estava aberta. A nuvem que pairava em cima das nossas cabeças estava grossa demais pra eu poder adivinhar que horas eram.
— Você pode apostar que eu vou ficar — Charlie prometeu. — Vá pra dentro.
— Tá. Me ponha no chão — eu suspirei.
Edward me colocou de pé. Eu podia ver que estava de pé, mas não conseguia sentir as minhas pernas. Eu andei em frente mesmo assim, até que a calçada começou a se aproximar do meu rosto. Os braços de Edward me agarraram antes que eu atingisse o concreto.
— Só me deixe levá-la até lá em cima — Edward disse. — Depois eu vou embora.
— Não — eu chorei entrando em pânico. Eu ainda não tinha conseguido as minhas respostas. Ele tinha que ficar pelo menos mais um pouco, não tinha?
— Eu não vou estar longe — Edward prometeu, sussurrando no meu ouvido pra que Charlie não tivesse a esperança de ouvir.
Eu não ouvi Charlie responder, mas Edward me levou até em casa. Meus olhos abertos só aguentaram até quando ele chegou à escada. A última coisa que eu senti foram os dedos frios de Edward soltando meus dedos da camisa dele.

2 comentários:

  1. Enfim eu entendi o que significa quando Aro no filme fala "La tua cantante". Gostei!

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  2. Mas por que levar a Bella pra casa assim tão desesperada de sono? Se eu fosse o Charlie eu ia achar que Edward havia drogado minha filha!

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