25 de setembro de 2015

Capítulo 15 - Aposta

Eu encarei ele por um longo minuto, sem fala. Eu não podia pensar em uma coisa pra dizer pra ele.
Enquanto ele observava a minha expressão abobalhada, a seriedade abandonou o rosto dele.
—Tudo bem—, ele disse sorrindo. —Isso é tudo—.
—Jake -— eu me senti como se houvesse alguma coisa grande enfiada na minha garganta. Eu tentei limpar a obstrução. —Eu não posso - Eu quero dizer que eu não... eu tenho que ir—.
Eu me virei, mas ele agarrou meus ombros e me virou.
—Não, espere. Eu sei disso, Bella. Mas, olha, me responda isso, tudo bem? Você quer que eu vá embora e nunca mais te veja te novo? Seja honesta—.
Era difícil me concentrar na pergunta dele, então eu levei um minuto pra responder. —Não, eu não quero isso—. Eu finalmente admiti.
Jacob sorriu de novo. —Entendo—.
—Mas eu não te quero por perto pela mesma razão que você me quer por perto—, eu me opus.
—Me diga exatamente porque você me quer por perto, então—.
Eu pensei cuidadosamente. —Eu sinto sua falta quando você não está por perto. Quando você está feliz—, eu qualifiquei cuidadosamente, —isso me deixa feliz. Mas eu poderia dizer a mesma coisa sobre Charlie, Jacob. Você é família. Eu amo você, mas eu não estou amando você—.
Ele balançou a cabeça, sem se abater. —Mas você me quer por perto—.
—Sim—, eu suspirei. Ele era impossível de desencorajar.
—Então eu vou ficar por perto—.
—Você está pedindo por um castigo—, eu rosnei.
—É—, ele acariciou a minha bochecha direita com a ponta dos seus dedos. Eu afastei a mão dele.
—Você acha que pode se comportar um pouco melhor, pelo menos?—, eu perguntei, irritada.
—Não, eu não posso. Você decide, Bella. Você pode me ter do jeito que eu sou - com mal comportamento incluído - ou não me ter—.
Eu encarei ele, frustrada. —Isso é mal—.
—Você também é—.
Isso me pegou de surpresa, e eu dei um passo involuntário pra trás. Ele estava certo. Se eu não fosse má - e gananciosa também - eu diria a ele que não queria ser sua amiga e iria embora.
Eu não sabia o que eu estava fazendo aqui, mas de repente eu tive certeza de que isso não era bom.
—Você está certo—, eu sussurrei.
Ele riu. —Eu te perdoo. Só tente não ficar com raiva demais de mim. Porque recentemente eu decidi que eu não vou desistir. Essa é a parte irresistível de uma causa perdida—.
—Jacob—, eu o encarei em seus olhos escuros, tentando fazer ele me levar a sério. —Eu amo ele, Jacob. Ele é a minha vida—.
—Você me ama também—, ele me lembrou. Ele levantou a mão quando eu comecei a protestar. —Não do mesmo jeito, eu sei. Mas ele também não é sua vida. Não mais. Talvez ele tenha sido um dia, mas ele foi embora. E agora ele vai ter que lidar com as consequências dessa escolha - eu—.
Eu balancei minha cabeça. —Você é impossível—.
De repente, ele estava sério de novo. Ele pegou meu queixo com as mãos, segurando firmemente pra que eu não pudesse desviar o olhar do seu.
—Até que o seu coração pare de bater, Bella—, ele disse. —Eu vou estar aqui - lutando. Não esqueça que você tem opções—.
—Eu não quero opções—, eu discordei, tentando soltar meu queixo sem sucesso. —E as batidas do meu coração estão contadas, Jacob. O tempo está quase acabando—.
Os olhos dele se estreitaram. —Muito mais razões pra lutar - lutar mais agora, enquanto eu posso.—, ele sussurrou.
Ele ainda estava segurando o meu queixo - os dedos dele segurando com muita força, até que doeu - e de repente eu vi a resolução nos olhos dele.
—N -—, eu comecei a me opor, mas era tarde demais.
Os lábios dele apertaram os meus, parando o meu protesto. Ele me beijou raivosamente, a sua outra mão apertando a minha nuca com força, tornando impossível escapar. Eu empurrei o peito dele com toda a minha força, mas ele nem pareceu reparar. A boca dele era macia, apesar da raiva, os lábios dele se moldando aos meus de uma forma cálida, desconhecida.
Eu agarrei o rosto dele, tentando afastá-lo, falhando novamente. Dessa vez, no entanto, ele pareceu reparar, e isso o deixou agravado.
Os lábios dele forçaram os meus a se abrir, e eu podia sentir a respiração quente dele na minha boca.
Agindo por instinto, eu deixei as minhas mãos caírem dos meus lados, e fiquei quieta. Eu abri os meus olhos e não lutei, não senti... eu só esperei que ele parasse.
Funcionou. A raiva pareceu evaporar, e ele me afastou pra olhar pra mim. Ele pressionou os lábios dele levemente nos meus de novo, uma vez, duas... uma terceira vez. Eu fingi que era uma estátua e esperei.
Finalmente, ele soltou o meu rosto e se afastou.
—Você acabou agora?— eu perguntei com uma voz sem expressão.
—Sim—, ele suspirou. Ele começou a sorrir, fechando os olhos.
Eu coloquei o meu braço pra trás, e o lancei pra frente, socando ele na boca com todo o poder que eu consegui forçar a sair do meu corpo.
Houve um som de algo se partindo.
—Ow! OW!—, eu gritei, pulando pra cima e pra baixo freneticamente com agonia enquanto apertava a minha mão no meu peito. Ela estava quebrada, eu podia sentir isso.
Jacob me encarou chocado. —Você está bem?—
—Não, droga! Você quebrou a minha mão!—
—Bella, você quebrou a sua mão. Agora pare de dançar e me deixe dar uma olhada nisso—.
—Não me toque! Eu vou pra casa agora!—
—Eu vou pegar o meu carro—, ele disse calmamente. Ele nem sequer estava esfregando a mandíbula do jeito como as pessoas faziam nos filmes. Que patético.
—Não, obrigada—, eu assobiei. —Eu prefiro caminhar— Eu me virei na direção da estrada. Seriam apenas alguns metros até a fronteira. Assim que eu me afastasse dele, Alice ia me ver. Ela ia mandar alguém pra vir me buscar.
—Só me deixe te levar pra casa—, Jacob insistiu. Inacreditavelmente, ele teve os nervos de passar o braço pela minha cintura.
Eu me afastei dele.
—Tá!—, eu rosnei. —Me leve! Eu mal posso esperar pra ver o que Edward vai fazer com você. Eu espero que ele quebre o seu pescoço, seu CACHORRO idiota, obnóxio, mongolóide!—
Jacob revirou os olhos. Ele me acompanhou até o lado do passageiro e me ajudou a entrar.
Quando ele sentou no lugar do motorista, ele estava assobiando.
—Eu não te machuquei nem um pouquinho?—, eu perguntei, furiosa e enlouquecida.
—Você está brincando? Se você não tivesse começado a gritar, eu podia nem ter descoberto que você estava tentando me dar um soco. Eu posso não ser feito de pedra, mas eu não sou tão macio assim—
—Eu te odeio, Jacob Black—.
—Isso é bom. Ódio é uma emoção apaixonada—.
—Eu vou te dar paixão—, eu murmurei por baixo do meu fôlego. —Assassinato, o maior crime apaixonado—.
—Oh, vamos—, ele disse, todo alegrinho e me olhando como se estivesse prestes a começar a assobiar de novo. —Aquilo teve que ser melhor do que beijar uma pedra—.
—Nem remotamente perto—, eu o disse friamente.
Ele torceu os lábios. —Você pode estar dizendo isso da boca pra fora—.
—Mas eu não estou—.
Isso pareceu incomodar ele por um segundo, mas aí ele continuou. —Você só está com raiva. Eu não tenho experiência com esse tipo de coisa, mas eu mesmo achei que foi bem incrível—.
—Ugh—, eu rosnei.
—Você vai pensar nisso essa noite. Quando ele achar que você está adormecida, você vai estar pensando nas suas opções—.
—Se eu pensar em você essa noite, será porque eu estou tendo um pesadelo—.
Ele diminuiu a velocidade do carro, se virando pra olhar pra mim com seus olhos escuros arregalados e ansiosos. —Pense em como poderia ser, Bella—, ele urgiu com uma voz suave, ansiosa. —Você não teria que mudar nada por mim. Você sabe que Charlie ficaria feliz se você me escolhesse. Eu posso te proteger tanto quanto um vampiro pode - talvez melhor. E eu te faria feliz, Bella. Há tantas coisas que eu poderia te dar que ele não pode. Eu aposto que ele nem poderia te beijar daquele jeito - porque ele iria te machucar. Eu jamais, jamais te machucaria, Bella—.
Eu levantei a minha mão ferida.
Ele suspirou. —Isso não foi minha culpa. Você devia saber que não devia fazer isso—.
—Jacob, eu não posso ser feliz sem ele—.
—Você nunca tentou—, ele discordou.
—Quando ele foi embora, você gastou todas as suas energias se mantendo presa a ele. Você podia ser feliz se você esquecesse. Você podia ser feliz comigo—.
—Eu não quero ser feliz com ninguém além dele—, eu insisti.
—Você nunca poderá ter tanta certeza dele como tem de mim. Ele foi embora uma vez, ele pode ir de novo—.
—Não, ele não vai—, eu disse por entre os dentes. A dor da minha memória bateu em mim como se fosse um golpe de chicote. Isso me fez querer machucar ele de volta. —Você me deixou uma vez—, eu lembrei ele com uma voz fria, pensando nas semanas que ele havia se escondido de mim, as palavras que ele havia me dito na floresta atrás da casa dele...
—Eu nunca fiz isso— ele discutiu ferventemente. —Eles me disseram que eu não podia te contar - que não era seguro pra você se nós ficássemos juntos. Mas eu nunca fui embora, nunca! Eu costumava correr ao redor da sua casa de noite - como eu faço agora. Só pra ter certeza de que você estava bem—.
Eu não ia me deixar sentir mal por ele agora.
—Me leve pra casa. A minha mão está doendo—.
Ele suspirou, e começou a dirigir num velocidade normal, observando a estrada.
—Só pense nisso, Bella—.
—Não—, eu disse teimosamente.
—Você vai. Essa noite. E eu vou estar pensando em você enquanto você estiver pensando em mim—.
—Como eu disse, um pesadelo—.
Ele sorriu maliciosamente pra mim. —Você me beijou de volta—.
Eu ofeguei, prendendo as minhas mãos nos punhos de novo sem pensar, gemendo quando a minha mão quebrada reagiu.
—Você está bem?—, ele perguntou.
—Eu não correspondi—
—Eu acho que eu sei dizer a diferença—
—Obviamente você não sabe - aquilo não foi beijar de volta, aquilo foi tentar tirar você de cima de mim, seu idiota—.
Ele riu um riso baixo, gutural. —Tocante. Quase defensivo demais, eu diria—.
Eu respirei fundo. Não havia nenhum ponto em discutir com ele; ele ia distorcer tudo que eu dissesse. Eu me concentrei na minha mão, tentando flexionar os meus dedos, pra tentar identificar quais eram as partes quebradas.
Dores agudas atingiram minhas juntas. Eu rosnei.
—Eu realmente sinto muito pela sua mão—, Jacob disse, quase soando sincero. —Da próxima vez que você quiser me bater use um bastão de baseball ou uma alavanca, ok?—
—Eu não acho que eu vou esquecer disso—, eu murmurei.
Eu não me dei conta de pra onde estávamos indo até que estávamos a estrada.
—Pra onde você está me levando?— eu quis saber.
Ele me olhou com um olhar vazio. —Eu pensei que você tivesse dito que queria ir pra casa?—
—Ugh. Eu acho que você não pode me levar pra casa de Edward, pode?—, eu apertei os meus dentes de frustração.
Dor passou pelo rosto dele, e eu podia ver que isso tinha afetado ele mais do que qualquer outra coisa que eu tinha dito.
—Essa é a sua casa, Bella—, ele disse em voz baixa.
—Sim, mas algum médico mora aqui?— eu perguntei, levantando minha mão de novo.
—Oh—, ele pensou nisso por um minuto. —Eu vou te levar pro hospital. Ou Charlie leva—.
—Eu não quero ir para o hospital. É vergonhoso e desnecessário—.
Ele deixou o Rabbit encostar na porta da minha casa, pensando com uma expressão incerta. A viatura de Charlie estava na entrada de carros.
Eu suspirei. —Vá pra casa, Jacob—.
Eu sai do carro estranhamente, indo em direção à casa. Ele desligou o motor atrás de mim, e eu estava menos surpresa do que aborrecida por ver Jacob ao meu lado de novo.
—O que você vai fazer?—, ele perguntou.
—Eu vou colocar um pouco de gelo na minha mão, e depois eu vou ligar pra Edward e pedir pra ele vir me pegar e me levar até Carlisle pra ele poder consertar a minha mão. Depois, se você ainda estiver aqui, eu vou procurar uma alavanca—.
Ele não respondeu. Ele abriu a porta da frente e a segurou aberta pra mim.
Nós passamos silenciosamente pela sala onde Charlie estava deitado no sofá.
—Oi, crianças—, ele disse, se inclinando pra frente. —Legal te ver por aqui, Jacob—.
—Ei, Charlie—, ele respondeu casualmente, pausando enquanto eu entrava na cozinha.
—O que há de errado com ela?— Charlie se perguntou.
—Ela acha que quebrou a mão—, eu ouvi Jacob dizer a ele. Eu fui para o freezer e tirei uma bandeja de gelo.
—Como ela fez isso?— Como meu pai, eu achava que Charlie devia estar um pouco menos divertido e um pouco mais preocupado.
Jacob riu. —Ela me bateu—.
Charlie riu também, e eu fiz uma carranca enquanto batia a bandeja de gelo na pia. O gelo se soltou da bacia, e eu agarrei uma mão cheia deles com a minha mão boa e coloquei os cubos de gelo em uma toalha de prato em cima do balcão.
—Porque ela te bateu?—
—Porque eu beijei ela—, Jacob disse, sem vergonha.
—Bom pra você, garoto—, Charlie parabenizou ele.
Eu apertei meus dentes e fui para o telefone. Eu liguei para o celular de Edward.
—Bella?—, ele atendeu no primeiro toque. Ele parecia mais que aliviado - ele estava deliciado. Eu podia ouvir o motor do Volvo no fundo; ele já estava no carro - isso era bom. —Você esqueceu o telefone... eu lamento, Jacob te levou pra casa?—
—Sim— eu rosnei. —Você pode vir me pegar, por favor?—
—Eu estou a caminho—, ele disse imediatamente. —Qual é o problema?—
—Eu quero que Carlisle dê uma olhada na minha mão. Eu acho que está quebrada—.
Tudo tinha ficado quieto na sala da frente, e eu me perguntei quando Jacob ia embora. Eu dei um sorriso maléfico, quando imaginei o desconforto dele.
—O que aconteceu?— Edward quis saber, a voz dele ficando vazia.
—Eu dei um murro em Jacob— eu admiti.
—Bom—, Edward disse vaziamente. —Apesar de eu lamentar que você tenha se machucado—.
Eu ri uma vez, porque ele parecia tão agradado quanto Charlie estava.
—Eu queria ter machucado ele—, eu suspirei frustrada. —Eu não fiz nenhum estrago sequer—.
—Eu posso arrumar isso—, ele ofereceu.
—Eu estava esperando que você dissesse isso—
Houve uma pequena pausa. —Essa não parece ser você—, ele disse, cauteloso agora. —O que ele fez?—
—Ele me beijou—, eu rosnei.
E tudo o que eu ouvi do outro lado da linha foi o som de um motor acelerando.
Na outra sala, eu ouvi Charlie falando.
—Talvez seja melhor você ir embora, Jake—, ele sugeriu.
—Eu acho que vou ficar por aqui, se você não se importar—.
—O funeral é seu—, Charlie murmurou.
—O cachorro ainda está aí?—, Edward finalmente falou de novo.
—Sim—.
—Eu estou na esquina—, ele disse obscuramente, e a linha desconectou.
Eu desliguei o telefone, sorrindo, eu ouvi o carro dele em alta velocidade na rua. Os freio protestaram altamente quando ele parou na frente de casa. Eu fui abrir a porta.
—Como está a sua mão?— Charlie perguntou enquanto eu passei pela sala. Charlie pareceu desconfortável. Jacob sentou no sofá ao lado dele, perfeitamente tranquilo.
Eu levantei o pacote de gelo pra mostrar. —Está inchando—.
—Talvez você devesse escolher gente do seu tamanho—, Charlie sugeriu.
—Talvez—, eu concordei. Eu caminhei pra abrir a porta. Edward estava esperando.
—Me deixe ver—, ele murmurou.
Ele examinou minha mão gentilmente, tão cuidadosamente que quase não me causou dor nenhuma. As mãos dele eram quase tão frias quanto gelo, e elas eram uma boa sensação na minha pele.
—Você estava certa quanto a estar quebrada—, ele disse. —Eu estou orgulhoso de você. Você teve ter colocado um tanto de força nisso aqui—.
—Toda a que eu tinha—, eu suspirei. —Aparentemente, não o suficiente—.
Ele beijou a minha mão suavemente. —Eu vou cuidar disso—, ele prometeu. E aí ele chamou. —Jacob—, a voz dele ainda estava baixa e uniforme.
—Agora, agora—, Charlie precaveu.
Eu ouvi Charlie levantar do sofá. Jacob chegou no corredor primeiro, e muito mais silenciosamente, mas Charlie não estava muito atrás dele. A expressão de Jacob estava alerta e ansiosa.
—Eu não quero nenhuma briga, você está entendendo?— Charlie só olhou pra Edward enquanto falava. —Eu posso colocar o meu distintivo na história se precisar fazer o meu pedido ser mais oficial—.
—Isso não será necessário—, Edward disse com uma voz restringida.
—Porque você não me prende, pai?—, eu sugeri. —Sou eu que estou distribuindo socos—.
Charlie ergueu uma sobrancelha.
—Você quer prestar queixa, Jake?—
—Não—, Jacob sorriu, incorrigível. —Eu vou querer o troco um dia desses—.
Edward fez uma careta.
—Pai, você não tem um taco de baseball em algum lugar no seu quarto? Eu quero ele emprestado por um minuto—.
Charlie olhou pra mim uniformemente. —Chega, Bella—.
—Vamos fazer Carlisle dar uma olhada na sua mão antes que você acabe num cela de cadeia—, Edward disse. Ele colocou o braço ao meu redor e me puxou em direção à porta.
—Tá—, eu disse, me inclinando pra ele. Eu já não estava mais com tanta raiva, agora que Edward estava comigo. E me senti confortada, e a minha mão já não me incomodava tanto.
Nós estávamos na calçada quando eu ouvi Charlie sussurrando ansiosamente atrás de mim.
—O que você está fazendo? Você está louco?—
—Me dê um minuto, Charlie—, Jacob respondeu. —Não se preocupe, eu volto logo—.
Eu olhei pra trás e Jacob estava nos seguindo, parando pra fechar a porta na cara surpresa e nervosa de Charlie.
Edward ignorou ele no início, me levando para o carro. Ele me ajudou a entrar, fechou a porta, e aí se virou pra encarar Jacob na calçada.
Eu me inclinei ansiosamente pela janela aberta. Charlie era visível de dentro da casa, espiando pelas cortinas da sala da frente.
A postura de Jacob estava casual, os braços cruzados no peito, mas os músculos da mandíbula dele estavam trincados.
Edward falou numa voz tão pacífica e gentil que isso deixou as palavras estranhamente ainda mais assustadoras. —Eu não vou te matar, porque isso iria aborrecer Bella—.
—Hmph—, eu rosnei.
Edward se virou um pouco pra me jogar um sorriso. O rosto dele ainda estava calmo. —Isso ia te incomodar de manhã—, ele disse, acariciando a minha bochecha com os dedos.
Ele virou de volta pra Jacob.
—Mas se você a trouxer machucada de novo - eu não me importo de quem seja a culpa; eu não me importo se ela só tropeçar, ou se um meteoro cair do céu e atingir a cabeça dela - se você retornar com ela em uma condição menos que perfeita do que aquela em que eu a deixei, você vai correr com três pernas. Você entendeu isso, mongol?—
Jacob revirou os olhos.
—Quem vai voltar lá?—, eu murmurei.
Edward continuou como se não tivesse me ouvido. —E se você a beijar de novo, eu vou quebrar a sua mandíbula por ela—, ele prometeu, a voz dele ainda gentil e macia e mortal.
—E se ela quiser que eu a beije?— Jacob respondeu, arrogante.
—Hah!—, eu ronquei.
—Se isso for o que ela quer, eu não vou me opor—, Edward levantou os ombros, sem problemas. —Você deve querer que ela diga que quer, ao invés de confiar na sua interpretação de linguagem corporal - mas o rosto é seu—.
Jacob sorriu.
—Você bem que queria—, eu rosnei.
—É, ele quer—, Edward murmurou.
—Bom, se você já colocou medo na minha cabeça—, Jacob disse com um tom grosso de aborrecimento. —Porque você não cuida da mão dela?—
—Mais uma coisa—, Edward disse lentamente. —Eu vou lutar por ela também. Você devia saber disso. Eu não estou dando nada como garantido, e eu vou lutar duas vezes mais que você—.
—Bom—, Jacob rosnou. —Não tem graça derrotar uma pessoa que se dá por vencido—.
—Ela é minha— a voz baixa de Edward ficou sombria de repente, não tão composta como antes. —Eu não disse que ia lutar justo—.
—Nem eu—.
—Boa sorte—.
Jacob balançou a cabeça. —Que o melhor homem vença—.
—Isso parece certo... cãozinho—.
Jacob fez uma careta brevemente, e aí compôs o rosto e se inclinou ao redor de Edward pra sorrir pra mim. Eu rosnei de volta.
—Eu espero que a sua mão melhore logo. Eu realmente lamento que você tenha se machucado—.
Infantilmente, eu virei o meu rosto pra desviar dele.
Eu não olhei pra cima de novo enquanto Edward rodeava o carro e entrava no lado do motorista, então eu não sabia se Jacob tinha voltado pra casa ou se continuava lá, me olhando.
—Como você se sente?—, Edward perguntou enquanto ia embora.
—Irritada—
Ele gargalhou. —Eu estava falando da sua mão—.
Eu levantei os ombros. —Eu já passei por pior—.
—Verdade—, ele concordou, e fez uma careta.
Edward rodeou a casa, indo até a garagem. Emmett e Rosalie estavam lá, as pernas perfeitas de Rosalie eram reconhecíveis, mesmo com um jeans rasgado, estavam saindo por debaixo do jipe enorme de Emmett. Emmett estava sentado ao lado dela, uma mão inclinada por debaixo do jipe em direção a ela. Me levou um momento pra perceber que ele estava agindo como ajudante.
Emmett observou curiosamente enquanto Edward me ajudava a sair do carro cuidadosamente. Os olhos dele pararam na mão que eu estava segurando contra o peito.
Emmett sorriu. —Caiu de novo, Bella?—
Eu encarei ele penetrantemente. —Não, Emmett. Eu dei um soco na cara de um lobisomem—.
Emmett piscou, e aí caiu num riso estrondoso.
Enquanto Edward passava por eles, Rosalie falou de baixo do carro.
—Jasper vai ganhar a aposta—, ela disse presumidamente.
Emmett parou de rir imediatamente, e ele me estudou com olhos apreensivos.
—Que aposta?—, eu quis saber, parando.
—Vamos te levar até Carlisle—, Edward apressou. Ele estava encarando Emmett. A cabeça dele balançou minimamente.
—Que aposta—?, eu insisti enquanto me virava pra ele.
—Obrigado, Rosalie—, ele murmurou enquanto apertava seu braço ao redor da minha cintura e me puxava em direção à casa.
—Edward...—, eu rosnei.
—É uma infantilidade—, ele levantou os ombros. —Emmett e Jasper gostam de apostar—.
—Emmett vai me contar—, eu tentei me virar, mas o braço dele parecia aço ao meu redor.
Ele suspirou. —Eles estão apostando quantas vezes você vai... escorregar no seu primeiro ano—.
—Oh—, eu fiz uma careta e tentei esconder o meu horror enquanto me dava conta do que ele queria dizer.
—Eles estão apostando quantas pessoas eu vou matar?—
—Sim—, ele admitiu sem vontade. —Rosalie acha que o seu temperamento vai virar as chances a favor de Jasper—.
Eu me senti um pouco alta. —Jasper está apostando alto—.
—Se você tiver dificuldades em se ajustar, isso vai fazer com que ele se sinta melhor. Ele está cansado de ser o elo mais fraco—.
—Claro. É claro que sim. Eu acho que eu posso cometer alguns homicídios extras, se isso deixa Jasper feliz. Porque não?— eu estava tagarelando, a minha voz era um tom vazio e monótono. Na minha cabeça eu estava vendo as manchetes de jornais, as listas com os nomes...
Ele me apertou. —Você não precisa se preocupar com isso agora. Na verdade, você nunca vai ter que se preocupar com isso, se não quiser—.
Eu gemi, e Edward, pensando que era a minha dor que estava me incomodando, me puxou mais rápido em direção à casa.
A minha mão estava quebrada, mas não havia nenhum dano sério, só uma fissura pequena numa das juntas. Eu não quis gesso, e Carlisle disse que eu ficaria bem com uma tipóia se eu prometesse não tirá-la. Eu prometi.
Edward reparou que eu estava fora enquanto Carlisle colocava cuidadosamente uma tipóia na minha mão. Ele perguntou preocupado algumas vezes se eu estava com dor, mas eu o assegurei de que estava bem.
Como se eu precisasse - ou tivesse espaço pra isso - me preocupar com outra coisa.
Todas as histórias de Jasper sobre vampiros recém-criados haviam estado coladas na minha cabeça desde que ele explicou o seu passado. Agora essas histórias pulavam afiadamente na minha mente por causa da notícia da aposta dele e de Emmett. Eu me perguntei à toa o que eles estavam apostando. Que tipo de prêmio te motiva quando você já tem tudo?
Eu sempre soube que eu seria diferente. Eu esperava ser tão forte quanto Edward disse que eu seria. Forte e rápida, e acima de tudo, linda. Alguém que podia ficar ao lado de Edward e sentir que era lá que ela pertencia.
Eu estive tentando não pensar muito nas outras coisas que eu seria. Selvagem. Sedenta por sangue. Talvez eu não fosse capaz de me impedir a matar as pessoas. Estranhos, pessoas que nunca me fizeram mal. Pessoas como o número de vítimas que crescia em Seattle, que tinham família e amigos e futuros. Pessoas que tinham vidas. E eu podia ser o monstro que as tiraria delas.
Mas, na verdade, eu podia lidar com essa parte - porque eu confiava em Edward, confiava nele absolutamente, pra me impedir de fazer qualquer coisa da qual eu me arrependesse. Eu sabia que ele me levaria para a Antártida pra caçar pinguins se eu pedisse isso a ele. E eu faria o que quer que fosse pra ser uma pessoa boa. Uma boa vampira. Isso pensamento me faria rir, se não fosse a preocupação.
Porque, se eu fosse desse jeito de alguma forma - como as imagens dos recém-nascidos dos pesadelos que eu tinha na minha cabeça - como é que eu podia possivelmente ser eu? E se eu quisesse matar pessoas, o que aconteceria com as coisas que eu queria agora?
Edward estava obcecado pra que eu não perdesse nada enquanto era humana. Geralmente, isso parecia meio bobo. Não eram as experiências humanas que eu tinha medo de perder. Contanto que eu estivesse com Edward, o que mais eu poderia pedir?
Eu observei o rosto dele enquanto ele observava Carlisle consertar a minha mão. Não havia nada no mundo que eu quisesse mais do que ele. Iria isso, poderia isso, mudar?
Será que havia uma experiência humana da qual eu não quisesse abrir mão?

18 comentários:

  1. E se ela um dia quiser ter tido um filho, tipo a Rosalie, que queria mas não pode? afinal por que é que ela não pode??? nunca entendo essas coisas, acho que é melhor eu ir dormir agora... -_-

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    1. É que vampiros param no tempo, e o corpo tem que mudar pra acomodar um bebê.. então vampiros não têm filhos

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    2. Ka, seguinte: vc n me entendeu, eu sei disso, eu já vi os filmes, várias vezes. Confie em mim, eu só quero causar curiosidade em quem está lendo pela primeira vez, sem ter que dar spoiler...

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    3. Karina, eu so n entendo uma coisa: por que os homens vampiros podem gerar um filho e uma vampira nao? O corpo dos vampiros nao param de produzir espermatozoides?

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    4. Uma das explicações razoáveis é que os espermatozóides produzidos por Edward enquanto ainda era humano estariam armazenados, possibilitando que ele gerasse um filho. Mas os espermatozóides tem uma vida útil limitada, o que explicaria essa sobrevida inacreditável (90 anos)? Talvez a regeneração de Edward?

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    5. Bem q os vampiros poderiam ter filhos tenho certeza q a escritora teria inventado algo: (

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    6. Ate hj n entendo direito como os vampiros podem fazer seco e ainda mais, engravidar uma humana, pq né, o coração n bate, n tem mais nenhum fluxo d sangue p proporcionar uma ereção, o corpo dele n produz mais espermatozóides, pqp do mto ilógico mas fazer uq ne, o livro é d ficção n adianta nem discutir..

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  2. Ka!!! Obrigada por esta oportunidade! Seu site é incrível !

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  3. Amo esse site !

    Assi: Apaixonada por livros.

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  4. Jacob vc perdeu todo o respeito q eu tinha por vc, de coração q vc viva na merda e q tome no meio do seu cú, ta legal queridinho? Edward vc é foda e eu ameeeeeeei suas ameaças tanto qanto o jeito como vc às falou
    um bjãããããããoooo
    ~Rainha Soberana das tretas e dos sentimentos.

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  5. Kkkkk, esse foi o melhor capítulo, rindo até amanhã!

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  6. Não entendo como tem gente que ainda gosta do Jacob... Acho ele tão tão infantil!! Depois da Bella já ter deixado mais do que claro que ela não queria nada com ele além da amizade e até ai parecia que ele tinha entendido isso, ele resolve do nada "lutar" por ela, como se ela tivesse com dúvidas.. E fora a atitude ridícula do pai da Bella com essa preferência com o chatinho e ficar do lado dele(e nem se importar com o fato da filha tá chateada com o que Jacob fez) e contra o Edward, quando o errado da história é o Jacob, que tava querendo confusão... Muito chato!!

    #Desabafei kkkkkkkkk

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    1. Vdd ela ta namorando o Edward o pai dela n tinha nada q dizer bom p/ vc vai catar coquinho com essa preferencia pelo cão
      Gu

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  7. Serio o Jack e MT sem noção se a Bela gosta dele ou não,não é da Conca dele e aida porcima ele a beija contra a vontade dela e os sentimentos da Bells????

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  8. kkkkkkkkk
    Jacob dessa vez vc mereceu
    Mas continuo torcendo por vc
    Ps.: Uma pequena parte de mim queria ver o Edward querendo te matar por te-la beijado mas sei que ele ficou irritado já que a Bella disse que ele aumentou a velocidade do carro

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  9. No início do capítulo eu pensei:"definitivamente esse Jacob do livro é melhor do que o do filme". Porém me enganei. Esse Jacob do livro é ridículo!!! Se divertindo com o fato de a Bella ter se machucado. E o comportamento do pai da Bella diante disso? Mais ridículo ainda!!! Estou começando a achar que não vai sobrar ninguém que eu goste nesse livro. As adaptações para os filmes são beeeeeeeeeeemmmmm melhores, mesmo com as falhas que têm. Vejam! No livro Jacob e Charlie são infantis, Bella é uma tapada que só sabe chorar, desmaiar e ficar sem ar e Edward é possessivo e controlador (bom, era há dois capítulos atrás, agora Edward está bem mais maleável) Ou seja, que merda! Eu li "A Hospedeira" da Stephanie Meyer" e amei, mas a Saga Crepúsculo está decepcionante. Os filmes são bem melhores. Mas eu vou continuar lendo! Agora vou até o fim!!!

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