29 de setembro de 2015

Capítulo 22 - Prometida

Pensar em Renesmee a trouxe ao centro do palco de minha mente nova, estranha e espaçosa, mas que facilmente se distraía. Tantas eram as perguntas.
— Fale-me dela — insisti enquanto ele pegava minha mão.
Andar de mãos dadas não nos retardava.
— Nada neste mundo se iguala a ela — disse-me ele, e o som de uma devoção quase religiosa estava presente de novo em sua voz.
Senti uma pontada aguda de ciúme daquela estranha. Ele a conhecia, e eu ainda não. Não era justo.
— Ela é parecida com você? É parecida comigo? Ou com o que eu era, pelo menos.
— Parece uma divisão perfeita.
— Ela tem sangue quente — lembrei.
— Sim. E tem batimento cardíaco, embora seja um pouco mais rápido que o coração de um humano. Sua temperatura é um pouco mais alta que o normal. Ela dorme.
— É mesmo?
— Bastante bem para uma recém-nascida. Os únicos pais do mundo que não precisam dormir, e nossa filha já dorme a noite toda. — Ele riu.
Gostei do modo como ele disse nossa filha. As palavras a tornavam mais real.
— Os olhos dela têm exatamente a cor dos seus, de modo que isso, afinal, não se perdeu. — Ele sorriu para mim. — Eles são lindos.
— E a parte vampira? — perguntei.
— A pele dela parece quase tão impenetrável quanto a nossa. Não que alguém tenha pensado em testar.
Eu pisquei, um tanto chocada.
— É claro que ninguém faria isso — ele me tranquilizou de novo — A dieta... bem, ela prefere beber sangue. Carlisle continua tentando convencê-la a beber uma mistura para bebês também, mas ela não tem muita paciência com isso. Não posso dizer que a culpo... A coisa tem um cheiro horrível, até para uma comida de humanos.
Eu agora estava boquiaberta. Ele falava como se os dois andassem conversando.
— Convencê-la?
— Ela é inteligente, impressionantemente inteligente, e progride a um ritmo imenso. Embora não fale... ainda... ela se comunica com muita eficácia.
— Não. Fala. Ainda.
Ele reduziu o ritmo mais um pouco, deixando que eu absorvesse aquilo.
— O que quer dizer com ela se comunica com eficácia? — perguntei.
— Creio que será mais fácil você... ver por si mesma. É difícil descrever.
Pensei naquilo. Eu sabia que havia muita coisa que precisava ver por mim mesma antes de ser real. Não sabia bem para o quanto mais eu estava preparada, então mudei de assunto.
— Por que Jacob ainda está aqui? — perguntei. — Como ele consegue suportar? Por que suporta? — Minha voz tremeu um pouco. — Por que ele teria de sofrer mais?
— Jacob não está sofrendo — disse ele num tom novo e estranho. — Embora eu possa estar disposto a mudar essa condição — acrescentou Edward entredentes.
— Edward! — sibilei, dando-lhe um puxão para que parasse (e sentindo uma leve arrogância por poder fazer isso). — Como pode dizer isso? Jacob abriu mão de tudo para nos proteger! O que eu o fiz passar...! — Eu me encolhi com a obscura lembrança de vergonha e culpa. Agora parecia estranho que eu precisasse tanto dele na época. Aquela sensação de ausência, sem ele por perto, tinha desaparecido; devia ser uma fraqueza humana.
— Você verá exatamente por que posso dizer isso. — murmurou Edward. — Prometi a ele que eu o deixaria explicar, mas duvido de que você vá ver forma diferente da minha. É claro que, em geral, eu estou errado com relação a seus pensamentos, não é? — Ele franziu os lábios e olhou para mim.
— Explicar o quê?
Edward sacudiu a cabeça.
— Eu prometi. Embora não saiba se realmente ainda devo a ele alguma coisas.
Seus dentes trincaram.
— Edward, não estou entendendo. — A frustração e a indignação dominavam minha mente.
Ele afagou meu rosto e sorriu com delicadeza quando minha expressão se suavizou, o desejo momentaneamente sobrepujando a irritação.
— É mais difícil do que você faz parecer, eu sei. Eu lembro.
— Não gosto de ficar confusa.
— Eu sei. Então vamos para casa, assim você pode ver com seus próprios olhos — seus olhos percorreram o que restava de meu vestido quando ele falou em ir para casa, e sua testa se franziu. — Humm.
Depois de meio segundo de reflexão, ele desabotoou a camisa branca e a estendeu para que eu a vestisse.
— Está tão ruim assim?
Ele deu um sorriso malicioso. Passei os braços nas mangas e a abotoei rapidamente por cima do corpete rasgado. É claro que isso o deixou sem camisa, e era impossível evitar que o fato me distraísse.
— Vamos apostar uma corrida.— eu disse, e então alertei: — Nada de entregar o jogo desta vez!
Ele soltou minha mão e sorriu.
— Em sua posição...
Encontrar o caminho para minha nova casa era mais simples do que andar pela rua de Charlie, indo para a antiga casa. Nosso cheiro deixava um rastro claro e fácil de seguir, mesmo correndo o mais rápido que eu podia.
Edward estava me vencendo até que chegamos ao rio. Arrisquei e saltei antes, tentando usar minha força a mais para vencer.
— Ah! — exultei quando ouvi meus pés tocarem a relva primeiro.
Aguardando seu pouso, ouvi algo que eu não esperava. Algo alto e muito próximo. Um coração batendo.
Edward estava ao meu lado no mesmo segundo, as mãos se fechando com firmeza no alto de meus braços.
— Não respire — alertou ele com urgência.
Tentei não entrar em pânico enquanto parava, prendendo a respiração. Meus olhos eram as únicas coisas que se mexiam, girando instintivamente para encontrar a origem do som. Jacob estava parado na linha onde afloresta tocava o gramado dos Cullen, de braços cruzados, o maxilar cerrado. Invisíveis no bosque atrás dele, eu agora ouvia dois corações maiores e o som fraco de patas pesadas em movimento, esmagando a vegetação.
— Cuidado, Jacob — disse Edward. Um rosnado da floresta preocupação em sua voz. — Talvez essa não seja a melhor maneira...
— Acha que seria melhor deixar que ela chegue perto do bebê primeiro? — interrompeu Jacob. — E mais seguro ver como Bella age comigo. Eu me curo rapidamente.
Aquilo era um teste? Para ver se eu podia não matar Jacob antes de tentar não matar Renesmee? Senti-me enjoada de uma forma muito estranha - nãotinha nada a ver com o estômago, só com a mente. Era ideia de Edward?
Olhei seu rosto, ansiosa; Edward pareceu refletir por um momento, e então sua expressão se retorceu de preocupação com outra coisa. Ele deu de ombros e havia um tom de hostilidade em sua voz quando ele falou:
— O pescoço é seu, afinal.
Dessa vez o grunhido da floresta foi furioso; Leah, eu não tinha dúvidas.
O que havia com Edward? Depois de tudo por que passamos, ele não deveria ser capaz de um pouco de gentileza com meu melhor amigo? Eu havia pensado – talvez tolamente – que Edward agora também era uma espécie de amigo de Jacob. Eu devia ter interpretado mal os dois.
Mas o que Jacob estava fazendo? Por que ele se ofereceria como teste para proteger Renesmee?
Aquilo não fazia sentido nenhum para mim. Mesmo que nossa amizade tivesse sobrevivido...
E quando meus olhos encontraram os de Jacob, pensei que talvez tivesse. Ele ainda parecia meu melhor amigo. Mas a transformação não tinha acontecido com ele. Como eu pareceria a ele?
Então ele abriu seu sorriso familiar, o sorriso de um espírito afim, e tive certeza de que nossa amizade estava intacta. Era como antes, quando ficávamos na oficina em sua casa, apenas dois amigos matando o tempo. Fácil e normal. De novo, percebi que a necessidade estranha que eu sentia por ele antes de me transformar se fora completamente. Ele era só meu amigo, como devia ser.
No entanto, seu comportamento agora ainda não fazia sentido. Seria ele tão altruísta que tentaria impedir – com a própria vida – que eu fizesse uma coisa em uma fração de segundo de descontrole da qual me arrependeria profundamente para sempre? Estava muito além de simplesmente tolerar o que eu me tornara, ou conseguir milagrosamente continuar sendo meu amigo.
Jacob era uma das melhores pessoas que eu conhecia, mas parecia demais aceitar isso de alguém. Seu sorriso se alargou, e ele estremeceu levemente.
— Tenho de admitir, Bells. Você está um freak show.
Retribuí o sorriso, voltando facilmente ao antigo padrão. Aquele era um lado dele que eu compreendia.
Edward grunhiu.
— Cuidado, vira-lata.
O vento soprou por trás de mim e rapidamente enchi os pulmões com o ar seguro para poder falar.
— Não, ele tem razão. Os olhos são mesmo qualquer coisa, não são?
— Superarrepiantes. Mas não ficou tão ruim quanto eu pensava.
— Cara... obrigada pelo elogio impressionante!
Ele revirou os olhos.
— Sabe o que quero dizer. Você ainda parece você... mais ou menos. Talvez não seja a aparência tanto... quanto o fato de você ser a Bella. Não achei que seria assim, como se você ainda estivesse aqui. — Ele sorriu para mim de novo sem um vestígio sequer de amargura ou ressentimento no rosto. Depois riu e disse: — De qualquer modo, acho que logo vou me acostumar com os olhos.
— Vai? — perguntei, confusa.
Era maravilhoso que ainda fôssemos amigos, mas não achei que iríamos passar tanto tempo juntos.
Um olhar estranhíssimo cruzou o rosto de Jake, apagando o sorriso. Era quase... culpa? Depois seus olhos passaram a Edward.
— Obrigado — disse ele. — Não sabia se você seria capaz de não contar a ela, com ou sem promessa. Em geral, você dá tudo o que ela quer.
— Talvez eu tenha esperanças de que ela fique irritada e arranque sua cabeça — comentou Edward.
Jacob bufou.
— O que está acontecendo? Vocês dois estão guardando segredos de mim? — perguntei, incrédula.
— Eu explico mais tarde — disse Jacob, constrangido, como se não pretendesse fazer isso. Depois mudou de assunto. — Primeiro, vamos ao espetáculo. — Seu sorriso era um desafio quando ele começou a avançar lentamente.
Houve um gemido de protesto atrás dele, depois o corpo cinza de Leah surgiu do meio das árvores. Seth, mais alto e cor de areia, vinha logo atrás dela.
— Calma, pessoal — disse Jacob. — Fiquem fora disso.
Fiquei feliz por eles não o ouvirem, apenas o seguirem um pouco mais lentamente. O vento agora estava parado; não levaria seu cheiro para longe de mim. Ele se aproximou o bastante para eu poder sentir o calor de seu corpo no ar entre nós. Minha garganta ardeu em resposta.
— Vamos lá, Bells. Faça o pior que puder.
Leah sibilou.
Eu não queria respirar. Não era certo tirar proveito de Jacob de modo tão perigoso, mesmo que ele estivesse oferecendo. Mas eu não conseguia fugir da lógica. De que outra maneira eu teria certeza de que não machucaria Renesmee?
— Estou envelhecendo aqui, Bella — brincou Jacob. — Tudo bem, não tecnicamente, mas você entendeu a ideia. Ande, dê uma fungada.
— Me segure — pedi a Edward, recuando até me encostar em seu peito.
Suas mãos apertaram meus braços.
Retesei meus músculos, na esperança de poder mantê-los paralisados. Resolvi que me sairia no mínimo tão bem quanto tinha me saído na caçada. Na pior das hipóteses, eu pararia de respirar e fugiria. Nervosa, puxei uma quantidade mínima de ar pelo nariz, preparada para tudo.
Doeu um pouco, mas minha garganta já estava ardendo, de qualquer forma. Jacob não tinha um cheiro muito mais humano do que o leão da montanha. Havia um toque de animal em seu sangue que me repeliu de imediato. Embora o som alto e molhado de seu coração fosse atraente, o cheiro que vinha com ele me fez franzir o nariz. Era mesmo mais fácil com o cheiro temperando minha reação ao som e o calor de seu sangue pulsando.
Respirei mais uma vez e relaxei.
— Humm. Agora posso entender o que todos os outros diziam. Você fede, Jacob.
Edward deu uma gargalhada. Suas mãos deslizaram de meus ombros e envolveram minha cintura. Seth ladrou um riso baixo em harmonia com Edward; ele se aproximou um pouco mais enquanto Leah se afastava vario passos. E, então, me dei conta de outra plateia quando ouvi a gargalhada baixa e distinta de Emmett, um pouco abafada pela parede de vidro entre nós.
— Olha quem está falando — disse Jacob, tapando teatralmente o nariz.
Seu rosto não se retorceu quando Edward me abraçou, nem mesmo quando se recompôs e sussurrou “Eu te amo” em meu ouvido. Jacob continuou sorrindo. Isso me fez ter esperanças de que as coisas ficassem bem entre nós, como não eram havia tanto tempo. Talvez agora eu pudesse verdadeiramente ser sua amiga, uma vez que o revoltava fisicamente o bastante para ele não me amar como antes. Talvez só precisássemos disso.
— Tudo bem, então eu passei, não é? — eu disse. — Agora vocês vão me contar que grande segredo é esse?
A expressão de Jacob era de puro nervosismo.
— Não é nada com que precise se preocupar neste momento...
Ouvi Emmett rir de novo – um som de expectativa. Eu teria insistido em uma resposta, mas enquanto escutava Emmett ouvi outros sons. Sete pessoas respirando. Um par de pulmões se movendo mais depressa que os outros. Só um coração palpitando, como as asas de um passarinho, leve e rápido.
Eu me distraí completamente. Minha filha estava do outro lado daquela parede fina de vidro. Eu não podia vê-la – a luz refletia-se no vidro como um espelho. Eu só via a mim mesma, parecendo muito estranha – tão branca e imóvel – comparada a Jacob. Ou, se comparada com Edward, com a aparência perfeita.
— Renesmee — sussurrei.
O estresse me transformou em estátua novamente. Renesmee não teria o cheiro de um animal. Será que eu a colocaria em perigo?
— Venha ver — murmurou Edward. — Sei que pode lidar com isso.
— Vai me ajudar? — sussurrei pelos lábios imóveis.
— É claro que vou.
— E Emmett e Jasper... só por precaução?
— Vamos cuidar de você, Bella. Não se preocupe, estaremos preparados. Nenhum de nós poria Renesmee em risco. Acho que vai se surpreender ao ver como ela já nos tem totalmente em suas mãozinhas. Ela ficará perfeitamente segura, aconteça o que acontecer.
Minha ânsia de vê-la, de entender a veneração na voz de Edward, me retirou da paralisia. Dei um passo para a frente. E então Jacob bloqueou meu caminho, o rosto uma máscara de preocupação.
— Tem certeza, sanguessuga? — perguntou ele a Edward, a voz quase suplicante. Eu nunca o ouvira falar assim com Edward. — Não gosto disso. Talvez ela deva esperar...
— Você teve seu teste, Jacob.
O teste havia sido de Jacob?
— Mas... — começou Jacob.
— Mas nada — disse Edward, de repente exasperado. — Bella precisa ver nossa filha. Saia do caminho.
Jacob me lançou um olhar estranho e frenético e depois se virou disparando para a casa antes de nós. Edward grunhiu.
Eu não conseguia entender o confronto deles, tampouco conseguia me concentrar nisso. Só pensava na criança cuja imagem estava enevoada minha memória, e lutava contra a névoa, tentando me lembrar exatamente de seu rosto.
— Vamos? — disse Edward, a voz novamente gentil.
Assenti, nervosa.
Ele pegou minha mão e me levou para a casa.
Eles esperavam por mim numa fila sorridente que era ao mesmo tempo de boas-vindas e de defesa. Rosalie estava vários passos atrás dos outros, perto da porta da frente. Estava sozinha, até que Jacob se aproximou e se colocou na frente dela, mais perto do que era normal. Não havia sensação de conforto naquela proximidade; os dois pareciam se encolher.
Alguém muito pequeno se inclinava para a frente nos braços de Rosalie, espiando em volta de Jacob. De imediato, ela teve minha atenção absoluta, cada pensamento meu, como nada mais tivera desde que eu havia aberto os olhos.
— Eu só fiquei apagada dois dias? — arfei, incrédula.
A criança desconhecida nos braços de Rosalie devia ter semanas, se não meses de idade. Tinha talvez duas vezes o tamanho do bebê de minha lembrança obscura, e parecia sustentar o próprio tronco com facilidade ao se esticar em minha direção. Seu brilhante cabelo cor de bronze caía em cachos pelos ombros. Os olhos castanhos cor de chocolate me examinavam com um interesse que não era nada infantil; era adulto, consciente e inteligente. Ela levantou uma das mãos, estendendo-a na minha direção por um momento depois voltando a tocar o pescoço de Rosalie.
Se seu rosto não fosse tão impressionante em sua beleza e perfeição, eu não teria acreditado que era a mesma criança. Minha filha.
Mas Edward estava presente em suas feições, e eu estava na cor dos olhos e do rosto. Até Charlie tinha um lugar em seus cachos grossos, embora a cor fosse a de Edward. Ela devia ser nossa. Impossível, mas ainda assim verdade.
No entanto, ver aquela pessoinha imprevista não a tornava mais real. Só a tornava mais fantástica. Rosalie passou a mão no pescoço dela e murmurou:
— Sim, é ela.
Os olhos de Renesmee se fixaram em mim. Depois, como fizera segundos após seu nascimento violento, ela sorriu. Um lampejo brilhante de dentes brancos minúsculos e perfeitos.
Tonta por dentro, dei um passo hesitante na direção dela. Todos agiram rápido.
Emmett e Jasper estavam bem na minha frente, ombro a ombro, as mãos preparadas. Edward me segurou por trás, os dedos firmes de novo no alto dos meus braços. Até Carlisle e Esme se colocaram ao lado de Emmett e Jasper, enquanto Rosalie recuou para a porta, os braços se fechando em torno de Renesmee. Jacob também se moveu, mantendo a atitude protetora na frente deles.
Alice foi a única que continuou em seu lugar.
— Ah, deem-lhe algum crédito — ela os censurou. — Ela não ia fazer nada. Vocês também iam querer olhar mais de perto.
Alice tinha razão. Eu tinha o controle de mim mesma. Estava preparada para tudo – para um cheiro tão impossivelmente persistente quanto o cheiro humano no bosque. A tentação ali não se comparava àquela. A fragrância de Renesmee tinha o perfeito equilíbrio entre o cheiro do mais maravilhoso perfume e o cheiro da comida mais deliciosa. Havia o cheiro doce de vampiro, suficiente para evitar que a parte humana se tornasse irresistível. Eu podia lidar com aquilo. Eu tinha certeza.
— Estou bem — garanti, tirando a mão de Edward de meu braço. Depois hesitei e acrescentei: — Mas fiquem por perto, por precaução.
Os olhos de Jasper estavam estreitados e focalizados. Eu sabia que ele avaliava minhas emoções, e me esforcei para mantê-lo calmo e estável. Senti Edward soltar meus braços ao ler a avaliação de Jasper. Mas embora visse minhas emoções em primeira mão, Jasper não parecia ter certeza.
Quando ouviu minha voz, a criança lutou nos braços de Rosalie, esticando-se para mim. De algum modo, sua expressão parecia impaciente.
— Jazz, Em, deixe-nos passar. Bella está bem.
— Edward, o risco... — disse Jasper.
— É mínimo. Escute, Jasper... na caçada, ela captou o cheiro de uns montanhistas que estavam no lugar errado, na hora errada...
Ouvi Carlisle ofegar com o susto. O rosto de Esme de repente estava cheio de preocupação misturada a compaixão. Os olhos de Jasper arregalaram-se, mas ele assentiu de leve, como se as palavras de Edward dessem resposta a uma pergunta em sua mente. A boca de Jacob se retorceu numa careta de repugnância. Emmett deu de ombros. Rosalie pareceu ainda menos interessada do que Emmett enquanto tentava segurar a criança debatia em seus braços.
A expressão de Alice me disse que ela não estava surpresa. Seus olhos estreitos, focalizados com uma intensidade ardente em minha camisa emprestada, pareciam mais preocupados com o que eu fizera com o vestido com qualquer outra coisa.
— Edward! — repreendeu Carlisle. — Como pôde ser tão irresponsável?
— Eu sei, Carlisle, eu sei. Fui um completo idiota. Devia ter me certificado de que estávamos numa área segura antes de deixá-la solta.
— Edward — murmurei, constrangida pelo modo como eles me fitavam. Era como se tentassem ver um vermelho mais vivo em meus olhos.
— Ele está inteiramente certo em me censurar, Bella — disse Edward com um sorriso. — Cometi um erro imenso. O fato de você ser mais forte do que todos que conheci não muda isso.
Alice revirou os olhos.
— Boa piada, Edward.
— Eu não estava fazendo piada. Estava explicando a Jasper por que sei que Bella pode lidar com isso. Não é minha culpa se todos chegaram a suas próprias conclusões.
— Espere aí — arquejou Jasper. — Ela não caçou os humanos?
— De início, sim — disse Edward, claramente se divertindo. Meus dentes trincaram. — Ela estava totalmente concentrada na caça.
— O que aconteceu? — interpôs-se Carlisle. Seus olhos estavam repentinamente brilhantes, um sorriso perplexo começando a se formar em seu rosto. Lembrei-me de antes, quando ele queria os detalhes de minha experiência de transformação. A emoção de novas informações.
Edward se inclinou para ele, animado.
— Ela me ouviu atrás dela e reagiu defensivamente. Assim que minha perseguição interrompeu sua concentração, ela se recuperou. Nunca vi nada igual a ela. Percebeu de imediato o que estava acontecendo, e então... prendeu a respiração e fugiu.
— Uau — murmurou Emmett. — É sério?
— Ele não está contando direito — murmurei, mais constrangida do que antes. — Ele deixou de fora a parte em que rosnei para ele.
— E você deu uns bons tapas nele? — perguntou Emmett, ávido.
— Não! É claro que não.
— Não mesmo? Você não o atacou?
— Emmett! — protestei.
— Ah, que desperdício — resmungou Emmett. — E aqui você provavelmente é a única pessoa que poderia pegá-lo... uma vez que ele não pode entrar em sua mente para trapacear. E ainda tinha a desculpa perfeita. — Ele suspirou. — Eu morro de vontade de ver como ele faria sem essa vantagem.
Eu o olhei, gélida.
— Eu nunca faria isso.
As rugas na testa de Jasper chamaram minha atenção; ele parecia ainda mais perturbado do que antes. Com o punho, Edward tocou de leve o ombro de Jasper, num soco de brincadeira.
— Entendeu o que eu quis dizer?
— Não é natural — murmurou Jasper.
— Ela podia ter se voltado contra você... Ela só tem horas de idade! — ralhou Esme, colocando a mão no peito. — Ah, nós devíamos ter ido com vocês.
Eu não estava prestando muita atenção, agora que Edward já contara o final da piada. Estava fitando a linda criança na porta, que ainda me olhava. Suas mãos gordinhas se estenderam para mim como se ela soubesse exatamente quem eu era. Automaticamente, minha mão se ergueu, imitando a dela.
— Edward — eu disse, tentando vê-la melhor, atrás de Jasper. — Por favor.
Os dentes de Jasper estavam trincados; ele não se mexeu.
— Jazz, isso não é nada que você tenha visto antes — disse Alice baixinho. — Acredite em mim.
Seus olhos se encontraram por um curto segundo, e Jasper assentiu. Ele saiu do meu caminho, mas pôs uma das mãos em meu ombro e me acompanhou enquanto eu avançava lentamente.
Pensava antes de dar cada passo, analisando meu estado de espírito, o ardor em minha garganta, a posição dos outros ao meu redor. A força que eu sentia versus as chances que eles tinham de me conter. Era uma procissão.
E depois a criança nos braços de Rosalie, que vinha lutando e se esticando aquele tempo todo enquanto sua expressão ficava cada vez mais irritada. Soltou um gemido alto e agudo. Todos reagiram como se, como eu, nunca tivessem ouvido aquela voz.
Eles a cercaram em um segundo, deixando-me sozinha, paralisada onde estava. O som do choro de Renesmee me tomou, prendendo-me no chão. Meus olhos arderam de forma muito estranha, como se quisessem chorar.
Parecia que todos estavam com a mão nela, afagando e acalmando. Todos menos eu.
— Qual é o problema? Ela está machucada? O que aconteceu?
A voz de Jacob era a mais alta, elevando-se, ansiosa, sobre as outras. Observei chocada ele estender a mão para Renesmee, e então, em um pavor completo, Rosalie entregá-la a ele sem lutar.
— Não, ela está bem — Rosalie o tranquilizou.
Rosalie tranquilizando Jacob?
Renesmee foi para Jacob de boa vontade, colocando a mãozinha em seu rosto e então girando para se esticar para mim de novo.
— Está vendo? — disse-lhe Rosalie. — Ela só quer Bella.
— Ela quer a mim? — sussurrei.
Os olhos de Renesmee – os meus olhos – fitavam-me com impaciência. Edward voltou correndo para o meu lado. Pôs as mãos de leve em meus braços e me instou a continuar.
— Ela está esperando por você há quase três dias — disse-me.
Estávamos só a alguns passos dela. Lufadas de calor pareciam partir dela, trêmulas, e me tocar.
Ou talvez fosse Jacob. Vi suas mãos tremendo enquanto me aproximava. E no entanto, apesar de sua evidente ansiedade, seu rosto estava mais sereno do que eu via em muito tempo.
— Jake... eu estou bem — eu disse a ele.
Fiquei em pânico por ver Renesmee em suas mãos trêmulas, mas consegui me controlar. Ele franziu a testa para mim, os olhos apertados, como se estivesse igualmente em pânico com a ideia de Renesmee em meus braços.
Renesmee gemia ansiosamente e se esticou, as mãozinhas abrindo e se fechando sem parar.
Alguma coisa em mim se encaixou nesse momento. O som de seu choro, a familiaridade de seus olhos, o modo como Renesmee parecia ainda impaciente do que eu pelo reencontro – tudo isso se entrelaçou e criou o mais natural dos padrões enquanto ela agarrava o ar entre nós. De repente, ela era absolutamente real, e é claro que eu a conhecia. Era perfeitamente trivial que eu desse o último passo e estendesse os braços para ela, colocando nãos exatamente onde se encaixavam melhor enquanto a puxava delicadamente para mim. Ela deixou seus longos braços esticados para que eu pudesse aninhá-la, mas Jacob não a soltou. Ele tremeu um pouco quando nossa pele se tocou. A pele dele, sempre quente para mim, agora me parecia uma chama. Era quase da mesma temperatura da de Renesmee. Talvez um ou dois graus de diferença.
Renesmee pareceu não notar a frieza da minha pele, ou pelo menos estava muito acostumada àquilo.
Ela olhou para cima e sorriu para mim de novo, mostrando os dentinhos quadrados e as duas covinhas. Então, muito deliberadamente, estendeu a mão para o meu rosto.
No momento em que ela fez isso, todas as mãos em mim aumentaram a pressão, antecipando minha reação. Eu mal percebi.
Estava ofegando, pasma e assustada com a imagem estranha e alarmante que enchia minha mente. Parecia uma lembrança muito forte – eu podia vê-la com meus olhos enquanto a observava em minha mente – mas era completamente desconhecida. Fitei através dela a expressão de expectativa de Renesmee, tentando entender o que estava acontecendo, lutando desesperadamente para manter a calma.
Além de chocante e desconhecida, a imagem também era de certa forma errada – eu quase reconheci meu próprio rosto nela, meu antigo rosto, mas estava distante, jogado para trás. Entendi rapidamente que estava vendo meu rosto como os outros o viam, em vez de invertido num reflexo.
O rosto de minha memória era retorcido, devastado, coberto de suor e sangue. Apesar disso, minha expressão na visão tornou-se um sorriso de adoração; meus olhos castanhos cintilaram em suas olheiras fundas. A imagem se ampliou, meu rosto se aproximou do ponto de vista invisível, depois desapareceu de repente.
A mão de Renesmee deixou meu rosto. Ela voltou a abrir o sorriso de covinhas.
Fez-se um silêncio completo na sala, exceto pelo batimento dos corações. Ninguém respirava além de Jacob e Renesmee. O silêncio se estendeu; parecia que eles estavam esperando que eu dissesse alguma coisa.
— O que... foi... isso? — consegui dizer, sufocada.
— O que você viu? — perguntou Rosalie com curiosidade, inclinando-se atrás de Jacob, que naquele momento parecia estar no lugar errado, bem no meio do caminho. — O que ela lhe mostrou?
— Ela me mostrou isso? — sussurrei.
— Eu lhe disse que era difícil de explicar — murmurou Edward em meu ouvido. — Mas é eficaz como meio de comunicação.
— O que foi? — perguntou Jacob.
Pisquei rapidamente várias vezes.
— Humm. Eu. Acho. Mas eu estava horrível.
— Era a única lembrança que tinha de você — explicou Edward. Era evidente que ele vira o que ela estava me mostrando enquanto pensava. Ele ainda estava encolhido, a voz rouca ao reviver a lembrança. — Ela está dizendo a você que fez a conexão, que sabe quem você é.
— Mas como ela fez isso?
Renesmee parecia despreocupada com meus olhos assustados. Sorria de leve e puxava uma mecha do meu cabelo.
— Como eu ouço pensamentos? Como Alice vê o futuro? — perguntou Edward retoricamente, depois deu de ombros. — Ela tem esse dom.
— É uma inversão interessante — disse Carlisle a Edward. — Como se ela fizesse exatamente o contrário do que você faz.
— Interessante — concordou Edward. — Eu me pergunto...
Sabia que eles estavam especulando, mas não me importava. Estava olhando o rosto mais lindo do mundo. Eu a sentia quente em meus braços, lembrando-me do momento em que a escuridão quase vencera, quando não me restava nada no mundo a que me agarrar. Nada forte o bastante para me fazer atravessar a escuridão esmagadora. O momento em que eu havia pensado em Renesmee e encontrado algo do qual nunca abriria mão.
— Eu também me lembro de você — eu lhe disse baixinho.
Parecia muito natural eu me inclinar e colocar os lábios em sua testa. Seu cheiro era maravilhoso. O cheiro de sua pele fazia minha garganta arder, mas era fácil ignorar. Não tirava a alegria do momento. Renesmee era real e eu a conhecia. Ela era a mesma por quem eu havia lutado desde o início. Minha pequena cutucadora, aquela que me amou de dentro também. Metade Edward, perfeita e linda. E metade eu - oque, surpreendentemente, em vez de depreciá-la, a tornava melhor.
Eu estivera certa o tempo todo. Ela valia a luta.
— Ela está bem — murmurou Alice, provavelmente para Jasper.
Eu podia senti-los pairando por ali, sem confiar em mim.
— Já não experimentamos o suficiente por um dia? — perguntou Jacob, a voz num tom um pouco mais agudo por causa do estresse. — Tudo bem, Bella está se saindo muito bem, mas não vamos abusar.
Eu o fuzilei com os olhos, verdadeiramente irritada. Jasper se remexeu inquieto ao meu lado. Todos estávamos tão próximos que o menor movimento parecia imenso.
— Qual é o seu problema, Jacob? — perguntei.
Puxei um pouco Renesmee de suas mãos, e ele só se aproximou mais de mim. Ele estava grudado em mim, Renesmee tocando o peito de nós dois.
Edward sibilou para ele.
— O fato de entender você não quer dizer que eu não vá botá-lo para fora daqui, Jacob. Bella está se saindo extraordinariamente bem. Não estrague o momento dela.
— Vou ajudá-lo a se livrar de você, cachorro — prometeu Rosalie, a voz excitada. — Eu lhe devo um bom chute na barriga.
Evidentemente, nada havia mudado nesse relacionamento, a menos que tenha piorado.
Olhei fixamente a expressão ansiosa e meio colérica de Jacob. Seus olhos estavam fixos no rosto de Renesmee. Com todos juntos daquele jeito, ele tinha de estar tocando pelo menos seis vampiros diferentes ao mesmo tempo, e isso não parecia incomodá-lo.
Será que ele realmente enfrentaria tudo isso só para me proteger de mim mesma? O que poderia ter acontecido durante minha transformação – minha alteração para uma coisa que ele odiava – que o amoleceria tanto em relação ao motivo dessa necessidade?
Eu estava confusa, vendo-o olhar minha filha. Olhando-a como... como um cego que visse o sol pela primeira vez.
— Não! — arquejei.
Os dentes de Jasper se uniram e os braços de Edward envolveram meu peito como uma jiboia me imobilizando. Jacob pegou Renesmee de meus braços no mesmo segundo, e eu não tentei segurá-la. Porque senti que vinha – a ruptura que todos esperavam.
— Rose — eu disse entredentes, muito devagar e com precisão. — Leve Renesmee.
Rosalie estendeu as mãos, e Jacob passou minha filha a ela imediatamente. Os dois se afastaram de mim.
— Edward, não quero machucá-lo, então, por favor, me solte.
Ele hesitou.
— Vá para a frente de Renesmee — sugeri.
Ele refletiu, e então me soltou.
Eu me agachei na postura de caça e avancei dois passos lentos na direção de Jacob.
— Você não fez isso — rosnei para ele.
Ele recuou, as mãos viradas para cima, tentado argumentar comigo.
— Você sabe que não é uma coisa que eu possa controlar.
— Seu vira-lata estúpido! Como pôde? O meu bebê!
Enquanto eu o perseguia, ele saiu pela porta da frente, quase correndo de costas para a escada.
— Não foi ideia minha, Bella!
— Eu a segurei apenas uma vez e você já acha que tem algum direito idiota de lobo sobre ela? Ela é minha.
— Eu posso compartilhar — disse ele, suplicante, enquanto recuava para o gramado.
— Pague — ouvi Emmett dizer atrás de mim.
Uma pequena parte de meu cérebro se perguntava quem tinha apostado contra aquele resultado. Eu não dei atenção a isso. Estava furiosa demais.
— Como ousa ter imprinting com minha filha? Você enlouqueceu?
— Foi involuntário! — insistiu ele, recuando para as árvores.
Então ele não estava mais só. Os dois lobos enormes reapareceram, um em cada lado. Leah avançou para mim.
Um rosnado apavorante passou rasgando por meus dentes. O som me perturbou, mas não foi o bastante para me refrear.
— Bella, poderia tentar ouvir por um segundo? Por favor? — implorou Jacob. — Leah, volte — acrescentou ele.
Leah arreganhou os dentes para mim e não se mexeu.
— Por que eu deveria ouvir? — sibilei.
A fúria dominava minha mente toldando todo o resto.
— Porque foi você mesma quem me disse isso. Lembra? Você disse que nosso lugar era um na vida do outro, certo? Que éramos uma família. Você disse que era assim que você e eu devíamos ser. Então... agora somos. Era que você queria.
Eu o fitava com ferocidade. Tinha de fato uma vaga lembrança daquelas palavras. Mas meu cérebro novo e rápido estava dois passos à frente das bobagens que ele dizia.
— Você acha que será parte de minha família como meu genro! — guinchei. Minha voz de sino subiu duas oitavas e ainda parecia música.
Emmett riu.
— Detenha-a, Edward — murmurou Esme. — Ela vai ficar infeliz se o machucar.
Mas não senti ninguém vindo atrás de mim.
— Não! — insistia Jacob ao mesmo tempo. — Como pode sequer olhar dessa maneira? Ela é só um bebê, pelo amor de Deus!
— Essa é a questão! — gritei.
— Você sabe que não penso nela dessa maneira! Acha que Edward teria me deixado viver se eu pensasse assim? Só o que eu quero é que ela esteja feliz e segura... É tão ruim assim? Tão diferente do que você quer? — Ele agora gritava para mim.
Além das palavras, rosnei para ele.
— Ela é incrível, não é? — ouvi Edward murmurar.
— Ela não avançou para o pescoço dele nem uma vez — concordou Carlisle, parecendo espantado.
— Tudo bem, essa você venceu — disse Emmett de má vontade.
— Vai ficar longe dela — sibilei para Jacob.
— Não posso fazer isso!
Falei entredentes:
— Tente. A partir de agora.
— Isso não é possível. Lembra-se de quanto você me queria por perto há três dias? Como era difícil nos separarmos? Isso agora passou para você, não é?
Eu o olhava, sem saber o que ele queria dizer.
— Foi ela — disse-me ele. — Desde o início. Tínhamos de ficar juntos, mesmo então.
Eu lembrei, e então entendi; uma parte mínima de mim estava aliviada por ter aquela loucura explicada. Mas esse alívio de algum modo só me deixou mais colérica. Ele esperava que isso bastasse para mim? Que um pequeno esclarecimento me fizesse aceitar aquilo?
— Fuja enquanto ainda pode — ameacei.
— Ora, Bells! Nessie gosta de mim também — insistiu ele.
Congelei. Minha respiração parou. Atrás de mim, ouvi a ausência de que era a reação ansiosa deles.
— Do que... você a chamou?
Jacob recuou um passo, parecendo tímido.
— Bom — murmurou ele — o nome que você inventou é meio comprido e...
— Você apelidou a minha filha de Monstro do Lago Ness? — guinchei.
E então avancei para seu pescoço.

4 comentários:

  1. Devia ter nas reações a opção "Ficando maluco(a)!"

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  2. kkk monstro do lago ness kkk nada a ver kkk

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    1. Nessie nos EUA é uma abreviação para o monstro do lago nesse kkk

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    2. Kkkkk Bella é incrível !

      Assi: Apaixonada por livros.

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