30 de setembro de 2015

Capítulo 15

Na metade do caminho para o templo de Nyx eu percebi que Stevie Rae estava quieta além do normal. Eu dava olhares laterais para ela. Ela também estava parecendo pálida? Eu tive um sentimento bizarro sobre você-está-andando-para-o-seu-túmulo.
— Stevie Rae, algo errado?
— Yeah, bem, é triste e meio assustador.
— O quê? O Ritual da Lua Cheia? — Meu estomago começou a doer.
— Não, você vai gostar disso – ou pelo menos vai gostar desse. — Eu sabia o que ela queria dizer, versos o ritual das Filhas das Trevas que eu tinha que ir depois, mas eu não queria falar sobre isso.
As próximas palavras de Stevie Rae fizeram todo o negocio das Filhas das Trevas parecer pequeno, um problema secundário. — Uma garota morreu faz uma hora.
— O quê? Como?
— Como todos morrem. Ela não conseguiu passar pela Mudança, e o corpo dela só... — Stevie Rae pausou, tremendo. — Aconteceu perto do final da aula de Tae Kwan Do. Ela estava tossindo, como se estivesse sem ar no começo do aquecimento. Eu achei que não fosse nada. Ou talvez eu achei, mas eu tirei da cabeça.
Stevie Rae me deu um pequeno e triste sorriso, e ela parecia envergonhada de si.
— Tem algum jeito de salvar eles? Depois que, você sabe, eles começam — eu parei e fiz um vago e desconfortável gesto.
— Não. Não tem jeito de você ser salvo depois que seu corpo começa a rejeitar a Mudança.
— Então não se sinta mal por não querer pensar na garota que estava tossindo. Você não poderia ter feito nada.
— Eu sei. É só que... Foi horrível. E Elizabeth era tão querida.
Eu senti um choque em algum lugar no meio do meu corpo. — Elizabeth Sem Sobrenome? Ela é a garota que morreu?
Stevie Rae acenou, piscando com força obviamente tentando não chorar.
— Isso é horrível — eu disse, minha voz fraca era quase um sussurro. Eu lembrei o quão considerável ela tinha sido em relação a minha Marca, e como ela notou que Erik estava olhando para mim.
— Mas eu acabei de ver ela na aula de Teatro. Ela estava bem.
— É assim que acontece. Em um segundo o garoto está sentado do teu lado parecendo perfeitamente normal. No outro... — Stevie Rae tremeu de novo.
— E tudo vai continuar normal? Mesmo que alguém na escola tenha acabado de morrer? — eu lembrei o ano passado, quando um grupo de calouros da SIHS tinha estado em um acidente de carro num final de semana, e dois deles tinham morrido, conselheiros extras foram chamados a escola na segunda e todos os eventos atléticos foram cancelados naquela semana. 
— Tudo vai continuar normal. Devemos nos acostumar com a ideia de que isso pode acontecer com qualquer um. Você vai ver. Todos vão agir como se nada tivesse acontecido, especialmente os mais velhos. São só os terceiranistas e os amigos de Elizabeth, como a colega dela, que vão mostrar alguma reação a tudo. Os terceiranistas - somos nós - devem agir direito e superar. A colega de quarto de Elizabeth e sua melhor amiga provavelmente vão se isolar por alguns dias, mas então eles esperam que elas superem. — Ela baixou a voz. — Na verdade, eu não acho que os vampiros pensam que nenhum de nós é real enquanto não fizermos a Mudança.
Eu pensei nisso. Neferet não pareceu me tratar como se eu fosse temporária - ela até disse que era um excelente sinal minha Marca estar colorida, não que eu estivesse tão confiante quanto ela em relação ao meu futuro. Mas eu absolutamente não iria dizer nada que fizesse parecer que Neferet estava me dando tratamento especial. Eu não queria ser a “esquisita”. Eu só queria ser amiga de Stevie Rae e me ajustar no meu novo grupo.
— Isso é realmente horrível — foi tudo o que eu disse.
— É, mas pelo menos se acontece, acontece rápido.
Parte de mim queria saber os detalhes, e parte de mim estava assustada demais para fazer a pergunta.
Graças a Deus, Shaunee interrompeu antes de eu me fazer perguntar o que eu estava assustada demais para querer saber.
— Porque vocês demoraram tanto? — Shaunee chamou na frente dos degraus do templo. — Erin e Damien já estão lá dentro guardando um lugar no círculo para nós, mas você sabe que quando o ritual começa, eles não deixam mais ninguém entrar. Depressa!
Nós nos apressamos, e com Shaunee liderando, entramos no templo. Doce e esfumaçado incenso me engolfou enquanto entrei na escuridão do Templo de Nyx. Automaticamente, eu hesitei. Stevie Rae e Shaunee se viraram para mim.
— Está tudo bem. Não tem porque estar nervosa ou com medo. — Stevie Rae encontrou meus olhos e acrescentou, — pelo menos nada lá dentro.
— O Ritual da Lua Cheia é ótimo. Você vai gostar. Oh, quando a vampira traçar o pentagrama na sua testa e disser “abençoada seja” você tem que responder “abençoada seja” — Shaunee explicou. — Então nos siga para o seu lugar no circulo. — Ela sorriu segura para mim e correu para entrar no aposento.
— Espera. — Eu agarrei a manga de Stevie Rae. — Eu não quero parecer idiota, mas um pentagrama não é um sinal de maldade ou algo assim?
— Foi o que eu pensei também, até eu chegar aqui. Mas esse negócio de maldade é o que as Pessoas de Fé querem que você acredite para que... Droga — ela disse dando nos ombros — eu nem tenho certeza porque eles querem que as pessoas - bem, humanas quero dizer - acreditem que é um sinal de maldade. A verdade é que a um zilhão de anos atrás o pentagrama era um sinal de sabedoria, proteção, perfeição. Coisas boas. É só uma estrela de cinco pontas. Quatro dessas pontas significam os quatro elementos. A quinta, a que aponta para cima, é um sinal de espírito. Só isso. Não tem bicho papão aqui. 
— Controle. — Eu murmurei feliz por termos uma razão para parar de falar da morte de Elizabeth.
— Huh?
— As Pessoas de Fé querem controlar tudo, e parte desse controle é que todos tem que acreditar na mesma coisa. É por isso que eles querem que as pessoas acreditem que um pentagrama é um sinal de mal. — Eu balancei a cabeça enojada. — Esqueça. Vamos. Estou mais pronta do que achava. Vamos entrar.
Entramos mais profundamente no salão e eu ouvi água corrente. Passamos por uma linda fonte, e então a entrada fez uma curva para a esquerda. Em uma entrada de pedra arqueada estava parada uma vampira que eu não reconheci. Ela estava vestida totalmente de preto - uma longa saia e uma blusa de manga. A única decoração que ela tinha nela era o bordado da figura da deusa no peito. O cabelo dela era longo e cor de trigo. Espirais azuis safiras irradiavam da lua crescente pelo rosto perfeito dela.
— Essa é Anastásia. Ela ensina a matéria de Feitiços e Rituais. Ela também é a esposa do Dragon — Stevie Rae sussurrou rapidamente antes de ela ir em direção da vampira e respeitosamente colocar o punho por cima do coração.
Anastásia sorriu e mergulhou o dedo numa tigela de pedra que ela estava segurando. Então ela tracejou a estrela de cinco pontas na testa de Stevie Rae.
— Abençoada seja, Stevie Rae — ela disse.
— Abençoado seja — Stevie Rae respondeu. Ela me deu um olhar encorajador antes de desaparecer no salão esfumaçado mais a frente.
Eu respirei fundo e fiz uma decisão consciente te tirar meus pensamentos em relação à Elizabeth, e dos “e se” da cabeça - pelo menos durante o ritual. Eu me movi propositalmente no espaço vazio na frente de Anastásia. Imitando Stevie Rae, eu coloquei meu punho no coração.

A vampira mergulhou o dedo no que agora eu pude ver que era óleo. — Merry meet Zoey Redbird, bem vinda a House of Night e a sua nova vida — ela disse enquanto tracejava o pentagrama na minha testa em cima da minha Marca. — E abençoada seja.
— Abençoada seja — eu murmurei, surpresa pelo elétrico calafrio que passou pelo meu corpo quando a estrela foi desenhada na minha testa.
— Entre e junte-se a seus amigos — ela disse gentilmente. — Não tem porque estar nervosa, eu acredito que a deusa já está cuidando de você.
— O-obrigado — eu disse, me apressando para entrar. Tinha velas em todo lugar. Enormes e grandes presas do teto em lustres de ferro. Várias velas estavam alinhadas nas paredes. No templo, os castiçais não tinham luz de lanternas, como no resto da escola. Aqui eles eram de verdade. Eu sabia que esse lugar costumava ser uma igreja das Pessoas de Fé dedicada ao St.
Augustine, mas não parecia como nenhuma igreja que eu já tinha visto. Além de ser iluminada apenas por luz de velas, não havia bancos. (E, por sinal, eu realmente não gosto dos bancos – eles poderiam ser mais desconfortáveis?) Na verdade, o único móvel no grande salão era uma antiga mesa de madeira situada no centro do que era parecido com o que tinha no salão de jantar - mas esse não estava cheio de comida e vinho nem nada disso. Também tinha uma estátua de mármore da deusa, os braços abertos e parecendo muito com o desenho que os vampiros usavam no peito. Tinha um enorme candelabro na mesa, com gordas e brancas velas queimando, assim como vários incensos.
Então meus olhos foram pegos pela chama queimando de um intervalo do chão de pedra. Ela queimava selvagemente, suas chamas amarelas altas. Era lindo, de um jeito controlado e perigoso, e eu lembrei o desenho na minha testa. Graças a Deus, Stevie Rae balançou as mãos chamando minha atenção, antes deu seguir meu impulso de me aproximar da chama, e então eu notei me perguntando como eu não tinha visto desde o início, que havia um enorme circulo de pessoas - estudantes e vampiros adultos - se esticando ao redor das pontas do salão. Sentindo-me nervosa e apavorada ao mesmo tempo, eu fiz meus pés se moverem para tomar meu lugar no círculo ao lado de Stevie Rae.
— Finalmente — Damien disse baixinho.
— Desculpe o atraso — eu disse.
— A deixe em paz. Ela já está nervosa o suficiente — Stevie Rae disse a ele.
— Shhh! Está começando — Shaunee sussurrou.
Quartanistas pareceram se materializar dos cantos escuros do salão para se tornar uma mulher que fez seu caminho para quatro pontos dentro do círculo, como as quatro direções de uma bússola. Mais duas pessoas entraram pela porta que eu tinha acabado de passar. Um deles era um homem alto - bem, risque isso - era um vampiro (todos os adultos eram vampiros), e, oh meu Deus, ele era quente. Agora, aqui estava um excelente exemplo de um estereótipo do vampiro lindo, perto e pessoal. Ele tinha mais de 1,80m e parecia pertencer ao cinema.
— E aí está à única razão do porque estou fazendo a aula de poesia — Shaunee sussurrou.
— Estou com você nessa, Gêmea — Erin respondeu de forma sonhadora.
— Quem é ele? — eu perguntei a Stevie Rae.
— Loren Blake, o Vampiro Poeta Laureate. Ele é o primeiro poeta masculino em 200 anos. Literalmente — ela sussurrou. — E ele é único com vinte e poucos anos, em anos verdadeiros, não só na aparência.
Antes de eu falar qualquer outra coisa, ele começou a falar, e a minha boca estava muito ocupada estando aberta devido ao som da voz dele para eu fazer qualquer coisa a não ser escutar.
Ela anda na beleza, como a noite.
De climas tempestuosos e céus estrelados
Enquanto ele falou, ele se moveu devagar em direção ao círculo. Como se voz dele fosse música, a mulher que entrou no salão com ele começou a se balançar, e então ela dançou graciosamente envolta ao círculo vivo.
E o melhor da escuridão e da claridade
Encontra-se nela e nos olhos dela...
A mulher que dançava tinha a atenção de todos. Com um choque eu percebi que era Neferet.
Ela estava usando um longo vestido de seda e tinha pequenos cristais em toda volta, para que a luz das velas pegasse cada um dos movimentos que ela fazia brilhar como as estrelas que enchiam o céu. Os movimentos dela pareciam trazer à vida as palavras do velho poema (pelo menos minha mente estava funcionando bem o suficiente para eu reconhecer o “Ela anda em beleza” do Lord Byron).
Assim dessa forma suave para essa luz gentil
Que o paraíso muitos dias negou.
De algum jeito Neferet e Loren conseguiram terminar no centro do círculo quando ele terminou de recitar. Então Neferet pegou uma taça da mesa e levantou como se estivesse oferecendo um brinde ao círculo.
— Bem vindos crianças de Nyx para a celebração da deusa para a lua cheia!
Os vampiros adultos falaram em coro, — Merry meet.
Neferet sorriu e colocou a taça de volta a na mesa e pegou uma longa e branca vela que já estava acessa e parada no castiçal. Então ela andou pelo círculo para olhar para uma vampira que eu não conhecia que estava parada no que deveria ser a ponta do círculo. A vampira a saudou, a mão em cima do peito, antes de virar para que suas costas estivessem na frente de Neferet.
— Psst! — Stevie Rae sussurrou. — Todos olhamos para as quatro direções enquanto Neferet evoca os quatro elementos e lança o círculo de Nyx. Leste e vento vêm primeiro.
Então todos, incluindo eu, embora eu tenha sido meio devagar, se viraram para leste. Pelo canto do olho eu pude ver que Neferet ergueu os braços por cima da cabeça enquanto a voz dela passou pelas paredes de pedra do templo.
— Do leste eu invoco o ar e peço que você carregue para esse círculo o dom do conhecimento que o nosso ritual será preenchido por aprendizado.
No segundo que Neferet começou a invocar eu senti o ar mudar. Movia-se ao meu redor, esvoaçando meu cabelo e enchendo meus ouvidos com o som do vento suspirando pelas folhas. Eu olhei ao redor, esperando ver que todo mundo tivesse sido pego num pequeno vendaval, mas não notei o cabelo de mais ninguém se bagunçar. Estranho.
A vampira que estava parado no leste puxou uma vela amarela das dobras do vestido, e então Neferet a acendeu. A vampira a levantou no ar, e então a colocou, nos seus pés.
— Vire a direita, pelo fogo — Stevie Rae sussurrou de novo.
Nós viramos e Neferet continuou. — Do sul eu invoco o fogo e peço que a sua luz nesse círculo dê o dom da força e vontade, para que nosso ritual seja ligado e poderoso.
O vento que estava soprando suavemente contra mim foi substituído pela sensação de calor.
Não era exatamente desconfortável, era mais como a sensação de quando você mergulha na banheira quente, mas era quente o bastante para me fazer suar um pouco. Eu olhei para Stevie Rae. A cabeça dela estava levemente erguida e seus olhos estavam fechados. Não havia sinal de suor no rosto dela. A intensidade do calor de repente aumentou um pouco, e eu olhei para Neferet. Ela tinha acendido uma enorme vela vermelha que Penthesilea estava segurando.
Então, assim como a vampira do vento tinha feito, Penthesilea a levantou em oferenda antes de colocar em seus pés.
Dessa vez eu não precisei do aviso de Stevie Rae para virar de novo para o oeste. De algum jeito, eu sabia para onde eu precisava virar, e que o próximo elemento a ser invocado seria a água.
— Do oeste eu invoco a água e peço que você limpe esse circulo em compaixão, que a luz da lua cheia possa ser usada para conceder a cura para nosso grupo assim como entendimento.
Neferet acendeu a vela azul da vampira que estava virada para oeste. A vampira a levantou, e a colocou nos pés enquanto o som das ondas enchia meus ouvidos e o cheiro salgado de mar enchia meu nariz. Ansiosa, eu completei o circulo virando para o norte, e sabia que estaria abraçando a terra.
— Do norte eu invoco a terra e peço que você cresça neste círculo o dom da manifestação, que os desejos e rezas dessa noite sejam frutíferos.
De repente eu podia sentir a suavidade de um gramado nos meus pés, e eu senti o cheiro da relva e ouvi pássaros cantando. Uma vela verde foi acessa e colocado nos pés da “terra.”
Eu provavelmente deveria ter ficado com medo das estranhas sensações que passaram por mim, mas elas me encheram com a mais incrível leveza - eu me sentia bem! Tão bem que quando Neferet olhou para a chama que queimava no centro do salão e o resto de nós virou para o interior do círculo eu tive que pressionar meus lábios com força para não rir em voz alta. O poeta lindo de cair morta estava parado perto do fogo e Neferet e eu podíamos ver que ele estava segurando uma enorme vela púrpura na mão.
— E finalmente, eu invoco o espírito para completar nosso círculo e pedir que você nos encha de conexão, para que, como seus filhos, possamos prosperar juntos.
Incrivelmente, eu senti meu próprio espírito se levantar, como se houvesse aves de pássaro flutuando dentro do meu peito, enquanto o poeta acendia a vela pela enorme chama e então a colocou na mesa. Então Neferet começou a se mover pelo círculo, falando conosco, encontrando nossos olhos, nos incluindo nas palavras dela.
— Essa é a hora da lua cheia. Todas as coisas se encerram e recomeçam até mesmo os filhos de Nyx, os vampiros dela. Mas nessa noite os poderes da vida, da mágica, e da criação são mais forte - assim como nossa deusa lua. Essa é a hora de construir... De fazer.
Meu coração estava batendo tão rápido enquanto eu observava Neferet falar, e eu percebi que ela estava dando um sermão. Esse não era um sermão de adoração, mas ao fazer isso no círculo fez com que as palavras de Neferet me tocassem como nenhum outro sermão que eu já tinha visto. Eu olhei ao redor. Talvez fosse o lugar. O salão estava cheio de incenso e mágica e luzes de velas. Neferet era tudo que uma Alta Sacerdotisa deveria ser. A beleza dela era uma chama própria, e a voz dela era mágica ao ponto de chamar a atenção de todos. Ninguém estava deitado dormindo ou escondido jogando joguinhos.
— Essa é a hora quando o véu em que o mundano e a força a beleza do reino da deusa se juntam. Nessa noite um irá transcender as fronteiras do mundo com facilidade, e conhecer a beleza e encantamento de Nyx.
Eu podia sentir as palavras dela contra a minha pele e perto da minha garganta. Eu tremi e a Marca na minha testa de repente pareceu esquentar e formigar. Então o poeta começou a falar em sua profunda e poderosa voz.
— Essa é a hora de traçar o celestial ser, de virar as cordas do espaço e do tempo para trazes a Criação. Porque a vida é um círculo assim como é um mistério. Nossa deusa entende isso, assim como o marido dela, Erebus.
Quando ele falou me senti melhor em relação à morte de Elizabeth. De repente não parecia tão assustador. Tão horrível. Parecia mais parte do mundo natural, um mundo onde todos temos um lugar.
— Luz... Escuridão... Dia... Noite... Vida... Está tudo ligado junto pelo espírito e o toque da deusa. Se mantivermos o balanço e olharmos para a deusa como se pudéssemos a lançar um feitiço da lua e o adaptar com um tecido de pura substancia mágica para manter conosco todos os dias das nossas vidas.
— Fechem seus olhos, Crianças de Nyx — Neferet disse — e mandem um secreto desejo para nossa deusa. Hoje à noite, quando o véu entre os mundos se afinar - quando mágica estiver no mundano - talvez Nyx faça seu desejo se realizar e te encher com a felicidade de um sonho realizado.
Mágica! Eles realmente estão rezando por mágica! Iria funcionar - poderia funcionar? Há realmente mágica no mundo? Eu me lembrei do jeito como meu espírito foi capaz de ver palavras e como a deusa me chamou com a sua voz visível pela caverna e então me beijou na testa e mudou minha vida para sempre. E como, a apenas alguns momentos atrás, eu senti o poder de Neferet chamando os elementos. Eu não tinha imaginado – eu não podia ter imaginado.
Eu fechei os olhos e pensei sobre a mágica que parecia estar me cercando, e então enviei meu desejo pela noite. Meu desejo secreto é fazer parte... Que eu finalmente tenha encontrado um lar que ninguém poderá tirar de mim.
Apesar do estranho calor na minha Marca, minha cabeça estava leve e eu estava muito feliz enquanto Neferet pediu para nós abrirmos nossos olhos e, com uma voz que era poderosa e suave - mulher e guerreira combinados - ela continuou o ritual.
— Essa é a hora da viagem não vista na lua cheia. A hora para ouvir a música não modificada pelas mãos humanas ou vampiras. É o tempo para união com o vento que nos carrega. — Neferet curvou sua cabeça levemente para o leste — e do choque do travão que imita as fagulhas da primeira vida. — Ela virou a cabeça para o sul. — É o tempo para revelar no eterno mar e na quente chuva que nos acalma, assim como a verde terra que nos envolve e nos mantém. — Ela reconheceu o oeste e o norte virando.
Cada vez que Neferet nomeou um elemento pareceu que um toque de uma doce eletricidade passou pelo meu corpo.
E então as quatro mulheres que personificaram os elementos moveram-se em direção à mesa. Com Neferet e Loren, cada um deles levantou uma taça.
— Todos saúdem a deusa da Noite e a lua cheia! — Neferet disse. — Todos saúdem a Noite, de quem as nossas bênçãos vêm. Nesta noite agradecemos a ti!
Ainda segurando as taças, as quatro mulheres voltaram para seus lugares no círculo.
— No poderoso nome de Nyx — Neferet disse.
— E de Erebus — o poeta acrescentou.
— Nós pedimos do seu sagrado círculo que você nos dê o conhecimento para falar a linguagem da floresta, para voar com a liberdade de um pássaro, para viver com o poder e a graça de um felino, e para encontrar êxtase e alegria na vida que mexe com cada parte de nosso ser. Abençoado seja!
Eu não conseguia parar de rir. Eu nunca ouvi esse tipo de coisa na igreja antes, e eu com certeza nunca me senti tão energizada lá também!
Neferet bebeu da taça que ela segurava, e então ela a ofereceu para Loren, que bebeu e disse “abençoada seja.” Imitando a ação deles, as quatro mulheres se moveram rapidamente pelo círculo, permitindo que cada pessoa, calouro ou adulto, bebesse da taça. Quando foi minha vez eu estava feliz por ver o rosto familiar de Penthesilea me oferecer um gole e uma benção. O vinho era vermelho e eu achei que ele fosse amargo, como o gole que eu tomei do Cabernet da minha mãe uma vez (e definitivamente não gostei), mas não era. Era doce e apimentado e fez minha cabeça ficar ainda mais leve.
Quando todos tinham tomado um gole, as taças retornaram a mesa.
— Hoje à noite eu quero que cada um de nós passe pelo menos um momento ou dois sozinho na luz da lua cheia. Deixe a luz refrescar você e te ajudar a lembrar do quão extraordinário você é... Ou que você está se tornando. — Ela sorriu para alguns calouros, incluindo eu. — Se aqueça com sua raridade. Revele sua força. Ficamos separados do mundo por causa de nossos dons. Nunca se esqueçam disso, porque vocês podem ter certeza que o mundo não esquecerá. Agora vamos fechar o círculo e abraçar a noite.
Em ordem reversa, Neferet agradeceu cada elemento e os mandou embora conforme cada vela era apagada, e quando ela fez isso em senti um pouco de tristeza, como se eu estivesse dando tchau para um amigo. Então ela completou o ritual dizendo — esse ritual terminou. Merry meet e merry part e merry meet de novo!
A multidão respondeu: — Merry meet e merry part e merry meet de novo!
E foi isso. Meu primeiro ritual da deusa terminou.
O círculo se separou rapidamente - mais rapidamente do que eu gostaria. Eu queria ficar ali e pensar sobre as coisas incríveis que eu tinha sentido, especialmente quando os elementos foram chamados, mas isso era impossível. Eu fui carregada para fora do templo em uma confusão de conversa. Eu estava feliz por todos estarem tão ocupados conversando que ninguém notou a quão quieta eu estava, eu não achei que eu podia explicar para eles o que tinha acabado de acontecer comigo. Diabos! Eu não podia explicar para mim mesma.
— Hey, você acha que vamos ter comida chinesa de novo hoje à noite? Eu adoraria que na lua cheia eles servissem aquele gostoso moo goo depois — Shaunee disse. — Sem mencionar que meu biscoito da sorte disse “você vai fazer um nome para si,” o que é bem legal.
— Eu estou tão faminta que eu não me importo com o que eles nos alimentem desde que nos alimentem — Erin disse.
— Eu também — Stevie Rae disse.
— Pela primeira vez concordo totalmente — Damien disse, ligando seus braços com Stevie Rae e eu. — Vamos comer.
E de repente eu me lembrei.
— Uh, gente. — Aquele sentimento de formigamento bom que o ritual tinha me dado sumiu. — Eu não posso ir. Eu tenho que...
— Somos idiotas. — Stevie Rae bateu na própria cabeça forte o bastante para fazer um som de batida. — Esquecemos totalmente.
— Ah, merda! — Shaunee disse.
— As bruxas do inferno — Erin disse.
— Quer que eu guarde um prato para você ou algo? — Damien perguntou docemente.
— Não. Aphrodite disse que vai me alimentar.
— Provavelmente carne crua — Shaunee disse.
— Yeah, de algum pobre garoto que ela pegou na nojenta teia de aranha dela — Erin disse.
— Com isso ela quer dizer aquela entre as pernas dela — Shaunee explicou.
— Pare, você está assustando Zoey — Stevie Rae disse enquanto ela começava a me levar em direção a porta. — Eu vou mostrar para ela o caminho, encontro vocês na mesa.
Lá fora eu disse — Ok. Diga-me que eles estavam brincando sobre a carne crua.
— Elas estavam brincando? — Stevie Rae disse nada convincente.
— Ótimo. Eu nem gosto quando o bife está mal passado. O que eu vou fazer se eles realmente tentarem me alimentar com carne crua? — eu recusei a pensar sobre que tipo de carne crua poderia ter.
— Eu acho que eu tenho uma pastilha em algum lugar na minha bolsa. Você quer? — Stevie Rae perguntou.
— Sim — eu disse — já me sentindo nauseada.

4 comentários:

  1. omg!!! que ritual mais estranho. cara mal mente como carne frita 🍗coitada, roendo as unha de curiosidade aq

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  2. Amei o ritual..muito diferente do q eu já vi

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  3. Carne crua não é tão ruim, já peguei um pedaço enquanto minha mãe estava temperando. Mas com a Zoey nunca se sabe né, com esse estômago sensível dela, tomara que não tenha diarreia ahusuashu

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