24 de setembro de 2015

Capítulo 14 - Família

Eu me encolhi ao lado de Jacob, meus olhos examinando a floresta minuciosamente à procura dos outros lobisomens. Quando eles apareceram entre as árvores, eles não eram como eu esperava. Eu tinha a imagem dos lobos gravada em minha cabeça. Estes eram só quatro garotos seminus realmente grandes.
Novamente, eles me lembraram irmãos quadrigêmeos. Algo na forma que se moveram, quase sincronizados, para chegarem até nós, a maneira que todos tinham os mesmos músculos grandes e redondos sob a mesma pele cor de cobre, o mesmo cabelo preto curto, e a maneira que suas expressões mudavam exatamente ao mesmo tempo.
Eles começaram com curiosidade e cautela. Quando me viram ali, meio escondida atrás de Jacob, os quatro se enfureceram no mesmo segundo. Sam continuava sendo o mais velho, mesmo assim Jacob estava quase o alcançando. Sam não contava como um garoto de verdade. Seu rosto parecia mais velho – não porque tinha rugas ou sinais de envelhecimento, e sim pela maturidade, a paciência de sua expressão.
— O que você fez, Jacob?  ele demandou.
Um dos outros, o qual eu não reconheci – Jared ou Paul – se pôs na frente de Sam e falou antes que Jacob pudesse se defender.
         — Por que você não consegue simplesmente seguir as regras, Jacob?  ele gritou, agitando os braços no ar.  Em que diabos você está pensando? Ela é mais importante que tudo – que toda a tribo? Que as pessoas sendo mortas?
— Ela pode ajudar  Jacob disse calmamente.
         — Ajudar!  o garoto furioso gritou. Seus braços começaram a tremer. — Claro, é provável! Tenho certeza de que adoradora de sanguessugas está doida para nos ajudar!
— Não fale assim dela!  respondeu Jacob, irritado pela crítica do garoto.
Um calafrio percorreu os ombros e a coluna vertebral do outro garoto.
— Paul! Se acalme!  Sam lhe ordenou. Paul balançou a cabeça de um lado para o outro, não em sinal de desafio, mas como se ele estivesse tentando se concentrar.
— Caramba, Paul  um dos outros garotos murmurou, provavelmente Jared.  Controle-se.
Paul virou a cabeça para Jared, seus lábios se apertando em sinal de irritação. Depois voltou seu olhar fulminante para minha direção. Jacob deu um passo à frente para se pôr na minha frente.
Aí aconteceu.
— Certo, proteja ela Paul rugiu em afronta. Outro arrepio, uma convulsão, percorreu seu corpo. Paul virou sua cabeça para trás, um verdadeiro rosnado surgiu dentre seus dentes.
— Paul!  Sam e Jacob gritaram ao mesmo tempo.
Paul pareceu cair para frente, movendo-se violentamente. A meio caminho do chão houve um barulho de rasgado, e o garoto explodiu. Uma pele cinza escuro apareceu no garoto, transformando-se em uma forma cinco vezes maior do que seu tamanho – uma figura peluda, abaixada, pronta para pular.
O lobo enrugou o focinho amostrando os dentes, e outro rosnado saiu de seu peito colossal. Seus olhos negros e raivosos se cravaram em mim. A meia passada, um forte arrepio passou pela coluna vertebral de Jacob, que saltou de cabeça no ar vazio.
Com outro afiado som de rasgado, Jacob explodiu também. Ele explodiu sua pele – pedacinhos pretos e brancos de roupa voaram pelos ares. Tudo ocorreu tão rápido que se eu tivesse piscado, eu teria perdido a transformação inteira. Um segundo antes, Jacob saltava de cabeça, e um segundo depois havia se transformado em um gigantesco lobo de cor marrom avermelhado  tão enorme que eu não pude entender como aquela massa havia se ajustado de alguma maneira dentro de Jacob – que se jogava contra a besta cinza. Jacob chocou-se contra o ataque do outro lobisomem de cabeça. Seus furiosos rosnados ecoaram como trovões entre as árvores.
Os farrapos brancos e pretos – restos da roupa de Jacob – caíram no chão onde ele tinha desaparecido.
— Jacob!  eu gritei de novo, indo para frente.
— Fique onde está, Bella.  Sam me ordenou.
Era difícil ouvi-lo diante dos rugidos de ambos os lobos, que se mordiam e arranhavam buscando a garganta do rival com seus afiados dentes. Jacob parecia ganhar: era visivelmente maior que o outro lobo, e também parecia muito mais forte. Ele lançou seu ombro de novo e de novo no lobo cinza, jogando-o de volta para as árvores.
— Leve-a para casa da Emily  Sam gritou para os outros garotos, que estavam distraídos assistindo a briga. Jacob empurrou o lobo cinza para fora do caminho com sucesso, e eles estavam desaparecendo na floresta, mas o som de seus grunhidos ainda era alto. Sam foi atrás deles, tirando seus sapatos no caminho. Quando se lançou entre as árvores, ele estava tremendo da cabeça aos pés.
Os grunhidos e estalos estavam ficando distantes. De repente, o som acabou e a estrada ficou muito quieta. Um dos garotos começou a rir. Virei-me para olhá-lo fixamente, meus olhos arregalados e congelados, eu não podia nem mesmo piscar para eles.
O garoto parecia estar rindo da minha expressão.
— Bem, isto não é algo que se vê todos os dias  ele riu silenciosamente. Seu rosto vagamente familiar – era mais magro que os outros... Embry Call.
— Eu vejo  o outro garoto, Jared, murmurou. — Todo dia.
— Aw, Paul não perde as estribeiras todo dia. — discordou Embry, sorrindo. — Talvez dois entre três.
Jared se agachou para pegar algo branco no chão. E o segurou no alto na direção de Embry; balançava em tiras flácidas na sua mão.
— Totalmente cortado em tiras. — disse Jared — Billy disse que era último par que podia lhe comprar. Acho que Jacob terá que ir descalço a partir de agora.
— Este aqui sobreviveu — disse Embry, recolhendo um tênis branco — Jake pode pular num pé só. — ele acrescentou com uma risada. Jared começou a recolher vários pedaços de tecido da sujeira.
— Pegue os sapatos de Sam, certo? O resto vai pro lixo.
Embry pegou os sapatos e depois correu para as árvores onde Sam havia desaparecido. Ele voltou poucos segundos depois, com uma bermuda jeans pendurados no ombro. Jared recolheu as sobras de roupas de Jacob e Paul e fez uma bola com elas. De repente, ele pareceu se lembrar de mim.
Ele me olhou cuidadosamente, avaliando.
— Ei, você não irá desmaiar ou vomitar, ou algo assim?  — Ele demandou.
Acho que não. — eu disse ofegante.
— Você não parece bem. É melhor se sentar.
— Certo. — murmurei. Pela segunda vez em uma manhã, ponho a cabeça nos meus joelhos.
— Jake deveria ter nos avisado. — Embry reclamou.
— Ele não devia ter metido sua namorada nisso. O que ele esperava?
         — Bem, o lobo foi revelado, agora. — Embry suspirou — Vá em frente, Jake.
Levantei a cabeça e olhei para os garotos que pareciam estar levando tudo isto muito despreocupadamente.
— Vocês não estão preocupados com o que possa acontecer?  perguntei.
Embry piscou uma vez, surpreendido.
— Preocupados? Por quê?
— Eles podem machucar um ao outro!
Embry e Jared riram.
          — Eu espero mesmo que Paul lhe dê uma mordida – disse Jared – Isso lhe dará uma lição.
Eu empalideci.
— Ah, certo. – discordou Embry. — Você viu o Jake? Nem mesmo Sam pode entrar na fase dessa forma, em pleno salto. Ao ver que Paul perdia o controle, quanto tempo ele levou pra atacar, meio segundo? Esse garoto tem um dom.
— Paul luta há mais tempo. Aposto dez pratas que ele deixa uma marca.
— Apostado. Jake nasceu para isso. Paul não pode fazer nada.
Eles apertaram as mãos, sorrindo. Tentei me acalmar ao ver que não estavam preocupados, mas não podia tirar da cabeça as imagens brutais da luta dos lobisomens.
Meu estômago estava revirado, vazio e ácido, e a preocupação havia me dado dor de cabeça.
— Vamos ver Emily. Você sabe que terá comida esperando. – Embry baixou seu olha para mim. – Se importa de dar um passeio?
         — Sem problema. – eu asfixiei. Jared ergueu uma sobrancelha.
— Acho melhor você dirigir, Embry. Parece que ela pode vomitar.
— Ótima ideia. Cadê as chaves? – Embry perguntou.
— Na ignição.
— Você vai aqui. – ele me disse alegremente, me levantando do chão com uma mão e me pondo na cadeira. Depois estudou o espaço disponível — Você terá que ir atrás — ele disse a Jared.
— Isso é bom. Não tenho muito estômago. Não quero estar lá quando ela vomitar.
— Eu aposto que ela é mais dura que isto. Ela anda com vampiros.
— Cinco pratas? – Jared propôs.
— Feito. Sinto-me culpado por tirar seu dinheiro assim.
Embry entrou e ligou o motor enquanto Jared pulava para a parte de trás. Quando fechou sua porta, Embry me disse baixinho:
— Não vomite, certo? Só tenho uma nota de dez e se Paul conseguir cravar os dentes em Jacob...
—Tudo bem — eu sussurrei.
Embry nos dirigiu de volta para a vila.
— Ei, como é que Jake passou por cima da proibição afinal?
— A... o que?
— Er, a ordem. Você sabe, pra não sair falando tudo. Como foi que ele te contou sobre isso?
— Oh, isso — eu disse, lembrando de Jacob se engasgando tentando me contar a verdade na noite passada. — Ele não me disse. Eu adivinhei.
Embry torceu os lábios, parecendo surpreso.
— Hmm. Eu acho que isso também funciona.
— Pra onde estamos indo? — eu perguntei.
— Para a casa de Emily. Ela é namorada de Sam... não, noiva, agora, eu acho. Eles vão nos encontrar lá depois que Sam der uma lição neles pelo que acabou de acontecer. E depois que Paul e Jake arranjarem algumas roupas, se é que Paul ainda tem alguma sobrando.
— Emily sabe sobre...?
— É. E ei, não encare ela. Isso irrita o Sam.
Eu fiz uma carranca pra ele.
— E por que eu encararia ela?
Embry pareceu desconfortável.
— Como você acabou de ver, andar por aí com lobisomens tem seus riscos — Ele mudou de assunto rapidamente. — Ei, você tá legal sobre aquela coisa toda do bebedor de sangue de cabelo preto da clareira? Ele não parecia ser seu amigo, mas...— Embry levantou os ombros.
— Não, ele não era meu amigo.
— Isso é bom. Nós não queríamos começar nada, quebrar o acordo, sabe.
— Oh, é, Jake me contou sobre o acordo uma vez, há muito tempo. Porque matar Laurent ia quebrar o acordo?
— Laurent — ele repetiu, bufando, como se ele achasse engraçado que um vampiro tivesse nome. — Bem, tecnicamente, nós estávamos no terrenos dos Cullen. Nós não temos permissão pra matar nenhum deles, os Cullen, pelo menos, fora da nossa terra - a não ser que eles quebrem o acordo antes. Nós não sabíamos se aquele de cabelo preto era um parente deles ou alguma coisa assim. Parecia que você o conhecia.
— O que é que eles teriam que fazer pra quebra o acordo?
— Morder um humano. Jake não estava muito contente com a ideia de deixar isso ir tão longe.
— Oh. Umm, obrigada. Eu fico feliz que vocês não esperaram.
— O prazer foi nosso. — Parecia que ele estava querendo dizer isso no sentido literal.
Embry dirigiu através da casa mais á oeste na estrada antes de fazer uma curva apertada numa estrada de terra.
— A sua caminhonete é lenta — ele notou.
— Desculpe — No fim dessa rua havia uma casa pequena que um dia já havia sido cinza. Havia apenas uma janela apertada do lado de uma porta pintada de azul, mas havia uma caixa embaixo da janela que estava cheia de margaridas laranjas e amarelas, dando ao lugar todo uma aparência alegre.
Embry abriu a porta da caminhonete e inalou.
— Mmm. Emily está cozinhando.
Jared pulou da carroceria da caminhonete e foi caminhando na direção da porta, mas Embry o parou com uma mão no peito. Ele olhou pra mim significantemente, e limpou a garganta.
— Eu não estou com a minha carteira aqui — Jared disse.
— Tudo bem. Eu não vou esquecer.
Eles passaram por cima do único degrau e entraram na casa sem bater na porta. Eu segui os dois timidamente depois.
A sala da frente, como na casa de Billy, era em grande parte a cozinha. Uma mulher jovem com a pele cor de cobre e com um cabelo cor de corvo longo, liso, estava de pé no balcão perto da pia, tirando muffins grandes de uma bandeja e os colocando num prato de papel. Por um segundo, eu me perguntei se o motivo de Embry para que eu não encarasse era porque essa garota era tão linda. E então ela perguntou. “Vocês estão com fome?” com uma voz melódica, e ela se virou pra nos encarar de frente, um sorriso na metade do rosto. O lado direito do rosto dela estava marcado da linha do cabelo até o queixo com três linhas finas, vermelhas, numa cor vívida apesar delas já terem sarado há muito tempo. Uma das linhas havia puxado pra baixo um canto do seu olho com formato de amêndoa, e a outra havia virado o canto direita da sua boca como numa careta permanente.
Agradecida pelo aviso de Embry, eu me virei rapidamente para olhar para os muffins na mão dela. O cheiro deles era maravilhoso - como amoras frescas.
— Oh — Emily disse, surpresa. — Quem é essa?
Eu olhei pra cima, tentando me concentrar em olhar para a parte esquerda do rosto dela.
— Bella Swan — Jared disse pra ela, levantando os ombros. Aparentemente eu já fui o tópico de uma conversa antes. — Quem mais?
— Deixe que Jacob arrume um jeito pra contornar isso — Emily murmurou.
Ela me encarou, e nenhuma das duas partes do seu rosto uma vez lindo era amigável. — Então, você é a garota do vampiro.
Eu me enrijeci.
— Sim. Você é a garota do lobisomem? — Ela sorriu, e Embry e Jared também. O lado esquerdo do rosto dela se amenizou.
— Eu acho que sou — Ela se virou para Jared. — Onde está Sam?
— Bella, er, surpreendeu Paul essa manhã.
Emily rolou seu olho bom.
— Ah, Paul — ela suspirou.— Você acha que eles vão demorar? Eu ia começar a fazer os ovos.
— Não se preocupe — Embry disse a ela. — Se eles se atrasarem, nós não vamos deixar nada se desperdiçar.
Emily gargalhou, e então abriu a geladeira.
— Sem dúvida — ela concordou. — Bella, você está com fome? Vá em frente e se sirva com um muffin.
— Obrigada — Eu peguei um do prato e comecei a mordiscar pelas beiras. Estava delicioso, e caiu bem no meu estômago delicado. Embry pegou o seu terceiro e enfiou inteiro na boca.
— Deixe algum pros seus irmãos — Emily castigou ele, batendo na cabeça dele com uma colher de pau. A palavra me surpreendeu, mas parecia não ser nada para os outros.
— Porco — Jared comentou.
Eu me inclinei no balcão e observei os três brincando como uma família. A cozinha de Emily era um lugar amigável, brilhante com armários brancos e madeira pálida no chão. Na pequena mesa redonda, um vaso chinês azul e branco estava lotado de flores selvagens. Embry e Jared pareciam completamente à vontade aqui.
Emily estava misturando uma quantidade enorme de ovos, várias dúzias, em uma grande tigela amarela. Ela tinha levantado as mangas da sua camisa cor de lavanda, e eu podia ver que as cicatrizes se estendiam por todo o seu braço e sua mão direita. Andar por aí com lobisomens tinha seus riscos, assim como Embry havia dito.
A porta da frente se abriu, e Sam passou por ela.
— Emily — ele disse, e tanto amor transbordava da voz dele que eu me senti envergonhada, uma intrusa, enquanto observada ele atravessar a sala com uma passada e pegar o rosto dela entre suas mãos grandes. Ele se inclinou e beijou as cicatrizes escuras na bochecha direita dela antes de beijar seus lábios.
— Ei, para com isso — Jared reclamou. — Eu estou comendo.
— Então cala a boca e come — Sam sugeriu, beijando a boca arruinada Emily de novo.
— Ugh — Embry gemeu.
Isso era pior do que qualquer filme romântico; isso era tão real que cantava com a alegria e o amor verdadeiro. Eu abaixei meu muffin e passei meus braços ao redor do meu peito vazio. Eu olhei para as flores, tentando ignorar a paz dominante do momento, e a dor pulsante das minhas feridas.
Eu fiquei agradecida pela distração quando Jacob e Paul entraram pela porta, e depois fiquei chocada quando vi que eles estavam rindo.
Enquanto eu olhava, Paul deu um murro no ombro de Jacob e Jacob retribuiu com um soco nas costelas. Eles riram de novo. Os dois pareciam ainda estar inteiros. Jacob procurou pela sala, os olhos dele pararam quando ele me encontrou inclinada, esquisita e fora do lugar, no balcão perto do fim da cozinha.     
— Ei, Bells — ele me cumprimentou alegremente. Ele pegou dois muffins enquanto passava pela cozinha pra vim ficar do meu lado. — Desculpa por antes — ele murmurou por baixo do fôlego. — Como está?
— Não se preocupe, eu estou bem. Bons muffins — Eu peguei o meu de volta e comecei a mordiscar de novo. Meu peito se sentiu melhor assim que Jacob estava ao meu lado.
— Oh, cara! — Jared gemeu, nos interrompendo.
Eu olhei pra cima e Embry estava examinando uma linha cor de rosa que estava desaparecendo no antebraço de Paul. Embry estava sorrindo, exultante.
— Quinze dólares — ele declarou.
— Você fez aquilo? — eu cochichei pra Jacob, me lembrando da aposta.
— Eu mal toquei nele. Ele vai estar perfeito no por do sol.
— No por do sol? — Eu olhei para a linha no braço de Paul. Estranho, mas ela parecia ter semanas.
— Coisa de lobo — ele cochichou.
Eu balancei a cabeça, tentando não achar estranho.
Você está bem? — eu perguntei pra ele por baixo do fôlego.
— Nenhum arranhão — A expressão dele era de zombaria.
— Ei, caras — Sam disse numa voz alta, interrompendo todas as conversas que estavam acontecendo na pequena sala.
Emily estava no fogão, mexendo a mistura de ovos numa frigideira grande, mas Sam ainda estava com uma mão tocando a parte de baixo das suas costas, um gesto inconsciente.
— Jacob tem uma informação pra nós. 
Paul não parecia surpreso. Jacob já devia ter explicado isso pra ele e pra Sam. Ou... eles já haviam ouvido os seus pensamentos.
— Eu sei o que a ruiva quer — Jacob dirigiu suas palavras pra Jared e Embry. — Era isso que eu estava tentando te contar — Ele chutou a perna da cadeira onde Paul havia se sentado.
— E? — Jared perguntou.
O rosto de Jacob ficou sério.
— Ela está querendo vingar o seu parceiro - só que o parceiro dela não é o sanguessuga de cabelos pretos que nós matamos. Os Cullen mataram o parceiro dela no ano passado, e agora ela está atrás de Bella.
Isso não era novidade pra mim, mas eu tremi.
Jared, Embry e Emily olharam pra mim com as bocas abertas de surpresa.
— Ela é só uma garota — Embry protestou.
— Eu não disse que fazia sentido. Mas é por isso que a sugadora de sangue está querendo passar por nós. Ela está a caminho de Forks.
Eles continuaram a olhar pra mim, ainda com as bocas abertas, por um longo momento. Eu abaixei a cabeça.
— Excelente — Jared finalmente disse, um sorriso começando a puxar os cantos da sua boca pra cima. — Nós temos um isca.
Com uma velocidade formidável, Jacob agarrou uma lata aberta emcima do balcão e a lançou na cabeça de Jared. A mão de Jared se levantou mais rápido do que eu julgaria possível, e afastou a lata pouco antes que ela atingisse o seu rosto.
— Bella não é isca.
— Você sabe o que eu quero dizer — Jared disse sem nenhuma vergonha.
— Então nós vamos mudar os nossos padrões — Sam disse, ignorando a discussão. — Nós vamos tentar deixar alguns buracos, e ver se ela cai nessa. Nós vamos ter que nos separar, e eu não gosto disso. Mas se ela realmente estiver atrás de Bella, ela provavelmente não vai tentar tirar vantagem dos nossos números divididos.
— Quil deve estar perto de se juntar a nós — Embry murmurou. — Então nós seremos capazes de nos separar igualmente.
Todo mundo olhou pra baixo. Eu olhei para o rosto de Jacob, e ele estava sem esperança, como estava ontem à tarde, do lado de fora da casa dele.
Não importava o quanto eles parecessem estar confortáveis com os seus destinos, aqui nessa cozinha feliz, nenhum desses lobisomens queria esse mesmo destino para o amigo.
— Bem, não vamos contar com isso — Sam disse numa voz baixa, e então continuou no seu volume normal.
— Paul, Jared e Embry vão ficar no perímetro exterior, e Jacob e eu vamos ficar com o interior. Nós vamos nos juntar quando agarrarmos ela.
Eu reparei que Emily não ficou particularmente satisfeita por Sam ter ficado no grupo menor. A preocupação dela me fez olhar pra Jacob, preocupada também.
Sam entendeu meu olhar.
— Jacob acha que seria bom você passar o máximo de tempo aqui em La Push. Ela não vai saber onde te encontrar assim tão facilmente, só na duvida.
— E quanto à Charlie? — eu quis saber.
— A maré de março ainda está aí — Jacob disse. — Eu acho que Billy e Harry vão conseguir manter Charlie aqui quando ele não estiver no trabalho.
— Espere — Sam disse, segurando uma mão pra cima. O olhar dele foi pra Emily e depois voltou pra mim. — Isso é o que Jacob acha melhor, mas você precisa decidir sozinha. Você devia pesar os riscos de ambas as situações muito seriamente. Você viu essa manhã o quanto as coisas podem ficar perigosas com facilidade por aqui, com podem sair de controle rapidamente. Se você escolher ficar conosco, eu não posso te dar garantias sobre a sua segurança.
— Eu não vou machucar ela — Jacob murmurou, olhando pra baixo.
Sam agiu como se não tivesse ouvido ele falar.
— Se houvesse outro lugar onde você posse se sentir segura...
Eu mordi meu lábio. Onde mais eu podia ir sem colocar mais ninguém em risco? Eu recuei de novo da ideia de trazer Renée pra dentro disso - colocando ela pra dentro do alvo onde eu estava...
— Eu não quero levar Victoria pra nenhum outro lugar — eu sussurrei. Sam balançou a cabeça. — Isso é verdade. É melhor deixar ela aqui, onde nós podemos dar um fim nisso.
Eu vacilei. Eu não queria Jacob ou nenhum dos outros tentando dar um fim em Victória. Eu olhei para o rosto de Jake; ele estava relaxado, quase o mesmo do qual eu me lembrava antes dessa coisa de lobo, e extremamente despreocupado com a ideia de caçar vampiros.
— Você vai ser cuidadoso, certo? — eu perguntei, com um caroço audível na minha garganta.
Os garotos explodiram de vaias de brincadeira. Todos riram de mim - exceto Emily. Ela encontrou meus olhos, e eu de repente consegui enxergar a simetria por baixo da sua deformidade. O rosto dela ainda era lindo, e vivo com uma preocupação ainda mais penetrante do que a minha. Eu tive que desviar o olhar, antes que o amor por trás das suas preocupações fizessem o meu peito doer de novo.
— A comida está pronta — ela anunciou, a conversa sobre estratégias virou história. Os rapazes correram ao redor da mesa - que parecia pequena e prestes a cair por causa deles - e devoraram a panela de tamanho gigante de ovos que Emily havia colocado na frente deles em tempo recorde. Emily comeu inclinada no balcão como eu - evitando a confusão da mesa - e olhou pra eles com olhos aficionados. A expressão dela deixava bem claro que essa era a sua família.
No fim das contas, isso não era exatamente o que eu esperava de um bando de lobisomens.
Eu passei o dia em La Push, em grande parte na casa de Billy. Ele deixou mensagens no telefone de Charlie e na delegacia, e Charlie apareceu quase na hora do jantar com duas pizzas. Foi bom que ele tenha trazido duas grandes; Jacob comeu uma inteira sozinho.
Eu vi Charlie olhando pra nós dois com olhos suspeitos a noite inteira, especialmente para o Jacob muito mudado. Ele perguntou sobre o cabelo; Jacob levantou os ombros e disse que isso era mais conveniente.
Eu sabia que assim que Charlie e eu fossemos pra casa, Jacob ia se mandar - ele ia sair por aí como lobo, como ele havia feito em pequenos intervalos durante o dia inteiro.
Ele e os seus irmãos meio que mantinham uma ronda constante, procurando por algum sinal de que Victória havia voltado. Mas desde que eles a caçaram nas piscinas termais ontem à noite - caçado ela até meio caminho do Canadá, de acordo com Jacob - ela continuava desaparecida.
Eu não tinha a mínima esperança que ela fosse simplesmente desistir. Eu não tinha esse tipo de sorte. Jacob me acompanhou até a caminhonete depois do jantar e ficou grudado na janela, esperando que Charlie fosse embora primeiro.
— Não tenha medo essa noite — Jacob disse enquanto Charlie fingia estar tendo problemas com o cinto de segurança. — Nós vamos estar de olho lá, observando.
— Eu não vou estar preocupada comigo mesma — eu prometi.
— Você é boba. Caçar vampiros é divertido. É a melhor parte dessa bagunça toda.
Eu balancei minha cabeça.
— Se eu sou boba, então você está perigosamente desequilibrado.
Ele gargalhou.
— Descanse um pouco, Bella, querida. Você parece exausta.
— Eu vou tentar — Charlie tocou a buzina impaciente.
— Te vejo amanhã — Jacob disse. — Venha assim que acordar.
— Eu vou.
Charlie me seguiu até em casa. Eu prestei pouca atenção aos faróis no meu espelho retrovisor. Ao invés disso, eu imaginei onde Sam, Jared, Embry e Paul haviam ido, na sua caçada de hoje à noite. Eu imaginei se Jacob já havia se juntado a eles.
Quando nós chegamos em casa, eu corri para as escadas, mas Charlie estava bem atrás de mim.
— O que está acontecendo, Bella? — ele quis saber antes que eu conseguisse escapar. — Eu pensei que Jacob fizesse parte de uma gangue e que vocês estavam brigando.
— Fizemos as pazes.
— E a gangue?
— Eu não sei - quem consegue entender os garotos adolescentes? Eles são um mistério. Mas eu conheci Sam Uley e sua noiva, Emily. Pra mim eles pareceram bem legais — Eu levantei os ombros. — Deve ter sido tudo um mal-entendido.
O rosto dele mudou.
— Eu não sabia que ele e Emily haviam tornado oficial. Isso é bom. Pobre garota.
— Você sabe o que aconteceu com ela?
— Espancada por um urso, no norte, durante a temporada de defesa dos salmões - um acidente horrível. Faz mais de um ano agora. Eu ouvi dizer que Sam ficou bem perturbado com a coisa toda.
— Isso é horrível — eu ecoei. Mais de um ano atrás. Eu aposto que isso havia acontecido quando só havia um lobisomem em La Push. Eu tremi ao pensar em como Sam deve se sentir toda vez que olha para o rosto de Emily.
Naquela noite eu fiquei acordada por muito tempo tentando pensar no dia de hoje. Eu pensei no meu jantar com Billy, Jacob e Charlie, na longa tarde na casa dos Black, esperando ansiosamente ter notícias de Jacob, na cozinha de Emily, o horror da briga de lobisomens, a conversa com Jacob na praia.
Eu pensei no que Jacob havia dito cedo nessa manhã, sobre hipocrisia.
Eu pensei nisso por um longo momento. Eu não gostava de pensar que era uma hipócrita, só que qual era a vantagem de mentir pra mim mesma? Eu me curvei numa bola muito apertada. Não, Edward não era um assassino. Mesmo em seu passado obscuro, pelo menos ele nunca foi assassino de inocentes. Mas e se ele tivesse sido? E se, durante o tempo que eu não o conheci, ele tivesse sido exatamente igual a qualquer outro vampiro? E se houvessem pessoas desaparecendo nas florestas, como agora? Isso teria me mantido afastada dele?
Eu balancei minha cabeça tristemente. O amor é irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais você ama alguém, menos sentido as coisas fazem. Eu me virei e tentei pensar em outra coisa - em pensei em Jacob e seus irmãos, correndo na escuridão. Eu peguei no sono imaginando os lobos, invisíveis na noite, me protegendo do perigo.
Quando eu sonhei, eu estava na floresta de novo, mas eu não estava vagando. Eu estava segurando a mão assustada de Emily enquanto nós encarávamos as sombras e esperávamos ansiosamente que os nossos lobisomens voltassem pra casa.

4 comentários:

  1. A bella e os seus sonhos enigmáticos rsrs

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  2. A bella e os seus sonhos enigmáticos rsrs

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  3. Então agora são nossos lobisomens? Eu pensei que a Bella fosse apaixonada por um vampiro kkkkk

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