18 de dezembro de 2016

Capítulo 34

Halt estimou que havia cerca de trinta homens descendo a ladeira em direção a eles.
— Eles estão vindo deste lado também — disse Evanlyn atrás dele.
Um rápido olhar sobre o ombro mostrou um número similar de cavaleiros descendo atrás deles, voltando para cercar as tropas arridi. Halt olhou para frente novamente. Ele e Gilan tomaram um momento para ler a velocidade de aproximação dos cavaleiros. Então eles se moveram como se fossem um só.
— Agora — disse calmamente Halt e ambos pressionaram e atiraram uma vez, depois duas, depois três e quatro vezes, reduzindo a elevação a cada vez para compensar o alcance reduzindo rapidamente. Depois de quatro devastadores lançamentos de duas flechas,
Evanlyn chamou por trás deles:
— Cinquenta metros na parte de trás!
Os dois arqueiros moveram cento e oitenta graus e enviaram mais flechas para rasgar os tualaghi por trás deles. Já agora, uma meia dúzia de cavalos sem cavaleiros corriam descontroladamente com o grupo avançando para frente, seus cavaleiros deitados em montes amassados na areia por trás deles. Agora, mais cinco se juntaram a eles do grupo da retaguarda antes que chegasse tão perto do muro protetor que Halt e Gilan tivessem que cessar-fogo. Evanlyn estava maravilhada com a precisão e alta velocidade dos dois arqueiros. Onze soldados inimigos fora da luta em questão de segundos! Essa era uma taxa de baixa que nenhum comandante poderia esperar para sustentar por muito tempo.
Agora era a vez dos homens que esperavam na barreira de escudos conforme os cavaleiros se chocavam contra ela. Mas alguns dos cavalos foram diretamente, com a cabeça para frente. A cerca eriçada de lanças, suas pontas afiadas brilhando no sol, forçou a maioria deles para desviar de lado no último momento, apesar de seus cavaleiros incitarem e os estimularem a continuar seu avanço. Os cavaleiros rapidamente perderam o impulso e se viram em desvantagem quando as longas lanças arridis impulsionavam para cima com eles. A maioria deles desmontou, deixando os cavalos com os companheiros responsáveis pela tarefa, e juntaram-se à luta em pé. A batalha se tornou exigente, empurrões, briga de corpo a corpo, com espadas curvas subindo e descendo, cortando e rasgando ao longo da linha. Homens gritaram de dor em ambos os lados conforme caíam. Em seguida, gritavam novamente enquanto companheiros e adversários pisavam neles em seus esforços para alcançar o inimigo.
Horace olhou para a barreira de escudos, os olhos cerrados de concentração, olhando para o primeiro ponto fraco, onde os tualaghi poderiam romper. Na frente esquerda, um soldado arridi escorregou e foi cortado por um dos tualaghi, que imediatamente moveu-se para a abertura da linha, rasgando descontroladamente para a esquerda e direita, alargando a brecha para que dois de seus companheiros abrissem caminho dentro e a linha começou a abrir para o interior.
Horace respirou fundo e virou-se para os quatro soldados com ele. Antes que ele pudesse agir, havia um rugido de touro ao lado dele e Svengal avançou na pista, o machado enorme zumbindo em círculos sobre a cabeça. Percebendo que ele só atrapalharia entrando no caminho do machado escandinavo, Horace relaxou e gesticulou para os quatro homens pararem rapidamente também.
Svengal bateu no tualaghi que tinha rompido a linha como um aríete. Ele chocou-se contra eles com seu escudo, e apesar da pressão dos homens por trás deles, instando-os para frente, Svengal jogou-os de volta, tirando-os de equilíbrio e surpreendendo-os. Então ele começou a derrubá-los à direita e à esquerda com golpes de machado, os varrendo antes que eles pudessem se recuperar. Quase tão logo que apareceu, a brecha no muro e foi restaurada e a linha fechada. Svengal retornou ao ponto onde Horace estava esperando.
— Deixe-me saber quando você precisar de uma mão — o jovem guerreiro disse suavemente.
Svengal olhou para ele. Havia uma luz perigosa em seus olhos.
— Improvável — falou ele brevemente.
Então ele estava saindo novamente conforme os tualaghi ameaçavam romper em outro lugar, batendo neles com escudo e machado, forçando-os para trás, pisando sobre alguém que tinha caído sob seu comando. Mas desta vez, Horace não tinha tempo para assistir. Ele era necessário em outro ponto de conflito e levou seus quatro homens em uma formação em cunha, se dirigindo até o ponto onde um grupo tualaghi forçou seu caminho no interior da parede. Quando Horace se aproximou, um deles caiu com uma flecha no peito. Então, Horace e seus homens estavam com eles, forçando-os para trás.
Não havia tempo para a bela esgrima. Era impelir, cortar, cortar novamente, defender com o escudo, bater e bater e bater! A destreza surpreendente Horace ficou evidente quando ele se jogou contra os tualaghi com espantosa velocidade e força, forçando-os para trás em pânico crescente.
Foi um pânico que se espalhou através dos atacantes e eles começaram sair para longe da barreira de escudos – primeiro em pares e, em seguida, em grupos maiores. Eles recuperaram seus cavalos, montaram e fugiram para a encosta, perseguidos por vaias e assobios triunfante dos defensores.
Gilan levantou seu arco e fez uma pergunta silenciosa para Halt, que balançou a cabeça.
— Guarde as suas flechas — disse ele. — Nós vamos precisar delas mais tarde.
— Não posso dizer que gosto da ideia de atirar nos homens por trás — concordou Gilan.
Ele guardou a flecha em sua aljava.
Selethen estava se aproximando deles. Sua túnica branca exterior estava rasgada e manchada de sangue e sujeira. Ele estava limpando a lâmina da espada quando chegou.
— Eles sentiram nossa força — disse ele. — Vocês atiram bem — acrescentou, inclinando-se em reconhecimento aos dois arqueiros. Seu fogo rápido tinha desconcertado as tropas de ataque, ele sabia.
— Duvido que eles irão tentar outro ataque frontal — Halt disse e o wakir assentiu de acordo.
Ele apontou para a borda da colina, onde um grupo de três cavaleiros estava assistindo, gritando com as tropas em retirada uma vez que passavam por eles. Em um estágio, o mais alto dos três se inclinou na sela e bateu em um soldado com o chicote.
— A menos que eu perca o meu palpite, aquele lá em cima é Yusal Makali. Ele é um dos seus líderes mais capazes de guerra. É astuto e cruel, e não é idiota. Ele acabou de ver o que um ataque frontal vai lhe custar. Agora vamos ter que ver o que ele tentará na próxima vez.
— E nos custou bem — disse calmamente Gilan, inclinando-se para onde as tropas arridis estavam cuidando de suas feridas.
Havia muitos deles para confortar. Os tualaghi podiam ter perdido homens no ataque, mas pelo menos dez soldados arridi estavam mortos ou feridos.
Svengal e Horace moveram-se para se juntar a eles. Ambos estavam limpando suas armas, como Selethen tinha feito. A face de Svengal ainda estava vermelha de raiva da batalha, os olhos ainda selvagens.
— O que eles estão esperando? — ele disse, sua voz mais alto do que a ocasião exigia. — Por que não continuam?
Halt o olhava com preocupação.
— Calma, Svengal — ele alertou.
Ele podia ver que o escandinavo, frustrado por semanas de inércia, estava perto da raiva furiosa que poderia atingir um escandinavo no calor da batalha.
— As probabilidades são que eles não vão atacar novamente. Você lhes custou muitas baixas. Ótimo trabalho, também, Horace — ele adicionou, como um aparte.
Ele tinha visto o contra-ataque devastador do jovem. Horace assentiu. Sua espada estava limpa agora e ele a guardou.
— O que você acha que eles vão fazer em seguida, Halt? — ele perguntou.
Antes que ele respondesse, o arqueiro olhou para o sol, agora quase diretamente em cima e martelando sobre eles.
— Acho que eles vão esperar que o calor e sede façam o seu trabalho para eles — disse ele. — Isso é o que eu faria em seu lugar.


Ele estava certo. O resto do dia passou sem qualquer novo ataque do tualaghi. Em vez disso, os araluenses e seus camaradas arridi sufocavam sob o calor explosivo do sol. O abastecimento de água estava baixo. Com a expectativa de alcançar os Poços Khor-Abash hoje, Selethen tinha relaxado sua normal disciplina rigorosa de água. Agora, estimava que, com o racionamento rigoroso, tinham água para mais dois dias.
Os tualaghi, naturalmente, poderiam enviar cavaleiros para toda a água que precisassem. Tudo o que eles tinham que fazer era vigiar o pequeno acampamento no meio da depressão. Desconfiados da precisão mostrada pelos dois arqueiros entre os inimigos, se mantiveram abaixo do cume. Mas de vez em quando podiam ser vistos brevemente conforme a sombra mudava e as sentinelas foram reveladas. Halt não tinha dúvidas de que suas baixas tendas negras estavam lançadas um pouco além do cume.
Quando escureceu, Selethen chamou seus homens, encurtando o perímetro de modo a que metade da força dele conseguisse dormir. Pelo menos essa era a ideia. Uma hora após o anoitecer, os rápidos ataques começaram.
Nunca houve mais de uma dúzia tualaghi envolvidos. Mas eles subiam gritando no deserto, arremessando pedras no acampamento. Então, iam até a barreira de escudos, matando um homem aqui, perdendo um de seus próprios lá, então, carregando seus feridos com eles. Eram ataques incômodos, puros e simples. Mas manteve todo o acampamento arridi em alerta e vigilância constante durante toda a noite, impedindo-os de descansar.
Mesmo que os ataques fossem fintas, cada um tinha que ser combatido porque Halt e os outros nunca sabiam quando um ataque real em vigor poderia vir.
O resultado foi uma noite nervosa sem dormir para as tropas arridi, pontuada por breves momentos de violência e terror súbito.
À luz da madrugada, Halt virou com a visão turva, os olhos avermelhados à linha do cume. Ele podia ver o movimento ocasional lá, mas nada que lhe presenteasse com um alvo válido. Os arridi tinham perdido quatro homens no primeiro ataque maciço, e outros dois sucumbiram aos ferimentos durante a noite. Haviam vários feridos e a maioria deles precisava de água, que agora estava em falta. Selethen relutantemente disse a seus atendentes médicos para reduzir a quantidade de água que os feridos estavam recebendo. Foi uma decisão difícil. A água era quase o único conforto que tinham no deserto.
Ele estava visitando os feridos quando Halt o chamou. A bandeira branca estava acenando sobre a crista do cume.
— Eles querem negociar — disse Halt.


O alto cavaleiro que Selethen tinha identificado como Yusal Makali desceu a encosta acompanhado por um cavaleiro com a bandeira branca. Selethen, com Halt carregando uma bandeira similar, passou pela linha de guerreiros arridi e caminhou para chegar até eles.
— Yusal sabe que eu vou respeitar a bandeira de trégua. No entanto, ele irá ignorá-la no momento em que lhe convir — Selethen disse amargamente. — Eu desejo que eu pudesse simplesmente pedir para você matá-lo conforme ele se aproximasse.
Halt encolheu os ombros.
— Nós poderíamos fazê-lo, é claro, mas isso não resolveria o problema que estamos encurralados e em desvantagem. E poderíamos não ter outra chance de negociar.
Eles pararam a meia dúzia de metros dos dois homens montados. Yusal oscilou para baixo da sela e avançou para chegar perto deles.
Ele era mais alto do que a média dos arridi ou tualaghi, Halt viu que de pé, dava uma boa cabeça acima dele mesmo e alguns centímetros mais alto que Selethen. Ele vestia túnica e kheffiyeh brancas. Branco era uma cor sensível ao calor escaldante do deserto. Mas, enquanto as vestes de Selethen eram todas brancas, as de Yusal eram aparadas em azul escuro. E enquanto os arridi deixavam as extremidades do adereço em torno de seu rosto para a proteção, o tualaghi deixava-o livre. Mas a metade inferior do rosto estava escondido atrás de um véu azul escuro, como uma máscara. Halt tinha ouvido os arridi se referindo a seus inimigos como “Os Velados”, “Os Esquecidos de Deus”. Agora ele entendia a referência.
A pele de Yusal, o que poderia ser vista acima da máscara, era castanha escura – queimada por anos de sol do deserto e do vento. Embora a máscara cobrisse o terço inferior da face, era óbvio que o nariz era proeminente e curvo, como o bico de uma ave de rapina. Seus olhos eram profundos e encapuzados, castanhos escuro, quase pretos. Grossas sobrancelhas completavam a aparência. Essas eram as únicas coisas que Halt poderia ver para reconhecer Yusal novamente se o visse sem o véu. Os olhos eram frios, negros e impiedosos. Não era encontrado qualquer vestígio de misericórdia ou o calor neles. Eram os olhos de um assassino.
— Então, wakir Seley el'then — Yusal disse — por que você está me seguindo?
A voz estava um pouco abafada pelo véu. Mas era dura e hostil, como os olhos. Não havia lugar para amabilidades.
Selethen foi igualmente direto.
— Você matou vinte dos meus homens. E tem um prisioneiro com você. Queremos que ele seja libertado.
Yusal encolheu os ombros. O movimento era desdenhoso.
— Venha e pegue-o então — ele desafiou. Houve um momento de silêncio. Então, ele acrescentou: — Você está numa posição ruim, Seley el'then. Está cercado. Está em minoria e sua água está acabando.
A última. declaração foi uma suposição, é claro. Yusal não tinha ideia de como eles tinham pouca água e Selethen não estava disposto a informá-lo.
— Nós temos abundância de água — ele disse uniformemente e, novamente, Yusal encolheu os ombros. As demonstrações de Selethen significavam pouco para ele.
— Se você disser que sim. O fato é, você vai ficar sem eventualmente, enquanto eu posso pegar toda a água que eu precisar. Posso me dar ao luxo de esperar enquanto a sede e o calor começam a matar seus homens. Você não.
Ele olhou para trás da encosta que os cercava por todos os lados.
— Você pode nos atacar, se quiser. Mas será difícil e temos números de quatro para um. Há apenas uma maneira que tal ataque vai acabar.
— Podemos lhe surpreender — disse Halt e olhos escuros no capuz se viraram para ele, estudando-o aborrecido.
Halt percebeu o olhar e o silêncio inabalável que o acompanhava eram destinadas a debilitá-lo. Ele levantou uma sobrancelha de uma maneira entediada.
— Você é um dos arqueiros, não é? — Yusal disse. — Mas, apesar de sua boa pontaria, uma vez que a batalha começa a ficar mais próxima, os números dirão.
— Você solicitou essa negociação, Yusal — Selethen disse. — Foi apenas para nos dizer o quão desesperada a nossa posição é? Ou tem algo interessante a dizer?
Ele permitiu o mesmo tom de desprezo que o tualaghi tinha usado para arrastar-se em suas palavras.
Yusal olhou para trás.
— Desista — ele disse simplesmente e Selethen respondeu com um curto riso.
— E você nos mata enquanto estamos desarmados? — ele perguntou.
O líder tualaghi sacudiu a cabeça.
— Você vale dinheiro para mim, Selethen. Posso pedir um enorme resgate para você. Eu seria louco para matá-lo. E tenho certeza que existem pessoas que vão pagar pelos estrangeiros também. Eu mantive o outro escandinavo vivo por isso mesmo. Por que eu faria diferente com você?
Selethen hesitou. Os tualaghi eram motivados pela ganância acima de tudo e ele estava inclinado a acreditar em Yusal. Enquanto pensava nisso, o líder tualaghi expressou a alternativa.
— Ou fique aqui e morra de sede. É só uma questão de tempo. Quando você estiver mais fraco, não teremos nenhum problema em caminhar e tomar as armas de suas mãos. E se você me fizer esperar, eu posso não ser tão caridoso.
Ele virou-se, como se desinteressado, não se importando qual o curso Selethen poderia escolher. O wakir pegou a manga de Halt e o levou a alguns passos de distância.
— Trata-se de seu povo também. O que você acha? — ele perguntou em voz baixa.
Halt olhou para a figura alta de pé a poucos metros, de costas para eles.
— Você acredita nele? — ele perguntou e Selethen assentiu, um movimento fracionário de sua cabeça.
— Os tualaghi farão qualquer coisa por dinheiro — disse ele. — Pelo menos desta maneira teremos uma chance. Como ele disse, se esperarmos, vamos ficar progressivamente mais fracos até que teremos que nos entregar de qualquer maneira.
Halt considerou a situação. Ele e Gilan poderiam romper as linhas tualaghi no abrigo da escuridão. Mas mesmo isso não era certo. Embora eles pudessem estar em movimento invisível, a terra era praticamente desprovida de cobertura. E dezenas de olhos estariam assistindo. E se eles tivessem sucesso em passar pelos tualaghi, então o que fariam? Eles estariam em pé, com a ajuda mais perto a quilômetros de distância. Até o momento que chegassem à Mararoc para trazer ajuda, Selethen e os seus homens estariam mortos. Evanlyn, Horace e Svengal também. Se eles se entregassem agora, tudo estaria em estado razoável e poderia surgir uma oportunidade para fugir ou virar o jogo sobre seus captores. Melhor agora do que depois, quando eles estavam enfraquecidos e meio loucos de sede.
— Muito bem — disse ele. — Vamos discutir os termos.

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