25 de setembro de 2015

Capítulo 20 - Conciliação

Tudo estava pronto.
Eu estava com as malas prontas para a minha visita de dois dias com —Alice — e a minha mala esperava por mim no banco do passageiro da minha caminhonete. Eu havia dado os ingressos do show para Ângela, Ben e Mike. Mike ia levar Jessica, que era exatamente o que eu esperava. Billy havia pego o barco do Velho Quil Ateara emprestado e convidou Charlie pra uma pescaria em mar aberto à tarde antes que o jogo começasse. Collin e Brady, os dois lobisomens mais jovens, foram deixados pra trás pra proteger de La Push - eles eram apenas crianças, eles dois tinham apenas treze anos. Mesmo assim, Charlie ainda estaria mais seguro do que qualquer pessoa deixada em Forks.
Eu tinha feito tudo o que podia. E tentei aceitar isso, e colocar coisas que estavam fora do meu controle pra trás na minha cabeça, pelo menos por essa noite. De uma forma ou de outra, tudo isso estaria acabado em quarenta e oito horas. Esse pensamento era quase reconfortante.
Edward havia pedido que eu relaxasse, e eu ia fazer o melhor que eu pudesse.
—Só por essa noite, será que podemos tentar esquecer tudo além de simplesmente você e eu?—, ele havia implorado, despejando todo o poder dos seus olhos em mim. —Parece que eu nunca tenho tempo assim suficiente. Eu preciso estar com você. Só você—.
Esse não era um pedido difícil de se concordar, apesar de eu saber que esquecer o meus medos era muito mais fácil de dizer do que de fazer. Outras coisas estavam na minha cabeça agora, sabendo que nós teríamos essa noite pra ficar sozinhos, e isso ia ajudar.
Haviam algumas coisas que haviam mudado.
Por exemplo, eu estava pronta.
Eu estava pronta pra me juntar à família dele e ao seu mundo. O medo e a culpa e a angústia que eu estava sentindo agora haviam me ensinado isso. Eu tinha tido uma chance de me concentrar nisso - eu tinha olhado para a lua através das nuvens e havia me encostado em um lobisomem - e eu sabia que não entraria em pânico de novo. Da próxima vez que alguma coisa estivesse vindo pra nós, eu estaria pronta.
Um recurso, não uma responsabilidade. Ele nunca mais teria que escolher entre mim e sua família de novo. Nós seríamos parceiros, como Alice e Jasper. Da próxima vez, eu faria a minha parte.
Eu esperaria até que a espada fosse tirada de cima da minha cabeça, pra que Edward ficasse satisfeito. Mas isso não era necessário. Eu estava pronta.
Só havia um pedaço faltando.
Um pedaço, porque haviam coisas que não haviam mudado, e isso incluía a forma desesperada como eu amava ele. Eu tive bastante tempo pra pensar nas ramificações da aposta de Jasper e Emmett - pra descobrir as coisas que eu estava querendo perder com a minha humanidade, e na parte da qual eu não estava com vontade de desistir. Eu sabia em qual experiência eu ia insistir antes de me tornar não-humana.
Então nós tínhamos algumas coisas pra fazer essa noite. Depois de tudo o que eu havia visto nos últimos dois anos, eu não acreditava mais na palavra impossível. Ia ser necessário mais do que isso pra me deter agora.
Ok, bem, honestamente, provavelmente isso ia ser muito mais complicado que isso. Mas eu ia tentar.
Tão decidida quanto eu estava, eu não estava tão surpresa por me sentir nervosa enquanto eu dirigia pelo longo caminho até a casa dele - eu não sabia como fazer o que eu estava tentando fazer, e isso me garantiu uma séria agitação. Ele estava sentado no banco do passageiro, tentando não sorrir do meu passo lento. Eu estava surpresa por ele não ter insistido em pegar o volante, mas essa noite ele parecia contente em seguir a minha velocidade.
Já estava escuro quando nós chegamos à casa dele. A despeito disso, a clareira estava brilhando com as luzes que saiam de todas as janelas.
Assim que eu desliguei o motor, ele estava na minha porta, abrindo ela pra mim. Ele me levantou da cabine com um braço, pegando a minha mala da caminhonete e jogando-a por cima do ombro com a outra. Os lábios dele encontraram os meus enquanto eu ouvia ele chutar a porta da caminhonete pra fechá-la atrás de mim.
Sem quebrar o beijo, ele me levantou até que eu estava aninhada em seus braços e me levou pra dentro de casa.
A porta já estava aberta? Eu não sabia. Contudo, nós já estávamos dentro, e eu estava atordoada. Eu tive que me lembrar de respirar.
Esse beijo não me assustou. Não foi como antes quando eu podia sentir o medo e o pânico escapando do controle dele. Os lábios dele não estavam mais ansiosos, mas agora estavam entusiásticos - ele parecia tão feliz quanto eu por termos essa noite pra nos concentrarmos um no outro. Ele continuou a me beijar por vários minutos, parados na entrada; ele pareceu menos resguardado do que o normal, a boca dele era fria e urgente na minha.
Eu comecei a me sentir cuidadosamente otimista. Talvez conseguir o que eu queria não fosse tão difícil quanto eu estava esperando.
Não, é claro que ia ser exatamente difícil desse jeito.
Com uma risadinha, ele me afastou, me segurando nos braços.
—Bem-vinda ao lar—, ele disse, seus olhos estavam líquidos e quentes.
—Isso parece legal—, eu disse, sem ar.
Ele me colocou gentilmente de pé. Eu passei meus dois braços ao redor dele, me recusando a deixar que algum espaço se formasse entre nós.
—Eu tenho uma coisa pra você—, ele disse, com um tom convencional.
—Oh?—
—O seu presente passado, lembra? Você disse que isso era permitido—.
—Oh, é mesmo. Eu acho que disse isso—.
Ele gargalhou com a minha relutância.
—Está lá no meu quarto. Vamos pegá-lo?—
O quarto dele? —Claro—, eu concordei, me sentindo bastante desviada enquanto entrelaçava os meus dedos com os dele. —Vamos lá—.
Ele devia estar ansioso pra me dar o meu não-presente, porque a velocidade humana não foi suficiente pra ele. Ele me pegou nos braços de novo e praticamente voou pelas escadas até o quarto dele. Ele me colocou no chão na porta, e foi até o seu closet.
Ele já estava de volta antes que eu desse um passo, mas eu ignorei ele e fui até a enorme cama dourada, me sentando na beira e depois deslizando até o centro.
Eu me curvei em uma bola, meus braços ao redor dos meus joelhos.
—Ok—, eu murmurei. Agora que eu estava onde queria estar, eu podia me dar ao luxo de relutar um pouco. —Pode me dar—.
Edward riu.
Ele subiu na cama pra sentar ao meu lado, e o meu coração disparou desigualmente. Eu tinha esperanças de que ele interpretasse isso como algum tipo de reação a ele me dando presentes.
—Um presente passado—, ele me lembrou duramente. Ele puxou meu pulso esquerdo pra longe da minha perna, e tocou a pulseira de prata só por um momento. Aí ele devolveu meu braço.
Eu o examinei cuidadosamente. No lado oposto de onde estava o lobo, agora balançava um cristal brilhante em formato de coração. Ele estava cortado em milhões de facetas, então, mesmo com a luz fraca de saia da luminária, ele brilhou. Eu inalei em um ofego baixo.
—Era da minha mãe— Ele levantou os ombros num gesto implorativo. —Eu herdei muitas coisinhas como essa. Eu dei algumas pra Esme e Alice. Então, claramente, essa não é uma grande coisa de qualquer maneira—.
Eu sorri sentidamente com a garantia dele.
—Mas eu achei que essa era uma boa representação—, ele continuou. —É duro e frio— Ele riu. —E faz arco-íris na luz do sol—.
—Você esqueceu da similaridade mais importante—, eu murmurei. —É lindo—.
—O meu coração é igualmente silencioso—, ele meditou. —E ele também, agora é seu—.
Eu virei o meu pulso pra que o coração reluzisse. —Obrigada. Pelos dois—.
—Não, obrigado você. É um alívio que você aceite um presente tão facilmente. É bom pra você praticar também— Ele sorriu, mostrando seus dentes.
Eu me inclinei pra ele, colocando minha cabeça embaixo do braço dele e me aconchegando no lado dele. Isso provavelmente era similar se aconchegar em David de Michelangelo, exceto que essa criatura perfeita de mármore passou os braços ao meu redor e me trouxe mais pra perto.
Esse pareceu ser um bom lugar pra começar.
—Podemos discutir uma coisa? Eu apreciaria se você começasse com a mente aberta—.
Ele hesitou por um momento. —Eu vou me esforçar o quanto puder—, ele concordou, agora cuidadoso.
—Eu não estou quebrando regra nenhuma—, eu prometi. —Isso é estritamente sobre eu e você—. Eu limpei minha garganta. —Então... eu fiquei impressionada de ver o quanto nós fomos capazes de nos comprometer na outra noite. Eu estava pensando que eu gostaria de aplicar o mesmo princípio para uma situação diferente—, eu me perguntei porque eu estava sendo tão formal. Deviam ser os nervos.
—O que você gostaria de negociar?—, ele perguntou, um sorriso em sua voz.
Eu lutei, tentando encontrar as palavras certas pra começar.
—Ouça o seu coração voar—, ele murmurou. —Ele está tremulando como as asas de um bando de pássaros. Você está bem?—
—Eu estou ótima—.
—Por favor vá em frente então—, ele encorajou.
—Bem, eu acho, primeiro, eu queria falar sobre aquela coisa ridícula da condição do casamento—.
—Só é ridícula pra você. O que tem ela?—
—Eu estava me perguntando... essa é uma negociação aberta?—.
Edward fez uma careta, sério agora. —Eu já fiz a maior concessão por agora e por depois - eu concordei em tomar sua vida mesmo contra o meu melhor julgamento. E isso devia me garantir alguns compromissos da sua parte—.
—Não—, eu balancei minha cabeça, me concentrando em manter meu rosto composto. —Essa parte já é um negócio fechado. Nós não estamos negociando as minhas... renovações agora. Eu quero martelar em alguns outros detalhes—.
Ele me olhou suspeitosamente. —De que detalhes você fala exatamente?—
Eu hesitei. —Primeiro vamos esclarecer os seus pré-requisitos—.
—Você sabe o que eu quero—.
—Matrimônio—, eu fiz parecer que essa era uma palavra suja.
—Sim—, ele deu um sorriso largo. —Pra começar—.
O choque estragou a minha expressão composta. —Tem mais?—
—Bem—, ele disse, e seus rosto estava calculando. —Se você é minha esposa, então o que é meu é seu... como o dinheiro para a faculdade. Então não haveria problema com Dartmouth—.
—Mais alguma coisa? Já que você já está sendo absurdo?—
—Eu não me importaria com um pouco mais de tempo—.
—Não. Tempo não. Só isso já quebraria o trato—.
Ele suspirou desejando. —Só um ano ou dois?—
Eu balancei a cabeça, meus lábios faziam uma careta de teimosia. —Passe para a próxima—.
—Isso é tudo. A não ser que você queira falar sobre carros...—
Ele deu um largo sorriso quando eu fiz uma careta, e aí pegou minha mão e começou a brincar com os meus dedos.
—Eu não tinha me dado conta de que havia mais alguma coisa que você queria além de ser transformada em um monstro também. Eu estou extremamente curioso— A voz dele era baixa e suave. O pequeno nervosismo seria difícil de detectar se eu não o conhecesse tão bem.
Eu pausei, olhando para as suas mãos nas minhas. Eu ainda não sabia como começar. Eu sentia os olhos dele me observando e estava com medo de olhar pra cima. O sangue começou a queimar no meu rosto.
Os dedos frios dele alisaram a minha bochecha. —Você está corando?— ele perguntou surpreso. Eu mantive os meus olhos baixos. —Por favor, Bella, esse suspense é tão doloroso—.
Eu mordi meu lábio.
—Bella—. Agora o tom dele estava me repreendendo, me lembrando que era difícil pra ele quando eu guardava os meus pensamentos só pra mim.
—Bem, eu estou um pouco preocupada... sobre depois—, eu admiti, finalmente olhando pra ele.
Eu senti o corpo dele ficar tenso, mas a voz dele estava gentil e parecia veludo. —O que te deixa preocupada?—
—Todos vocês parecem estar tão convencidos de que a única coisa na qual eu vou estar interessada, depois, é em matar todos na cidade—, eu confessei, enquanto ele gemia com a minha escolha de palavras. —E eu estou com medo de estar tão preocupada com o caos que eu não serei mais eu mesma... e que eu não... eu não vou te querer da mesma forma que eu quero agora.—
—Bella, essa parte não dura pra sempre—, ele me assegurou.
Ele não estava entendendo o ponto.
—Edward—, eu disse, nervosa, olhando pra uma sarda no meu pulso. —Tem uma coisa que eu quero fazer antes que eu não seja mais humana—.
Ele esperou que eu continuasse. Eu não continuei. O meu rosto estava todo quente.
—Qualquer coisa que você quiser—, ele encorajou, ansioso e completamente sem pistas.
—Você promete?—, eu murmurei, sabendo que a minha tentativa de criar uma armadilha com as palavras dele não iam funcionar, mas incapaz de resistir.
—Sim—, ele disse. Eu olhei pra cima pra ver que os olhos dele estavam sérios e confusos. —Me diga o que você quer, e você terá—.
Eu não podia acreditar no quanto me sentia estranha e idiota. Eu era inocente demais - que era, é claro, o centro da discussão. Eu não tinha nem a mais breve ideia de como ser sedutora. Eu teria que dar um jeito sendo corada e tímida.
—Você—, eu murmurei quase incoerentemente.
—Eu sou seu—. Ele sorriu, ainda inconsciente, tentando segurar o meu olhar enquanto eu desviava os olhos.
Eu respirei fundo e me inclinei pra frente até que estava de joelhos na cama. E aí eu passei meus braços pelo pescoço dele e o beijei.
Ele me beijou de volta, desnorteado mas com vontade. Os lábios dele eram gentis contra os meus, e eu podia notar que a mente dele estava em outro lugar - tentando descobrir onde estava a minha mente. Eu decidi que ele precisava de uma dica.
As minhas mãos estavam tremendo um pouco enquanto eu tirei os meus braços do pescoço dele. Os meus dedos deslizaram até o colarinho da camisa dele. A tremedeira não me ajudou enquanto eu me apressava pra abrir os botões dele antes que ele me parasse.
Os lábios dele congelaram, e eu quase pude ouvir o clique na cabeça dele enquanto ele juntava as minhas palavras e ações.
Ele me afastou imediatamente, o rosto dele estava duramente desaprovador.
—Seja razoável, Bella—.
—Você me prometeu - tudo o que eu quisesse—, eu lembrei ele sem esperança.
—Nós não vamos ter essa discussão—. Ele me encarou enquanto fechava os dois botões que eu tinha conseguido abrir.
Meus dentes se apertaram.
—Eu digo que vamos—, eu rosnei. Eu movi as minhas mãos para a minha blusa e abri o primeiro botão.
Ele agarrou os meus pulsos e os colocou dos meus lados.
—Eu digo que não vamos—, ele disse numa voz vazia.
Nós nos encaramos.
—Você queria saber—, eu apontei.
—Eu pensei que fosse uma coisa minimamente realista—.
—Então, você pode pedir por qualquer coisa estúpida, ridícula que você queira - tipo casar- mas eu nem sequer tenho permissão pra discutir o que eu-—
Enquanto eu estava falando, ele havia colocado as minhas mãos juntas pra restringí-las em um das dele, e ele colocou a outra mão na minha boca.
—Não—, o rosto dele estava duro.
Eu respirei fundo pra me acalmar. E, quando a raiva começou a desaparecer, eu senti outra coisa.
Me levou um minuto pra que eu reconhecesse porque eu estava olhando pra baixo de novo, voltando a ficar corada - porque o meu estômago estava inquieto, porque havia umidez demais nos meus olhos, porque de repente eu queria sair saindo do quarto.
A rejeição passou por mim, instintiva e forte.
Eu sabia que era irracional. Ele foi bem claro em outras ocasiões que a minha segurança era o único fator. Mesmo assim, eu nunca havia estado tão vulnerável antes. Eu fiz uma careta para a colcha que combinava com a cor dos olhos dele e tentei banir a reação reflexiva que me dizia que ele não me desejava e que eu não era desejada.
Edward suspirou. A mão que estava em cima da minha boca se moveu pra debaixo do meu queixo, e ele puxou o meu rosto pra cima até que eu tive que eu tivesse que olhar pra ele.
—O que foi agora?—
—Nada—, eu murmurei.
Ele estudou o meu rosto por um longo momento enquanto eu tentava sem sucesso me afastar do olhar dele. As sobrancelhas dele se juntaram, e a expressão dele ficou horrorizada.
—Eu magoei os seus sentimentos?—, ele me perguntou, chocado.
—Não—, eu menti.
Tão rápido que eu nem tive certeza de como isso tinha acontecido, eu estava nos braços dele, meu rosto aninhado entre seu ombro e sua mão, enquanto o polegar dele alisava a minha bochecha me acalmando.
—Você sabe porque eu tenho que dizer não—, ele murmurou. —Você sabe que eu te quero também—.
—Quer?—, eu sussurrei, minha voz cheia de dúvida.
—É claro que eu quero, sua garota boba, linda, super sensível.— Ele riu uma vez, e aí a voz dele ficou vazia. —Todo mundo não quer? Eu sinto como se houvesse uma linha atrás de mim, correndo pra chegar na frente, esperando que eu cometa um erro grande o suficiente... Você é desejável demais pro seu próprio bem—.
—Quem está sendo bobo agora?— Eu me perguntei se estranha, tímida, e inapta eram considerados desejáveis no livro de alguém.
—Você que eu faça uma petição pra te fazer acreditar? Será que eu devo te dizer quais os nomes que estariam no topo da lista? Você sabe de alguns deles, alguns iam te surpreender—.
Eu balancei a minha cabeça contra o peito dele, fazendo uma careta. —Você só está tentando me distrair. Vamos voltar ao assunto—.
Ele suspirou.
—Me diga se há algo errado comigo—, eu tentei soar como se não me importasse. —As sua demanda é o casamento— - eu não consegui dizer a palavra sem fazer uma cara -
—pagar a minha faculdade, mais tempo, e você não se incomodaria se o meu veículo fosse um pouco mais rápido—. Eu ergui as minhas sobrancelhas. —Eu disse tudo? Essa é uma lista comprida—.
—Só a primeira é uma demanda—. Ele parecia estar tendo dificuldades em manter um rosto sério. —Os outros são meros pedidos—.
—E a minha única demanda, solitária, é -—
—Demanda?—, ele perguntou, de repente sério de novo.
—Sim. Demanda—.
Os olhos dele se estreitaram.
—Casamento é uma extensão pra mim. Eu não vou dizer sim a não ser que eu ganhe alguma coisa em troca—.
Ele se inclinou pra sussurrar no meu ouvido. —Não—, ele murmurou suavemente. —Agora não é possível. Depois, quando você for menos quebrável. Seja paciente, Bella—.
Eu tentei manter minha voz firme a razoável. —Mas esse é o problema. Não será a mesma coisa quando eu for menos quebrável. Não será o mesmo! Eu não sei quem eu serei até lá—.
—Você ainda será Bella—, ele prometeu.
Eu fiz uma careta. —Eu serei tão diferente que eu iria querer matar Charlie - eu iria querer beber o sangue de Jacob ou de Ângela se eu tivesse a chance - como é que isso pode ser verdade?—
—Isso vai passar. E eu duvido que você vá querer beber o sangue do cachorro—. Ele fingiu estremecer com o pensamento. —Mesmo sendo uma recém-nascida você vai ter um gosto melhor que isso—.
Eu ignorei a tentativa dele de me distrair. —Mais isso sempre será o que eu vou querer mais, não é?—, eu desafiei. —Sangue, sangue e mais sangue!—
—O fato de que você ainda está viva prova que isso não é verdade—, ele apontou.
—Mais de oitenta anos depois—, eu lembrei ele. —De qualquer forma, eu quis dizer fisicamente. Intelectualmente, eu sei que serei capaz de ser eu mesma... depois de algum tempo. Mas puramente fisicamente - eu sempre sentirei mais sede do que qualquer outra coisa—
Ele não respondeu.
—Então eu serei diferente—, eu concluí sem me opor. —Porque agora mesmo, fisicamente, não há nada que eu queira mais do que você. Mais do que comida ou água ou oxigênio. Intelectualmente, eu tenho as minhas prioridades em uma ordem um pouco mais sensível. Mas fisicamente...—
Eu virei a minha cabeça pra beijar a palma da mão dele.
Ele respirou fundo. Eu fiquei surpresa de notar que isso foi um pouco instável.
—Bella, eu podia te matar—, ele sussurrou.
—Eu não acho que você poderia—.
Os olhos de Edward estreitaram. Ele levantou sua mão e pegou rapidamente atrás de si mesmo alguma coisa que eu não podia ver. Houve um som abafado de alguma coisa partindo, e a cama estremeceu embaixo de nós.
Alguma coisa escura estava na mão dele; ele a levantou para o meu curioso exame. Era uma flor de metal, uma das rosas que adornavam o poste de metal e o pálio da armação da cama dele. A mão dele se fechou por um breve segundo, os dedos dele se contraindo suavemente, e aí se abriu de novo.
Sem uma palavra, ele me ofereceu a bola de metal preto amassada, desigual.
Havia uma marca do interior da mão dele, como um pedaço de massa de modelar espremida na mão de uma criança. Meio segundo se passou, e a forma se transformou em areia preta na mão dele.
Eu encarei ele. —Não foi isso que eu quis dizer. Eu já sei o quanto você é forte. Você não precisava quebrar o móvel—.
—O que você quis dizer, então?—, ele perguntou com uma voz sombria, jogando os vestígios da areia preta no canto do quarto; eles bateram na parece e soaram como chuva.
Os olhos dele estavam atentos no meu rosto enquanto eu tentava explicar.
—Obviamente não era que você não é capaz de me machucar fisicamente, se você quisesse... Mais isso, você não quer me machucar... é tanto que eu não acho você um dia pudesse—.
Ele começou a balançar a cabeça antes que eu tivesse acabado.
—Isso pode não funcionar assim, Bella—
—Pode—, eu bufei. —Você não faz mais ideia do que está falando do que eu—.
—Exatamente. Você acha que eu ia expor você a esse tipo de risco?—
Eu olhei nos olhos dele por um longo minuto. Não havia nenhum sinal de compromisso, nenhuma ponta de indecisão neles.
—Por favor—, eu sussurrei finalmente, sem esperanças. —Isso é tudo o que eu quero. Por favor—. Eu fechei os meus olhos, vencida, esperando por um não rápido e final.
Mas ele não respondeu imediatamente. Eu hesitei sem acreditar,aturdida ao descobrir que a respiração dele estava instável de novo.
Eu abri os meus olhos, e o rosto dele estava arrasado.
—Por favor?—,eu sussurrei de novo,meu coração começando a bater mais rápido. As minhas palavras tropeçaram umas nas outras enquanto eu me apressava pra tirar vantagem da incerteza repentina nos olhos dele. —Você não tem que me dar nenhuma garantia. Se isso não der certo,bem, então é isso. Vamos só tentar... só tentar. E eu vou te dar o que você quer—,eu prometi rapidamente. —Eu caso com você. Eu deixo você pagar por Dartmouth, e eu não vou reclamar dos subornos que você me der. Você pode me comprar um carro veloz se isso te deixa feliz! Só... por favor—
Os braços gelados dele se apertaram ao me redor, e os lábios dele estavam na minha orelha; a respiração fria dele me fez estremecer. —Isso é insuportável. Tantas coisas que eu queria dar pra você - e isso é o que você decide pedir. Você tem ideia do quanto é doloroso, tentar te recusar quando você me implora desse jeito?—
—Então não recuse—, eu sugeri, sem fôlego.
Ele não respondeu.
—Por favor—, eu tentei de novo.
—Bella—, ele balançou a cabeça lentamente, mas não parecia ser uma negação enquanto o rosto dele, seus lábios, se moviam pra frente e pra trás na minha garganta. Parecia mais uma redenção. O meu coração, já correndo, batia freneticamente.
De novo, eu tomei toda a vantagem que podia. Quando o rosto dele virou em direção ao meu com o leve movimento da sua indecisão, eu me virei rapidamente nos braços dele até que os meus lábios alcançaram os dele. As mãos dele seguraram o meu rosto, e eu pensei que ele fosse me afastar de novo.
Eu estava errada.
A boca dele não estava gentil; havia uma nova extremidade de conflito e desespero na forma como os seus lábios de moviam. Eu travei os meus braços no pescoço dele, e, para a minha pele repentinamente mais quente, a pele dele parecia mais fria do que nunca. Eu estremeci, mas não era pelo frio.
Ela não parou de me beijar. Fui eu quem teve que parar, ofegando por ar. Mesmo assim os lábios dele não saíram da minha pele, eles só se moveram para a minha garganta. A sensação de vitória deu uma alta estranha; isso me fez poderosa. Corajosa. As minhas mãos agora estavam inquietas; eu passei pelos botões da camisa dele com facilidade dessa vez, e os meus dedos traçaram as formas perfeitas do peito gelado dele. Ele era lindo demais. Qual era a palavra que ele havia acabado de usar? Insuportável - isso é o que era. A beleza dele era demais pra suportar...
Ele colocou a sua boca de volta na minha, e ele pareceu estar tão ansioso quanto eu estava.
Uma das mãos dele ainda segurava o meu rosto, seu outro braço estava apertado na minha cintura, me trazendo mais pra perto. Isso tornou as coisas um pouco mais difíceis enquanto eu tentava alcançar a frente da minha camisa, mas não impossível.
Algemas frias como metal se fecharam nos meus pulsos, e puxaram as minhas mãos pra cima da minha cabeça, que de repente estava em cima de um travesseiro.
Os lábios dele estavam no meu ouvido de novo. —Bella—, ele murmurou, a voz dele era quente e macia. —Você pode por favor parar de tentar tirar as suas roupas?—
—Você quer fazer essa parte?—, eu perguntei, confusa.
—Essa noite não—, ele respondeu suavemente. Agora os lábios dele estavam mais devagar na minha bochecha e na minha mandíbula, toda a urgência havia desaparecido.
—Edward, não -—, eu comecei a discutir.
—Eu não estou dizendo não—, ele me assegurou. —Eu estou dizendo não essa noite—.
Eu pensei nisso por um momento e a minha respiração se acalmou.
—Me dê uma razão pela qual essa noite não é tão boa quanto qualquer outra noite—, eu ainda estava sem fôlego; isso deixou a frustração na minha voz menos impressionante.
—Eu não nasci ontem— Ele gargalhou no meu ouvido. —Entre nós dois qual é aquele que está com mais vontade de dar ao outro o que ele quer? Você só prometeu se casar comigo antes de qualquer mudança, mas se eu fizer isso essa noite, o que me garante que você não vai sair correndo pra Carlisle de manhã? Eu sou - claramente - muito menos relutante em te dar o que você quer. Portanto... você primeiro—.
Eu exalei num alto acesso de ira. —Você vai me fazer casar com você antes?—, eu perguntei sem acreditar.
—Esse é o acordo - é pegar ou largar. Compromisso, lembra?—
Os braços dele se entrelaçaram ao meu redor, e ele começou a me beijar de uma forma que devia ser ilegal. Muito persuasiva - isso era compulsão, coerção. Eu tentei manter minha cabeça limpa... e falhei rapidamente e absolutamente.
—Eu realmente acho que essa é uma má ideia—, eu ofeguei quando ele me deixou respirar.
—Eu não estou surpreso que você se sinta assim— Ele deu um sorriso malicioso. —Você tem uma cabeça pouco aberta—.
—Como foi que isso aconteceu?—, eu murmurei. —Eu pensei que ia fazer as coisas do meu jeito essa noite - pra variar - e agora, do nada -—
—Você está noiva—, ele terminou.
—Eca! Por favor não diga isso em voz alta—.
—Você vai voltar com a palavra?—, ele quis saber. Ele se afastou pra ler o meu rosto. A expressão dele estava divertida. Ele estava se divertindo.
Eu encarei ele, tentando ignorar a forma como o sorriso dele fazia o meu coração reagir.
—Você vai?—, ele pressionou.
—Ugh!—, eu gemi. —Não. Eu não vou. Você está feliz agora?—
O sorriso dele era dominante. —Excepcionalmente—.
Eu gemi de novo.
—Você não está nem um pouco feliz?—
Ele me beijou de novo antes que eu pudesse responder. Outro beijo persuasivo demais.
—Um pouco—, eu admiti quando pude falar. —Mas não por estar me casando—.
Ele me beijou outra vez. —Você está com a sensação de que tudo está ao contrário?—, ele riu no meu ouvido. —Tradicionalmente, não era você que devia estar discutindo no meu lugar, e eu no seu?—
—Não tem muita coisa tradicional entre você e eu—.
—Verdade—.
Ele me beijou de novo, e continuou até que o meu coração estava disparado e a minha pele estava corando.
—Olha, Edward—, eu murmurei, minha voz lisonjeando, quando ele parou pra beijar a palma da minha mão. —Eu disse que me casaria com você, e eu vou. Eu prometo. Eu juro. Se você quiser, eu assino um contrato com o meu próprio sangue—.
—Isso não foi engraçado—, ele murmurou na parte de dentro do meu pulso.
—O que eu estou dizendo é isso - Eu não vou te enganar nem nada. Você me conhece melhor que isso. Então não há razão pra esperar. Nós estamos completamente sozinhos - com que frequência isso acontece? - e você arrumou essa cama tão grande e confortável...—
—Essa noite não—, ele disse de novo.
—Você não confia em mim?—
—É claro que eu confio—
Usando a mão que ele ainda estava beijando, eu puxei o rosto dele de volta pra onde eu podia ver a expressão dele.
—Então qual é o problema? Não é como se você não soubesse que vai vencer no final—. Eu fiz uma careta e murmurei. —Você sempre ganha—.
—Só estou garantindo as minhas apostas—, ele disse calmamente.
—Há mais alguma coisa—, eu adivinhei, meus olhos estreitando. Havia uma defesa no rosto dele, uma leve pista de um motivo secreto que ele estava tentando esconder com o seu jeito casual. —Você está planejando dar pra trás na sua palavra?—
—Não—, ele prometeu solenemente. —Eu juro pra você, nós vamos tentar. Depois que você casar comigo—.
Eu balancei a minha cabeça, e rí bobamente. —Você está me fazendo parecer um vilão de um melodrama - revirando o bigode enquanto tenta roubar a virtude de uma pobre garotinha—.
Os olhos dele estavam cautelosos enquanto passaram pelo meu rosto, aí ele rapidamente se abaixou pra pressionar seus lábios na minha clavícula.
—É isso, não é?—, o riso curto que escapou de mim era mais chocado que divertido. —Você está tentando proteger a sua virtude!—, eu cobri a minha boca com a minha mão pra abafar as gargalhadas que se seguiram. As palavras eram tão... antiquadas.
—Não, garota boba—, ele murmurou contra o meu ombro. —Eu estou tentando proteger a sua. Você está tornando isso chocantemente difícil—.
—Entre todas as ridículas -—
—Me deixe te perguntar uma coisa—, ele me interrompeu rapidamente. —Nós já tivemos essa discussão antes, mas me distraia. Quantas pessoas nesse quarto têm uma alma? Uma chance no céu, ou o que quer que haja depois dessa vida?—
—Duas—, eu respondi imediatamente, minha voz furiosa.
—Tudo bem. Talvez isso seja verdade. Agora, existe um mundo cheio de distinções sobre isso, mas a vasta maioria acha que existem algumas regras que precisam ser seguidas—.
—As regras dos vampiros não são suficientes pra você? Você tem que se preocupar com as dos humanos também?—
—Isso não pode fazer mal—, ele levantou os ombros. —Só na dúvida—.
Eu encarei ele através de olhos apertados.
—Agora, é claro, pode ser tarde demais pra mim, mesmo se você estiver certa sobre a minha alma—.
—Não, não é—, eu discuti, com raiva.
—'Não matarás' é comumente aceito pelos maiores sistemas de crenças. E eu já matei muitas pessoas, Bella—.
—Só pessoas más—.
Ele levantou os ombros. —Talvez isso conte, mas talvez não conte. Mas você não matou ninguém -—
—Que você saiba—, eu murmurei.
Ele sorriu, mas de outra forma, ignorou a interrupção. —E eu vou fazer o meu melhor pra te manter fora do caminho da tentação—.
—Ok. Mas nós não estávamos brigando por cometer assassinatos—, eu lembrei ele.
—O mesmo princípio se aplica - a única diferença é que nessa área eu sou tão imaculado quanto você. Será que eu não posso ter uma regra que não quebrei?—
—Uma?—
—Você sabe que eu já roubei, eu já menti, eu já cobicei... a minha virtude é tudo o que me sobra—. Ele deu um sorriso torto.
—Eu minto o tempo todo—.
—Sim, mas você mente tão mal que isso nem conta. Ninguém acredita em você—.
—Eu realmente espero que você esteja errado quanto a isso - porque senão Charlie pode estar prestes a invadir essa quarto com uma arma carregada—.
—Charlie fica mais feliz quando ele finge engolir as suas histórias. Ele prefere mentir pra si mesmo do que olhar muito de perto—, ele sorriu pra mim.
—Mas o que você já cobiçou?—, eu perguntei duvidosamente. —Você tem tudo—.
—Eu cobicei você—, o sorriso dele escureceu. —Eu não tinha o direito de querer você - mas eu fui lá e te peguei do mesmo jeito. E agora veja o que você se tornou! Tentando seduzir um vampiro— Ele balançou a cabeça com horror de brincadeira.
—Você não pode cobiçar o que já é seu—, eu informei ele. —Além do mais, eu pensei que era com a minha virtude que você estava preocupado—.
—E é. Se é tarde demais pra mim... Bem, eu serei amaldiçoado - sem pretensão de trocadilho - se eu deixar eles te pegarem também—.
—Você não pode me fazer ir pra um lugar onde você não vai estar—, eu jurei. —Essa é a minha definição de inferno. De qualquer forma, eu tenho uma solução fácil pra isso: não vamos morrer nunca, tá certo?—
—Isso parece fácil o suficiente. Porque eu não pensei nisso?—
Ele sorriu pra mim e eu desisti com um humph raivoso. —Então é isso. Você não vai dormir comigo até que estejamos casados—.
—Tecnicamente, eu não posso dormir com você nunca—.
Eu revirei os meus olhos. —Muito maduro, Edward—.
—Mas, todos os outros detalhes, sim, você os entendeu corretamente—.
—Eu acho que você tem um motivo escondido—.
Os olhos dele se arregalaram inocentemente. —Mais um?— Ele tentou não sorrir. —Só há uma coisa que eu quero apressar, o resto pode esperar pra sempre... mas por isso, é verdade, os seus hormônios humanos
—Você sabe que isso vai apressar as coisas—, eu acusei.
impacientes são os meus maiores aliados nesse momento—.
—Eu não posso acreditar que estou caindo nessa. Quando eu penso em Charlie... e Renée! Você consegue imaginar o que Ângela vai pensar? Ou Jessica? Ugh. Eu já posso ouvir a fofoca agora—.
Ele ergueu uma sobrancelha pra mim, e eu sabia porque. O que importava o que eles dissessem sobre mim quando eu estaria indo embora em breve pra nunca mais voltar? Será que realmente eu era tão sensível que eu não poderia aguentar umas semanas de olhares de lado e de ser motivo de perguntas?
Talvez isso não me incomodasse tanto se eu não soubesse que eu estaria fofocando tão condescendentemente quanto eles se outra pessoa estivesse se casando nesse verão.
Gah. Casada esse verão! Eu estremeci.
E depois, talvez isso não me incomodasse tanto se eu não estremecesse só de pensar em casamento.
Edward interrompeu as minhas irritações. —Não tem que ser uma grande produção. Eu não preciso de festa. Você não precisa dizer a ninguém e nem mudar nada. Nós vamos à Las Vegas - você pode usar jeans velhos e nós iremos à uma capela com uma janela drive-thru. —
—Eu só quero que seja oficial - que você pertença a mim e a mais ninguém—.
—Isso não podia ser mais oficial do que já é—, eu murmurei. Mas a descrição dele não soava tão mal. Só Alice ficaria desapontada.
—Nós veremos isso— Ele sorriu complacentemente. —Eu suponho que você não queira o seu anel agora?—
Eu tive que engolir antes de poder falar. —Você supôs corretamente—.
Ele riu da minha expressão. —Está bem. Eu vou colocá-lo no seu dedo em breve.—
Eu encarei ele. —Você fala como se já tivesse um—.
—Eu tenho—, ele disse, sem vergonha. —Pronto pra ser forçado em você ao menor sinal de fraqueza.—
—Você é inacreditável—.
—Você quer vê-lo?—, ele perguntou. Seus olhos líquidos de topázio estavam brilhando de repente com excitação.
—Não!—, eu quase gritei, uma reação em reflexo. Eu me arrependi imediatamente. O rosto dele ficou um pouco abatido. —A não ser que você realmente queira me mostrar—, eu emendei. Eu apertei os meus dentes pra evitar que o horror ilógico aparecesse.
—Está tudo bem—, ele levantou os ombros. —Eu posso esperar—.
Eu suspirei. —Me mostra a droga do anel, Edward—.
Ele balançou a cabeça. —Não—.
Eu estudei a expressão dele por um longo minuto.
—Por favor?—, eu pedi baixinho, experimentando essa minha nova arma recém-descoberta. Eu toquei o rosto dele levemente com as pontas dos meus dedos. —Por favor, eu posso vê-lo?—
Os olhos dele se estreitaram. —Você é a criatura mais perigosa que eu já conheci—, ele murmurou. Mas ele se levantou e se moveu com uma graça inconsciente pra se ajoelhar perto do pequeno criado da cama. Ele estava de volta à sua cama em uma instante, se sentando ao meu lado com um braço nos meus ombros. Na sua outra mão havia uma caixinha preta. Ele a equilibrou no meu joelho esquerdo.
—Vá em frente e olhe, então—, ele disse bruscamente.
Pegar a caixinha inofensiva foi mais difícil do que deveria ser, mas eu não queria magoá-lo de novo, então eu tentei evitar que as minhas mãos tremessem. A superfície era de um cetim preto macio.
Eu alisei ele com os dedos, hesitando.
—Você não gastou muito dinheiro, gastou? Minta pra mim, se você gastou—.
—Eu não gastei nada—, ele me assegurou. —É só outro presente passado. Esse é o anel que o meu pai deu para a minha mãe—.
—Oh—, a surpresa coloriu a minha voz. Eu peguei a tampa entre o meu polegar e indicador, mas não a abri.
—Eu acho que está um pouco ultrapassado— O tom dele estava apologético de brincadeira. —Ultrapassado, exatamente como eu. Eu posso te dar alguma coisa mais moderna. Alguma coisa da Tiffany's?—
—Eu gosto de coisas ultrapassadas—, eu murmurei hesitantemente enquanto levantava a tampa.
Enfiado no cetim preto, o anel de Elizabeth Masen resplandeceu na luz fraca. A face era de um longo oval, cercado de pedras brilhantes arredondadas enfileiradas. A faixa era de ouro - delicada e estreita. O ouro fazia uma delicada teia ao redor dos diamantes. Eu nunca tinha visto nada parecido.
Sem pensar, eu alisei as gemas brilhantes.
—É tão bonito, eu murmurei pra mim mesma, surpresa.
—Você gostou?—
—É lindo—, eu levantei os ombros, fingindo falta de interesse. —O que há pra não gostar?—
Ele gargalhou. —Veja se cabe—.
A minha mão esquerda se curvou num punho.
—Bella—, ele suspirou. —Eu não vou soldá-lo no seu dedo. Só experimente pra ver se o tamanho precisa ser ajustado. Depois você pode tirá-lo—.
—Tá bom—, eu murmurei.
Eu fui pegar o anel, mas os dedos longos dele ganharam de mim. Ele pegou a minha mão esquerda na dele, e deslizou o anel no meu terceiro dedo. Ele segurou minha mão, e nós dois examinamos o brilho oval contra a minha pele. Não era tão horrível quanto eu havia temido, ter ele lá.
—Serve perfeitamente—, ele disse indiferentemente. —Isso é bom - me poupa de uma viagem até o joalheiro—.
Eu podia ouvir alguma emoção forte queimando por baixo do tom casual dele, e eu olhei pra cima pra ver o rosto dele. Estava nos olhos dele também, apesar da cuidadosa indiferença da expressão dele.
—Você gostou dele, não gostou?—, eu perguntei suspeitosamente, tremulando os meus dedos e pensando que realmente era uma pena que eu não tivesse quebrado a mão esquerda.
Ele ergueu os ombros. —Claro—, ele disse, ainda casual. —Ele fica muito bem em você—.
Eu olhei nos olhos dele, tentando decifrar a emoção que borbulhava bem embaixo da superfície. Ele olhou de volta, a falsa pretensão casual escorregou de repente. Ele estava cintilando - seu rosto de anjo estava brilhando com alegria e vitória. Ele estava tão glorioso que me deixou sem fôlego.
Antes que eu recuperasse o fôlego, ele estava me beijando, os lábios dele estavam exultantes. Eu estava com a cabeça leve quando ele moveu seus lábios pra falar em meu ouvido - mas a respiração dele estava tão abalada quanto a minha.
—Sim, eu gosto disso. Você não faz ideia—.
Eu ri, resfolegando um pouco. —Eu acredito em você—.
—Você se importa se eu fizer uma coisa?—, ele murmurou, seus braços se apertaram ao meu redor.
—O que você quiser—.
Mas ele me soltou e se afastou.
—Qualquer coisa menos isso—, eu reclamei.
Ele me ignorou, pegando a minha mão e me puxando da cama também. Ele ficou na minha frente, mãos nos meus ombros, o rosto sério.
—Agora, eu quero fazer isso. Por favor, por favor, mantenha em mente que você já concordou com isso, e não arruíne o momento pra mim—.
—Oh, não—, eu resfoleguei enquanto ele se pôs em um joelho.
—Seja boazinha—, ele murmurou.
Eu respirei fundo.
—Isabella Swan?—, ele olhou pra mim através daqueles cílios impossivelmente grandes, os olhos dele estavam suaves mas, de alguma forma, chamuscando. —Eu prometo te amar pra sempre - todos os dias do pra sempre. Você quer se casar comigo?—
Haviam muitas coisas que eu queria dizer, algumas delas não eram nem um pouco legais, e algumas delas eram mais pasmamente apaixonadas e românticas do que ele provavelmente sonhava que eu era capaz. Ao invés de me envergonhar com alguma dessas coisas, eu sussurrei. —Sim—.
—Obrigado—, ele disse simplesmente. Ele pegou minha mão esquerda e beijou todas as pontas dos meus dedos antes de beijar o anel que já era meu.

18 comentários:

  1. AMO ESSES DOIS TÃO LINDOS, U.U MUITO CALIENTE

    ResponderExcluir
  2. Impressionante que não hajam mais comentários pra um capítulo tão intenso! *O*

    ResponderExcluir
  3. To lendo de novo MUITO PERFEITO!😁😄💖

    ResponderExcluir
  4. O que acontece nesses casos é que a pessoa fica tão entusiasmada pra continuar lendo que nem para pra escrever.Nao é o meu caso pois eu achei ridículo é brega !

    ResponderExcluir
  5. Depois de muito resistir eu finalmente me entreguei ao romance deles! É a primeira vez que um romance consegue me prender a um livro e ai meu Deus!!! Só que eu ainda torço mais pelo Jacob. Fofo.

    ResponderExcluir
  6. Depois de muito resistir eu finalmente me entreguei ao romance deles! É a primeira vez que um romance consegue me prender a um livro e ai meu Deus!!! Só que eu ainda torço mais pelo Jacob. Fofo.

    ResponderExcluir
  7. Finalmente !

    Assi: Apaixonada por livros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu so n sei pq a bella tem tanto medo de casamentos! Se eu amasse o edward cm a bella ama e vice-versa, eu teria aceitado na hora se ele tivesse me pedido!

      Excluir
  8. Cada vez mais apaixonada pela saga 😻

    ResponderExcluir
  9. Bella safadenha (aquela carinha)

    ResponderExcluir
  10. Deus do ceú, como eu queria ser bella mas... fazer o que?... mas tbm amo a minha vida Kkkkkks
    Ka vc é demais

    ResponderExcluir
  11. Meu Deus como eu queria ser bella! .... mas fazer o que?.... mas tbm amo minha vida Kkkkkks

    ResponderExcluir
  12. O capitulo mais mega fofo de todo o livro não consigo mais parar de lê esse capítulo
    ☁☁☁☁☁☁☁
    ☁🎀🎀☁🎀🎀☁
    🎀🎀🎀🎀🎀🎀🎀
    🎀🎀🎀🎀🎀🎀🎀
    🎀🎀🎀🎀🎀🎀🎀
    ☁🎀🎀🎀🎀🎀☁
    ☁☁🎀🎀🎀☁☁
    ☁☁☁🎀☁☁☁
    ☁☁☁☁☁☁☁

    ResponderExcluir
  13. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhh que fofo!!!! Edward é perfeito de mais *-*

    ResponderExcluir
  14. Ei K ..So pra avisar que esse paragrafo ta desorganizado " Só há uma coisa que eu quero apressar, o resto pode esperar pra sempre... mas por isso, é verdade, os seus hormônios humanos
    —Você sabe que isso vai apressar as coisas—, eu acusei.
    impacientes são os meus maiores aliados nesse momento—"

    ResponderExcluir
  15. vomitando arco iris
    assis;duda

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!