25 de setembro de 2015

Capítulo 14 - Declaração

—Você não pode estar falando sério—, eu disse, na quarta à tarde. —Você está completamente louca!—
—Diga o que você quiser sobre mim—, Alice respondeu. —A festa ainda vai acontecer—.
Eu encarei ela, os meus olhos estavam tão arregalados de descrença que parecia que eles estavam prestes a cair e cair na minha bandeja do almoço.
—Oh, se acalme, Bella! Não há razão pra não continuar com isso. Além do mais, os convites já foram enviados—.
—Mas... o... você... eu... louca!—, eu estalei.
—Você já comprou o meu presente—, ela me lembrou. —Você não precisa fazer nada além de aparecer—.
Eu fiz uma esforço pra me acalmar. —Com tudo o que está acontecendo, uma festa dificilmente é apropriada.—
—A formatura é o que está acontecendo, e uma festa é tão apropriada que é quase passé—.
—Alice!—
Ela suspirou, e tentou ficar séria. —Existem algumas coisas que precisamos pôr em ordem agora, e isso vai levar algum tempo. Enquanto estivermos aqui sentados esperando, nós podemos muito bem comemorar as coisas boas. Você só vai se formar do colegial - pela primeira vez - uma vez. Você não vai ser humana de novo, Bella. Essa é uma chance única na vida—.
Edward, que estava em silêncio durante a nossa discussão, deu um olhar de aviso pra ela. Ela mostrou a língua pra ele. Ela estava certa - a voz suave dela nunca ia se sobrepor à tagarelice do refeitório. E em qualquer caso, ninguém ia entender mesmo o significado das palavras dela.
—Que poucas coisas nós precisamos pôr em ordem?—, eu perguntei, me recusando a ser passada pra trás.
Edward respondeu com uma voz baixa. —Jasper acha que poderíamos usar um pouco de ajuda. A família de Tanya não é a única opção que temos. Carlisle está tentando encontrar alguns velhos amigos, e Jasper está procurando por Peter e Charlotte. Ele está considerando falar com Maria...—
Alice estremeceu delicadamente.
—Não deve ser tão difícil convencê-los a ajudar—, ele disse. —Ninguém quer uma visita da Itália—.
—Mas esses amigos - eles não vão ser... vegetarianos, certo?—, eu protestei, usando o apelido seguro que os Cullen davam a si mesmos.
—Não—, Edward respondeu, repentinamente sem expressão.
—Aqui? Em Forks?—
—Eles são amigos—, Alice me assegurou. —Tudo vai ficar bem. Não se preocupe. E depois, Jasper terá que nos dar alguns cursos sobre eliminação de recém-nascidos...—
Os olhos de Edward brilharam com isso, e um breve sorriso apareceu no rosto dele. De repente, parecia que o meu estômago estava cheio de pequenos pedaços de gelo.
—Quando vocês vão?—, eu perguntei com uma voz fraca. Eu não conseguia aguentar isso - a ideia de que alguém podia não voltar. E se fosse Emmett, tão corajoso e irresponsável que nunca era nem minimamente cuidadoso? Ou Esme, tão doce e maternal que eu nem podia imaginá-la numa luta? Ou Alice, tão pequena, de aparência tão frágil? Ou... mas eu nem conseguia pensar no nome, considerar a possibilidade.
—Uma semana—, Edward disse casualmente. —Isso deve nos dar tempo suficiente—.
Os pedaços de gelo reviraram desconfortavelmente no meu estômago. De repente eu estava nauseada.
—Você está verde, Bella—, Alice comentou.
Edward passou o braço ao meu redor e me puxou com força contra o lado do seu corpo. —Tudo vai ficar bem, Bella. Confie em mim—.
Claro, eu pensei comigo mesma. Confie nele. Não era ele que ia ter que sentar e se perguntar se a razão da existência dele ia voltar pra casa.
E foi aí que me ocorreu. Talvez eu não tivesse que ficar sentada. Uma semana era tempo mais que suficiente pra mim.
—Você estão procurando por ajuda—, eu disse lentamente.
—Sim—, a cabeça de Alice pendeu pra o lado enquanto ela processava o tom da minha voz.
Eu só olhei pra ela enquanto respondia. A minha voz só era um pouco mais alta que um suspiro quando eu respondi. —Eu podia ajudar—.
O corpo de Edward ficou rígido de repente, o braço dele me apertando demais. Ele exalou, e o som foi um assobio.
Mas foi Alice, ainda calma, quem respondeu. —Isso não seria realmente uma ajuda—
—Porque não?—, eu discuti; eu podia ouvir a desespero na minha voz. —Oito é melhor que sete. Há mais tempo do que o suficiente—.
—Não há tempo suficiente pra fazer com que você seja uma ajuda, Bella—, ela discordou friamente. —Você se lembra de como Jasper descreveu os jovens? Você não seria boa em uma luta. Você não seria capaz de controlar seus instintos, e isso faria de você um alvo fácil. E aí Edward ia se machucar tentando proteger você— Ela cruzou os braços no peito, satisfeita com a sua lógica indiscutível.
E eu sabia que ela estava certa, quando ela falava desse jeito. Eu afundei na minha cadeira, a minha esperança repentina estava derrotada. Ao meu lado, Edward relaxou.
Ele sussurrou no meu ouvido. —Não porque você está com medo—.
—Oh—, Alice disse, e um olhar vazio passou pelo rosto dela. A expressão dela se tornou amarga. —Eu odeio cancelamentos de última hora. Então isso significa que apenas sessenta e cinco pessoas irão à festa...—
—Sessenta e cinco!— Meus olhos se arregalaram de novo. Eu não tinha tantos amigos assim. Será que eu conhecia tantas pessoas?
—Quem cancelou?— Edward imaginou, me ignorando.
—Renée—
—O quê?—, eu ofeguei.
—Ela ia te fazer uma surpresa pela sua formatura, mas alguma coisa deu errado. Você vai ter uma mensagem quando chegar em casa—.
Por um momento, eu me deixei aproveitar o alívio. O que quer que tenha dado errado para a minha mãe, eu estava eternamente grata. Se ela tivesse vindo a Forks agora... eu nem queria pensar nisso. A minha cabeça ia explodir.
A luz de mensagens estava ligada quando eu cheguei em casa. O meu sentimento de alívio cresceu de novo quando eu ouvi a minha mãe descrever o acidente de Phil no campo de bola - enquanto estava demonstrando um passe, ele se bateu com o pegador e quebrou o osso da coxa; ele estava inteiramente dependente dela, e não tinha como ela poder deixar ele. A minha mãe ainda estava se desculpando quando a mensagem caiu.
—Bom, essa é uma—, eu suspirei.
—Uma o que?—, Edward perguntou.
—Uma pessoa que eu não preciso me preocupar que seja assassinada essa semana—
Ele revirou os olhos.
—Porque você e Alice não levam isso a sério?—, eu quis saber. —Isso é sério—
Ele sorriu. —Confiança'.
—Maravilhoso—, eu murmurei. Eu peguei o telefone e disquei o número de Renée. Eu sabia que essa seria uma longa conversa, mas eu também sabia que eu não teria que contribuir muito.
Eu só escutei, e reassegurei ele todas as vezes que eu tinha a chance de falar: Eu não estava desapontada, eu não estava com raiva, eu não estava magoada. Ela podia se concentrar apenas em fazer Phil melhorar. Eu passei o meu —melhore logo— pra Phil, e prometi ligar pra ela com todos os mínimos detalhes da formatura genérica da Forks High. Finalmente, eu tive que usar a minha necessidade desesperada de estudar pra as provas finais para sair do telefone.
A paciência de Edward não tinha fim. Ele esperou educadamente durante a conversa inteira, só brincando com o meu cabelo e sorrindo toda vez que eu olhava pra cima. Provavelmente era superficial ficar reparando nessas coisas enquanto eu tinha tantas coisas importante com as quais me preocupar, mas o sorriso dele ainda me deixava sem fôlego. Ele era tão lindo que as vezes isso tornava difícil pensar em outra coisa, era difícil me concentrar nos problemas de Phil ou nas desculpas de Renée ou em exércitos de vampiros hostis. Eu era só uma humana.
Assim que eu desliguei, eu fiquei na pontas dos pés pra dar beijar ele. Ele colocou as mãos em volta da minha cintura e me colocou no balcão da cozinha, pra que eu não tivesse que me esticar tanto. Isso funcionava pra mim. Eu travei os meus braços no pescoço dele e derreti no peito frio dele.
Cedo demais, como sempre, ele se afastou.
Eu senti o meu rosto fazer um beicinho. Ele riu da minha expressão enquanto se destravava dos meus braços e das minhas pernas. Ele se inclinou no balcão ao meu lado e colocou um braço levemente sobre os meus ombros.
—Eu sei que você pensa que eu tenho um tipo de auto-controle perfeito, inflexível, mas na verdade esse não é o caso.—
—Eu queria—, eu suspirei.
E ele suspirou também.
—Amanhã depois da escola—, ele disse, mudando de assunto. —Eu vou caçar com Carlisle, Esme e Rosalie. Só por algumas horas - nós vamos ficar por perto. Alice, Jasper e Emmett devem ser capazes de te manter segura—.
—Ugh—, eu murmurei. Amanhã era o primeiro dia das provas finais, e só tínhamos aula durante a metade do dia. Eu tinha prova de Cálculo e História - os dos únicos desafios na minha lista - então eu teria o dia quase o dia todo sem ele, e nada pra fazer além de me preocupar. —Eu odeio ficar com babás—.
—É temporário—, ele prometeu.
—Jasper vai ficar enfadado. Emmett vai fazer piada de mim—.
—Eles vão estar em seu melhor comportamento—.
—Certo—, eu estrondei.
E foi aí que me ocorreu que eu tinha uma opção além das babás. —Sabe... eu não estive em La Push desde a fogueira—.
Eu observei o rosto dele pra qualquer mudança de expressão. Os olhos dele se estreitaram só um pouco.
—Eu ficaria segura o suficiente lá—, eu lembrei ele.
Ele pensou nisso por alguns segundos. —Provavelmente você está certa—.
O rosto dele estava calmo, mas estava suave demais. Eu quase perguntei se ele preferiria que eu ficasse aqui, mas aí ei pensei nas bobagens que Emmett sem dúvida soltaria, e eu mudei de assunto. —Você já está com sede?—, eu me inclinei pra tocar as leves sombras embaixo dos olhos dele. As íris dele ainda tinham uma profunda cor dourada.
—Na verdade não— Ele pareceu relutante em responder, e isso me surpreendeu. Eu esperei por uma explicação.
—Nós queremos estar tão fortes quanto for possível—, ele explicou, ainda relutante. —Nós provavelmente vamos caçar de novo no caminho, procurando por animais grandes—
—Isso te deixa mais forte?—
Ele procurou por alguma coisa no meu rosto, mas não havia nada pra encontrar além de curiosidade.
—Sim—, ele disse finalmente. —O sangue humano nos torna mais fortes, mas apenas fracionalmente. Jasper anda pensando em burlar as regras - mesmo tendo aversão à ideia, ele é prático demais - mas ele não quer nos sugerir. Ele sabe o que Carlisle vai dizer—.
—Isso não ia ajudar?— eu perguntei baixinho.
—Isso não importa. Não vamos mudar quem somos—.
Eu fiz uma careta. Se alguma ajudava nas chances... e aí eu estremeci, me dando conta de que eu estava desejando que um estranho morresse pra proteger ele. Eu estava horrorizada comigo mesma, mas também não era inteiramente capaz de descartar a ideia.
Ele mudou de assunto de novo. —É por isso que eles são tão fortes, é claro. Os recém-nascidos são cheios de sangue humano - o próprio sangue deles, reagindo à mudança. Ele permanece nos tecidos e os deixa mais forte. O corpo deles vai enfraquecendo lentamente, como Jasper disse, e a força vai começando a esvair em cerca de um ano—.
—Quão forte eu vou ser?—
Ele sorriu pra mim. —Mais forte que eu—.
—Mais forte que Emmett?—
O sorriso ficou maior. —Sim. Me faça o favor de desafiar ele para uma luta de braço. Seria uma boa experiência pra ele—.
Eu ri. Isso soava tão ridículo.
Aí eu suspirei e desci do balcão, porque eu realmente não podia mais adiar isso. Eu tinha que estudar, e estudar muito. Por sorte, eu tinha Edward pra me ajudar, e Edward era um professor excelente - já que ele sabia absolutamente tudo. Eu me dei conta de que o meu maior problema seria me concentrar nos testes. Se eu não me cuidasse, eu ia acabar escrevendo a minha redação de História sobra a guerra dos vampiros do Sul.
Eu fiz uma pausa pra ligar pra Jake, e Edward pareceu estar tão confortável quanto estava quando eu estava no telefone com Renée. Ele brincou com o meu cabelo de novo.
Apesar de ser o meio da tarde, o meu telefonema acordou Jacob, e no início ele estava grogue. Ele se alegrou imediatamente quando eu perguntei se podia fazer um visita no dia seguinte.
A escola Quileute já estava de férias para o verão, então ele me disse pra ir o mais cedo que pudesse. Eu estava contente por ter uma opção além de ficar com babás. Havia um pouco mais de dignidade em passar o dia com Jacob.
Um pouco dessa dignidade se perdeu quando Edward insistiu de novo em me levar à linha da fronteira como se fosse um bebê mudando de custódia.
—Como você acha que se saiu nas provas?— Edward perguntou no caminho, tentando puxar conversa.
—História foi fácil, mas eu não sei sobre Cálculo. Parecia que estava fazendo um pouco de sentido, então isso provavelmente significa que eu reprovei—.
Ele riu. —Eu tenho certeza que você se saiu bem. Ou, se você estiver realmente preocupada, eu podia subornar o Sr. Varne pra ele te dar um dez—.
—Er, obrigada, mas não, obrigada—.
Ele riu de novo, mas parou de repente quando nós viramos na última curva e vimos o carro vermelho esperando. Ele fez uma careta de concentração, e então, enquanto parava o carro, ele suspirou.
—O que há de errado?—, eu perguntei, minha mão na porta.
Ele balançou a cabeça. —Nada—. Os olhos dele estavam apertados enquanto ele olhava para o outro carro através do pára-brisa. Eu já tinha visto aquele olhar antes.
—Você está escutando Jacob, não está?—, eu acusei.
—Não é muito fácil ignorar uma pessoa quando ela está gritando—.
—Oh—, eu pensei nisso por um segundo. —O que ele está gritando?—, eu sussurrei.
—Eu estou absolutamente certo de que ele mesmo vai mencionar—, Edward disse com um tom torto.
Provavelmente eu pudesse ter pressionado o assunto, mas aí Jacob tocou sua buzina - duas vezes impacientemente.
—Isso é falta de educação—, Edward rosnou.
—Esse é Jacob—, eu suspirei, e eu me apressei pra sair antes que Jacob realmente fizesse alguma coisa que levasse os dentes de Edward ao limite.
Eu acenei pra Edward antes de entrar no Rabbit e, à distância, parecia que ele realmente estava chateado com a história da buzina... ou com o que quer que Jacob estivesse pensando.
Mas os meus olhos eram fracos e cometiam erros o tempo inteiro.
Eu queria que Edward viesse comigo. Eu queria fazer com que eles dois saíssem de seus carros e balançassem suas mãos e fossem amigos - ser Edward e Jacob ao invés de vampiro e lobisomem. Era como se eu tivesse aqueles dois imãs teimosos nas minhas mãos de novo, e eu estava segurando eles juntos, tentando forçar a natureza a se reverter...
Eu suspirei e entrei no carro de Jacob.
—Ei, Bells—, o tom de Jake era alegre, mas a voz dele estava embargada. Eu examinei o rosto dele enquanto ele descia a estrada, dirigindo seu carro mais rápido que eu, mas mais devagar que Edward, no caminho de volta pra La Push.
Jacob parecia mal, talvez até doente. As pálpebras dele caíram e o rosto dele estava absorto. Seu cabelo cheio estava saindo em direções variadas; ele estava quase chegando no queixo dele em alguns lugares.
—Você está bem, Jake?—
—Só cansado—, ele conseguiu botar pra fora antes de dar um bocejo gigantesco. Quando ele terminou, ele perguntou. —O que você quer fazer hoje?—
Eu olhei ele por um momento. —Vamos só ficar na sua casa por enquanto—, eu sugeri. Ele não parecia estar com disposição pra fazer muito mais do que isso. —Nós podemos andar nas nossas motos mais tarde—.
—Claro,claro—, ele disse, bocejando de novo.
A casa de Jacob estava vazia, e isso parece estranho. Eu me dei conta de que eu pensava em Billy praticamente como uma instalação permanente de lá.
—Onde está o seu pai?—
—Na casa dos Clearwater. Ele tem ido bastante lá desde que Harry morreu. Sue fica sozinha—.
Jacob se sentou no sofá que não era maior do que uma poltrona e foi um pouco pro lado pra me dar mais espaço.
—Oh. Isso é legal. Pobre Sue—.
—É... ela está tendo alguns problemas...—, ele hesitou. —Com os filhos—.
—Claro, deve ser difícil pra Seth e Leah, perder o pai...—
—Uh-huh—, ele concordou, perdido em pensamentos. Ele pegou o controle remoto e ficou passando os canais sem parecer prestar atenção nisso. Ele bocejou.
—O que há com você, Jake? Você parece um zumbi—.
—Eu dormi umas duas horas na noite passada, e quatro horas na noite anterior—, ele me disse. Ele esticou seus longos braços lentamente, e eu pude ouvir as juntas dele estalarem enquanto ele se flexionava. Ele colocou o braço em cima do encosto do sofá atrás de mim, e se encostava pra descansar a sua cabeça na parede. —Eu estou exausto—.
—Porque você não está dormindo?—, eu perguntei.
Ele fez uma cara. —Sam está sendo difícil. Ele não confia de verdade nos seus sugadores de sangue. Eu estive correndo em turno duplo por duas semanas e ninguém me tocou ainda, mas ele ainda assim não confia. Então eu estou sozinho por enquanto—.
—Turnos duplos? Isso é porque você está tentando me vigiar? Jake, isso é errado! Você precisa dormir. Eu vou ficar bem—.
—Não é grande coisa—. Os olhos dele ficaram mais alerta abruptamente. —Ei, você já descobriu quem estava no seu quarto? Há algo novo?—
Eu ignorei a segunda pergunta. —Não, nós não descobrimos nada sobre o meu, um, visitante—.
—Então eu vou ficar por perto—, ele disse enquanto os olhos dele se fechavam.
—Jake...— eu comecei a choramingar.
—Ei, isso é o mínimo que eu posso fazer - eu ofereci servidão eterna. Eu sou seu escravo por uma vida—.
—Eu não quero um escravo!—
Os olhos dele não se abriram. —O que você quer, Bella?—
—Eu quero o meu amigo Jacob - e eu não quero ele meio-morto, se machucando em alguma tentativa desmandada de -—
Ele me cortou. —Olhe desse jeito - eu estou esperando encontrar um vampiro que eu possa matar, tudo bem?—
Eu não respondi. Aí ele olhou pra mim, olhando para a minha reação.
—Brincando, Bella—.
Eu encarei a TV.
—Então, algum plano especial para a semana que vem? Você vai se formar. Uau. Isso é grande—. A voz dele ficou plana, e, o rosto dele, já caído, pareceu completamente desfigurado quando ele fechou os olhos de novo - dessa vez não com exaustão, mas com negação.
Eu me dei conta de que a formatura ainda tinha uma significância horrível pra ele, apesar das minhas intenções estarem confusas agora.
—Nada de planos especiais—, eu disse cuidadosamente, esperando que ele ouvisse a confiança nas minhas palavras sem precisar de explicações detalhadas. Eu não queria falar nisso agora. Pra começar, eu sabia que ele podia ler demais nas minhas reações. —Bem, eu vou ter que ir a uma festa de formatura. A minha.— eu fiz um som de desgosto. —Alice adora festas, e ela convidou a cidade inteira para uma noitada. Vai ser horrível—.
Os olhos dele se abriram enquanto eu falava, e um sorriso aliviado fez o rosto dele parecer menos cansado. —Eu não fui convidado. Eu estou magoado—, ele zombou.
—Considere-se convidado. Essa supostamente é a minha festa, então eu devia poder convidar quem eu quiser—.
—Obrigado—, ele disse sarcasticamente, os olhos dele se fechando mais uma vez.
—Eu queria que você pudesse vir—, eu disse, sem nenhuma esperança. —Ia ser divertido. Pra mim, quer dizer—.
—Claro, claro—, ele murmurou. —Isso seria muito... sábio...— a voz dele parou.
Alguns segundos depois, ele estava roncando.
Pobre Jacob. Eu estudei seu rosto sonhador, e gostei do que vi. Enquanto ele dormia, todos os traços de defesa e de amargura desapareceram, e de repente ele era o garoto que havia sido o meu melhor amigo antes que toda essa bobagem de lobisomem se metesse no caminho. Ele parecia muito mais jovem. Ele parecia ser o meu Jacob.
Eu fiquei sentada no sofá pra esperar o cochilo dele, esperando que ele dormisse um pouco e compensasse um pouco pelo que ele havia perdido. Eu passei pelos canais, mas não havia muito passando. Eu escolhi um programa culinário, sabendo, enquanto eu assistia, que eu nunca havia me esforçado tanto no jantar de Charlie. Jacob continuava a roncar, ficando mais alto. Eu aumentei a TV.
Eu estava estranhamente relaxada, quase sonolenta também.
Essa casa parecia ser mais segura que a minha própria, talvez porque ninguém nunca havia vindo me procurar aqui. Eu me curvei no sofá e pensei em tirar uma soneca também. Talvez eu até tivesse, mas os roncos de Jacob eram impossíveis de ignorar. Então, ao invés de dormir, eu deixei minha mente vagar.
As provas finais tinham acabado, e a maioria delas tinha sido uma moleza. Cálculo, a única exceção, havia ficado pra trás, tendo eu passado ou reprovado. A minha educação colegial estava acabada. E eu não sabia o que eu realmente sentia em relação a isso. Eu não conseguia olhar pra isso objetivamente, sendo que isso estava conectado com o fim da minha vida humana.
Eu me perguntei por quanto tempo Edward usaria essa desculpa de —não porque você está com medo—. Eu ia ter que bater o pé uma hora dessas.
Se eu estivesse pensando com praticidade, eu saberia que faria mais sentido se Carlisle me transformasse no segundo que eu ultrapassasse a barreira da formatura. Forks estava se tornando quase tão perigosa quanto uma zona de guerra. Não, Forks era uma zona de guerra. Sem mencionar... essa seria uma boa desculpa pra perder a festa de formatura. Eu sorri pra mim mesma quando pensei na mais trivial das razões para a minha mudança. Bobagem... mas ainda assim tentador.
Mas Edward estava certo - eu ainda não estava totalmente pronta.
E eu não queria ser prática. Eu queria que Edward fizesse isso. Esse não era um desejo racional. Eu tinha certeza de que - cerca de dois segundos depois que alguém tivesse me mordido e o veneno começasse a passar pelas minhas veias - eu realmente não me importaria com quem tinha feito. Então isso não fazia diferença.
Era difícil definir, até pra mim mesma, porque isso importava. Só que havia alguma coisa sobre ser ele a decidir a fazer a escolha - a querer ficar comigo o suficiente pra permitir a minha mudança, era ele quem ia agir pra me manter junto a ele. Era infantil, mas eu gostava da ideia de que os lábios dele seriam as últimas coisas que eu sentiria.
Mais vergonhoso ainda, uma coisa que eu jamais diria em voz alta, eu queria o veneno dele no meu sistema. Isso me faria pertencer a ele de maneira tangível, qualificável.
Mas eu sabia que ele ia ficar grudado nesse esquema de casamento feito cola - porque um adiamento era claramente o que ele estava procurando e até agora ele estava conseguindo. Eu tentei me imaginar dizendo aos meus pais que ia me casar nesse verão. Seria mais fácil dizer pra eles que eu ia me tornar uma vampira. Eu tinha certeza de que pelo menos a minha mãe - se eu contasse a ela todos os detalhes da verdade - iria se opor muito mais firmemente a me ver casando do que me tornando uma vampira. Eu fiz uma careta pra mim mesma enquanto imaginei e expressão horrorizada dela.
Então, por apenas um segundo, eu tive a mesma visão estranha de Edward e eu no balanço da varanda, vestindo roupas de um outro tipo de mundo. Um mundo onde não seria uma surpresa se eu usasse o anel dele no meu dedo. Um lugar mais simples, onde o amor era definido de formas simples. Um mais um igual a dois...
Jacob bufou e virou de lado. O braço dele escapuliu das costas do sofá e me pressionou no corpo dele.
Minha nossa, mas ele era pesado! E quente. Eu já estava suando depois de alguns segundos.
Eu tentei escapar do braço dele sem acordá-lo, mas eu tive que empurrá-lo um pouco, e quando o braço dele caiu de cima de mim, os olhos dele se abriram. Ele ficou de pé num pulo, olhando ao redor ansiosamente.
—O quê? O quê?—, ele perguntou, desorientado.
—Sou só eu, Jake. Desculpe por ter te acordado—.
Ele virou pra olhar pra olhar mim, piscando e confuso. —Bella?—
—Oi, dorminhoco—.
—Oh, cara! Eu peguei no sono? Eu lamento! Por quanto tempo eu fiquei fora?—
—Alguns anos luz. Eu perdi as contas—.
Ele se jogou de volta no sofá ao meu lado. —Uau. Me desculpe por isso, sério—.
Eu alisei o cabelo dele, tentando arrumar o emaranhado selvagem. —Não se sinta mal. Eu estou feliz por você ter dormido um pouco—.
Ele bocejou e se esticou. —Eu estou inútil esses dias. Não é de se estranhar que Billy nunca está em casa. Eu sou tão chato—.
—Você é legal—, eu assegurei ele.
—Ugh, vamos lá pra fora. Eu preciso caminhar senão eu vou desmaiar de novo—.
—Jake, volte a dormir. Eu estou bem. Eu vou ligar pra Edward pra ele vir me pegar.— Eu tateava os meus bolsos enquanto falava, e me dei conta de que eles estavam vazios. —Droga, eu vou ter que usar o seu telefone. Eu acho que devo ter deixado o meu no carro dele—. Eu comecei a me desdobrar.
—Não!—, Jacob insistiu, pegando minha mão. —Não, fique. Você mal chegou aqui. Eu não posso acreditar que perdi esse tempo todo—.
Ele me puxou do sofá enquanto falava, e guiou o caminho pro lado de fora, abaixando a cabeça enquanto passava pelo arco da porta. Parecia ser fevereiro, não março.
O ar invernal pareceu deixar Jacob mais alerta. Ele andou pra frente e pra trás na frente da casa por um minuto, me arrastando com ele.
—Eu sou um idiota—, ele murmurou pra si mesmo
—Qual é o problema, Jake? E daí que você pegou no sono—, eu levantei os ombros.
—Eu queria falar com você. Eu não consigo acreditar nisso—.
—Me diga agora—, eu disse.
Jacob encontrou meus olhos por um segundo, e depois desviou o olhar rapidamente na direção das árvores. Quase pareceu que ele estava ficando corado, mas era difícil dizer com a pele escura dele.
De repente eu me lembrei do que Edward me disse quando me deixou lá - que Jacob me diria o que quer que ele estivesse gritando na cabeça dele. Eu comecei a mordiscar o meu lábio.
—Olha—, Jacob disse. —Eu estava planejando fazer isso um pouco diferente—. Ele riu, e aí pareceu que ele estava rindo de si mesmo. —Mais sutilmente—, ele acrescentou. —Eu ia trabalhar nisso, mas— - e ele olhou para as nuvens, mais escuras com o progresso da tarde - —Eu estou sem tempo pra trabalhar—.
Ele riu de novo, nervoso. Nós ainda estávamos vagando lentamente.
—Do que nós estamos falando?— eu quis saber.
Ele respirou fundo. —Eu quero te dizer uma coisa. E você já sabe o que é... mas eu acho que devia dizer isso em voz alta do mesmo jeito. Só pra que não haja confusão sobre o assunto—.
Eu plantei meus pés, e ele parou. Eu afastei a minha mão e cruzei os braços no peito. De repente eu tinha certeza de que não queria saber o que quer que ele estivesse planejando.
As sobrancelhas de Jacob se uniram, jogando seus olhos fundos nas sombras. Eles eram pretos cor de piche quando ele olhou para os meus.
—Eu estou apaixonado por você, Bella—, ele disse com uma voz forte, segura. —Bella, eu te amo. E eu quero que você me escolha ao invés dele. Eu sei que você não se sente assim, mas eu preciso colocar a verdade pra fora pra que você conheça as suas opções. Eu não quero que nenhum mal entendido fique no nosso caminho.

19 comentários:

  1. Eu amo esse lobooooooooooooooooooooooooooo!!!

    ResponderExcluir
  2. Caralhoooos qe coragem mnw *--* Jake pft ,Pena qe a Bella é do Eduard :3

    ResponderExcluir
  3. Aiin, era pra Bella ficar com Jake

    ResponderExcluir
  4. finalmente ele criou coragem

    ResponderExcluir
  5. Amooo esse loboooo,amo msm
    Mas o Edward mexe cmg kkkk

    ResponderExcluir
  6. Odeio aquele lobo nojento

    ResponderExcluir
  7. Vai pra pqp o Edward chegou primeiro nessa poha

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. jake, eu te amooo mas vc ta mais pra best do q pa qlqr outra coisa e como Libélula disse Edward chegou primeiro e ele é foda tmb

      Excluir
  8. Vai pra pqp o Edward chegou primeiro nessa poha

    ResponderExcluir
  9. Jake, Jake, reconheça que Bella é do Edward e espere, logo a B2 vai chegar (isso q dá ver os filmes antes..)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gustavo-filho de hades21 de abril de 2016 07:01

      S eu vi essa parte nunca assisti nenhum inteiro mas vi essa
      Como tu fika com um cara q pode c apaxona por otra c olha pa ela ???

      Excluir
  10. Jake, querido, eu gosto d vc, vc é um personagem mto foda, mas pra mim vc ta mais pra best do q pra qlqr outra cosa que quer q seja, e Edward sempre foi mais... mais sabe?! então aceite e n force mto a barra
    ~Rainha Soberana das tretas e dos sentimentos.

    ResponderExcluir
  11. Ai Meu Deus Do Céu!!!!!!😵😵😵😵😵😵😱😱😱😱😱😱😱😱
    Não dá pra acreditar nisso!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  12. eu. não .acredito!!!, que coragem ,ele sabe que Bella é do Edward e é totalmente submissa... como ele teve co-ra-gemmmmmm!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  13. Cara!Eu amo tanto o Edward quanto o Jacob,mas ja que o Edward ja tem dona que é a Bella,que tal o Jacob ficar comigo?
    -Abigail (Abby) dos Santos

    ResponderExcluir
  14. Jacob teu lindo, gato, maravilhoso, perfeito do meu cora não acredito e sua coragem e sinceramente não posso entender o que a bella viu no edward pra preferir ele a vc
    vc é totalmente perfeito e queria ter alguém como vc pra mim mas aceita de uma vez que a Bella é uma retardada que prefere o edward e só ti vê como amigo

    ResponderExcluir
  15. Eu ri dos comentários!!! kkkkkkkkkkk São mais legais que esse capítulo kkkkkkkk Leitores de opinião forte kkkkkk

    ResponderExcluir
  16. Jake, Aceita que dói menos é o Edward chegou primeiro mas uma frase que n lembro onde vi mas a Bela podia falar pra ele e: Jake sempre foi ele é nunca vai ser você, TVD

    ResponderExcluir
  17. A Bella está certa em preferir o Edward embora o Jacob seja tão incrível. Jacob não teve um imprint com ela. Eu não confiaria ficr com ele. Depois aparece uma guria qualquer e ele tem um imprint e aí? Como ficaria a Bella? Saí fora! Namorr lobo só se ele tiver um imprint comigo! Kkkkkkkkkkkkkkk
    Como se fosse real....kkkk

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!