30 de setembro de 2015

Capítulo 14

Esgrima foi totalmente legal, o que foi uma surpresa. A aula foi feita numa enorme sala no ginásio que totalmente parecia um estúdio de dança, completa com paredes e teto cheio de espelhos. Pendurados do telhado de um lado estavam manequins estranhos que me lembravam dum alvo de tiro tridimensional. Todos chamavam o professor de Lankford Dragon
Lankford, ou apenas de Dragon. Não levei muito tempo para descobrir por que.
A tatuagem dele representava dois dragões cujos corpos de serpente, se embrulhavam na linha da mandíbula dele. A cabeça deles estava acima das sobrancelhas e a boca deles estava aberta, cuspindo fogo na lua crescente. Era incrível e difícil não encarar. Além do mais, Dragon era o primeiro vampiro adulto que eu via de perto. A princípio ele me confundiu. Eu acho que se você tivesse me perguntado o que eu acharia que era um vampiro eu teria dito que era o oposto dele. Honestamente, eu tinha o estereótipo do vampiro estrela de cinema na mente – alto, lindo, perigoso. Você sabe, como Vin Diesel. De qualquer forma, Dragon é baixo, tem longos cabelos aloirados que ficam presos para trás em um rabo de cavalo, e (a não ser pelo estilo poderoso da tatuagem de dragão) tem um rosto fofo com um quente sorriso e só foi quando ele começou a mandar a turma a fazer os aquecimentos que eu comecei a perceber o poder dele. No segundo em que ele pegou a espada (que eu descobri mais tarde que se chama florete) na tradicional saudação ele pareceu se tornar outra pessoa - alguém que se movia extremamente rápido e com graça. Ele fintava e se arremessava e sem esforço fez o resto da turma - mesmo o pessoal que era bom, como Damien - parecer bonecos. Quando ele terminou de liderar o aquecimento, Dragon colocou todos em pares e os fez trabalhar no que ele chamava de “movimentos padrões.” Eu fiquei aliviada quando ele fez Damien e eu como parceiros.
— Zoey, é bom que você tenha se juntado a nós na House of Night — Dragon disse, apertando minha mão no jeito tradicional das vampiras amazonas. — Damien pode explicar as diferentes partes do uniforme de esgrima para você, e vou te conseguir um uniforme para você estudar nos próximos dias. Eu assumo que você nunca praticou esse esporte antes?
— Não, eu não estudei — eu disse, e então adicionei nervosa — mas gosto de aprender. Eu quero dizer, a ideia de usar uma espada é legal.
Dragon sorriu. — Florete — ele corrigiu, — você estará aprendendo como usar um florete. É a mais leve dos três tipos de armas que temos aqui, e uma excelente escolha para uma mulher. Você sabia que esgrima é um dos únicos esportes onde homens e mulheres podem competir em pé de igualdade?
— Não — eu disse instantaneamente intrigada. Que legal não seria chutar a bunda de um cara nesse esporte?!
— Isso é porque um esgrimista inteligente e concentrado pode com sucesso compensar por qualquer deficiente que ele ou ela pode ter, e pode ser capaz até de transformar essa deficiência - como força ou alcance - em uma vantagem. Em outras palavras, você pode não ser tão forte ou rápida quanto o seu oponente, mas você pode ser mais esperta ou ser capaz de se concentrar melhor, o que muda a moeda para o seu favor. Certo, Damien?
Damien sorriu. — Certo.
— Damien é um dos esgrimistas mais concentrados que eu tive o privilégio de treinar em décadas, o que faz dele um perigoso oponente.
Eu dei um olhar pelo canto do olho para Damien, que corou com orgulho e prazer.
— Nas próximas semanas eu vou fazer Damien mostrar a você as manobras. Sempre lembre, esgrima requer habilidade sequencial e hierárquica por natureza. Se uma dessas habilidades não é adquirida, outras habilidades serão difíceis para aprender e o esgrimista estará em permanente e seria desvantagem.
— Ok, eu vou lembrar — eu disse. Dragon deu um sorriso quente de novo antes de sair para ir trabalhar com os outros alunos.
— O que ele quis dizer é não fique desencorajada ou entediada por ter que fazer os mesmos exercícios repetidamente.
— Então o que você está dizendo é que você vai ser chato, mas tem um propósito nisso?
— Sim. E parte desse propósito será ajudar a levantar essa sua bunda fofa — ele disse alegre, me dando um tapinha com o lado do florete dele.
Eu bati nele e virei os olhos, mas depois de 20 minutos de ataques e defesas na posição inicial e me arremessando - de novo e de novo - eu sabia que ele estava certo. Minha bunda estaria me matando amanhã.
Tomamos um rápido banho depois da aula (graças a Deus, havia chuveiros separados para cada uma das garotas nos vestiários e não tivemos que barbaramente e tragicamente tomar banho em uma enorme área aberta como se estivéssemos na prisão ou algo assim) e então me apressei com o resto da multidão para ir ao salão de almoço - mais conhecido como sala de jantar. E eu falo sério quando disse que me apressei. Eu estava faminta.
O almoço foi um enorme Buffet de self-service, que inclui tudo desde salada de atum (eca) até aqueles mini milhos estranhos que são tão confusos, e nem tem gosto de milho. (O que eles são exatamente? Milho bebê? Milho anão? Milho mutante?) Eu enchi meu prato e peguei um enorme pedaço do que parecia e cheirava como pão recém-assado, e fui para o lado de Stevie Rae, com Damien logo atrás de mim. Erin e Shaunee já estavam discutindo sobre o que fazer para a nota do trabalho para a aula de literatura delas melhorar, embora as duas tivessem recebido 96 como nota. 
— Então, Zoey, manda. E quanto a Erik Night? — Stevie Rae perguntou no instante que deu uma enorme mordida na salada. As palavras de Stevie Rae imediatamente fizeram as Gêmeas calarem a boca e a atenção da mesa toda estava em mim.
Eu pensei sobre o que eu iria dizer sobre Erik, e decidi que não estava pronta para contar a todos sobre a cena infeliz do boquete. Então eu apenas disse — ele ficava olhando para mim. — Quando eles franziram a testa para mim eu percebi que com a boca cheia de sala o que eu realmente disse foi “Ele ficabu olando para mim.” Eu engoli e tentei de novo. — Ele ficava olhando para mim. Na aula de teatro. Foi, sei lá, confuso.
— Defina “olhando para mim” — Damien disse.
— Bem, aconteceu no segundo em que ele entrou na aula, mas deu pra notar mais quando ele estava nos dando um exemplo de um monólogo. Ele fez aquele negocio de Otelo, e quando ele disse a fala sobre amor e tal, ele olhou diretamente para mim. Eu pensei que fosse só um acidente ou qualquer coisa assim, mas ele olhou para mim antes de começar o monólogo, e depois de novo quando estava saindo da sala. — Eu suspirei e me remexi um pouco, inconfortável com o jeito que eles estavam me olhando. — Esqueça. Provavelmente foi só parte da atuação.
— Erik Night é o cara mais gostoso da escola toda — Shaunee disse.
— Esqueça isso – ele é o cara mais gostoso desse planeta. — Erin disse.
— Ele não é mais gostoso que Kenny Chesney — disse rapidamente Stevie Rae.
— Ok, por favor, dá pra parar com a obsessão por country! — Shaunee franziu a testa para Stevie Rae antes de virar sua atenção de volta para mim. — Não deixe essa oportunidade passar por você.
— É. — Erin disse. — Não deixe.
— Passar por mim? O que eu deveria fazer? Ele nem disse nada para mim.
— Uh, Zoey querida, você sorriu de volta para o rapaz? — Damien perguntou.
Eu pesquisei. Eu tinha sorrido de volta? Ah, merda. Eu aposto que não sorri. Eu aposto que fiquei só sentada ali e o encarei como uma retardada e talvez até tenha babado. Ok, bem, eu posso não ter babado, mas ainda sim. — Eu não sei, — eu disse percebendo a triste verdade, o que não enganou Damien nem um pouco.
Ele bufou. — Da próxima vez sorria para ele.
— E talvez diga “oi’ — Stevie Rae disse”.
— Eu pensei que Erik fosse só um rosto bonito — Shaunee disse.
— E corpo — Erin acrescentou.
— Até que ele chutou Aphrodite— Shaunee continuou. — Quando ele fez isso eu percebi que o garoto pode ter algo na cabeça.
— Nós já sabemos que ele tem algo funcionando embaixo! — Erin disse, levantando as sobrancelhas.
— Uh-huh! — Shaunee disse, lambendo os lábios como se ela estivesse vendo um enorme pedaço de chocolate.
— Vocês duas são nojentas — Damien disse.
— Só estamos querendo dizer que ele tem a bunda mais fofa da cidade, Senhor Padre — Shaunee disse.
— Como se você não tivesse notado — Erin disse.
— Se você começar a falar com Erik isso vai realmente irritar Aphrodite. — Stevie Rae disse.
Todos viraram e encararam Stevie Rae como se ela tivesse acabado de abrir o mar vermelho ou algo assim.
— É verdade — Damien disse.
— Muita verdade — Shaunee disse enquanto Erin acenava.
— Então o rumor é que ele costumava sair com Aphrodite? — eu disse.
— Sim — Erin disse.
— O rumor é grotesco, mas verdadeiro — Shaunee disse. — O que faz ainda melhor o fato dele gostar de você!
— Gente, ele provavelmente só estava olhando para a minha Marca estranha — eu disse.
— Talvez não. Você é bem fofa, Zoey — Stevie Rae disse com um doce sorriso.
— Ou talvez sua Marca o fez olhar, e então ele pensou que você era bem fofa e então ele continuou olhando — Damien disse.
— De qualquer jeito, ele olhando definitivamente vai irritar Aphrodite — Shaunee disse.
— O que é uma boa coisa — Erin disse.
Stevie Rae ignorou o comentário delas. — Só esqueça sobre Aphrodite e sua Marca e todas essas coisas. Da próxima vez que ele sorrir para você, diga oi. Só isso.
— Fácil — Shaunee disse.
— Fácil — Erin disse.
— Ok — eu murmurei e voltei para minha salada, desejando desesperadamente que todo o negócio de Erik Night fosse tão fácil-fácil como elas pensaram que eram.
Uma coisa sobre o almoço na House of Night que era igual ao almoço em SIHS e em qualquer outra escola era - que acaba rápido demais. E então a aula de espanhol foi um borrão. A professora Garmy era uma espanhola inquieta. Eu gostei dela imediatamente (as tatuagens dela pareciam estranhamente como penas, então ela me lembrava dum pequeno pássaro espanhol), mas ela deu a aula toda falando espanhol. A aula toda. Eu provavelmente deveria mencionar que eu não tenho aula de espanhol desde a 8º série, e eu admito que nunca prestei muita atenção nela. Então eu estava bem perdida, mas eu escrevi o dever e prometi a mim mesma que eu iria estudar o vocabulário. Eu odeio ficar perdida.
Introdução à equitação foi feita na casa de campo. Era um longo prédio construído de tijolos perto da parte sul, e que havia junto uma enorme área para cavalgar. O lugar todo tinha aquele cheiro de cavalo, que misturado com couro formava algo agradável, embora você soubesse que parte do “agradável” cheiro era cocô - cocô de cavalo.
Eu fiquei parada nervosa com um pequeno grupo de garotos dentro do curral, onde uma veterana alta e com rosto duro disse para esperarmos. Só havia cerca de 10 de nós, e éramos todos terceiranistas. Oh, (ótimo) aquele irritante cabeça de vento do Elliott estava encostado contra a parede chutando um pouco de serragem no chão. Ele levantou pó suficiente para fazer a garota parada perto espirrar. Ela deu a ele um olhar irritado e se afastou. Deus, ele irritava todo mundo? E porque ele não podia usar algum produto (ou talvez vários produtos) naquele cabelo feio?
O som de cascos tirara a minha atenção de Elliott e eu olhei para cima em tempo de ver uma magnífica égua andando no curral galopando total. Ela parou alguns a alguns centímetros de distância. Enquanto todos nós observávamos feito idiotas, a cavaleira desmontou graciosamente. Ela tinha um cabelo grosso que ia até a cintura e era tão loiro que era quase branco, e olhos que eram de um estranho tom de verde. O corpo dela era pequeno, e o jeito que ela ficava parada me lembrava aquelas garotas que tomam aulas de dança obsessivamente para que mesmo quando não estão no embale elas fiquem paradas como se tivessem algo preso em suas bundas. A tatuagem dela era uma intrincada série de nós que se entrelaçavam no rosto dela – e na lua crescente eu tinha certeza que eu podia ver alguns cavalos.
— Boa tarde. Eu sou Lenobia, e esse — ela apontou para a égua e deu ao nosso grupo um olhar contemplativo antes de terminar a frase, — é um cavalo. — A voz dela ecoou contra as paredes. A égua preta soprou pelo nariz como se estivesse enfatizando as palavras dela. — E vocês são meu novo grupo de terceiranistas. Cada um de vocês foi escolhido para minha aula porque acreditamos que vocês podem ter uma aptidão para cavalgar. A verdade é que menos da metade de vocês vai durar o semestre, e metade dos que sobrarem vão realmente se desenvolver em um equitador descente. Alguma pergunta? Ela fez uma pausa longa o bastante para alguém perguntar algo. — Ótimo. Então me sigam e vamos começar. — Ela se virou e marchou de volta para o estábulo. Nós a seguimos.
Eu queria perguntar quem eram o “nós” que falaram que eu talvez tivesse aptidão para cavalgar, mas eu estava com medo então não disse nada e apenas segui atrás dela como todo mundo. Ela parou na frente de uma cocheira vazia onde havia um forcado e um carrinho de mão. Lenobia se virou para nos olhar.
— Cavalos não são cachorros grandes. E não são o romântico sonho de uma garotinha que os imagina como seu melhor amigo que sempre estará ao seu lado.
Duas garotas paradas perto de mim se olharam com culpa e Lenobia as encarou com seus olhos verdes.
— Cavalos são trabalho. Cavalos são dedicação, inteligência, e tempo. Vamos começar com a parte do trabalho. No final desse corredor vocês vão encontrar botas de borracha. Escolham um par rapidamente, enquanto pegamos as Luvas. Então cada um de vocês vai pegar uma cocheira e vamos começar a trabalhar.
— Professora Lenobia? — disse uma garota gordinha com um rosto fofo, que levantou a mão nervosamente.
— Lenobia serve. O nome que eu escolhi em honra da antiga vampira rainha não precisa de outro título.
Eu não fazia ideia de quem era Lenobia, e fiz uma nota mental para pesquisar.
— Continue. Você tem uma pergunta, Amanda?
— Yeah, uh, sim.
Lenobia levantou uma sobrancelha para a garota.
Amanda engoliu audivelmente. — Vamos trabalhar fazendo o que, profes... - eu quero dizer, Lenobia, senhora?
— Limpar a cocheira, é claro. O estrume vai ao carrinho de mão. Quando ele estiver cheio vocês podem descarregar o composto na área perto do estábulo. Tem serragem fresca no armário ali perto. Vocês têm 15 minutos. Eu volto em 45 minutos para inspecionar as cocheiras!
Todos piscamos para ela.
— Vocês podem começar. Agora.
Nós começamos.
Ok. Verdade. Eu sei que vai parecer estranho, mas eu não me importei de limpar a cocheira. Eu quero dizer, cocô de cavalo não é tão nojento. Especialmente porque era óbvio que esses estábulos eram limpos a toda hora. Eu peguei as botas de borracha (que eram grandes galochas de borracha - totalmente feias, mas elas cobriram meu jeans até os joelhos) e um par de luvas e comecei a trabalhar. Tinha música tocando por uma excelente caixa de som - algo que eu tinha certeza que era o ultimo CD da Enya (antes dela casar com John, mas então ele decidiu que aquilo poderia ser música de bruxa então ela desistiu, e é por isso que eu sempre gostei da Enya). Então eu ouvi a música galesa e juntei o cocô. Não pareceu que muito tempo tinha passado enquanto eu estava jogando aquilo no carrinho e então enchendo com serragem. Eu estava passando pelo estábulo quando tive aquele sentimento estranho que alguém estava me observando.
— Bom trabalho, Zoey.
Eu dei um pulo e olhei ao redor para ver Lenobia perto do estábulo. Em uma mão ela estava segurando uma grande, e macia escova. Na outra ela segurava a corda que guia a égua.
— Você já fez isso antes — Lenobia disse.
— Minha avó costumava ter um garanhão que eu nomeei de Bunny. — Eu disse antes de perceber o quão estúpido soava. Com as bochechas quentes, eu me apressei. — Bem, eu tinha 10 anos, e a cor dele me lembrava do Pernalonga, então eu comecei a chamá-lo desse jeito e ficou.
Os lábios de Lenobia se curvaram numa pista de um sorriso. — Era a cocheira do Bunny que você limpava?
— Sim. Eu gostava de montar nele, e vovó disse que ninguém deveria montar um cavalo sem antes limpar sua cocheira. — Eu dei de ombros. — Então eu limpava.
— Sua avó é uma mulher sábia.
Eu acenei.
— E você não se importava de limpar?
— Não, na verdade não.
— Ótimo. Conheça Persephone — Lenobia acenou com a cabeça para a égua ao lado dela. — Você acabou de limpar a cocheira dela.
A égua andou na minha direção, colocando o nariz no meu rosto e soprando gentilmente, o que fez cócegas e me fez rir. Eu acariciei o nariz dela e automaticamente beijei o quente focinho dela.
— Olá, Persephone, garota linda.
Lenobia acenou em aprovação enquanto a égua e eu nos conhecíamos. 
— Só tem mais 5 minutos antes do final da aula, então não é necessário que você fique mais, mas se você quiser, eu acredito que você ganhou o privilégio de escovar Persephone.
Surpresa, eu tirei meus olhos do carinho que eu estava fazendo no pescoço do cavalo.
— Sem problemas, eu fico — eu me ouvi falar.
— Excelente. Você pode devolver a escova no final do corredor quando terminar. Vejo você amanhã, Zoey. — Lenobia me deu a escova, deu um tapinha na égua, e nos deixou sozinha no estábulo.
Persephone colocou a cabeça no cocho de metal que tinha feno fresco, e começou a mastigar, enquanto eu a escovava. Eu esqueci o quão relaxante era escovar um cavalo. Bunny morreu de um repentino e assustador ataque cardíaco dois anos atrás, e vovó ficou chateada demais para comprar outro cavalo. Ela disse que o “coelho” (que era como ela o chamava) não podia ser substituído. Então fazia dois anos desde que eu não me aproximava de um cavalo, mas voltou para mim instantaneamente - tudo. O cheiro, o calor, o som dos cavalos comendo, e a gentil barulho que a escova fazia quando eu deslizava pelo pêlo da égua.
Com a ponta da minha atenção em vagamente ouvi a voz de Lenobia, afiada e irritada, enquanto ela xingava um estudante que eu achei que fosse aquele irritante cabeça de vento.
Eu olhei por cima de Persephone e espiei rapidamente. Certa, o cabeça de vento estava parado na frente da cocheira dele. Lenobia estava parada ao lado dele, com as mãos nos lábios. Mesmo de lado eu pude perceber que ela estava furiosa. Aquele garoto estava numa missão para irritar todos os professores aqui? E o mentor dele era Dragon? Ok, o cara parecia legal, até ele pegar a espada - eu quero dizer, florete - então ele mudou de cara legal para mortalmente-perigoso-vampiro-guerreiro. 
— Esse cabeça de vento deve estar querendo morrer — eu disse a Persephone quando voltei a escovar ela. A égua mexeu as orelhas para mim e soprou pelo nariz.
— Sim, eu sabia que você ia concordar. Quer ouvir minha teoria sobre como minha geração sozinha pode limpar a América de idiotas e vadias? — Ela pareceu receptiva, então eu comecei meu discurso de não procriação com perdedores...
— Zoey! Você está aí!
— Oh meu Deus! Stevie Rae! Você quase me matou de susto! — Eu dei um tapinha em Persephone, que tinha se mexido inquieta.
— Que no mundo você está fazendo? — Eu mostrei a escova para ela. — O que parece que eu estou fazendo, Stevie Rae, fazendo as unhas?
— Pare de brincar. O Ritual da Lua Cheia vai começar em tipo, dois minutos?
— Ah, diabos! — Eu dei mais um tapinha em Persephone e me apressei para sair do estábulo.
— Você esqueceu, não foi? — Stevie Rae disse, segurando minha mão e me ajudando a manter o equilibro enquanto tirava minhas botas de borracha e colocava meu sapato rasteirinha.
— Não — eu menti.
Então eu percebi que eu também tinha esquecido sobre o Ritual das Filhas das Trevas depois.
— Ah, diabos!

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