28 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Longa noite

 Eu já sinto a sua falta.
— Eu não preciso ir. Posso ficar...
— Mmm...
Houve silêncio por um longo tempo, somente o som de meu coração batendo acelerado e o sussurro de nossos lábios se movendo sincronizados.
Às vezes era tão fácil esquecer que eu estava beijando um vampiro. Não porque ele parecesse comum e humano – eu nunca poderia esquecer que estava segurando mais do que um anjo em meus braços – mas porque ele me fazia sentir que não havia nada igual à sensação de ter seus lábios nos meus, em meu rosto, minha garganta... Ele dizia que já era passado a tentação que meu sangue lhe causava, que a ideia de me perder era mais forte que isso. Mas eu sabia que o cheiro de meu sangue ainda lhe causava dor, queimava em sua garganta como se ele estivesse inalando fogo.
Abri meus olhos e encontrei os dele abertos também, fixados em meu rosto. Não fazia sentido ele me olhar daquele jeito. Como se eu fosse o prêmio ao invés da ganhadora sortuda.
Nós nos encaramos por um momento, seus olhos dourados tão profundos que eu quase poderia ver sua alma. Parecia bobo que justamente isso – a existência de sua alma – fosse uma dúvida, mesmo ele sendo um vampiro.
Ele tinha a alma bela, mais bela do que sua mente brilhante ou seu rosto incomparável e seu glorioso corpo.
Ele olhou de volta para mim, como se também pudesse ver minha alma e estivesse gostando do que via.
Ele não podia ver dentro de minha mente, pensando bem, não da maneira que via a dos outros. Quem saberia o motivo – algum defeito em meu cérebro que me tornava imune a todos os extraordinários e assustadores poderes que alguns imortais possuíam (somente minha mente era imune, meu corpo ainda era vítima das habilidades dos vampiros com poderes diferentes dos de Edward). Mas eu era seriamente grata a esse “defeito” que mantinha meus pensamentos em segredo. Era muito constrangedor sequer pensar na possibilidade.
Puxei seu rosto mais uma vez para perto do meu.
— Definitivamente vou ficar! — ele murmurou um tempo depois.
— Não, não! É sua despedida de solteiro, você tem que ir.
Eu disse as palavras, mas meus dedos se enroscaram em seus cabelos cor de bronze, minha mão esquerda apertando suas costas. Seus dedos frios acariciaram meu rosto.
— Despedidas de solteiro são para aqueles que lamentam o fim de seus dias como solteiros. Eu não vejo a hora de eles acabarem. Então não há razão para que eu vá.
— Isso é verdade — murmurei, respirando na pele gelada de sua garganta.
Aquilo era muito próximo do que seria meu refúgio feliz. Chalie dormia profundamente em seu quarto, o que era quase o mesmo que estar sozinha. Nós estávamos enroscados em minha pequena cama, nossos corpos o mais juntos possível, apesar do grosso cobertor em que eu estava enrolada como um casulo. Eu odiava a necessidade do cobertor, mas o romance acabava quando meus dentes começavam a bater. Charlie perceberia se eu ligasse o aquecedor em agosto...
Pelo menos, embora eu tivesse que me embrulhar, a camisa de Edward estava no chão. Nunca superei o choque de como seu corpo era perfeito – pálido e frio como mármore. Corri minha mão por seu peito nu, passando por sua barriga perfeitamente rígida, acariciando. Ele tremeu levemente e seus lábios encontraram os meus novamente. Cuidadosamente, deixei a ponta da minha língua traçar seus lábios, de uma suavidade vítrea, e ele suspirou. Seu hálito me invadiu – frio e delicioso – por todo o meu rosto. Ele começou a recuar – esta era sua reação automática toda vez que achava que tinha ido longe demais, seu reflexo toda vez que ele queria mais. Edward passou toda sua vida rejeitando qualquer tipo de contato físico. Eu sei que para ele era assustador tentar mudar seus hábitos agora.
— Espere — falei, agarrando seus ombros e o abraçando mais perto. Passei minha perna livre ao redor de seu quadril. — A prática leva à perfeição.
Ele riu.
— Bem, devemos estar bem perto da perfeição nesse ponto, não acha? Você dormiu alguma noite no ultimo mês?
— Mas esse é o ensaio geral — lembrei ele. — E nós só praticamos algumas cenas. Não temos tempo a perder.
Pensei que ele fosse rir, mas ele não respondeu, e seu corpo endureceu com um nervosismo repentino. O dourado líquido em seus olhos pareceu solidificar.
Pensei no que havia dito e tentei entender em que ele havia pensado.
— Bella... — ele sussurrou.
— Não comece com isso de novo — eu disse. — Trato é trato.
— Eu não sei. É muito difícil se concentrar quando você está comigo desse jeito. Eu... não consigo pensar direito. Eu não vou conseguir me controlar. Você vai se machucar.
— Eu vou ficar bem.
— Bella...
— Shh... — pressionei meus lábios nos dele para deter a crise de pânico. Eu já tinha ouvido aquilo antes. Ele não desistiria do acordo. Não depois de insistir que eu casasse com ele primeiro.
Ele me beijou de volta por um momento, mas pude perceber que não com o mesmo entusiasmo de antes. Preocupado, sempre preocupado. Como seria diferente quando ele não tivesse que se preocupar mais comigo. O que ele faria em seu tempo livre? Teria que arrumar um hobby novo!
— Está com o pé atrás? — ele perguntou
Sabendo que ele não falava no sentido literal, respondi:
— Muito à frente.
— Mesmo? Não está mudando de ideia? Ainda não é tarde pra desistir.
— Está tentando me fazer desistir?
Ele riu.
— Só para ter certeza. Não quero que você faça nada que não tenha certeza.
— Tenho certeza sobre você. Com o resto eu posso viver.
Ele hesitou e eu imaginei se devia fechar a minha boca.
— Mesmo? — perguntou ele, em voz baixa. — Eu não me refiro à cerimônia de casamento – sei que você vai sobreviver apesar de não concordar – mas e depois... E Renée? E Charlie?
— Sentirei falta deles. — Mais do que eles de mim, mas eu não quis dar a ele esse tipo de detalhe.
— Angela e Ben, Jéssica e Mike.
— Vou sentir falta dos meus amigos também — sorri para a escuridão. — Especialmente Mike! Oh, Mike! Como vou viver sem ele?
Ele grunhiu.
Eu ri, mas logo fiquei séria novamente.
— Edward nós já falamos sobre isso. Eu sei que vai ser difícil, mas é o que eu quero. Eu quero você, e quero para sempre. Uma vida não é suficiente para mim.
— Congelada para sempre aos dezoito anos — ele sussurrou.
— Um sonho de toda mulher que se torna realidade — provoquei.
— Nunca mudando, nunca seguindo em frente.
— O que isso significa?
Ele respondeu devagar.
— Você se lembra de quando contamos para Charlie a respeito do casamento? Ele pensou que você estava... grávida?
— E ele pensou em atirar em você — eu disse com uma risada — Admita, por um momento ele considerou isso.
Ele não respondeu.
— O que foi, Edward?
— Eu só queria... bem, queria que ele estivesse certo.
— Uhh — eu estremeci.
— Que houvesse alguma maneira que isso pudesse acontecer. De que corrêssemos esse risco. Eu odeio tirar isso de você também.
Precisei de um momento para responder.
— Eu sei o que estou fazendo.
— Como você pode saber, Bella? Olhe para minha mãe, minha irmã. Não é um sacrifício tão fácil quanto você imagina.
— Esme e Rosalie conseguiram superar. Se isso se tornar um problema, podemos fazer o que Esme fez – nós vamos adotar!
Ele suspirou e, em seguida, sua voz ficou enérgica.
— Isso não é certo! Não quero que você tenha que fazer sacrifícios por mim. Eu quero lhe dar coisas, não tirar. Não quero roubar o seu futuro. Se eu fosse humano...
Coloquei minha mão sobre seus lábios.
— Você é o meu futuro. Agora pare. Chega de choramingar, ou vou chamar seus irmãos para virem te pegar. Talvez você precise de uma despedida de solteiro.
— Desculpe-me. Estou reclamão, não é? Devem ser os nervos.
— Você está com o pé atrás?
— Não nesse sentido. Tenho esperado um século para casar com você, senhorita Swan. A cerimônia de casamento é o que mal posso espe... — ele se interrompeu. — Ah, pelo amor de Deus!
— O que houve?
Ele rangeu os dentes.
— Você não precisa chamar os meus irmãos. Aparentemente eles não vão me deixar escapar essa noite.
Eu o abracei mais forte, depois o soltei. Eu não tinha a menor pretensão de ganhar uma guerra contra Emmet.
— Divirta-se.
Houve um ruído através da janela. Alguém estava raspando as unhas de propósito no vidro para fazer um barulho horroroso de tampar os ouvidos e arrepiar os cabelos. Eu dei de ombros.
— Se você não botar Edward para fora — Emmet, ainda invisível na noite, ameaçou — nós vamos entrar para pegá-lo.
— Vá — eu ri. — Antes que eles quebrem a minha casa.
Edward revirou seus olhos e em um único movimento colocou-se de pé e com outro vestiu sua camisa. Ele se abaixou e beijou minha testa.
— Vá dormir. Você vai dar um grande dia amanhã.
— Obrigada! Isso realmente vai me acalmar!
— Te vejo no altar.
— Eu vou ser a que vai estar de branco!
Sorri pensando em como eu soava perfeitamente blasé.
Ele riu.
— Muito convincente.
E então ele se foi, passando pela minha janela mais rápido do que eu podia ver.
Lá fora houve um barulho abafado e ouvi Emmet xingar.
— É melhor vocês não o trazerem de volta muito tarde — murmurei, sabendo que eles ouviriam.
E então o rosto de Jasper apareceu em minha janela, seus cabelos cor de mel reluzindo à luz da lua que passava pelas nuvens.
— Não se preocupe, Bella. Vamos trazê-lo de volta com tempo de sobra!
Eu estava subitamente muito calma, e todas as minhas hesitações pareciam sem importância. Jasper era, à sua própria maneira, tão talentoso quanto Alice e suas previsões sobrenaturalmente exatas. Os poderes de Jasper envolviam o estado de espírito, não o futuro, e era impossível resistir ao que ele queria que você sentisse.
Sentei rapidamente, ainda enrolada nos cobertores.
— Jasper? O que vampiros fazem em despedidas de solteiro? Vocês não vão levá-lo a um clube de strip-tease, vão?
— Não lhe diga nada! — Emmett grunhiu para cima.
Houve outro som, e Edward riu discretamente.
— Relaxe — Jasper me falou, e foi o que fiz. — Nós Cullen temos a nossa própria versão. Apenas alguns leões da montanha, um casal de ursos cinzentos. Geralmente uma noitada comum.
Eu me pergunto se alguma vez serei capaz de ouvir de forma despreocupada sobre as dietas dos vampiros “vegetarianos”.
— Obrigada, Jasper.
Ele piscou e saiu de vista.
Estava completamente silencioso lá fora. Os roncos abafados de Charlie vibravam através das paredes.
Deitei de volta em meu travesseiro, começando a adormecer agora. Observei as paredes do meu pequeno quarto, branqueadas palidamente pelo luar, as pálpebras pesadas.
Minha última noite no meu quarto. A minha última noite como Isabella Swan. Amanhã à noite, eu seria Bella Cullen. Embora toda a provação do casamento fosse um tormento para mim, eu tinha que admitir que gostava de como soava.
Deixei minha mente vagar impassível por um momento, esperando cair no sono.
Mas, depois de alguns minutos, encontrava-me mais alerta, a ansiedade crescendo em meu estômago, embrulhando-se em posições desconfortáveis. A cama parecia macia demais, quente demais sem Edward. Jasper estava longe, e toda a paz e sentimentos relaxantes foram com ele.
O dia seguinte seria muito longo.
Eu estava ciente de que a maioria dos meus medos era estúpido – eu só tinha que tirá-los de mim. Atenção era uma parte inevitável da vida. Eu não podia estar sempre misturada à paisagem. No entanto, tinha algumas preocupações específicas completamente válidas.
Primeiro, havia a cauda do vestido de noiva. Alice claramente tinha deixado seu sentido artístico dominar o aspecto prático. Descer as escadas dos Cullen de salto e vestido de cauda parecia impossível. Eu deveria ter praticado.
Depois, havia a lista de convidados.
A família de Tanya, o clã Denali, chegaria antes da cerimônia.
Seria difícil ter a família de Tanya no mesmo cômodo que os nossos convidados da reserva Quileute, o pai de Jacob e os Clearwater. Os Denali não eram fãs dos lobisomens. Na verdade, a irmã de Tanya, Irina, não viria ao casamento por nada. Ela ainda carregava um senso de vingança contra os lobisomens por matarem seu amigo Laurent (exatamente o que ele estava prestes a me fazer). Graças a esse ressentimento, os Denali abandonaram a família de Edward na pior hora de necessidade. Foi a desagradável aliança com os lobos Quileutes que salvou as nossas vidas quando a horda de vampiros recém-criados atacaram...
Edward tinha me prometido que não seria perigoso ter os Denali perto dos Quileutes. Tanya e toda sua família – exceto Irina – sentiam-se horrivelmente culpados por esse abandono. Uma trégua com os lobisomens era um pequeno preço para compensar um pouco desta dívida, um preço que estavam dispostos a pagar.
Eu nunca tinha visto Tanya antes, mas tinha certeza que conhecê-la não seria uma experiência prazerosa para o meu ego. Uma vez, provavelmente antes de eu ter nascido, ela tinha tentado conquistar Edward – não que eu a culpe por tê-lo desejado. Mesmo assim, ela deveria ser extremamente linda e magnífica. Mesmo que Edward claramente – se inconcebivelmente – tenha preferido a mim, eu não seria capaz de me impedir de fazer comparações.
Eu tinha resmungado um pouco até que Edward, que conhecia as minhas fraquezas, me fez sentir culpada.
— Nós somos o mais próximo que elas têm de uma família, Bella — ele me lembrou. — Eles ainda se sentem como órfãs, você sabe, mesmo depois de todo esse tempo.
Então concordei, escondendo a minha careta.
Tanya tinha uma grande família agora, quase tão grande quanto os Cullen. Eles eram em cinco; Tanya, Kate e Irina agora tinham a companhia de Carmen e Eleazar, quase da mesma forma que Alice e Jasper tinham entrado para os Cullen, todos eles levados pelo desejo de viver com mais compaixão do que os vampiros normais viviam.
Mesmo com toda a companhia, entretanto, Tanya e suas irmãs ainda estavam sozinhas. Ainda de luto. Porque há muito tempo, elas também tiveram uma mãe.
Eu conseguia imaginar o vazio que a perda devia ter deixado, mesmo depois de milhares de anos. Tentei imaginar a família Cullen sem o seu criador, seu centro e seu guia – seu pai, Carlisle. Não consegui.
Carlisle havia contado a história de Tanya durante uma das muitas noites que passei na casa dos Cullen, aprendendo tanto quanto eu podia, me preparando o máximo possível para o futuro que havia escolhido. A história da mãe de Tanya era uma dentre muitas que ilustravam uma das regras que eu nunca poderia esquecer quando adentrasse o mundo dos imortais. A única regra, de fato – uma lei com milhares de facetas: Guardar o segredo.
Guardar o segredo significava muitas coisas – viver imperceptivelmente como os Cullen, se mudar antes que os humanos desconfiassem de que eles não estavam envelhecendo. Ou manter-se completamente longe de seres humanos – exceto na hora da refeição – como a vida nômade que James e Victoria tinham; como os amigos de Jasper, Peter e Charlotte, viviam. Isso significava manter o controle de quaisquer novos vampiros que você tenha criado, como Jasper fez quando viveu com Maria. Como Victoria havia falhado com seus recém-criados.
Isso significava não criar certas coisas, acima de tudo, porque algumas criações são incontroláveis.
— Eu não sei o nome da mãe de Tanya — Carlisle admitiu, seus olhos dourados, quase uma sombra exata de seu cabelo, triste com as lembranças da dor de Tanya. — Elas nunca falam sobre ela se puderem evitar, nunca pensam nela carinhosamente.
“A mulher que criou Tanya, Kate e Irina – que as amou, acredito eu – viveu muitos anos antes que eu tivesse nascido, durante uma época de peste em nosso mundo, a peste das crianças imortais. O que eles estavam pensando, os antigos, eu não consigo entender. Eles criaram vampiros à partir de humanos que mal passavam de bebês.
Tive que engolir a bile que estava em minha garganta quando imaginei o que ele havia descrito.
— Eles eram muito lindos — Carlisle explicou rapidamente, vendo minha reação. — Tão amáveis, tão encantadores, você não conseguiria imaginar. Só era preciso estar perto deles para amá-los; isto era algo automático. Contudo, eles não podiam ser ensinados. Eles estavam parados no nível de desenvolvimento que estavam antes de serem mordidos. Adoráveis crianças de dois anos com covinhas e dentes de leite que podiam destruir metade de uma vila com seu furor. Se estavam com fome, elas se alimentavam, e não havia palavras de aviso que as parasse. Humanos as viam, histórias começavam a circular, e o medo se alastrava como fogo na palha seca...
“A mãe de Tânia criou uma dessas crianças. E assim como os outros antigos, não consigo imaginar as suas razões.
Ele deu um profundo suspiro.
— Os Volturi se envolveram, é claro.
Estremeci como sempre com aquele nome, mas é claro, a legião de vampiros da Itália – a realeza de sua espécie – era o centro da história. Não podia existir uma lei se não houvesse uma punição; não podia havia uma punição se não houvesse ninguém para aplicá-la. Os anciões Aro, Caius e Marcus governavam as forças dos Volturi.
Somente os vi uma vez, mas naquele breve encontro, pareceu para mim que Aro, com seu poderoso poder de ler mentes – um toque e ele conhecia cada pensamento que aquela mente já havia tido – era o líder verdadeiro.
— Os Volturi estudaram as crianças imortais, em sua casa em Volterra e ao redor do mundo. Caius decidiu que os jovens eram incapazes de proteger nosso segredo. Então eles deveriam ser destruídos.
“Eu lhe disse que eles eram adoráveis. Bem, bandos lutaram até o último homem – foram completamente dizimados – para protegê-los. A carnificina não foi tão generalizada em guerras como a do sul deste continente, mas mais devastadora à sua própria maneira. Bandos havia muito estabelecidos, antigas tradições, amigos... muita coisa se perdeu. No final, a prática foi completamente eliminada. As crianças imortais se tornaram um tema que não se podia mencionar, um tabu.
“Quando morei com os Volturi, encontrei duas crianças imortais, por isso sei em primeira mão o apelo que tinham. Aro estudou os pequeninos por muitos anos após a catástrofe provocada por eles. Você conhece sua disposição curiosa; ele estava esperançoso de que poderia amansá-las. Mas, no fim, a decisão foi unânime: as crianças imortais não poderiam existir.
Eu já havia esquecido a mãe das irmãs Denali quando a história retornou a ela.
— Não está totalmente claro o que aconteceu com a mãe de Tanya — Carlisle disse. — Tanya, Kate e Irina ignoravam completamente os fatos até o dia em que os Volturi as procuraram, sua mãe e sua criação ilegal já presas. Foi a ignorância que salvou Tanya e suas irmãs. Aro lhes tocou e viu a sua total inocência, para que não fossem punidas como sua mãe.
“Nenhuma delas tinha visto o garoto antes, ou tinham sonhado com sua existência, até o dia em que o viram queimar nos braços de sua mãe. Posso apenas imaginar que ela guardara segredo para protegê-las desse exato fim. Mas em primeiro lugar, por que ela o criou? Quem era ele, e o que ele significava para ela que a fez transpor esse limite inimaginável? Tanya e as outras nunca receberam resposta para nenhuma dessas perguntas. Mas não duvidavam da culpa de sua mãe, e não penso que elas a perdoaram de verdade. Elas tiveram sorte que Aro estivesse se sentindo compassivo naquele dia. Tanya e suas irmãs foram perdoadas, mas ficaram com os corações feridos e um grande respeito pela lei...
Eu não sei exatamente em qual momento a memória se transformou em sonho. Num momento parecia que eu estava ouvindo Carlisle em minha memória, olhando para o seu rosto, e então no momento seguinte eu estava olhando para um campo cinza e árido e sentia o cheiro denso de incenso no ar.
Eu não estava sozinha ali.
A mistura de figuras no centro do campo, todas cobertas por uma capa escura, devia ter me aterrorizado – eles só podiam ser os Volturi e eu, ao contrário do decretado em nossa última reunião, ainda era humana. Mas eu sabia, como algumas vezes acontecia nos sonhos, que eu era invisível para eles.
Espalhados ao meu redor estavam montes de fumaça. Reconheci o cheiro doce no ar e não examinei o esfumaçado muito profundamente. Não tive nenhum desejo de ver os rostos dos vampiros que eles tinham executado, um pouco temerosa que eu pudesse reconhecer alguém por entre as chamas.
Os soldados Volturi pararam em um círculo ao redor de alguma coisa ou alguém e pude ouvir suas vozes sussurradas sobrepondo-se à agitação. Fui na direção das capas, levada pelo sonho para ver que coisas ou pessoas eles estavam examinando com tanta intensidade. Olhando cuidadosamente por entre dois encapuzados altos, finalmente vi o objeto do debate, subindo em um pequeno morro atrás deles.
Ele era bonito e adorável, como Carlisle tinha descrito. O garoto era ainda uma criança, talvez tivesse até dois anos de idade. Cabelos cacheados em tom castanho claro enquadravam seu rosto de querubim com bochechas redondas e lábios cheios. E ele tremia, seus olhos fechados como se receasse assistir sua morte se aproximar a cada segundo.
Fui tomada por uma necessidade tão forte de salvar a criança linda e apavorada que os Volturi, apesar de toda sua ameaça arrasadora, não me preocupavam mais. Passei por eles, sem me importar se me notariam. Ultrapassando-os completamente, corri em direção ao menino.
Cambaleando, parei e pude ter uma visão clara da elevação onde ele se sentava. Aquilo não era terra e rocha, mas a uma pilha de corpos humanos, drenados e inanimados. Era tarde demais para não ver seus rostos. Eu conhecia todos eles... Angela, Ben, Jessica, Mike... E exatamente abaixo do adorável garoto estavam os corpos do meu pai e minha mãe.
A criança então abriu os olhos brilhantes e injetados de sangue.

6 comentários:

  1. será que no sonho ela imaginou que a criança era dela?

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    1. Não, era só um sonho, baseado na fala do carlisle que ela viu no sonho, e no pensamento do porque que a mãe de Tanya morreu.

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    2. Não, era só um sonho, baseado na fala do carlisle que ela viu no sonho, e no pensamento do porque que a mãe de Tanya morreu.

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  2. jamais eu iria querer ter um pesadelo desse

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  3. E eu achando meus pesadelos apostadores..... A bella ganha

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