25 de setembro de 2015

Capítulo 17 - Aliança

— Bella?
A voz suave de Edward veio por trás de mim. Eu me virei pra ver ele saltando levemente os degraus da varanda e o cabelo dele estava assanhado com o vento da corrida. Ele me puxou pros seus braços imediatamente, exatamente como ele havia feito no estacionamento, e me beijou de novo.
Esse beijo me assustou. Havia muita tensão, uma linha muito forte na forma como os seus lábios apertavam os meus - como se ele estivesse com medo de que não tivéssemos mais muito tempo pra nós.
Eu não podia me deixar pensar nisso. Não se eu ia ter que agir como humana pelas próximas horas. Eu me afastei dele.
—Vamos acabar logo com essa festa estúpida—, eu murmurei, sem encontrar os olhos dele.
Ele colocou as mãos em ambos os lados do meu rosto, esperando até que eu olhei pra cima.
—Eu não vou deixar nada acontecer com você—.
Eu toquei os lábios dele com os dedos da minha mão boa. —Eu não estou tão preocupada comigo mesma—.
—Porque eu não estou tão surpreso com isso?—, ele murmurou pra si mesmo. Ele respirou fundo, e depois sorriu um pouco.
—Pronta pra celebrar?—, ele perguntou.
Eu rosnei.
Ele segurou a porta pra mim, mantendo seu braço seguramente ao redor da minha cintura. Eu fiquei lá congelada por um minuto, depois eu balancei minha cabeça lentamente.
—Inacreditável—.
Edward ergueu os ombros. —Alice sempre será Alice—.
O interior da casa dos Cullen havia se transformado em uma boate - daquele tipo que não existe na vida real, só na TV.
—Edward!—, Alice chamou do lado de um auto-falante gigante. —Eu preciso do seu conselho— Ela fez um gesto para uma torre de CD's empilhados. —Nós devemos dar a eles o familiar e reconfortante? Ou— - ela fez um gesto para pilha uma pilha diferente - —educar o gosto deles pra música?—
—Mantenha reconfortante—, Edward recomendou. —Você só pode guiar o cavalo até a água—.
Alice balançou a cabeça seriamente, e começou a jogar os CD's educacionais em uma caixa. Eu reparei que ela havia trocado de roupa e estava usando um top e uma calça de couro vermelha.
A pele nua dela reagia estranhamente às luzes pulsantes vermelhas e roxas.
—Eu acho que estou desarrumada—
—Você está perfeita—, Edward disse.
—Você consegue—, Alice emendou.
—Obrigada—, eu suspirei. —Você acha mesmo que as pessoas vão vir?— Qualquer um podia ouvir a esperança na minha voz. Alice fez uma cara pra mim.
—Todo mundo vai vir—, Edward respondeu. —Todos estão morrendo pra ver o interior da casa dos mistérios dos reclusos Cullen—.
—Fabuloso—, eu gemi.
Não havia nada que eu pudesse fazer pra ajudar. Eu duvidava que - mesmo quando eu não precisasse mais dormir e me movesse em uma velocidade muito maior - eu fosse capaz de fazer alguma coisa do jeito que Alice fazia.
Edward se recusou a me soltar por um segundo, me arrastando junto dele enquanto ele caçava Jasper e Carlisle pra contar a eles sobre a minha epifânia. Eu escutei horrorizada em silêncio enquanto ele discutiam o seu ataque ao exército de Seattle. Eu podia notar que Jasper não estava feliz com os números, mas eles não haviam sido capazes de entrar em contato com ninguém além da família desinteressada de Tanya. Jasper não tentou esconder o seu desespero como Edward teria feito. Era fácil reparar que ele não gostava de apostar quando os riscos eram tão grandes.
Eu não podia ficar pra trás, esperando e rezando pra que eles voltassem pra casa. Eu não faria isso. Eu enlouqueceria.
A campainha da porta tocou.
Tudo de uma vez, tudo ficou surrealmente normal. Um sorriso perfeito, genuíno e cálido, tomou o lugar do estresse no rosto de Carlisle. Alice aumentou o volume da música, e dançou pra ir atender a porta.
Era um Suburban lotado com os meus amigos, que estavam nervosos ou intimidados demais pra chegarem sozinhos. Jessica era a primeira na porta, com Mike bem atrás dela. Tyler, Conner, Austin, Lee, Samantha... e até Lauren que chegou por último, com seus olhos críticos iluminados de curiosidade. Todos eles estavam curiosos, e depois ficaram dominados quando viram a enorme sala decorada como uma rave chique.
A sala não estava vazia; todos os Cullen haviam tomado seus lugares, prontos pra colocarem seus disfarces humanos de sempre. Hoje a noite eu estava sentindo que estava atuando tanto quanto eles.
Eu fui falar com Jess e Mike, esperando que o tom na minha voz parecesse o tipo certo de excitação. Antes que eu pudesse falar com mais alguém, a campainha tocou de novo. Eu deixei Ângela e Ben entrarem, deixando a porta aberta, porque Eric e Katie estavam quase nos degraus.
Eu não tive outra chance de entrar em pânico. Eu tinha que falar com todo mundo, concentrada em estar animada, uma anfitriã. Apesar da festa ter sido taxada como um evento de comemoração pra Alice, Edward, e eu, não haviam dúvidas de que eu era o alvo mais popular pra as parabenizações e os agradecimentos. Talvez porque os Cullen pareciam um pouco errados embaixo das luzes da festa de Alice. Talvez porque as luzes deixavam a sala obscura e misteriosa. Essa não era uma atmosfera que fazia um humano normal se sentir relaxado ao lado de alguém como Emmett. Eu vi Emmett dar um sorriso malicioso pra Mike por cima da mesa de comidas, as luzes vermelhas cintilando nos dentes dele, e observei quando Mike deu um passo involuntário pra trás.
Talvez Alice tenha feito isso de propósito, pra me forçar a ser o centro das atenções - um lugar do qual ela achava que eu devia gostar mais. Ela estava eternamente tentando me fazer ser humana do jeito como ela achava que humanos deveriam ser.
A festa claramente era um sucesso, apesar do resguardo instintivo por causa da presença dos Cullen - ou talvez isso apenas aderisse mais emoção à atmosfera. A música era contagiante, as luzes eram quase hipnóticas. Pelo jeito que a comida havia desaparecido, ela deve ter estado boa também. Logo, a sala estava lotada, apesar de nunca ficar claustrofóbica. A classe inteira dos último-anistas parecia estar lá, junto com a maioria dos calouros.
Os corpos se mexiam de acordo com a batida que vibrava embaixo das solas dos pés deles, a festa estava constantemente no ponto de virar um baile.
Não foi tão difícil quanto eu pensei que seria. Eu segui a liderança de Alice, me misturando e conversando por um segundo com todo mundo. Eles pareceram suficientemente fáceis de agradar. Eu tinha certeza de que essa festa era de longe bem mais legal do que qualquer outra coisa que a cidade de Forks já tenha experimentado antes. Alice estava quase ronronando - ninguém por aqui esqueceria essa noite.
Eu circulei a sala uma vez, e voltei pra Jessica. Ela tagarelou excitadamente, e não era necessário prestar muita atenção, porque as chances eram de que eu não precisaria responder a ela muito cedo. Edward estava ao meu lado - se recusando a se separar de mim. Ele manteve uma mão seguramente na minha cintura, me puxando mais pra perto de vez em quando em respostas a pensamentos que eu provavelmente não ia querer ouvir.
Então, eu fiquei imediatamente suspeita quando ele retirou o braço e se afastou de mim.
—Fique aqui—, ele murmurou pra mim. —Eu volto já—.
Ele passou graciosamente pela multidão sem parecer sequer encostar em nenhum dos corpos apertados, e foi embora rápido demais pra que eu tivesse tempo de perguntar porque ele estava indo embora. Eu olhei pra ele com os olhos apertados enquanto Jessica gritava ansiosamente por cima da música, segurando o meu cotovelo, sem se dar conta da minha distração.
Eu observei ele quando ele se aproximou da sombra grande ao lado da porta da cozinha, onde as luzes só iluminavam fracamente. Ele estava se inclinando na direção de alguém, mas eu não conseguia ver por cima das cabeças entre nós.
Eu me coloquei na ponta dos pés, esticando o pescoço. Bem aí, uma luz passou pelas costas dele e cintilou nos cequins vermelhos da camiseta de Alice. As luzes só tocaram o rosto dela por um segundo, mas isso foi suficiente.
—Me dê licença por um minuto, Jess—, eu murmurei, puxando meu braço.
Eu não parei pra ver a reação dela, nem pra ver se eu havia machucado os sentimentos dela com a minha abruptidão.
Eu abri o meu caminho entre os corpos, sendo um pouco empurrada. Algumas pessoas estavam dançando agora. Eu me apressei até a porta da cozinha.
Edward tinha sumido, mas Alice ainda estava na escuridão, seu rosto vazio - o tipo de olhar inexpressivo que você vê no rosto de alguém que acabou de testemunhar um acidente horrível. Uma das mãos dela estavam agarrando o arco da porta, como se ela precisasse de apoio.
—O que, Alice, o que? O que você viu?— As minhas mãos estavam entrelaçadas na minha frente - implorando.
Ela não olhou pra mim, ela estava olhando em outra direção. Eu segui o olhar dela e vi quando ela encontrou o olhar de Edward do outro lado da sala. O rosto dele estava vazio como uma pedra. Ele se virou e desapareceu nas sombras embaixo da escada.
Bem aí a campainha tocou, horas depois da última vez, e Alice olhou pra cima com uma expressão confusa que se transformou rapidamente em uma de desgosto.
—Quem convidou o lobisomem?—, ela me apertou.
Eu fiz uma carranca. —Culpada—.
Eu pensei ter desfeito esse convite - não que eu tenha imaginado que Jacob viria aqui, de qualquer jeito.
—Bem, você vá tomar conta deles, então. Eu tenho que falar com Carlisle—.
—Não, Alice, espere!— eu tentei agarrar o braço dela, mas ela já tinha ido embora e a minha mão só agarrou o ar vazio.
—Maldição!—, eu rosnei.
Eu sabia que era isso. Alice tinha visto aquilo pelo que ela esteve esperando, e honestamente eu não aguentei segurar o suspense por tempo suficiente pra atender a porta. A campainha da porta tocou de novo, por tempo demais, alguém estava segurando o botão. Eu me virei de costas para a porta resolutamente, e procurei na escuridão da sala por Alice.
Eu não conseguia ver nada. Eu comecei a me empurrar para a escada.
—Ei, Bella!—.
A voz profunda de Jacob pegou uma pausa na música, e eu olhei pra cima mesmo sem querer ao som do meu nome.
Eu fiz uma cara.
Não era apenas um lobisomem, eram três. Jacob se deu permissão pra entrar, acompanhado em cada um dos lados por Quil e Embry. Eles dois pareciam horrivelmente tensos, os olhos deles passavam pela sala como se eles tivessem acabado de entrar em uma cripta assombrada. A mão tremendo de Embry ainda estava segurando a porta, o corpo dele estava meio preparado pra sair correndo.
Jacob estava acenando pra mim, mais calmo que os outros, apesar do nariz dele estar enrugado de desgosto. Eu acenei de volta - dizendo adeus - e me virei pra procurar por Alice. Eu me apertei no espaço entre as costas de Conner e Lauren.
Ele apareceu do nada, a mão dele estava no meu ombro me puxando de volta na direção das sombras da cozinha. Eu me afastei dele, mas ele agarrou o meu pulso bom e me afastou da multidão.
—Recepção amigável—, ele notou.
Eu soltei a minha mão e fiz uma carranca pra ele. —O que você está fazendo aqui?—
—Você me convidou, lembra?—
—No meu caso do meu soco de direita ter sido súbito demais pra você, me deixe traduzir: aquela era eu desconvidando você—.
—Não seja má esportista. Eu te trouxe um presente de formatura e tudo—.
Eu cruzei os meus braços no peito. Eu não queria briga com Jacob agora. Eu queria saber o que Alice tinha visto e o que Edward e Carlisle estavam dizendo sobre isso. Eu desviei a minha cabeça ao redor de Jacob, procurando por eles.
—Leve de volta para a loja, Jake. Eu tenho que fazer uma coisa...—
Ele ficou na frente da minha linha de visão, exigindo minha atenção.
—Eu não posso devolver. Eu não peguei numa loja - eu mesmo fiz. E também me levou bastante tempo—.
Eu me inclinei ao redor dele de novo, mas eu não podia ver nenhum dos Cullen. Pra onde eles haviam ido? Os meus olhos procuraram pela sala escurecida.
—Oh, vamos, Bell. Não finja que eu não estou aqui!—
—Eu não estou—, eu não podia vê-los em lugar nenhum. —Olha, Jake, eu tenho muita coisa na minha cabeça agora—.
Ele colocou a mão embaixo do meu queixo e puxou meu rosto pra cima.
—Será que eu posso por favor ter alguns minutos de sua inteira atenção, Senhorita Swan?—
Eu me afastei do toque dele. —Mantenha as suas mãos pra si mesmo, Jacob—, eu assobiei.
—Desculpa!—, ele disse imediatamente, levantando as mãos em redenção. —Eu realmente lamento. Também, eu falo do outro dia. Eu não devia ter te beijado daquele jeito. Eu estava errado. Eu acho... bem, eu acho que me iludi pensando que você queria que eu fizesse aquilo—.
—Iludido - que descrição perfeita!—
—Seja boazinha. Você podia aceitar as minhas desculpas, sabe—.
—Tá. Desculpas aceitas. Agora, se você me der licença por um momento...—
—Ok—, ele murmurou, voz dele estava tão diferente de antes que eu deixei de procurar por Alice pra estudar o rosto dele. Ele estava olhando pra o chão, escondendo os olhos. O lábio inferior dele estava só um pouquinho pra fora.
—Eu acho que você prefere estar com os seus amigos de verdade—, ele disse com o mesmo tom abatido. —Eu entendo—.
Eu rosnei. —Aw, Jake, você sabe que isso não é justo—.
—Sei?—
—Você devia—, eu me inclinei para a frente, me esticando, tentando olhar nos olhos dele. Ai ele olhou pra cima, por cima da minha cabeça, evitando o meu olhar.
—Jake?—
Ele se recusou a olhar pra mim.
—Ei, você disse que tinha feito alguma coisa pra mim, certo?—, eu perguntei. —Aquilo era só conversa? Onde está o meu presente?—
A minha tentativa de fingir entusiasmo era bem triste, mas deu certo. Ele revirou os olhos e fez uma careta pra mim.
Eu mantive o fingimento barato, segurando a minha mão aberta na minha frente. —Eu estou esperando—.
—Certo—, ele murmurou sarcasticamente. Mas ele também enfiou a mão no bolso de trás do seu jeans e puxou um saquinho de um material folgado, com um tecido multi-colorido. Ele estava amarrado com uma tira de couro. Ele colocou na minha palma.
—Ei, isso é bonito, Jake. Obrigada!—
Ele suspirou. —O presente está dentro, Bella—
—Oh—.
Eu tive alguns problemas com as amarras.
Ele suspirou de novo e o tomou de mim, abrindo as amarras com facilidade apenas deslizando a corda certa. Eu levantei minha mão pra pegá-lo, mas ele virou o saquinho de cabeça pra baixo e balançou alguma coisa de prata nas minhas mãos. Os metais tilintaram baixinho uns contra os outros.
—Eu não fiz a pulseira—, ele admitiu. —Só o pingente—.
Agarrado a uma das pontas da pulseira de prata estava uma pequena escultura de madeira. Eu a segurei entre os meus dedos pra olhá-lo mais de perto. Havia uma quantidade incrível de detalhes envolvidos na pequena figura - a miniatura de lobo era absolutamente realista. Ela havia sido cravada em alguma madeira marrom avermelhada que combinava com a cor da pele dele.
—É lindo—, eu sussurrei. —Você fez isso? Como?—
Ele levantou os ombros. —É uma coisa que Billy me ensinou. Ele é melhor nisso do que eu—.
—Isso é difícil de acreditar—, eu murmurei, virando o pequeno lobo pra lá e pra cá entre os meus dedos.
—Você gostou mesmo?—
—Sim! É inacreditável, Jake—
Ele sorriu, feliz no início, mas depois a expressão dele ficou azeda. —Bem, eu achei que talvez isso pudesse fazer você lembrar de mim de vez em quando. Você sabe como é, longe da cabeça, longe do coração—.
Eu ignorei a atitude. —Aqui, me ajude a colocar—
Eu estendi o meu pulso esquerdo, já que o direito estava enfiado na tipóia. Ele soltou o trinco facilmente, apesar dele parecer delicado demais para o uso dos dedos grandes dele.
—Você vai usar?—, ele perguntou.
—É claro que eu vou—.
Ele sorriu pra mim - era o sorriso feliz que eu adorava ver ele usar.
Eu só retornei por um momento, mas aí os meus olhos olharam reflexivamente ao redor da sala de novo, procurando ansiosamente pela multidão por um sinal de Edward ou Alice.
—Porque você está tão distraída?—, Jacob se perguntou.
—Não é nada—, eu menti, tentando me concentrar. —Obrigada pelo presente, mesmo. Eu amei.—
—Bella—, as sobrancelhas dele se juntaram, jogando seus olhos profundos em suas sombras. —Alguma coisa está acontecendo, não está?—
—Jake, eu... não, não há nada—.
—Não minta pra mim, você mente muito mal. Você devia me contar o que está acontecendo. Nós queremos saber essas coisas—, ele disse, passando pro plural no final.
Provavelmente ele estava certo; os lobos certamente estariam interessados no que estava acontecendo. Só que eu ainda não tinha certeza do que isso era ainda. Eu não saberia com certeza até que eu encontrasse Alice.
—Jacob, eu vou te contar. Só me deixe descobrir o que está acontecendo, ok? Eu preciso falar com Alice—.
Compreensão iluminou o rosto dele. —A vidente viu alguma coisa—.
—Sim, bem quando você apareceu—.
—Isso é sobre o sugador de sangue no seu quarto?—, ele murmurou, fazendo seu tom ficar abaixo do som da música.
—É relacionado—, eu admiti.
Ele processou isso por um minuto, deixando a cabeça inclinar pra o lado enquanto ele lia o meu rosto. —Você sabe de alguma coisa que não está me contando... alguma coisa grande—.
Qual era o ponto em mentir de novo? Ele me conhecia bem demais. —Sim—.
Jacob me encarou por um breve segundo, e aí se virou pra olhar os olhos dos seus irmãos de bando que ainda estavam na porta, estranhos e desconfortáveis. Quando eles olharam para a expressão dele, eles começaram a se mover, passando agilmente pelos festeiros, quase como se estivessem dançando também. Em meio minuto, eles estavam em cada lado de Jacob, parecendo uma torre sobre mim.
—Agora. Explique—, Jacob ordenou.
Embry e Quil olharam pra frente e pra trás entre os nossos rostos, confusos e cautelosos.
—Jacob, eu não sei de tudo—, eu continuei procurando na sala, por socorro. Eles tinham me colocando contra a parede, em todos os sentidos.
—O que você sabe, então—.
Todos eles cruzaram os braços nos seus peitos ao mesmo tempo. Foi um pouco engraçado, mas era ameaçador.
E aí eu vi Alice descendo as escadas, a sua pele branca brilhando na luz roxa.
—Alice!— eu esguichei, aliviada.
Ela olhou diretamente pra mim quando eu chamei o nome dela, apesar dos baixos altos que deviam ter abafado a minha voz. Eu acenei ansiosamente, e observei o rosto dela quando ela viu os três lobisomens de inclinando na minha direção. Os olhos dela se estreitaram.
Mas, antes dessa reação, o rosto dela estava cheio de estresse e medo. Eu mordi o meu lábio enquanto ela deslizava para o meu lado.
Jacob, Quil e Embry se inclinaram todos pra longe dela com expressões inquietas. Ela colocou uma braço ao redor da minha cintura.
—Eu preciso falar com você—, ela murmurou no meu ouvido.
—Er, Jake, eu te vejo depois...— eu murmurei enquanto passávamos por eles.
Jacob jogou seu longo braço pra bloquear o caminho, colocando a mão contra a parede. —Ei, não tão rápido—.
Alice encarou ele, os olhos arregalados e incrédulos. —Dá licença?—
—Nos diga o que está acontecendo—, ele ordenou com um rugido.
Jasper literalmente apareceu do nada. Em um segundo éramos apenas Alice e eu contra a parede, Jacob bloqueando a nossa saída, e aí Jasper estava de pé ao lado do braço de Jacob, com uma expressão aterrorizadora.
Jacob puxou seu braço de volta lentamente. Esse parecia ser o melhor movimento, levando em consideração que ele queria continuar com aquele braço.
—Nós temos o direito de saber—, Jacob murmurou, ainda encarando Alice.
Jasper se meteu entre eles, e os três lobisomens se resguardaram.
—Ei, ei—, eu disse, acrescentando uma gargalhada histérica. —Isso é uma festa, lembram?—
Ninguém prestou atenção em mim. Jacob encarava Alice enquanto Jasper encarava Jacob. O rosto de Alice ficou pensativo de repente.
—Está tudo bem, Jasper. Na verdade, ele tem um ponto—.
Jasper não relaxou de sua posição.
Eu tinha certeza de que o suspense ia fazer a minha cabeça explodir em cerca de um segundo. —O que você viu, Alice?—
Ela encarou Jacob por um segundo, e se virou pra mim, evidentemente escolhendo deixá-los ouvir.
—A decisão foi tomada—.
—Você estão indo pra Seattle?—
—Não—.
Eu senti a cor escapar do meu rosto. Meu estômago girou. —Eles estão vindo pra cá—, eu botei pra fora.
Os garotos Quileute observavam em silêncio, observando todas as mudanças inconscientes de emoção nos nossos rostos. Eles estavam enraizados nos lugar, e mesmo assim não estavam completamente imóveis. Todos os três pares de mãos estavam tremendo.
—Sim—.
—Pra Forks—, eu sussurrei.
—Sim—.
—Para?—
Ela balançou a cabeça, entendendo a minha pergunta. —Um deles estava carregando a sua blusa vermelha—.
Eu tentei engolir.
A expressão de Jasper era desaprovadora. Eu podia notar que ela não estava gostando que discutíssemos isso na frente dos lobisomens, mas ele tinha algo mais que ele precisava dizer. —Nós não podemos deixar eles chegarem tão longe. Nós não somos suficientes pra proteger a cidade—.
—Eu sei—, Alice disse, o rosto dela estava desolado de repente. —Mas não importa onde paremos eles. Nós ainda não somos suficientes, e alguns deles vão vir aqui pra procurar—.
—Não!— eu sussurrei.
O som da festa abafou o som da minha negação. Ao redor de nós, os meus amigos e vizinhos e inimigos insignificantes comiam e riam e dançavam com a música, ignorantes para o fato de que eles estavam prestes a encarar o horror, talvez perigo, talvez morte. Por minha causa.
—Alice—, eu fiz seu nome com a boca. —Eu tenho que ir, eu tenho que sair daqui—.
—Isso não vai ajudar. Não é como se estivéssemos lidando com um perseguidor. Eles virão aqui pra procurar primeiro—.
—Então eu tenho que ir encontrá-los!—, se a minha voz não estivesse tão rouca e distorcida, ela poderia ter sido um esguicho. —Se eles acharem o que estão procurando, talvez eles vão embora e não machuquem mais ninguém!—
—Bella!—, Alice protestou.
—Espere—, Jacob ordenou numa voz baixa, poderosa. —O que está vindo?—
Alice passou seu olhar de gelo pra ele. —Nossa espécie. Muitos deles—.
—Porque?—
—Por Bella. Isso é tudo o que sabemos—.
—Existem muitos de vocês?—, Jacob perguntou.
Jasper bradou.
—Nós temos algumas vantagens, cachorro. Será uma luta justa—.
—Não—, Jacob disse, um meio sorriso estranho, penetrante se abriu no rosto dele. —Não será justa—.
—Excelente!—, Alice assobiou.
Eu olhei, congelada de horror, para a nova expressão de Alice. O rosto dela estava vivo com exultação, todo o desespero foi limpo das suas feições perfeitas.
Ela riu maliciosamente pra Jacob, e ele sorriu de volta.
—Tudo desapareceu, é claro—, ela disse com uma voz presumida. —Isso é inconveniente, mas, considerando todas as coisas, eu aceito—.
—Nós vamos ter que nos coordenar—, Jacob disse. —Isso não será fácil pra nós. Mesmo assim, esse é mais o nosso trabalho do que o de vocês—.
—Eu não iria tão longe, mas nós precisamos de ajuda. Nós não vamos ficar escolhendo—.
—Espere, espere, espere, espere—, eu interrompi eles.
Alice estava na ponta dos pés, Jacob estava abaixado se inclinando na direção dela, os rostos dos dois estavam iluminados de excitação, mas os narizes deles estava enrugados por causa do cheiro. Eles olharam pra mim impacientemente.
—Coordenar?—, eu repeti por entre meus dentes trincados.
—Você não pensou realmente que poderia nos manter de fora disso?—, Jacob perguntou.
—Você vai ficar fora disso.—
—A sua vidente diz que não—.
—Alice - diga a eles que não!— eu insisti. —Eles vão acabar morrendo!—
Jacob, Quil e Embry todos riram alto.
—Bella—, Alice chamou, a voz dela era suave, calmante —separados todos nós vamos acabar morrendo. Juntos -—
—Isso não vai ser problema—, Jacob terminou a frase dela. Quil riu de novo.
—Quantos?— Quil perguntou ansiosamente.
—Não!— eu gritei.
Alice nem olhou pra mim. —Isso varia - vinte e um hoje, mas os números estão diminuindo—.
—Porque?—, Jacob perguntou, curioso.
—Longa história— Alice disse, de repente olhando ao redor da sala. —E esse não é o lugar pra isso—.
—Mais tarde essa noite?—, Jacob pressionou.
—Sim—, Jasper respondeu pra ele. —Nós já estamos planejando um... encontro estratégico. Se vocês vão lutar com a gente, vocês vão precisar de algumas instruções—.
Todos os lobos fizeram uma cara de desgosto na última parte.
—Não!—, eu gemi.
—Isso vai ser estranho—, Jasper disse, pensativo. —Eu nunca considerei trabalhar junto. Essa tem que ser a primeira vez—.
—Sem dúvida sobre isso—, Jacob concordou. Agora ele estava com pressa. —Nós temos que voltar pra Sam. A que horas?—
—Que horas é tarde demais pra vocês?—
Todos os três reviraram os olhos. —Que horas?—, Jacob repetiu.
—Três em ponto?—
—Onde?—
—Cerca de dez milhas ao norte da estação de guarda da Floresta de Hoh. Venham pelo leste e vocês poderão seguir o nosso cheiro até lá—.
—Nós estaremos lá—.
Eles se viraram pra ir embora.
—Espere, Jake!—, eu chamei ele. —Por favor! Não faça isso!—
Ele parou, se virando pra sorrir pra mim, enquanto Quil e Embry seguiam impacientemente para a porta. —Não seja ridícula, Bells. Você está me dando um presente muito melhor do que o que eu te dei—.
—Não!—, eu gritei de novo. O som de uma guitarra abafou o meu choro.
Ele não respondeu; ele se apressou pra acompanhar os seus amigos, que já tinham ido embora. Eu observei sem poder fazer nada enquanto Jacob desaparecia.

4 comentários:

  1. ai que massa o bicho vai pegar
    que nervosismo
    ansiedade.

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  2. —Ei, isso é bonito, Jake. Obrigada!—
    Ele suspirou. —O presente está dentro, Bella—
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK morta

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    1. essa parte de facto também acabou comigo hahahaha

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