23 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Livro aberto

O outro dia foi melhor... E pior.
Foi melhor porque não estava chovendo ainda, apesar de as nuvens estarem densas e opacas. Foi mais fácil porque eu já sabia o que esperar do meu dia. Mike veio se sentar ao meu lado em Inglês, e me acompanhou até a minha próxima aula, com Eric Do Clube De Xadrez encarando ele o tempo inteiro. Era uma reclamação. As pessoas não ficaram me olhando tanto quanto ontem. Eu sentei com um grande grupo que incluía Mike, Eric, Jessica e muitas outras daquelas pessoas cujos nomes e rostos eu lembrava agora. Eu comecei a sentir que agora eu andava na água, ao invés de afundar nela.
Foi pior porque eu estava cansada. Eu ainda não conseguia dormir com o vento ecoando ao redor da casa. Foi pior porque o Sr. Varner me chamou em Trigonometria quando a minha mão não estava levantada e eu dei a resposta errada, porque eu tive que jogar Vôlei, e na única vez que eu não fugi da bola eu atingi a minha parceira de time na cabeça com ela. E também porque Edward Cullen não estava na escola.
Durante a manhã inteira estive temendo o almoço, sentindo seus olhares bizarros. Parte de mim queria confrontá-lo e ordenar que ele dissesse qual era o problema. Enquanto estava deitada acordada na cama, até imaginei o que diria. Mas eu me conhecia bem demais pra achar que teria a coragem de fazer isso. Eu fiz o leão covarde do Mágico de Oz. parecer o Exterminador.
Mas quando entrei na cafeteria com Jéssica tentando evitar que os meus olhos vasculhassem o lugar procurando por ele, e falhando miseravelmente, vi que seus quatro irmãos estavam sentados juntos na mesma mesa, e ele não estava com eles.
Mike nos recebeu e nos guiou até a mesa dele. Jessica parecia alegre pela atenção, e as amigas dela rapidamente se juntaram á nós. Enquanto tentava ouvir a conversa fluente deles, estava terrivelmente desconfortável, esperando nervosamente pelo momento que ele chegaria. Eu esperava que ele simplesmente me ignorasse quando chegasse, e provasse que as minhas suspeitas eram falsas.
Ele não veio, e com o passar do tempo fiquei mais e mais nervosa.
Fui para Biologia mais confiante quando, ao final do almoço, ele ainda não havia aparecido. Mike, que estava agindo como um cão de guarda, andou fielmente ao meu lado até a sala de aula. Segurei o fôlego na porta, mas Edward Cullen também não estava lá.
Exalei e fui me sentar.
Mike me seguiu, falando de uma viagem à praia que estava pra acontecer. Ele se curvou na minha mesa até que o sinal tocou.
Então ele sorriu tristemente pra mim e foi sentar perto de uma garota de aparelho e com um penteado ruim. Parecia que eu teria que fazer alguma coisa em relação á Mike, e não seria fácil. Em uma cidade como essa, em que todo mundo vive em cima de todo mundo, diplomacia é essencial. Nunca tive muito tato, nunca tive muita prática em lidar com garotos amigáveis demais.
Estava aliviada que teria a mesa para mim mesma, que Edward estava ausente.
Eu disse isso para mim mesma repetidamente. Era ridículo, e egoísta, pensar que eu podia afetar alguém desse jeito. Era impossível. E ainda assim eu não conseguia parar de pensar que fosse verdade.
Quando o dia na escola finalmente acabou, e as minhas bochechas não estavam mais coradas por causa do incidente no Vôlei, rapidamente coloquei as minhas calças jeans e o meu suéter azul marinho.
Saí correndo do vestiário feminino, contente de ver que momentaneamente eu havia conseguido afastar o meu amigo cão de guarda.
Caminhei rapidamente até o estacionamento, que agora estava cheio de alunos, e entrei na minha caminhonete.
Procurei na minha mochila pra ver se eu tinha tudo que eu precisava.
Noite passada eu descobri que Charlie não sabia cozinhar nada além de ovos fritos e bacon. Então pedi pra tomar conta dos detalhes da cozinha enquanto durasse a minha estada.
Ele ficou feliz o suficiente pra me passar a chave da sala do banquete. Então eu estava com a minha lista de compras e o dinheiro do jarro no armário onde havia “DINHEIRO DA COMIDA” escrito, e estava á caminho da Thriftway.
Eu dei ignição no motor barulhento, ignorando as cabeças que viraram em minha direção e dei ré cuidadosamente e entrei na fila de carros que esperava para sair do estacionamento. Enquanto esperava, tentando fingir que o barulho ensurdecedor estava vindo do carro de outra pessoa,vi os dois irmãos Cullen e os dois gêmeos Hale entrando no carro deles. Era um Volvo novinho em folha.
É claro.
Eu nunca havia reparado nas roupas deles antes, eu estava hipnotizada demais com os seus rostos.
Agora que eu havia olhado, era óbvio que todos eles se vestiam excepcionalmente bem. Simples, mas com roupas que claramente eram assinadas por estilistas famosos.
Com os seus rostos notáveis e com o estilo com que se comportavam, eles podiam usar trapos e ainda ficarem bem. Parecia demais pra eles ter tanto beleza quanto dinheiro. Até onde podia dizer, era assim que a vida funcionava na maioria das vezes. No caso deles, isso não parecia ter comprado aceitação por aqui.
Não, eu não acreditava inteiramente nisso.
A isolação deve ser desejo deles. Eu não podia imaginar nenhuma porta que não estivesse aberta á esse grau de beleza.
Eles olharam para a minha caminhonete barulhenta quando eu passei por eles, igual a todo mundo. Eu mantive os meus olhos virados para a frente e fiquei aliviada quando finalmente estava livre da escola.
A Thriftway não era longe da escola, só algumas ruas ao sul fora da estrada. Era bom estar dentro do supermercado, parecia normal. Eu fazia as compras em casa, e me moldei aos padrões da tarefa familiar alegremente.
A loja era grande o suficiente pra me fazer não ouvir a chuva no telhado e esquecer onde eu estava.
Quando cheguei em casa, descarreguei as compras e enfiei elas em qualquer espaço vazio que consegui achar.
Esperava que Charlie não se incomodasse.
Embrulhei batatas em papel alumínio e coloquei no forno pra assar, coloquei os bifes para marinar e equilibrei-os em cima de uma caixa de ovos, em uma frigideira.
Quando terminei, subi com a minha mochila.
Antes de começar a fazer o meu dever de casa, me troquei colocando uma calça seca e prendendo o meu cabelo em um rabo de cavalo, e chequei meus e-mails pela primeira vez.
Eu tinha três mensagens...

Bella,
Escreva-me assim que chegar. Diga-me como foi o seu vôo. Está chovendo? Já sinto a sua falta. Estou quase terminando de fazer as malas para a Flórida, mas não consigo achar a minha blusa rosa. Sabe onde eu coloquei? Phil diz Oi. Mamãe.


Eu suspirei e fui para a próxima mensagem. Foi mandada oito horas depois da primeira.


Bella,
Por que você ainda não me respondeu? O que você está esperando?
Mãe.


A última foi de hoje de manhã.

Isabella,
Se eu não tiver notícias se você até as cinco e meia da tarde de hoje, eu vou ligar para o Charlie.

Eu olhei para o relógio. Ainda tinha uma hora, mas minha mãe era bem conhecida por agir precipitadamente.

Mãe,
Calma. Estou escrevendo agora. Não faça nada imprudente.
Bella.

Eu enviei essa e comecei de novo.


Mãe,
Tudo está ótimo. É claro que está chovendo. Eu estava esperando por algo sobre o que escrever. A escola não é ruim, só um pouco repetitiva. Eu conheci um pessoal legal que senta comigo no almoço.
Sua blusa está na lavanderia. Você devia ter ido buscar ela na sexta-feira.
Charlie comprou uma caminhonete, dá pra acreditar?Eu adorei. Ela é meio velha, mas bem forte, o que é bom, sabe como é, para mim.
Também sinto sua falta. Vou escrever de novo em breve, mas não vou ficar checando meus e-mails a cada cinco minutos. Relaxe, respire fundo. Eu te amo.
Bella.

Decidi ler “O Morro dos Ventos Uivantes”, o romance que estamos estudando atualmente em Inglês, de qualquer forma era só pela diversão, e era isso que eu estava fazendo quando Charlie chegou em casa. Perdi a noção do tempo, e corri para tirar as batatas do forno e colocar o bife pra grelhar.
— Bella? — Meu pai chamou quando me ouviu descer as escadas.
Quem mais? Eu pensei comigo mesma.
— Oi, pai, bem vindo ao lar.
— Obrigado. — Ele tirou o colete da arma e tirou as botas enquanto eu entrava na cozinha. Até onde eu sabia, meu pai nunca usou sua arma no trabalho. Mas ele a mantinha pronta. Quando vinha aqui quando criança ele sempre tirava as balas assim que entrava em casa. Acho que agora me considerava velha o suficiente pra não atirar em mim mesma por acidente, e não deprimida o suficiente para não atirar em mim mesma de propósito.
— O que tem para o jantar? — Ele perguntou cautelosamente.
Minha mãe era uma cozinheira imaginativa e os experimentos dela não eram sempre comestíveis.
Eu estava surpresa e triste, que ele parecia se lembrar daquela época.
— Bife e batatas. — Eu disse e ele pareceu aliviado.
Ele pareceu se sentir estranho de pé na cozinha sem fazer nada, então foi pra a sala de estar assistir TV enquanto eu trabalhava. Ficávamos os dois mais confortáveis desse jeito. Eu fiz uma salada enquanto os bifes grelhavam, e pus a mesa.
Eu o chamei quando o jantar estava pronto, ele cheirou apreciadoramente enquanto entrava na cozinha.
— O cheiro é bom, Bells.
— Obrigada.
Nós comemos em silêncio por alguns minutos. Não era desconfortável. Nenhum de nós estava incomodado por estar quieto.
Em alguns sentidos, nós servíamos para morar juntos.
— Então, você gostou da escola? Fez amigos? — Ele perguntou como que pra passar o tempo.
— Bem, eu tenho algumas aulas com uma garota chamada Jéssica. Sento com as amigas dela no almoço. E tem esse garoto, Mike, que é muito amigável. Todos parecem ser muito legais. — Com uma exceção.
— Esse deve ser Mike Newton. Bom garoto, boa família. O pai dele é dono da loja de suplementos esportivos que fica fora da cidade. Faz um bom dinheiro por causa daqueles mochileiros que vêm á cidade.
— Você conhece a família Cullen? — Eu perguntei hesitante.
— A família do Dr. Cullen? Claro. O Dr. Cullen é um ótimo homem. Eles... As crianças são um pouco diferentes. Eles não parecem se adequar muito bem na escola.
Charlie me surpreendeu parecendo um pouco irritado.
— As pessoas dessa cidade. — Ele murmurou. — Dr. Cullen é um cirurgião brilhante que poderia provavelmente trabalhar em qualquer hospital do mundo, ganhando dez vezes mais do que o salário dele aqui, — ele continuou, falando mais alto — temos sorte por tê-lo, sorte que a esposa dele quis viver numa cidade pequena. Ele é um aditivo á comunidade e todos aqueles garotos são bem comportados e educados. Tive as minhas dúvidas quando eles vieram pra cá, com todos aqueles adolescentes adotados. Pensei que teríamos problemas com eles. Mas são todos muito maduros, nunca tive nenhuma espécie de problema com nenhum. Isso é mais do que eu posso dizer de algumas crianças cujas famílias viveram aqui por gerações. E eles ficam juntos do jeito que uma família deve ficar, acampando ás vezes nos finais de semana... Só porque eles são novos na cidade as pessoas têm que ficar falando.
Foi o discurso mais longo que eu já vi Charlie fazendo. Ele deve ser fortemente contra o que quer que as pessoas estão dizendo.
Dei pra trás.
— Eles pareceram bons o suficiente pra mim. Eu só reparei que eles ficam muito sozinhos. São todos muito atraentes. — Eu adicionei isso tentando parecer complementar.
— Você devia ver o doutor. —Charlie disse rindo. — Que bom que ele é feliz no casamento. Muitas enfermeiras se esforçam em se concentrar em seus trabalhos quando ele está por perto.
Nós continuamos em silêncio até terminarmos de comer. Ele limpou a mesa enquanto eu comecei a lavar os pratos.
Ele voltou para a TV, e depois que eu terminei de lavar os pratos à mão, e não na máquina, eu subi sem vontade pra fazer o meu dever de Matemática.
A noite finalmente estava quieta. Eu caí no sono rapidamente, exausta.
O resto da semana foi sem novidades.
Acostumei-me á rotina das aulas. Na sexta eu já era capaz de reconhecer, se não nomear, quase todos os alunos da escola.
Na ginástica, os garotos do meu time aprenderam a não me passar a bola e a entrar rapidamente na minha frente se o outro time tentasse se aproveitar da minha fraqueza. Eu ficava alegremente fora do caminho deles.
Edward Cullen não voltou á escola. Todos os dias eu observava ansiosamente quando os outros Cullen entravam na cafeteria sem ele. Então podia relaxar e aproveitar a conversa da hora do almoço. Na maioria das vezes a conversa era sobre uma viagem ao Parque Oceanográfico de La Push dentro de duas semanas que Mike estava planejando.
Fui convidada e tive que aceitar, mais por educação que por vontade. Praias têm que ser quentes e secas.
Na sexta eu já me sentia confortável entrando na sala de Biologia, sem me preocupar que Edward pudesse estar lá.
Até onde eu sabia, ele havia desistido da escola. Tentei não pensar nele, mas eu não podia suprimir totalmente a preocupação de que eu pudesse ser a responsável por sua ausência, por mais ridículo que parecesse.
Meu primeiro fim de semana em Forks passou sem incidentes.
Charlie, desacostumado á ficar na casa normalmente vazia, trabalhou a maior parte do fim de semana.
Eu limpei a casa, adiantei o dever de casa e escrevi mais e-mails com bobagens alegres para a minha mãe.
Dirigi até a biblioteca pública no sábado, mas o estoque era tão pobre que eu nem me incomodei em fazer um cartão, teria que arranjar uma data pra visitar Olympia ou Seattle em breve e achar uma boa loja de livros.
Eu pensei à toa quantas milhas a caminhonete faria com um litro de gasolina... E tremi com o pensamento.
A chuva permaneceu leve durante o fim de semana e quieta, então pude dormir bem.
As pessoas me cumprimentaram no estacionamento da escola na segunda de manhã. Eu não sabia todos os nomes deles, mas eu acenei de volta e sorri pra todos.
Esta manhã estava mais fria, mas felizmente não chovendo. Em Inglês, Mike sentou no assento de costume ao meu lado.
Tivemos uma teste sobre “O Morro dos Ventos Uivantes”, estava adiantada foi muito fácil.
No todo, eu estava me sentindo muito mais confortável do que eu imaginei que sentiria a esse ponto. Mais confortável do que eu jamais esperei me sentir aqui.
Quando saímos da sala, o ar estava cheio de pedaços brancos rodando.
Podia ouvir as pessoas gritando excitadamente umas para as outras. O vento mordeu minhas bochechas e meu nariz.
— Uau, — Mike disse — está nevando.
Eu olhei para os pedacinhos de algodão que estavam se alojando na calçada e dançando erroneamente enquanto passavam pelo meu rosto.
— Eca. Neve. Lá se vai meu bom dia.
Ele pareceu surpreso.
— Você não gosta de neve?
— Não, significa que está frio demais para chover. — Óbvio. — Além do mais, eu pensei que elas deviam descer como flocos únicos, e não essa coisa toda. Esses parecem cotonetes usados.
—Você nunca viu a neve cair? — Ele perguntou sem acreditar.
— Claro que já, — eu pausei — na TV.
Mike riu, e então uma grande e molhada bola de neve derretendo atingiu a parte de trás da sua cabeça. Eu tinha minhas suspeitas sobre Eric, que estava andando pra longe, de costas pra nós, na direção errada para a sua próxima aula. Aparentemente, Mike era da mesma opinião. Ele se curvou e começou a juntar uma pilha de neve branca.
— Eu te vejo no almoço tá? — Eu continuei caminhando enquanto falava. — Quando as pessoas começam a atirar coisas molhadas, eu vou pra dentro.
Ele só acenou com a cabeça, seus olhos na figura se distanciando de Eric.
Durante a manhã, todos falavam excitadamente sobre a neve, aparentemente era a primeira nevasca do ano.
Mantive minha boca fechada. Claro, era mais seca do que a chuva, até que derretia nas suas meias.
Caminhei em alerta para a cafeteria com Jéssica. As bolas de neve voavam por todo lugar. Eu mantive uma pasta na minha mão, pronta para usá-la como escudo se necessária.
Jessica achou hilário, mas algo na minha expressão não permitiu que ela mesma me atingisse com uma bola de neve.
Mike nos alcançou quando passamos pela porta, rindo e com gelo derretendo pelos seus cabelos arrepiados.
Ele e Jéssica conversavam animadamente sobre a guerra de neve quando entramos na fila para comprar a comida. Olhei para a mesa no canto por puro hábito. E congelei onde eu estava. Havia cinco pessoas à mesa.
Jéssica me puxou pelo braço.
— Alô? Bella? O que você quer?
Eu olhei para baixo, minhas orelhas estavam quentes. Eu não tinha motivos para me sentir constrangida, eu lembrei a mim mesma.
Eu não fiz nada errado.
— Qual o problema com Bella? — Mike perguntou a Jéssica.
— Nada. — Respondi. — Hoje eu só quero um refrigerante.
Aproximei-me do fim da fila.
— Você não está com fome? — Jéssica perguntou.
— Na verdade, eu estou me sentindo um pouco enjoada. — Falei com meus olhos ainda no chão.
Esperei que pegassem suas comidas, e então os segui até a mesa, meus olhos ainda nos meus pés.
 Bebi o meu refrigerante devagar, com o meu estômago revirando.
Mike perguntou duas vezes, com preocupação desnecessária, como eu estava me sentindo. Disse a ele que não era nada, mas estava imaginando se eu deveria usar isso como desculpa para fugir para a enfermaria e ficar lá durante a próxima hora.
Ridículo, eu não devia precisar fugir.
Decidi me permitir dar uma olhada para a mesa da família Cullen.
Se ele estivesse me encarando, eu iria faltar Biologia como a covarde que eu era.
Eu mantive minha cabeça abaixada e olhei pra cima por baixo dos meus cílios. Nenhum deles estava olhando na minha direção.
Levantei um pouco a cabeça.
Eles estavam rindo. Edward, Jasper e Emmett todos eles estavam inteiramente cobertos com neve derretendo. Alice e Rosalie se afastaram enquanto Emmett balançava o cabelo pingando dele na direção delas. Eles estavam aproveitando o dia de neve, igual a todo mundo, só que eles pareciam mais com a cena de um filme do que com o resto de nós.
Mas, sem contar os risos e brincadeiras, havia algo diferente, e eu não conseguia apontar qual era essa diferença. Eu examinei Edward mais cuidadosamente. A pele dele estava menos pálida, eu decidi que talvez estivesse corada pela guerra de neve. Os círculos embaixo dos olhos dele também estavam muito menos visíveis. Mas havia algo mais. Eu refleti, encarando, tentando notar a diferença.
— Bella, pra onde você tá olhando? — Jéssica se intrometeu, acompanhando os meus olhos.
Nesse preciso momento os olhos dele brilharam e se encontraram com os meus.
Eu deixei minha cabeça cair, deixando meus cabelos caírem pra cobrir meu rosto. Tinha certeza, no entanto, que no momento que nossos olhos se encontraram, ele não parecia severo ou hostil como ele estava da última vez que eu o vi. Ele parecia curioso de novo, insatisfeito de alguma forma.
— Edward Cullen está te encarando. — Jéssica deu uma risadinha no meu ouvido.
— Ele não parece estar com raiva parece? — Eu não pude deixar de perguntar.
— Não. — Ela respondeu parecendo confusa com a minha pergunta. — Ele deveria estar?
— Eu acho que ele não gosta de mim. — Confidenciei.
Eu me senti enjoada. Coloquei minha cabeça abaixada no meu braço.
— Os Cullen não gostam de ninguém... Bem, eles não prestam atenção suficiente em ninguém pra gostar. Mas ele ainda está te encarando.
— Pare de olhar pra ele. — Eu sussurrei.
Ela sorriu, mas parou de olhar pra ele.
Levantei minha cabeça o suficiente pra ter certeza que ela faria isso, disposta a usar de violência se ela se opusesse.
Mike nos interrompeu, ele estava planejando uma batalha épica do temporal no estacionamento da escola e queria que nós nos juntássemos. Jéssica concordou alegremente.
O jeito como ela olhava para Mike não deixou muitas dúvidas de que ela toparia qualquer coisa que ele propusesse. Fiquei em silêncio.
Teria que me esconder no ginásio até que o estacionamento estivesse vazio.
Pelo resto do horário do almoço eu mantive meus olhos muito cuidadosamente na minha própria mesa. Estava decidida a honrar o negócio que fiz comigo mesma.
Já que ele não parecia estar com raiva eu podia ir para a aula de Biologia.
Meu estômago deu cambalhotas quando eu pensei em sentar perto dele de novo.
Eu não queria muito ir para a sala de aula com Mike como sempre, ele parecia ser um alvo popular para os atiradores de bolas de neve, mas quando nós fomos para a porta, todos menos eu gemeram em coro.
Estava chovendo, lavando todos os traços de neve, levando-a embora em uma tira de gelo que se estendia pela calçada. Levantei meu capuz, secretamente satisfeita.
Estaria livre para ir direto pra casa depois da Ginástica.
Mike continuou uma sequência de reclamações no caminho para o prédio quatro.
Uma vez dentro da sala de aula, eu vi aliviada que a minha mesa continuava vazia. A aula não começou por alguns minutos e a sala zumbia com a conversa. Mantive os meus olhos longe da porta, batucando à toa na capa do meu caderno.
Eu ouvi muito claramente quando a cadeira próxima a mim se moveu, mas os meus olhos se mantiveram cautelosamente no que eu estava fazendo.
— Olá. — Disse uma voz calma, musical.
Eu olhei pra cima, abismada porque ele estava falando comigo. Ele estava sentando tão longe de mim quanto a mesa permitia, mas sua cadeira estava virada pra mim. O seu cabelo estava pingando de tão molhado, desgrenhado, mesmo assim ainda parecia que ele havia acabado de gravar um comercial de gel pra cabelo. Seu rosto estonteante era amigável, aberto, um leve sorriso nos seus lábios indefectíveis. Mas seus olhos eram cautelosos.
— Meu nome é Edward Cullen, — ele continuou — eu não tive a oportunidade de me apresentar na semana passada. Você deve ser Bella Swan.
Minha mente estava girando de tão confusa.
Eu inventei a coisa toda?
Ele era perfeitamente educado agora. Eu tinha que falar, ele estava esperando. Mas eu não consegui pensar em nada convencional pra dizer.
— C-como você sabe o meu nome? — Eu gaguejei.
Ele sorriu um sorriso leve, encantador.
— Oh, eu acho que todo mundo sabe o seu nome. A cidade inteira esteve esperando você chegar.
Eu fiz uma careta. Eu sabia que havia sido algo assim.
— Não, — eu insisti estupidamente. — eu quis dizer, porque você me chamou de Bella?
Ele pareceu confuso.
— Você prefere Isabella?
— Não, eu gosto de Bella. — Eu disse. — Mas Charlie, quer dizer meu pai, deve me chamar de Isabella pelas costas, é assim que todos parecem me conhecer, eu tentei explicar, me sentindo como uma completa idiota.
— Oh. —Ele deixou sair.
Olhei pro outro lado me sentindo estranha.
Por sorte, o Sr. Banner começou a aula nessa hora. Tentei me concentrar na experiência que faríamos hoje. Os slides na caixa estavam fora de ordem. Trabalhando como parceiros de laboratório, nós tínhamos que separar os slides em tipos de raízes das espécies de células das fases da mitose que eles representavam e etiquetá-las adequadamente.
Não podíamos usar os nossos livros. Em vinte minutos ele voltaria pra ver quem havia acertado.
— Comecem. — Ele ordenou.
— Primeiro as damas, parceira? — Edward perguntou.
Eu olhei pra cima e o vi sorrindo, um sorriso tão lindo que eu não podia fazer nada além de olhar pra ele como uma idiota.
— Ou eu posso começar, se você quiser. — O sorriso sumiu, ele estava obviamente imaginando se eu era mentalmente competente.
— Não. — eu disse, ficando corada — Eu começo.
Eu estava me mostrando, só um pouquinho. Já havia feito essa experiência, e sabia o que estava procurando. Só podia ser fácil. Coloquei o primeiro slide no lugar embaixo do microscópio e ajustei a lente para o objetivo de 40x.
Estudei o slide brevemente. Minha avaliação foi confiante.
— Prófase.
— Você se importa se eu der uma olhada? — Ele perguntou quando eu comecei a remover o slide. A mão dele segurou a minha, para me parar, quando ele perguntou. Os dedos dele eram frios como gelo, como se ele tivesse enfiado numa bola de neve antes de entrar na sala de aula. Mas não foi por isso que eu puxei a mão tão rápido.
Quando ele tocou minha mão, eu senti uma punção como se uma corrente elétrica tivesse passado por nós.
— Me desculpe. — Ele murmurou tirando sua mão imediatamente.
No entanto, continuou tentando alcançar o microscópio.
O observei ainda vacilante, enquanto ele examinava o microscópio por um tempo ainda menor do que eu.
— Prófase. — Ele concordou, escrevendo cuidadosamente no primeiro espaço em branco da nossa folha de trabalho.
Ele rapidamente trocou o primeiro slide pelo segundo, e então olhou curiosamente para ele.
— Anáfase — Ele murmurou, escrevendo no papel enquanto falava.
Eu mantive minha voz indiferente.
— Posso?
Ele sorriu maliciosamente e me passou o microscópio.
Eu olhei pela lente ansiosamente, só pra me desapontar.
Droga, ele estava certo.
— Slide três? — Eu levantei minha mão sem olhar pra ele.
Ele me passou, parecia que estava sendo cuidadoso para não tocar em mim de novo.
Eu dei a olhada mais rápida que eu consegui.
—Intérfase. — Eu passei o microscópio antes que ele pudesse pedir.
Deu uma olhada rápida e então escreveu.
Eu podia ter escrito enquanto ele olhava, mas sua escrita limpa e elegante me intimidou. Não queria sujar a folha com os meus garranchos desajeitados.
Nós terminamos antes que qualquer outra pessoa estivesse perto.
Podia ver Mike e sua parceira comparando dois slides de novo e de novo, e outro grupo tinha aberto o livro por debaixo da mesa.
Isso não me deixou alternativa a não ser tentar não olhar pra ele... Sem sucesso. Eu olhei pra cima, e ele estava olhando pra mim, aquele inexplicável olhar de frustração nos seus olhos. De repente eu percebi qual era a súbita diferença no rosto dele.
— Você usa lentes de contato? — Eu soltei sem pensar.
Ele pareceu confuso pela minha pergunta inesperada.
– Não.
— Oh! — Eu murmurei — Eu achei que seus olhos eram de outra cor, diferentes.
Ele encolheu os ombros e olhou pra longe.
De fato, eu tinha certeza que algo estava diferente.
Lembrava vividamente aquela cor negra nos olhos dele na última vez que ele olhou pra mim, a cor era facilmente notável em contraste com a sua pele pálida e seu cabelo ruivo. Hoje os olhos dele tinham uma cor completamente diferente. Uma cor estranha, mais escura que Uísque, mas com a mesma tonalidade dourada. Eu não entendia como isso podia estar acontecendo, a não ser que por algum motivo ele estivesse mentindo sobre as lentes de contato.
Ou talvez Forks estivesse me deixando louca no sentido literal da palavra. Olhei pra baixo. As mãos dele estavam apertadas contras os punhos de novo.
O Sr. Banner veio até a nossa mesa nessa hora, pra ver porque não estávamos trabalhando. Ele olhou por cima dos nossos ombros para ver a experiência completa, e então olhar ainda mais atentamente para checar as respostas.
— Então, Edward, você não achou que Isabella podia ter uma chance com o microscópio? — O Sr. Banner perguntou.
— Bella. — Edward corrigiu automaticamente. — Na verdade, ela identificou três dos cinco.
Sr. Banner olhou pra mim agora, sua expressão era cética.
— Você já fez essa experiência antes? — Ele perguntou.
Eu sorri timidamente.
— Não com raízes de cebola.
— Blástula de peixe branco?
— É.
Sr. Banner concordou com a cabeça.
— Você estava numa colocação avançada no programa de Phoenix?
— Sim.
— Bem, — ele disse depois de um momento — eu acho que é bom que vocês dois sejam parceiros de laboratório. — Murmurou algo mais enquanto ia embora.
Depois que ele foi, comecei a batucar no meu caderno de novo.
— É uma pena sobre a neve, não é? — Edward perguntou. Eu tinha a sensação de que ele estava se esforçando pra conversar bobagens comigo.
A paranoia me atingiu de novo. Era como se ele tivesse ouvido minha conversa com Jéssica no almoço e estivesse tentando provar que eu estava errada.
— Não muito. — Eu respondi honestamente, ao invés de tentar ser normal como todo mundo.
Ainda estava tentando desalojar o estúpido sentimento de suspeita e não conseguia me concentrar.
— Você não gosta do frio. — Não era uma pergunta.
— Ou do molhado.
— Forks deve ser difícil de viver pra você. — Ele meditou.
—Você não faz ideia. — Murmurei obscuramente.
Ele pareceu fascinado pelo que eu disse, por algum motivo que eu não podia imaginar. O rosto dele era uma distração tão grande que tentei não olhar pra ele mais do que a cortesia pedia.
— Então, porque você veio pra cá?
Ninguém havia me perguntado isso, não diretamente como ele perguntou, exigente.
— É... Complicado.
— Eu acho que consigo acompanhar. — Ele pressionou.
Eu pausei por um longo momento, e então cometi o erro de encontrar o seu olhar. Seus olhos dourado escuro me confundiram, e eu respondi sem pensar.
— Minha mãe casou novamente. —Eu disse.
— Isso não parece tão complicado. — Ele discordou, mas de repente estava simpático — Quando isso aconteceu?
— Setembro passado. — Minha voz pareceu triste até para mim mesma.
— E você não gosta dele. — Edward presumiu seu tom ainda gentil.
— Não, Phil é legal. Talvez novo demais, mas legal o suficiente.
— Porque você não ficou com eles?
Eu não conseguia compreender o seu interesse, mas ele continuou a me olhar com olhos penetrantes, como se a história chata da minha vida fosse de alguma forma vitalmente importante.
— Phil viaja muito. Ganha a vida jogando bola. — Eu dei um meio-sorriso.
— Eu já ouvi falar dele? — Ele perguntou, sorrindo em resposta.
— Provavelmente não. Ele não joga bem. Só na menor liga, então se muda muito.
— E sua mãe te mandou pra cá pra poder viajar com ele. — Ele disse novamente como uma suposição, não uma pergunta.
Meu queixo levantou uma fração.
— Não, ela não me mandou, eu decidi vir.
As sobrancelhas dele se encontraram.
— Eu não entendo. — Ele admitiu e pareceu excessivamente frustrado com o fato.
Eu suspirei.
Porque estava explicando isso pra ele?
Ele continuou a me encarar com obvia curiosidade.
— No início ela ficou comigo, mas ela sentia a falta dele. Ficava infeliz, então eu decidi que estava na hora de passar umas horas de qualidade com Charlie. — Minha voz estava mal-humorada quando eu terminei.
— Mas agora você está infeliz. —Ele apontou.
— E? — Eu desafiei.
— Isso não me parece justo. — Ele encolheu os ombros mas seus olhos ainda estavam intensos.
Eu sorri sem humor.
— Nunca te contaram? A vida não é justa.
— Eu acredito que eu já tinha ouvido isso antes. — Ele concordou secamente.
— Então isso é tudo. — Eu insisti, me perguntando por que ele ainda estava me olhando daquele jeito.
O olhar dele se tornou avaliativo.
— Você fez um belo show, — ele disse vagarosamente — mas eu seria capaz de apostar que você está sofrendo mais do que deixa os outros verem.
Eu fiz uma careta pra ele, tentando controlar o impulso de mostrar minha língua pra ele como uma criança de cinco anos e olhei pro outro lado.
— Estou errado?
Eu tentei ignorá-lo.
— Eu acho que não. — Ele disse.
— Porque isso importa pra você? — Eu perguntei irritada.
Mantive os olhos distantes, observando o professor andando pela sala.
— Essa é uma pergunta muito boa. — Ele murmurou tão baixo que eu imaginei se ele estaria falando consigo mesmo. Porém, depois de alguns minutos de silêncio, eu percebi que essa era a única resposta que eu receberia.
Eu suspirei e olhei para o quadro negro, carrancuda.
— Eu estou te aborrecendo? — Ele me perguntou parecendo divertido
Eu olhei pra ele sem pensar... E disse a verdade de novo.
— Não exatamente. Eu estou aborrecida comigo mesma. Meu rosto é tão fácil de ler, minha mãe sempre me chama de livro aberto. — Eu fiz cara feia.
— Pelo contrário, eu acho você bem difícil de ler.
Apesar de tudo o que eu disse e de tudo que ele adivinhou, ele parecia sincero.
— Você deve ser um bom leitor então. — Eu repliquei.
— Geralmente. — Ele sorriu largamente, mostrando uma série de dentes perfeitos e super brancos.
Sr. Banner pediu ordem na sala, e eu me virei aliviada para ouvir.
Eu não conseguia acreditar que eu havia acabado de explicar minha vida melancólica para esse bizarro e lindo garoto que pode ou não me desprezar. Ele pareceu absorvido pela nossa conversa, mas agora eu podia ver pelo canto do meu olho, que ele estava se mantendo longe de mim de novo, as mãos dele agarrando a borda da mesa, com inegável tensão.
Eu tentei fingir que prestava atenção enquanto o Sr. Banner explicava com transparências no projetor, o que eu havia visto antes com dificuldade pelo microscópio. Mas os meus pensamentos eram indóceis.
Quando o sinal finalmente tocou, Edward correu tão rapidamente e graciosamente da sala como na segunda feira passada. Eu o observei, maravilhada.
Mike pulou rapidamente pra o meu lado e pegou os meus livros pra mim.
O imaginei com um rabinho balançando.
— Aquilo foi horrível, — ele gemeu — todos pareciam exatamente iguais. Você tem sorte por ter Cullen como parceiro.
— Não tive nenhum problema. — Disse com raiva pela suposição dele. E me arrependi do esnobismo na hora. — Eu já havia feito essa experiência. — Falei antes que eu pudesse magoar os sentimentos dele.
— Cullen pareceu amigável o suficiente hoje. — Ele comentou enquanto vestíamos os casacos de chuva.
Ele não pareceu feliz com isso.
Eu tentei parecer indiferente:
— Eu me pergunto qual era o problema dele na segunda passada.
Não consegui me concentrar na conversa de Mike enquanto caminhávamos para a aula de Educação Física, e também não fiz muito pra me manter concentrada. Ele nobremente cobriu a minha posição e a sua própria, então eu só saia da minha posição quando era a minha vez de sacar. O meu time se abaixava e saia do caminho sempre que era a minha vez.
A chuva era só uma névoa quando eu caminhei para o estacionamento, mas eu estava mais contente quando eu entrei na cabine seca.
Liguei o aquecedor pela primeira vez sem me importar com o barulho ensurdecedor do motor. Baixei o zíper do meu casaco e o capuz, afofei meu cabelo para que o aquecedor o secasse no caminho pra casa.
Eu olhei ao redor pra ter certeza de que o caminho estava limpo. Foi aí que eu vi a figura ereta e branca.
Edward Cullen estava encostado na porta do Volvo a três carros de distância de mim e olhando atentamente na minha direção.
Eu rapidamente olhei pra longe e dei a ré na caminhonete quase batendo num Toyota Corolla na minha pressa.
Pra sorte do Corolla, eu pisei no freio a tempo. Esse é exatamente o tipo de carro que o meu carro deixaria em pedacinhos. Eu respirei fundo, olhando pra fora pelo outro lado do meu carro, e cautelosamente tirei o carro com mais sucesso.
Eu olhei direto para frente quando eu passei pelo Volvo, mas pela minha visão periférica, eu poderia jurar que o vi rindo.

10 comentários:

  1. Fernanda Boaventura9 de outubro de 2015 21:20

    É interessante... Bella sempre acha que o problema é com ela...

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  2. Sem querer ser chata... na descriçao da escola: casas germinadas. O certo é geminadas, sem o "r". Geminada, de "gêmea".
    Bj
    Gi

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  3. Cara esse blog 😍😍😍

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  4. O certo é "à toa" não "á toa". Tem dois trechos.
    Esse: "Eu pensei á toa quantas milhas a caminhonete faria com um litro de gasolina... E tremi com o pensamento."
    E esse: "Uma vez dentro da sala de aula, eu vi aliviada que a minha mesa continuava vazia. A aula não começou por alguns minutos e a sala zumbia com a conversa. Mantive os meus olhos longe da porta, batucando á toa na capa do meu caderno."

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  5. Edward sempre encantador .

    Assi: Apaixonada por livros.

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  6. Não vou precisar comprar o livro pro trabalho de escola agora *-*

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