25 de setembro de 2015

Capítulo 21 - Rastros

Eu odiava perder alguma parte da noite dormindo, mas isso era inevitável. O sol estava brilhante fora da parede-janela quando eu acordei, com pequenas nuvens fugindo rapidamente no céu. O vento balançava o topo das árvores até que parecia que a floresta inteira ia se partir.
Ele me deixou sozinha pra se vestir, e eu aproveitei essa chance pra pensar. De alguma forma, o meu plano da noite passada havia saído horrivelmente distorcido, e eu precisava ter algumas ideias das consequências. Apesar de eu ter dado o anel herdado de voltar assim que eu pude fazer isso sem machucar os sentimentos dele, a minha mão esquerda parecia mais pesada, como se ele ainda estivesse no lugar, só que invisível.
Isso não devia me incomodar, eu raciocinei. Não era uma coisa tão grande - uma viagem de carro à Las Vegas. Eu usaria uma coisa melhor que jeans velhos - eu usaria moletons velhos. A cerimônia certamente não demoraria muito tempo; não mais que quinze minutos no máximo, certo? Então eu podia lidar com isso.
E aí, quando estivesse acabado, ele teria que cumprir com a sua parte na barganha. Eu ia me concentrar nisso, e esquecer o resto.
Ele disse que eu não precisava contar pra ninguém, e eu estava tentando forçá-lo ao mesmo. É claro, foi muito estúpido da minha parte não pensar em Alice.
Os Cullen chegaram em casa por volta do meio dia. Havia uma nova atmosfera, toda profissional, cercando eles, e isso me puxou de volta para a enormidade do que estava prestes a acontecer.
Alice parecia estar incomumente mal humorada. Eu engoli a frustração dela até que pareceu normal, porque as primeiras palavras dela pra Edward eram uma reclamação sobre trabalhar junto com os lobos.
—Eu acho— - ela fez uma cara enquanto usava a palavra incerta - —que você vai querer os lobos por perto para o clima frio, Edward. Eu não posso ver exatamente onde você está, porque você vai sair com aquele cachorro hoje à tarde. Mas a tempestade que está vindo parece particularmente ruim naquela área em geral—.
Edward balançou a cabeça.
—Vai nevar nas montanhas—, ela avisou ele.
—Eca, neve—, eu murmurei pra mim mesma. Era Junho, pra dizer o mínimo.
—Use um casaco—, Alice disse. A voz dela não estava amigável, e isso me surpreendeu. Eu tentei ler o rosto dela, mas ela desviou.
Eu olhei pra Edward, ele estava sorrindo; o que quer que estivesse incomodando Alice estava divertindo ele.
Edward tinha utensílios de camping mais do que suficientes - benefícios na farsa de serem humanos; os Cullen eram bons clientes da loja dos Newton. Ele pegou um saco de dormir, uma pequena barraca, e vários pacotes de comida desidratada - dando um sorriso malicioso quando eu fiz uma careta pra eles - e enfiou todos eles em uma mochila.
Alice ficou vagando pela garagem enquanto nós estávamos lá, observando as preparações de Edward sem dizer uma palavra. Ele ignorou ela.
Quando ele acabou de empacotar as coisas, Edward me deu seu telefone. —Ligue pra Jacob e diga a ele que estaremos prontos em mais ou menos uma hora. Ele sabe onde nos encontrar—.
Jacob não estava em casa, mas Billy prometeu que ia sair procurando até encontrar um lobisomem disponível pra passar as notícias.
—Não se preocupe com Charlie, Bella—, Billy disse. —Eu estou com a minha parte disso sob controle—.
—É, eu sei que Charlie estará bem— Eu não me sentia tão confiante sobre a segurança do filho dele, mas eu não queria acrescentar isso.
—Eu queria poder estar com o resto deles amanhã—, Billy gargalhou ressentidamente. —Ser um velho é dureza, Bella—
A necessidade de brigar definitivamente devia ser uma característica entre o cromossomo Y. Eles eram todos os mesmos.
—Se divirta com Charlie—.
—Boa sorte, Bella—, ele disse. —E... passe isso para os, er, Cullen por mim—
—Eu passo—, eu prometi, surpresa pelo gesto.
Enquanto eu passava o telefone de volta pra Edward, eu vi que ele e Alice estavam tendo algum tipo de discussão silenciosa. Ela estava encarando ele, implorando com os olhos. Ele estava fazendo uma careta de volta, infeliz com o que quer que ela quisesse.
—Billy desejou 'boa sorte'—.
—Isso foi generoso da parte dele—, Edward disse, desviando dela.
—Bella, será que eu poderia por favor falar com você sozinha?—, Alice pediu rapidamente.
—Você está prestes a fazer a minha vida ser mais dura do que o necessário, Alice— Edward avisou ela por entre os dentes. —Eu realmente preferiria se você não fizesse isso—.
—Isso não é sobre você, Edward—, ela disparou de volta.
Ele riu. Alguma coisa na resposta dela era engraçada pra ele.
—Não é—, Alice insistiu. —É uma coisa feminina—.
Ele fez uma careta.
—Deixe ela falar comigo—, eu disse a ele. Eu estava curiosa.
—Foi você quem pediu—, ele murmurou. Ele riu de novo - meio com raiva, meio divertido - e saiu marchando da garagem.
Eu me virei pra Alice, preocupada agora, mas ela não olhou pra mim. O mal humor dela ainda não havia passado.
Ela foi se sentar no capô do Porsche dela, com o rosto abatido. Eu a segui, e me encostei no carro ao lado dela.
—Bella?—, Alice chamou numa voz triste, mudando de posição e se curvando no meu lado. A voz dela parecia tão miserável que eu passei o meu braço ao redor dos ombros dela pra confortá-la.
—O que hà de errado, Alice?—
—Você não me ama?—, ela perguntou com o mesmo tom triste.
—É claro que amo. Você sabe disso—.
—Então porque você está escapulindo pra Las Vegas pra se casar sem me convidar?—
—Oh—, eu murmurei, minhas bochechas ficando cor-de-rosa. Eu podia notar que havia magoado seriamente os sentimentos dela, e eu corri pra me defender. —Você sabe que eu odeio fazer um grande evento com as coisas. De qualquer jeito, foi ideia de Edward—.
—Não me importa de quem é a ideia. Como você pôde fazer isso comigo? Eu esperava esse tipo de coisa de Edward, mas não de você. Eu te amo como se você fosse minha própria irmã—.
—Pra mim, Alice, você é uma irmã—.
—Palavras!— ela rosnou.
—Tá bom, você pode vir. Não haverá muito pra ver—.
Ela ainda estava fazendo careta.
—O que?—, eu quis saber.
—O quanto você me ama, Bella?—
—Porque?—
Ela me olhou com seus olhos implorativos, as longas sobrancelhas dela estavam se aproximando do meio e se juntando, os lábios dela estavam tremendo nos cantos. Era uma expressão de partir o coração.
—Por favor, por favor, por favor—, ela sussurrou. —Por favor, Bella - se você realmente me ama... Por favor me deixe fazer o seu casamento—.
—Aw, Alice!—, eu gemi, me afastando e ficando de pé. —Não! Não faça isso comigo!—
—Se você realmente, verdadeiramente me ama, Bella—.
Eu cruzei os braços no peito. —Isso é tão injusto. E Edward meio que já usou isso pra cima de mim—.
—Eu aposto que Edward preferiria fazer isso tradicionalmente, apesar de que ele nunca te diria isso. E Esme - pense no que isso significaria pra ela!—
Eu gemi. —Eu preferiria enfrentar os recém-nascidos sozinha—.
—Eu vou te dever por uma década—.
—Você me deveria por um século!—
Os olhos dela brilharam. —Isso é um sim?—
—Não! Eu não quero fazer isso!—
—Você não tem que fazer nada além de andar alguns metros e repetir as palavras do juiz de paz—.
—Ugh! Ugh, ugh!—
—Por favor?—, ela começou a saltitar no mesmo lugar. —Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor?—
—Eu nunca, nunca vou te perdoar por isso, Alice—.
—Yay!—, ela esguichou, batendo as mãos.
—Isso não é um sim!—
—Mas será—, ela cantou.
—Edward!—, eu gritei, saindo da garagem. —Eu sei que você está escutando. Venha aqui.— Alice estava bem atrás de mim, ainda batendo palmas.
—Muito obrigado, Alice—, Edward disse acidamente, vindo por trás de mim. Eu me virei pra despejar nele, mas a expressão dele estava tão preocupada e aborrecida que eu não consegui fazer minhas reclamações. Ao invés disso, eu atirei os meus braços ao redor dele, escondendo o meu rosto, só no caso de a umidade raivosa dos meus olhos fizesse parecer que eu estava chorando.
—Vegas—, Edward prometeu no meu ouvido.
—Sem chance—, Alice rosnou. —Bella jamais faria isso comigo. Sabe, Edward, como irmão, as vezes você é uma decepção—.
—Não seja má—, eu murmurei pra ela. —Ele está tentando me fazer feliz, diferente de você—.
—Eu também estou tentando te fazer feliz, Bella. Só que eu sei melhor o que te deixará feliz... a longo prazo. Você vai me agradecer por isso. Talvez não daqui a quinze anos, mas algum dia—.
—Eu nunca pensei que veria o dia em que eu estaria disposta a apostar contra você, Alice, mas esse dia chegou—.
Ele riu o seu sorriso prateado. —Então, você vai me mostrar o anel?—
Eu fiz uma careta de horror quando ela agarrou a minha mão e a soltou igualmente rápido.
—Huh. Eu vi ele colocando-o em você... Eu perdi alguma coisa?—, ela perguntou. Ela se concentrou por meio segundo, apertando as sobrancelhas, antes de responder às suas próprias perguntas. —Não. O casamento ainda está de pé—.
—Bella tem um problema com jóias—, Edward explicou.
—O que é mais um diamante? Eu acho que o anel tem muitos diamantes, mas o meu ponto é que ele já colocou um -—
—Basta, Alice!— Edward cortou ela de repente. O jeito que ele encarava ela... ele parecia com um vampiro de novo. —Nós estamos com pressa—.
—Eu não entendo. O que têm os diamantes?—, eu perguntei.
—Nós vamos falar sobre isso depois—, Alice disse. —Edward está certo - é melhor vocês irem. Vocês têm que armar uma armadilha e fazer acampamento antes que a tempestade chegue—. Ela fez uma careta, e a expressão dela estava ansiosa, quase nervosa. —Não esqueça o seu casaco, Bella. Parece que... estará frio demais para a estação—.
—Eu já cuidei disso—, Edward assegurou ela.
—Tenham uma boa noite—, ela nos disse como adeus.
A distância até a clareira foi duas vezes maior que o normal; Edward fez um longo desvio, pra ter certeza de que o meu cheiro não chegasse nem perto da trilha onde Jacob se esconderia essa noite. Ele me carregou nos braços, a mochila lotada estava no meu lugar de costume.
Ele parou na ponta mais distante da clareira, me colocando de pé.
—Tudo bem. Só ande pelo norte, tocando o que você puder. Alice me deu uma imagem clara do caminho deles, e não vamos demorar a interceptá-los—.
—Norte?—
Ele sorriu e apontou a direção certa.
Eu vaguei pela floresta, deixando a luz amarela do dia estranhamente ensolarado na clareira pra trás de mim. Talvez a visão nebulosa de Alice com a neve estivesse errada. Eu esperei que sim. O céu em grande parte estava limpo, apesar de que o vento soprava furiosamente nos espaços abertos. Nas árvores estava mais calmo, mas estava frio demais para Junho - mesmo usando uma camisa de mangas longas com um suéter mais grosso por cima, os meus braços estavam arrepiados. Eu caminhei lentamente, passando os meus dedos em tudo que estivesse perto o suficiente: a casca grossa da árvore, as samambaias molhadas, as pedras cobertas de musgos.
Edward ficou comigo, caminhando em uma linha paralela a cerca de vinte metros de distância.
—Eu estou fazendo isso direito?—, eu chamei.
—Perfeitamente—.
Eu tive uma ideia. —Isso vai ajudar?— eu perguntei enquanto passava as mãos pelos meus cabelos e pegava alguns fios soltos. Eu os soltei em cima das samambaias.
—Sim, isso deixa o rastro mais forte. Mas você não tem que arrancar seus cabelos, Bella. Vai ficar tudo bem—.
—Eu tenho alguns fios extras dos quais posso me dispor—.
Estava nebuloso embaixo das árvores, e eu desejei poder andar mais perto de Edward e segurar a sua mão.
Eu coloquei outro cabelo meu em um tronco quebrado que fechava o meu caminho.
—Você não precisa fazer as coisas do jeito de Alice, sabe—, Edward disse.
—Não se preocupe com isso, Edward. Aconteça o que acontecer, eu não vou te deixar no altar—, eu tinha um forte pressentimento de que Alice ia conseguir o que queria, em grande parte porque ela era totalmente inescrupulosa quando se tratava de conseguir o que ela queria, e também porque eu era uma perdedora quando se tratava de sentir culpa.
—Não é com isso que eu estou preocupado. Eu quero que isso seja do jeito como você quer que seja—.
Eu reprimi um suspiro. Saber a verdade ia magoar os sentimentos dele - que isso realmente não importava, que eram só graus de variações de algo horrível do mesmo jeito.
—Mesmo se ela fizer as coisas do jeito dela, nós podemos fazer uma coisa pequena. Só nós. Emmett pode arrumar uma licença de clérigo na internet—.
Eu gargalhei. —Isso soa melhor—. Não soaria muito oficial se Emmett lesse os votos, o que era uma ponto a favor. Mas eu ia ter dificuldades em ficar séria.
—Veja—, ele disse sorrindo. —Sempre há um compromisso—.
Me levou algum tempo pra chegar até o local onde os recém-nascidos certamente cruzariam com o meu rastro, mas Edward nunca ficou impaciente com a minha velocidade.
Ele teve que guiar um pouco mais no caminho de volta, pra me manter no mesmo caminho. Tudo isso era a minha cara.
Nós estávamos quase na clareira quando eu caí. Eu podia ver a grande abertura logo em frente, e provavelmente foi por isso que eu fiquei ansiosa demais pra cuidar dos meus pés. Eu me segurei antes que a minha cabeça batesse na árvore mais próxima, mas um pequeno graveto escapuliu embaixo da minha mão esquerda e cortou a minha palma.
—Ouch! Oh, fabuloso—, eu murmurei.
—Você está bem?—
—Eu estou bem. Fique onde está. Eu estou sangrando. Eu vou parar em um minuto—.
Ele me ignorou. Ele já estava lá antes que eu pudesse terminar.
—Eu estou com um kit de primeiros socorros—, ele disse, puxando a mochila. —Eu estava com o pressentimento de que precisaria dele—.
—Não é tão ruim. Eu posso cuidar disso - você não precisa ficar desconfortável—.
—Eu não estou desconfortável,— ele disse calmamente. —Aqui - me deixe limpar isso—.
—Espere um segundo, eu acabei de ter outra ideia—.
Sem olhar para o sangue e respirando pela minha boca, só pra o caso do meu estômago começar a reagir, eu pressionei a minha mão em uma rocha que estava ao meu alcance.
—O que você está fazendo?—
—Jasper vai amar isso—, eu murmurei pra mim mesma.
Eu comecei a ir para a clareira de novo, pressionando a minha palma em tudo no meu caminho. —Eu aposto que isso vai enlouquecê-los—.
Edward suspirou.
—Segure o fôlego—, eu disse a ele.
—Eu estou bem. Eu só acho que você está indo longe demais.—
—Isso é tudo o que eu posso fazer. Eu quero fazer um trabalho—.
Nós passamos pelas últimas árvores enquanto eu falava. Eu deixei minha mão ferida passar pelas samambaias.
—Bem, você fez—, Edward me assegurou. —Os recém-nascidos ficarão frenéticos, e Jasper ficará bastante impressionado com a sua dedicação. Agora me deixe tratar a sua mão - você sujou o corte—.
—Me deixe fazer isso, por favor—.
Ele pegou a minha mão e sorriu enquanto a examinava. —Isso não me incomoda mais—.
Eu o observei cuidadosamente enquanto ele limpava a ferida, procurando por algum sinal de angústia. Ele continuou a respirar uniformemente pra dentro e pra fora, o mesmo sorriso pequeno em seus lábios.
—Porque não?—, eu perguntei finalmente enquanto ele amaciava o curativo na minha palma.
Ele levantou os ombros. —Eu superei isso—.
—Você... superou isso? Quando? Como?— Eu tentei me lembrar da última vez que ele havia prendido a respiração perto de mim. Tudo em que eu pude pensar foi na minha festa de aniversário catastrófica do Setembro passado.
Edward torceu os lábios, parecendo tentar encontrar as palavras. —Eu vivi por vinte e quatro horas inteiras pensando que você estivesse morta, Bella. Isso mudou a minha forma de ver as coisas—.
—Isso mudou o jeito como eu cheiro pra você?—
—Nem um pouco. Mas... tendo experimentado a sensação de pensar que eu tinha perdido você... as minhas reações mudaram. Todo o meu ser se protege de qualquer curso que possa inspirar aquele tipo de dor novamente—.
Eu não sabia o que dizer a isso.
Ele sorriu da minha expressão. —Eu acho que você poderia chamar isso de uma experiência muito educacional—.
O vento invadiu a clareira de novo, lançando o meu cabelo no meu rosto e me fazendo estremecer.
—Tudo bem—, ele disse, pegando a mochila dele de novo. —Você fez a sua parte—. Ele puxou o meu casaco de inverno pesado e o segurou pra que eu deslizasse meus braços nele. —Agora não está mais nas suas mãos. Vamos acampar!—
Eu ri com o entusiasmo de brincadeira na voz dele.
Ele pegou a minha mão com o curativo - a outra estava pior, ainda na tipóia - e começou a ir para o outro lado da clareira.
—Onde nós vamos encontrar Jacob?—, eu perguntei.
—Bem aqui—, ele fez um gesto para as árvores na nossa frente exatamente quando Jacob saiu cautelosamente das sombras.
Eu não devia ter ficado surpresa por vê-lo humano. Eu não tinha certeza de porque eu estava procurando o lobo grande marrom-avermelhado.
Jacob pareceu maior de novo - sem dúvida isso era produto das minhas expectativas; eu devia estar esperando inconscientemente pelo Jacob menor das minhas memórias, o amigo fácil que não havia tornado as coisas tão difíceis. Ele estava com os braços cruzados no peito nu, um casaco preso no pulso. Ele estava sem expressão enquanto nos observava.
Os lábios de Edward caíram nos cantos. —Tinha que haver um jeito melhor de fazer isso—.
—Agora é tarde demais—, eu murmurei mal humorada.
Ele suspirou.
—Oi, Jake—, eu o cumprimentei quando nós nos aproximamos.
—Oi, Bella—.
—Olá, Jacob—, Edward disse.
Jacob ignorou a delicadeza, todo profissionalismo. —Onde eu levo ela?—
Edward puxou um mapa de dentro de um bolso lateral da mochila e o ofereceu a ele. Jacob o desdobrou.
—Nós estamos aqui agora—, Edward se aproximou pra tocar o ponto certo. Jacob se afastou da mão dele automaticamente, e aí se endireitou. Edward fingiu não reparar.
—E você vai levá-la até aqui— Edward continuou, traçando uma serpentina nas linhas elevadas do papel. —Dificilmente chega a ser nove milhas—.
Jacob balançou a cabeça uma vez.
—Quando você estiver a cerca de uma milha de distância, você vai cruzar com o meu rastro. Isso vai te guiar até lá. Você precisa do mapa?—
—Não, obrigado. Eu conheço muito bem essa área. Eu já que sei pra onde eu estou indo—.
Jacob parecia lutar mais do que Edward pra manter o tom educado.
—Eu vou pegar uma rota mais longa—, Edward disse. —E eu vou encontrar vocês em algumas horas—.
Edward olhou pra mim infeliz. Ele não gostava dessa parte do plano dele.
—A gente se vê—, eu murmurei.
Edward desapareceu entre as árvores, indo para a direção oposta.
Assim que ele foi embora, Jacob se tornou alegre.
—E aí, Bella?—, ele me perguntou com um grande sorriso.
Eu revirei os meus olhos. —Tudo velho, tudo velho—.
—É—, ele concordou. —Um monte de vampiros tentando matar você. O de sempre—.
—O de sempre—.
—Bem—, ele disse, vestindo o seu casaco pra liberar os seus braços. —Vamos indo—.
Fazendo uma cara, eu dei um passo pra me aproximar dele.
Ele se abaixou e passou o braço por trás dos meus joelhos, tirando eles de baixo de mim. O outro braço dele me agarrou antes que a minha cabeça batesse no chão.
—Estúpido—, eu murmurei.
Jacob gargalhou, já correndo pelas árvores. Ele manteve um passo fixo, uma corrida viva cujo ritmo um humano normal poderia acompanhar... em um terreno plano... se eles não estivessem carregando uma trouxa de cinquenta e três quilos, como ele estava.
—Você não precisa correr. Você vai ficar cansado—.
—Correr não me deixa cansado—, ele disse. A respiração dele estava uniforme - como se ele tivesse ajustado o ritmo de um maratonista. —Além do mais, vai esfriar em breve. Eu espero que ele consiga arrumar o acampamento antes de chagarmos lá—.
Eu bati os dedos acolchoado grosso do casaco de pele dele. —Eu pensei que você não ficasse com frio—.
—Eu não fico. Eu só trouxe isso pra você, só pro caso de você não estar preparada— Ele olhou para o meu casaco, quase como se estivesse decepcionado por eu estar preparada. —Eu não gosto do inverno. Ele me deixa nervoso. Você reparou em como nós não vimos nenhum animal?—
—Um, na verdade não—.
—Eu podia imaginar que você não tinha. Os seus sentidos são entorpecidos demais—.
Eu deixei essa passar. —Alice também estava preocupada com a tempestade—.
—É preciso muita coisa pra silenciar a floresta desse jeito. Você escolheu uma noite dos infernos pra acampar—
—A ideia não foi inteiramente minha—.
O caminho sem trilhas que ele tomou começou a declinar mais e mais abruptamente, mas isso não o fez diminuir a velocidade. Ele saltava facilmente de pedra pra pedra, sem parecer precisar absolutamente das suas mãos. O equilíbrio perfeito dele me fez lembrar de uma cabra da montanha.
—Qual é a dessa adição na sua pulseira?—, ele perguntou.
Eu olhei pra baixo, e me dei conta de que o coração de cristal estava na face de cima do meu pulso.
Eu ergui os ombros sentindo culpa. —Outro presente formatura—.
Ele bufou. —Uma rocha. Não é de estranhar—.
Uma pedra? De repente eu me lembrei da frase inacabada de Alice na garagem. Eu olhei para o cristal branco brilhante e tentei me lembrar do que Alice estivera dizendo antes... sobre diamantes.
Será que ela estava tentando dizer ele já te deu um? Como em, eu já estava usando um diamante de Edward? Não, isso era impossível. O coração teria uns cinco quilates ou alguma coisa louca como essas! Edward não iria -
—Então já faz um tempo que você não vem até La Push—, Jacob disse, interrompendo as minhas conjecturas perturbadoras.
—Eu estive ocupada—, eu disse a ele. —E... provavelmente eu não teria ido visitar, do mesmo jeito—
Ele fez uma careta. —Eu achei que era pra você ser aquela que perdoava, e que eu era aquele que guardava rancores—
Eu dei de ombros.
—Você esteve pensando bastante naquela última vez, não é?—
—Não—.
Ele riu. —Ou você está mentindo, ou você é a pessoa mais teimosa viva—.
—Eu não sei sobre a segunda parte, mas eu não estou mentindo—.
Eu não gostava de ter essa conversa sob as presentes condições -com os braços dele presos com força ao meu redor sem que houvesse nada que eu pudesse fazer sobre isso. O rosto dele estava mais próximo do que eu queria que estivesse. Eu queria poder dar um passo pra trás.
—Uma pessoa inteligente olha para todos os lados de uma decisão—.
—Eu olhei—, eu retorqui.
—Se você não pensou na nossa... er, conversa que nós tivemos da última vez que você apareceu, então isso não é verdade—.
—Aquela conversa não é relevante para a minha decisão—.
—Algumas pessoas fazer qualquer coisa para iludirem a si mesmas—.
—Eu reparei que os lobisomens em particular têm uma propensão a cometer esse erro - você acha que é uma coisa genética?—
—Isso significa que ele beija melhor que eu?—, Jacob perguntou, mal humorado de repente.
—Eu realmente não sei dizer, Jake. Edward é a única pessoa que eu já beijei—.
—Além de mim—.
—Mas eu não conto aquilo como um beijo, Jacob. Eu penso naquilo mais como um assédio—.
—Ouch! Isso foi frio—
Eu ergui os ombros. Eu não ia retirar aquilo.
—Eu me desculpei por aquilo—, ele me lembrou.
—E eu te perdoei... em grande parte. Isso não muda a forma como eu me lembro daquilo—.
Ele murmurou alguma coisa impossível de entender.
Depois, tudo ficou quieto por um tempo; só havia o som da respiração comedida dele e do vento soprando acima de nós no topo das árvores. Uma face de penhasco apareceu completamente na nossa frente, uma pedra cinza, nua, áspera. Nós seguimos a base enquanto ela se curvava pra cima na floresta.
—Eu acho que isso é bem irresponsável—, Jacob disse se repente.
—O que quer que você esteja pensando, você está errado—.
—Pense nisso, Bella. De acordo com você, você só beijou uma pessoa - que nem sequer é uma pessoa de verdade - na sua vida inteira, e você está chamando isso de quite? Como é que você sabe que isso é o que você quer? Será que você não devia explorar as possibilidades um pouco?—
Eu mantive a minha voz calma. —Eu sei exatamente o que eu quero—.
—Então não vai machucar checar mais uma vez. Talvez você devesse tentar beijar outra pessoa - só pra fazer uma comparação... já que o que aconteceu no outro dia não conta. Você podia me beijar, por exemplo. Eu não vou me incomodar se você me usar como cobaia—.
Ele me segurou mais apertado em seu peito, até que o meu rosto estava perto do dele. Ele estava sorrindo da sua piada, mas eu não ia contar com a sorte.
—Não mexa comigo, Jake. Eu juro que não vou impedí-lo se ele quiser quebrar a sua mandíbula—.
O tom de pânico na minha voz fez o sorriso dele crescer. —Se você me pedir um beijo, ele não terá nenhuma razão pra ficar aborrecido. Ele disse que isso estava bem—.
—Não segure o fôlego, Jake - não, espere, eu mudei de ideia. Vá em frente. Segure a respiração até que eu te peça pra me beijar—.
—Você está de mal humor hoje—
—Eu me pergunto, porque?—
—As vezes eu penso que você gosta mais de mim como lobo—.
—As vezes eu gosto. Isso provavelmente tem a ver com o fato de que você não pode falar—.
Ele torceu seus lábios largos pensativamente. —Não. Eu não acho que seja isso. Eu acho que é mais fácil pra você ficar perto de mim quando eu não sou humano, porque você não precisa fingir que não está atraída por mim—.
A minha boca se abriu com um pequeno som de algo estourando. Eu a fechei imediatamente, apertando os meus dentes.
Ele ouviu isso. Os lábios dele se abriram largamente em seu rosto em um sorriso triunfante.
Eu respirei fundo lentamente antes de falar. —Não. Eu estou certa de que é porque você não fala—.
Ele suspirou. —Você nunca se cansa de mentir pra si mesma? Você tem que saber o quão consciente de mim você é. Fisicamente, eu quero dizer—.
—Como alguém pode não ser cônscio de você fisicamente, Jacob?— eu quis saber. —Você é um monstro enorme que se recusa a respeitar o espaço pessoal dos outros—.
—Eu te deixo nervosa. Mas só quando eu sou humano. Quando eu sou lobo, você fica mais confortável ao meu lado—.
—Nervosismo e irritação não são a mesma coisa—.
Ele olhou pra mim por um minuto, diminuindo até estar caminhando, a diversão estava desaparecendo do rosto dele. Os olhos dele se estreitaram, ficaram pretos na sombra das sobrancelhas dele. A respiração dele, tão regular enquanto ele corria, começou a acelerar.
Lentamente, ele inclinou o seu rosto mais pra perto do meu.
Eu encarei ele, sabendo exatamente o que ele estava tentando fazer.
—O rosto é seu—, eu lembrei ele.
Ele riu alto e começou a fazer piada de novo. —Eu realmente não quero brigar com o seu vampiro essa noite - quer dizer, qualquer outra noite, com certeza. Mas nós dois temos um trabalho a fazer amanhã, e eu não gostaria de deixar os Cullen com um a menos—.
De repente, uma inesperada onda de vergonha distorceu a minha expressão.
—Eu sei, eu sei—, ele respondeu, sem entender. —Você acha que ele pode me enfrentar—.
Eu não podia falar. Eu estava deixando-os com um a menos. E se alguém se machucasse por eu ser tão fraca? Mas e se eu fosse corajosa e Edward... eu não podia nem pensar nisso.
—Qual é o problema com você, Bella?— a máscara de comédia desapareceu do rosto dele, revelando o meu Jacob na superfície, como se estivesse retirando a máscara. —Se alguma coisa que eu disse te aborreceu, você sabe que eu só estava brincando. Eu não estava falando sério - ei, você está bem? Não chore, Bella—, ele implorou.
Eu tentei me recompor. —Eu não vou chorar—.
—O que eu disse?—
—Não é nada que você disse. É, bem, sou eu. Eu fiz uma coisa... má—.
Ele me encarou, os olhos dele arregalados de confusão.
—Edward não vai lutar amanhã— eu sussurrei a explicação. —Eu estou fazendo ele ficar comigo. Eu sou uma enorme covarde—.
Ele fez uma careta. —Você acha que isso não vai dar certo? Que eles vão te encontrar aqui? Você sabe de alguma coisa que eu não sei?—
—Não, não. Eu não estou com medo disso. Eu só... não posso deixá-lo ir. Se ele não voltasse...— eu estremeci, fechando os meus olhos pra escapar do pensamento.
Jacob estava quieto.
Eu continuei sussurrando, meus olhos fechados. —Se alguém se machucar, isso será minha culpa. E mesmo se ninguém se machucar... eu fui horrível. Eu tive que ser, pra convencê-lo a ficar comigo. Ele jamais usaria isso contra mim, mas eu sempre saberei o que eu fui capaz de fazer—.
Eu me senti um pouco melhor, tirando isso do meu peito. Mesmo se eu só pudesse confessar isso a Jacob.
Ele bufou, meus olhos se abriram lentamente, e eu fiquei triste de ver que a máscara dura estava de volta nele.
—Eu não consigo acreditar que ele deixou você convencê-lo a ficar de fora. Eu não perderia isso por nada—.
Eu suspirei. —Eu sei—.
—Isso não significa nada, porém— Ele estava devolvendo de repente. —Isso não significa que ele te ama mais do que eu—.
—Mas você não teria ficado comigo, nem se eu implorasse—.
Ele torceu os lábios por um momento, e eu me perguntei se ele tentaria negar isso. Nós dois sabíamos a verdade. —Isso é só porque você sabe melhor—, ele disse finalmente. —Tudo vai dar certo sem dúvida. Mesmo se você me pedisse e eu dissesse não, você não ficaria brava comigo depois—
—Se tudo der certo, você provavelmente está certo. Eu não ficaria com raiva. Mas durante todo o tempo que você estivesse longe, eu estaria doente de preocupação, Jake. Eu enlouqueceria—.
—Porque?—, ele perguntou mal humorado. —Porque você se importa se alguma coisa acontecer comigo?—
—Não diga isso. Você sabe o quanto significa pra mim. Eu lamento que não seja do jeito como você quer, mas é assim que é. Você é meu melhor amigo. Pelo menos, você costumava ser. E algumas vezes é... quando você baixa a guarda—.
Ele sorriu aquele velho sorriso que eu amava. —Eu sempre sou isso—, ele prometeu. —Mesmo quando eu... me comporto tão bem quanto eu deveria. Por baixo, eu estou sempre aqui—.
—Eu sei. Porque senão, por que mais eu te aguentaria?—
Ele riu comigo, e aí os olhos dele ficaram tristes. —Quando você vai se dar conta finalmente de que você está apaixonada por mim também?—
—Deixe você arruinar o momento—.
—Eu não estou dizendo que você não ama ele. Eu não sou burro. Mas é possível amar mais de uma pessoa de cada vez, Bella. Eu já vi isso em ação—.
—Eu não sou um lobisomem esquisito, Jacob—.
Ele entortou o nariz, e eu estava prestes a pedir desculpas pela última baboseira, mas ele mudou de assunto.
—Não estamos longe agora, eu sinto o cheiro dele—.
Eu suspirei aliviada.
Ele se enganou na interpretação. —Eu diminuiria a velocidade com alegria, Bella, mas você vai gostar de estar em um abrigo antes que aquilo caia—.
Nós dois olhamos para o céu.
Uma nuvem sólida de uma cor roxo-enegrecida estava correndo do oeste, escurecendo a floresta embaixo dela enquanto passávamos.
—Uau—, eu murmurei. —É melhor você se apressar. Você vai querer estar em casa antes que ela chegue aqui—.
—Eu não vou pra casa—.
Eu encarei ele, exasperada. —Você não vai acampar conosco—
—Não tecnicamente - como em, dividindo uma tenda ou qualquer coisa. Eu refiro a tempestade ao cheiro. Mas eu tenho certeza que o seu sugador de sangue vai querer manter contato com o bando por propósitos de coordenação, então, eu graciosamente vou prover esses serviços—.
—Eu pensei que esse era o trabalho de Seth—.
—Ele vai me substituir amanhã, durante a luta—.
Essa lembrança me silenciou por alguns segundos. Eu encarei ele, preocupação aparecendo com uma penetrância repentina.
—Eu não acho que há uma forma de te fazer ficar, já que você já está aqui?—, eu sugeri. —Se eu implorasse? Ou se trocasse uma vida de servidão ou alguma coisa assim?—
—Tentador, mais não. De novo, implorar pode ser interessante pra que você veja. Você pode se dar uma tentativa se você quiser—.
—Realmente não há nada, absolutamente nada que eu posso dizer?—
—Não. A não ser que você possa me prometer uma luta melhor. De qualquer jeito, Sam faz as convocações, não eu—.
Isso me lembrou.
—Edward me disse uma coisa no outro dia... sobre você—
Ele ficou eriçado. —Provavelmente é mentira—.
—Oh, mesmo? Você não é o segundo no comando do bando, então?—
Ele piscou, o rosto dele ficando branco de surpresa. ——Oh. Isso—.
—Como é que você nunca me contou isso?—
—Porque eu contaria? Não é nada importante—.
—Eu não sei. Porque não? É interessante. Então, como é que isso funciona? Como Sam acabou sendo o Alpha, e você como... o Beta?—
Jacob gargalhou com o meu termo inventado. —Sam foi o primeiro, o mais velho. Fazia sentido que ele ficasse no comando—.
Eu fiz uma careta. —Mas então não seriam Jared ou Paul a ser o segundo? Eles foram os próximos a se transformar—.
—Bem... é difícil de explicar—, Jacob disse evasivamente.
—Tente—.
Ele suspirou. —É mais uma coisa de linhagem, sabe? Meio ultrapassado. Porque devia importar quem foi o seu avô, certo?—
Eu me lembrei de uma coisa que Jacob havia me dito ha um longo tempo atrás, antes que qualquer um de nós soubesse sobre os lobisomens.
—Você não disse que Ephraim Black foi o último chefe que os Quileute tiveram?—
—É, é isso mesmo. Porque ele era o Alpha. Você sabia que, tecnicamente, Sam é o chefe da tribo inteira agora?— Ele riu. —Tradições loucas—.
Eu pensei nisso por um segundo, tentando fazer pedaços se encaixarem. —Mas você também disse que eles ouviam ao seu pai mais do que a qualquer outra pessoa no conselho, porque ele era o neto de Ephraim?—
—O que tem isso?—
—Bem, se isso é sobre a linhagem... você não devia ser o chefe, então?—
Jacob não me respondeu. Ele olhou para a floresta escurecendo, como se de repente ele precisasse se concentrar em pra onde ele estava indo.
—Jake?—
—Não. Esse é o trabalho de Sam— Ele manteve os olhos no caminho não demarcado.
—Porque? O tataravô dele era Levi Uley, certo? Levi era Alpha também?—
—Só há um Alpha—, ele respondeu automaticamente.
—Então o que Levi era?—
—Meio que o Beta, eu acho— Ele bufou com o meu termo. —Como eu—.
—Isso não faz sentido—.
—Isso não importa—.
—Eu só quero entender—.
Finalmente Jacob encontrou meu olhar confuso, e aí suspirou. —É. Era pra eu ser o Alpha—.
As minhas sobrancelhas se juntaram. —Sam não quis descer do posto?—
—Dificilmente. Eu não quis subir—.
—Porque não?—
Ele fez uma careta, desconfortável com as minhas perguntas. Bem, era a vez dele de se sentir desconfortável.
—Eu não quis nada daquilo, Bella. Eu não queria que nada mais mudasse. Eu não queria ser um chefe lendário—.
—Eu nem queria ser parte de um bando de lobisomens, quanto mais liderá-los. Eu não aceitei quando Sam ofereceu—.
Eu pensei nisso por um longo momento. Jacob não interrompeu. Ele estava encarando a floresta de novo.
—Mas eu pensei que você estava mais feliz. Que você estava se dando bem com isso—, eu sussurrei finalmente.
Jacob sorriu me reassegurando. —É. Realmente não é tão ruim. É excitante as vezes, como essa coisa de amanhã. Mas no início parecia que eu estava sendo convocado pra uma guerra que eu nem sabia que existia. Não havia escolha, sabe? E foi tão definitivo— Ele levantou os ombros. —De qualquer jeito, eu acho que estou alegre agora. Tinha que ser feito, e será que eu poderia confiar em mais alguém pra fazer isso direito? É melhor que eu mesmo tenha certeza—.
Eu encarei ele, sentindo um inesperado tipo de admiração pelo meu amigo. Ele era mais adulto do que eu havia acreditado que ele fosse. Como com Billy na outra noite na fogueira, havia uma realeza lá que eu não estava esperando.
—Chefe Jacob—, eu sussurrei, sorrindo pelo jeito que as palavras soavam juntas.
Ele revirou os olhos.
Bem aí, o vento balançou mais ferozmente através das florestas ao nosso redor, e parecia que ele estava soprando diretamente de um congelador. O som agudo de madeira se partindo ecoou nas montanhas. Apesar da luz estar desaparecendo enquanto as nuvens nebulosas cobriam o céu, eu ainda pude ver os pequenos flocos brancos que flutuavam entre nós.
Jacob apressou o passo, mantendo os olhos dele no chão agora, enquanto ele corria. Eu me curvei com mais vontade no peito dele, me protegendo da neve mal-vinda.
Foram apenas dez minutos desde que ele havia começado a correr ao redor do lado do pico de pedra e eu já podia ver a pequena tenda erguida contra uma face que a abrigava. Mais flocos flutuaram ao nosso redor, mas o vento estava violento demais pra deixá-los cair em um lugar.
—Bella!—, Edward chamou em um alívio agudo. Nós o encontramos no meio de um movimento de andar pra frente e pra trás.
Ele veio rapidamente para o meu lado, meio que se transformando num vulto quando ele se movia tão rápido. Jacob enrijeceu, e aí ele me colocou de pé. Edward ignorou a reação dele e me pegou num abraço apertado.
—Obrigado—, Edward disse por cima da minha cabeça. O tom dele era inequivocadamente sincero. —Isso foi mais rápido do que eu esperava, e eu realmente aprecio isso—.
Eu me virei pra ver a reação de Jacob.
Jacob meramente levantou os ombros, toda a amigabilidade havia sido limpa do rosto dele. —Leve ela pra dentro. Isso vai ser feito - o meu cabelo está arrepiando no meu crânio. Essa tenda é segura?—
—Eu a cravei na rocha—.
—Bom—.
Jacob olhou para o céu - agora preto com a tempestade, manchado com os pedacinhos de neve. As narinas dele inflaram.
—Eu vou trocar de roupa—, ele disse. —Eu quero saber o que está acontecendo lá em casa—.
Ele pendurou o seu casaco em um arbusto baixo, grosso, e caminhou para a floresta obscura sem olhar pra trás.

3 comentários:

  1. Jacob,jacob, sempre irritante
    Se ele aceitasse o status de amizade sem reclamar.... Seria melhor

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  2. S ele força d+ uma relaçao eu n acho fofo acho metido disculpa apoiadores d cães
    Gu

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