30 de setembro de 2015

Capítulo 13

Eu achei o caminho para a aula de Literatura sozinha. Ok. Era do lado da aula de Neferet, mas ainda sim eu me sentia um pouco mais confiante quando não tive que pedir para ser levada até lá como a idiota garota nova.
— Zoey! Guardamos uma mesa para você! — Stevie Rae gritou no instante que cheguei à aula.
Ela estava sentada ao lado de Damien, e praticamente pulando de excitação. Ela parecia muito feliz e fofinha de novo, o que me fez sorrir. Eu estava muito feliz por ver ela.
— Então, então, então! Conte-me tudo! Como foi a aula de Teatro? Você gostou? Você gostou da professora Nolan? A tatuagem dela não é legal? Lembra-me uma mascara – de algum tipo.
Damien pegou o braço de Stevie Rae.
— Respire e deixe a garota responder.
— Desculpe — ela disse alegre.
— Eu acho que a tatuagem da Nolan é legal — eu disse.
— Você acha?
— Bem, eu estava distraída.
— O que? — ela disse. Então os olhos dela se estreitaram. — Alguém embaraçou você por causa da sua Marca? Eu juro que as pessoas são simplesmente grossas.
— Não, não foi isso. Na verdade aquela Elizabeth Sem sobrenome disse que ela achava legal. Eu estava distraída porque, bem... — eu estava sentindo meu rosto ficar vermelho de novo, eu decidi que eu ia contar a eles sobre Erik, mas agora que eu comecei a falar eu me perguntei se deveria dizer algo. Eu deveria contar a elas sobre o corredor?
Damien se animou.
— Eu sinto um comentário quente vindo. Anda Zoey. Você estava distraída porqueeeeee? — Ele arrastou a palavra numa pergunta.
— Ok, ok. Eu posso resumir em duas palavras: Erik Night.
A boca de Stevie Rae abriu e Damien fez um pequeno desmaio de mentirinha, que ele teve que disfarçar muito bem porque bem nesse momento o sino tocou e a professora Penthesilea entrou.
— Depois! — Stevie Rae sussurrou.
— Absolutamente! — Damien falou.
Eu sorri inocentemente. Eu estava certa que eu ia adorar o fato de que ter mencionado Erik iam enlouquecer eles por uma hora inteira.
A aula de literatura foi uma experiência. Pra começar, a sala era totalmente diferente do que eu já vi. Tinha pôsteres bizarramente interessantes e quadros que pareciam ser originais enchendo cada centímetro da parede. E pendurado no teto haviam sinos de vento e cristais - muitos deles. A professora Penthesilea (cujo nome eu reconhecia da Sociologia Vampira como pertencendo à maior guerreira amazona, e a quem todos chamavam de prof. P) era como algo vinda de um filme (bem, aqueles do canal Sci-Fi). Ela tinha um cabelo loiro enorme, olhos grandes, e um corpo cheio de curvas que provavelmente fazia todos os caras babarem (não que seja muito difícil fazer os adolescentes babarem.) As tatuagens dela eram finas, bonitas com amarras célticas traçadas pelo rosto dela e pelas bochechas, fazendo elas parecerem altas e dramáticas. Ela estava usando uma calça de aparência cara e um suéter de cardigan da cor musgo que tinha a mesma figura da deusa bordada por cima do peito dela que Neferet tinha. 
E, e agora que eu pensei sobre isso (e não no Erik), eu percebi que a blusa da professora Nolan, tinha o mesmo desenho da deusa na blusa que ela estava usando também. Hmmmm...
— Eu nasci em Abril de 1902 — a professora Penthesilea disse, instantaneamente chamando minha atenção. Eu quero dizer, por favor, ela mal parecia ter 30 anos. — Então eu tinha 10 anos em abril de 1912, e eu me lembro da tragédia muito bem. Sobre o que eu estou falando? Algum de vocês tem alguma ideia?
Ok, eu sabia exatamente do que ela estava falando, mas não era porque eu era uma nerd louca por história. Era porque quando eu era mais nova eu achei que estava apaixonada por Leonardo DiCaprio, e minha mãe comprou a coleção de DVDs inteira dos filmes dele para meu aniversário de 12 anos. Esse filme em particular eu assisti tantas vezes que eu ainda tinha memorizado ele (e eu não posso contar quantas vezes eu chorei quando ele saiu do navio e flutuou para longe como um adorável picolé).
Eu olhei ao redor. Mas ninguém parecia ter ideia, então eu suspirei e levantei a mão.
A prof P sorriu e chamou meu nome.
— Sim, Srta Redbird.
— O Titanic afundou em abril de 1912. Foi atingido por um iceberg tarde da noite em um domingo, dia 14, e afundou algumas horas depois no dia 15.
Eu ouvi Damien chupar o ar no meu lado, e o pequeno huh de Stevie Rae. Droga, eu realmente estava parecendo tão idiota que eles estavam chocados por me ouvirem responder algo corretamente?
— Eu realmente adoro quando um calouro novo sabe algo! — A professora Penthesilea disse. — Absolutamente correto, Srta. Redbird. Eu estava vivendo em Chicago na época da tragédia, e nunca vou esquecer os anúncios dos jornais com a tragédia. Foi um evento horrível, especialmente porque a perda de vidas podia ter sido evitada. Também assinalou o fim de uma época e o começo de outra, assim como também trouxe muitas mudanças necessárias às leis de navegação. Vamos estudar tudo isso, além dos deliciosamente melodramáticos eventos da noite, na nossa próxima peça em literatura, Uma noite para Recordar, de Walter Lord. Embora Lord não fosse um vampiro - e é realmente uma pena que ele não fosse — ela acrescentou. — Eu ainda acho o jeito que ele escreveu e como ele descreveu interessante e muito fácil de ler. Ok, vamos começar! A última pessoa em cada fileira pegue livros para as pessoas da sua própria fileira a sua do gabinete no fundo da sala.
Bem, legal! Isso com certeza era mais interessante do que ler Grandes Expectativas (obs, Estella, quem se importa?!). Eu sentei com Uma noite para Recordar e meu caderno aberto para fazer, hum, anotações. A professora P começou a ler o capítulo um em voz alta, e ela era uma boa leitora. Três aulas já tinham quase acabado e eu tinha gostado de todas. Era possível que uma escola vampira seria mais do que o lugar chato que eu ia todo dia porque eu precisava e, além disso, onde todos os meus amigos estavam? Não que todas as aulas de SIHS fossem chatas, mas não estudávamos as Amazonas e Titanic (com uma professora que estava viva quando ele afundou!).
Eu olhei ao redor para os outros garotos enquanto a professora P lia. Havia cerca de 15 de nós, o que parecia ser a média nas minhas outras aulas também. Todos tinham seus livros abertos e estavam prestando atenção.
E então meu olho viu algo vermelho e espesso do outro lado da sala perto da parte de trás. Eu falei muito rápido - nem todos os garotos estavam prestando atenção. Esse tinha a cabeça baixa nos braços e parecia estar dormindo, o que eu sabia por que seu rosto gordinho e branco demais estava virado na minha direção. A boca dele estava aberta, e eu acho que ele estava babando um pouco. Eu me perguntei o que a prof P faria com ele. Ela não parecia o tipo de professora que ficaria tranquila com alguém dormindo no fundo da sala, mas ela apenas continuou lendo, intercalando com fatos interessantes dados de primeira mão sobre o início do século XX, o que eu gostei bastante (eu adorava ouvir sobre as garotas metidas - eu definitivamente teria sido uma garota metida se eu tivesse vivido nos anos 1920). Não foi até quando estava prestes a tocar que a prof P que a professora deu o próximo capítulo com tarefa, e então nos disse que podíamos conversar baixo entre nós, que ela agiu como se tivesse acabado de perceber o garoto que estava dormindo. Ele começou a se mexer, finalmente levantado a cabeça para mostrar os círculos vermelhos que estava do lado da testa dele e parecia bizarramente deslocada ao lado da Marca dele.
— Elliott, eu preciso ver você logo — Prof P disse atrás da mesa dela. O garoto demorou a levantar e então arrastando os pés, arrastando os cadarços desatados, foi até a mesa dela.
— Sim?
— Elliott, você está, é claro, reprovando em literatura. Mas o que é mais importante, você está falhando na vida. Vampiros homens são fortes, honráveis, e únicos. Eles são nossos guerreiros e protetores a incontáveis gerações. Como você espera passar pela Mudança e ser um grande guerreiro se você não praticar disciplina necessária até para ficar em aula?
Ele deu nos ombros.
A expressão dela endureceu. — Eu vou te dar uma oportunidade de se redimir do zero em participação de aula que você recebeu hoje, você terá que escrever uma redação sobre o que era importante na América no início do século XX. Esse trabalho é para amanhã.
Sem dizer nada, ele começou a se afastar.
— Elliott — a voz da prof P tinha abaixado, e estava cheia de irritação, o que a fez parecer mais assustadora do que ela pareceu enquanto estava dando aula e lendo. Eu podia sentir o poder irradiando dela, o que me fez perguntar por que ela precisaria de um homem protegendo ela.
O garoto parou e virou o rosto para ela.
— Eu não liberei você. Qual é sua decisão sobre fazer o trabalho para se redimir pelo zero?
O garoto só ficou parado ali sem dizer nada.
— Essa pergunta pede uma resposta, Elliott. Agora! — O ar ao redor dela estalou com o comando dela, fazendo a pele do meu braço formigar.
Parecendo não ter sido afetado, ele deu nos ombros de novo.
— Eu provavelmente não vou fazer.
— Isso diz algo sobre o seu caráter, Elliott, e isso não é algo bom. Você não está apenas falhando consigo, mas você está falhando com seu mentor também.
Ele deu nos ombros de novo e sem pensar cutucou o nariz. 
— O Dragon já sabe quem eu sou.
O sino tocou e a prof P, com um olhar de nojo no rosto, apontou para Elliott sair da sala.
Damien, Stevie Rae, e eu levantamos e estávamos começando a ir embora quando Elliott andou desengonçado por nós, se movendo mais rapidamente do que eu acreditei ser possível para alguém que parecia tão preguiçoso. Ele deu um encontrão em Damien, que estava na nossa frente. Damien fez um oops e cambaleou um pouco.
— Bicha nojenta, sai do caminho — o garoto perdedor disse, empurrando Damien com seu ombro para poder sair da porta antes dele.
— Eu deveria quebrar a cara desse idiota! — Stevie Rae disse, se apressando para chegar até Damien, que estava esperando por nós.
Ele balançou a cabeça. — Não se preocupe. Esse garoto Elliott tem sérios problemas.
— Sim, como ter cocô no cérebro — eu disse, olhando pelo corredor para as costas do preguiçoso. O cabelo dele certamente não era atraente.
— Cocô no cérebro? — Damien riu e ligou o braço no meu e o outro em Stevie Rae, nos levando pelo corredor no estilo Mágico de Oz. — É isso que eu gosto na nossa Zoey — ele disse. — ela tem jeito com a linguagem vulgar.
— Cocô não é vulgar — eu disse de forma defensiva.
— Eu acho que esse é o ponto, querida — Stevie Rae riu.
— Oh. — Eu ri também, e eu realmente, realmente, gostei como soou quando ele disse “nossa” Zoey. Como se eu pertencesse... Como se eu estivesse em casa.

3 comentários:

  1. Que escroto esse Elliott, espero que não passe pela mudança.

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  2. " — Sim, como ter cocô no cérebro — eu disse, olhando pelo corredor para as costas do preguiçoso. O cabelo dele certamente não era atraente. — Cocô no cérebro? — Damien riu e ligou o braço no meu e o outro em Stevie Rae, nos levando pelo corredor no estilo Mágico de Oz. — É isso que eu gosto na nossa Zoey — ele disse. — ela tem jeito com a linguagem vulgar. — Cocô não é vulgar — eu disse de forma defensiva. — Eu acho que esse é o ponto, querida — Stevie Rae riu."

    O Damien tem rasão.

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