23 de setembro de 2015

Capítulo 12 - Oscilando

 Billy!  Charlie chamou assim que saiu do carro.
Eu virei na direção da casa, convidando Jacob pra entrar enquanto passava pelo portal da entrada. Eu ouvi Charlie saudando os dois em voz alta atrás de mim.
— Eu vou fingir que não vi você atrás do volante, Jake. — Ele disse em tom de desaprovação.
— Nós recebemos as carteiras mais cedo na reserva. — Jacob disse enquanto eu destrancava a porta e ligava a luz da varanda.
— Claro que recebem. — Charlie riu.
— Eu preciso sair de alguma forma. — Eu reconheci facilmente a voz ressonante de Billy, apesar dos anos.
O som dela fez com que eu me sentisse mais nova de repente, uma criança.
Eu entrei, deixando a porta aberta atrás de mim e acendendo as luzes antes de tirar meu casaco. Então fiquei perto da porta, observando ansiosamente enquanto Jacob e Charlie ajudavam Billy a sair do carro e a sentar na sua cadeira de rodas.
Saí do caminho enquanto os três corriam pra dentro, sacudindo a chuva.
— Isso é uma surpresa. — Charlie estava dizendo.
— Já faz muito tempo. — Billy disse. — Eu espero que esse não seja um momento ruim.
Seus olhos escuros vieram parar em mim de novo. Sua expressão estava ilegível.
— Não, está ótimo. Eu espero que você possa ficar para o jogo.
Jacob sorriu.
— Eu acho que esse é o plano, nossa TV quebrou na semana passada.
Billy fez uma cara feia para o filho.
— E, é claro que Jacob estava ansioso pra ver Bella de novo. — Ele acrescentou.
Jacob fez uma careta e baixou a cabeça enquanto eu tentava lutar contra uma onda de remorso que eu senti de repente.
Talvez eu tenha sido convincente demais na praia.
— Vocês estão com fome? — Eu perguntei, me virando na direção da cozinha. Estava ansiosa pra escapar do olhar especulativo de Billy.
— Não, nós acabamos de comer antes de vir pra cá. — Jacob respondeu.
— E você, Charlie? — Eu perguntei por cima do meu ombro enquanto virava no corredor.
— Claro. — Ele respondeu, sua voz vinha da entrada e estava se dirigindo á sala de TV.
Eu podia ouvir a cadeira de Billy acompanhando.
Os sanduíches de queijo grelhado estavam na frigideira e eu estava fatiando um tomate quando senti alguém atrás de mim.
— Então, como vão as coisas? — Jacob perguntou.
— Muito bem. — Era difícil resistir ao entusiasmo dele. — E você? Já terminou o seu carro?
— Não. — Ele fez uma careta. — Eu ainda preciso de partes. Nós pegamos aquele emprestado.
Ele apontou com o polegar na direção do quintal na frente de casa.
— Desculpa. Eu não vi nenhum... Como era mesmo o nome da peça que você estava procurando?
— Cilindro mestre. — Ele sorriu. — Tem alguma coisa errada com a caminhonete? — Ele acrescentou.
— Não.
— Oh. Eu só estava me perguntando por que você não estava dirigindo ela.
Eu olhei pra baixo para a frigideira e levantei a borda de um dos sanduíches pra olhar o lado de baixo.
— Eu peguei uma carona com um amigo.
— Bela carona. — Jacob estava admirado. — Contudo, eu não reconheci o motorista. Eu achei que conhecia a maioria das pessoas daqui.
Eu afirmei com a cabeça, mantendo os olhos baixos enquanto virava os sanduíches.
— Meu pai pareceu reconhecê-lo de algum lugar.
— Jacob, você poderia pegar alguns pratos? Eles estão no armário em cima da pia.
— Claro.
Ele pegou os pratos em silêncio. Eu esperava que ele deixasse pra lá.
— Então, quem era? Ele perguntou, colocando dois pratos no balcão no meu lado.
Eu suspirei, ele ganhou.
— Edward Cullen.
Para minha surpresa, ele riu. Olhei pra cima. Ele pareceu um pouco envergonhado.
— Eu acho que isso explica, então. — Ele disse. — Eu estava imaginando porque meu pai estava agindo tão estranho.
— É mesmo. — Eu fingi uma expressão inocente. — Ele não gosta dos Cullen.
— Velho supersticioso. — Ele cochichou por baixo do fôlego.
— Você acha que ele vai dizer alguma coisa pra Charlie? — Não consegui deixar de perguntar, as palavras saíram baixas e apressadas.
Jacob me encarou por um momento, e eu não consegui entender a expressão nos seus olhos escuros.
— Eu duvido. — Ele finalmente respondeu. — Eu acho que Charlie já deu uma bela lição nele da última vez. Eles não se falaram muito desde então, hoje é uma espécie de reunião, eu acho. Ele não deve falar nisso de novo...
— Oh. — Eu disse, tentando parecer indiferente.
Fiquei na frente da sala depois de levar a comida pra Charlie, fingindo que estava assistindo o jogo enquanto Jacob conversava comigo. Estava mesmo era ouvindo a conversa dos homens, procurando por algum sinal de que Billy ia me dedurar, pensando em alguma forma de pará-lo caso ele tentasse.
Foi uma noite longa. Eu tinha dever de casa pra fazer, mas estava com medo de deixar Billy sozinho com Charlie. Finalmente, o jogo acabou.
— Você e seus amigos vão voltar lá na praia logo? — Jacob perguntou enquanto carregava o seu pai pelo limiar da porta.
— Eu não tenho certeza. — Eu me esquivei.
— Foi divertido, Charlie. — Billy disse.
— Volte para o próximo jogo. — Charlie encorajou.
— Claro, claro. — Billy disse. — Estaremos aqui. Tenha uma boa noite.
Seus olhos encontraram os meus.
— Se cuide, Bella. — Ele acrescentou seriamente.
— Obrigada. — Murmurei, desviando o olhar.
Fui para a escada enquanto Charlie acenava pra eles na porta.
— Espere Bella.
Eu congelei.
Será que Billy tinha falado alguma coisa antes que eu estivesse na sala?
Mas Charlie estava relaxado, ainda sorrindo pela visita inesperada.
— Eu ainda não tive a chance de falar com você esta noite. Como foi seu dia?
— Bom. — Eu hesitei com um dos pés no degrau da escada, procurando por detalhes que eu podia compartilhar sem medo. — Meu time de Badminton ganhou todas as quatro partidas hoje.
—Uau, eu não sabia que você jogava Badminton.
— Bem, na verdade eu não jogo, mas o meu parceiro é muito bom. —Admiti.
— Quem é? — Ele perguntou interessado.
— Umm, Mike Newton. — Disse relutante.
— Ah, é, você já tinha dito que era amiga dele. — Ele lembrou. — Boa família. — Ele meditou por um momento. — Porque você não convidou ele para o baile esse fim de semana?
— Pai! —Gemi. — Ele está meio que namorando com a minha amiga Jéssica. Além do mais, você sabe que eu não sei dançar.
— Ah é. — Ele murmurou. — Depois ele sorriu pedindo desculpas. —Então eu acho que é bom que você vá estar em Seattle no Sábado... Eu fiz planos pra ir pescar com os rapazes lá da delegacia. Tudo indica que o clima estará quente. Mas se você quiser adiar a viagem para esperar até que alguém consiga ir com você, eu posso ficar em casa. Eu sei que te deixo sozinha tempo demais.
— Pai, você está fazendo um ótimo trabalho. — Sorri, esperando que o meu alivio não ficasse muito visível. — Eu nunca me importei em ficar sozinha, sou muito parecida com você. — Eu pisquei pra ele e ele deu um sorriso que fez seus olhos enrugarem.
Eu dormi melhor essa noite, cansada demais pra sonhar de novo. Quando acordei na manhã de cor acinzentada, meu humor estava feliz. A noite tensa com Billy e Jacob pareceu inofensiva o suficiente, então eu decidi esquecê-la completamente. Me peguei assoviando enquanto estava prendendo a parte da frente do meu cabelo com um grampo, e depois de novo quando descia as escadas.
Charlie reparou.
— Você está animada esta manhã. — Ele comentou enquanto tomávamos o café da manhã.
Eu levantei os ombros.
— Hoje é sexta feira.
Me apressei para estar pronta para ir para a escola no segundo que Charlie fosse embora. Já estava com a minha mochila pronta, calçada, dentes escovados, mas mesmo correndo para a porta assim que eu tive certeza que Charlie já estava fora de vista, Edward foi mais rápido. Ele estava esperando no seu carro brilhante, com os vidros abaixados, o motor desligado.
Eu não hesitei dessa vez, entrando no lado do passageiro rapidamente, tudo pra ver o rosto dele mais rápido. Ele mostrou seu sorriso torto pra mim, parando minha respiração e meu coração. Eu não conseguia imaginar como um anjo poderia ser mais glorioso. Não havia nada nele que pudesse ser melhorado.
— Como você dormiu? — Ele perguntou.
Eu me perguntei se ele tinha noção de como sua voz era atraente.
— Bem. Como foi a sua noite?
— Prazerosa. — Seu sorriso estava divertido, senti como se estivesse perdendo alguma piada.
— Será que eu posso perguntar o que você fez?
— Não. — Ele sorriu. — Hoje ainda é meu dia.
Hoje ele queria saber mais sobre as pessoas: sobre Renée, seus passatempos, o que nós fazíamos no nosso tempo livre. E depois a única avó que eu conhecia, meus poucos amigos da escola, me deixando envergonhada quando me perguntou sobre os garotos que eu havia namorado. Eu estava aliviada por nunca ter namorado, assim essa conversa em particular não poderia durar muito. Ele pareceu tão surpreso quanto Jéssica e Ângela pela minha falta de vida romântica.
— Então você nunca encontrou ninguém que você quisesse? —Ele me perguntou num tom sério que me fez imaginar o que ele estaria pensando.
Eu fui malevolamente honesta.
— Não em Phoenix.
Os seus lábios ficaram espremidos numa linha.
Nessa hora nós estávamos na cafeteria. Estava virando rotina o dia passar num sopro. Eu me aproveitei da sua breve pausa para dar uma mordida no meu pão.
— Devia ter deixado você vir sozinha hoje. — Ele disse, sem motivo algum, enquanto eu mastigava.
— Por quê? — Quis saber.
— Eu vou embora com Alice depois do almoço.
— Oh. — Eu pisquei desconcertada e desapontada. — Está tudo bem. Não é uma caminhada muito longa daqui até em casa.
Ele fez uma careta impaciente pra mim.
—Eu não vou fazer você andar até sua casa. Nós vamos pegar a sua caminhonete e deixá-la aqui pra você.
— Eu não trouxe as minhas chaves. — Suspirei. — Eu realmente não me importo de ir andando.
Eu me importava era de não poder estar com ele.
Ele balançou a cabeça.
— Sua caminhonete estará aqui, e a chave estará na ignição, a não ser que você tenha medo que alguém vá roubá-la. — Ele sorriu com o pensamento.
— Tudo bem. — Eu concordei, torcendo os lábios.
Tinha certeza de que as minhas chaves estavam no bolso da calça que eu usei na quarta, embaixo de uma pilha de roupas sujas na lavanderia.
Mesmo que ele invadisse minha casa, ou o que quer que ele estivesse planejando, ele jamais encontraria.
Ele pareceu sentir o desafio do meu consentimento. Ele sorriu, confiante demais.
— Então pra onde vocês vão? — Eu perguntei tão casualmente quanto pude.
— Caçar. — Ele respondeu severamente. — Se eu vou estar sozinho com você amanhã, eu vou tomar todas as precauções que puder. — Seu rosto ficou sombrio... E declarador.
— Você ainda pode cancelar.
Olhei pra baixo, com medo do poder persuasivo dos seus olhos. Eu me recusava a ser convencida a sentir medo dele, não importava quão grande o perigo pudesse ser. Não importa, eu repeti na minha mente.
— Não. —Eu sussurrei. — Eu não posso.
— Talvez você esteja certa. — Ele murmurou secamente.
A cor dos seus olhos pareceu ficar mais escura enquanto eu observava.
Mudei de assunto.
— Que horas eu te vejo amanhã? — Perguntei, já estando deprimida por ter que deixá-lo ir agora.
— Isso depende... É sábado, você não quer dormir até tarde? — Ele perguntou.
— Não. — Respondi rápido demais. Ele prendeu o riso.
— A mesma hora de sempre, então. — Ele decidiu. — Charlie vai estar em casa?
— Não, ele vai pescar amanhã. — Eu estava radiante pelo rumo conveniente que as coisas tomaram.
O tom de sua voz ficou afiado.
— E se você não voltar pra casa, o que é que ele vai pensar?
— Eu não tenho ideia. — Respondi calmamente. — Ele sabe que eu estava querendo lavar as roupas. Talvez ele ache que eu caí dentro da máquina.
Ele fez uma carranca pra mim e eu fiz uma carranca pra ele. A raiva dele era muito mais impressionante que a minha.
— O que você vai caçar hoje? — Eu perguntei depois de perder o concurso de quem encarava mais.
— Qualquer coisa que encontrarmos no parque. Nós não vamos muito longe. —  Ele pareceu se divertir com a minha referência casual ao seu segredo.
— Porque você está indo com Alice? — Eu me perguntei.
— Alice é a mais... Encorajadora. — Ele fez uma careta enquanto falava.
— E os outros? — Perguntei timidamente. — O que eles são?
Suas sobrancelhas se uniram por um breve momento.
— Incrédulos, em grande parte.
Eu espiei rapidamente a sua família atrás de mim. Eles estavam olhando para direções diferentes, exatamente como na primeira vez que eu os vi. Só que agora ele só eram quatro, seu lindo irmão com o cabelo cor de bronze, estava sentado na minha frente, com os olhos confusos.
— Eles não gostam de mim. — Adivinhei.
— Não é isso. — Ele discordou, mas seus olhos eram inocentes demais. —Eles só não entendem porque eu não consigo te deixar sozinha.
Eu fiz uma careta.
— Eu também não, por falar nisso.
Edward balançou a cabeça lentamente e revirou os olhos na direção do teto antes de olhar para os meus olhos de novo.
— Eu já disse que você não se vê com muita clareza. Não é como ninguém que já tenha conhecido. Você me fascina.
Eu olhei pra ele, certa de que agora ele estava brincando.
Ele sorriu enquanto decifrava a minha expressão.
— Tendo as vantagens que eu tenho, — ele murmurou, tocando discretamente na testa — eu tenho uma compreensão melhor da mente humana. As pessoas são previsíveis. Mas você... Você nunca faz o que espero, sempre me pega de surpresa.
Eu desviei o olhar, meus olhos aterrissando na família dele de novo, envergonhada e insatisfeita.
As palavras dele me fizeram parecer uma experiência científica. Eu queria rir de mim mesma por esperar outra coisa.
— Essa parte é fácil de explicar. — Ele continuou.
Eu senti seus olhos no meu rosto, mas ainda não conseguia olhar pra ele, com medo que ele percebesse o desespero nos meus olhos.
— Mas tem mais... E isso não é fácil de explicar com palavras.
Eu ainda estava olhando para os Cullen enquanto ele falava. De repente, Rosalie, a sua irmã loira, de tirar o fôlego, se virou pra me olhar. Me encarou, com olhos escuros e frios. Eu queria afastar os meus olhos, mas o olhar dela segurou o meu até que Edward parou no meio de uma frase e fez um barulho raivoso e baixo.
Era quase um assobio.
Rosalie virou a cabeça e eu fiquei aliviada por estar livre.
Olhei de volta para Edward, sabia que ele veria a confusão e o medo que esbugalharam meus olhos.
Seu rosto estava contraído enquanto ele explicava.
— Eu sinto muito sobre isso. Ela só está preocupada. Entenda... Não é perigoso apenas pra mim se, depois de passar tanto tempo publicamente perto de você... — Ele olhou pra baixo.
— Se?
— Se isso acabar... Mal.
Ele deixou a cabeça cair nas mãos, como fez naquela noite em Port Angeles. Sua angústia era visível, eu queria confortá-lo, mas eu não tinha ideia de como. Minha mão foi na direção dele involuntariamente, rapidamente, porém eu a deixei cair na mesa, temendo que o meu toque só deixasse as coisas piores. Eu percebi lentamente que as palavras dele deviam me assustar.
Eu esperei o medo vir, mas tudo que eu conseguia sentir era a dor do seu sofrimento. E frustração,frustração porque Rosalie interrompeu o que ele estava dizendo. Eu não sabia como voltar ao assunto. Ele ainda estava com a cabeça nas mãos.
Eu tentei falar com uma voz normal.
— E você tem que ir agora?
— Sim. — Ele ergueu o rosto.
Estava sério por um momento, e então o seu humor mudou e ele sorriu.
— Provavelmente é o melhor a fazer. Nós ainda temos quinze minutos daquele filme inacabado de Biologia, eu não acho que poderia aguentar mais.
Eu encarei Alice, seu cabelo preto formava uma auréola ao redor do seu rosto notável, élfico – estava repentinamente atrás dele. Sua leve figura era esbelta, graciosa mesmo estando absolutamente parada.
Ele a saudou, sem desviar os olhos de mim.
—Alice.
— Edward.
Sua voz soprano era quase tão atraente quanto a dele.
— Alice, Bella, Bella, Alice. — Ele nos apresentou, fazendo gestos com a mão casualmente, um sorriso torto nos lábios.
— Olá, Bella. —Seus olhos eram impossíveis de ler, mas seu sorriso era amigável.  — É bom finalmente te conhecer.
Edward deu uma olhada sombria pra ela.
— Oi, Alice. — Eu disse timidamente.
— Você está pronto? — Ela perguntou pra ele.
A voz dele estava indiferente.
— Quase. Eu te encontro no carro.
Ela foi embora sem outra palavra. Seu caminhar era tão fluido, tão suntuoso que eu senti uma leve pontada de inveja.
— Eu devo dizer 'divirta-se' eu seria o sentimento errado? — Eu perguntei, me virando pra ele novamente.
— Não. 'Divirta-se' funciona tão bem quanto qualquer outra palavra. — Ele sorriu.
— Divirta-se, então. — Fiz o máximo para parecer sincera.
É claro que eu não o enganei.
— Eu vou tentar. — Ele ainda estava sorrindo. — E você tente se manter em segurança, por favor.
— Ficar segura em Forks, que desafio.
— Pra você isso é um desafio. — Sua mandíbula ficou apertada. – Prometa.
— Eu prometo tentar ficar em segurança. — Eu recitei. — Vou lavar roupa hoje á noite, isso não deve oferecer nenhum perigo.
— Não caia. — Ele zombou.
— Eu farei meu melhor.
Então, ele se levantou e eu me levantei também.
— Te vejo amanhã. —Eu suspirei.
— Parece tempo demais pra você, não parece? —Ele meditou.
Eu afirmei pesadamente com a cabeça.
— Eu estarei lá pela manhã. —Ele prometeu, dando seu sorriso torto.
Inclinou-se sobre a mesa para tocar meu rosto, alisando a maçã do meu rosto de novo. Então ele se virou e foi embora. Eu fiquei olhando para ele até que ele foi embora.
Eu estava muito tentada a faltar as aulas restantes, ou pelo menos Educação física, mas um instinto de advertência me impediu. Eu sabia que se eu desaparecesse agora, Mike e os outros iriam presumir que eu estava com Edward. E Edward se preocupava com o tempo que passávamos juntos publicamente... Caso algo desse errado.
Eu me recusava a pensar na última possibilidade, me concentrando em fazer as coisas mais seguras pra ele.
Intuitivamente sabia, e sentia que ele também, que amanhã seria providencial.
Nosso relacionamento não podia continuar se equilibrando, como estava, na ponta de uma faca.
Nós íamos cair de um lado ou de outro, dependendo inteiramente da decisão dele, ou dos seus instintos. Minha decisão estava tomada, eu já havia a tomado mesmo antes de poder escolher e eu estava disposta a ir adiante.
Porque não havia nada mais assustador pra mim, nada mais doloroso, do que o pensamento de me afastar dele.
Não havia possibilidade.
Eu fui para a aula, sentindo que era uma obrigação. Honestamente não poderia dizer o que aconteceu em Biologia, minha mente estava ocupada demais pensando em amanhã. Na aula de Educação física, Mike estava falando comigo de novo, desejou que eu me divertisse em Seattle.
Eu expliquei cuidadosamente que havia cancelado a viagem, preocupada com minha caminhonete.
—Você vai pro baile com Cullen? — Sua voz ficou mal-humorada de repente.
— Não, eu não vou ao baile.
— O que você vai fazer, então? — Ele perguntou, com interesse demais.
Minha primeira vontade foi de dizer pra ele não se meter. Invés disso, eu menti brilhantemente.
— Lavar roupa, depois eu tenho que estudar para o teste de Trigonometria se não eu vou reprovar.
— Cullen vai te ajudar a estudar?
— Edward, — enfatizei — não vai me ajudar a estudar. Ele vai viajar pra algum lugar durante fim de semana. — As mentiras saíram mais naturalmente, eu reparei surpresa.
— Oh. — Ele se empertigou. — Você poderia vir para o baile com o nosso grupo, vai ser legal. Nós todos dançaremos com você. — Ele prometeu.
A imagem mental da cara de Jéssica deixou o meu tom mais áspero do que era necessário.
— Eu não vou para o baile, Mike, tá bem?
— Tá. — Ele murchou de novo. — Eu só estava oferecendo.
Quando o dia de aula finalmente terminou, eu caminhei para o estacionamento sem entusiasmo. Não estava especialmente a fim de ir caminhando pra casa, mas eu não sabia como ele seria capaz de trazer minha caminhonete. De qualquer forma, eu estava começando a acreditar que nada era impossível pra ele. Meus instintos provaram estar certos, minha caminhonete estava na mesma vaga em que ele tinha estacionado o Volvo esta manhã. Eu balancei a cabeça, incrédula, enquanto abria a porta e via a chave na ignição.
Havia um pedaço de papel dobrado no banco. Eu o peguei e fechei a porta antes de lê-lo. Duas palavras estavam escritas com sua letra elegante.

Tome cuidado.

O som do motor ligando-me assustou. Eu ri comigo mesma.
Quando eu cheguei em casa, a maçaneta da porta estava trancada, o ferrolho estava aberto, exatamente como eu havia deixado essa manhã.
Já dentro, eu fui direto para a lavanderia. Também parecia exatamente igual a como eu havia deixado de manhã. Procurei minha calça e, depois de encontrá-la, procurei nos bolsos. Vazios.
Talvez eu tenha levado minhas chaves lá pra cima no fim das contas, eu pensei, balançando a cabeça.
Seguindo o mesmo instinto que me levou a mentir pra Mike, eu liguei pra Jéssica com o pretexto de desejá-la sorte no baile. Quando ela me ofereceu os mesmos desejos na minha tarde com Edward, eu contei que havíamos cancelado. Ela estava mais desapontada do que o necessário para uma pessoa que ia ficar olhando a festa sem se divertir. Eu me despedi rapidamente depois disso.
Charlie estava com a mente ausente durante o jantar, preocupado com alguma coisa do trabalho, eu achava, ou com o jogo de Basquete ou talvez ele simplesmente tivesse gostado mesmo da lasanha, com Charlie era difícil adivinhar.
— Sabe pai... — Eu quebrei sua ausência de palavras.
— O que foi Bella?
— Eu acho que você está certo sobre Seattle. Acho que vou esperar até que Jéssica ou outra pessoa possa vir comigo.
— Oh. — Ele disse surpreso. — Oh, tudo bem. Então, você quer que eu fique em casa.
— Não pai, não mude seus planos. Eu tenho um milhão de coisas pra fazer... Dever de casa, lavar a roupa... Eu preciso ir á biblioteca e ao supermercado. Eu vou ficar fora o dia todo... Vá e se divirta.
— Você tem certeza?
— Absoluta pai. Além do mais, o estoque de peixe está ficando perigosamente baixo, nós só temos um estoque para dois ou três anos.
— Com certeza é fácil conviver com você, Bella. —Ele sorriu.
— Eu acho que posso dizer o mesmo de você. — Eu disse sorrindo.
Minha risada estava sem som, mas ele não pareceu reparar.
Eu estava me sentindo tão culpada por estar mentindo pra ele que eu quase segui o conselho de Edward e contei onde estaria.
Quase.
Depois do jantar, eu dobrei as roupas e levei outra pilha para a secadora. Infelizmente, esse é o tipo de trabalho que só ocupa as mãos. Minha mente estava definitivamente tendo tempo demais, e eu já estava ficando fora de controle. Eu flutuei entre uma espera tão intensa que quase chegava a ser dolorosa, e o medo insidioso que envolvia a minha escolha. Eu tive que continuar me lembrando de que eu já havia feito minha escolha, e não ia voltar atrás. Tirei seu bilhete do bolso tantas vezes quanto foram necessárias para absorver as duas palavras que ele havia escrito.
Ele me queria a salvo, eu disse pra mim mesma de novo e de novo.
Eu só tinha que me segurar á fé de que, no final, esse desejo estaria acima dos outros.
E qual era a minha outra opção, tirá-lo da minha vida? Intolerável.
Além do mais, desde que eu cheguei á Forks, parecia que minha vida era sobre ele.
Mas uma vozinha no fundo da minha mente estava preocupada se doeria muito... Se acabasse mal.
Eu fiquei aliviada quando chegou um horário aceitável pra eu ir dormir. Sabia que estava estressada demais pra dormir, então eu fiz algo que nunca fiz antes. Eu deliberadamente tomei remédio pra gripe desnecessariamente, o tipo que me tirava do ar por oito horas.
Eu normalmente não toleraria esse tipo de comportamento de mim mesma, mas eu sabia que amanhã já seria um dia complicado sem que eu estivesse voadora por falta de sono. Enquanto eu esperava que os remédios fizessem efeito, eu sequei meu cabelo até que ele estivesse impecavelmente liso, e procurei pelo que eu vestiria amanhã. Com tudo preparado para o dia seguinte, eu deitei na minha cama. Me sentia hiperativa, não parava de me contrair.
Eu me levantei e fucei na minha caixa de sapatos até encontrar uma coleção de CD's com os noturnos de Chopin. Eu o coloquei baixinho e me deitei de novo, concentrando em relaxar as partes do meu corpo individualmente.
Em algum lugar no meio desses exercícios, os remédios fizeram efeito, e eu alegremente fui ficando inconsciente.
Eu acordei cedo, tendo dormido sonoramente e sem sonhos graças ao meu uso desnecessário de remédios.
Apesar de estar bem descansada, eu entrei no mesmo frenesi apressado da noite passada. Me vesti com pressa, ajeitando a gola da blusa no meu pescoço, passando os dedos no suéter até que ele ficou bem acima da minha calça. Eu dei uma rápida olhada pela janela pra ver que Charlie já tinha ido embora. Uma fina camada de nuvens macias passeava pelo céu. Não parecia que elas iam durar por muito tempo.
Eu comi o café da manhã sem sentir o gosto da comida, me apressando pra limpar tudo quando eu acabei. Eu olhei pela janela de novo, mas nada havia mudado. Tinha acabado de escovar os dentes e estava descendo as escadas quando uma batida baixinha na porta fez meu coração bater com mais nas minhas costelas.
Eu voei para a porta, eu tive uns probleminhas com o ferrolho, mas eu finalmente abri a porta, e lá estava ele. A agitação se dissolveu assim que eu olhei para o rosto dele, se transformando em calma. Eu dei um suspiro de alívio – os medos de ontem pareciam muito bobos com ele aqui.
Primeiro ele não estava sorrindo, seu rosto estava sombrio. Mas então sua expressão se suavizou quando ele olhou pra mim, e então ele riu.
— Bom dia. — Ele deu uma gargalhada.
— Qual é o problema? — Eu olhei pra baixo pra ter certeza que não tinha esquecido nada importante como os sapatos, ou as calças.
— Estamos combinando. — Ele riu de novo.
Percebi que ele estava usando um suéter da cor do meu, com uma camisa de gola por baixo, e jeans azuis. Eu ri com ele, escondendo uma pontinha de arrependimento.
Porque ele tinha que parecer um modelo de passarela quando eu não podia?
Eu tranquei a porta atrás de mim enquanto ele andava para a caminhonete. Ele esperou ao lado da porta do passageiro, com uma expressão martirizada que era fácil de compreender.
— Nós temos um acordo. — Eu lembrei presumidamente, sentando no banco do motorista e me inclinando no banco para abrir a porta pra ele.
— Pra onde? — Eu perguntei.
— Ponha o seu cinto de segurança, eu já estou nervoso.
Dei uma olhada feia enquanto repetia.
— Pra onde? — Repeti com um suspiro.
— Pegue a estrada 101 para o norte. — Ele comandou.
Era surpreendentemente difícil me concentrar na estrada com os olhos dele no meu rosto. Eu compensei dirigindo ainda mais cuidadosamente pela cidade ainda adormecida.
— Você estava planejando voltar a Forks antes do anoitecer?
— Esta velha caminhonete é velha o suficiente pra ser a avó do seu carro, tenha algum respeito. — Rebati.
Em pouco tempo estávamos fora dos limites da cidade, apesar da negatividade dele.
Grossos arbustos e árvores com os troncos cobertos de verde substituíam os gramados e as casas.
— Vire à direita na 110. — Ele instruiu bem quando eu estava prestes a perguntar.
Obedeci silenciosamente.
— Agora nós vamos até onde o asfalto termina.
Eu podia ouvir um sorriso na voz dele, mas eu estava com medo de sair da estrada e provar que ele estar certo.
— E onde é que dá, quando o asfalto acaba? —Imaginei.
— Numa trilha.
 —Nós vamos fazer uma caminhada? — Graças á Deus que eu estava usando tênis.
— Isso é um problema? — Parecia que ele esperava que fosse.
—Não. — Tentei fazer a mentira soar confiante.
Mas se ele pensava que minha caminhonete era lenta...
— Não se preocupe. São só uns cinco quilômetros, e nós não estamos com pressa.
Cinco quilômetros.
Não respondi para que ele não ouvisse o pânico na minha voz.
Cinco quilômetros de raízes traiçoeiras e pedras soltas, tentando torcer meu tornozelo ou me incapacitar de alguma forma. Isso ia ser humilhante.
Nós dirigimos em silêncio enquanto eu contemplava o horror que se aproximava.
— O que você está pensando? — Ele perguntou impacientemente depois de alguns minutos.
Eu menti de novo.
— Só imaginando pra onde estamos indo.
— É um lugar pra onde eu gosto de ir quando o clima está bom. —Nós dois olhamos para as nuvens que estavam afinando depois que ele falou.
— Charlie disse que hoje estaria morno.
— E você contou ao Charlie o que ia fazer? —Ele perguntou
— Não.
— Mas Jéssica acha que vamos pra Seattle juntos? —Ele pareceu animado com a ideia.
— Não, eu disse pra ela que havíamos cancelado, o que é verdade.
— Ninguém sabe que você está comigo? – E agora com raiva.
— Isso depende... Eu acredito que você tenha contado pra Alice.
— Isso ajuda muito, Bella. — Ele disparou.
Eu fingi não ouvir isso.
— Forks te deixa tão deprimida que agora você virou suicida? —Ele perguntou quando eu o ignorei.
— Você disse que podia te causar problemas... Nós sendo vistos juntos publicamente. — Eu o lembrei.
— Então você está preocupada com o que pode acontecer comigo, se você não voltar pra casa? Sua voz ainda estava enraivecida, mas um pouco sarcástica.
Eu afirmei com a cabeça, mantendo meus olhos na estrada.
Ele murmurou alguma coisa tão baixa e tão rápido que eu não consegui entender.
Ficamos em silêncio pelo resto do caminho. Eu podia sentir as ondas furiosas de desaprovação que vinham dele, e não conseguia pensar em nada pra dizer.
E então a estrada acabou, sendo seguida por uma fina trilha, marcada por um pedaço de madeira. Parei no acostamento e desci do carro, preocupada porque ele estava com raiva de mim e eu não tinha mais a estrada como desculpa pra não olhar pra ele.
Estava mais quente agora, mais quente do que já esteve em Forks desde o dia que eu cheguei lá, quase mormacento embaixo das nuvens. Eu tirei meu suéter e amarrei na cintura, feliz por ter usado uma camisa leve, sem mangas, especialmente já que eu tinha cinco quilômetros de caminhada á minha frente.
Eu ouvi sua porta bater também, e virei pra ver que ele também tinha tirado o suéter. Estava olhando pra longe de mim, para a floresta que estava ao lado da minha caminhonete.
— Por aqui. — Ele disse, olhando pra mim por cima do ombro, os olhos perturbados.
Ele começou a entrar na floresta escura.
— E a trilha? – O pânico começou a tomar conta da minha voz enquanto eu dava a volta na minha caminhonete correndo para acompanhá-lo.
— Eu disse que havia uma trilha no fim do caminho, não que íamos usá-la.
— Sem trilha? — Eu perguntei desesperadamente.
—Você não vai se perder.
Nessa hora ele se virou pra mim, com um sorriso de zombaria e eu tentei prender um suspiro.
A camisa branca dele era sem mangas, e ele estava usando desabotoada, então a suave pele branca do seu pescoço seguia ininterruptamente até os contornos do seu peito, sua musculatura perfeita não estava mais meramente escondida por roupas.
Ele era perfeito demais, eu me dei conta com uma penetrante sensação de desespero. Não tinha jeito de essa criatura divina ter sido feita pra ficar comigo.
Ele olhou pra mim, desconcertado com minha expressão de tortura.
— Você quer voltar pra casa? —Ele perguntou baixinho, uma dor diferente da minha saturando a voz dele.
— Não — Caminhei até ficar ao lado dele, ansiosa pra não desperdiçar nem um segundo do tempo que tinha com ele.
— Qual é o problema? — Ele perguntou, com sua voz gentil.
— Eu não sou muito boa em caminhadas.  —Disse estupidamente. — Você vai ter que ser paciente.
— Eu posso ser paciente, se fizer um grande esforço. — Ele sorriu, prendendo o meu olhar, tentando me tirar do meu abatimento sem explicação e repentino.
Eu tentei sorrir de volta, mas o sorriso não foi convincente. Ele analisou meu rosto.
— Eu vou te levar pra casa. — Ele prometeu.
Eu não sabia se a promessa era incondicional, ou restrita a uma partida imediata. Eu sabia que ele pensava que era o medo que estava me aborrecendo, e eu estava agradecida de novo por ser a única pessoa cuja mente ele não podia ouvir.
— Se você quer que eu ande cinco quilômetros dentro da floresta antes que o sol se ponha, é melhor você começar a mostrar o caminho. — Disse acidamente.
Ele fez uma careta pra mim, lutando pra entender meu tom e minha expressão.
Depois de um momento ele desistiu e me guiou para a floresta.
Era tão ruim quanto eu temia. O caminho era quase todo plano e ele segurou as samambaias e trepadeiras pra que eu passasse. Quando o caminho ficou fechado por causa de árvores caídas e pedregulhos, ele me ajudou, me levantando pelo cotovelo, e depois me colocando no chão instantaneamente quando o caminho estava limpo. O toque da pele dele não parava de fazer meu coração bater alucinadamente. Duas vezes, quando isso aconteceu, eu olhei para o rosto dele e me dei conta que ele estava ouvindo, de alguma forma.
Eu tentei manter os meus olhos longe da sua perfeição o máximo que pude, mas eu falhava com frequência. Todas às vezes, a beleza dele me afundava na depressão.
Na maior parte do caminho, nós caminhamos em silêncio. Ocasionalmente, ele me perguntava algo do cotidiano que ele havia deixado passar durante os dois dias de questionário. Ele me perguntou sobre os meus aniversários, minha notas, meus animais de estimação na infância, e eu admiti que depois de ter matado três peixinhos, eu tive que desistir da empreitada.
Ele sorriu com isso, mais alto do que o normal, como o dobrar de sinos dentro da floresta vazia.
A caminhada me tomou boa parte da manhã, mas ele não mostrou nenhum sinal de impaciência. A floresta se arrastava ao nosso redor como um labirinto de árvores anciãs, e eu comecei a ficar com medo que ele nunca mais encontrasse o caminho de volta. Ele estava perfeitamente calmo, confortável no labirinto verde, parecendo nunca ter dúvidas em relação á direção.
Depois de algumas horas, a luz que passava pela copa das árvores se transformado, o tom azeitona se tornou uma cor brilhante de Jade. O dia tinha se tornado ensolarado, exatamente como ele havia dito.
Pela primeira vez desde que entramos na floresta, eu comecei a sentir uma excitação, que logo se transformou em impaciência.
— Já chegamos? — Perguntei, fingindo fazer uma carranca.
— Quase. — Ele sorriu pela mudança no meu humor. — Você vê a claridade ali na frente?
Eu tentei enxergar dentro da vasta floresta.
— Uhn, eu devia?
Ele brincou.
— Talvez seja cedo demais pra os seus olhos.
— Hora de visitar o oftalmologista. — Murmurei.
O sorriso dele cresceu ainda mais.
Mas então, alguns metros mais à frente, eu definitivamente podia ver uma luminosidade atrás das árvores, um brilho que era amarelo e não verde. Eu apertei o passo, minha ansiedade crescendo a cada passo. Ele me deixou guiar agora, seguindo silenciosamente.
Eu alcancei a borda da piscina de luz e entrei pelas últimas samambaias no lugar mais adorável que já tinha visto. A clareira era pequena, perfeitamente redonda, e cheia de flores selvagens – violetas, amarelas e de um branco macio. Em algum lugar próximo, eu podia ouvir o som borbulhante de um rio. O sol estava bem à frente, enchendo o círculo com uma incandescente luz amarela. Eu caminhei lentamente, abobalhada, através da grama macia, das flores e do ar morno, convidativo. Eu dei uma meia volta, esperando compartilhar isso com ele, mas ele não estava atrás de mim onde eu achava que ele estaria.
Eu me virei, procurando por ele, alarmada de repente. Finalmente eu o encontrei, ainda embaixo da densa sombra das copas na borda da clareira, me observando com olhos cuidadosos. Só então eu me lembrei do que tinha me levado ali e que a beleza do lugar havia me feito esquecer, o enigma de Edward e o sol, que ele havia prometido decifrar pra mim hoje.
Eu dei um passo na direção dele, meus olhos estavam curiosos. Seus olhos estavam confusos, relutantes. Eu sorri encorajando e o convidei com a mão, dando outro passo na sua direção. Ele levantou uma mão como num aviso, eu hesitei, dando um passo pra trás nos tornozelos.
Edward pareceu respirar fundo, e então deu um passo dentro da luz brilhante do sol da tarde.

4 comentários:

  1. "Havia um pedaço de papel dobrado no banco. Eu o peguei e fechei a porta antes de lê-lo. Duas palavras estavam escritas com sua letra elegante.
    Tome cuidado." Edward é tão amoso!

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  2. ELE É TÃO FOFOOO

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  3. Ele é simplesmente surreal!!!

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