28 de setembro de 2015

Capítulo 18 - Não existem palavras para isso

O corpo de Bella, por onde escorria o líquido vermelho, começou a se contorcer, convulsionando nos braços de Rosalie como se estivesse sendo eletrocutado. O tempo todo, seu rosto não tinha expressão – ela estava inconsciente. Era a agitação desvairada no meio de seu corpo que a movimentava. Enquanto ela estava em convulsão, estalos ásperos acompanhavam os espasmos.
Rosalie e Edward ficaram paralisados por uma mínima fração de segundo, e então despertaram. Rosalie tomou o corpo de Bella nos braços e gritando com tamanha rapidez que era difícil distinguir as palavras ela e Edward subiram a escada em disparada até o segundo andar.
Corri atrás deles.
— Morfina! — gritou Edward para Rosalie.
— Alice... ligue para Carlisle! — berrou Rosalie.
A sala para a qual os segui parecia uma ala de emergência montada no meio de uma biblioteca. As luzes eram fortes e brancas. Bella estava sobre uma mesa debaixo da luz; a pele, espectral sob o refletor. Seu corpo se debatia – um peixe na areia. Rosalie prendeu Bella na mesa, arrancando e rasgando suas roupas, enquanto Edward espetava uma injeção em seu braço.
Quantas vezes eu a imaginei nua? Agora não conseguia olhar. Tinha medo de ter aquelas lembranças em minha mente.
— O que está acontecendo, Edward?
— Ele está sufocando!
— A placenta deve ter descolado!
No meio disso tudo, Bella voltou a si. Ela reagiu às palavras deles com um e arranhou meus tímpanos.
— TIREM ele! — gritou ela. — Ele não consegue RESPIRAR! Tirem AGORA!
Vi os pontos vermelhos aparecendo quando seu grito revelou os vasos sanguíneos de seus olhos.
— A morfina... — grunhiu Edward.
— Não! Agora...!
Mais uma golfada de sangue sufocou o que ela gritava. Ele ergueu a cabeça dela, tentando desesperadamente limpar sua boca para que ela voltasse a respirar.
Alice entrou correndo na sala e prendeu um pequeno fone de ouvido azul sob o cabelo de Rosalie. Depois recuou, os olhos dourados arregalados e ardentes, enquanto Rosalie sibilava freneticamente ao telefone.
Na luz forte, a pele de Bella parecia mais roxa e preta do que branca. Um vermelho-escuro se infiltrava por baixo da pele que cobria o imenso volume tomado por tremores de sua barriga. A mão de Rosalie surgiu com um bisturi.
— Deixe a morfina se espalhar! — gritou Edward para ela.
— Não há tempo — sibilou Rosalie. — Ele está morrendo!
Sua mão desceu à barriga de Bella e um vermelho vivo brotou onde ela perfurou a pele. Era como o conteúdo de um balde derramado, uma torneira totalmente aberta. Bella teve um espasmo, mas não gritou. Ela ainda estava asfixiando.
E, então, Rosalie perdeu o foco. Vi a expressão em seu rosto mudar, vi seus lábios se arreganharem sobre os dentes e os olhos negros cintilarem de sede.
— Não, Rose! — rugiu Edward, mas suas mãos estavam presas, tentando sustentar Bella para que ela pudesse respirar.
Eu me atirei contra Rosalie, saltando a mesa sem me dar ao trabalho de mudar de forma. Quando atingi seu corpo de pedra, lançando-a na direção da porta, senti o bisturi em sua mão cravar fundo no meu braço esquerdo. Minha mão direita se chocou contra seu rosto, prendendo-lhe o queixo e bloqueando as vias áreas.
Usei a força da minha mão no rosto de Rosalie para girar seu corpo de modo que eu pudesse dar um bom chute em sua barriga; era como chutar concreto. Ela voou contra a soleira da porta, vergando um dos batentes.
O pequeno fone em seu ouvido se desfez em pedaços. E, então, Alice surgiu, arrastando-a pelo pescoço até o corredor.
E eu me vi obrigado a dar o crédito à Loura – ela não ofereceu um pingo de resistência. Ela queria que vencêssemos. Deixou que eu a espancasse daquele jeito para salvar Bella. Bom, para salvar a coisa.
Arranquei a lâmina de meu braço.
— Alice, tire-a daqui! — gritou Edward. — Leve-a até Jasper e a mantenha lá! Jacob, preciso de você!
Não vi Alice terminar o trabalho. Voltei para a mesa de cirurgia, onde Bella estava ficando azul, os olhos esbugalhados e fixos.
— RCP? — grunhiu Edward para mim, rápido e exigente.
— Sim!
Analisei rapidamente a expressão dele, procurando algum sinal de que fosse reagir como Rosalie. Não havia nada, a não ser uma ferocidade obcecada.
— Faça-a respirar! Tenho de tirá-lo antes que...
Outro estalo dentro do corpo, o mais alto até então – tão alto, que nós dois paramos atônitos, esperando pelo grito dela. Nada. Agora suas pernas, que estiveram contraídas com a agonia, estavam flácidas, esparramando-se de uma forma não natural.
— A coluna — ele balbuciou, horrorizado.
— Tire isso dela! — rosnei, jogando o bisturi para ele. — Ela não vai sentir nada agora!
E então me curvei sobre sua cabeça. A boca parecia desobstruída; então apertei a minha contra a dela e soprei uma lufada de ar. Senti seu corpo contraído se expandir, então não havia nada bloqueando-lhe a garganta.
Seus lábios tinham gosto de sangue.
Eu podia ouvir seu coração, batendo irregular. Continue, pensei com intensidade, soprando outra lufada de ar para dentro de seu corpo. Você prometeu. Mantenha seu coração batendo.
Ouvi o som suave e molhado do bisturi em sua barriga. Mais sangue pingando no chão.
O ruído seguinte me provocou um sobressalto, inesperado, apavorante. Como metal sendo rasgado. O som me trouxe à lembrança a luta na clareira tantos meses antes, o ruído dos recém-criados sendo dilacerados. Olhei naquela direção e vi o rosto de Edward comprimido contra a protuberância da barriga. Dentes de vampiro – uma forma segura de cortar pele de vampiro.
Estremeci enquanto soprava mais ar em Bella.
Ela tossiu, os olhos piscando, revirando-se cegamente nas órbitas.
— Agora fique comigo, Bella! — gritei para ela. — Está me ouvindo? Fique! Você não vai me deixar. Mantenha seu coração batendo!
Seus olhos giraram, procurando por mim, ou por ele, sem nada ver. Eu os fitei de qualquer forma, mantendo meu olhar fixo ali. E então seu corpo ficou subitamente imóvel sob minhas mãos, embora a respiração se acelerasse e o coração continuasse a bater. Percebi que a imobilidade indicava que tinha acabado. A pulsação interna parou. Aquilo devia estar fora dela. E estava.
— Renesmee — Edward sussurrou.
Então Bella estava enganada. Não era o menino que ela imaginara. Não me surpreendia. No que ela não se enganara?
Não me desviei de seus olhos injetados de sangue, mas senti suas mãos se erguerem, fracas.
— Me deixe... — ela disse num sussurro abatido. — Me dê ela aqui.
Acho que eu devia saber que ele sempre faria o que ela queria, por mais idiota que seu pedido fosse. Mas nem sequer sonhei que ele fosse dar ouvidos a ela naquele momento. Então não pensei em impedi-lo.
Uma coisa quente tocou meu braço. Isso devia ter chamado minha atenção de cara. Nada me parecia quente.
Mas eu não conseguia desviar os olhos do rosto de Bella. Ela piscou e então focou o olhar, por fim vendo alguma coisa. Deixou escapar um murmúrio estranho e fraco.
— Renes... mee. Tão... linda.
E então ela arfou – um ofegar de dor.
Quando olhei, era tarde demais. Edward tinha arrancado a coisa quente e sangrenta de seus braços flácidos. Meus olhos percorreram a pele de Bella. Estava vermelha de sangue – o sangue que escorrera de sua boca, o sangue que se espalhava por toda a criatura e o sangue fresco que jorrava de uma mordida mínima em forma de crescente no seio esquerdo.
— Não, Renesmee — murmurou Edward, como se estivesse ensinando boas maneiras ao monstrinho.
Não olhei para ele, nem para a coisa. Só via os olhos de Bella revirando nas órbitas. Com uma última batida surda, seu coração falhou e ficou em silêncio. Foi um hiato de meia pulsação, e então minhas mãos estavam em seu peito, fazendo compressões. Eu contava mentalmente, tentando manter o ritmo estável. Um. Dois. Três. Quatro.
Parei por um segundo e soprei outra lufada de ar para dentro dela. Eu não conseguia mais enxergar. Meus olhos estavam cheios d’água e embaçados. Mas eu estava hiperconsciente dos sons na sala. O tum-tum relutante do coração dela sob minhas mãos exigentes, o martelar de meu próprio coração e outro som – uma palpitação que era rápida demais, leve demais consegui identificá-la.
Forcei mais ar pela garganta de Bella.
— O que está esperando? — eu disse sem fôlego, bombeando seu coração de novo. Um. Dois. Três. Quatro.
— Pegue o bebê — disse Edward com urgência.
— Jogue-o pela janela. — Um. Dois. Três. Quatro.
— Deixe-a comigo. — Uma voz baixa soou da porta.
Edward e eu rosnamos ao mesmo tempo.
Um. Dois. Três. Quatro.
— Estou sob controle — prometeu Rosalie. — Me dê o bebê, Edward. Eu vou cuidar dela até que Bella...
Tornei a soprar ar para dentro de Bella enquanto acontecia a troca. O tum-tum-tum palpitante sumiu ao longe.
— Tire as mãos, Jacob.
Ergui o olhar dos olhos brancos de Bella, ainda bombeando o coração para ela. Edward tinha uma seringa nas mãos – toda prateada, como se feita de aço.
— O que é isso?
Sua mão de pedra tirou a minha do caminho. Houve um leve estalo quando seu golpe quebrou meu dedo mínimo. No mesmo segundo, ele enfiou a agulha no coração de Bella.
— Meu veneno — respondeu ele, pressionando o êmbolo.
Ouvi o solavanco do coração dela, como se Edward lhe tivesse aplicado um choque com um ressuscitador.
— Continue — ordenou ele. Sua voz era gélida, morta. Feroz e impensada. Como se ele fosse uma máquina.
Ignorei a dor do dedo enquanto se curava e voltei a bombear seu coração. Era mais difícil, como se o sangue estivesse congelando ali – mais espesso e mais lento. Enquanto eu forçava o sangue agora viscoso por suas artérias, vi o que ele fazia.
Era como se ele a estivesse beijando, roçando os lábios no pescoço, em seus pulsos, na dobra na parte interna do braço. Mas eu podia ouvir o luxuriante dilaceramento de sua pele à medida que os dentes dele mordiam, repetidamente, forçando veneno em seu organismo no maior número possível de pontos. Vi a língua pálida de Edward lamber as feridas que sangravam, mas antes que isso pudesse me deixar com nojo ou raiva percebi o que ele estava fazendo. Onde a língua espalhava o veneno sobre a pele, o corte se fechava. Mantendo o veneno e o sangue dentro do corpo dela.
Soprei mais ar em sua boca, mas não havia nada ali. Só a elevação sem vida de seu peito em resposta. Continuei bombeando seu coração, contando, enquanto ele trabalhava como maníaco, tentando reanimá-la. Todos os cavalos do rei e todos os homens do rei...
Mas não havia nada ali, somente eu, somente ele.
Trabalhando num cadáver.
Porque era só o que restava da garota que ambos amávamos. Aquele cadáver arruinado, exangue, mutilado. Não conseguiríamos trazer Bella de volta.
Eu sabia que era tarde demais. Sabia que ela estava morta. Tinha certeza disso porque o ímpeto se fora. Não percebia nenhum motivo para ficar ali ao lado dela. Ela não estava mais ali. Então, aquele corpo não me dizia mais nada. A necessidade insensata de estar ao lado dela havia desaparecido.
Ou mudado talvez fosse uma palavra melhor. Parecia que eu agora me sentia impelido no sentido contrário. Para o primeiro andar, a porta. O desejo de sair dali e nunca, jamais voltar.
— Então vá — disse ele asperamente, golpeando minhas mãos para tirá-las do caminho de novo, assumindo meu lugar dessa vez.
Três dedos quebrados, era o que parecia.
Eu os endireitei, entorpecido, sem me importar com o latejar da dor.
Ele pressionava o coração morto mais rápido do que eu fizera.
— Ela não está morta — ele grunhiu. — Ela vai ficar bem.
Eu não tinha certeza se ele ainda falava comigo. Virando-me, deixando-o com sua morta, caminhei lentamente porta. Muito lentamente. Não conseguia fazer meus pés se moveram mais rápido.
Então era aquilo. O oceano de dor. A margem além da água fervente tão distante que eu não conseguia imaginá-la, muito menos vê-la.
Eu me sentia vazio de novo, agora que tinha perdido meu propósito. Salvar Bella era minha luta fazia muito tempo. E ela não seria salva. Ela havia se sacrificado de boa vontade, deixando-se dilacerar por aquele filhote de monstro, e a luta estava perdida. Chegara ao fim.
Estremeci com o som que me seguia enquanto eu me arrastava escada abaixo – o som de um coração morto sendo forçado a bater.
Eu queria despejar água sanitária dentro da minha cabeça e deixar que derretesse meu cérebro. Eliminar as imagens que ficaram dos últimos minutos de Bella. Eu aceitaria o dano cerebral se pudesse me livrar daquilo – os gritos, o sangramento, os ruídos e os estalos insuportáveis enquanto o monstro a arrebentava de dentro para fora...
Eu queria correr, descer a escada de dez em dez degraus e disparar porta afora, mas meus pés estavam pesados como ferro, e meu corpo, mais cansado do que nunca. Arrastei-me como um velho aleijado.
Parei para descansar no último degrau, reunindo forças para sair.
Rosalie estava na extremidade limpa do sofá branco, de costas para mim, balbuciando e murmurando para a coisa enrolada num lençol em seus braços. Ela deve ter me ouvido parar, mas me ignorou, presa em seu momento de maternidade roubada. Talvez ela agora fosse feliz. Tinha o que queria, e Bella nunca voltaria para tomar a criatura dela. Perguntei-me se fora isso o que a loura venenosa tinha esperado o tempo todo.
Rosalie tinha alguma coisa escura nas mãos, e ouvi um ruído de ávida sucção vindo do minúsculo assassino que ela segurava.
O cheiro de sangue no ar. Sangue humano. Rosalie estava alimentando a coisa. É claro que ela ia querer sangue. O que mais se daria ao tipo monstro que mutilava brutalmente a própria mãe? Podia muito bem estar bebendo o sangue de Bella. E talvez fosse.
Minha força voltou enquanto eu ouvia o som do pequeno carrasco mamando.
Força, ódio e calor – um calor vermelho correndo por minha cabeça, queimando, mas sem apagar nada. As imagens em minha mente eram combustível, erguendo um inferno mas recusando-se a ser consumidas. Senti os tremores me balançarem da cabeça aos pés e não tentei detê-los. Rosalie estava totalmente absorta na criatura, sem prestar nenhuma atenção em mim. Ela não seria bastante rápida para me impedir, distraída daquele jeito.
Sam tinha razão. A coisa era uma aberração – sua existência contrariava a natureza. Um demônio sombrio e sem alma. Algo que não tinha o direito de existir.
Algo que precisava ser destruído.
Parecia que aquele ímpeto não me conduzia para a porta, afinal. Agora eu podia senti-lo me impelindo, me empurrando para a frente. Forçando-me a terminar com aquilo, a livrar o mundo daquela coisa abominável.
Rosalie tentaria me matar quando a criatura estivesse morta, e eu lutaria. Não sabia se teria tempo de liquidá-la antes que os outros fossem ajudar. Talvez sim, talvez não. Não me interessava muito.
Eu não ligava se os lobos – qualquer um dos grupos – me vingariam ou considerariam a justiça dos Cullen correta. Nada disso tinha importância. Só o que eu queria era minha própria justiça. Minha vingança. A coisa que tinha matado Bella não viveria nem mais um minuto sequer.
Se tivesse sobrevivido, Bella teria me odiado por isso. Teria desejado me matar pessoalmente.
Mas eu não me importava. Ela não se importou com o que fez comigo – deixando-se ser abatida como um animal. Por que eu deveria levar em conta os sentimentos dela?
E havia Edward. Ele agora devia estar ocupado demais – completamente tomado por sua negação insana, tentando reanimar um cadáver – para ouvir meus planos.
Então eu não teria chance de cumprir o que prometera a ele, a não ser – e eu não apostaria dinheiro nisso – que eu conseguisse vencer a luta contra Rosalie, Jasper e Alice, três contra um. Mas, mesmo que vencesse, eu não iria querer matar Edward.
Porque eu não tinha compaixão suficiente para isso. Por que deveria deixar que ele se safasse do que fez? Não seria mais justo – mais prazeroso – deixá-lo viver sem nada, sem absolutamente nada? Imaginar isso quase me fez sorrir, tamanho era o ódio que sentia. Sem Bella. Sem filhote assassino. E também sem tantos membros de sua família quantos eu conseguisse abater.
É claro que ele provavelmente conseguiria recompô-los, já que eu não estaria ali para queimar os corpos. Ao contrário de Bella, que nunca voltaria a ficar inteira.
Perguntei-me se a criatura poderia ser recomposta. Eu duvidava. Em parte, era como Bella também – então devia ter herdado um pouco de sua vulnerabilidade. Eu podia ouvir isso no batimento mínimo e palpitante de seu coração.
O coração da coisa estava batendo. O dela, não. Só um segundo se passara enquanto eu tomava essas decisões simples. O tremor ia ficando mais firme e acelerado. Eu me agachei, preparando-me para atacar a vampira loura e arrancar a coisa assassina de seus braços com meus dentes.
Rosalie tornou a balbuciar para a criatura, pondo de lado o que parecia ser uma mamadeira de metal vazia e erguendo a criatura no ar para afagar-lhe a bochecha com o rosto.
Perfeito. A nova posição era perfeita para meu ataque. Eu me inclinei para a frente e senti o calor começar a me transformar, enquanto crescia o impulso que me atraía para o assassino – o mais forte que eu já havia sentido, tão forte que me lembrava um comando de alfa, como se pudesse me esmagar se eu não obedecesse.
Dessa vez eu queria obedecer.
O assassino olhou para mim por cima do ombro de Rosalie – o olhar mais focalizado do que devia ser o de qualquer criatura recém-nascida.
Olhos castanhos e afetuosos, da cor de chocolate ao leite – a cor exata que tinham sido os de Bella.
Meu tremor parou subitamente; o calor me inundou, mais forte do que antes, mas era um novo tipo de calor – não queimava.
Era resplandecente.
Tudo em mim se desfez enquanto eu olhava o minúsculo rostinho de porcelana do bebê meio vampiro, meio humano. Todas as linhas que me prendiam à minha vida foram rompidas em golpes rápidos, como se alguém cortasse as cordas de um feixe de balões de gás. Tudo o que me tornava quem eu era – meu amor pela garota morta no segundo andar, meu amor por meu pai, minha lealdade à minha nova matilha, o amor pelos meus outros irmãos, o ódio pelos meus inimigos, minha casa, meu nome, meu eu – desconectou-se de mim naquele segundo e flutuou para o espaço.
Mas eu não fiquei à deriva. Um novo fio me prendia onde eu estava.
Não um fio, mas um milhão deles. Fios não, cabos de aço. Um milhão de cabos de aço me prendendo a uma única coisa – ao próprio centro do Universo.
Podia perceber isso agora – como o Universo girava em torno daquele único ponto. Eu nunca tinha enxergado a simetria do Universo, mas agora ela era clara.
A gravidade da Terra não me prendia mais ao lugar em que eu estava. Agora era a garotinha nos braços da vampira loura que me mantinha ali. Renesmee.
Vindo do segundo andar, ouvi um novo som. O único som que podia me alcançar naquele instante interminável.
Um martelar frenético, um batimento acelerado...
Um coração que se transformava.

5 comentários:

  1. Meu Deus! Que tudooooooooo!😻😻😭

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  2. Oh meu Deus!!!!!!!🙌🙌🙌🙌 Um imprinting com o Jacob......

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  3. woooo! nao tenho mais unhas melhor capitulo.

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  4. K todu !!!! Mas n consigo n pensar no filme e na negação do Edward na morte da Bella.
    E a Renesmee linda claro!

    Assi: Apaixonada por livros

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