25 de setembro de 2015

Capítulo 12 - Tempo

—Eu tinha previsto...—, Alice começou num tom ominoso.
Edward jogou o cotovelo nas costelas dela, que ela desviou por pouco.
—Tá—, ela rosnou. —Edward está me fazendo fazer isso. Mas eu previ que seria mais difícil se eu surpreendesse você—.
Nós estávamos caminhando para o carro depois da escola, e eu não tinha a mínima ideia do que ela estava falando.
—Em Inglês?—, eu quis saber.
—Não seja um bebê sobre isso. Nada de acessos de raiva—.
—Então você - quer dizer, nós - vamos ter uma festa de formatura. Não é nada grande. Nada com o que se preocupar. Mas eu vi que você ia enlouquecer se eu tentasse fazer uma festa surpresa— - ela dançou fora do caminho quando Edward se aproximou pra bagunçar o cabelo dela - —e Edward disse que eu tinha que te contar. Mas não é nada. Prometo.—
Eu suspirei com força. —Existe alguma necessidade de discussão?—.
—Absolutamente não—.
—Está bem, Alice. Eu estarei lá. E eu vou odiar cada minuto dela. Prometo—.
—Esse é o espírito! Aliás, eu adorei o meu presente. Não precisava—.
—Alice, eu não dei!—
—Oh, eu sei disso. Mas você vai—.
Eu revirei o meu cérebro, tentando lembrar do que eu havia decidido dar pra ela como presente de formatura que ela pudesse ter visto.
—Incrível—, Edward murmurou. —Como é que alguém tão pequeno pode ser tão irritante?—
Alice riu. —É um talento—.
—Será que você não podia ter esperado umas semanas pra me contar sobre isso?—, eu perguntei petulantemente. —Agora eu vou ficar estressada com isso por muito mais tempo—.
Alice fez uma careta pra mim.
—Bella—, ela disse pra mim. —Você sabe que dia é hoje?—
—Segunda?—
Ela revirou os olhos. —Sim. É Segunda... dia quatro—. Ela puxou meu cotovelo, me virou, e apontou para um grande pôster amarelo pregado na porta do ginásio. Lá, em letras pretas pontudas, estava o dia da formatura. A exatamente uma semana de hoje.
—Dia quatro? De Junho? Você tem certeza?—
Nenhum dos dois respondeu.
Alice apenas balançou a cabeça tristemente, fingindo estar desapontada, e as sobrancelhas de Edward se ergueram.
—Não pode ser! Como foi que isso aconteceu?— Eu tentei fazer as contas na minha cabeça, mas eu não conseguia descobrir pra onde os dias haviam ido.
Eu senti como se alguém tivesse chutado as minhas pernas de baixo de mim. As semanas de estresse, de preocupação... de alguma forma, no meio de toda a minha obsessão com o tempo, o tempo tinha desaparecido. O meu espaço pra resolver tudo, pra fazer planos, havia desaparecido. Eu estava sem tempo.
E eu não estava preparada.
Eu não sabia como fazer isso. Como dizer adeus à Charlie e à Renée... pra Jacob... a ser humana.
Eu sabia exatamente o que eu queria, mas de repente eu estava morrendo de medo de pegar.
Em teoria, eu estava ansiosa, e até apressada pra trocar a mortalidade pela imortalidade. Afinal, ela era a chave pra ficar com Edward pra sempre. E aí havia o fato de que eu estava sendo caçada por inimigos conhecidos e desconhecidos. Eu preferiria não ficar sentada, desamparada e deliciosa, esperando que eles viessem me encontrar.
Em teoria, isso tudo fazia sentido.
Na prática... ser humana era tudo o que eu conhecia. O futuro além disso era um grande abismo escuro que eu não podia conhecer até me jogar nele.
O simples conhecimento, a data de hoje - que era tão óbvia que eu devia estar repreendendo-a subconscientemente - fez com que o prazo final pelo qual eu estive esperando tão impacientemente, parecesse um encontro com um esquadrão de tiro.
De uma maneira vaga, eu estava consciente de Edward segurando a porta aberta do carro pra mim, de Alice tagarelando no banco de trás, da chuva batendo no pára-brisa. Edward pareceu reparar que eu só estava lá em corpo; ele não tentou me tirar da minha abstração. Ou talvez ele tentou, e eu não reparei.
Nós acabamos em minha casa, onde Edward me levou até o sofá e me puxou pra baixo com ele. Eu olhei pela janela, para a névoa cinza líquida, e tentei descobrir pra onde a minha resolução havia ido.
Porque eu estava entrando em pânico agora? Eu sabia que o prazo estava acabando. Porque devia me assustar que ele já estivesse aqui?
Eu não sei por quanto tempo ele me deixou olhar para a janela em silêncio. Mas a chuva já estava desaparecendo na escuridão quando foi demais pra ele.
Ele colocou suas mãos frias em ambos os lados do meu rosto e fixou seus olhos dourados em mim.
—Será que você poderia por favor me dizer o que você está pensando? Antes que eu fique louco?—
O que eu podia dizer pra ele? Que eu era covarde? Eu procurei pelas palavras.
—Seus lábios estão brancos. Fale, Bella—
Eu exalei em uma grande rajada. Por quanto tempo eu estive prendendo a respiração?
—A data me pegou fora de guarda—, eu sussurrei. —Isso é tudo—.
Ele esperou, seu rosto cheio de preocupação e ceticismo.
Eu tentei explicar. —Eu não tenho certeza... do que dizer à Charlie... o que dizer... como dizer...— A minha voz escapou.
—Isso não é por causa da festa?—
Eu fiz uma careta. —Não. Mas obrigada por me lembrar—.
A chuva estava mais alta enquanto ele leu o meu rosto.
—Você não está pronta—, ele sussurrou.
—Eu estou—, eu menti imediatamente, uma reação de reflexo. Eu pude notar que ele viu isso, então eu respirei fundo, e contei a verdade. —Eu tenho que estar—.
—Você não tem que estar nada—.
Eu podia sentir o pânico surgindo em meus olhos enquanto eu falava as razões. —Victoria, Jane, Caius, quem quer que fosse que estava no meu quarto...!—
—Muito mais razões pra esperar—.
—Isso não faz sentido, Edward!—
Ele pressionou as mãos com mais força no meu rosto e falou deliberadamente devagar.
—Bella. Nenhum de nós teve a escolha. Você viu o que isso fez... com Rosalie, especialmente. Nós todos lutamos, tentando reconciliar a nós mesmos por uma coisa sobre a qual nunca tivemos controle. Não será assim pra você. Você vai ter uma escolha—.
—Eu já fiz a minha escolha—.
—Você não vai passar por isso porque tem um espada erguida sobre a sua cabeça. Nós vamos tomar conta dos problemas, e eu vou tomar conta de você—, ele prometeu.
—Quando não estivermos passando por isso, não houver nada forçando a sua decisão, ai você pode decidir se unir à mim, se você ainda quiser. Mas não porque você está com medo. Você não será forçada a isso—.
—Carlisle prometeu—, eu murmurei, contrariando só pelo hábito. —Depois da formatura—.
—Não até que você esteja pronta—, ele disse com uma voz segura. —E definitivamente não enquanto você se sentir ameaçada—.
Eu não respondi. Eu não conseguia encontrar nada pra discutir; no momento eu não parecia encontrar o meu comprometimento.
—Aí—, ele beijou a minha testa. —Nada com o que se preocupar—.
Eu ri um riso estremecido. —Nada além da destruição iminente.—
—Confie em mim—.
—Eu confio—.
Ele ainda estava observando o meu rosto, esperando que eu relaxasse.
—Posso te perguntar uma coisa?—, eu disse.
—Qualquer coisa—.
Eu hesitei, mordendo o meu lábio, e aí fiz uma pergunta diferente daquela que estava me preocupando.
—O que eu vou dar à Alice como presente de formatura?—
Ele riu silenciosamente. —Parecia que você ia dar a nós dois ingressos para um show-—
—Isso mesmo!— eu estava tão aliviada que quase sorri. —O show em Tacoma. Eu vi o anúncio em um jornal na semana passada, e eu pensei que seria uma coisa que você gostaria, já que você disse que o CD era bom—.
—É uma ótima ideia. Obrigado—.
—Eu espero que já não esteja lotado—.
—É o pensamento que conta. Eu bem sei—.
Eu suspirei.
—Tem outra coisa que você está querendo perguntar—, ele disse.
Eu fiz uma careta. —Você é bom—.
—Eu tenho bastante prática em ler o seu rosto. Me pergunte—.
Eu fechei os olhos e me inclinei pra ele, escondendo o meu rosto no peito dele. —Você não quer que eu seja vampira—.
—Não, eu não quero.—, ele disse suavemente. —Isso não é uma pergunta—, ele testou depois de um momento.
—Bem... eu estava me preocupando com... porque você se sente assim—.
—Se preocupando?— Ele escolheu as palavras com surpresa.
—Você pode me dizer porque? Toda a verdade, sem poupar meus sentimentos?—
Ele hesitou um momento. —Se eu vou responder a sua pergunta, você vai me explicar a sua pergunta?—
Eu balancei a cabeça, o meu rosto ainda escondido.
Ele respirou fundo antes de responder. —Você podia fazer coisa muito melhor, Bella. Eu sei que você acredita que eu tenho uma alma, mas eu não estou inteiramente convencido nesse aspecto, e isso te arrisca...— Ele balançou a cabeça lentamente. —Pra que eu permita isso - deixar que você se torne o que eu sou só pra que eu nunca tenha que te perder - é o ato mais egoísta que eu posso imaginar. Eu quero isso mais do que qualquer outra coisa, por mim mesmo. Mas pra você, eu quero tão mais. Permitir isso - parece um crime. É a coisa mais egoísta que eu jamais terei que fazer, mesmo se eu viver pra sempre.
—Se houvesse uma forma de eu me transformar em humano pra você - não importa qual fosse o preço, eu pagaria—.
Eu me sentei muito rígida, absolvendo isso.
Edward pensava que ele estava sendo egoísta.
Eu senti o sorriso cruzar lentamente pelo meu rosto.
—Então... não é porque você está com medo de... não gostar tanto de mim quando eu for diferente - quando eu não for mais macia e quente e quando não tiver o mesmo cheiro? Você realmente me quer, não importa no que eu me transforme?—
Ele exalou agudamente. —Você estava preocupada que eu não fosse gostar de você?— ele quis saber. Então, antes que eu pudesse responder, ele estava rindo. —Bella, pra uma pessoa tão intuitiva, você consegue ser tão obtusa!—
Eu sabia que ele pensava que era bobagem, mas eu estava aliviada. Se ele realmente me queria, eu podia passar pelo resto... de alguma forma. Egoísta, de repente pareceu ser uma palavra linda.
—Eu não acho que você se dá conta do quão mais fácil isso será pra mim, Bella—, ele disse, o eco do seu humor ainda estava em sua voz. —quando eu não tiver mais que me concentrar o tempo todo em te matar. Certamente, haverão coisas das quais eu sentirei falta. Isso pra começar...—
Ele me olhou nos olhos enquanto alisava a minha bochecha, e eu senti o sangue correr e colorir o meu rosto. Ele riu gentilmente.
—E o som do seu coração—, ele continuou, mais sério, mas ainda sorrindo um pouco. —É o som mais significante no mundo. Eu estou tão conectado a ele agora, que eu juro que poderia identificá-lo à milhas de distância. Mas nenhum dessas coisas importa. Isso—, ele disse pegando o meu rosto nas mãos. —Você. É isso que eu vou guardar. Você sempre será a minha Bella, só que você só será um pouco mais durável—.
Eu suspirei e deixei os meus olhos se fecharem de contentamento, descansando nas mãos dele.
—Agora, você vai responder uma pergunta pra mim? A verdade, sem poupar os meus sentimentos?— ele perguntou.
—É claro—, eu respondi imediatamente, meus olhos se abrindo com a surpresa.
Ele falou as palavras lentamente. —Você não quer ser minha esposa—.
O meu coração parou e depois começou a saltar. Um suor frio se acumulou na minha nuca e as minhas mãos se transformaram em gelo.
Ele esperou, observando e escutando a minha reação.
—Isso não é uma pergunta—, eu finalmente sussurrei.
Ele olhou pra baixo, seu cílios formando grandes sombras nas maçãs de seu rosto, e ele deixou as mãos caírem do meu rosto pra pegar a minha mão esquerda congelada. Ele brincou com os meus dedos enquanto falava.
—Eu estava me preocupando com porque você sente desse jeito—
Eu tentei engolir. —Isso também não é uma pergunta—, eu cochichei.
—Por favor, Bella?—
—A verdade?—, eu perguntei, apenas formando as palavras com a boca.
—É claro. Eu posso aguentar, seja lá o que for—.
Eu respirei fundo. —Você vai rir de mim—.
Ele virou se olhar pra mim, chocado. —Rir? Eu não posso imaginar isso—.
—Você vai ver—, eu murmurei, e depois suspirei. O meu rosto foi de branco para um repentino tom escarlate com o pesar. —tá, tudo bem. Eu tenho certeza que isso tudo vai soar como uma grande piada pra você, mas realmente! É tão... tão... embaraçoso!—, eu confessei, e escondi meu rosto no peito dele de novo.
Houve uma breve pausa.
—Eu não estou te entendendo—.
Eu levantei a minha cabeça de volta e encarei ele, a vergonha me deixou brava, agressiva.
—Eu não sou aquela garota, Edward. Aquela que se casa logo quando sai da escola como se fosse uma garota de interior que se apaixonou pelo namorado! Você sabe o que as pessoas iriam dizer? Você sabe que século é esse? As pessoas não se casam aos dezoito anos! Não as pessoas inteligentes, não as pessoas responsáveis, não as pessoas maduras! Eu não ia ser aquela garota! Essa não sou eu...— Eu parei, pendendo a trilha.
O rosto de Edward era impossível de ler enquanto ele pensava na minha resposta.
—Isso é tudo?—, ele perguntou finalmente.
Eu pisquei. —Já não é o suficiente?—
—Não é porque você estava mais ansiosa... com a imoralidade em si do que apenas por mim?—
E aí, apesar de eu ter previsto que ele ia rir, de repente era eu que estava ficando histérica.
—Edward!—, eu ofeguei entre os paradoxismos das risadas. —E aqui... eu sempre... pensei que... você fosse... tão mais... inteligente que eu!—
Ele me pegou em seus braços, e eu podia sentir que ele estava rindo comigo.
—Edward—, eu disse, conseguindo falar mais claramente com certo esforço. —não há necessidade de viver pra sempre sem você. Eu não ia querer um dia sem você—.
—Bem, isso é um alívio—, ele disse.
—Ainda assim... isso não muda nada—.
—No entanto, é bom entender. E eu compreendo a sua perspectiva, Bella, eu realmente compreendo. Mas eu gostaria muito só você considerasse a minha—.
Até aí eu já estava sóbria, então eu balancei a cabeça e lutei pra não fazer uma careta.
Seus olhos dourados líquidos ficaram hipnóticos enquanto seguravam os meus.
—Entenda, Bella, eu era aquele garoto. No meu mundo, eu já era um homem. Eu não estava procurando por amor - não, eu estava ansioso demais por ser soldado pra me preocupar com isso; eu não pensava em nada além do ideal de glória de guerra que eles estavam vendendo para os cadetes na época - mas se eu tivesse descoberto...— Ele pausou, pendendo a cabeça para o lado. —Eu ia dizer: se eu tivesse encontrado alguém, mas isso não basta. Se eu tivesse encontrado você, não há dúvida na minha cabeça sobre o que eu teria feito. Eu era aquele garoto, que teria - assim que eu tivesse descoberto que era por você que eu estava procurando - ficaria de joelhos e seguraria a sua mão. Eu iria querer você pela eternidade, mesmo se essa palavras não tivesse as mesmas conotações—.
Ele sorriu seu sorriso torto pra mim.
Eu encarei ele com os meus olhos arregalados congelados.
—Respire, Bella—, ele me lembrou, sorrindo.
Eu respirei.
—Você pode ver o meu lado, Bella, um pouquinho?—
E por um segundo, eu pude. Eu vi eu mesma com uma saia longa e com uma blusa de gola alta, com o meu cabelo preso em um coque em cima da minha cabeça. Eu vi Edward vindo na luz do sol com um buquê de flores do campo na mão, se sentando ao meu lado num balanço na varanda.
Eu balancei minha cabeça e engoli seco. Eu estava tendo flashbacks com Anne of Green Gables.
—O negócio é, Edward— eu disse com minha voz tremendo, evitando a pergunta. —na minha cabeça,casamento e eternidade não são conceitos mutuamente exclusivos ou mutuamente inclusivos. E já que estamos vivendo no meu mundo no momento, nós devíamos seguir o tempo, se você entende o que eu quero dizer—.
—Mas por outro lado—, ele contrariou. —em breve você estará deixando o tempo completamente pra trás. Então porque esse costumes transitórios de cultura local deveriam afetar tanto essa decisão?—
Eu torci os lábios. —Quando em Roma?—
Ele riu de mim. —Você não tem que dizer sim ou não hoje, Bella. É bom entender ambos os lados, no entanto, você não acha?—
—Então a sua condição...?—
—Ainda está em efeito. Entendo o seu ponto, Bella, mas se você quer que eu mesmo te mude...—
—Dum, dum, dah-dum—, eu solfejei por baixo do fôlego. Eu ia fazer uma marcha nupcial, mas pareceu mais com um canto.
O tempo continuou a se mover muito rápido.
A noite se passou sem sonhos, e aí amanheceu e a formatura estava me encarando. Eu tinha uma pilha de coisas pra estudar para as minhas provas finais e eu sabia que não conseguiria estudar nem a metade com os poucos dias que eu tinha de sobra.
Quando eu desci para o café da manhã, Charlie já tinha ido embora. Ele tinha deixado o jornal em cima da mesa, e isso me lembrou que eu tinha compras a fazer. Eu esperava que o anuncio do show ainda estivesse rolando; eu precisava do número de telefone pra comprar as estúpidas entradas. Não parecia mais um bom presente agora que não era mais surpresa. É claro, tentar surpreender Alice não era o plano mais brilhante, pra começo de história.
Eu esperava ir diretamente para a seção de entretenimento, mas a manchete em letras grossas e pretas me chamou a atenção. Eu senti uma pontada de medo enquanto chegava mais perto pra ler a primeira página da história.

SEATTLE ATERRORIZADA POR ASSASSINATOS

Fazem menos de dez anos desde que a cidade de Seattle estava caçando o mais perigoso dos serial-killers da história dos E.U. Gary Ridgeway, o assassino de Green River, foi condenado pelo assassinato de 48 mulheres. E agora, a assediada Seattle tem que lidar com a possibilidade de estar lidando com um monstro ainda mais aterrorizante dessa vez.
A polícia não acha que a recente onda de homicídios e desaparecimentos seja trabalho de um serial-killer. Pelo menos, ainda não. Este assassino - se, na verdade, for apenas uma pessoa - teria sido acusada por 39 homicídios qualificados e desaparecimentos apenas em menos de três meses.
Em comparação, a onda de 48 assassinatos provocada por Ridgeway foi espalhada num período de mais de 21 anos. Se essas mortes puderem ser ligadas a apenas um homem, então, esse seria o mais violento ataque de um assassino em série da história Americana.
A polícia, no entanto, está inclinada na teoria de um envolvimento com atividade de gangues. Ele teoria é apoiada pelo grande número de vítimas, e pelo fato de que não parece haver um padrão de escolha entre as vítimas.
De Jack o Estripador à Ted Bundy, os alvos de serial-killers estão geralmente conectados por similaridades em idade, gênero, raça, ou uma combinação dos três. As vítimas desse ataque de crimes têm idades entre a da estudante Amanda Reed de 15 anos, ao carteiro aposentado, Omar Janks, de 67 anos de idade. Os assassinatos qualificados incluem cerca de 18 mulheres e 21 homens. As vítimas tinham raças diversas: Caucasianos, Afro-Americanos, Hispânicos e Asiáticos.
A seleção parece ser randômica. O motivo parece não ter outra razão a não ser simplesmente matar.
Então porque considerar a ideia de um serial-killer?
Existem similaridades suficiente no modo de operação dos crimes para selecioná-los como crimes não relacionados. Todos as vítimas descobertas foram queimadas a tal ponto que foi necessário um exame de arcada dentária para identificá-los. O uso de algum acelerante, gasolina ou álcool, parece ser um indicativo das conflagrações; nos entanto, nenhum traço de acelerantes parecem ter sido encontrado ainda. Todos os corpos foram enterrados negligentemente, sem tentativa de encobrimento.
Mais horrível ainda, a maioria dos restos parece conter sinais de violência brutal - ossos quebrados e esmagados por algum tipo de pressão tremenda - que os médicos examinadores acreditam haver ocorrido antes da hora da morte, apesar de se ser difícil ter certeza sobre essas conclusões, considerando o estado das evidências.
Outra similaridade que aponta para a possibilidade de um serial: todos os crimes estão perfeitamente limpos de evidências, além dos restos por si só. Nenhuma impressão digital, nenhuma marca de pneu ou um fio de cabelo é deixado pra trás. Não houve nenhuma testemunha oculares para nenhum suspeito nos desaparecimentos.
E então temos os próprios desaparecimentos - altamente sigilosos em todos os aspectos. Nenhuma das vítimas podia ser considerada um alvo fácil. Nenhum deles era um fugitivo ou sem teto, que desaparecem tão facilmente e que dificilmente têm seus desaparecimentos reportados. Vítimas desapareceram de suas casas, de um apartamento de quatro andares, de um SPA, de uma recepção de casamento. Talvez o mais impressionante: o boxeador amador de 30 anos de idade, Robert Walsh, entrou em um cinema com sua acompanhante; depois de poucos minutos no cinema, a mulher se deu conta de que ele não estava em seu lugar. O corpo dele foi encontrado apenas três horas depois quando os bombeiros foram chamados à cena de um lixão em incêndio, a vinte quilômetros de distância.
Outro padrão presente nos assassinatos: todas as vítimas desapareceram à noite.
E o padrão mais alarmante? Aceleração. Seis homicídios foram cometidos no primeiro mês, 11 no segundo. Vinte e dois ocorreram apenas nos últimos dois dias. E a polícia não está mais perto de encontrar o responsável do que estavam quando o primeiro corpo carbonizado foi encontrado.
A evidência é conflitante, os pedaços são aterrorizantes. Uma nova gangue viciada ou um serial-killer selvagemente ativo? Ou alguma outra coisa que a polícia ainda não tenha levado em consideração?
Uma única conclusão é indisputável: algo horrível está perseguindo Seattle.

Eu precisei tentar três vezes pra ler a última frase, e eu me dei conta de que o problema era o estremecimento das minhas mãos.
—Bella?—
Focada como eu estava, a voz de Edward, apesar de baixa e não totalmente inesperada, me fez ofegar e girar.
Ele estava inclinado na porta, com as sobrancelhas juntas. Então, de repente ele estava ao meu lado, segurando a minha mão.
—Eu assustei você? Eu lamento. Eu não bati...—
—Não, não—, eu disse rapidamente. —Você já viu isso?— Eu apontei para o jornal.
Uma careta enrugou a testa dele.
—Eu ainda não vi as notícias de hoje. Mas eu sabia que estava piorando. Nós vamos ter que fazer alguma coisa... rapidamente—.
Eu não gostei disso. Eu odiava qualquer um deles tentando a sorte, e o que quer ou quem quer que estivesse em Seattle estava realmente começando a me assustar. Mas a ideia dos Volturi voltando era igualmente assustadora.
—O que Alice diz?—
—Esse é o problema— A careta dele endureceu. —Ela não consegue ver nada... apesar de já termos decidido um milhão de vezes que nós vamos investigar. Ela está começando a perder a confiança. Ela sente como se estivesse perdendo muito esses dias, que alguma coisa está errada. Talvez as visões dela estejam desaparecendo—.
Meus olhos arregalaram. —Isso pode acontecer?—
—Quem sabe? Ninguém nunca fez um estudo... mas eu realmente duvido. Essas coisas tendem a intensificar com o tempo. Olhe pra Aro e Jane—.
—Então o que ha de errado?—
—Profecias auto-realizáveis, eu acho. Nós continuamos esperando que Alice veja alguma coisa pra que possamos ir... e ela não vê nada porque nós não iremos até que ela veja alguma coisa. Então ela não pode nos ver lá. Talvez nós tenhamos que fazer isso às cegas—.
Eu estremeci. —Não—.
—Você tem um forte desejo de assistir aula hoje? Nós só estamos a dois dias das provas finais; eles não vão nos ensinar nada novo—.
—Eu posso viver sem escola por um dia. O que vamos fazer?—
—Eu quero falar com Jasper—.
Jasper se novo. Isso era estranho. Na família Cullen, Jasper estava sempre um pouco de lado, parte das coisas, mas nunca no centro delas. A minha assunção silenciosa era de que ele só estava lá por Alice. Eu tinha a sensação de que ele seguiria Alice pra onde quer que fosse, mas esse estilo de vida não era sua primeira escolha.
O fato de que ele tinha menos comprometimento do que os outros era provavelmente o motivo pelo qual ele tinha mais dificuldade de se ajustar.
De qualquer forma, eu nunca havia visto Edward se sentir dependente de Jasper. Eu me perguntei de novo o que ele queria dizer sobre Jasper ser um expert. Eu realmente não sabia muito sobre a história de Jasper, só que ele tinha vindo de algum lugar no sul antes de Alice encontrar ele. Por alguma razão, Edward sempre se esquivava de perguntas sobre seu irmão mais novo. Eu sempre me senti intimidada demais pelo alto vampiro loiro que parecia mais com um astro de cinema em ascensão pra perguntá-lo diretamente.
Quando estávamos na casa, nós encontramos Carlisle, Esme, e Jasper assistindo atentamente o noticiário, apesar do som estar tão baixo que era impossível para eu ouvir. Alice estava sentada no topo da grande escadaria, o rosto nas mãos com uma expressão desencorajada. Enquanto entrávamos, Emmett entrou pela porta da cozinha, parecendo perfeitamente tranquilo. Nada nunca incomodava Emmett.
—Ei, Edward. Faltando aula, Bella?— Ele sorriu pra mim.
—Nós dois estamos—, Edward lembrou ele.
Emmett riu. —Sim, mas é a primeira vez dela no colegial. Ela pode perder alguma coisa—.
Edward rolou os olhos, de outra maneira ignorando seu irmão favorito. Ele jogou o jornal pra Carlisle.
—Você viu que agora eles estão considerando um serial-killer?—, ele perguntou.
Carlisle suspirou. —Eles estavam com dois especialistas na CNN debatendo essa possibilidade hoje—.
—Nós não podemos continuar assim—.
—Vamos agora—, Emmett disse com um entusiasmo repentino. —Eu estou morto de chateação—.
Um assobio ecoou de cima das escadas até embaixo.
—Ela é tão pessimista—, Emmett murmurou pra si mesmo.
Edward concordou com Emmett. —Nós vamos ter que ir alguma hora—.
Rosalie apareceu no topo das escadas e desceu lentamente. O rosto dela estava suave, sem expressão.
Carlisle estava balançando a cabeça. —Eu estou preocupado. Nós nunca nos envolvemos nesse tipo de coisa antes. Não somos Volturi—.
—Eu não quero que os Volturi venham aqui—, Edward disse. —Isso nos dá muito menos tempo de reação—.
—E todos aqueles humanos inocentes em Seattle—, Esme murmurou. —Não é certo deixá-los morrer desse jeito—.
—Eu sei—, Carlisle disse.
—Oh—, Edward disse repentinamente, virando sua cabeça um pouco pra olhar pra Jasper. —Eu acho que não tinha pensado nisso. Eu entendo. Você está certo, tem que ser isso. Bem, isso muda tudo—.
Eu não fui a única que o encarou confusa, mas eu devo ter sido a única que não pareceu nem um pouco incomodada.
—Eu acho que é melhor você explicar aos outros—, Edward disse pra Jasper. —Qual seria o propósito disso?—, Edward começou a andar de um lado pro outro, olhando para o chão, perdido em pensamentos.
Eu não tinha visto ela se levantar, mas Alice já estava lá ao meu lado. —Porque ele está vagando?— ela perguntou a Jasper. —O que você está pensando?—
Jasper não pareceu gostar de toda a atenção. Ele hesitou, lendo cada um dos rostos no círculo - já que todo mundo tinha se aproximado pra ouvir o que ele tinha a dizer - e então os olhos dele pausaram no meu rosto.
—Você está confusa—, ele disse pra mim, sua voz profunda estava muito baixa.
Não havia pergunta em sua suposição. Jasper sabia o que eu estava sentindo, o que todos estavam sentindo.
—Nós estamos todos confusos—, Emmett murmurou.
—Vocês têm tempo pra ser pacientes—, Jasper disse a ele. —Bella devia entender isso também. Ela é uma de nós agora—.
As palavras dele me pegaram de surpresa. Tão pouco que eu havia lidado com Jasper, especialmente desde o meu último aniversário quando ele tentou me matar, eu não havia me dado conta de que ele pensava em mim desse jeito.
—Quanto você sabe sobre mim, Bella?—, Jasper perguntou.
Emmett suspirou teatralmente, e se atirou no sofá pra esperar com exagerada impaciência.
—Não muito—, eu admiti.
Jasper olhou pra Edward, que olhou pra cima pra encontrar seu olhar.
—Não—, Edward respondeu o seu pensamento. —Eu tenho certeza que você entende porque eu nunca contei essa história pra ela. Mas eu acho que ela precisa saber agora—.
Jasper balançou a cabeça pensativamente, e aí começou a enrolar pra cima a manga do seu suéter marfim.
Eu observei, curiosa e confusa, tentando entender o que ele estava fazendo. Ele segurou o seu pulso embaixo de uma luminária que estava ao lado dele, perto da luz da lâmpada, e passou o dedo em uma marca crescente em sua pele pálida.
Eu levei um segundo pra entender porque aquela forma me parecia estranhamente familiar.
—Oh—, eu respirei quando a realização bateu. —Jasper, você tem uma cicatriz exatamente igual a minha—.
Eu levantei minha mão, a protuberância prateada era mais proeminente na minha pele cor de creme do que na sua, cor de alabastro.
Jasper sorriu fracamente. —Eu tenho muitas cicatrizes como as suas, Bella—.
O rosto de Jasper estava ilegível enquanto ele puxava a manga do seu suéter mais pra cima. No início, os meus olhos não conseguiram entender a textura grossa que estava marcada na pele dele. Meias luas cruzadas umas por cimas das outras em um padrão que só era visível, branco no branco como era, porque o forte brilho da lâmpada ao lado dele fazia com que as marcas ficassem um pouco em relevo, com uma leve sombra marcando as formas. E então eu entendi que o padrão era feito com meias luas individuais como a no pulso dele... como a da minha mão.
Eu olhei de volta para a minha cicatriz pequena, solitária - e me lembrei de como eu a recebi. Eu olhei para a forma dos dentes de James, esboçada pra sempre na minha pele.
E aí eu sufoquei, olhando pra ele. —Jasper, o que aconteceu com você?

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