25 de setembro de 2015

Capítulo 18 - Instruções

—Essa tem que ter sido a festa mais longa da história do mundo—, eu reclamei no caminho pra casa.
Edward não pareceu discordar. —Está acabado agora—, ele disse, esfregando o meu braço de forma calmante.
Porque eu era a única que precisava ser acalmada. Edward estava bem agora - todos os Cullen estavam bem.
Todos eles me reasseguraram; Alice se erguendo pra dar um tapinha na minha cabeça enquanto eu ia embora, olhando Jasper significantemente até que uma onda de paz me rodeou, Esme beijando a minha testa e me prometendo que tudo estava bem, Emmett rindo tumultuosamente e me perguntando porque eu era a única que tinha permissão pra brigar com lobisomens... a solução de Jacob acalmou todos eles, quase eufóricos depois de longas semanas de estresse. A dúvida foi trocada por confiança. A festa havia acabado em um verdadeiro clima de celebração.
Não pra mim.
Já era ruim o suficiente - horrível - que os Cullen teriam que lutar por mim. Já era demais que eu teria que permitir isso. Eu já sentia mais do que eu podia aguentar.
Jacob também não. Não seus irmãos bobos, ansiosos - a maioria deles mais nova do que eu era. Eles só eram muito grandes, crianças muito musculosas, e eles estavam ansiosos com isso como se fosse um piquenique na praia. Eu não podia colocá-los em perigo também. Os meus nervos pareciam estar desfiados e expostos. Eu não sabia por quanto tempo mais eu seria capaz de restringir a vontade de gritar alto.
Eu sussurrava agora, pra manter minha voz sob controle. —Você vai me levar junto essa noite—.
—Bella, você está exausta—.
—Você acha que eu poderia dormir?—
Ele fez uma careta. —Isso é uma experiência. Eu não estou certo de que será possível pra nós... cooperar. Eu não quero você no meio daquilo—.
Como se isso não me fizesse ainda mais ansiosa pra ir. —Se você não me levar, eu vou ligar pra Jacob—.
Os olhos dele se estreitaram. Isso era golpe baixo, e eu sabia. Mas não tinha jeito de eu ser deixada pra trás.
Ele não respondeu; estávamos na casa de Charlie agora. A luz da frente estava acesa.
—Te vejo lá em cima—, eu murmurei.
Eu fui na porta dos pés até a porta da frente. Charlie estava adormecido na sala de estar, super-populando o sofá pequeno demais, e roncando tão alto que eu podia ter ligado uma serra - elétrica e isso não teria acordado ele.
Eu balancei o ombro dele vigorosamente.
—Pai! Charlie!—
Ele murmurou, ainda com os olhos fechados.
—Eu estou em casa agora - você vai machucar as suas costas dormindo desse jeito. Vamos, hora de se mexer—.
Foram precisas mais algumas sacudidas, e os olhos dele nunca se abriram completamente, mas eu consegui tirar ele do sofá. Eu ajudei ele a ir até a sua cama, onde ele desabou no topo das cobertas, totalmente vestido, e começou a roncar de novo.
Ele não ia procurar por mim tão cedo.
Edward me esperou no meu quarto enquanto eu lavava o meu rosto e colocava um jeans e uma camisa de flanela. Ele me observou infeliz na cadeira de balanço enquanto eu estendia a roupa que Alice havia me dado no armário.
—Venha aqui—, eu disse, pegando a mão dele e puxando ele para a minha cama.
Eu puxei ele para a cama e me curvei no peito dele. Talvez ele estivesse certo e eu estivesse cansada suficiente pra dormir. Eu não ia deixar ele escapar sem mim.
Ele colocou a colcha ao meu redor, aí me segurou mais perto.
—Por favor relaxe—
—Claro—
—Isso vai dar certo, Bella. Eu posso sentir—.
Os meus dentes travaram.
Ele estava irradiando alívio. Ninguém além de mim se importava se Jacob e seus amigos se machucassem. Nem mesmo Jacob e seus amigos. Especialmente não eles.
Ele podia reparar que eu estava prestes a perder o controle. —Me escute, Bella. Isso vai ser fácil. Os recém-nascidos serão pegos completamente de surpresa. Eles nem sequer terão mais certeza de que os lobisomens podiam existir mais do que você tinha. Eu já vi como eles agem em grupos, pelo jeito que Jasper se lembra. Eu realmente acredito que as técnicas de caça dos lobisomens vão funcionar perfeitamente contra eles—.
—E com eles divididos e confusos, eles não serão suficientes pra lidar com o resto de nós. Alguém vai ter que ficar descansando—, ele zombou.
—Uma moleza—, eu murmurei sem tom contra o peito dele.
—Shhhh—, ele alisou a minha bochecha. —Você vai ver. Não se preocupe agora—.
Ele começou a solfejar a minha canção de ninar, mas, pela primeira vez, ela não me acalmou.
Pessoas - bem, na verdade, vampiros e lobisomens, na verdade, mas mesmo assim - pessoas que eu amava iam se machucar. Se machucar por minha causa. De novo. Eu queria que a minha falta de sorte focasse um pouco mais cuidadosamente. Eu tinha vontade de gritar para o céu vazio: sou eu que você quer - bem aqui! Só eu!
Eu pensei em uma forma de fazer exatamente isso - forçar a minha falta de sorte a focar apenas em mim. Não ia ser fácil. Eu teria que esperar, contar o meu tempo...
Eu não caí no sono. Os minutos se passaram rapidamente, para a minha surpresa, e eu ainda estava alerta quando Edward puxou nós dois em uma posição sentada.
—Você tem certeza que não quer ficar e dormir?—
Eu dei um olhar amargo pra ele.
Ele suspirou, e me pegou nos braços antes de pular pela minha janela.
Ele correu pela floresta quieta, escura, comigo em suas costas, e mesmo na corrida dele eu sentia a elação. Ele estava correndo como fazia quando éramos só nós, só por diversão, só pra sentir o vento no cabelo dele. Esse era o tipo de coisas que, em tempos de menos ansiosidade, teria me deixado muito feliz.
Quando nós chegamos no grande campo aberto, a família dele estava lá, conversando casualmente, relaxada. A risada estrondosa de Emmett ecoava no espaço largo de vez em quando. Edward me colocou no chão e nós caminhamos de mãos dadas na direção deles.
Me levou um minuto, porque estava escuro demais com as nuvens escondidas atrás das nuvens, mas eu me dei conta de que estávamos na clareira de baseball. Era o mesmo lugar onde, mais de um ano atrás, aquela tarde tranquila com os Cullen havia sido interrompida por James e seu grupo.
Era estranho estar aqui de novo - como se essa cena não estivesse completa até que James e Laurent e Victoria se juntassem a nós. Mas James e Laurent não iam voltar nunca mais. O padrão não ia mais se repetir. Talvez todos os padrões estivessem quebrados.
Sim, alguém havia quebrado os padrões deles. Seria possível que os Volturi fossem os flexíveis nessa equação?
Eu duvidava.
Victoria sempre pareceu ser uma força da natureza pra mim - como um furacão se movendo em direção à costa em linha reta - inevitável, implacável, mas previsível. Talvez fosse errado limitá-la dessa forma. Ela tinha de ser capaz de se adaptar.
—Sabe o que eu penso?—, eu perguntei a Edward.
Ele riu. —Não—
Eu quase sorri.
—O que você pensa?—
—Eu acho que está tudo conectado. Não apenas dois, mas todos os três—.
—Eu estou perdido—.
—Três coisas ruins aconteceram desde que você voltou—, eu as contei nos meus dedos.
—Os recém-nascidos em Seattle. O estranho no meu quarto. E - primeiro de tudo - Victoria voltou pra me procurar—.
Os olhos dele se estreitaram quanto ele pensou nisso. —Porque você acha isso?—
—Porque eu concordo com Jasper - os Volturi amam as regras deles. Provavelmente eles fariam um trabalho melhor, de qualquer jeito—. E eu já estaria morta se eles me quisessem morta, eu acrescentei mentalmente. —Lembra de quando você estava caçando a Victoria no ano passado?—
—Sim—, ele fez uma careta. —Eu não fui muito bom nisso—.
—Alice disse que você estava no Texas. Você a seguiu até lá?—
As sobrancelhas dele se juntaram. —Sim. Hmm...—
—Veja - ela pode ter tido a ideia lá. Mas ela não sabe o que está fazendo, então os recém-nascidos estão fora de controle.
Ele começou a balançar a cabeça. —Somente Aro sabe como as visões de Alice funcionam—.
—Aro sabia melhor, mas será que Tanya e Irina e o resto dos seus amigos de Denali não sabiam o suficiente?—
—Laurent viveu com eles durante muito tempo. E ele ainda estava amigado o suficiente com Victoria pra fazer favores pra ela, porque ele também não podia ter dito a ela tudo o que sabia?—
Edward fez uma careta. —Não era Victoria no seu quarto—.
—Ela não pode fazer amigos novos? Pense nisso, Edward. Se for Victoria fazendo isso em Seattle, ela fez um monte de amigos novos. Ela os criou—.
Ele considerou isso, a testa dele enrugada de concentração.
—Hmm—, ele disse finalmente. —É possível. Eu ainda acho que é mais provável que sejam os Volturi... Mas a sua teoria - tem alguma coisa aí. A personalidade de Victória. A sua teoria combina perfeitamente com ela. Ela demonstrou um talento extraordinário por auto-preservação desde o início - talvez seja o dom dela. Em qualquer caso, esse plano não a colocaria me perigo com todos nós, se ela se sentasse seguramente nos fundos e deixasse que os recém-nascidos criassem um caos lá. E talvez pouco risco por parte dos Volturi também. Talvez ela esteja contando com que a gente ganhe, no final, apesar de que certamente isso não seria sem suas casualidades pra nós mesmo. Mas não haveriam sobreviventes em seu pequeno exército pra testemunhar contra ela. De fato—, ele continuou, pensando nisso, —se houvessem sobreviventes, eu aposto que ela mesma está planejando destruí-los... Hmm. Ainda assim, ela teria que ter pelo menos um amigo com mais maturidade. Nenhum recém-nascido fresco deixa o seu pai vivo...—
Ele fez uma careta para o espaço por um momento, e depois de repente ele sorriu pra mim, voltando de seu devaneio. —Definitivamente possível. De qualquer maneira, nós temos que estar preparados pra qualquer coisa até termos certeza. Você está muito perceptiva hoje—, ele adicionou. —É impressionante—.
Eu suspirei. —Talvez eu só esteja reagindo a esse lugar. Ele me faz sentir como se ela estivesse por perto... como se ela estivesse me vendo agora—.
Os músculos da mandíbula dele ficaram tensos com a ideia. —Ela nunca vai tocar você, Bella—, ele disse.
Apesar das palavras dele, seus olhos passaram cuidadosamente pelas árvores escuras. Enquanto ele vasculhava suas sombras, a expressão mais estranha passou pelo rosto dele. Ele puxou seus lábios pra cima de seus dentes e os olhos dele brilharam com uma luz estranha - uma esperança selvagem, feroz.
—Mesmo assim, o que eu não daria pra ter ela tão perto—, ele murmurou. —Victoria e qualquer outra pessoa que tenha pensado em machucar você. Ter a chance de acabar com isso eu mesmo. Acabar com isso com as minhas próprias mãos dessa vez—.
Eu estremeci com a vontade feroz na voz dele, e apertei os dedos dele com mais força entre os meus, desejando ser forte o suficiente pra fechar as nossas mãos juntas permanentemente.
Nós estávamos quase perto da família dele, e eu percebi pela primeira vez que Alice não parecia tão otimista quanto o resto deles. Ela estava um pouco de lado, observando Jasper esticar os braços como se estivesse se aquecendo pra um exercício, os lábios dela estavam fazendo biquinho.
—Há algo errado com Alice?—, eu sussurrei.
Edward gargalhou, era ele mesmo de novo. —Os lobisomens estão a caminho, então ela não pode ver o que vai acontecer agora. Ela fica desconfortável por estar cega—.
Alice, apesar de ser a mais distante de nós, ouviu a voz baixa dele. Ela olhou pra cima e mostrou a língua pra ele. Ele riu de novo.
—Ei, Edward—, Emmett saudou ele. —Ei, Bella. Ele vai deixar você praticar também?—
Edward rosnou pra o irmão dele. —Por favor, Emmett, não fique dando ideias a ela—.
—Quando os nossos convidados vão chegar?— Carlisle perguntou a Edward.
Edward se concentrou por um momento, e depois suspirou. —Um minuto e meio. Mas eu vou ter que traduzir. Eles não confiam em nós o suficiente pra usarem suas formas humanas—.
Carlisle balançou a cabeça. —É difícil pra eles. Eu estou grato por eles estarem todos vindo—.
Eu encarei Edward, meus olhos se abriram muito. —Eles vão vir como lobos?—
Ele balançou a cabeça, tomando cuidado com a minha reação.
Eu engoli uma vez, me lembrando das duas vezes que eu havia visto Jacob em sua forma de lobo - a primeira vez na clareira com Laurent, a segunda vez na estrada da floresta onde Paul ficou com raiva de mim... as duas eram memórias de terror.
Um brilho estranho apareceu nos olhos de Edward, como se alguma coisa tivesse acabado de ocorrer a ele, alguma coisa que não era nem um pouco agradável. Ele se virou rapidamente, antes que eu pudesse ver mais, de volta pra Carlisle e os outros.
—Preparem-se - eles estão esperando por nós—.
—O que você quer dizer?—, Alice quis saber.
—Shh—, ele precaveu, e olhou por cima dela para a escuridão.
O círculo informal dos Cullen se abriu de repente, formando uma linha solta, com Jasper e Emmett em cada ponta. Pelo jeito que Edward se inclinava pra frente ao meu lado, eu podia dizer que ele queria estar lá com eles. Eu apertei a minha mão na dele.
Eu olhei na direção da floresta, sem ver nada.
—Droga—, Emmett disse por baixo do fôlego. —Vocês já viram uma coisa como essas?—
Esme e Rosalie trocaram um olhar arregalado.
—O que é?—, eu sussurrei tão baixo quanto pude. —Eu não consigo ver—.
—O bando cresceu—, Edward murmurou no meu ouvido.
Eu não havia dito a ele que Quil havia se juntado ao bando? Eu me estiquei pra ver seis lobos na escuridão. Finalmente, alguma coisa brilhou no escuro - os olhos deles, mais altos do que deveriam ser. Eu tinha me esquecido do quanto os lobos eram altos. Como cavalos, só que mais grossos com os músculos e com os pêlos - e os dentes como facas, impossíveis de não ver.
Eu só podia ver os olhos. E enquanto eu procurava, me esforçando pra ver mais, me ocorreu que haviam mais de seis pares de olhos nos encarando. Um, dois, três... Eu contei os pares rapidamente na minha cabeça. O dobro.
Haviam dez deles.
—Fascinante—, Edward murmurou quase silenciosamente.
Carlisle seu um passo lento, deliberadamente para a frente. Foi um movimento cuidadoso, designado pra reassegurar.
—Bem vindos—, ele saudou os lobisomens invisíveis.
—Obrigado—, Edward respondeu num tom estranho, vazio, e eu me dei conta imediatamente que as palavras vinham de Sam. Eu olhei para os olhos brilhando no centro da linha, o mais à frente, o mais alto de todos eles. Era impossível separar o formato do grande lobo negro da escuridão.
Edward falou de novo com a mesma voz destacada, falando as palavras de Sam. —Nós vamos observar e escutar, mas nada mais. Isso é o máximo que vocês podem pedir do nosso auto-controle—.
—Isso é mais do que suficiente—, Carlisle respondeu. — Meu filho, Jasper— - ele fez um gesto pra onde Jasper estava, tenso e pronto -— tem experiência nessa área. Ele irá nos ensinar como eles lutam, como eles devem ser derrotados. Eu tenho certeza de que vocês podem continuar com o seu próprio estilo de caça—.
—Eles são diferentes de vocês?— Edward perguntou pra Sam.
Carlisle balançou a cabeça. —Eles são todos muito novos - têm apenas meses nessa vida. Crianças, de certa forma. Eles não terão habilidades e nem estratégia, apenas força bruta. Essa noite o número deles é de vinte. Dez pra nós, dez pra vocês - não deve ser difícil. Os números podem cair. Os novos brigam entre si—.
Um estrondo passou pela linha sombria dos lobos, uma baixo murmúrio de rosnados que de alguma forma parecia entusiasmado.
—Nós estamos dispostos a ter mais na nossa metade, se for necessário—, Edward traduziu. O tom dele agora estava indiferente.
Carlisle sorriu. —Nós veremos como as coisas vão—.
—Vocês sabem quando e como eles vão chegar?—
—Eles virão pelas montanhas daqui a quatro dias, tarde da manhã. Enquanto eles se aproximam, Alice nos ajudará a interceptar o caminho deles—.
—Obrigado pela informação. Nós vamos observar—.
Com um som de suspiro, os olhos foram mais pra perto do chão um de cada vez.
Tudo ficou em silêncio por duas batidas de coração, e aí Jasper deu um passo até o espaço vazio entre os vampiros e os lobos.
Não foi difícil pra mim ver ele - a pele dele era tão clara contra a escuridão quanto os olhos dos lobos. Jasper lançou um olhar cauteloso na direção de Edward, que balançou a cabeça, e aí Jasper virou suas costas para os lobisomens. Ele suspirou, claramente desconfortável.
—Carlisle está certo—, Jasper falou apenas pra nós; ele pareceu estar tentando ignorar a plateia atrás dele. —Eles irão lutar como crianças. As duas coisas mais importantes que vocês precisam lembrar são, primeiro, não deixem eles passaram os braços ao redor de vocês e, segundo, não tente matar de forma óbvia. É pra isso que eles estão preparados. Contanto que vocês os peguem pelos lados e continuem se movendo, eles ficaram confusos e responderão efetivamente. Emmett?—
Emmett saiu da linha com um enorme sorriso.
Jasper foi para a direção norte da abertura entre as duas linhas inimigas. Ele acenou que Emmett viesse pra frente.
—Ok, Emmett primeiro. Ele é o melhor exemplo de um ataque de recém-nascido—.
Os olhos de Emmett se estreitaram. —Eu vou tentar não quebrar nada—, ele murmurou.
Jasper riu maliciosamente. —O que eu quis dizer é que Emmett confia em sua força. Ele é muito ansioso em relação ao ataque. Os recém-nascidos também não vão tentar nada súbito. Vá com a forma de morte mais fácil, Emmett—.
Jasper retrocedeu mais alguns passos, o corpo dele ficando tenso.
—Ok, Emmett - tente me pegar—.
Eu não consegui mais ver Jasper - ele era como um vulto enquanto Emmett partiu pra cima dele como um urso, sorrindo enquanto rosnava. Emmett era impossivelmente rápido também, mas não como Jasper. Não parecia que Jasper tinha mais substância do que um fantasma - toda vez que parecia que as mãos de Emmett tinham agarrado ele com certeza, os dedos de Emmett apertavam nada além de ar. Ao meu lado, Edward se inclinou pra frente atentamente, os olhos dele presos na luta. Aí Emmett congelou.
Jasper agarrou ele por trás, com os dentes a apenas alguns centímetros de seu pescoço.
Emmett xingou.
Houve um rosnado de apreciação entre os lobos que estavam assistindo.
—De novo—, Emmett insistiu, o sorriso dele tinha desaparecido.
—É a minha vez—, Edward protestou. Os meus dedos ficaram tensos ao redor dos dele.
—Em um minuto—, Jasper sorriu, dando um passo pra trás. —Primeiro eu quero mostrar uma coisa pra Bella—.
Eu observei com olhos ansiosos enquanto ele fazia um gesto pra Alice se aproximar.
—Eu sei que você se preocupa com ela—, ele explicou enquanto ela dançava despreocupadamente na arena. —Eu quero te mostrar porque isso não é necessário—.
Apesar de eu saber que Jasper jamais permitiria que alguma coisa machucasse Alice, ainda assim era difícil olhar enquanto ele entrava em posição novamente encarando ela. Alice ficou imóvel, parecendo uma bonequinha depois de Emmett, sorrindo pra si mesma. Jasper se moveu pra frente, e aí escorregou pela esquerda dela.
Alice fechou os olhos.
O meu coração batia descompassadamente enquanto Jasper investia na direção de Alice.
Jasper saltou, desaparecendo. De repente, ele estava do outro lado de Alice. Ela nem parecia ter se movido.
Jasper se virou e se lançou pra cima dela novamente, só pra cair em um espaço atrás dela como da primeira vez; todo o tempo Alice ficou sorrindo com os olhos fechados.
Eu observei Alice mais cuidadosamente agora.
Ela estava se movendo - só que eu estava perdendo isso, distraída pelos ataques de Jasper. Ela deu um passo pra frente no exato momento em que o corpo de Jasper passava voando pelo lugar onde ela havia acabado de estar. Ela deu outro passo, enquanto as mãos de Jasper agarravam o ar no lugar onde a cintura dela havia estado.
Jasper fechou o espaço, e Alice começou a se mover mais rápido. Ela estava dançando - fazendo espirais e rodopiando e se curvando em sí mesma. Jasper era o seu parceiro, se lançando, alcançando os padrões graciosos dela, sem nunca tocá-la, como se todos os momentos fossem coreografados. Finalmente, Alice riu.
Do nada, ela estava agarrada nas costas de Jasper, com os lábios no pescoço dele.
—Te peguei—, ela disse, e beijou a garganta dele.
Jasper gargalhou, balançando a cabeça. —Você realmente é um monstrinho assustador—.
Os lobos murmuraram de novo. Dessa vez o som era cauteloso.
—Isso é bom pra eles aprenderem a ter algum respeito—, Edward murmurou, divertido. Aí ele falou mais alto, —Minha vez.—
Ele apertou minha mão antes de soltá-la.
Alice veio tomar o lugar dele ao meu lado. —Legal, hein?—, ela me perguntou presumidamente.
—Muito—, eu concordei, sem tirar os olhos de Edward enquanto ele se movia sem nenhum ruído em direção a Jasper, os movimentos dele eram leves e observadores como os de um gato selvagem.
—Eu estou de olho em você, Bella—, ela sussurrou de repente, a voz dela estava tão baixa que eu mal consegui ouvir, apesar dos lábios dela estarem no meu ouvido.
O meu olhar passou pra ela e depois voltou pra Edward. Ele estava atento em Jasper, os dois estavam se encarando enquanto ele fechava a distância.
A expressão de Alice estava cheia de repreensão.
—Eu vou avisar ele se os seus planos ficarem mais definidos—, ela ameaçou com o mesmo murmúrio baixo. —Não vai ajudar em nada se você se colocar em perigo. Você acha que algum deles desistiria se você morresse? Eles ainda iriam lutar, todos nós iríamos. Você não pode mudar nada, então, seja boazinha, tudo bem?—
Eu fiz uma careta, tentando ignorar ela.
—Eu estou de olho—, ela repetiu.
Edward havia fechado o espaço de Jasper agora, e essa luta era mais justa do que as outras. Jasper tinha um século de experiência pra guiá-lo, e ele tentava se guiar apenas nos instintos sempre que podia, mas os pensamentos dele sempre o traíam uma fração de segundo antes que ele agisse. Edward era um pouco mais rápido, mas os movimentos que Jasper usava eram desconhecidos pra ele. Eles vinham pra cima um do outro de novo e de novo, nenhum dos dois conseguia ganhar vantagem, rosnados instintivos surgiam o tempo inteiro. Era difícil de assistir, mas ainda mais difícil de desviar o olhar.
Eles se moviam rápido demais pra que eu pudesse entender o que estava acontecendo. De vez em quando, os olhos afiados dos lobos chamavam a minha atenção. Eu tinha a sensação de que os lobos estavam vendo mais disso do que eu - talvez mais do que eles deviam.
Eventualmente, Carlisle limpou sua garganta.
Jasper riu e deu um passo pra trás. Edward ficou ereto e sorriu pra ele.
—De volta ao trabalho—, Jasper consentiu. —Todos nós vão ter uma chance—.
Todo mundo teve uma vez, Carlisle, depois Rosalie, Esme, e Emmett de novo. Eu pisquei através dos meus cílios, me encolhendo quando Jasper atacou Esme. Esse foi o mais difícil de observar. Aí ele diminuiu a velocidade, ainda não o suficiente pra que eu visse seus movimentos, e deu mais instruções.
—Vocês vêem o que eu estou fazendo aqui?—, ele perguntava. —Sim, exatamente assim—, ele encorajava. —Se concentrem nos lados. Não se esqueçam de qual será o alvo deles. Continuem se movendo—.
Edward estava sempre concentrado, observando e também ouvindo o que os outros não podiam ver.
Ficou mais difícil de observar quando os meus olhos ficaram mais pesados. De qualquer forma, eu não estive dormindo bem ultimamente, e já estavam se aproximando umas sólidas vinte e quatro horas desde que eu havia dormido pela última vez. Eu me inclinei no lado de Edward, e deixei as minhas pálpebras escorregarem.
—Estamos quase acabando—, ele sussurrou.
Jasper confirmou isso, se virando na direção dos lobos pela primeira vez, com uma expressão desconfortável de novo. —Nós estaremos fazendo isso amanhã. Por favor sintam-se a vontade de observar de novo—.
—Sim— Edward respondeu com a voz tranquila de Sam. —Nós estaremos aqui—.
Aí Edward suspirou, deu um tapinha no meu braço, e se afastou de mim. Ele se virou para a família dele.
—O bando acha que ajudaria se eles fossem familiares com cada um dos nossos cheiros - pra que eles não cometam erros mais tarde. Se nós pudéssemos ficar bem imóveis, isso facilitaria pra eles—.
—Certamente—, Carlisle disse pra Sam. —O que vocês precisarem—.
Houve um rosnado obscuro, gutural do bando de lobos enquanto eles se colocavam de pé.
Os meus olhos ficaram arregalados de novo, a exaustão estava esquecida.
A escuridão profunda da noite estava começando a desaparecer - o sol estava clareando as nuvens, apesar de que ele ainda não havia clareado o horizonte, longe do outro lado da montanha. Enquanto eles se aproximavam, foi possível de repente diferenciar as formas... as cores.
Sam estava no comando, é claro. Inacreditavelmente enorme, tão escuro quanto a meia-noite, um monstro saído direto dos meus pesadelos - literalmente; depois da primeira vez que eu vi Sam e os outros na clareira, eles foram as estrelas principais dos meus pesadelos mais de uma vez.
Agora que eu podia ver todos eles, combinando o tamanho com cara par de olhos, eles pareciam ser mais de dez. O bando era assustador.
Pelo canto do meu olho, eu vi Edward me observando, avaliando cuidadosamente a minha reação.
Sam se aproximou de Carlisle de onde ele estava na frente, o enorme bando estava bem no rabo dele. Jasper enrijeceu, mas Emmett, no outro lado de Carlisle, estava sorrindo e relaxado.
Sam cheirou Carlisle, parecendo estremecer um pouquinho quando o fazia. Aí ele passou pra Jasper.
Os meus olhos correram pela linha cautelosa dos lobos. Eu tinha certeza que podia identificar suas novas adições. Havia um lobo cinza claro que era muito menor que os outros, os pelos na sua nuca se ergueram de desgosto. Havia outro, com cor de areia do deserto, que parecia desengonçado e descoordenado ao lado dos outros.
Um pequeno choramingo escapou do controle do lobo cor de areia quando o avanço de Sam o deixou isolado entre Carlisle e Jasper.
Eu parei no lobo que estava bem atrás de Sam. O pelo dele era marrom-avermelhado e mais longo que os dos outros, mas desarrumado em comparação. Ele era quase tão alto quanto Sam, o segundo maior no grupo. A postura dele era casual, de alguma forma demonstrando indiferença ao que para os outros parecia ser uma provação.
O enorme lobo com pêlo ruivo pareceu sentir o meu olhar, e olhou pra mim com familiares olhos pretos.
Eu o encarei de volta, tentando acreditar no que eu já sabia. Eu podia sentir a maravilha e a fascinação no meu rosto.
A boca do lobo se abriu, mostrando seus dentes. Teriam sido uma expressão assustadora, exceto por a língua dele ter rolado pra fora num sorriso de lobo.
Eu gargalhei.
O sorriso de Jacob aumentou em cima de seus dentes afiados. Ele abandonou seu lugar na fila, ignorando os olhos do bando enquanto eles o seguiam. Ele passou por Edward e por Alice pra ficar a menos de dois metros de distância de mim. Ela parou lá, o olhar dele passando brevemente pra Edward.
Edward ficou imóvel, uma estátua, os olhos dele observando a minha reação.
Jacob se inclinou nas patas da frente e deixou a cabeça cair até que ela não estava mais alta do que a minha, olhando pra mim, medindo a minha reação tanto quanto Edward.
—Jacob?—, eu respirei.
A resposta foi um estrondo no fundo do peito dele que pareceu ser uma gargalhada.
Eu levantei a minha mão, meus dedos tremendo um pouco, e toquei o pêlo marrom-avermelhado no lado do rosto dele.
Os olhos pretos se fecharam, e Jacob inclinou sua enorme cabeça na minha mão. Um zumbido trovejante ressoou na garganta dele.
O pêlo era macio e áspero, e quente na minha mão. Eu passei os meus dedos por ele com curiosidade, sentindo a textura, alisando o seu pescoço, onde a textura se aprofundava. Eu não tinha me dado conta do quanto havíamos nos aproximado; sem aviso, Jacob lambeu o meu rosto de repente desde o queixo até a linha do cabelo.
—Eca! Que nojo, Jake!— eu reclamei, pulando pra trás e batendo nele, exatamente como eu teria feito se ele fosse humano. Ele desviou do caminho, e o latido tossido saiu por entre os dentes dele obviamente era um riso.
Eu limpei o meu rosto com a manga da minha camisa, incapaz de evitar rir dele.
Nesse ponto eu me dei conta de que estavam todos olhando pra nós, os Cullen e os lobisomens - os Cullen com expressões perplexas eu um pouco enojadas. Era difícil ver as expressões dos lobos. Eu achei que Sam não parecia feliz.
E depois havia Edward, nervoso e claramente desapontado. Eu me dei conta de que ele esperava outra reação da minha parte. Como gritar ou sair correndo aterrorizada.
Jacob fez o som de risada de novo.
Os lobos estavam se afastando agora, sem tirar os olhos dos Cullen enquanto iam embora. Jacob ficou ao meu lado, observando eles irem embora. Em breve, eles desapareceram na floresta escura. Apenas dois hesitaram perto das árvores, observando Jacob, suas posturas irradiando ansiedade.
Edward suspirou e - ignorando Jacob - veio ficar ao meu lado, pegando a minha mão.
—Pronta pra ir?—, ele me perguntou.
Antes que eu pudesse responder, ele estava olhando por cima de mim pra Jacob.
—Eu ainda não entendi os detalhes—, ele disse, respondendo à pergunta nos pensamentos de Jacob.
O Jacob - lobo rosnou solenemente.
—É mais complicado que isso—, Edward disse. —Não se preocupe; eu vou ter certeza de que é seguro—.
—Do que vocês estão falando?—, eu quis saber.
—Nós estamos discutindo a estratégia—, Edward disse.
A cabeça de Jacob se mexeu pra frente e pra trás, olhando os nossos rostos. Então, de repente, ele saiu correndo para a floresta. Enquanto ele ia embora, eu reparei pela primeira vez em um quadrado de tecido preto dobrado amarrado na sua perna de trás.
—Espere—, eu chamei, levantando uma mão automaticamente pra alcançá-lo. Mas ele desapareceu nas árvores em três segundos, com os outros dois lobos acompanhando.
—Porque ele foi embora?—, eu perguntei, magoada.
—Ele vai voltar—, Edward respondeu. Ele suspirou. —Ele quer ser capaz de falar ele mesmo com você—.
Eu observei a beira da floresta por onde Jacob havia desaparecido, me inclinando no lado de Edward. Eu estava a ponto de ter um colapso, mas eu estava lutando.
Jacob apareceu de novo, dessa vez sobre duas pernas.
O peito largo dele estava nu, seu cabelo estava encaracolado e desalinhado. Ele usava um par de calças de moletom, seus pés estavam descalços no chão frio. Agora ele estava sozinho, mas eu suspeitava que os amigos dele permaneciam nas árvores, invisíveis.
Ele não levou muito tempo pra cruzar o campo, apesar dele ter dado um longo olhar para os Cullen, que estavam silenciosamente em um círculo frouxo.
—Ok, sugador de sangue—, Jacob disse quando estava a alguns metros de nós, evidentemente continuando a conversa que eu havia perdido. —O que há de tão complicado nisso?—
—Eu tenho que considerar todas as possibilidades—, Edward disse, sem se deixar abalar. —E se alguém for machucado por você?—
Jacob bufou com a ideia. —Tudo bem, então deixe ela na reserva. Nós vamos fazer Collin e Brady ficar pra trás mesmo. Ela vai ficar mais segura lá—.
Eu fiz uma carranca. —Vocês estão falando sobre mim?—
—Eu só quero saber o que ele planeja fazer com você durante a luta—, Jacob explicou.
—Fazer comigo?—
—Você não pode ficar em Forks, Bella—, a voz de Edward era apaziguadora. —Lá eles sabem onde te procurar. E se alguém passasse por nós?—
O meu estômago caiu e o sangue foi drenado do meu rosto. —Charlie?—, eu ofeguei.
—Ele vai ficar com Billy—, Jacob me assegurou rapidamente. —Se o meu pai tiver que cometer um assassinato pra levá-lo até lá, ele vai fazer isso. Isso tudo provavelmente não será necessário. É sábado, certo? Há um jogo—.
—Esse sábado?—, eu perguntei, minha cabeça girando. Eu estava com a cabeça leve demais pra controlar os meus pensamentos selvagemente randômicos. Eu fiz uma careta pra Edward. —Bem, que droga! Lá se vai o meu presente de formatura—.
Edward riu. —É o pensamento que conta—, ele me lembrou. —Você pode dar as entradas a outra pessoa—.
A inspiração me veio rapidamente. —Ângela e Ben—, eu decidi imediatamente. —Pelo menos isso vai tirá-los da cidade—.
Ele tocou minha bochecha. —Você não pode evacuar todo mundo—, ele disse com uma voz gentil.
—Te esconder é só uma precaução. Eu te disse - agora nós não teremos problemas. Não haverão suficiente deles pra nos manter entretidos—.
—Mas e quanto a deixar ela em La Push?—, Jacob interrompeu, impaciente.
—Ela ficou pra lá e pra cá demais—, Edward disse. —Ela deixou trilhas pelo lugar todo. Alice só vê vampiros muito jovens vindo para a caçada, mas obviamente alguém os criou. Há alguém mais experiente por trás disso. Quem quer que ele— - Edward parou pra olhar pra mim - —ou ela seja, essa poderia ser uma distração. Alice vai ver se ele decidir vir olhar por contra própria, mas nós estaremos muito, muito ocupados na hora que a decisão for tomada. Talvez alguém esteja contando com isso. Ela não posso deixá-la em alguém lugar onde ela esteve frequentemente. Ela tem que ser difícil de achar, só na dúvida. É uma chance pequena, mas eu não vou contar com a sorte—.
Eu olhei pra Edward enquanto ele explicava, com a minha testa enrugando. Ele deu um tapinha no meu braço.
—Só sendo muito cuidadoso—, ele prometeu.
Jacob fez um gesto para a floresta profunda à leste de nós, para a vasta expansão das Montanhas Olímpicas.
—Então esconda ela lá—, ele sugeriu. —Existe um milhão de possibilidades - lugares onde tanto você quanto eu poderemos estar em apenas alguns minutos, se ela precisar—.
Edward balançou a cabeça. —O cheiro dela é forte demais e, combinado com o meu, é especialmente distinto. Mesmo se eu levasse ela, isso deixaria uma trilha. Nossa trilha é fora de alcance, mas em conjunção com o cheiro de Bella, chamaria a atenção deles. Nós não temos certeza absoluta de que caminho eles vão tomar, porque eles não sabem disso ainda. Se eles sentissem o cheiro dela antes de nos encontrarem...—
Os dois fizeram caretas ao mesmo tempo, suas sobrancelhas ficando juntas.
—Você entende as dificuldades—.
—Deve haver um jeito de fazer isso funcionar—, Jacob murmurou. Ele olhou na direção da floresta, torcendo os lábios.
Eu me desequilibrei nos meus pés. Edward passou seu braço pela minha cintura, me trazendo mais pra perto e sustentando o meu peso.
—Eu preciso te levar pra casa - você está exausta. E Charlie vai se acordar logo...—
—Espere um segundo—, Jacob disse, se virando de volta pra nós, com os olhos brilhando. —O meu cheiro te incomoda, certo?—
—Hmm, nada mal—, Edward já estava dois passos à frente. —É possível—. Ele se virou em direção a sua família. —Jasper?—, ele chamou.
Jasper olhou pra cima curiosamente. Ele veio até nós com Alice meio passo atrás. O rosto dela estava frustrado de novo.
—Ok, Jacob—, Edward balançou a cabeça pra ele.
Jacob se virou pra mim com uma estranha mistura de emoções no rosto. Ele claramente estava excitado por qualquer que fosse o plano dele, mas também ainda estava um pouco intranquilo por ter seus inimigos tão próximos como aliados. E foi minha vez de ser cautelosa quando ele ergueu os braços na minha direção.
Edward respirou fundo.
—Nós vamos ver se conseguimos confundir suficientemente o cheiro pra esconder a sua trilha—, Jacob explicou.
Eu olhei para os braços abertos dele suspeitosamente.
—Você vai ter que deixar ele te carregar, Bella—, Edward me disse. A voz dele estava calma, mas eu conseguia ouvir o desgosto escondido.
Eu fiz uma careta.
Jacob revirou os olhos, impaciente, e se abaixou pra me agarrar nos seus braços.
—Não seja tão infantil—, ele murmurou.
Mas os olhos dele passaram pra Edward, assim como os meus. O rosto de Edward estava composto e suave. Ele falou com Jasper.
—O cheiro de Bella é muito mais potente pra mim - eu pensei que seria um testa mais justo se outra pessoa tentasse—.
Jacob deu as costas pra eles e se embrenhou rapidamente na floresta. Eu não disse nada enquanto a escuridão se fechava ao nosso redor. Eu estava fazendo biquinho, desconfortável nos braços de Jacob. Ele parecia íntimo demais de mim - certamente ele não precisava me segurar tão apertado - eu não podia deixar de me perguntar como ele se sentia com isso.
Isso me lembrou da minha última tarde em La Push, e eu não queria lembrar daquilo. Eu cruzei os meus braços, aborrecida quando a tipóia no meu braço intensificou a memória.
Nós não fomos muito longe; ele fez uma volta larga e voltou para a clareira por uma direção diferente, talvez meio campo de futebol de distância do ponto de partida original. Edward estava lá sozinho e Jacob foi em direção a ele.
—Você pode me colocar no chão agora—.
—Eu não quero ter uma chance de arruinar a experiência— Ele caminhou mais devagar e os braços dele se apertaram.
—Você é tão chato—, eu murmurei.
—Obrigado—.
Do nada, Alice e Jasper estavam de pé ao lado de Edward. Jacob deu mais um passo, e me colocou no chão à uma meia dúzia de pés de distância de Edward. Sem olhar de volta pra Jacob, eu caminhei para o lado de Edward e peguei a mão dele.
—Bem?—, eu perguntei.
—Contanto que você não toque nada, Bella, eu não posso imaginar como alguém poderia colocar o nariz perto o suficiente da trilha pra sentir o seu cheiro—, Jasper disse, fazendo uma careta. —Ele está quase completamente obscurecido—.
—Um sucesso definitivo—, Alice concordou, torcendo o nariz.
—E isso me deu uma ideia—
—Que vai dar certo—, Alice acrescentou confiantemente.
—Inteligente—, Edward concordou.
—Como você aguenta isso?—, Jacob murmurou pra mim.
Edward ignorou Jacob e olhou pra mim enquanto explicava. —Nós vamos - bem, você vai - deixar um trilha falsa até a clareira, Bella. Os recém-nascidos estão caçando, o seu cheiro vai deixá-los excitados, e eles virão exatamente por onde nós queremos que eles venham sem que tenhamos que ser cuidadosos sobre isso. Alice já pode ver que isso vai funcionar. Quando eles sentirem o nosso cheiro, eles vão se separar e tentar nos cercar pelos dois lados. A metade irá para a floresta, onde as visões dela desaparecem de repente...—
—Sim!—, Jacob assobiou.
Edward sorriu pra ele, um sorriso de verdadeira camaradagem.
Eu me senti doente. Como eles podiam estar tão ansiosos com isso?
Como eu aguentaria ter ambos em perigo? Eu não podia.
Eu não iria.
—Sem chance—, Edward disse de repente, com a voz enojada. Isso me fez pular, me preocupando que ele de alguma forma tivesse ouvido a minha resolução, mas os olhos dele estavam em Jasper.
—Eu sei, eu sei—, Jasper disse rapidamente. —Eu nem considerei isso, na verdade—.
Alice pisou no pé dele.
—Se Bella estivesse de verdade na clareira—, Jasper explicou pra ela, —Isso os deixaria loucos. Eles não seriam capazes de se concentrar em nada além dela. Isso deixaria bem fácil acabarmos com eles...—
O olhar de Edward fez Jasper dar pra trás.
—É claro que é perigoso demais pra ela. Foi só um pensamento à toa—, ele disse rapidamente. Mas ele olhou pra mim pelo canto dos seus olhos, e o olhar era saudoso.
—Não—, Edward disse. A voz dele ecoava com finalidade.
—Você está certo—, Jasper disse, pegando a mão de Alice e voltando pra junto dos outros. —Vamos fazer um melhor de três?—, eu ouvi ele perguntando a ela enquanto eles iam treinar de novo.
Jacob encarou ele com desgosto.
—Jasper olha para as coisas por uma perspectiva militar—, Edward defendeu seu irmão baixinho. —Ele olha pra todas as opções - é eficácia, não insensibilidade—.
Jacob bufou.
Ele havia se inclinado mais pra perto inconscientemente, mergulhado em sua absorção pelos planejamentos. Agora ele estava a apenas três pés de Edward, e, estando entre eles dois, eu podia sentir a tensão física no ar. Era como estática, uma carga desconfortável.
Edward voltou aos negócios. —Eu vou trazê-la aqui a Sexta à tarde pra espalhar a trilha falsa. Você pode nos encontrar depois, e eu vou levá-la a um lugar que eu conheço. Completamente fora do caminho e facilmente defensível, não que nós cheguemos a isso. Eu vo pegar outra rota daqui—.
—E depois o quê? Deixar ela com um celular?—, Jacob perguntou criticamente.
—Você tem uma ideia melhor?—
Jacob ficou presumido de repente. —Na verdade, eu tenho—.
—Oh... De novo, cachorro, nada mal—.
Jacob se virou rapidamente pra mim, como se estivesse determinado a bancar o cara bonzinho por me passar a conversa. —Nós tentamos convencer Seth a ficar pra trás com os dois mais jovens. Ele ainda é novo demais, mas ele é teimoso e está resistindo. Então eu pensei em uma tarefa nova pra ele - celular—.
Eu tentei parecer que estava entendendo. Não enganei ninguém.
—Contanto que Seth Clearwater permaneça em sua forma de lobo, ele fica conectado ao bando—, Edward disse. —Distância é um problema?—, ele acrescentou, se virando pra Jacob.
—Não—
—Trezentas milhas?—, Edward perguntou. —Isso é impressionante—.
Jacob foi o cara bonzinho de novo. —Isso é o mais longe que nós já experimentamos—, ele me disse. —Claro como um sino—.
Eu balancei a cabeça ausentemente; eu estava me revirando com a ideia de que Seth Clearwater já era um lobisomem também, e isso dificultou a minha concentração. Eu podia ver o seu sorriso brilhante, tão mais jovem que Jacob na minha cabeça; ele não podia ter mais de quinze anos, se é que ele tinha isso. O entusiasmo dele no encontro do conselho na fogueira tomou um significado de repente...
—Essa é um boa ideia—, Edward pareceu relutante em admitir. —Eu vou me sentir melhor com Seth lá, mesmo sem comunicação instantânea. Eu não sei se eu seria capaz de deixar Bella lá sozinha. No entanto, pensar nisso! Confiar em lobisomens!—
—Lutando com vampiros ao invés de contra eles!—, Jacob imitou o tom de desgosto de Edward.
—Bem , você ainda vai conseguir lutar contra alguns deles—, Edward disse.
Jacob sorriu.
— Essa é a razão pela qual estamos aqui.

4 comentários:

  1. Jake lindo! PFT!!!!casa cmg!!!!!!!!!! Obrigada Ka!seu site me ajudou muito! :*

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    1. Kah salva vidas diariamente,já pode colocar isso no seu curriculo 😂

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    2. kkkkkkkk adorei essa, Mah <3 (vc é a Mah Pierin, né? Ou tem outra por aí? o.O)

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    3. Receio que tenha outra (isso acontece quando se pesquisa o próprio nome no google) mas sou eu sim 😂 e é vdd, nós te adoramos como se fosse uma deusa grega( ou romana, ou egipcia, ou nórdica ou[...]).

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