30 de setembro de 2015

Capítulo 16

— É isso.
Stevie Rae parou, parecendo desconfortável e apoplética em frente aos degraus que levavam um prédio de tijolos situado em uma pequena encosta que aparecia na parte oriental dos arredores da escola. Enormes carvalhos estavam envoltos na escuridão dentro da escuridão, então eu mal podia ver os pontos de luz de velas da entrada. Nenhum fio de luz estava vindo das escuras janelas que eram longas e arqueadas e pareciam ser feitas de vidro chateado.
— Ok, bem, obrigado pelas pastilhas. — Eu tentei parecer brava. — E guarde um lugar para mim. Isso realmente não pode levar muito tempo. Eu devo terminar isso e me juntar a vocês para o jantar.
— Não se apresse. Verdade. Você pode encontrar alguém que você gosta e ficar com ele. Não se preocupe se você encontrar. Eu não vou ficar brava e só vou dizer a Damien e as Gêmeas que você está fazendo reconhecimento do inimigo.
— Eu não vou me tornar um deles, Stevie Rae.
— Eu acredito em você — ela falou, mas os olhos dela pareciam suspeitosamente grandes e redondos.
— Eu vejo você logo.
— Ok. Vejo você logo — ela disse, e começou a seguir a calçada em direção ao prédio principal.
Eu não queria ver ela se afastar - ela parecia toda miserável e um filhotinho abatido. Ao invés disso eu subi os degraus e disse a mim mesma que isso não seria grande coisa - nada pior que a vez que a minha irmã Barbie me convenceu a ir campo das líderes de torcida com ela (eu não sei o que diabos eu estava pensando). Pelo menos esse fiasco não duraria uma semana. Elas provavelmente fariam outro círculo, o que era bem legal, fariam alguma reza diferente como Neferet fez, e então jantaríamos. Essa seria minha oportunidade de sorrir e escapar. Fácil - fácil.
As tochas dos lados da porta de madeira estavam acessas por gás e não pelos candelabros iguais era no templo de Nyx. Eu levantei minha mão em direção à pesada aldrava, mas, com um som que era perturbante mente parecido a um suspiro, ela abriu com meu toque.
— Merry meet Zoey.
Oh. Meu. Deus. Era Erik. Ele estava vestido todo de preto, e seu cabelo preto e seu insanamente olhos azuis me lembravam de Clark Kent - bem, ok, sem os óculos nerd e o cabelo arrumado para trás... Então... Eu suponho que isso significa que ele na verdade me lembra (de novo) do Superman - bem, sem a capa ou o colante ou o grande S...
Então a falação na minha cabeça parou quando o dedo dele cheio de óleo deslizou pela minha testa, traçando um pentagrama.
— Abençoado seja — ele falou.
— Abençoado seja — eu respondi, e ficaria eternamente grata por minha voz não ter grasnado ficado grossa ou fina. Ah cara, ele cheirava tão bem, mas eu não conseguia identificar qual era esse cheiro. Não era o cheiro de nenhuma das colônias usadas demais que os caras aplicam galões. Ele cheirava a... Ele cheirava a... A floresta à noite logo depois de chover... Algo terreno e limpo e...
— Você pode entrar — ele estava dizendo.
— Oh, uh, obrigado — eu disse brilhantemente. Eu entrei. E então parei. No interior estava uma enorme sala. As paredes de forma circular estavam envolvidas em veludo preto, bloqueando totalmente as janelas e a luz do luar. Eu podia ver que por baixo das pesadas cortinas havia estranhas formas, o que começou a me assustar até que eu percebi que - oláá - essa era uma sala de recreação. Eles devem ter empurrado as TVs e os games para os lados da sala e os coberto para que tudo parecesse, bem, assustador. Então minha atenção foi capturada pelo círculo. Estava situado no meio da sala e feito inteiramente de velas em altos recipientes vermelhos, como as velas de reza que você pode comprar nas sessões de comida mexicana de uma mercearia que cheiram a rosas e a senhoras. Deveria ter mais de cem delas acessas e os garotos estavam parados em um círculo solto atrás delas conversando e rindo com a luz fantasmagórica que era manchada em de vermelho. Todos estavam usando preto e eu notei imediatamente que nenhum deles estava usando algo bordado com as insígnias correspondente às séries, mas cada um deles usava uma corrente prateada que brilhava ao redor do pescoço deles com um estranho símbolo. Pareciam duas luas crescentes posicionadas de costas uma pra outra contra uma lua cheia. 
— Aí está você Zoey!
A voz de Aphrodite passou pela sala logo à frente do corpo dela. Ela estava usando um longo vestido preto que brilhava devido às contas de ônix, o que estranhamente me lembrou da versão negra da beleza brilhante de Neferet. Ela usava o mesmo colar que as outras, mas o dela era maior e tracejado com joias vermelhas que poderiam ser granada. O cabelo loiro dela estava preso e caia ao redor dela como um véu dourado. Ela era totalmente bonita demais.
— Erik, obrigada por fazer a Zoey se sentir bem vinda. Eu assumo daqui.
Ela soava normal, e ela até colocou a ponta do dedo no braço do Erik por um segundo em que os desinformados poderiam pensar ser um gesto amigável, mas o rosto dela era uma história totalmente diferente. Era duro e frio, e os olhos dela pareciam tão afiados quanto os dele. Erik mal olhou para ela, e ele definitivamente se afastou do toque dela. Então ele me deu um rápido sorriso, sem olhar para Aphrodite de novo, e se afastou.
Ótimo. Exatamente o que eu não precisava era me meter no meio de uma horrível separação. Mas eu não consegui impedir o fato de que meus olhos seguiram os dele pela sala.
Eu sou idiota. De novo. Eu suspirei.
Aphrodite limpou a garganta, e eu tentei (sem sucesso) não parecer que tinha sido pega fazendo algo que eu não devia. O sorriso maldoso dela disse que havia absolutamente nenhuma dúvida que ela notou meu interesse em Erik (e o interesse dele em mim). E, de novo, eu me perguntei se ela sabia que tinha sido eu no corredor no dia anterior.
Bem, não era como se eu pudesse perguntar a ela.
— Você precisa se apressar, mas eu trouxe algo para você se trocar. — Aphrodite estava falando rápido enquanto ela fez mensão para eu seguir ela para o banheiro feminino. Ela me jogou um olhar de nojo por cima dos ombros. — Não é como se você pudesse vir a um ritual das Filhas das Trevas vestida desse jeito. — Quando estávamos no banheiro ela bruscamente me deu um vestido que estava pendurado em uma divisão e meio que me empurrou para dentro. — Você pode colocar suas roupas no cabide e carregar elas de volta com você para o dormitório desse jeito.
Não parecia haver nenhuma discussão com ela e, de qualquer forma, eu já me sentia como uma estranha mesmo. Estar vestida diferente me fez sentir como se eu tivesse aparecido para a festa vestida como um pato, mas ninguém me disse que não era uma festa a fantasia então todo o resto estava usando jeans.
Eu rapidamente tirei as minhas roupas e coloquei o vestido preto por cima da minha cabeça, suspirando de alívio quando ele serviu. Era simples, mas lisonjeiro. O material era suave e não marcava. Tinha mangas longas e um busto redondo que mostrava a maior parte dos meus ombros (que bom que estava usando um sutiã preto). Ao redor do busto, a ponta da longa manga, e nas bordas, que era bem acima do meu joelho, havia contas pequenas de um vermelho brilhante. Era bem bonito. Eu coloquei meus sapatos de volta, pensando, feliz, que um bom par de rasteirinha vai com quase qualquer roupa, e saí do banheiro.
— Bem, pelo menos serve. — Eu disse.
Mas eu notei que Aphrodite não estava olhando para o vestido. Ela estava olhando para a minha Marca, o que me incomodou muito. Ok, minha Marca era colorida - supere de uma vez! Mas eu não disse nada. Eu quero dizer, isso era a “festa” dela e eu era uma convidada. Tradução: eu estava totalmente sem ajuda, então é melhor eu ser boazinha.
— Eu vou liderar o ritual, é claro, então eu vou estar muito ocupada para segurar sua mão.
Ok, eu deveria só manter a boca fechada, mas ela estava me irritando.
—Olha, Aphrodite, eu não preciso que você segure minha mão.
Os olhos dela se estreitaram e eu me segurei para outra cena da garota psicopata. Ao invés disso ela sorriu um sorriso totalmente nada legal que a fez parecer um cão rabugento. Não que eu estivesse a chamando de cadela, mas a analogia parece assustadoramente certa.
— É claro que você não precisa que segurem sua mão. Você só vai passar pelo pequeno ritual como você passa por tudo o resto. Eu quero dizer, afinal de conta, você é a nova favorita da Neferet.
Maravilha. Fora dos problemas com Erik e a estranheza da minha Marca, ela estava com ciúmes por Neferet ser minha mentora.
— Aphrodite, eu não acho que sou a favorita de Neferet. Eu sou apenas nova. Eu tentei soar razoável, e até sorri.
— Tanto faz. Então, está pronta?
Eu desisti de tentar ser razoável com ela e acenei, desejando que todo esse ritual fosse rápido e acabasse de uma vez.
— Ótimo. Vamos. — Ela me levou para fora do banheiro e para o círculo. Eu reconheci as duas garotas para qual andamos como as duas “bruxas do inferno” que tinham seguido ela na cafeteria. Só que ao invés de estar usando uma cara de eu-acabei-de-comer-um-limão, elas estavam sorrindo amigavelmente para mim.
Não. Eu não iria ser enganada. Mas eu sorri também. Quando em território inimigo é melhor se misturar e parecer sem noção e/ou idiota.
— Olá, eu sou Enyo — disse a mais alta das duas. Ela era, é claro, loira, mas seu longo era mais cor de praia do que dourado. Embora com a luz do candelabro fosse difícil ter certeza qual clichê tinha uma descrição mais apropriada. E eu ainda não acreditava que ela fosse uma loira natural.
— Oi — eu respondi.
— Eu sou Deino — disse a outra garota. Ela era obviamente uma mistura e tinha uma linda combinação de uma realmente bonita, pele café-com-creme e um excelente cabelo encaracolado, que provavelmente nunca teve a coragem de frizzar, não importando a umidade.
As duas eram estranhamente perfeitas.
— Olá — eu disse de novo. Sentindo-me mais do que um pouco claustrofóbica, e me movi para o espaço que elas criaram.
— Vocês três aproveitem o ritual — Aphrodite disse.
— Oh, nós vamos! — Enyo e Deino falaram juntas. Eu virei minha atenção para longe delas antes do meu melhor julgamento ganhar do meu orgulho e eu me prendi a sala.
Eu tinha uma boa visão da área interna do círculo, e de novo era similar ao templo de Nyx, mas esse tinha uma cadeira perto a mesa e tinha alguém sentado nela. Bem, meio que sentado. Na verdade, ele estava atirado na cadeira com um capuz cobrindo a cabeça.
Bem... hmmm...
De qualquer jeito, a mesa estava envolvida com o mesmo veludo preto das paredes, e tinha uma estátua da deusa nela, uma tigela de frutas e pão, várias taças, e um jarro. E uma faca. Eu olhei de novo para ter certeza que estava vendo certo. Sim. Era uma faca - tinha um cabo e uma longa e curvada lâmina que parecia totalmente afiada demais para ser usada para cortar frutas ou pão. Uma garota que eu pensei ter reconhecido do dormitório estava acendendo vários incensos que estava no ornamentado suporte para incenso, na mesa, e totalmente ignorando quem quer que fosse que estava na cadeira. Droga, o garoto estava dormindo?
Imediatamente o ar começou a se encher de fumaça e eu juro estava meio esverdeado, meio fantasmagórico, ao redor da sala. Eu esperei que cheirasse doce, como o incenso no templo de Nyx, mas quando a fumaça chegou até mim e eu respirei era surpreendentemente amarga. Era meio familiar e eu franzi a testa, tentando descobrir o que aquilo me lembrava... Merda, o que era? Era quase como folha de louro, com um pouco de cravo da índia. (eu tinha que se lembrar de agradecer a Vovó Redbird mais tarde por me ensinar sobre temperos e seu cheiro.)
Eu cheirei de novo, intrigada, e minha cabeça ficou um pouco tonta. Estranho. Ok, o incenso era estranho. Pareceu mudar enquanto enchia a sala, como um perfume caro que muda dependendo da pessoa que o usa. Eu respirei de novo. Sim. Cravo da índia e folha de louro, mas tinha algo mais; algo que fazia o cheiro terminar parecendo amargo e diferente... Escuro e místico e sedutor e... Travesso.
Travesso? Então eu soube.
Bem, diabos! Eles estavam enchendo a sala com maconha misturada com temperos. Incrível, eu aguentei a pressão por anos e disse não para até as ofertas mais educadas para experimentar um daquelas coisas nojentas feitas em casa passada ao redor pelas festas. (Eu quero dizer, por favor. Sequer é sanitário? E porque exatamente eu iria querer uma droga que iria me fazer querer começar obsessivamente salgadinhos?) E agora ali estava eu, imersa em maconha.
Suspirei. Kayla nunca iria acreditar.
Então, me sentindo paranoica (provavelmente outro efeito colateral da maconha) eu olhei ao redor do círculo, certa de ter visto um professor que estava pronto para nos atrair para longe para... Para... Eu não sei algo horrível, como os acampamentos que a Maury envia todos os seus adolescentes problemáticos.
Mas, graças a Deus, diferente do circulo no templo de Nyx, não havia vampiros adultos aqui, e apenas cerca de vinte adolescentes. Eles estavam falando baixo e agindo como se o totalmente ilegal incenso de machona não fosse nada demais. (Cabeças de Maconha.) Tentando respirar devagar, eu virei para a garota a minha direita. Quando em dúvida (pânico), converse bobagens.
— Então... Deino é um, bem, nome diferente. Significa algo especial?
— Deino significa terrível — ela disse, sorrindo docemente.
Do meu outro lado a loira alta se animou, — E Enyo significa pronto para a luta.
— Huh — eu disse, tentando ser educada.
— Yeah, Pemphredo, que significa arfar, é quem está acendendo o incenso — explicou Enyo.
— Pegamos os nomes da mitologia grega. Elas eram as três irmãs de Gordon e Scylla. Diz o mito que elas nasceram como bruxas que dividiam um olho, mas decidimos que era provavelmente só bobagem propaganda devido à dominação dos homens escrita por homens humanos que queriam manter as mulheres fortes controladas.
— Verdade? — eu não sabia o que mais dizer. Verdade.
— Sim — Deino disse. — Os homens humanos são uma droga.
— Todos deveriam morrer — Enyo disse.
Com essa ideia amorosa à música de repente começou, tornando impossível (graças a Deus) falar.
Ok, a música era perturbadora. Tinha uma profunda, e pulsante batida que era antiga e moderna. Como se alguém tivesse misturado um daquelas horríveis músicas de sexo de um tribal ritual de acasalamento. E então, muito mais chocante Aphrodite começou a dançar pelo círculo. Sim, eu suponho que daria para dizer que ela era gostosa. Eu quero dizer, ela tinha um bom corpo e se movia como Catherine Zeta-Jones em Chicago. Mas de alguma forma não funcionou para mim. E eu não quero dizer por que eu não sou gay (embora eu não seja gay).
Não funcionou porque pareceu uma imitação pobre da dança de Neferet “Ela anda em beleza.”.
Se essa música fosse um poema seria mais como “Alguma vadia dá a bunda.”.
Durante a dancinha de Aphrodite todos estavam, naturalmente, olhando para ela, então eu olhei ao redor do círculo, fingindo que eu não estava procurando por Erik, até... Oh, merda... Eu o encontrei na direção quase oposta a minha. E ele era o único que na sala que não estava olhando para Aphrodite. Ele estava olhando para mim. Antes de descobrir se eu deveria olhar para o outro lado, sorrir para ele ou acenar ou algo assim (Damien tinha dito para sorrir para ele, e Damien era um auto proclamado expert em caras), a música parou e eu olhei de Erik para Aphrodite. Ela estava parada no meio do círculo na frente da mesa. De propósito, ela pegou uma grande vela púrpura em uma mão, e a faca na outra. A vela estava acesa, e ela a carregou, segurando na frente dela como um farol, para o lado do círculo onde eu agora notei estava uma vela amarela entre as vermelhas. Eu não precisei de nenhum aviso da Terrível ou da Pronta para guerra (eca) para me virar para o leste. Enquanto o vento passou pelo meu cabelo, pelo canto do olho eu pude ver que ela tinha acendido a luz amarela e agora ela levantou a faca, desenhando um pentagrama pelo ar enquanto falou:
— Ó ventos de tempestade, em nome de Nyx eu chamo a ti para frente, lance a benção, eu peço, pela mágica que está acontecendo aqui!
 Eu admito, ela é boa. Embora não tão poderosa quanto Neferet, era óbvio que ela praticou o controle de voz e o som sedoso das palavras dela carregaram fácil. Viramos para o sul e ela se aproximou de uma grande vela vermelha entre as outras vermelhas, e eu pude sentir o que eu já estava reconhecendo como o poder do fogo e a mágica passou pela minha pele.
— Ó fogo do trovão, em nome da Nyx eu chamo a ti para frente, traga tempestades e poder da mágica, eu peço a sua ajuda no feitiço que faço aqui! 
Viramos de novo e, junto com Aphrodite, eu me senti inesperadamente atraída pela vela azul que estava entre as vermelhas. Embora tenha me assustado, eu tive que me impedir de sair do círculo e me juntar à evocação dela pela água.
— Ó correntes de chuva, em nome de Nyx eu chamo a ti para frente. Se junte a mim com sua inunda força, em fazer desse o mais poderoso dos rituais! 
O que diabos estava errado comigo? Eu estava suando e invés de me sentir só um pouco quente, como durante o ritual de mais cedo, a Marca na minha testa estava quente - muito quente - e eu juro que eu podia ouvir o rugido do mar nos ouvidos. Atordoada, eu me virei para a direita. 
— Ó terra, profunda e úmida, Em nome de Nyx eu chamo a ti para frente, Que eu sinta a própria terra se mover no rugido da tempestade, De poder que veio quando você me ajudou nesse ritual! 
Aphrodite cortou o ar de novo, e eu pude sentir a palma da minha mão direita formigar, como se eu sentisse a faca que cortava o ar.
Eu sentia o cheiro de grama cortada e eu ouvi o choro de um curiango, como se estivesse enrolado invisível no ar ao meu redor. Aphrodite se moveu de volta para o centro do círculo.
Colocando a vela púrpura ainda acessa no meio da mesa ela completou o feitiço.
— Ó espírito, selvagem e livre, Em nome de Nyx eu chamo a ti para frente! Responda-me! Fique comigo durante esse ritual e me conceda teu poder de deusa!
E de alguma forma eu sabia o que ela ia fazer a seguir. Eu podia ouvir as palavras dentro da minha mente - dentro do meu espírito. Quando ela ergueu a taça e começou a andar pelo círculo eu senti as palavras dela, e embora ela não tivesse a pose ou o poder de Neferet o que ela disse entrou em mim, como se eu estivesse de dentro para fora.
— Esse é o tempo da grandeza da nossa deusa lua. Existe glória nessa noite. Os antigos sabiam dos mistérios da noite, e o usavam para ficarem mais fortes... E para cortar o véu entre os mundos e tinham aventuras que hoje apenas sonhamos.
— Segredo... Mistério... Mágica... Verdadeira beleza e poder em forma vampírica - sem ser manchada pelas regras ou leis humanas. Não somos humanos! — Com isso, a voz dela tocou contra as paredes, como a de Neferet tinha feito antes. — E todos vocês Filhas e Filhos Negros perguntam hoje à noite se esse rito é o que temos pedido a cada lua cheia desde o ano passado. Liberte o poder em nós para que, como os felinos selvagens, saibamos a flexibilidade do nosso animal interior e não sejamos ligados pelas correntes ou jaulas humanas da ignorância e fraqueza deles. Aphrodite parou bem na minha frente. Eu sabia que eu estava vermelha e respirando com força, assim como ela. Ela levantou a taça e a ofereceu para mim.
— Beba Zoey Redbird, e se junte a nós em pedir a Nyx pelo que é nosso por direito de sangue e corpo e a Marca da nossa grande Mudança - A Marca com a qual ela já te tocou.
Sim, eu sei. Eu provavelmente deveria dizer não. Mas como? E de repente eu não queria. Eu definitivamente não gostava ou confiava em Aphrodite, mas o que ela estava dizendo não era basicamente verdade? A reação da minha mãe e padrasto a Marca voltou com força e claramente na minha memória, junto com o olhar de medo de Kayla e a repulsão de Drew e Dustin. E como ninguém tinha me chamado, ou nem mesmo me mandado uma mensagem, desde que eu tinha partido. Eles só me deixaram ser jogada aqui para lidar com minha nova vida sozinha. 
Deixou-me triste, mas também me deixava irritada.
Eu peguei a taça de Aphrodite e dei um gole grande. Era vinho, mas não tinha o gosto do vinho do outro ritual. Esse era doce, também, mas tinha um tempero nele que não tinha o gosto de nada que eu já experimentei antes. Causou uma explosão de sensações na minha boca que viajaram com um quente e amargo traço pela minha garganta e me encheu com um desejo tonto de beber mais e mais e mais.
— Abençoada seja — Aphrodite disse enquanto pegava a taça de mim, derramando um pouco do líquido vermelho nos meus dedos. Então ela me deu um apertado e triunfante sorriso.
— Abençoada seja — eu respondi automaticamente. Ela se dirigiu até Enyo, oferecendo a taça e eu não consegui me impedir de lamber os dedos para sentir um pouco mais do gosto do vinho que tinha sido derramado ali. Era muito mais que delicioso. E o cheiro... Era um cheiro familiar... Mas pela tontura na minha cabeça eu não consegui me concentrar o bastante para descobrir o que eu tinha cheirado com esse incrível cheiro antes.
Quase não levou tempo para Aphrodite passar por todo o círculo, dando a cada um, um gole da taça. Eu a observei de perto, desejando poder ter mais quando ela voltou para a mesa. Ela levantou a taça de novo.
— Grandiosa e mágica deusa da Noite e da lua cheia, ela que cavalga entre o trovão e a tempestade, guiando o espírito e os Anciões, linda e incrível, que até os mais antigos devem obedecer, nos conceda o que é pedido. Encha-nos com seu poder e mágica e força!
Então ela botou a boca na taça, e eu observei com inveja, enquanto ela bebia até a última gota. Quando ela terminou de beber, a música começou de novo. Sincronizada com isso ela voltou para o círculo, dançando e rindo enquanto apagava cada vela e dava adeus para cada elemento. E de alguma forma, enquanto ela se movia ao redor do círculo, minha visão ficou toda errada porque o corpo dela piscou e mudou e foi como se eu estivesse olhando para Neferet de novo – só que ela era mais nova, uma versão crua da Alta Sacerdotisa.
— Merry meet, merry part e merry meet de novo! — ela finalmente disse.
Todos respondemos enquanto eu pisquei para minha visão clarear e a imagem estranha da Aphrodite-como-Neferet desapareceu, assim como a queimação na minha Marca. Mas eu ainda sentia o gosto do vinho na língua. Era tão estranho. Eu não gostava de álcool. Sério. Eu não gosto do gosto. Mas tinha algo nesse vinho que era delicioso além... Bem, além do melhor chocolate de mundo (eu sei, é difícil acreditar). E eu ainda não consegui descobrir porque parecia tão familiar.
Então todos começaram a andar e a falar e o círculo se desfez. A iluminação aumentou o que nos fez piscar devido à luz. Eu olhei para o outro lado do circulo, tentando ver se Erik ainda estava me olhando, e um movimento na mesa chamou minha atenção. A pessoa que estava encapuzada e parada durante o ritual estava finalmente se mexendo. Ele meio que se moveu, estranhamente colocando a si numa posição melhor para sentar. O capuz da capa preta caiu, e eu estava chocada por ver aquele cabelo alaranjado e nada atraente e um rosto sardento e branco demais.
Era aquele irritante garoto Elliott! Muito, muito estranho ele estar aqui. Poderia ser que as Filhas e Filhos Negros o quisessem? Eu olhei ao redor da sala de novo. Sim, como eu suspeitava, não havia ninguém feio ou parecendo nerd. Todos, e eu digo todos, com exceção de Elliott eram atraentes. Ele definitivamente não se encaixava.
Ele estava piscando e bocejando e parecia que ele tinha cheirado muito incenso. Ele levantou a mão para limpar algo no nariz (provavelmente uma meleca que ele gostava de olhar depois) e eu vi a branca e grossa bandagem que estava envolvendo o pulso dele. O que...?
Um terrível sentimento se arrastou pela minha espinha. Enyo e Deino estavam paradas não muito longe de mim, conversando animadamente com a garota chamada Pemphredo. Eu fui até elas e esperei até haver uma brecha na conversa. Fingindo que meu estômago não estava tentando se apertar até morrer, eu sorri e acenei na direção de Elliott.
— O que aquele garoto está fazendo aqui?
Enyo olhou para Elliott enquanto virava os olhos. — Ele não é nada. Só o refrigerador que usamos hoje à noite.
— Que perdedor — Deino disse, liberando Elliott com uma cara feia. — Ele é praticamente humano — Pempheredo disse enojada. — Não é de se admirar que tudo que ele seja bom é ser um lanchinho.
Meu estômago parecia que ia virar do avesso. — Espera, eu não entendo. Refrigerador? Lanchinho?”
Deino, a Terrível, virou seu arrogante olhar para mim. — É assim que chamamos os humanos - refrigeradores e lanchinhos. Você sabe - café da manhã, almoço, e jantar.
— Ou qualquer refeição entre isso — a alegre Enyo praticamente ronronou.
— Eu ainda não — eu comecei, mas Deino me interrompeu.
— Oh, qualé! Não finja que você não soube dizer o que tinha no vinho, e que você não amou o gosto.
— Sim, admita Zoey. Era óbvio. Você teria tomado tudo - você queria até mais do que nós. Vimos você lambendo os dedos — Enyo disse, se inclinando e invadindo meu espaço pessoal enquanto encarava minha Marca. — Isso deve fazer de você algum tipo de aberração, não é? De algum jeito você é uma caloura e uma vampira tudo em um, e você queria mais do que só uma prova do sangue daquele garoto.
— Sangue? — eu não reconheci minha própria voz. A palavra “aberração” continuou ecoando na minha cabeça.
— Sim, sangue — Terrível disse.
Eu senti calor e frio ao mesmo tempo e olhei para longe dos rostos conhecidos, para os olhos de Aphrodite. Ela estava parada do outro lado da sala falando com Erik. Nossos olhos se encontraram e devagar, propositalmente, ela sorriu. Ela estava segurando a taça de novo, e ela a levantou no mais imperceptível brinde para mim antes de tomar um gole e virar de costas rindo de algo que Erik disse.
Mantendo-me firme, eu dei uma desculpa idiota para a Pronta para Guerra, Terrível, e Arfar, e andei calmamente para fora da sala. No segundo que eu fechei a porta de madeira atrás de mim eu corri feito uma maluca cega. Eu não sabia onde estava indo, só que eu queria ir embora.
Eu bebi sangue - sangue daquele horrível garoto Elliott - e eu gostei! E pior, o delicioso cheiro tinha sido familiar porque eu tinha sentido ele antes quando as mãos de Heath estavam sangrando. Não era uma colônia nova que eu tinha me sentido atraída, tinha sido o sangue dele. E eu senti o cheiro de novo no corredor quando Aphrodite tinha cortado a coxa Erik e eu queria lamber o sangue dele também.
Eu era uma aberração.
Finalmente, eu não consegui respirar e cai na fria pedra da parede da protetora da escola, procurando por ar e vomitando as tripas para fora.

4 comentários:

  1. Oh. Meu. Deus. Era Erik. Ele estava vestido todo de preto, e seu cabelo preto e seu insanamente olhos azuis me lembravam de Clark Kent - bem, ok, sem os óculos nerd e o cabelo arrumado para trás... Então... Eu suponho que isso significa que ele na verdade me lembra (de novo) do Superman - bem, sem a capa ou o colante ou o grande S...

    eu fui a unica q pesou e também sem a cueca e cima da calça kkkkkkk
    e da piper qnd comparava jason ao super homem u era o leo ñ lembro direto

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