23 de setembro de 2015

Capítulo 17 - O jogo

Estava apenas começando a chuviscar quando Edward virou na rua. Até esse momento, eu não tinha dúvidas de que Edward ficaria comigo enquanto eu passava algumas horas no mundo real.
Foi aí que eu vi o carro preto, um Ford velho, parado na entrada de Charlie, e eu ouvi Edward murmurar algo impossível de ouvir numa voz baixa, áspera.
Tentando ficar fora da chuva no pequeno portal de entrada, estava Jacob Black, atrás da cadeira de rodas do seu pai. O rosto de Billy estava impassível enquanto Edward estacionava a caminhonete no meio fio. Jacob olhou pra baixo, seu rosto estava mortificado.
A voz baixa de Edward estava furiosa.
— Isso já foi longe demais.
— Será que ele veio dizer alguma coisa pra Charlie? — Adivinhei, mais horrorizada do que com raiva.
Edward só afirmou com a cabeça, ele respondia ao olhar de Billy com olhos estreitos.
Me senti fraca de alívio por Charlie ainda não estar em casa.
— Me deixe cuidar disso. — Sugeri.
O olhar negro de Edward me deixou ansiosa.
Para minha surpresa, ele concordou.
— Isso provavelmente é o melhor. Contudo, tome cuidado. A criança não sabe de nada.
Eu me senti um pouco estranha pela palavra criança.
— Jacob não é muito mais novo que eu. — Lembrei ele.
Ele olhou pra mim, sua raiva estava sumindo abruptamente.
— Oh, eu sei. — Ele me assegurou com um sorriso.
Suspirei e coloquei minha mão na maçaneta da porta.
— Leve eles pra dentro. — Ele instruiu. — Pra que eu possa ir embora. Eu estarei de volta no fim da tarde.
— Você quer levar minha caminhonete? — Ofereci enquanto pensava numa desculpa pra Charlie pra explicar a abstinência dela.
Ele revirou os olhos.
— Eu poderia ir pra casa andando e chagar mais rápido do que com essa caminhonete.
— Você não tem que ir embora. — Disse tristonha.
Ele sorriu da minha expressão.
— Na verdade, tenho sim. Assim que você se livrar deles. —Ele me jogou um olhar obscuro. — Você ainda tem que preparar Charlie pra conhecer seu novo namorado.
Ele sorriu abertamente, mostrando todos os dentes.
Eu gemi.
— Muito obrigada.
Ele deu aquele riso torto que eu adorava.
— Eu vou voltar logo. — Ele prometeu.
Seus olhos deram uma olhadinha para o portal de entrada, e então ele se inclinou suavemente e beijou a minha mandíbula. Meu coração começou a bater freneticamente, e eu, também, olhei em direção á porta. O olhar de Billy não estava mais impassível, e suas mãos estavam apertando os descansos de braço da sua cadeira.
— Logo. —Me estressei enquanto abria a porta e saia do carro.
Eu podia sentir os olhos dele nas minhas costas enquanto eu dava uma corridinha nos fracos raios de luz até a varanda.
— Oi, Billy. Ei, Jacob. — Saudei eles da forma mais alegre que consegui. — Charlie foi passar o dia fora, eu espero que vocês não estejam esperando há muito tempo.
— Não muito. — Billy disse num tom subjugado.
Seus olhos pretos eram penetrantes.
— Eu só queria trazer isso. Peixe frito do Harry Clearwater
Ele indicou um saco de papel marrom que estava no colo dele.
— Obrigada. — Disse, apesar de não ter ideia do que pudesse ser. — Porque vocês não entram por um minuto pra se secarem?
Fingi não perceber que ele estava me estudando intensamente enquanto eu abria a porta, e acenava pra que eles entrassem na minha frente.
— Aqui, me deixe pegar isso. — Me ofereci, fechando a porta.
Eu me permiti dar uma última olhada para Edward. Ele estava esperando, perfeitamente rígido, seus olhos estavam solenes.
— Você vai querer colocar isso na geladeira. —Billy disse enquanto me entregava o pacote. — É um dos peixes fritos do Criadouro do Harry, é o favorito de Charlie. A geladeira o mantém mais seco. —Ele levantou os ombros.
— Obrigada. —Repeti, mas dessa vez falando sério. — Eu já estava ficando sem variedades pra cozinhar peixe, e é capaz dele trazer mais hoje.
— Pescando de novo? — Um brilho súbito apareceu nos olhos de Billy. —No lugar de sempre? Talvez eu vá até lá pra ver ele.
—Não. — Menti rapidamente, meu rosto estava ficando duro. —Ele foi á algum lugar novo... Mas eu não tenho ideia de onde é.
Ele notou a mudança na minha expressão, isso o deixou pensativo.
— Jake. — Ele disse ainda me analisando. — Porque você não vai pegar a foto nova de Rebecca no carro? Eu vou deixar aqui pra Charlie também.
— Onde está? — Jacob perguntou, com uma voz sombria.
Eu olhei pra ele, mas ele estava olhando para o chão, suas sobrancelhas estavam juntas.
— Eu acho que vi na mala. — Billy disse. — Talvez você tenha que procurar um pouco.
Jacob saiu na chuva.
Billy e eu encaramos um ao outro em silêncio. Depois de alguns segundos, o silêncio começou a ficar incômodo, então eu me virei e fui para a cozinha. Podia ouvir o barulho que suas rodas faziam no chão enquanto ele me seguia.
Eu coloquei o pacote na prateleira lotada da geladeira, e me virei pra confrontá-lo. Seu rosto cheio de linhas profundas estava ilegível.
— Charlie vai demorar muito pra voltar. — Minha voz era quase rude.
Ele afirmou de novo com a cabeça, mas não disse nada.
— Obrigada de novo pelo peixe frito. —Repeti.
Ele continuou balançando a cabeça. Dei um suspiro e cruzei meus braços no peito. Ele pareceu pressentir que eu havia dado um fim á pequena conversa.
— Bella. — Ele começou, mas então hesitou.
Eu esperei.
— Bella, — ele disse de novo — Charlie é um dos meus melhores amigos.
— Sim.
Ele falou cada palavra cuidadosamente com sua voz estrondosa.
— Eu reparei que você tem passado algum tempo com um dos Cullen.
— Sim. — Repeti curtamente.
Seus olhos se estreitaram.
— Talvez não seja da minha conta, mas eu não acho que essa seja uma ideia muito boa.
— Você tem razão. — Concordei. — Não é da sua conta.
Ele ergueu uma das sobrancelhas cinzentas com o meu tom.
— Provavelmente você não sabe disso, mas os Cullen têm uma má reputação lá na aldeia.
— Na verdade, eu sabia disso. — Informei com uma voz dura.
Isso o surpreendeu.
— Mas a reputação não pode ser merecida, não é? Porque os Cullen nunca puseram o pé na sua aldeia, puseram? — Podia ver que a minha súbita lembrança do acordo que eles fizeram pegou ele de surpresa.
— Isso é verdade. — Ele disse, seus olhos estavam cuidadosos. — Você parece... Bem informada sobre os Cullen. Mais informada do que eu esperava.
Eu o encarei.
— Talvez até mais bem informada do que você.
Ele torceu seus lábios finos enquanto considerava isso.
— Pode ser. — Ele concordou, mas seus olhos eram astutos. — Será que Charlie está assim tão bem informado?
Ele encontrou o elo fraco da minha corrente.
— Charlie gosta muito dos Cullen. — Fugi.
Ele claramente entendeu minha evasão. Sua expressão estava insatisfeita, mas não estava surpresa.
— Não é da minha conta. — Ele disse. — Mas pode ser da de Charlie.
— De novo, isso é da minha conta, saber se é da conta de Charlie ou não, não é?
Eu fiquei me perguntando se ele teria compreendido a minha pergunta confusa enquanto eu lutava pra não dizer mais nada comprometedor. Mas ele pareceu compreender. Ele pensou nisso por um momento, enquanto a chuva que batia no telhado era o único barulho que quebrava o silêncio.
— Sim. —Ele finalmente disse. — Eu acho que isso é da sua conta, também.
Eu suspirei aliviada.
— Obrigada, Billy.
— Só pense no que você está fazendo, Bella. — Ele implorou.
— Tudo bem. — Concordei rapidamente.
Ele fez uma carranca.
— O que eu quis dizer foi não faça o que você está fazendo.
Eu olhei nos seus olhos, que estavam cheio de preocupação comigo, e não havia nada que eu pudesse dizer.
E então a porta bateu com força, me fazendo pular com o som.
— Não tem foto nenhuma no carro.
O tom de reclamação de Jacob nos alcançou antes dele. Os ombros da camisa dele estavam molhados, seu cabelo estava pingando quando ele entrou na cozinha.
— Hm. —Billy grunhiu, ficando imparcial de repente, virando a sua cadeira de rodas para olhar para o filho. — Eu acho que deixei em casa.
Jacob rolou os olhos dramaticamente.
— Ótimo.
— Bem, Bella, diga a Charlie, — ele parou antes de continuar — que nós viemos.
— Eu digo. — Murmurei.
Jacob pareceu surpreso.
— Nós já vamos?
— Charlie vai ficar fora até tarde. — Ele explicou enquanto passava na frente do filho.
— Oh. —Jacob pareceu desapontado. — Então, eu acho que a gente se vê depois, Bella.
— Claro. — Concordei.
— Se cuide. — Billy me avisou.
Eu não respondi.
Jacob ajudou seu pai a passar pela porta. Eu acenei brevemente, dando uma olhadinha para a minha caminhonete agora vazia, e então fechei a porta antes deles irem embora.
Fiquei no corredor um tempinho, ouvindo o som do carro deles dar a ré e ir embora.
Fiquei onde estava esperando que a irritação e a ansiedade desaparecessem. Quando a tensão diminuiu um pouco, eu subi e fui trocar de roupa. Experimentei duas blusas diferentes, sem ter certeza do que esperar para essa noite, o que acabou de acontecer havia se tornado um fato insignificante.
Agora que eu não estava mais sobre a influência de Edward e Jasper, eu comecei a sentir o nervosismo que não pude sentir antes.
Rapidamente desisti de procurar outra roupa, me vestindo com uma calça jeans e uma blusa de flanela, afinal, eu sabia que ia ficar de casaco a noite inteira mesmo.
O telefone tocou e eu corri lá pra baixo pra atender. Havia apenas uma voz que eu queria ouvir, qualquer outra coisa seria uma decepção. Mas eu sabia que se ele quisesse falar comigo, simplesmente ia se materializar no meu quarto.
— Alô? —Atendi sem fôlego.
— Bella? Sou eu. — Jéssica disse.
— Oh, oi, Jess. —Eu lutei por um momento pra voltar á realidade.
Pareceu que meses haviam se passado desde a última vez que eu falei com Jess.
— Como foi o baile?
— Foi tão divertido! — Jéssica tagarelou.
Sem precisar de mais convite que isso, ela começou a contar cada detalhe sobre a noite passada. Eu falei “mmm’s” e “ahhhh’s” nas horas certas, mas era difícil me concentrar. Jéssica, Mike, o baile, a escola, eles pareciam estranhamente irrelevantes no momento. Meus olhos ficavam olhando para a janela, tentando julgar o nível de luz que ainda havia por trás das nuvens.
— Você ouviu o que eu disse Bella? —Jéssica perguntou, irritada.
— Me desculpe o que?
— Eu disse que Mike me beijou você acredita?
—Isso é maravilhoso, Jess. — Disse.
— Então o que você fez ontem? — Jéssica me desafiou, ainda parecendo irritada pela minha falta de atenção.
Ou talvez ela só estivesse decepcionada porque eu não perguntei os detalhes.
— Nada, de verdade. Eu só saí um pouco para aproveitar o sol.
Ouvi o carro de Charlie na garagem.
— Você não teve notícias de Edward Cullen?
A porta bateu e eu pude ouvir Charlie perto da escada, guardando seu equipamento.
— Hummm. — Eu não tinha mais certeza de qual era a minha história.
— E aí, garota! — Charlie me chamou quando entrou na cozinha.
Jess ouviu a voz dele.
— Oh, seu pai está aí. Deixa pra lá, a gente se vê amanhã. Te vejo na aula de Trigonometria.
— Até mais, Jess. — Desliguei o telefone.
— Oi, pai. — Disse. Ele estava lavando as mãos na pia. — Onde está o peixe?
— Eu coloquei no freezer.
— Eu vou pegar um pouco antes que congele, Billy trouxe um pouco de peixe frito pra você essa tarde.
Eu me esforcei pra parecer entusiasmada.
— Ele trouxe? — Seus olhos se iluminaram. — É o meu favorito.
Charlie foi se limpar enquanto eu preparava o jantar. Não demorou muito até que estivéssemos na mesa, jantando em silêncio. Ele estava gostando da comida. Eu estava desesperadamente pensando numa forma de cumprir a minha tarefa, lutando pra encontrar uma maneira de tocar no assunto.
— O que você fez do seu dia? — Ele perguntou me tirando das minhas meditações.
— Bom essa tarde eu fiquei aqui em casa... Na verdade, só a parte mais recente da tarde. — Eu tentei manter minha voz animada, mas o meu estômago estava embrulhado. — E essa manhã eu estava na casa dos Cullen.
Charlie derrubou seu garfo.
— Na casa do Dr. Cullen? — Ele perguntou espantado.
Eu fingi não reparar na reação dele.
— É.
— O que você estava fazendo lá? —Ele não pegou mais o seu garfo.
— Bem, eu meio que tenho um encontro com Edward Cullen essa noite, então ele queria me apresentar aos seus pais... Pai?
Parecia que Charlie estava tendo um aneurisma.
— Você está saindo com Edward Cullen? — Sua voz parecia um trovão.
Uh-oh.
— Eu pensei que você gostasse dos Cullen.
— Ele é velho demais pra você. — Se alterou.
— Nós temos a mesma idade. — Corrigi, apesar dele estar mais certo do que imaginava.
— Espere... — Ele pausou. — Qual deles é Edwin?
— Edward é o mais novo, o que tem o cabelo castanho avermelhado. — O lindo, o que parece um deus...
— Oh, bem, isso é, — ele pelejou — melhor, eu acho. Eu não gosto do jeito daquele grandão. Eu tenho certeza de que ele é um bom rapaz, e tudo mais, mas ele parece... Maduro demais pra você. Esse Edwin é seu namorado?
— É Edward, pai.
— Ele é?
— Mais ou menos, eu acho.
— Noite passada você disse que não estava interessada em nenhum dos garotos da cidade. — Mas ele pegou o garfo, então eu sabia que o pior havia passado.
— Bem, Edward não mora na cidade, pai. — Ele me deu uma olhada assassina enquanto mastigava. — E, de qualquer forma, — eu continuei — é uma espécie de fase inicial, sabe. Não me envergonhe com aquele papo de namorado, está bem?
— Quando ele vai vir?
— Ele estará aqui em alguns minutos.
— Aonde ele vai te levar?
Eu gemi alto.
— Eu espero que você já esteja tirando a Inquisição Espanhola da sua cabeça agora. Nós vamos jogar baseball com a família dele.
O rosto dele se contraiu, e então ele finalmente deu uma gargalhada.
— Você vai jogar baseball?
— Bom, provavelmente eu vou ficar assistindo na maioria do tempo. — Ele observou cheio de suspeitas.
Eu revirei os meus olhos pra o bem dele. Ouvi o barulho de um motor encostando na frente de casa. Eu pulei da cadeira e comecei a limpar meus pratos.
— Deixe os pratos, eu os lavo hoje. Você me mima muito.
A campainha tocou, Charlie se levantou e foi atender. Eu estava meio passo atrás dele.
Não tinha me dado conta do quanto estava chovendo lá fora. Edward ficou na luz da varanda, parecendo um modelo de anúncios de casaco de chuva.
— Entre, Edward.
Eu respirei de alívio quando Charlie acertou o nome dele.
— Obrigado, Chefe Swan. — Ele disse com uma voz respeitosa.
— Vá em frente meu rapaz me chame de Charlie. Aqui, eu seguro seu casaco.
— Obrigado, senhor.
— Sente-se aqui, Edward.
Eu fiz uma careta. Edward se sentou fluidamente na única cadeira, me forçando a sentar com o Chefe Swan no sofá. Eu fiz uma cara feia pra ele. Ele deu uma piscada pra mim nas costas de Charlie.
— Então, eu ouvi dizer que você vai levar minha garotinha pra jogar baseball.
Só em Washington o fato de praticar esportes ao ar livre num dia chuvoso era algo normal.
— Sim, senhor, esse é o plano. — Ele não parecia surpreso pelo fato de eu ter dito a verdade para o meu pai. No entanto, ele pode ter estado escutando.
— Bem, mais poder pra você, eu acho.
Charlie sorriu, e Edward se juntou a ele.
— Tudo bem. — Disse ficando em pé. — Chega de piadas ás minhas custas. Vamos lá.
Eu caminhei de volta para o corredor colocando meu casaco. Eles me seguiram.
— Não volte tarde, Bells.
— Não se preocupe Charlie, eu vou trazê-la cedo. — Edward prometeu.
— Tome conta da minha garota, está bem?
Eu gemi, mas ele me ignorou.
— Ela estará segura, senhor, eu prometo.
Charlie não conseguiu duvidar das palavras de Edward, elas mostravam verdade em cada sílaba.
Eu saí. Os dois riram, Edward me seguiu.
Eu parei mortificada na varanda. Lá, atrás da minha caminhonete, havia um Jipe monstro. Os pneus dele eram mais altos que a minha cintura. Havia grades de metal sobre os faróis e os faróis de milha, e quatro grandes holofotes sobre as barras de proteção. O capô era de um vermelho brilhante.
Charlie assobiou baixinho.
— Usem seus cintos de segurança. — Ele se engasgou.
Edward seguiu para o meu lado e abriu a porta pra mim. Eu tomei uma pequena distância do banco e me preparei pra pular nele. Ele suspirou e me levantou com uma mão. Eu rezei pra que Charlie não tivesse reparado.
Enquanto ele ia para o lado do motorista com um passo normal, humano, eu tentei colocar o meu cinto de segurança, mas havia muitos engates.
— O que é tudo isso? — Perguntei quando ele abriu a porta.
—Uh-oh.
Tentei encontrar os engates certos para o cinto, mas não estava sendo muito rápida. Ele suspirou de novo, se inclinou e veio me ajudar. Estava contente porque a chuva estava forte o suficiente pra que eu não pudesse ver Charlie da varanda. Isso significava que ele não pôde ver como as mãos de Edward passava pelo meu pescoço, acariciaram meu colo. Desisti de tentar ajudar ele e me concentrei em não hiperventilar.
Edward virou a chave na ignição e o motor ligou. Ele começou a se afastar de casa.
— Esse é um... Hm... Jipe bem grande.
— É de Emmett. Eu não achei que você ia querer correr o caminho inteiro.
— Onde é que vocês guardam essa coisa?
— Nós remodelamos um dos prédios exteriores e transformamos numa garagem.
— Você não vai colocar o seu cinto de segurança?
Ele olhou pra mim sem acreditar. Então uma fichinha caiu.
— Correr o caminho inteiro? — Como se ainda fôssemos correr parte do caminho?
Minha voz caiu alguns oitavos. Ele sorriu.
—Você não vai correr.
—Eu vou ficar enjoada.
— Mantenha seus olhos fechados que tudo vai ficar bem.
Eu mordi meu lábio tentando lutar com o pânico.
Ele se inclinou para dar um beijo no topo da minha cabeça, e então gemeu. Olhei pra ele, confusa.
— Você cheira tão bem na chuva. —Ele explicou.
— De um jeito bom, ou de um jeito ruim? —Perguntei cuidadosamente.
— Dos dois, sempre dos dois.
Eu não sei como foi que ele conseguiu encontrar o caminho com a névoa e a chuva torrencial, mas de alguma forma ele achou um lado da estrada que era menos uma estrada e mais um trilha de montanha. Por um longo tempo conversar foi impossível, porque eu estava balançando pra cima e pra baixo que nem uma britadeira. No entanto, ele pareceu adorar o passeio, rindo o caminho inteiro.
Então, nós chegamos ao fim da estrada, as árvores formavam enormes paredes verdes em três lados do jipe. A chuva agora era um mero chuvisco, diminuindo a cada segundo, o céu estava cada vez mais claro por trás das nuvens.
— Desculpe Bella, teremos que ir a pé daqui.
— Sabe de uma coisa? Eu vou esperar você aqui.
— O que aconteceu com a sua coragem? Você foi extraordinária essa manhã.
— Eu não me esqueci da última vez.
Será possível que foi só ontem?
Ele estava no meu lado do carro num sopro. Ele começou a tirar o meu cinto.
— Eu tiro isso, você vai na frente. — Protestei.
— Hummm. —Ele zombou enquanto rapidamente terminava. — Parece que eu vou ter que mexer com a sua memória.
Antes que eu pudesse reagir, ele me tirou do jipe e colocou meus pés no chão. Mal estava nublado agora, Alice ia estar certa.
— Mexer com a minha memória? — Perguntei nervosamente.
— Algo assim.
Ele estava me olhando atentamente e cuidadosamente, mas havia humor no fundo dos seus olhos. Colocou suas mãos no jipe dos dois lados da minha cabeça e se inclinou pra frente, me forçando a encostar na porta. Ele se inclinou ainda mais perto, seu rosto a apenas alguns centímetros do meu. Eu não tinha espaço pra escapar.
— Agora, —ele sussurrou, e só o cheiro dele já atrapalhou o meu pensamento — o que exatamente está preocupando você?
— Bem, hm, bater em uma árvore. — Eu engoli seco — E morrer. E de depois ficar tonta.
Ele tentou não sorrir. Então ele baixou sua cabeça e encostou seus lábios frios suavemente na base da minha garganta.
—Você ainda está preocupada agora? — Ele falou na minha pele.
— Sim. — Eu lutei pra me concentrar. — De bater em árvores e ficar tonta.
Seu nariz desenhou uma linha que ia desde a base da minha garganta até a ponta do meu queixo. Sua respiração fria fez cócegas na minha pele.
— E agora? — Ele falou na minha mandíbula.
— Árvores. — Gaguejei. — Enjoo com o movimento.
Ele levantou seu rosto pra beijar minhas pálpebras.
— Bella, você não acredita que eu realmente bateria numa árvore, não é?
— Não, mas eu bateria.
Não havia confiança na minha voz. Ele sentiu o cheiro da vitória.
Ele beijou lentamente descendo na minha bochecha, parando no cantinho da minha boca.
— Eu deixaria uma árvore atingir você? — Ele mal encostou o meu lábio inferior que estava tremendo.
—Não. — Sussurrei.
Sabia que ainda havia um segundo pra defender a minha tese, mas eu não consegui continuar.
— Entenda, — ele disse com seus lábios se movendo contra os meus — não há nada a temer, há?
— Não. — Suspirei, desistindo.
Então ele segurou meu rosto com as duas mãos quase rudemente, e me beijou com zelo, seus lábios inflexíveis se movendo contra os meus.
Não há desculpa para o meu comportamento. Eu já devia saber mais que isso agora. E ainda assim eu não pude evitar reagir exatamente da mesma forma que reagi da primeira vez. Ao invés de ficar seguramente parada, eu lancei meus braços ao redor do pescoço dele, e de repente eu estava agarrada a essa estátua de pedra. Eu suspirei e meus lábios se separaram.
Ele deu um passou pra trás, se separando de mim sem esforço.
— Droga, Bella! —Ele se separou ofegante. — Você vai me matar, eu juro.
Eu me abaixei, segurando minhas mãos no joelho pra me apoiar.
— Você é indestrutível. — Murmurei, tentando recuperar o fôlego.
— Eu acreditava nisso antes de conhecer você. Agora vamos sair daqui antes que eu faça alguma coisa muito estúpida. — Ele grunhiu.
Me jogou nas costas dele como tinha feito antes, e eu podia ver o esforço extra que ele estava fazendo pra ser gentil. Eu apertei a cintura dele com as minhas pernas e tranquei meus braços ao redor do pescoço dele.
— Não se esqueça de fechar os olhos. — Ele avisou severamente.
Rapidamente coloquei meu rosto na curva do ombro dele, embaixo do meu próprio braço, e apertei meus olhos.
E eu mal podia dizer que estávamos nos movendo. Podia sentir ele se mexendo embaixo de mim, mas ele podia estar andando numa calçada, o movimento seria exatamente o mesmo. Eu estava tentada a dar uma espiadinha, pra ver se estávamos voando pela floresta como antes, mas resisti. Não valia a pena do enjoo. Me contentei em ouvir a respiração dele entrando e saindo uniformemente.
Eu não tinha certeza de que tínhamos parado, até que ele ergueu a mão e tocou meu cabelo.
— Acabou, Bella.
Ousei abrir meus olhos, e, não havia dúvidas, estávamos parados. Me soltei dele e escorreguei para o chão, caindo de costas.
— Oh! — Gemi quando bati no chão molhado.
Ele olhou pra mim sem acreditar, tentando decidir se ele ainda estava com raiva demais pra achar engraçado. Mas a minha expressão desnorteada acabou descontrolando ele, e ele começou a dar uma gargalhada que mais parecia um rugido.
Eu me levantei sozinha, ignorando ele enquanto limpava a sujeira e o capim do meu casaco. Isso só o fez rir ainda mais alto. Chateada, eu me virei e comecei a andar em direção á floresta.
Eu senti o braço dele na minha cintura.
— Pra onde você está indo, Bella?
— Assistir um jogo de baseball. Você não parece estar mais interessado em jogar, mas eu tenho certeza que os outros vão se divertir sem você.
— Você está indo para o lado errado.
Me virei sem olhar pra ele, e comecei a caminhar na direção contrária. Ele me pegou de novo.
— Não fique com raiva, eu não consegui evitar. Você devia ter visto sua cara. — Ele começou a rir antes que pudesse evitar.
— Oh, então você é o único que pode ficar com raiva? — Perguntei, erguendo minhas sobrancelhas.
— Eu não estava com raiva de você.
— “Bella, você vai me matar” — Citei.
— Isso foi só a constatação de um fato.
Eu tentei me separar dele de novo, mas ele me segurou depressa.
— Você estava com raiva. — Insisti.
— Sim.
— Mas você acabou de dizer que...
— Que eu não estava com raiva de você. Será que você não vê, Bella? — De repente ele estava intenso, todos os traços de zombaria desapareceram. — Será que você não entende?
—Vê o que? —Perguntei confusa pela mudança do tom das suas palavras.
— Eu nunca tenho raiva mesmo de você, como eu poderia? Você é tão brava e confiante, tão quente...
— Então por quê? — Suspirei, lembrando do mal humor que o afastava de mim, que eu sempre justifiquei como frustração bem justificada, frustração pelas minhas fraquezas, minha lentidão, minhas reações humanas desregradas...
Ele colocou suas duas mãos cuidadosamente dos dois lados do meu rosto.
— Eu fiquei furioso comigo mesmo. — Ele disse gentilmente. — Por eu não parecer ser capaz de te manter longe do perigo. Só a minha existência já põe você em risco. Às vezes eu realmente me odeio. Eu devia ser mais forte, eu devia ser capaz de...
Eu coloquei a minha mão na boca dele.
— Não.
Ele pegou minha mão, tirando ela da sua boca, mas colocando ela no seu rosto.
— Eu te amo. — Ele disse. — Essa é uma desculpa pobre para o que eu estou fazendo, mas é verdade.
Foi a primeira vez que ele disse que me amava, com todas as palavras. Ele pode não ter reparado, mas eu certamente percebi.
— Agora, por favor, tente se comportar. — Ele continuou, então ele se abaixou e esfregou seus lábios levemente nos meus.
Eu fiquei perfeitamente rígida. E então eu suspirei.
— Você prometeu ao Chefe Swan que me levaria pra casa cedo, lembra? É melhor irmos andando.
— Sim, senhora.
Ele sorriu tristonho e soltou uma das mãos, mas continuou me segurando com a outra. Me guiou pela avencas altas e molhadas, e pelos musgos pingando, ao redor de uma árvore gigantesca de cicuta, e lá estávamos nós, na beira de uma enorme campo aberto ás margens dos penhascos do Olímpico. Era duas vezes maior do que qualquer campo de baseball.
Eu podia ver todos os outros lá. Esme, Emmett, e Rosalie, sentados numa espécie de banco de pedra eram os mais próximos de nós, á cerca de cem metros de distância. Muito mais distante eu podia ver Alice e Jasper, que estavam a pelo menos duzentos e cinquenta metros de nós, aparentemente jogando alguma coisa pra trás e pra frente, mas eu nunca vi nenhuma bola.
Parecia que Carlisle estava marcando as bases, mas será que elas poderiam ser assim tão afastadas?
Quando nós aparecemos, os três que estavam na rocha se levantaram. Esme começou a vir na nossa direção. Emmett a seguiu depois de uma longa olhada para as costas de Rosalie. Rosalie havia se levantado graciosamente e foi andando para o campo sem nem sequer olhar na nossa direção. Meu estômago começou a mexer sem parar em resposta.
— Foi você que nós ouvimos Edward? — Esme perguntou enquanto se aproximava.
— Parecia um urso gargalhando. — Emmett esclareceu.
Eu sorri hesitantemente pra Esme.
— Foi ele.
— Bella foi, não intencionalmente, engraçada. — Edward explicou, rapidamente arrumando o placar.
Alice havia deixado a posição dela e vinha correndo, ou dançando, na nossa direção. Ela parou fluidamente perto de nós.
— Chegou a hora. — Anunciou.
Assim que ela terminou de falar, um trovão profundo se fez ouvir fazendo a floresta tremer, e então ele foi na direção da cidade.
— Melancólico, não é? — Emmett disse com uma familiaridade fácil, piscando pra mim.
— Vamos lá. — Alice agarrou a mão de Emmett e eles seguiram em direção ao campo gigante, ela corria como uma gazela.
Ele era quase tão gracioso e tão rápido, apesar de Emmett não poder ser comparado com uma gazela.
— Você está pronta pra ver um jogo? — Edward perguntou com seus olhos ansiosos, brilhando.
Eu tentei soar apropriadamente entusiasmada.
—Vai time!
Ele riu silenciosamente e, depois de assanhar meu cabelo, foi correndo atrás dos outros dois. A corrida dele foi mais agressiva, mais um leopardo do que uma gazela, e ele rapidamente alcançou os outros dois. A graça e o poder tiraram meu fôlego.
—Vamos descer? — Esme me perguntou com sua voz suave, melódica, e eu me dei conta de que estava olhando pra ele com a boca aberta.
Rapidamente refiz minha expressão e balancei a cabeça. Esme manteve alguns pés de distância entre nós, eu me perguntei se ela estava tomando cuidado pra não me assustar.
Ela combinou seus passos com os meus sem parecer se incomodar com a velocidade.
— Você não joga com eles? — Perguntei timidamente.
— Não, eu prefiro ser a juíza, gosto de mantê-los honestos. — Ela explicou.
— Então eles gostam de roubar?
— Oh sim, você devia ouvir os argumentos que eles inventam! Na verdade, eu preferia que você não ouvisse, eu não quero que você pense que eles foram criados por um bando de lobos.
— Você fala como a minha mãe. — Sorri surpresa.
Ela sorriu também.
— Bom, eu penso neles como meus filhos, de certas formas. Eu nunca superei meus instintos maternos, Edward te contou que eu perdi um filho?
— Não. — Murmurei atordoada, lutando pra entender a vida da qual ela estava tentando lembrar.
— Sim. Meu primeiro e único filho. Ele morreu apenas alguns dias depois do seu nascimento, o pobrezinho. — Ela suspirou. — Isso partiu meu coração, foi o motivo de eu ter pulado do abismo, sabe.
Ela disse como se estivesse atestando um fato.
— Edward disse que você c-caiu. — Gaguejei.
— Sempre um cavalheiro. — Ela sorriu. — Edward foi o primeiro dos meus novos filhos. Eu sempre pensei nele dessa forma, mesmo apesar dele ser mais velho que eu, de certa forma pelo menos. — Ela sorriu calorosamente pra mim. —É por isso que eu estou tão feliz que ele tenha encontrado você, querida. — A palavra saiu muito natural nos lábios dela. —  Ele foi o homem sozinho por muito tempo, e me machuca vê-lo sozinho.
— Então você não se incomoda? —Perguntei hesitante de novo. — Que eu seja... A pessoa errada pra ele?
— Não. – Ela estava pensativa. — É você que ele quer. Vai dar certo, de alguma maneira. — Ela disse, mas a testa dela se enrugou de preocupação.
Outro estrondo do trovão começou a ser ouvido.
Esme parou então, aparentemente nós havíamos alcançado a borda do campo. Parecia que eles tinham formado times. Edward estava no campo esquerdo, Carlisle ficou entre a primeira e a segunda base, e Alice segurava a bola, posicionada no lugar que aparentava ser o campo do arremessador.
Emmett estava balançando um bastão de alumínio, ele assobiava quase sem rastro no ar. Eu esperei que ele se aproximasse da área do batedor, mas eu percebi, quando ele começou a entrar em posição, que ele já estava lá, tão longe da área de arremesso que eu nem julgava possível. Jasper estava atrás dele, pegando a bola para o time adversário. É claro que nenhum deles estava usando luva.
—Tudo bem. —Esme chamou numa voz clara, que eu sabia que mesmo Edward ouviria, mesmo estando tão longe. — Podem começar.
Alice ficou rígida, enganosamente imóvel. O estilo dela parecia ser mais secreto que intimidante. Ela segurou a bola com as duas mãos na altura da cintura, e então, como o bote de uma cobra, a mão dela lançou a bola que foi parar na mão de Jasper.
— Isso foi um strike? —Sussurrei pra Esme.
— Se eles não conseguem rebater, é um strike. — Ela me disse.
Jasper atirou a bola de volta para a mão de Alice que já estava esperando. Ela se permitiu um breve sorriso. E então a mão dela deu um bote de novo.
Dessa vez, de alguma forma, o bastão se virou rápido o suficiente para bater na bola invisível. O impacto da bola foi perturbador, como um trovão, o som ecoou nas montanhas, imediatamente eu percebi porque eles precisavam da tempestade de trovões.
A bola saiu voando como um meteoro pelo campo, entrando nas profundezas da floresta.
—Home run. —Murmurei.
— Espere. — Esme avisou, ouvindo atentamente, uma mão levantada. Emmett corria como o vento pelas bases com Carlisle na cola dele. Eu me dei conta de que Edward tinha desaparecido.
—Fora! — Esme disse com uma voz clara.
Eu olhei sem acreditar quando Edward emergiu de dentro das árvores, a bola erguida na mão, seu sorriso largo era visível até pra mim.
— Emmett bate mais forte. — Esme explicou. — Mas Edward corre mais rápido.
O show continuou na frente dos meus olhos incrédulos. Era impossível acompanhar a velocidade com que a bola se movia o compasso com que seus corpos corriam no campo.
Eu descobri o outro motivo pelo qual eles precisavam da tempestade de trovões quando Jasper, tentando evitar o jogo infalível de Edward, jogou uma bola baixa na direção de Carlisle. Carlisle correu para pegar a bola, e Jasper correu para a primeira base. Quando eles colidiram, o som foi como duas montanhas de pedra se chocando. Eu pulei preocupada, mas de alguma forma, eles não estavam nem arranhados.
— Salvo. —Esme disse numa voz calma.
O time de Emmett estava ganhando por um ponto, Rosalie conseguiu voar pelas bases depois de despistar uma das corridas de Edward, mas então Edward pegou a terceira bola fora.
Ele veio para o meu lado, brilhando de excitação.
— O que você acha? —Ele perguntou.
— De uma coisa eu tenho certeza, eu nunca mais vou conseguir assistir outro jogo bobo da liga de Baseball de novo.
— Até parece que você faz muito isso. —Ele sorriu.
— Eu estou desapontada. —Zombei.
— Por quê? —Ele perguntou, confuso.
— Bem, seria legal encontrar pelo menos uma coisa que você não faça melhor do que qualquer outra pessoa no planeta.
Ele mostrou seu sorriso torto especial, me deixando sem ar.
— É minha vez. — Ele disse indo para a área do arremessador.
Ele jogou inteligentemente, jogando bolas baixas, fora do alcance das mãos sempre prontas de Rosalie, correndo duas bases como um raio antes que Emmett pudesse colocar a bola de volta no jogo. Carlisle conseguiu arremessar uma bola pra fora do campo que foi tão longe, com um estrondo tão alto que doeu nos meus ouvidos, que ele e Edward tiveram que ir atrás.
Alice trocou cumprimentos com os dois.
O placar mudou constantemente com o andar do jogo, e eles encrencavam uns aos outros como jogadores de rua quando um dos times estava na liderança. Ocasionalmente Esme pedia ordem. Os trovões continuaram, mas nós permanecemos secos, como Alice havia previsto.
Carlisle ia rebater, Edward ia pegar, quando Alice ficou ofegante. Meus olhos estavam em Edward, como sempre, e eu vi quando a cabeça dele levantou num estalo pra olhar pra ela. Seus olhos se encontraram e alguma coisa passou entre eles num instante. Ele estava ao meu lado antes que os outros pudessem perguntar o que havia de errado.
— Alice? – A voz de Esme estava tensa.
— Eu não vi, eu não sabia. —Ela sussurrou.
Há essa hora os outros já estavam todos juntos.
— O que foi Alice? — Carlisle perguntou com uma voz calma de autoridade.
— Eles estavam viajando muito mais rápido do que eu imaginava. Agora eu sei que estava errada antes. — Ela murmurou.
Jasper se inclinou sobre ela, sua postura era protetora.
— O que mudou? —Ele perguntou.
— Eles nos ouviram jogar e resolveram mudar de caminho. — Ela disse penitente, como se estivesse se julgando culpada por o que quer que estivesse assustando ela.
Sete pares de olhos olharam para o meu rosto e desviaram.
— Quanto tempo? — Carlisle perguntou, olhando na direção de Edward.
Seu rosto ficou com uma expressão de profunda concentração.
— Menos de cinco minutos. Eles estão correndo, querem jogar.
Ele fez uma cara zangada.
— Você consegue? — Carlisle perguntou, seus olhos vindo na minha direção de novo.
— Não, não carregando. — Ele cortou. — Além do mais, a última coisa que precisamos é que eles sintam o cheiro e comecem a caçar.
— Quantos? — Emmett perguntou á Alice.
— Três. — Ela respondeu resumidamente.
— Três! —Ele zombou. — Os deixe virem.
As faixas de músculo se flexionaram nos braços enormes dele.
Por uma fração de segundo que parecer muito maior do que era, Carlisle pensou. Só Emmett pareceu despreocupado, olhava para o rosto de Carlisle com olhos ansiosos.
— Vamos continuar o jogo. — Carlisle finalmente decidiu. Sua voz estava calma e nivelada. — Alice disse que eles estão apenas curiosos.
Tudo isso foi dito tão rápido que as palavras duraram menos de segundos. Eu escutei atenciosamente e entendi a maior parte, contudo eu não consegui perguntar o que Esme perguntou á Edward com uma rápida vibração de lábios. Eu só vi ele balançar a cabeça levemente e o olhar de alívio dela.
— Você pega, Esme. — Ele disse. — Agora eu vou ser o juiz.
Ele se plantou na minha frente.
Os outros voltaram para o campo, cautelosamente observando a floresta com seus olhos rápidos. Alice e Esme pareciam se orientar pelo lugar onde eu estava.
— Solte o seu cabelo. — Edward disse com uma voz baixa, uniforme.
Eu obedientemente deslizei o prendedor do meu cabelo e soltei ele ao redor do meu rosto. Eu declarei o óbvio.
— Os outros estão vindo.
— Sim, fique bem parada, não fale nada, e não saia do meu lado, por favor.
Ele escondeu bem o estresse na voz dele, mas eu consegui ouvir. Ele puxou meu longo cabelo para a frente, colocando ele ao redor do meu rosto.
— Isso não vai ajudar, —Alice disse suavemente — eu senti o cheiro dela do outro lado do campo.
— Eu sei. — Um tom de frustração apareceu na voz dele.
Carlisle foi para a área de arremesso, e os outros se juntaram ao jogo sem vontade.
— O que Esme te perguntou? — Sussurrei.
Ele hesitou por um momento antes de responder.
— Se eles estavam com sede. — Ele murmurou sem vontade.
Os segundos se passaram o jogo agora estava apático. Ninguém ousava dar uma rebatida mais forte, Emmett, Rosalie, e Jasper se arrastavam pelo campo.
De vez em quando, á despeito do medo que nublavam nossos pensamentos, eu pude perceber os olhos de Rosalie em mim. Eles estavam saem expressão, mas alguma coisa no formato da boca dela me fez perceber que ela estava com raiva.
Edward não estava prestando o mínimo de atenção no jogo, seus olhos e mente estavam na floresta.
— Me desculpe Bella. — Ele murmurou impetuosamente. — Foi estúpido e irresponsável, ter te exposto dessa maneira. Me desculpe.
Eu ouvi a respiração dele parar e seus olhos se viraram para a floresta. Ele deu meio passo se colocando entre mim e o que estava vindo.
Carlisle, Emmett e os outros se viraram na mesma direção, ouvindo sons de passos que eram baixos demais para os meus ouvidos.

8 comentários:

  1. É agora !

    Assi: Apaixonada por livros.

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  2. AH MEU DEUS...

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  3. É AGORA DEUS

    CORRE NEGADA

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  4. Ainda não entendi por que eles precisam do trovão para jogar

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    Respostas
    1. Pq eles fazem barulho demais pra rebater... quando tem uma tempestade, os trovões camuflam os sons do jogo :)

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  5. "Ele deu aquele riso torto que eu adorava"
    É o Robert Pattinson sabe como ninguém dar esse "riso torto" interpretando o Edward no filme.
    Fora isso, alguém por favor me explique como o Edward quer que a Bella não o abrace e beije com ele beijando seu queixo, testa, bochecha e tudo isso a imprensando do contra o carro. A garota tb não é de ferro né? Ainda mais sendo ele um deus grego como ela diz..

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  6. Segura Coração! Mil vezes melhor do que o filme! Ameii D+

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  7. Segura Coração! Mil vezes melhor do que o filme! Ameii D+

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